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  • há 8 meses
ODONTOLOGIA GERAL - Todas as Aulas Organizadas de forma Didática na Playlists.

Transcrição
00:00Boa noite pra vocês, pessoal que tá em casa aí também, boa noite, bom dia, boa tarde, o que for.
00:14Estamos aí pra apresentar pra vocês o módulo de cirurgia 1 desse intensivo 2018.
00:21O edital da Marinha ainda não saiu, mas pelo que eu soube já tem algumas vagas definidas,
00:29algumas especialidades já definidas, e assim, eu andei vendo os editais anteriores,
00:37eu dei uma olhada na bibliografia dos concursos anteriores, e assim, de 2016 pra cá,
00:46houve uma mudança, uma mudança importante no que diz respeito ao conteúdo de cirurgia.
00:53A bibliografia foi substituída em parte, e entrou hoje a terceira edição do livro do Michael Miloro.
01:03E o que que acontece com o livro do Michael Miloro?
01:06Se for pra dar uma dica pra vocês, hoje, eu acho que é a chance que vocês têm
01:12de acertar todas as questões que vão cair de cirurgia na prova da Marinha.
01:16Porque simplesmente não tem, nesse ano, nesses últimos anos, não tem a parte de exodontias simples,
01:28ou exodontias por via alveolar.
01:29Então, aquilo que preocupava a gente no passado, de decorar número de fórceps,
01:34de decorar extração, uso de alavanca, uso...
01:37Simplesmente não tem.
01:39Mas, em compensação, entrou uma parte que também é redundante, é um conteúdo que talvez a farmacologia
01:48venha buscar junto com vocês em algum momento, mas são os princípios de medicina, cirurgia e anestesia.
01:59Esses primeiros capítulos desse livro, dessa bibliografia nova, eles são capítulos bastante densos,
02:06bastante pesados.
02:08Então, exigem conhecimento de fisiologia, exigem conhecimento de bioquímica,
02:13exigem conhecimentos que a gente vai buscar lá na graduação pra tentar trazer pra vocês aí
02:18o conteúdo mais esmiuçado, mais mastigado, pra que seja mais fácil, quando a pessoa for estudar,
02:27ter os conceitos à mão.
02:29São capítulos extensos também, e muito voltado pra o quê?
02:36Pra aquilo que o cirurgião bucomaxilofacial executa, não tanto em nível ambulatorial também,
02:42mas mais a nível hospitalar.
02:44Então, tem muita coisa que eu vou falar aqui pra vocês, superficialmente.
02:50E tem coisa que eu simplesmente não vou falar pra vocês, por quê?
02:53Porque a Marinha, hoje, a Marinha quer um profissional generalista, num primeiro momento.
03:01Num segundo momento, ela vai querer o especialista.
03:03Mas, no primeiro momento, o que é que o profissional tem que saber?
03:06Tem que se virar em clínica geral.
03:09Então, a parte de anestesia geral, drogas de anestesia geral, manejo de paciente pra cirurgia hospitalar,
03:17isso nós não vamos falar.
03:18Nós não vamos falar por quê?
03:19Porque a probabilidade disso cair no concurso é zero, é mínima.
03:25Eu diria menos um a probabilidade.
03:28Porque a Marinha, como eu já falei, quer um clínico geral bom, eficiente.
03:34E pra um clínico geral ser eficiente, ele tem que dominar algumas matérias.
03:39Depois, a pessoa que for fazer pra cirurgia, que for fazer pra especialidade,
03:43vai direcionar o seu estudo pra especialidade.
03:46E aí sim, aí esses conteúdos podem ser cobrados, num segundo momento, na prova pra especialista.
03:52Mas na prova pra generalista, não entra, tá pessoal?
03:57Outra dica importante.
03:58Andei lendo as provas, algumas eu fiz, outras eu só li.
04:03Mas se eu tivesse que dar outra dica quente pra vocês, é o seguinte.
04:08Estudem materiais dentários.
04:11Materiais dentários não caem na prova da Marinha.
