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00:00Jamais eu deixaria que a minha filha passasse uma noite sequer na cadeia
00:04por um crime que eu tivesse cometido.
00:08Aliás, minha vontade é eu mesmo confessar esse crime, mesmo sendo inocente.
00:14Não! Não, Miguel, eu o proíbo!
00:17Doutor Geraldo disse que Isaura tem grandes possibilidades no tribunal.
00:22O que nós temos que fazer agora é tentar descobrir quem foi o assassino.
00:27Só por isso que eu resolvi não sacrificar por minha filha, embora também sendo inocente.
00:34Porque eu quero descobrir quem foi que matou.
00:39E é isso que nós vamos fazer, meu querido.
00:43Vamos investigar.
01:17Aurora?
01:21O que o primo faz acordado tão tarde assim?
01:24Eu não consegui dormir.
01:26É o calor.
01:27Sim, o calor dos trópicos.
01:30Eu também me ajeitei, por isso vim tomar um copo d'água.
01:34Eu estou com insônia.
01:36Eu não consigo parar de pensar no Leôncio morto, todo ensanguentado.
01:40E cada vez que eu fecho os olhos, essa imagem me vem na cabeça.
01:44Não se ofende, Henrique, mas eu preciso de saber.
01:48Vosso-mecê teve algo a ver com o assassinato do Sr. Leôncio?
01:51Não.
01:52Eu juro pelo amor que sinto.
01:54Não juro pelo seu amor, porque vosso-mecê pode ser inconstante.
01:57Eu juro por Deus, por meu pai, pelas minhas irmãs.
02:00Eu juro pela nossa felicidade, por tudo que há de mais sagrado para mim, que eu não sou assassino.
02:04Está bem.
02:05Não se agite.
02:10Desculpe, desalinho, eu não imaginei encontrá-la aqui.
02:15O seu corpo é tão liso, quase não tem pelos.
02:20Vosso-mecê ainda é tão rapaz.
02:23Quando se completa um ano do seu luto?
02:29Hoje.
02:30Já se completou.
02:32Já passa de meia-noite.
02:37Então, deixe-me lhe dizer mais um soneto que eu decorei para lhe falar.
02:48Estou pronta.
02:50Recite os versos.
02:54Eu cantarei de amor tão docemente,
02:56por uns termos em si tão consertados,
02:59que dois mil acidentes namorados faça sentir ao peito que não sente.
03:03Farei que amor a todos a vivente,
03:06pintando mil segredos delicados,
03:09brandasiras, suspiros magoados,
03:11temerosos a dia
03:12e pena ausente.
03:36Mamãe, seja sincera.
03:39A senhora acha que minha barriga já está se mostrando?
03:43Não, Branca, não está, não.
03:46Pois eu acho que minha cintura já está mais grossa.
03:51Então não devia apertar tanto o espartilho como tem feito.
03:56O que ninguém pode saber, mamãe?
03:58Ninguém!
03:59Não enquanto não der o golpe no Álvaro.
04:02Vai, minha filha.
04:04Tenho rezado dia e noite em busca de uma solução.
04:07Pensei até em casá-la com um rapaz pobre,
04:10que aceite essa situação em troca de um bom dote.
04:14Eu não quero saber de nenhum pobretão.
04:19Vou ter o Álvaro.
04:21A senhora vai ver.
04:31Ainda hoje fazíamos uma lista de suspeitos.
04:34E quantos vocês conseguiram?
04:36Vários, Geraldo.
04:38Todos os que tinham ido tentar salvar Isaura
04:40e que estavam nas proximidades da cabana abandonada.
04:43Eu não devo lhe esconder uma coisa.
04:45O seu nome também está incluído na lista de suspeitos.
04:48Eu?
04:50Sinceramente, isso é um absurdo.
04:52Por que eu mataria Leôncio?
04:54Ora, por quê?
04:56Pelos seus amores pela viúva?
