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00:024 quilômetros abaixo das ondas.
00:05O maior desafio era a profundidade.
00:07No fundo do Atlântico, investigadores buscam os restos do voo 447 da Air France.
00:14Aquela era uma linha comercial importante.
00:17O que você está fazendo?
00:18Que de repente teve um avião despencando do céu em 4 minutos e meio.
00:22228 pessoas morreram.
00:24Foi um verdadeiro choque.
00:25Temos que contactar os controles de tráfego aéreo do Brasil e do Senegal imediatamente.
00:31Os investigadores de desastres aéreos encaram uma tarefa monumental.
00:35Nós tínhamos de entender por que aquele acidente havia acontecido.
00:39A explicação mais simples é que uma bomba explodiu no voo.
00:46Isso explicaria.
00:48As respostas podem estar nos destroços, mas encontrar essa evidência...
00:54Levará anos.
00:55Eles tinham de fazer o que fosse preciso.
01:02Mayday.
01:12Desastres aéreos.
01:15Esta é uma história real baseada em relatórios oficiais e relatos de testemunhas.
01:24O voo 447 da Air France está cruzando o Oceano Atlântico.
01:34Primeiro de junho de 2009.
01:37O Airbus A300 está fazendo um voo direto de 11 horas do Rio de Janeiro para Paris.
01:43O capitão Mark Dubois, de 58 anos, está no comando.
01:52Aqui, a nova previsão do tempo.
01:54Ele foi piloto por mais da metade de sua vida e agora é um dos capitães mais experientes da Air
02:00France.
02:01Está difícil ver qualquer coisa nesse avião com essa iluminação.
02:04O primeiro oficial, Pierre Cédric Bonin, tem 32 anos e voava no A330 há cerca de um ano.
02:19O segundo oficial, David Robert, de 37 anos, está de prontidão.
02:25Os três pilotos voam em turnos para permanecer em alertas.
02:32Há 216 passageiros no voo noturno, incluindo o empresário executivo canadense Brad Clems.
02:41Eu falei com meu irmão no domingo de manhã.
02:44Nós conversamos sobre as crianças e depois eu falei com ele até a hora dele entrar no avião.
02:48Como muitos desses ratos de aeroporto, como eles o chamavam, ele voava o tempo todo, estava muito acostumado e eu
02:54acho que ele talvez até gostasse.
02:56Com o piloto automático mantendo o avião firme a 35 mil pés,
03:01Air France 447, prossiga.
03:06A tripulação se comunicava com o controle de tráfego aéreo brasileiro.
03:10Air France 447, entre em contato com o centro atlântico.
03:13Enquanto voam, um computador de bordo monitora os motores, a hidráulica e outros sistemas.
03:19Ele também envia relatórios de progresso para a sede da Air France.
03:24A cada 10 minutos, o computador transmite a posição do avião junto com os dados de manutenção.
03:33O objetivo das mensagens de manutenção é simplesmente ajudar as equipes em terra a se preparar para eventuais reparos do
03:41avião necessários para a próxima partida.
03:46Atlântico, Atlântico, Air France 447, chamando Atlântico.
03:52Air France 447, aqui é Atlântico, prossiga.
03:55Com três horas de voo, o capitão relata ter chegado a uma coordenada de navegação na costa do Brasil.
04:01Air France 447, posição em TOL.
04:05Mantenha o nível de voo 350.
04:08É entendido, faremos isso.
04:12Então temos outra coisa mais adiante?
04:15É, eu já vi.
04:22A 1h49 da manhã, o A-330 sai da cobertura do radar brasileiro e entra numa zona morta de comunicações
04:29sobre o meio do Atlântico.
04:36Duas horas depois, o controle de tráfego aéreo do Senegal tenta contactar o voo.
04:42Air France 447, aqui é Dakar. Estão copiando? Responda, Air France 447.
04:48Ele não consegue contato com a tripulação e alerta a Air France.
04:56Dakar para Air France. Alguma notícia do AF-447, câmbio?
05:00Negativo. Aguarde pelo Air France, por favor.
05:03Ninguém sabia da tripulação do voo 447.
05:07A única comunicação, 24 mensagens de manutenção transmitidas pela aeronave horas antes.
05:14Um funcionário da manutenção tenta fazer contato, mas suas mensagens retornam.
05:20Erro. Receptor não encontrado.
05:22Mas o que é isso?
05:23Talvez o sistema de comunicação tenha falhado.
05:27O rádio HF, principalmente à noite, não é exatamente confiável, por isso, durante algum tempo em que ele sumiu, todo
05:35mundo dizia, eu espero que seja só um problema de comunicação.
05:41No horário em que o voo deveria ter alcançado o espaço aéreo francês, os controladores ainda não conseguem fazer contato.