04:14Despenca.
04:15Estudem.
04:16Peguem aquele livro do Anos Avais, durmam com ele, leve pra onde você for.
04:20Vai fazer um piquenique no Ateu, fim de semana com a família, leva o livro do cara.
04:24Porque tem caído muito.
04:26Prótese dentária, tem caído bastante.
04:29Endodontia, tem caído bastante.
04:31Conceitos básicos, tá pessoal?
04:33E dessa parte aqui, a parte de cirurgia, tem caído também conceitos mais básicos, coisas mais basais, coisas mais do dia a dia.
04:46Embora a gente saiba que a Banca da Marinha é uma banca sujeita a nos pregar algumas peças, algumas surpresas, como a gente vai ver mais pra frente aqui.
04:56Tá bom, pessoal?
04:56Então, começando, eu fui por ordem, eu segui a bibliografia pela ordem dos capítulos, pela ordem que os temas vêm aparecendo e vêm sendo apresentados no livro.
05:09E o primeiro tópico é sobre cicatrização de lesões.
05:14Tá todo mundo enxergando?
05:15Se precisar, pode vir mais pra frente aqui, não tem problema, tá?
05:20Então, a gente tem a noção de que o processo de cicatrização, ele depende muito do tipo de tecido envolvido e da natureza do tecido lesado.
05:31Dois conceitos importantes surgem aí.
05:34Regeneração.
05:35Pessoal, o que é a regeneração?
05:37É a restituição por meio de tecido sem distinção estrutural, ou seja, o mesmo tecido, o mesmo tipo celular e funcional do tecido de origem.
05:49Já o reparo, o reparo acontece através de um tecido fibrótico, a formação de um tecido fibrótico.
05:56Um tecido de substituição com menor quantidade de células quando comparado ao tecido de origem.
06:03Então, esses dois conceitos são bem importantes.
06:06Isso pode vir, talvez, numa questão específica ou no enunciado de uma questão que se desdobre em outros itens.
06:16Então, aqui, pra gente ter mais detalhado.
06:21O reparo por cicatrização é como se fossem os pontos de solda que o organismo utiliza pra substituir aquela área que foi lesada.
06:31É formado um tecido grosseiro com menor quantidade de células.
06:35A exceção são os tecidos ósseos e o tecido hepático, o tecido do fígado, onde a ruptura desse tecido resulta muito mais em reparo em vez de regeneração.
06:48Então, a gente tem também a classificação celular.
06:54Lembra que eu falei que depende do tecido?
06:58A classificação celular divide as células em células lábeis, estáveis e permanentes.
07:05Células lábeis.
07:06Os exemplos são os queratinócitos da epiderme e as células epiteliais da mucosa bucal.
07:11São aquelas células que se dividem durante todo o seu ciclo de vida.
07:17Então, essas são as células lábeis.
07:21Já as células estáveis, os exemplos são os fibroblastos, exibem baixa velocidade de duplicação.
07:27Baixa velocidade de duplicação.
07:30Podem sofrer rápida proliferação em resposta à lesão.
07:33Por exemplo, lesão óssea, existe uma proliferação de células mesenquimais pluripotenciais e essas células se transformam, então, em osteoblastos.
07:43E os osteoclastos também interferem nessa dinâmica, apesar de eles serem derivados de uma outra linhagem celular, uma linhagem hematopoética.
07:52As células permanentes são aquelas células, daqueles tecidos que, quando lesados, eles não se regeneram ou sofrem um reparo dificultado.
08:05Por exemplo, nervos.
08:07Nervos especializados e células do músculo cardíaco.
08:11Por isso que quando a pessoa tem um infarto agudo no miocárdio, é tão sério.
08:16Porque aquela área do coração do miocárdio que foi lesada, ela é substituída por quê?
08:20Por tecido fibroso, não mais célula muscular cardíaca especializada.
08:26Essas células não se dividem durante a vida pós-natal.
08:31Elas têm uma proliferação durante a vida intrauterina e depois não se dividem mais.
