00:00Boa tarde pessoal, boa tarde também pessoal que está em casa, está nos acompanhando aí.
00:16Para quem o primeiro contato com o intensivo, os modos de cirurgia é através dessa aula,
00:23o meu nome é Fabiano Menegatti, eu sou capitão de corveta cirurgião dentista da Marinha do Brasil
00:29e sou especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial.
00:34Nesse segundo módulo, o módulo de cirurgia 2, a gente vai tratar sobre cirurgia dento alveolar
00:40e especificamente sobre dentes impactados.
00:46Como eu estou focando o intensivo desse ano para o edital que caiu na prova do ano passado,
00:54como ainda não saiu o edital, a gente fica com uma certa incerteza sobre o que pode ser cobrado,
00:58do que pode vir, a gente tenta utilizar aquilo que a gente já conhece, aquilo que já veio nas provas passadas.
01:08Só que no ano passado para os outros anos, houve uma diferença, houve uma mudança do paradigma aí na banca da Marinha.
01:17Esse material, o livro do Miloro, princípios de cirurgia bucomaxilofacial de Peterson,
01:27na sua terceira edição, ele mudou um pouquinho, ele já não traz mais a parte de exodontias simples,
01:35exodontias por via alveolar.
01:36Então, os princípios de cirurgia bucomaxilofacial deixam de contemplar um dos princípios, que é a exodontia.
01:47Então, a gente vai acabar tratando de outros temas dentro da cirurgia,
01:53buscando trazer para vocês conhecimentos que possam auxiliar na execução, na resolução das questões que talvez venham nessa prova.
02:03É importante lembrar que a bibliografia da Marinha, essa é uma sugestão, ela não esgota o tema.
02:13Então, é muito pouco provável que venha alguma coisa de outra bibliografia.
02:19Mas é sempre bom dar uma olhada, quem tiver em casa material de anos anteriores,
02:26dar uma olhada nisso aí, porque eventualmente pode vir, talvez não como uma questão completa, uma questão fechada,
02:33mas talvez num enunciado numa questão ou em uma das alternativas, conhecimentos que estão lá,
02:38que fazem parte da nossa graduação, como currículo comum de graduação.
02:44Tá bom, pessoal?
02:46Para hoje, nós vamos enfocar em cirurgia dos dentes inclusos.
02:52Mas na parte de cirurgia dos terceiros molares, a gente vai discutir sobre indicações, avaliação para cirurgia,
03:05a técnica operatória em si, e depois a gente vai ter um breve momento de discussão das complicações associadas
03:15ao procedimento de exodontias dos terceiros molares.
03:19Sempre lembrando que, em qualquer uma dessas etapas aí, a gente vai ter questões para a gente treinar.
03:27O assunto, ele não é um assunto que vem sendo cobrado com frequência nesse concurso da Marinha,
03:33é um conteúdo mais para o especialista, mas as generalidades, aquilo que é de conhecimento comum,
03:40que deve ser de conhecimento comum de todo cirurgião dentista, isso sim pode ser cobrado
03:45e isso, eventualmente, vem na prova de vocês.
03:49Então, começando aí com um pouquinho de epidemiologia.
03:55Nós vamos ter que os dentes impactados com mais frequência,
03:59dentre eles a gente vai ter aí o mais comum, o terceiro molar inferior.
04:04Terceiros molares superiores e inferiores são aqueles que a gente mais encontra,
04:08mais frequentemente impactados, seguindo-se dos caninos superiores,
04:14pré-molares inferiores, pré-molares superiores e os segundos molares.
04:20Existe também uma parte do livro que fala sobre técnica de tracionamento
04:25e aproveitamento de dentes inclusos.
04:28Aí, nessa parte do livro, eu acho que vocês devem dar uma olhada,
04:32entram os pré-molares, os caninos, dentes que eventualmente possam ser trazidos
04:38à oclusão e que possam participar da parte funcional mastigatória do nosso paciente.
04:46Não é o tema dessa aula.
04:48Nessa aula, nós vamos tratar sobre terceiros molares inclusos.
04:55Existe diferença entre dente impactado e dente não erupcionado.
05:00Nem todos aqueles dentes não erupcionados estão impactados.
05:06Um dente é considerado impactado quando ele não erupcionou totalmente dentro do prazo normal do seu desenvolvimento
05:14e não se pode esperar que ele venha a erupcionar após esse prazo.
05:20Então, passado o tempo normal de erupção de um dente,
05:23a gente considera que esse dente é considerado impactado.
05:27É diferente do dente incluso.
05:29Um dente pode estar incluso e fisiologicamente vir a erupcionar e fazer parte do arco dental.