04:59A sua vontade de livrar-se de uma vez por todas de Leôncio
05:02e ter a dona Malvina só pra si?
05:04Qual?
05:06Pensa que eu seria capaz de matar um rival
05:09para conquistar o amor de uma mulher?
05:11Isso me surpreenderia muito.
05:13Eu abomino a mera ideia de se matar alguém.
05:16Além do mais, sou um poeta.
05:18Tenho sensibilidade.
05:19Jamais eu me aventuraria no mar de sangue.
05:23Eu também odeio todo tipo de violência, Geraldo.
05:26Mas, diga-me uma coisa.
05:28Como foi a sua chegada na cabana abandonada?
05:31Posme ser foi com a dona Malvina?
05:33Porque, sinceramente, eu não via a carruagem de vocês ao chegar.
05:37Vamos a cavalo.
05:41Depois, pegamos uma estradinha nos fundos da casa.
05:44Malvina foi na frente porque ela sabia o caminho.
05:47Quando estávamos nos aproximando, ela ficou com medo
05:50e resolveu esperar um pouco afastada.
05:52E eu continuei sozinho.
05:54Então, quando vocês chegaram, o Leôncio ainda estava vivo.
05:57Eu não vi.
05:59Eu ouvi barulho de gente se aproximando
06:01e resolvi me esconder atrás de umas tábuas no quintal.
06:04E viu quem era?
06:06Vi.
06:07Era o Sr. Belchior.
06:11Não reparou se ele estava com as mãos sujas de sangue?
06:14Não.
06:15Eu não consegui.
06:16Eu só sei que ele estava muito nervoso.
06:19E depois saiu correndo, ainda que manco,
06:21na direção contrária minha,
06:22se afastando da casa.
06:24Então, eu ouvi os cavalos da milícia chegando
06:26e fui avisar a dona Malvina.
06:28E quando retornamos,
06:29Vosmissi já estava lá com o André,
06:31que veio pela estradinha da frente da casa.
06:34Meu amigo,
06:36se Vosmissi disser isso em juízo,
06:38pode acabar até se complicando.
06:39Pois se esteve sozinho,
06:41sem a companhia de dona Malvina,
06:42dentro da cabana abandonada,
06:44o seu álibi cai por terra.
06:46Álvaro, eu estou falando a verdade.
06:48Eu não matei.
06:51Pense bem.
06:52Além de advogado,
06:53defensor da justiça em primeiro lugar
06:55e da lei em segundo,
06:56sou um poeta.
06:57O meu perfil não condiz com de assassino.
07:01Eu também não quero ficar desconfiando
07:02de Vosmissi, Geraldo.
07:04Mas eu sei também que Vosmissi
07:05não me diria nada
07:06se Vosmissi ou dona Malvina
07:08tivessem matado o Leôncio.
07:10Se não bastasse desconfiar
07:12do seu melhor amigo,
07:13agora desconfia de dona Malvina também?
07:15Sim, eu desconfio de dona Malvina também.
07:19Ela sofreu muito nas mãos daquele crápula.
07:21Toda a humilhação,
07:22a rejeição,
07:23a mágoa acumulada,
07:24somado ao desejo de salvar Isaura.
07:26Geraldo,
07:27isso pode ter feito com que dona Malvina
07:29perdesse a cabeça
07:30e ela tivesse golpeado
07:31o Leôncio, sim.
07:32Não, não, não, não, não.
07:33Eu não permito que Vosmissi
07:34desconfie de dona Malvina.
07:36Ora, Álvaro,
07:37não mate meus sonhos de amor assim.
07:39Além do mais,
07:41acha que eu seria capaz
07:41de me apaixonar
07:42por uma assassina fria e ardilosa?
07:44E onde dona Malvina
07:46ia encontrar forças
07:47para esfaquear Leôncio
07:47tantas vezes?
07:48Na raiva.
07:50Vosmissi sabe que quando estamos com raiva,
07:53nossa capacidade se transforma, Geraldo.