05:48No aeroporto internacional Charles de Gaulle, em Paris, o horário de chegada das 11h e 10h da manhã passa sem
05:54sinal do voo 447.
05:57O A330 estaria sem combustível a essa altura.
06:02A companhia aérea começa a notificar as famílias.
06:05O avião quase certamente caiu no mar.
06:08Eu tinha uma esperança infinitamente pequena de que ele tivesse tomado outro voo, porque nós estávamos totalmente certos sobre em
06:16que outros voos de volta ele poderia estar.
06:18Na tarde de 1º de junho, o mundo descobre que o voo 447 do Rio para Paris desaparecera misteriosamente.
06:27Foi um verdadeiro choque, para mim e para todo o setor, que uma aeronave moderna, como um Airbus A330, operado
06:38por uma empresa de primeira classe como a Air France, pudesse ter sumido assim sem nenhuma notícia.
06:46Equipes de busca reviram o meio do Atlântico atrás do avião e de sobreviventes.
06:53O avião já estava desaparecido há 11 ou 12 horas, e sem nenhuma espécie de comunicação.
06:59É um dos piores acidentes na história da aviação comercial.
07:03Um modelo jato de passageiros desaparece.
07:06228 pessoas estão presumidamente mortas.
07:19O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anuncia que quase não há chances de alguém ter sobrevivido.
07:29A missão de solucionar este mistério fica com a BEA, a Agência de Segurança Aérea da França.
07:37A agência está sob uma enorme pressão para apresentar respostas.
07:42Nós tínhamos de entender por que aquele acidente havia acontecido e com aquele avião, aquela companhia aérea.
07:49Ali, por favor.
07:51Alain Bouillard assume então o comando da investigação.
07:54Ele é piloto e engenheiro aeronáutico, com quase 20 anos de experiência como investigador de desastres aéreos.
08:03Eu tinha trabalhado em outras investigações importantes, como o caso do Concorde.
08:10Então eu tinha consciência do fato de que a investigação seria difícil.
08:15Mas eu estava calmo e me cerquei de gente competente.
08:20O engenheiro de sistemas francês, Leopold Sartorius, também entra para a equipe no primeiro dia.
08:27Desde o começo, nós esperamos uma investigação longa e também complicada.
08:32Temos que contactar os controles de tráfego aéreo do Brasil e do Senegal imediatamente, por favor.
08:38Sua primeira meta é encontrar o que restou do voo 447.
08:42Ele sumiu do radar sem mandar um sinal de perigo.
08:47E por muitos dias, não houve nenhum rastro na superfície do oceano.
08:57Essa é a última vez que eles informaram sua posição.
09:01Mensagens de posição enviadas a cada 10 minutos pelo avião,
09:06nos permitiram ter certeza da região.
09:08Uma grande região onde o avião poderia ser encontrado.
09:15Sartorius não sabe que direção o avião tomou depois de enviar aquele último relatório.
09:20Ele sabe apenas a que velocidade ele voava.
09:23É então uma área imensa para procurar.
09:25Acho melhor começar aqui.
09:26Última posição conhecida.
09:28Milhares de quilômetros quadrados de mar aberto.
09:30Área de busca.
09:33Forças aéreas e marítimas varrem o oceano procurando algum sinal do voo 447.
09:43Finalmente, após cinco dias de buscas, um piloto brasileiro avista alguns destroços esparsos flutuando.
09:49Destroços de um A330, mas nenhum sobrevivente.
09:56O achado elimina qualquer vestígio de dúvidas sobre a queda.
10:00Todos a bordo do voo 447 estão mortos.
10:05Seu mundo desaba.
10:07Foi absolutamente terrível.
10:09Ele era uma pessoa maravilhosa e eu era muito próximo dele.
10:13É simplesmente a coisa mais horrível que se pode imaginar.
10:16As famílias dos outros 227 estão exatamente na mesma situação.
10:22Todas precisam de respostas.
10:32O que faz um Airbus A330 cair de 35 mil pés?
10:37Nada.
10:38A perda de uma aeronave em cruzeiro é sempre rara.
10:43Nós estamos mais acostumados a eventos que acontecem durante o pouso ou a decolagem.
10:50Aquele evento, então, levantou muitas perguntas.
10:59Uma das perguntas mais urgentes e perturbadoras.
11:03Teria o mundo testemunhado um ataque terrorista fatal?
11:15Eu acho que um cenário terrorista era completamente plausível.
11:21Simplesmente porque trata-se de uma aeronave muito moderna,
11:26com um registro de segurança muito bom.
11:28A explicação mais simples é que alguma coisa, uma bomba, explodiu no avião.
11:34Isso explicaria.
11:35O que eu poderia explicar?