05:39Dos terceiros molares impactados, então.
05:42Esses dentes se encontram na faixa etária mais ampla de erupção do que os outros dentes.
05:48A gente imagina que até os 18, até os 24 anos de idade,
05:52esse dente venha a erupcionar na boca.
05:55Caso isso não ocorra, a gente vai estar diante daquele quadro de dente impactado.
06:01Os dentes inferiores, como eu vinha falando,
06:04na erupção dos dentes inferiores, como eu vinha falando,
06:07ela se completa por volta dos 20 anos.
06:10Mas ela pode ocorrer após os 24.
06:12Só que a gente não espera que isso aconteça com tanta frequência.
06:20Para avaliação, se o dente vai ou não erupcionar fisiologicamente,
06:25a gente deve observar próximo aos 18 anos de idade.
06:30Se esse dente parecer impactado aos 18 anos,
06:34ele pode ter entre 30% e 50% de chance de erupcionar totalmente aos 25.
06:41Esse é um dado interessante, é um dado importante.
06:45Um dente que parece impactado aos 18,
06:48a gente pode dizer com razoável chance de segurança
06:51que ele tenha, no máximo, 50% de chance de erupcionar aos 25.
06:57E todos os problemas aí associados.
07:04Também existe o dado de que após os 25 anos de idade,
07:08a posição dos terceiros molares retidos não muda consideravelmente.
07:12Então, se a gente tem uma imagem radiográfica de um dente incluso ou impactado
07:17aos 25 anos de idade, a gente não deve esperar que aquela posição
07:21mude significativamente ao longo do tempo após essa idade.
07:25Pode acontecer migração dentária, pode acontecer alteração,
07:31mas isso não é muito provável.
07:35Os terceiros molares vão ter as suas raízes 50% formadas aos 16 anos
07:40e completamente formadas, porém com os ápices abertos, aos 18 anos.
07:46Com 24 anos de idade, 95% de todos os terceiros molares que erupcionarão
07:53tem o seu processo completado.
07:55Então, se espera que com 24 anos de idade,
07:5995% daqueles dentes que a gente observa numa radiografia aos 18 anos
08:03que eventualmente tem chance de erupcionar,
08:07eles devem estar já em função, em erupção.
08:11A avaliação clínica dos terceiros molares, ela é relativamente simples.
08:19Basta a inspeção clínica, a horoscopia, e a combinação com uma avaliação radiográfica.
08:28Nesse caso, o que a gente utiliza rotineiramente é uma radiografia panorâmica dentária.
08:33A inspeção na cavidade bucal e constatada a ausência do terceiro molar
08:40combinada com uma radiografia que mostre uma inclusão dental, uma impactção dental,
08:48ela fecha o diagnóstico de um dente ou incluso ou impactado.
08:53A avaliação radiográfica do dente impactado, ela é muito importante no plano de tratamento.
08:58E a gente vai ver por que logo mais.
09:01Mas ela nos dá uma ideia da dificuldade cirúrgica.
09:04E também serve de auxiliar no plano de tratamento cirúrgico ou ortodôntico.
09:10Pra localização radiográfica, a gente deve utilizar os princípios SLOB.
09:15Significa similar por lingual e oposto vestibular
09:19quando há a mudança de angulação horizontal do feixe de radiação.
09:25Isso afeta a área de radiologia, mas é uma das formas de se localizar um terceiro molar incluso.
09:33Claro que hoje em dia, com a tomografia computadorizada,
09:37ainda mais a tomografia computadorizada de feixe cônico,
09:40se trata de um melhor exame pra mostrar formato de dente e raiz
09:46e a relação coroa-raiz com estruturas nobres.
09:50Bem como a própria inclinação do dente e o seu eixo de inclusão.
09:57Como indicações pra remoção de dentes impactados.
10:01Então a gente vai ter aí uma série de indicações
10:05que levam a gente a, eventualmente, propor ao nosso paciente a extração do dente.
10:14Seja ela uma extração profilática, preventiva,
10:18ou uma extração curativa de alguma patologia que possa estar cometendo esses terceiros molares.
10:25E a primeira delas seria a prevenção de doença periodontal.
10:29Nesse caso da doença periodontal, a gente tem que mesmo pacientes jovens com boa saúde periodontal
10:35apresentam nessa área um significativo aumento de bolsas periodontais.
10:41A chamada bolsa distal do terceiro molar
10:46ou mesmo um aumento das bolsas localizadas na distal do segundo molar
10:52em função da inclusão do terceiro.
10:55Pacientes jovens com terceiros molares visíveis
10:59têm mais propensão a desenvolver
11:03moderada a grave doença periodontal.