07:57É verdade.
08:00Mas não.
08:02Não.
08:03Minha amada e doce viúva,
08:06Malvina não matou Leôncio.
08:10Calme-se, meu amigo.
08:13Eu não vou me suspeitar
08:14de dona Malvina.
08:15Pronto.
08:16Eu acredito que ela também
08:17é tão vítima daquele monstro
08:19quanto a minha querida Isaura.
08:21É que eu estou muito infeliz, Geraldo.
08:24A ver Isaura presa
08:25me parte o coração.
08:28A verdade é que Leôncio Almeida
08:30conseguiu estragar
08:31a nossa felicidade de novo.
08:34Nem morto aquele infeliz
08:35nos deixa em paz.
08:43Piso!
08:48Socorro.
08:49Socorro.
08:49Socorro, pai,
08:50meu Deus, socorro!
08:51Calma, Isaura, o que foi?
08:53O que foi?
08:54Meu Deus, que susto.
08:56Calma, foi um pesadelo, só isso?
08:58Meu Deus do céu, meu Deus do céu.
09:00Isaura, calma.
09:02É mais do que natural
09:03que Vas Micei tenha um pesadelo
09:04depois de toda a violência que passou.
09:06Foi raptada a força?
09:08Por um triz não foi violentada?
09:10Calma, passou.
09:12Passou, ninguém pode lhe fazer mal.
09:14Aqui pelo menos Vas Micei
09:16está em segurança.
09:18Estamos protegidas
09:19pelas mesmas grades
09:20que nos prendem.
09:21Era ele.
09:23Era o senhor Leôncio.
09:24Era ele.
09:25Ele morreu, Isaura.
09:27Ele não pode mais fazer mal
09:29a Vas Micei.
09:30Mas o meu pesadelo
09:32parecia tão real.
09:33Ele parecia um globo
09:35e tinha dentes caninos enormes.
09:38Como de um cachorro?
09:39Sim.
09:40Sim, como de um cachorro.
09:43Senhor, meu Deus do céu.
09:45E as facadas.
09:47Parecia que não conseguiam matá-lo.
09:50E ele parecia forte,
09:52mais poderoso
09:53e queria me levar com ele.
10:02Vida de negro é difícil,
10:05é difícil, como o quê?
10:08Vida de negro é difícil,
10:10é difícil, como o quê?
10:12Vamos de novo, filangona!
10:13Olha aqui, moleque,
10:14você tem isso de novo.
10:20Minha negada bonita,
10:22está todo mundo formoso.
10:25Que bonita!
10:29Que bom, vocês tudo fortes!
10:32Oi, meu irmão, amor!
10:34Tá bom?
10:35Oi, barbelinho!
10:37Oi, queridinho!
10:38Oi, moleca!
10:40Oi, Bernardo!
10:41Oi!
10:42A das dores morreu.
10:45Tadinho do meu Baselinho.
10:47A avó, você chegou na hora certa,
10:49porque o Basílio
10:49estava mesmo precisando de alguém
10:51para tomar conta dele.
10:53Maria já tem quatro filhos,
10:54não tem como tomar conta dele.
10:58Eu vou cuidar de você, viu, Basílio?
11:05Vida de negro é difícil,
11:08é difícil, como o quê?
11:10Álvaro!
11:12Como vem?
11:12Posso entrar, meu filho?
11:14Não, um minuto.
11:16Estou só de cirula.
11:30Pode entrar.
11:36Bom dia, meu filho.
11:37Bom dia.
11:38Dormiu bem?
11:39Mais ou menos.
11:41Demorei a dormir, minha mãe.
11:42Não conseguia parar de pensar em Isaura.
11:45Coitadinho.
11:46Teve insônia?
11:48Mas eu consegui pegar no sono,
11:50só que eu dormi pouco.
11:51Que horas são?
11:52Já passa às oito.
11:53Bem, então eu vou tomar o meu desjejum
11:56e vou à cadeia.