11:37As correntes do Atlântico espalharam os destroços flutuantes da aeronave
11:42por mais de 500 quilômetros quadrados de oceano.
11:53Cada parte recuperada é então cuidadosamente catalogada,
11:58fotografada e enviada à Terra para análises.
12:03Mas dos destroços perdidos no fundo do mar,
12:06o que os investigadores mais precisam são restos que incluem as vitais caixas pretas.
12:11Se nós não encontrássemos as caixas pretas, poderíamos nunca entender o que aconteceu.
12:17As duas caixas pretas registram detalhes importantes.
12:21Air France 447.
12:23Air France 447, prossiga.
12:25Do que os pilotos dizem e fazem durante o voo.
12:28Air France 447, entre em contato com a central do Atlântico.
12:32As caixas pretas são tão vitais que são equipadas com um sinalizador
12:36para ajudar os investigadores a localizá-las, mesmo sob a água.
12:40Mas o tempo está passando e o sinalizador só pode enviar sinal por 30 dias.
12:48Além disso, a área central do Atlântico tem 4,5 quilômetros de profundidade em alguns lugares,
12:55mais fundo que os restos do Titanic.
13:03Os técnicos ficam atentos ao sinal.
13:06Nessa profundidade, teremos que ficar em cima delas.
13:09Enquanto esquadrinha uma área de busca de 17 mil quilômetros quadrados.
13:15Era uma área imensa.
13:18Era uma verdadeira corrida contra o tempo.
13:21Nós tínhamos apenas 30 dias.
13:26Enquanto a agência de investigação varre o fundo do mar à procura das caixas pretas,
13:30outra equipe analisa as evidências concretas que tem até agora.
13:34Eu vou levantar todas as mensagens que eles mandaram.
13:37As 24 mensagens de manutenção enviadas pelo sistema de envio de comunicações
13:42e relatórios da aeronave do voo 447, o ACARS.
13:46É o primeiro acidente grave com um voo comercial moderno em que temos alguns dados do ACARS.
13:53As mensagens do ACARS são altamente técnicas.
13:57Não são projetadas para revelar o que a tripulação viu, disse ou fez durante o voo.
14:03Ter apenas as mensagens de manutenção para trabalhar é muito incomum.
14:10Nós tínhamos dados parciais que, na verdade, nos deram muito pouca informação.
14:16Mas eles forneceram uma pista intrigante.
14:19Olha, esse é o problema dos tubos de Pitot.
14:22Uma das mensagens de manutenção registra uma falha no sistema que mede a velocidade do ar, o tubo de Pitot.
14:29Você vai morar.
14:31As mensagens do ACARS nos deram a primeira peça do quebra-cabeça.
14:35Nós sabíamos que havia um problema de obstrução nos tubos de Pitot.
14:39Pitot.
14:40Os tubos de Pitot são pequenos sensores cilíndricos que ficam no exterior da fuselagem.
14:46Enquanto o ar passa pelos tubos, eles calculam a velocidade, mas às vezes eles falham temporariamente.
14:53Num ambiente com cristais de gelo muito densos, todos os cristais entopem o tubo e impedem a entrada do ar.
15:01A Air France e outras linhas aéreas estavam em processo de substituir os tubos de Pitot para evitar exatamente este
15:08tipo de problema.
15:09Os tubos congelavam o tempo todo.
15:15Incômodo, mas certamente não perigoso.
15:17Um tubo de Pitot congelado é considerado longe de ser catastrófico.
15:22Se você perde um tubo de Pitot, você não cai do céu.
15:25Os pilotos sabiam do problema e como resolvê-lo.
15:29A companhia havia notificado seus pilotos com o OSV, um boletim técnico que descrevia o fenômeno e as medidas apropriadas
15:37a tomar.
15:40Aqui, veja isso.
15:42Bouillard conclui que apenas os tubos de Pitot congelados não explicam a queda e que há mais nessa história.
15:48Essas mensagens não ajudam muito.
15:50Nós tivemos certeza na hora.
15:54Tínhamos que procurar em outro lugar.
16:01Já que os tubos de Pitot congelados não podiam ser culpados, Bouillard se pergunta se o clima extremo teve alguma
16:08influência.
16:10Uma forte turbulência pode danificar um avião ou até provocar a perda de uma aeronave ao partir uma asa ou
16:16danificar os sistemas de bordo.
16:20Os investigadores consideram a possibilidade do voo 447 ter passado por uma violenta tempestade, forte o bastante para derrubar o
16:28avião.
16:29A turbulência pode explicar o que causou o acidente.
16:34Altitude, senhor, estamos a 33 mil pés.
16:37Propulsão máxima.
16:38Mesmo naquela altitude, poderia ser impossível os pilotos se recuperarem de um stall provocado por uma violenta tempestade.