11:06Por quê?
11:07Porque as bolsas periodontais mais profundas ao longo do tempo
11:11elas começam a desenvolver uma flora mais patogênica.
11:16A flora periodontal patogênica
11:18chamado de complexo vermelho de Socrânce
11:21que a gente vê lá na periodontia.
11:23Complexo vermelho de Socrânce que começa a predominar
11:28nessas bolsas com o passar do tempo.
11:31Anota isso, por favor, pessoal.
11:33Isso aí eu acho que é uma questão que pode vir
11:34numa prova pra vocês aí.
11:38Complexo vermelho de Socrânce que são as bactérias
11:41a flora periodontal patogênica que predomina em bolsas periodontais mais profundas ao longo do tempo.
11:50Então eu trouxe pra vocês aqui uma imagem dos complexos coloridos de Socrânce e aqui o nosso foco.
11:59A porfiromônia gengivales, a tenerela forcítia e o treponema dentícola
12:05como as três principais bactérias do complexo vermelho de Socrânce que estão implicadas
12:11em uma maior patogenicidade nessa área.
12:15A área de bolsas de terceiros molatos.
12:18Além da própria prevenção da doença periodontal,
12:24a gente tem a prevenção da pericoronarite
12:27ou pericoronite também em alguns textos.
12:31As bactérias mais comumente associadas a essa pericoronarite
12:35são os peptoestreptococcus, os fusobactérios e porfiromonas.
12:40Fusobactérios, pessoal, eu gostaria que vocês destacassem
12:44porque são bactérias normalmente associadas a infecções cérvico-faciais graves.
12:54Cérvico-faciais?
12:56Graves.
12:58Fusobactérios.
12:59A própria pericoronarite, ela pode se tratar de uma infecção séria.
13:16E a gente vai ver mais pra frente quais os graus de pericoronarite, como se trata.
13:22Mas, basicamente, o tratamento inicial do quadro de pericoronarite,
13:28que é aquela área avermelhada e demaciada,
13:32geralmente associada à coroa de um terceiro molar ou de um segundo molar,
13:37aí pode ser tanto superior quanto inferior,
13:39um paciente apresentando algum grau de trismo,
13:44sensação dolorosa ao toque,
13:46O tratamento inicial é o desbridamento da bolsa periodontal por irrigação,
13:53o próprio soro fisiológico,
13:55ou, eventualmente, uma solução antisséptica, como o clorexidino,
13:59e uma curetagem muito suave dessa área.
14:04A curetagem muito suave sobre o capuz
14:07para tentar minimizar aquela concentração bacteriana daquela área
14:13e remover também os debris que possam existir nessa região.
14:18E, nesse caso, a desinfecção indicada com o peróxido de hidrogênio
14:23ou a própria clorexidina.
14:27Ainda dentro do tratamento da pericoronarite,
14:30quando se tratar de um dente inferior,
14:33que são os dentes que mais são acometidos por pericoronarite,
14:37pode-se lançar a mão da extração do terceiro molar superior.
14:40É, porque o que acontece?
14:44Na maioria das vezes, quando um dente inferior não erupciona,
14:47quando um terceiro molar inferior não erupciona,
14:50o superior tende a instruir,
14:52tende a sobre-erupcionar
14:54e começar a traumatizar a mucosa quando dá oclusão.
14:59Quando o paciente fecha a boca,
15:01aquela mucosa que já está edemaciada,
15:03ela se torna ainda mais traumatizada pelo contato do dente superior.
15:07E muitas vezes a extração do dente superior é muito mais simples do que a do inferior,
15:13muito menos mórbida,
15:15e, nesse caso,
15:17ela pode estar indicada como um alívio sintomático
15:20praticamente imediato dessa condição de pericoronarite.
15:25A gente sabe que quanto mais trauma sobre o tecido,
15:28quanto mais o tecido sofre,
15:32menos oxigenação ele tem.
15:33E quanto menos oxigenação ele tem,
15:37mais predominam as bactérias anaeróbicas.
15:41São aquelas justamente desse grupo,
15:45Pepto-estreptococcus,
15:46fuso-bactérias e porfiromonas,
15:48que acabam predominando nessa área
15:50e agravando ainda mais a infecção.
15:52Então, muitas vezes,
15:53a extração do terceiro molar superior,
15:55ela alivia a sintomatologia
15:58e propicia com que aquele tecido cicatrize de uma forma um pouco melhor
16:04e possibilite a extração do terceiro molar inferior no futuro.