11:58Álvaro, eu vim aqui porque eu quero conversar a sós com o Vas Mice.
12:04Fale, minha mãe.
12:05Venha cá.
12:07Olhe bem nos meus olhos.
12:10Não foi você que matou o Leôncio, foi?
12:13Não, mamãe.
12:14Não fui eu, já lhe disse.
12:16Muito bem.
12:17Eu acredito em vós, Mice.
12:19Mas tem certeza também que não foi Isaura?
12:23Tenho, minha mãe.
12:24Se fosse, ela iria confessar.
12:26Ela não teria por que mentir.
12:28Foi raptada.
12:29Poderia alegar legítima defesa.
12:31Mas é exatamente isso que o doutor Geraldo acha que ela deveria dizer.
12:34Seria uma estratégia imbatível de defesa.
12:38Pode me ajudar aqui?
12:40Acontece, minha mãe,
12:42que Isaura foi educada pela madrinha
12:45exatamente como a senhora me educou,
12:47para não mentir.
12:49É, mas às vezes, os fins justificam os meios.
12:54Quem sabe você não convença Isaura
12:57de que seria a melhor forma dela sair rapidamente da prisão?
13:01Diga-me a verdade, minha mãe.
13:03Foi o doutor Geraldo que lhe pediu isso?
13:05Eu não vou negar.
13:07O doutor Geraldo me pediu para convencê-lo
13:09de que seria o melhor a fazer.
13:11Não, minha mãe, não é o melhor a fazer.
13:13O doutor Geraldo está fazendo isso
13:15para ver a Isaura fora da cadeia.
13:18Tanto ele como eu, como muitas pessoas,
13:21todos achamos em algum momento
13:23que talvez Isaura tivesse cometido o crime.
13:26Entenda de uma vez por todas.
13:28Isaura é inocente.
13:34Seu Berquior nem voltou para casa,
13:37dormiu no quartinho dos fundos trancados.
13:40Está apavorado.
13:41Ele não está batendo bem, não.
13:44É, seu Berquior está muito estranho,
13:47desde que o Neuleonso morreu.
13:48É, quando acontece uma violência
13:51que nem essa da morte do Neuleonso,
13:53dá medo mesmo.
13:54Qualquer um.
13:56Eu acho que ele está com medo de gente viva.
14:00Medo?
14:01Mas o que minha tia está falando?
14:03Eu tenho para mim que ele viu
14:06quem matou o Neuleonso.
14:09Mas se ele viu,
14:10por que ele não fala logo
14:12para a mãe de Isaura da prisão?
14:13É, isso não está certo.
14:15Se ele sabe, tem de falar.
14:16Ele não fala com medo.
14:20Ele não viu o criminoso coisa nenhuma.
14:23Para mim, ele está com medo
14:25porque ele mesmo é o assassino.
14:27Mas, mas então se é assim,
14:30por causa de quê?
14:31Ele está com medo?
14:32Está com medo de quem?
14:33Ah, de assombração.
14:34O medo de o Sr. Neuleonso voltar
14:35é levar ele junto
14:36para o Gui dos Infernos.
14:37Diz que ele está com medo.
14:38Mas será, Rosa?
14:40Será que o Sr. Belchior
14:41ia ter tanto medo assim de fantasma?
14:44Ele acredita nem em tudo,
14:45e no bisômulo, sem cabeça,
14:46e até em Saci Perereira ele acredita.
14:48É.
14:49É verdade que o Sr. Belchior
14:50é supersticioso,
14:53mas eu não sei se é de fantasma
14:55quem está com medo, não.
14:57Ou então, se ele está com medo
14:58de alguém descobrir
14:59que foi ele mesmo que matou,
15:01porque daí ele pode até
15:02ser preso ou enforcado.
15:04Será que foi o Sr. Belchior
15:06que matou o Neuleonso?
15:24Bom dia, meu querido.