16:46As forças poderiam partir o avião ao meio.
16:50Num avião, o maior perigo de uma turbulência é um dano estrutural,
16:55como perder um pedaço da cauda,
16:58ou então perder uma asa em casos extremos.
17:03E isso levaria à perda da aeronave.
17:10Preciso de mais informações climáticas, relatos do piloto, imagens de satélite, tudo.
17:16O voo 447 desapareceu numa região instável,
17:19onde ventos tropicais dos dois hemisférios convergem criando violentas tempestades.
17:25Eles estavam na zona de convergência intertropical, que frequentemente tem fortes turbulências.
17:32Turbulência.
17:39Outros aviões mudaram suas rotas naquela noite para evitar tempestades na área.
17:43Mas que tipo de clima o voo 447 encontrou?
17:48Quais eram as reais condições?
17:50Qual era o verdadeiro ambiente ao redor do avião?
17:54Era uma grande dúvida.
17:57Além da turbulência, tempestades e raios são outra ameaça à aviação.
18:02Talvez um raio fosse o culpado pelo acidente.
18:04Senhores, estamos perdendo nossos instrumentos.
18:08Se por acaso houvesse alguma deficiência no isolamento do avião e os sistemas fossem danificados,
18:16nós provavelmente teríamos encontrado um monte de problemas.
18:21Teria um raio derrubado o voo 447?
18:29Até agora, a única evidência que buiá tem são alguns destroços boiando.
18:34Inclusive alguns coletes salvavidas não utilizados, indicando que os passageiros não tiveram tempo de colocá-los.
18:43Recuperar os coletes salvavidas na embalagem original nos disse que o evento aconteceu muito rápido.
18:51Os passageiros não estavam preparados para o impacto com a água.
18:58Os coletes fechados indicam uma catástrofe repentina.
19:11A recuperação da cauda foi um elemento muito importante.
19:18O padrão de fragmentação pode revelar pistas importantes sobre quando a cauda se partiu.
19:27Todas as rupturas eram de natureza estática.
19:30Não havia sinais de danos por fadiga.
19:34Isso deve ter acontecido quando ele bateu na água.
19:39A cauda estava ligada à fuselagem no momento do impacto.
19:43Ela não se partiu no ar.
19:46Se o A-330 bateu intacto na água, ele não foi derrubado por uma bomba, nem por uma turbulência.
19:55Os investigadores não estão nem perto de solucionar este mistério.
20:05Passaram-se três semanas desde o desaparecimento do voo 447 no Oceano Atlântico.
20:10Em alguns dias, as baterias dos sinalizadores das caixas pretas irão acabar.
20:21Apenas com destroços flutuantes para estudar, os especialistas se concentram numa sessão da cozinha do voo 447.
20:31Parece que a pressão foi vertical, assim.
20:34Eles fazem uma descoberta importante.
20:37O avião bateu ao comprido e em alta velocidade.
20:43Examinar a cozinha confirmou que houve uma enorme aceleração vertical no instante em que o avião bateu na superfície da
20:50água.
20:52Tudo dentro do avião estava achatado, como um carro num compactador de metais.
21:00Eles perceberam que o avião não mergulhou de nariz no mar.
21:04Era quase certo que ele havia batido de barriga.
21:08E como isso poderia acontecer com um avião comercial moderno, ninguém fazia ideia.
21:16Sob essas circunstâncias, era essencial encontrar a caixa preta para entender o acidente e explicar por que ele aconteceu.
21:26A busca no mar chega ao trigésimo dia sem nenhum sinal do A-330.
21:31O sinalizador está supostamente sem bateria.
21:35Booyard recorre então a um sonar de alta tecnologia para continuar a busca.
21:41Daquele momento em diante, o sonar era a única forma de detectar metais no fundo do mar e ter alguma
21:49chance de encontrar os destroços.
21:53Mas os íngremes vales e montanhas submarinos dificultam escanear o fundo do oceano.
22:00A área de busca era realmente inédita, era do tamanho da Suíça e você estaria percorrendo os Alpes tentando encontrar
22:06aquela coisa.
22:08Era assim que o terreno parecia, basicamente, de forma geral.
22:13Após meses de busca, eles tinham varrido mais de 22 mil quilômetros quadrados de leito oceânico e não encontraram absolutamente
22:20nada.
22:24A ausência das caixas pretas e de destroços eram muito frustrantes.
22:30Era como um fracasso.
22:33Para nós era inconcebível, em 2009 e 2010, se perder um importante avião comercial e não conseguir encontrá-lo,
22:40não conseguir entender o que aconteceu e por que 228 pessoas perderam suas vidas.
22:47Os investigadores estão, porém, determinados a ter sucesso.