16:11Eventualmente,
16:12em casos em que a infecção
16:15aparentemente está sob controle,
16:19ou seja, não há sinais de toxemia,
16:22não há linfadenopatia,
16:24o paciente não apresenta trismo gravemente ebre,
16:26pode-se pensar
16:28na extração do próprio terceiro molar inferior.
16:31Mas isso são casos...
16:36Pode.
16:37Pode.
16:38Existe um protocolo de prescrição de antiinflamatórios
16:42e em alguns casos, inclusive, antibióticos.
16:46Dependendo da gravidade.
16:47O que vai governar a prescrição de antibióticos e antiinflamatórios?
16:53Antiinflamatórios, geralmente, é a clínica do paciente,
16:57a sintomatologia do paciente.
16:59Antibiótico,
17:00muitos devem
17:03aquilo que o paciente apresenta no momento.
17:06Se você recebe um paciente com febre,
17:08com trismo grave,
17:09com linfadenopatia,
17:11face-toxêmica,
17:13eventualmente esse paciente necessita
17:15não só de antibiótico,
17:16como antibiótico parenteral,
17:19venoso em nível hospitalar.
17:20Se é um dos quadros em que eu recomendaria que vocês,
17:24na clínica,
17:26não menosprezasse,
17:28é o quadro de pericoronarite grave.
17:31Que ele pode progredir em questão de horas
17:33e evoluir para uma angina.
17:36Ou coisa pior,
17:39que seria uma mediastinite.
17:43Acontece.
17:45Acontece.
17:45Principalmente paciente mais idoso,
17:48eventualmente com estado nutricional debilitado,
17:51com estado imunológico debilitado.
17:53Essas infecções,
17:55elas costumam ter um curso mais desastroso.
18:02Um dos casos comuns,
18:05caso trivial.
18:07A exodontia deve ser postergada
18:08até a resolução do quadro infeccioso.
18:11Ou seja,
18:12a gente tira o paciente do quadro agudo.
18:14Seja por debridamento,
18:17seja por irrigação,
18:19seja pela prescrição de analgésicos anti-inflamatórios
18:22e eventualmente antibióticos.
18:24Mas,
18:25a gente deve postergar,
18:26deve planejar a extração desse terceiro molar
18:30para um segundo momento.
18:34Sabendo que,
18:35nesses casos,
18:36casos que têm uma história de pericoronarite,
18:38eles têm uma maior suscetibilidade
18:42a um quadro chamado de alveolite
18:45ou osteite alveolar.
18:49Tratamento, então,
18:50como a gente já havia comentado,
18:52a limpeza mecânica ao redor do dente,
18:54mais a irrigação com peróxido de hidrogênio
18:56ou clorexidino,
18:58eventualmente antibiótico-terapia,
19:00naquelas consideradas pericoronarites moderadas e graves,
19:04e, opcionalmente,
19:06a remoção do dente antagonista,
19:08do terceiro molar antagonista.
19:11A antibiótico-terapia,
19:13a gente vai reservar para os casos moderados e graves.
19:16Então, a gente tem os graus de pericoronarite.
19:20Nos graus de pericoronarite,
19:21a gente vai ter a pericoronarite branda ou leve.
19:26É aquela que se apresenta com aumento de volume
19:28localizado, só na área,
19:31doloroso a palpação,
19:33eventualmente a gente vai observar uma área eritematosa,
19:37uma área avermelhada,
19:39sobre um terceiro molar semi-incluso,
19:43na maioria das vezes,
19:44semi-erupcionado, na maioria das vezes.
19:47O tratamento, conforme a gente já havia descrito,
19:50debridamento suave, muito suave,
19:52com uma cureta pequena
19:53e a irrigação com clorexidina
19:56ou mesmo soro fisiológico.
19:57É o suficiente na maioria das vezes.
19:59E se programa a remoção do dente
20:02para dali a 5, 7 dias.
20:05No caso da pericoronarite moderada,
20:08a gente vai ver um tecido mole
20:10mais traumatizado do que na pericoronarite branda.
20:13É aquele caso que, eventualmente,
20:15o dente superior pode estar traumatizando
20:17a mucosa do inferior.
20:18Vai se observar um aumento de volume intraoral
20:22e pode ou não ter algum grau de edema na hemiface.
20:28O tratamento é igual o da pericoronarite leve,
20:32mas a profilaxia antibiótica antes da extração.
20:36Geralmente, a amoxicilina,
20:38um grama a dois gramas,
20:40uma hora antes da cirurgia.
20:41Eu queria perguntar se você está fazendo um antibiótico
20:46e espera 3 dias?
20:50Depende da gravidade.
20:52Depende da gravidade.