15:28Você está com medo de assombração?
15:31Não é para estar.
15:32O Sr. Neuleonso
15:33deve estar assombrando
15:35todo mundo por aí.
15:36Agora que ele virou arma penada, né?
15:39Deve estar queimando
15:41no fogo do sol
15:42e gelando no frio da lua.
15:45Agora que ele já morreu, né?
15:48Ele pode estar em qualquer lugar,
15:50Sr. Chico.
15:51Ele pode ter...
15:52Ele pode ter até aí,
15:54atrás das suas costas.
15:56Eu tenho medo dos vivos
15:58e não dos mortos.
16:01Eu acredito em fantasmas, viu?
16:03O Sr. Leonso é capaz de sair
16:05assombrando todo mundo.
16:07Quem sabe ele não está
16:09querendo levar você com ele.
16:10Não fala isso.
16:11Não fala isso, Chico.
16:12É Jesus, Jesus amado.
16:14Não fala uma coisa.
16:14Que o Sr. Leonso
16:15vai assombrar bem longe de mim, viu?
16:18Eu não gosto
16:20desses assuntos
16:21de defunto, não.
16:22Com todo respeito, vai.
16:24Meu pior,
16:26olha bem nos meus olhos
16:27e diga a verdade.
16:28Doutor.
16:29Você sabe
16:30quem matou o Sr. Leonso?
16:32Quem matou o Sr. Leonso?
16:34Não foi a minha
16:35florzinha exalda?
16:37Você sabe muito bem
16:38que não.
16:40Eu andei assuntando
16:41por aí
16:42e me disseram
16:43que você sabe
16:44quem matou o Sr. Leonso.
16:45O que falaram de mim
16:47por aí?
16:47Que história eles inventaram?
16:49A gente foi
16:50a madrissa da roça
16:51que inventou, né?
16:52Um passarinho
16:53me contou
16:54que você sabe
16:55quem matou o Sr. Leonso.
16:58É...
16:59Olha, eu juro...
17:02Eu juro que eu não sei.
17:03Eu não sei
17:04dar dica de nada.
17:05Quem falou isso de mim
17:07quer me enrascar.
17:09Meu pior.
17:10Eu quero saber
17:11tudo o que aconteceu
17:13naquela cabana de caça.
17:26Suas pernas se movem.
17:29É mesmo um milagre.
17:31Vós, você vai voltar
17:32a andar, Gabriel?
17:34Ai, meu filho, Gabriel.
17:36Que alegria!
17:38Agora eu só não posso
17:39ser preguiçoso.
17:40Recusar meus exercícios.
17:41É tarefa
17:42pra todos os momentos.
17:44É mesmo incrível.
17:45Parabéns pelo progresso.
17:47Tenho certeza
17:48que vós,
17:48você vai conseguir,
17:49meu amigo.
17:50Obrigado, seu Miguel.
17:51Mas eu devo tudo isso
17:52à dona perpétua.
17:55Não me deve nada.
17:57Faço por prazer.
17:58O mérito é todo seu.
18:00Qual?
18:00Se não fosse sua dedicação,
18:02seu incentivo,
18:03seus exercícios,
18:04eu, por certo,
18:05ainda estaria lamentando
18:06a minha má sorte.
18:07Mas não está mais, Gabriel.
18:09É uma vitória.
18:10E que vitória, Gabriel.
18:13Quando pensávamos
18:14que estava morto,
18:15saiu do coma.
18:16Agora nunca imaginaríamos
18:18que voltaria a andar
18:19e já está mexendo
18:20as pernas.
18:22meu filho é mesmo
18:24um menino
18:26muito capaz.
18:28Mas sem a dedicação
18:30da dona perpétua,
18:31eu não teria conseguido.
18:33Eu chego a me sentir
18:34culpada, Gabriel.
18:36Fiquei tão obcecada
18:37pela luta contra Leôncio,
18:39em tentar ajudar
18:40a Isaure,
18:41ajudar as pessoas
18:42contra a maldade dele,
18:43que eu negligenciei
18:45seus exercícios.