08:37Outro conceito importante é o de cicatrização por primeira intenção.
08:41A gente sempre escuta falar cicatrização por primeira intenção.
08:44O que é cicatrização por primeira intenção?
08:46É quando a ferida é fechada com suturas ou outros métodos em que há a aproximação, há a cooptação das bordas dessa ferida
08:56e ela ocorre com pouca ou mínima cicatriz.
09:00Desde que não tenha ocorrido de essência da ferida.
09:04A gente vai ver o que é de essência mais pra frente.
09:07E então existe a mínima formação de cicatrização.
09:10A cicatrização por segunda intenção, em contrapartida, é um preenchimento lento do defeito com tecido de granulação e tecido conjuntivo.
09:20Esse tipo de cicatrização está comumente associada à lesão avulsiva, aquela em que a pessoa perde alguma parte.
09:28Infecção local ou fechamento inadequado.
09:31Numa tentativa de fazer uma cicatrização por primeira intenção, ocorre fechamento inadequado e acaba ocorrendo a cicatrização por segunda intenção.
09:38Existe também o conceito de cicatrização por terceira intenção.
09:43Esse é menos comum de a gente escutar, mas existe, o autor descreve.
09:47E é um procedimento dividido, que combina, então, cicatrização secundária com um fechamento primário tardio.
09:53O fechamento primário num segundo momento.
09:56Então, como é que acontece?
09:58A lesão avulsiva ou contaminada é curetada e deixada em reserva para a formação de um tecido de granulação
10:06e cicatrização por segunda intenção entre 5 a 7 dias.
10:10Em 5 a 7 dias já tem um adequado tecido de granulação formado, aquele tecido róseo que preenche o defeito
10:17e o risco de infecção torna-se mínimo.
10:21A lesão é ser suturada, então, para que haja cicatrização por primeira intenção.
10:25Esse seria um conceito de cicatrização por terceira intenção.
10:28Perfeito. É isso mesmo. Começa o nome?
10:52Júlia. A Júlia pergunta se quando dá raspagem, campo aberto, né, isso,
11:00existe um tecido de granulação já formado, se esse tecido deve ser removido.
11:05Sim, esse tecido, nessa situação, Júlia, ele não é um tecido adequado.
11:10Esse tecido não deveria estar naquele lugar.
11:13Ele deve ser removido para possibilitar que a cicatrização, por quê?
11:17Por primeira intenção.
11:18O tecido de granulação, ele não necessariamente é uma resposta a um ferimento cirúrgico.
11:27Ele pode ser uma resposta a uma infecção ou para uma agressão, nesse caso, uma agressão periodontal.
11:33Não sou periodontista, tá, gente? Sou cirurgião bucomaxíl.
11:37Mas, nesse caso aí, o tecido de granulação é um tecido excedente,
11:42é um tecido exuberante, ele deve ser removido, curetado.
11:44A sequência de resposta de cicatrização, ela é dividida em três fases distintas e simultâneas.
11:55As três fases são as seguintes.
11:57A primeira é a fase inflamatória.
12:00Sublinha isso porque já caiu em prova.
12:03Fase inflamatória.
12:05A fase inflamatória ocorre antes da resposta reparadora do organismo, três a cinco dias.
12:13E ela ocorre através do quê?
12:15Uma vasoconstrição inicial, que é uma resposta espontânea do organismo na tentativa de estancar a hemorragia,
12:24de diminuir aquele sangramento.
12:25O trauma e a própria hemorragia ativam o fator doze, o fator rágeno, ou o fator de contato.
12:33E isso desencadeia a cascata do processo de cicatrização.
12:38Na fase de proliferação, a segunda fase, citocinas e fatores de crescimento estimulam as fases de proliferação posteriores.
12:47Ela acontece a partir do terceiro dia depois do trauma e tem duração aproximada de três semanas, 21 dias mais ou menos.