22:50Eles recorrem aos mesmos veículos submarinos automáticos que encontraram o Titanic.
22:56Deve ter sido a primeira vez que um VSA percorreu um terreno tão acidentado para procurar algo tão pequeno.
23:03É um avião grande quando se está perto dele, mas quando se procura no oceano é um alvo muito pequeno.
23:09Mesmo assim, nenhum sinal de destroços no fundo do mar.
23:17Era como se o avião tivesse simplesmente sumido.
23:25Dezoito meses depois do voo 447 desaparecer,
23:30Buya percebe que as chances de encontrar o que procura estão cada vez menores.
23:35No fim de 2010, nós já havíamos gastado 22 milhões de euros.
23:42Continuar as buscas custará milhões mais, sem nenhuma garantia de sucesso.
23:47Nós não tínhamos certeza de que conseguiríamos encontrar os destroços.
23:52E se encontrássemos as caixas pretas, não tínhamos certeza de que conseguiríamos lê-las.
23:57A caixa preta não é projetada para ficar dois anos em águas muito profundas e ainda funcionar depois.
24:04As caixas já podem estar esmagadas pela enorme pressão submarina.
24:10A 4 quilômetros abaixo da superfície, elas estão sujeitas a uma força de mais de 400 quilos por centímetro quadrado.
24:19Os investigadores podem estar enfrentando uma batalha perdida.
24:25Quase dois anos depois do desastre do Air France, Buya tem pouco a mostrar de seus esforços.
24:31Nenhum destroço significativo e nenhuma caixa preta.
24:35Mas ele se recusa a desistir.
24:38Não podemos parar. Nós podemos encontrar as caixas. Eu sei que podemos.
24:43Para o BEA, era trabalho deles descobrir o que aconteceu.
24:46Obviamente, eles queriam encontrar as caixas pretas.
24:49Mas você consegue imaginar o que seria para a Airbus não saber ao certo o que causou o acidente e
24:55apenas poder teorizar a respeito.
24:59As famílias das vítimas também estão desesperadas por respostas.
25:05Era extremamente importante para nós que eles encontrassem as caixas pretas e descobrissem o que aconteceu.
25:10E nós estávamos determinados a pressionar ao máximo as autoridades para garantir que a busca continuasse.
25:17Em 25 de março de 2011, o BEA inicia uma busca final.
25:22Novamente, eles lançam um VSA-S para varrer o fundo do oceano.
25:27Eles se concentram num círculo de 37 quilômetros de diâmetro ao redor da última posição conhecida do avião.
25:36O VSA é separado do navio.
25:38Assim que ele é lançado, ele fica 20, 24 horas em missão independente do navio.
25:43Se o clima fica ruim, o VSA ainda rastreia para lá e para cá sem se importar.
25:48Com uma semana de busca, um submarino captura uma imagem de sonar de algo enorme no fundo do mar.
25:55A aposta de Buiar pode ter compensado.
26:01Com certeza parece um avião.
26:05A equipe envia imediatamente outro submarino, desta vez para fazer imagens digitais em alta resolução.
26:28A equipe manda as imagens diretamente para o escritório de Buiar, em Paris.
26:34Dois anos de sua vida haviam sido dedicados a esse momento.
26:42Eu não acredito.
26:46Graças a Deus.
26:49Receber as fotos foi um momento que eu esperei por dois anos.
26:56Aquilo gerou emoções indescritíveis.
27:00Emoções muito fortes.
27:04Em 3 de abril de 2011, os destroços do voo 447 da Air France foram finalmente encontrados.
27:13Eles estão 12 quilômetros a nordeste da última posição relatada do avião, a uma profundidade de quase 4 mil metros.
27:24Localizar os destroços já era algo excepcional e muito significativo na vida de um investigador.
27:32Com o local da queda definido, uma segunda busca começa.
27:37Um operador guia um robô submarino que vasculha a escuridão em busca das duas caixas pretas.
27:48É como um ferro velho.
27:50Não há nada além dos destroços do avião por toda a parte.
27:53Coisas empilhadas umas nas outras.
27:55Tem a fuselagem, tem motores, tem todo tipo de coisas por toda a parte.
28:01Os dias se passam sem nenhum sinal das caixas pretas.
28:05Os investigadores sabem que mesmo que encontrem o que procuram,
28:09dois anos sob a água deve ter inutilizado os dispositivos.
28:13Não fazíamos ideia se os registros de voo e as gravações de voz na cabine estariam em condições de funcionamento.
28:20Então, Bujar recebe a notícia que estava esperando.
28:24Pare, pare ali.
28:27Amplie ali.
28:34Incrível.
28:35Absolutamente incrível.
28:43São momentos difíceis de descrever.
28:47Momentos na sua carreira que você não pode esquecer.