18:47Mas vocês fizeram
18:47o que puderam por mim.
18:48graças a você, Tomasi.
18:50Quando me espetou
18:51com aquela agulha
18:52já há algum tempo,
18:53eu descobri que
18:54não tinha perdido
18:54completamente
18:55a sensibilidade
18:56nas pernas.
18:57Foi isso que nos animou
18:58a começar os exercícios.
19:00Tive muita prática
19:01nesses assuntos
19:02de recuperação
19:02dos movimentos do corpo
19:04por causa do meu pai.
19:05Ele teve um problema
19:07bem mais sério
19:08que o Gabriel
19:08por causa de uma queda
19:09de cavalo.
19:10O meu amigo,
19:11o seu Miguel,
19:12também nunca deixou
19:13de me incentivar.
19:14É, mas foram tantos
19:15os problemas
19:16com a minha filha
19:16que eu não pude
19:17levar adiante
19:18os seus exercícios.
19:20Dona perpétua
19:21chegou em boa hora,
19:22meu amigo.
19:24Essa é uma das qualidades
19:25de minha mãe.
19:26Estar sempre
19:27onde se faz necessária.
19:28Sem dúvida que sim.
19:31Pedro,
19:32não me esconda nada.
19:35Mas eu não vi
19:36dar dica de nada.
19:37Eu juro por tudo quanto é.
19:39Mas, meu Deus do céu,
19:39me ajuda.
19:40Me ajuda, Deus que me...
19:41E não adianta rezar.
19:43Se você não me contar
19:44tudo isso,
19:45eu vou dar tanta pancada
19:47em você
19:47que eu vou consertar
19:48essa sua perna
19:49e vou arrancar
19:50essa corcunda
19:51com chicote.
19:52Mas eu não sei
19:53de nada,
19:54seu Chico.
19:56E o pior,
19:58eu vou meter
19:59uma bala quente
20:00bem nos seus miolos.
20:02Mas acredita
20:02nas minhas palavras,
20:03seu Chico.
20:05Eu não vi
20:05na dica de nada.
20:07Oi.
20:09Ah, se borrando
20:10de medo.
20:12Eu me borrei.
20:13Está vendo?
20:14O senhor fica
20:15me assustando.
20:16Está assustado por quê?
20:17Você está com medo
20:18de mim?
20:19Não tenho, não.
20:20Não tenho medo
20:21de nada, não.
20:21Você está tremendo
20:22que nem para ver.
20:23Não está se aguentando
20:25nas pernas
20:25de tanto medo.
20:26É que eu estou cansado.
20:27eu não dormi
20:30essa noite, viu?
20:31Eu estou muito preocupado
20:32com o...
20:33muito impressionado
20:35com o senhor Leôncio,
20:36aquela cara lá
20:36quando ele morreu,
20:37esfaqueado.
20:38Eu não...
20:39Por isso que eu estou
20:40fraquinho assim.
20:42ou você está com culpa
20:44no cartório
20:45ou está com medo
20:46que eu me vingue.
20:47Não, que não.
20:48Isso não é verdade, não.
20:50Depois, nos últimos tempos,
20:51até que nós ficamos
20:52amigão, né, Chico?
20:54Eu quero que você
20:57me conte
20:57tudo o que você sabe.
21:25Eu quero que você
21:30leva a toda a tristeza
21:34abençoa toda a natureza
21:46Precisamos comemorar.
21:48Agora não,
21:49porque nós estamos indo
21:50à cadeia visitar Isaura.
21:52Mas deixaremos
21:53para outro momento.
21:55Visitar a minha noiva
21:56na cadeia
21:57no dia em que íamos nos casar.
21:59Que dia infeliz.
22:03Ânimo, meu filho.
22:04Isaura há de ficar livre logo
22:06e nós vamos
22:07remarcar o casamento.