12:53Nessa fase, existe a formação do tecido granular rosa, aquele tecido de granulação que a gente tinha referido há pouco,
13:03com células inflamatórias, fibroblastos e vasculatura em desenvolvimento em uma matriz, no interior de uma matriz.
13:12Então a gente tem aqui essa fase de proliferação, em que a gente tem os vasos sanguíneos, a derme,
13:20os fibroblastos atuando, as metaloproteinases da matriz, isso é bem importante para quem estuda periodontia,
13:29e os ativadores de plasminogênio, tessidual e uroquinase,
13:35que são os fatores que atuam levando os fibroblastos a se multiplicarem e a preencherem esse defeito.
13:45Aqui é o coágulo de fibrina.
13:51Na fase de proliferação, então, a gente vai ter a reepitelização, facilitada pelo tecido conjuntivo contrátil,
13:59e aí o tecido conjuntivo contrátil conta com uma estrutura, com uma célula importante chamada de miofibroblastos,
14:06miofibroblastos, que são fibroblastos que se transformam e provocam uma intensa força contrátil,
14:14que orienta a contração dos bordos da ferida na tentativa de quê? De aproximá-los.
14:20Então os miofibroblastos nessa situação são importantes no sentido de orientar a contração da ferida.
14:26E a fase de remodelação, que é um extenso período de remodelação progressivo,
14:32fortalecimento do tecido imaturo, que pode durar diversos anos.
14:38Não são meses, são anos.
14:40Então o tecido fica em constante remodelação.
14:45Tá legal até aí, pessoal?
14:48Ótimo, então.
14:49Vamos treinar com a questão que eu falei pra vocês que caiu.
14:52Foi da Marinha mesmo, em 2016, e a bibliografia é a anterior a essa que está sendo cobrada agora.
15:01Milouro e colaboradores em 2018, a segunda edição.
15:07Qualquer forma de injúria desencadeia uma complexa série de processos estritamente organizados,
15:14objetivando restaurar a integridade do tecido envolvido.
15:17Essa série de eventos pode ser dividida em três fases distintas,
15:21sendo assim, assinale a opção que apresenta essas fases.
15:25Vamos lá.
15:26Fase inflamatória, proliferativa e remodelação.
15:30Acabamos de ver.
15:31A resposta é essa, né?
15:33Vamos ver as seguintes, pra ver se faz sentido.
15:37Proliferativa, coagulação e inflamação.
15:40Coagulação não faz parte, né?
15:41Remodelação, reepitelização e granulação.
15:47Tem a ver, mas não são, não é a sequência de eventos, não corresponde à nomenclatura.
15:55Granulação, proliferativa e revascularização.
15:58Também não, né, pessoal?
15:59Inflamação, coagulação e granulação.
16:03Não.
16:04Coagulação e granulação são eventos dentro de uma das fases, de alguma das fases.
16:09Então, resposta correta, letra A.
16:12É o que eu falei pra vocês.
16:14Cai assim.
16:14Conceitos básicos dentro de uma questão e de forma bastante genérica.
16:24Ninguém vai perguntar qual é a citocina envolvida no processo de proliferação.
16:28Não vai.
16:29Não vai ser assim.
16:30É dessa forma.
16:32Tá bom?
16:33Menos mal.
16:35Nós temos também os processos especializados de cicatrização.
16:39E dentro desses processos a gente vai ter a cicatrização, ou melhor dizendo,
16:43a regeneração nervosa.
16:45A resposta de cicatrização, ou de cura, depende da gravidade e da extensão da lesão.
16:53Mas, em geral, pra nervos periféricos, se considera que a velocidade de regeneração
16:58ela esteja em torno de 1 milímetro por dia.
17:02O nervo periférico se regenera na taxa de 1 milímetro por dia.
17:06E eu trouxe aqui alguns tipos de lesão nervosa que podem acontecer.
17:11Isso sim, isso eu acredito que possa vir em uma questão de prova.
17:17São as diferentes lesões nervosas.
17:20Neuropraxia, axonotimese e neurotimese.