28:52Um submarino não tripulado primeiro recupera a caixa preta
28:56e depois as gravações de voz da cabine.
28:59Assim que chegou ao convés, a polícia recolheu, colocou numa caixa em segurança.
29:03Daí todo mundo estava segurando a respiração.
29:06E naquele ponto você sabe que está com elas.
29:08Realmente é uma enorme sensação.
29:19A polícia francesa escolta a caixa preta e as gravações da cabine
29:23até o laboratório de Léo Sartorius, em Paris.
29:29Após incontáveis horas de buscas e teorias,
29:32o mundo pode finalmente entender o que aconteceu a bordo do voo 447.
29:38A resposta para o que saiu errado poderia estar trancada nestes recipientes à prova d'água.
29:44Havia muita preocupação de que, se nós dessemos um passo em falso,
29:49isso levasse à perda da informação.
29:53Elas devem ser manuseadas com cuidado.
29:56Um movimento errado e uma busca de dois anos e quase 32 milhões de euros seriam em vão.
30:04Começando com as gravações da cabine,
30:07eles abrem cuidadosamente a caixa protetora,
30:10procurando os cartões de memória no interior.
30:18A pior coisa que poderia acontecer seria os cartões de memória estarem quebrados,
30:24fisicamente quebrados.
30:26Isso não é bom.
30:28Vê o estrago?
30:29Os transmissores parecem quebrados.
30:34Nós rapidamente notamos que havia pequenas partes quebradas,
30:38então não tínhamos certeza se estava tudo funcionando.
30:41Se os técnicos não puderem consertar o aparelho quebrado,
30:45pode não haver como saber o que aconteceu na cabine pouco antes da queda.
30:49Nem quem estava pilotando o avião.
30:53Olha o cartão de gravação.
30:55Um exame atento da segunda caixa que registra os dados de voo traz notícias melhores.
31:03Tudo bem, sem problemas.
31:06Acho que nós olhamos um para o outro e dissemos,
31:09é inacreditável que esteja nessas condições, é incrível.
31:15O cartão de memória estava em ótimas condições.
31:18Nós conseguimos ler os dados bem rapidamente.
31:22Enquanto os técnicos tentam consertar o gravador da cabine,
31:26Sartorius organiza cuidadosamente os dados de voo.
31:31Eles estavam voando em segurança a 35 mil pés.
31:34Os dados revelam que os tubos de pitot de fato congelaram.
31:40Os tubos de pitot congelaram aqui.
31:43Os tubos congelados geraram leituras instáveis de velocidade,
31:48fazendo o piloto automático desligar automaticamente.
31:53O piloto automático desliga e o piloto assume o controle do avião.
31:58Ele avisa os pilotos bem alto.
32:01Pode ter sido meio surpreendente, um certo choque.
32:04E isso com certeza foi um choque para aqueles pilotos.
32:07E a reação deles a esse aviso foi a chave para tudo mais que se seguiu.
32:12A tripulação foi informada de que um tubo de pitot congelado
32:15poderia limpar-se em menos de um minuto.
32:18Os pilotos no avião só ficaram sujeitos à obstrução por cerca de 56 segundos.
32:23E depois disso, as leituras de velocidade voltaram ao normal.
32:27O piloto precisa apenas manter o avião estável e o problema desaparecerá.
32:33O avião não sabe que você não sabe a velocidade do ar.
32:36Tudo o que o avião quer é potência para continuar indo em frente
32:39e a mesma atitude para manter o nível de voo.
32:42Mas ele não manteve estável.
32:44Quem quer que estivesse pilotando levantou o nariz do avião em vez disso.
32:50Quando o piloto automático desligou,
32:53o piloto no comando mudou a inclinação do avião.
32:59Ele subiu mais de 2.500 pés.
33:04Se você levantar o nariz de um avião que está subindo, isso reduz a velocidade.
33:09Aqui, a velocidade caiu mais de 90 nós em menos de um minuto.
33:15Isso disparou um aviso de Stoll aqui.
33:22Levantar o nariz de um avião em alta altitude
33:24coloca o avião em Stoll muito rápido.
33:29Num Stoll aerodinâmico, as asas perdem sustentação e o avião despenca do céu.
33:35Foi a ação do piloto que levou ao Stoll.
33:40Eles caíram a mais de 12 mil pés por minuto.
33:45Inexplicavelmente, o piloto continuou a puxar o manche
33:48quando deveria ter abaixado o nariz do avião
33:51para ganhar velocidade e sustentação.
33:54Quanto mais você levanta o nariz, mais perde sustentação.
33:58E foi isso que aconteceu com o Air France 447.
34:03Tínhamos um avião praticamente caindo como uma pedra.