20:54Mas, geralmente, a gente aguarda
20:55o curso do antibiótico completo,
20:585 a 7 dias,
21:00e posterga essa extração.
21:02Até para possibilitar que aquele tecido
21:04que está friável, que está traumatizado,
21:06ele já tenha uma condição melhor
21:08de circulação sanguínea, inclusive,
21:11de cicatrização.
21:14Na pericoronarite grave ou severa,
21:18a gente vai ver o aumento de volume local também
21:21e o aumento de volume extraoral.
21:25A gente percebe na face do paciente
21:28algum grau de assimetria facial.
21:32O paciente vai apresentar
21:34um dos lados da face maior do que o outro.
21:37vai estar acompanhando de dor,
21:39trismo e férbio.
21:41Trismo, pessoal,
21:42é a dificuldade ou a incapacidade
21:44do paciente abrir a boca.
21:47E pode ter diversas causas.
21:50Nesse caso, é um trismo de origem infecciosa.
21:55Pode existir o trismo antálgico.
21:58Antálgico, antidor.
22:00É aquele em que o paciente,
22:03embora não tenha restrição mecânica
22:05da abertura da boca,
22:07ele vai ter uma restrição dolorosa
22:10da abertura da boca.
22:11Esse se chama trismo antálgico.
22:14E, no caso do trismo antálgico,
22:17é muito fácil perceber.
22:19Quando você anestesia o paciente
22:21e o paciente deixa de sentir a dor,
22:23ele abre a boca na amplitude normal.
22:26Já no trismo mecânico, não.
22:30O trismo mecânico pode ser
22:31por uma fratura da mandíbula
22:33ou pode ser por uma infecção,
22:35uma coleção purulenta na área
22:37de mobilização do ramo da mandíbula
22:41pode causar um trismo
22:43que não ceda à anestesia.
22:45Ou seja, que não é derivado da dor.
22:47É um trismo mecânico,
22:48por obstrução mecânica.
22:49Nesse caso, o tratamento,
22:53além da irrigação com clorexidina,
22:55leva à antibiótico-terapia.
22:58Nesse caso, o paciente já tem
23:00um quadro mais avançado de infecção
23:01e ele necessita de um suporte
23:03antimicrobiano.
23:06Para quê?
23:06Para que as suas defesas
23:07tenham condição de reassumir
23:10a luta contra as bactérias
23:13e até então está sendo perdido.
23:16O antibiótico é um auxiliar
23:20das defesas do próprio
23:22organismo do paciente.
23:23E aí se indica a remoção
23:255 a 7 dias após,
23:27sob antibiótico-terapia,
23:29que deve ser mantida
23:30por pelo menos 72 horas
23:32no pós-operatório.
23:36Nesse caso, é aquele caso
23:38que eu comentei com vocês.
23:40Não brinquem.
23:42Não brinquem com o caso
23:44de pericoronelite grave,
23:45porque ela pode evoluir
23:46em questão de horas.
23:48Nesses casos,
23:49lembra que eu comentei com vocês
23:51que predominam as bactérias
23:54anaeróbicas?
23:55Quanto maior o tempo de evolução
23:57de um quadro infeccioso,
23:58maior o predomínio de anaeróbico.
24:01Nesse caso, talvez,
24:02valha a pena associar
24:04antimicrobianos.
24:07Ou a amoxilina
24:09mais o ácido clavulânico,
24:11que é um inibidor de beta-lactamase,
24:13a gente vai ver isso
24:14na aula de infecção.
24:16Ou o metronidazol.
24:18O metronidazol é um antibiótico
24:21anaerobicida por excelência.
24:24Ele mata lá protozoários
24:26e bactérias anaeróbicas.
24:28Nesse caso, ele tem uma ação
24:30sinérgica com a penicilina.
24:34No caso, a amoxilina,
24:36que é a que a gente costuma
24:37utilizar com mais frequência.
24:39Então, eles atuam como sinergista.
24:41Vantagem da associação
24:44do metronidazol
24:45com a amoxilina.
24:47Eu vejo uma
24:48de imediato.
24:51Custo.
24:52Custo.
24:54A amoxilina
24:55mais metronidazol,
24:57em curso completo,
24:58aí vamos colocar sete dias,
25:00ela custa, talvez,
25:01um terço do que seria
25:02a amoxilina mais ácido clavulânico,
25:05que é um antibiótico
25:06um pouco mais elaborado
25:08e um pouco mais caro também.
25:12A vantagem principal é essa.
25:15Com o cuidado sempre
25:16de orientar o nosso paciente
25:18a não ingerir bebida alcoólica
25:20durante o tratamento
25:21com metronidazol
25:22e até três dias depois.