17:23Vamos ver o que é cada uma delas.
17:25A neuropraxia é a mais suave forma de lesão do nervo.
17:30É quando o nervo não é rompido, não tem a sua continuidade alterada.
17:34Ele é simplesmente comprimido ou traumatizado.
17:37Envolve a interrupção passageira da condução nervosa sem perda da continuidade axonial.
17:45A continuidade da bainha epineural e dos axônios é mantida e alterações morfológicas são mínimas.
17:52O restabelecimento do déficit funcional é espontâneo e, em geral, completo entre 3 e 4 semanas.
18:00Na axonotimese, ocorre ruptura física de um ou mais axônios sem lesão do tecido estromal.
18:08Ou seja, o interior do nervo continua íntegro.
18:13Apesar dos axônios rompidos, as células de Schwann de revestimento e os elementos do tecido conjuntivo permanecem intactos.
18:21A natureza e a extensão do déficit estão relacionados com o número e o tipo dos axônios lesados.
18:29Alterações morfológicas são manifestadas como a degeneração do axoplasma
18:34e estruturas associadas distalmente ao local da lesão.
18:38Distalmente, nesse caso, significa mais longe da linha média.
18:43É um distalmente anatômico, não é distal e mesial de dente.
18:47E parcialmente proximal à lesão.
18:51O restabelecimento do déficit depende do grau do dano.
18:54Então, nesse caso, já não dá pra afirmar em quanto tempo vai ter o restabelecimento da função.
19:02Um dos resultados pode ser a parestesia.
19:11Um dos resultados pode ser...
19:13Nesse contexto todo, a gente pode ter diversas respostas.
19:16Uma delas é a parestesia quando se trata de nervo sensitivo.
19:23Nervo de sensação.
19:24Outras alterações podem ser desestesia, pode ser hipoestesia e pode ser a hiperestesia,
19:33que talvez seja a pior delas.
19:35Que é quando o mínimo estímulo, ele é traduzido em forma de dor.
19:40Essa é a hiperestesia.
19:41São todas alterações da condução nervosa.
19:45Tá bom?
19:45E a neurotinese, que é, então, a forma de lesão mais grave
19:51quando acontece o completo rompimento do tronco nervoso.
19:53O tronco nervoso, ele é seccionado e, com isso, é interrompido a transmissão nervosa.
20:00A reconstituição pra esse tipo de lesão é rara.
20:05E aí a gente fala, Juliana, em parestesia permanente,
20:09quando se trata de um nervo sensorial.
20:12Quando se trata de nervo motor, aí a gente fala em paralisia.
20:18Ok aí?
20:21Isso.
20:22Histologicamente, alterações de degeneração são evidentes em todos os axônios ao redor da região lesada.
20:30E logo após a agressão, as células de Schwann começam a sofrer uma série de alterações celulares
20:35chamadas de degeneração valeriana.
20:40Degeneração valeriana.
20:41Tá, pessoal?
20:43Degeneração valeriana, neurotimese.
20:46Neurotimese, degeneração valeriana.
20:49Tá legal?
20:51É a forma como o nervo acaba sendo reabsorvido.
20:56O osso também apresenta um processo especial de reparo.
21:02A cicatrização ocorre por regeneração, mais do que pelo reparo.
21:07O osso fraturado, ele é capaz de se recompor pela formação e diferenciação sequencial.
21:15Que é o que a gente chama de cicatrização indireta.
21:18Aquela cicatrização através de calo ósseo.
21:20Então, o que acontece?
21:23É formado um trombo interfragmentar, logo após o trauma.
21:27Quando rompe o osso, forma aí um trombo, um coágono.
21:32Ele estanca a hemorragia provocada pela ruptura e fornece as células inflamatórias e mesenquimais pluripotenciais
21:39que vão transformar no futuro esse calo.
21:44No início, ele é macio e preenche os espaços interfragmentares
21:49e, numa situação posterior, ele vai se calcificando, vai ossificando.
21:53No início, ele é composto de tecido fibroso, cartilagem e osso fibroso imaturo.