34:10Apenas as gravações de voz da cabine
34:13podem revelar por que os pilotos agiram daquela forma.
34:18Em nosso laboratório, houve algumas horas de agonia
34:22porque não tínhamos certeza de que conseguiríamos ler os dados
34:25depois de tanto esforço e de todo aquele dinheiro gasto.
34:28Vai tocar?
34:30Não sei.
34:33Os investigadores estão contra a parede.
34:36Eles têm apenas mais uma esperança
34:38em sua longa busca para saber
34:40o que causou o pior desastre aéreo da história da Air France.
34:44Tudo pelo que trabalharam agora
34:46depende do conserto de um pequeno dispositivo eletrônico.
34:55O momento da verdade.
35:00Air France 447.
35:02Air France 447, prossiga.
35:05Air France 447, entre em contato com a central do Atlântico.
35:09Atlântico, Atlântico.
35:1140 minutos antes do acidente, o capitão Debois está em seu assento.
35:16Air France 447, aqui é Atlântico, prossiga.
35:18Air France 447, posição em TOL.
35:23A gravação nos permitiu saber quem estava pilotando o avião,
35:26quem estava monitorando os parâmetros.
35:29O primeiro oficial, Pierre Cédric Bonin, está no assento da direita.
35:39Então temos outra coisa adiante?
35:42Sim, eu vi.
35:45E os dois homens estão indo na direção de uma tempestade.
35:50Parece que estamos entrando na nuvem.
35:53Normalmente, a tripulação tentaria voar sobre uma tempestade.
35:56Mas naquela etapa de um voo transatlântico, não é seguro fazer isso.
36:02Seria bom se pudéssemos subir agora, não?
36:06É.
36:07A 35 mil pés, o ar no exterior é muito rarefeito
36:11para que o avião pesado com combustível ir mais alto.
36:16Os pilotos têm apenas duas opções.
36:20Voar direto através da tempestade
36:22ou tentar contorná-la.
36:45Conseguiu dormir?
36:47Mais ou menos.
36:48Muito bem, então eu vou sair daqui.
36:54O capitão do Boar faz o seu descanso programado.
36:58O primeiro oficial, David Robert, rende o capitão mais experiente.
37:04Robert tem quase 4 mil horas de voo a mais no A-330
37:08que o outro primeiro oficial na cabine.
37:11O primeiro oficial Robert está no assento da esquerda.
37:15O primeiro oficial Bonin é o piloto no assento da direita.
37:20Os investigadores agora sabem que minutos antes da queda,
37:23o capitão saiu da cabine para o seu intervalo.
37:26Será que não é melhor um pouco para a esquerda?
37:27Mas não está claro qual dos dois outros pilotos está no comando.
37:31Como é?
37:32Talvez você possa ir um pouco para a esquerda.
37:36A forma como eles agiram quando o capitão saiu da cabine
37:40não foi como se um deles estivesse com certeza no comando
37:44e o outro fosse com certeza o piloto de apoio.
37:52A confusão quanto aos papéis torna-se crítica
37:55quando o avião atinge uma coluna de cristais de gelo na nuvem.
38:00Os cristais de gelo castigam o avião.
38:08O gelo cobre os tubos de Pitot.
38:11Os cristais de gelo estão enchendo os tubos de Pitot.
38:15A leitura de velocidade não é mais válida.
38:19De repente, os pilotos não têm certeza da velocidade em que estão voando.
38:24Isso foi o piloto automático desligando.
38:27Eu estou no controle.
38:32O que foi isso?
38:34Avisos de Stoll começam a disparar na cabine
38:36quando Bonan levanta o nariz.
38:40Finalmente, os investigadores sabem qual dos pilotos colocou o avião em Stoll.
38:44O primeiro oficial Bonan estava puxando o manche
38:46e colocando o avião em Stoll.
38:48Incrivelmente, nenhum dos pilotos consegue saber por que o alerte está soando.
38:53O oficial Robert não entende o que está acontecendo.
38:56Ele vê o avião subindo e a velocidade caindo.
39:00E diz, cuidado com a velocidade.
39:02Nós perdemos a velocidade.
39:05Os pilotos precisam abaixar o nariz do avião para ganhar velocidade.
39:10Mas Bonan inexplicavelmente está puxando o manche, levantando o nariz.
39:15Tudo bem, tudo bem.
39:18Vou voltar a abaixar.
39:20De acordo com os três, você está levantando, então abaixe.
39:24Os pilotos lutam para recuperar o controle de seu avião.
39:27Mas eles parecem totalmente paralisados por sua própria confusão.
39:35Eles estão fazendo tudo errado.
39:38Deveria ser óbvio o que fazer.
39:47Desesperados para salvar seus 216 passageiros,
39:50o primeiro oficial David Robert chama o capitão.