25:25Pelo risco de síndrome
25:27de sulfiran-like,
25:29síndrome antabuse.
25:30A gente vai ver isso
25:31na aula de infecções também.
25:33Mas é uma reação que existe
25:34entre o etanol
25:35e o metronidazol
25:36que forma
25:37metabólicos tóxicos
25:38que podem ser,
25:40podem levar
25:42a um quadro
25:42bastante desagradável.
25:47Outra indicação
25:48para a remoção
25:49dos terceiros molares
25:50seria
25:51a prevenção
25:52da cárie dentária.
25:54Ou quando a cárie dentária
25:55já está instalada.
25:57Seja no terceiro molar
25:58ou no segundo molar adjacente
26:00ou em ambos.
26:01se estima que
26:05as cáries
26:06nos segundos e terceiros molares
26:08sejam responsáveis
26:09pela extração
26:10de até 15%
26:12dos terceiros molares
26:14de uma forma geral.
26:17Então,
26:17cárie dentária
26:18é sim
26:19indicação
26:20para a extração
26:21de terceiro molar.
26:22Eventualmente
26:23do segundo molar
26:24também
26:24quando a destruição
26:26alcançou um nível
26:28em que não há mais
26:29como restaurar
26:30esse segundo molar.
26:32Tá, pessoal?
26:34Além dessas indicações
26:35existem as considerações
26:37de ordem ortodôntica.
26:39E as considerações
26:40ortodônticas
26:41elas caem
26:42em três categorias principais.
26:46A gente vai ver.
26:47A primeira
26:48e é bastante polêmica
26:50se trata
26:51do apinhamento
26:53dos incisivos inferiores.
26:55Muito se discute
26:56até hoje
26:57sobre a possibilidade
26:59de terceiros molares
27:00inclusos
27:01ou
27:02em processo
27:03de erupção
27:04ocasionarem
27:05o apinhamento
27:07dos incisivos
27:08inferiores.
27:11Mas a evidência
27:12que a gente tem
27:13a literatura
27:14nos traz hoje
27:15um corpo
27:16de conhecimento
27:18que permite
27:19nos dizer
27:20que
27:20os dentes impactados
27:22não são
27:23não são
27:24até o conhecimento atual
27:25causa significativa
27:27de apinhamento
27:27anterior
27:28depois do tratamento
27:29ortodôntico
27:30ou mesmo antes dele.
27:32O que se imagina
27:33muitas vezes
27:34é que
27:35pela força
27:36erupativa
27:37de dentes
27:37terceiro-molares
27:39num eixo
27:39de erupção
27:41não favorável
27:42possa
27:43empurrar
27:44por assim dizer
27:45os demais dentes
27:47culminando
27:48pois é
27:49culminando
27:50com um apinhamento
27:51na região anterior.
27:53Só que
27:53o que se observa?
27:55Se observa
27:56que pessoas
27:57que têm
27:58a genesia
27:59dos terceiros-molares
28:00também têm
28:02apinhamento
28:02na região
28:03anterior-inferior.
28:04Então
28:05essa hipótese
28:06de que os
28:07terceiros-molares
28:07pudessem
28:09empurrar
28:10os demais dentes
28:11ocasionando
28:12apinhamento
28:12ela não se sustenta
28:13pelo nível
28:15de conhecimento
28:15atual.
28:16O apinhamento
28:18ele está associado
28:19muito mais
28:20a uma insuficiência
28:21no comprimento
28:23do arco
28:23do que propriamente
28:24a presença
28:25de terceiros-molares
28:26impactados.
28:27Então
28:28a gente pode
28:29o nosso paciente
28:30sempre
28:31chega com aquela dúvida
28:32quando eu estou
28:33meus dentes
28:33estão
28:34apinhando
28:35meus dentes
28:36estão
28:36encavalando
28:37será que é o
28:39terceiro-molar?
28:40Olha meu amigo
28:41hoje em dia
28:42pelo que a gente
28:42conhece
28:43de odontologia
28:45pelo que a gente
28:45tem visto
28:45das pesquisas
28:46e dos estudos
28:47essa teoria
28:49essa hipótese
28:49ela não se sustenta.