22:00Mas ele atua como o quê?
22:02Atua como um estabilizador biológico, um estabilizador natural da fratura.
22:08É como se fosse uma ala biológica.
22:11É óbvio que se o osso fraturou numa posição anormal, anatomicamente falando,
22:18ele vai permanecer naquela posição, a menos que ele seja reposicionado
22:22e haja a cicatrização que a gente vai ver de forma indireta na sequência.
22:31Direta, melhor dizendo.
22:32Os segmentos ósseos são manipulados em um alinhamento aceitável
22:37e estabilizados, de modo que as células tenham um mínimo espaço para migrar.
22:44Nesse caso, não se forma calo ósseo.
22:46Não se fala em formação de calo ósseo.
22:49E a remodelação dessa área de fratura ocorre por um grupo temporário,
22:58um grupo provisório de osteoclastos e osteoblastos
23:02que atuam nessa área de forma a restituir a integridade funcional e anatômica da área fraturada.
23:11Isso se chama de unidade multicelular básica.
23:15A gente tem aqui uma figura para ilustrar a cicatrização direta,
23:21que é quando a gente consegue juntar os cotos de fratura, juntar as áreas fraturadas,
23:27e você tem mínimo espaço entre as estruturas fraturadas
23:32e fornece a migração celular com mínimo afastamento.
23:38Cicatrização por contato, cicatrização por fenda, por fenda mínima.
23:42Aqui a ilustração da unidade celular básica, com os osteoblastos, osteoclastos, vasos sanguíneos e osteócitos.
23:50Osteócitos são os osteoblastos que ficaram presos no interior da massa óssea
23:55nas chamadas lacunas, lacunas de Rausch.
24:01Então a gente tem três tipos celulares diferentes atuando aqui.
24:05Os osteoclastos, a gente vê que são esses maiores, multinucleados, com borda franjada,
24:10e os osteoblastos que vão fazer a deposição de matriz e posterior calcificação.
24:20Trouxe aqui uma ilustração para a gente ver melhor o que são osteoblastos.
24:25São essas células aqui, que se desenvolvem a partir de células-tronco, mesenquimais, pluripotenciais,
24:31e osteoclastos multinucleados.
24:34No livro tá errado, tá?
24:36No livro tá escrito osteoclastos multicelulares.
24:39Não são multicelulares, são multinucleares, tá?
24:42Como é que a célula vai ser multicelular, né?
24:44Não tem como.
24:45E são originados de uma linhagem de monócitos macrófagos da linhagem hematopoética.
24:51São produzidos na medula.
24:53São que depois se diferenciam nos osteoblastos, tá?
25:06Os osteócitos são só ativados quando tem uma entúria?
25:12Não.
25:13Os osteócitos, eles ficam presos na estrutura óssea interior do osso,
25:20no que se chama de lacunas de Rausch, tá?
25:24Os que têm função biológica são os osteoblastos.
25:29É.
25:30Os osteócitos já são...
25:31Os osteócitos mantêm a estrutura do osso.
25:39Eles fazem parte da arquitetura óssea, tá?
25:42Você tem uma parte general, uma parte...
25:45Matriz, isso.
25:47E aí, quando você converte, são chamadas de osteócitos.
25:51Não fazem nada.
25:52Eles fazem...
25:52Mais ou menos isso.
25:54É mais ou menos isso.
25:56O que tem função biológica são os osteoblastos e os osteoclastos.
26:01Porque o que acontece com a fisiologia óssea?
26:03O osso tá o tempo todo sendo remodelado.
26:06O tempo todo você tem...
26:08Isso.
26:09Isso.
26:10Isso se chama o quê?
26:11Se chama turnover ósseo.
26:12Isso.
26:13Ou taxa de remodelagem.
26:15E isso acontece através da reabsorção óssea, através dos osteoclastos, que também
26:23são ativados através dos osteoblastos.
26:26Existem proteínas sinalizadoras.