39:56Bonan aumenta a potência ao máximo, mas é inútil.
40:05Entende o que está acontecendo?
40:08Estou perdendo todo o controle do avião.
40:12Quando eles chegam aqui, estão caindo a mais de 6.200 pés por minuto.
40:16Então, eles têm ainda cerca de dois minutos para entender o que está acontecendo.
40:21O primeiro oficial Robert decide assumir o controle.
40:25Controles para a esquerda.
40:27Ele tenta abaixar o nariz do avião,
40:30um passo-chave para se recuperar de um stall.
40:33Mas, incrivelmente, Bonan ainda está puxando seu manche para trás.
40:40Eles podem usar seus manches ao mesmo tempo.
40:43Se forem em sentidos contrários, eles têm a tendência de se anular.
40:49O fato dos dois pilotos estarem dando comandos diferentes
40:53e às vezes opostos para os controles foi surpreendente.
40:57Eles não estavam coordenando seus pensamentos ou suas ações.
41:0190 segundos depois da crise começar, o capitão volta.
41:04O que estão fazendo?
41:06Perdemos o controle da aeronave.
41:08Não estamos entendendo nada.
41:10Já tentamos de tudo.
41:11Como não acreditavam na situação em que estavam,
41:15eles simplesmente voltaram ao instinto básico,
41:19que é...
41:20Quero subir.
41:21Quero parar de cair.
41:22Vamos levantar o nariz.
41:25Dubois percorre os instrumentos tentando ver o que está errado.
41:29O que você acha?
41:30O que quer fazer?
41:31Eu não sei.
41:32Está caindo.
41:35O capitão não tem tempo suficiente para avaliar a situação.
41:40Estamos a 9 mil pés.
41:42Sobe, sobe, sobe, sobe.
41:45Mas eu fiquei com o nariz no máximo por um tempo.
41:49Finalmente Dubois entende.
41:51O primeiro oficial Bonan está causando o Stoll,
41:54puxando o nariz para cima.
41:57Não, não, não, não sobe!
42:00Na hora em que eles perceberam,
42:02era tarde demais.
42:04Robert não consegue altitude suficiente para se recuperar do Stoll.
42:09A 2 mil pés, os sensores detectam a superfície do oceano
42:13e disparam novos alarmes.
42:19Nós vamos cair.
42:22Não pode ser verdade.
42:25Dubois, o que está acontecendo?
42:28A aeronave bate na água a quase 200 quilômetros por hora.
42:38Ouvir a conversa da gravação na cabine pela primeira vez
42:42foi um grande momento para mim.
42:46Aquilo nos deixou sem fala.
42:55Alain Bouillard ficou pálido.
42:58Naquele momento, ele compreendeu a agonia da tripulação
43:01durante os últimos instantes do voo.
43:08No verão de 2011,
43:10equipes de resgate
43:11recuperam 104 corpos
43:13dos destroços submersos do voo 447,
43:16inclusive o de Brad Clans.
43:21Meu irmão estava entre aqueles que foram trazidos,
43:24e então foi possível para nós recuperá-lo,
43:26levá-lo para casa e fazer um sepultamento
43:29e dizer adeus adequadamente.
43:31Então, isso ajudou.
43:33Mais de três anos depois do acidente,
43:36Alain Bouillard anuncia
43:37que a queda do voo 447
43:39não foi causada pelo congelamento
43:41dos tubos de Pitot,
43:42mas pelo erro da tripulação
43:44na compreensão e retificação do problema.
43:47Não pode ser verdade.
43:49O que está acontecendo?
43:53Havia uma sensação
43:54de que esses aviões
43:55eram tão sofisticados
43:57que poderiam voar sozinhos.
43:59Os pilotos nem eram treinados
44:00para voar nesses aviões
44:01no manual em altas atitudes,
44:03porque o pensamento
44:04era de que eles estariam sempre
44:05no piloto automático.
44:06Então, não havia motivo
44:07para o piloto saber como pilotar.
44:10Um novo treinamento agora
44:11é feito para ensinar
44:12as tripulações
44:13a lidar com velocidades
44:15não confiáveis
44:15e a se recuperar
44:17de um stall
44:17em altas altitudes.
44:21As empresas têm que estar preparadas
44:23para gastar mais dinheiro
44:25com treinamento básico
44:27em voo manual
44:28e treinamento cognitivo
44:30para seus pilotos.
44:32O acidente com o Air France 447
44:35mostra que não se pode
44:36mais ignorar isso
44:38e mudanças precisam ser feitas.
44:43Em memória de Mark Wallace
44:451962 a 2012
44:47Versão
44:49Marshmallow São Paulo
44:51e mudanças precisam ser feitas.
45:00A gente tem que estar

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