28:52e a razão
28:53uma das razões
28:54é essa
28:54que eu comentei
28:55gente
28:55não tem
28:56terceiro-molar
28:57também tem
28:57apinhamento
28:58na região
28:59anterior
28:59inferior
29:00uma outra
29:03indicação
29:03ortodôntica
29:04seria
29:05quando
29:05eles são
29:06os terceiros-molares
29:07são obstáculos
29:08ao tratamento
29:09ortodôntico
29:10eventualmente
29:11o ortodontista
29:13desejaria
29:14fazer um movimento
29:15de um molar
29:15para distal
29:16e tem lá
29:17a presença
29:18de um terceiro-molar
29:19impactado
29:20que pode inibir
29:21ou mesmo impedir
29:22a movimentação
29:24desse molar
29:25além disso
29:29se o ortodontista
29:30tenta mover
29:31segmentos
29:32posteriormente
29:34a remoção
29:34do terceiro-molar
29:35ela pode
29:36facilitar o tratamento
29:37e produzir resultados
29:40mais previsíveis
29:41hoje em dia
29:42a gente fala muito
29:43em previsibilidade
29:44de resultado
29:45e manutenção
29:46a longo prazo
29:47então
29:47a remoção
29:48dos terceiros-molares
29:49ela facilita
29:50a obtenção
29:51desses objetivos
29:53e a última
29:55consideração
29:56de ordem
29:57ortodôntica
29:57seria
29:58a interferência
29:59na cirurgia
30:00ortognática
30:01hoje em dia
30:01a gente tem
30:02cada vez mais
30:02pacientes sendo
30:03preparados
30:04já orientados
30:05desde
30:06de
30:07jovens
30:09a
30:09tratamento
30:11ortocirúrgico
30:12então as pessoas
30:13já vêm sendo
30:14preparadas
30:14pelos seus
30:15ortodontistas
30:15para sofrerem
30:17as mudanças
30:17da cirurgia
30:19ortognática
30:19nesse caso
30:21retardar a remoção
30:23dos terceiros-molares
30:24até o momento
30:25da osteotomia
30:26mandibular
30:27principalmente
30:28naqueles casos
30:29de avanço
30:30mandibular
30:30pode reduzir
30:32a espessura
30:32e a qualidade
30:33da área
30:35lingual
30:35do osso
30:36da mandíbula
30:36na região
30:37proximal
30:38do segmento
30:39distal
30:40veja bem
30:41proximal
30:42em anatomia
30:43é aquilo que se aproxima
30:45da linha média
30:46do corpo
30:46então
30:47na área
30:48proximal
30:49do segmento
30:51distal
30:51ou seja
30:52da parte
30:52que move
30:54então
30:55nessa área
30:56o osso
30:57pode ficar
30:58com a qualidade
30:59e quantidade
30:59reduzida
31:00pela remoção
31:01do terceiro molar
31:02e qual
31:03o grande
31:04problema
31:05disso
31:05é exatamente
31:06nessa área
31:06que são utilizados
31:07os materiais
31:08de fixação
31:09então se você
31:11tem uma área
31:11pobre
31:12para fixar
31:13talvez a estabilidade
31:15da sua cirurgia
31:15possa ser comprometida
31:17se a remoção
31:20dos terceiros-molares
31:21for muito
31:22postergada
31:23se os terceiros-molares
31:25são removidos
31:26antecipadamente
31:27ou seja
31:27você já prevê
31:28que vai fazer
31:29um corte
31:30uma osteotomia
31:32naquela área
31:33e ele vai passar
31:33exatamente
31:34sobre os terceiros-molares
31:36talvez seja interessante
31:37você fazer
31:38a remoção
31:39desses terceiros-molares
31:40antes
31:41só que nesse caso
31:42você precisa
31:43dar tempo
31:44para o osso
31:45se regenerar
31:46na área
31:47se neoformar
31:48na área
31:48porque senão
31:49vai cair
31:50na mesma situação
31:51anterior
31:52vai ficar
31:53um osso
31:54de pobre qualidade
31:55para que seja
31:56efetuada
31:56a fixação
31:57desses segmentos
31:58então o planejamento
32:00com antecedência
32:01ele deve ser feito
32:03no mínimo
32:03entre 6 a 12 meses
32:05para permitir
32:06que o osso
32:07se neoforme
32:09nessa área
32:10e que permita
32:10a fixação
32:11nesses casos
32:14isso aqui
32:15a gente está falando
32:16para os dentes
32:16inferiores
32:17existem casos
32:19em que os terceiros-molares
32:20superiores
32:21podem ser extraídos
32:22durante
32:22a cirurgia ortognática
32:24quando se faz
32:26o down fracture
32:27ou seja
32:28quando a maxila
32:29baixa
32:29são seccionadas