26:29Aqui é o fator Rank ligante da ativação do osteoclasto, que é produzido pelo osteoblasto.
26:38Os receptores de Rank na superfície dos osteoclastos estão ali quietinhos.
26:44Quando o osteoblasto sinaliza, é que eles se tornam ativos.
26:48É aí que eles adquirem essa borda franjada, que secreta a enzima, que faz a dissolução
26:53da parte da matriz óssea e fornece o cálcio que é reabsorvido pelo sangue.
27:01E em seguida o osteoblasto vem e repõe aquela área perdida com nova matriz, que é mineralizada
27:07subseqüentemente.
27:09Isso é importantíssimo entender.
27:12Porque é basicamente a patofisiologia da osteonecrose por bisfocionato.
27:17É basicamente aqui que acontece toda a problemática das drogas anti-reabsortivas.
27:24E aí tem uma série de interleucinas, de proteínas, de citocinas sinalizadoras que estão envolvidas
27:32nesse processo, cada uma mais ou menos importante dependendo da fase.
27:38Um exemplo especial de cicatrização por segunda intenção são as feridas por extração dentária.
27:45Imediatamente após a extração, o que acontece?
27:47O sangue preenche o alvéolo, preenche a área onde havia um dente.
27:52Essa organização do coágulo começa nas primeiras 24 a 48 horas e ocorre através do aumento
27:59na quantidade e dilatação dos vasos dentro dos remanescentes do ligamento periodontal.
28:04E a partir daí ocorre a migração de leucócitos e a formação de uma camada de fibrina.
28:10Essa camada de fibrina, que quando é destruída ou quando degrada precocemente,
28:15causa a osteite alveolar ou alveolite.
28:21Na primeira semana, então, o coágulo forma o arcabouço, forma a estrutura sobre a qual
28:27as células inflamatórias migram e o epitélio na periferia da lesão se desenvolve sobre
28:33a superfície do coágulo.
28:35Nesse estágio de reabsorção ativa da cristal óssea atuam aquelas células que a gente comentou,
28:42os osteoclastos, eles começam a destruir aquela área da crista óssea para que?
28:47Para que haja subsequente deposição de nova matriz e remodelação dessa área.
28:54A angiogênese continua nos remanescentes do ligamento periodontal.
28:57Por isso, antigamente se falava, não, tem que curetar todo o ligamento periodontal na área de distração.
29:02Claro que você vai curetar se houver lesão.
29:05Se não houver lesão, é interessante que você deixe o ligamento periodontal.
29:09Por quê?
29:10Porque ele tem função de precursor nessa regeneração, nesse reparo.
29:16Na segunda semana, então, o coágulo continua a se organizar pela fibroplastia e o surgimento
29:21de novos vasos e até a terceira semana a cavidade é preenchida com o famoso tecido de granulação
29:28e tecido ósseo pouco calcificado, que a gente chama de osteoide, no perímetro da lesão.
29:34Então, a remodelação óssea ativa por meio de deposição e reabsorção,
29:39aquele balanço, aquele turnover, continua por diversas semanas, tá, pessoal?
29:45A gente só vai ver evidência radiográfica de reparo ósseo com densidade mineral suficiente
29:53para ser visível após seis a oito semanas.
29:57E a cicatrização final, que pode ser vista no raio-x, vai acontecer entre quatro e seis meses.
30:04Quando acontece, eu já comentei isso com vocês, a não formação ou desintegração precoce do coágulo,
30:13daquela rede, daquela estrutura, daquela malha de fibrina, a gente vai ter a osteite alveolar ou alveolite.
30:20Essa é uma complicação muito mais ligada a uma deficiência no processo de reparo
30:27do que propriamente uma complicação infecciosa.
30:31Isso é importante.
30:33Isso faz diferença.
30:37Nesse caso, no caso de osteite alveolar ou alveolite,
30:41a gente vai ter uma cicatrização consideravelmente mais demorada
30:44e o preenchimento da cavidade ocorre num processo mais gradual.
30:48Não.
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