32:33aquelas áreas
32:34aqueles pilares
32:35de resistência
32:35da maxila
32:36e a maxila
32:36baixa
32:37muitas vezes
32:38o terceiro-molares
32:39superior
32:39ele é facilmente
32:40removido por cima
32:42na hora
32:43da osteotomia
32:44e nem sempre
32:45isso significa
32:46uma pior fixação
32:48porque a fixação
32:50ela é geralmente
32:50feita
32:51nos pilares
32:52egomáticos
32:53nos pilares
32:53caninos
32:54acaba não
32:55interferindo
32:55tanto
32:56com a fixação
32:57da maxila
32:58tá pessoal
32:59da maxila
33:00também não existe
33:02comprometimento
33:03do pedículo vascular
33:04porque não é
33:05rebatido
33:06nenhum retalho
33:07naquela área
33:07é só feito
33:09o corte
33:10mesmo
33:10da osteotomia
33:11do tipo leform
33:12ok
33:13e mais uma razão
33:16seria a prevenção
33:17de cistos
33:18e tumores
33:19odontogênicos
33:20isso vem
33:21descrito
33:22na literatura
33:23a gente conhece
33:24bem
33:24dentes que
33:25permanecem
33:26incluso
33:27no interior
33:28do osso
33:29mandibular
33:30ou do osso
33:30maxilar
33:31podem sofrer
33:32degenerações
33:33císticas
33:34ou neoplásicas
33:35o saco
33:37folicular
33:38o folículo
33:40pericoronário
33:40ele é responsável
33:42além da formação
33:43da coroa
33:44pode sofrer
33:45uma degeneração
33:46e ser responsável
33:47pela formação
33:47de um cisto
33:48dentígero
33:49por exemplo
33:50ou
33:52um tumor
33:53odontogênico
33:54e naqueles casos
33:55bastante raros
33:56um tumor
33:57maligno
33:58também pode
33:59se originar
34:00esse dado
34:02é importante
34:02pessoal
34:03a incidência
34:05geral
34:06de alterações
34:07neoplásicas
34:08na região
34:08de molares
34:09impactados
34:09é da ordem
34:10de aproximadamente
34:113%
34:133%
34:15incidência
34:16geral
34:16de incidência
34:17de neoplasias
34:18não cistos
34:19neoplasias
34:21tumores
34:22e essas patologias
34:24são vistas
34:25com frequência
34:25em pacientes
34:26com menos de 40 anos
34:27de idade
34:28significa que o risco
34:30pode diminuir
34:31com a idade
34:32mas geralmente
34:34pacientes
34:35com menos
34:36de 40 anos
34:37de idade
34:38uma outra indicação
34:44seria
34:45a reabsorção
34:46radicular
34:47aí
34:48do dente
34:48adjacente
34:49segundo molar
34:51ou eventualmente
34:53no caso
34:54de inclusão
34:55de outros dentes
34:56reabsorção
34:57de outras raízes
34:57de outros dentes
34:58mas
35:00a gente sabe
35:01que o dente
35:01erupcionando
35:02numa posição desalinhada
35:03ele pode reabsorver
35:04as raízes
35:05dos outros dentes
35:06porque ele produz enzimas
35:08muito semelhantes
35:09àquelas enzimas
35:10que fazem
35:11a reabsorção
35:12da raiz
35:13do dente
35:13tecido
35:14então pode acontecer
35:16esse processo
35:16até a própria
35:17a própria
35:18impactão mecânica
35:19pode desencadear
35:20esse processo
35:21de reabsorção
35:22radicular
35:22se for notada
35:25a reabsorção
35:25radicular
35:26do dente
35:26adjacente
35:27o dente
35:29responsável
35:30terceiro molar
35:30no caso
35:31ele deve ser
35:31removido
35:32o mais rapidamente
35:33possível
35:34na maioria dos casos
35:35o dente que sofreu
35:36a reabsorção
35:37ele é reparado
35:38sem intervenção
35:39do cirurgião dentista
35:41pela deposição
35:42de semento
35:43e formação
35:43de dentina secundária
35:45dependendo
35:46do grau
35:47da reabsorção
35:48tá pessoal
35:48eventualmente
35:49o dente
35:50está impactado
35:52está sobre a raiz
35:53de um segundo molar
35:54ou superior
35:55ou inferior
35:56e faz uma reabsorção
35:58de tal magnitude
35:59que não há
36:00como reparar
36:01o organismo
36:01não consegue reparar
36:02nesses casos
36:03talvez seja
36:05indicada
36:05a extração
36:07também
36:07do dente
36:08reabsorvido
36:09certinho até aí
36:13pessoal
36:14tudo bem
36:14oi
36:15oi
36:17oi
36:17oi
36:18oi
36:19oi
36:19o
36:20o
36:20o
36:21o
36:21o
36:21o
Comentários