22:09Vamos fazer uma festa
22:10magnífica
22:11para Álvaro e Isaura.
22:12E aproveitamos
22:13e comemoramos
22:14a recuperação do Gabriel.
22:16Perfeito, condessa.
22:18Mas o que minha mãe
22:19lê com tanto interesse?
22:22É uma cartinha do coronel.
22:24Diz que vem me visitar.
22:26Quer conversar
22:27sobre o nosso casamento.
22:29Quer antecipar a data.
22:31Mas depois de Leôncio
22:32morto e com a filha
22:33na cadeia,
22:34para que tanta pressa?
22:36O meu casamento
22:38com o coronel
22:39é um assunto
22:40que só diz respeito
22:41a mim e a ele.
22:42Vai ver que o coronel
22:43quer usar a lua de mel
22:45como pretexto
22:46para sair logo do país.
22:47Que mal há
22:49em marcar o casamento logo.
22:51Antecipar a data.
22:52Se fosse em outros tempos,
22:54minha mãe, nenhum.
22:55Mas agora
22:56Leôncio acabou de morrer.
22:58Helena está presa.
22:59É realmente muito estranho.
23:02Francamente,
23:03isto é um absurdo.
23:05Não, minha mãe.
23:07É suspeito.
23:09Isso sim.
23:10Se me perdoam
23:11a intromissão,
23:12alguém tem notícias
23:13do doutor Geraldo?
23:15Ele saiu logo cedo
23:16com o doutor Diogo
23:17e já foram
23:18para a delegacia.
23:19Chegou aqui um rumor
23:20que o julgamento de Helena
23:21pelo assassinato
23:22do doutor Paulo
23:22já havia sido marcado.
23:24Os dois saíram correndo
23:25para lá.
23:38Tenho grandes novidades,
23:40minhas caras.
23:41Seu julgamento
23:42foi marcado, meu amor.
23:43Para amanhã.
23:44Mas já?
23:46Assim tão rapidamente?
23:47E é o que tudo indica
23:49por influência de seu pai.
23:51E as testemunhas?
23:52Haverá tempo para avisá-las?
23:54Bem, além de mim,
23:56temos que encontrar
23:56a dona Serafina
23:57e uma outra moça
23:58da casa dela
23:59que ouviram
24:00quando o doutor Paulo
24:01confessou alguns crimes.
24:02E ainda há a tal senhora
24:03que escapou por pouco
24:04de ser assassinada
24:05e que vive
24:06para os lados de Macaé.
24:07Eu e o doutor Geraldo
24:08vamos agora mesmo
24:09nos certificar
24:10de todas as testemunhas.
24:12Nós viemos apenas
24:14avisá-la
24:14para se preparar,
24:15dona Helena.
24:16É preciso
24:17que vós me ser
24:18convença o júri
24:19com sua história amanhã.
24:21Eu vou falar a verdade,
24:22doutor Geraldo.
24:24Só espero que Deus
24:26se compadeça
24:26de minha alma.
24:28Vamos acreditar
24:30que tudo vai dar certo,
24:31meu amor.
24:31E que amanhã mesmo
24:32vós me ser
24:33já estará livre.
24:34Se Deus quiser,
24:35Diogo,
24:37será como o fim
24:38de um pesadelo?
24:40O seu pesadelo
24:41está terminando,
24:42dona Helena.
24:43Se Deus quiser.
24:45O meu é
24:46que parece
24:46que está apenas começando.
24:49Não se preocupe,
24:50dona Isaura.
24:51Eu não esqueci
24:52do seu caso.
24:53E por falar nisso,
24:55por acaso
24:56a senhora não mudou
24:57de opinião
24:57sobre a sua confissão?
25:00Não, doutor Geraldo.
25:02Eu não mudei
25:03e nem vou mudar.
25:05Prefiro morrer inocente
25:07do que confessar
25:07um crime que eu não cometi.
25:10Já que é assim,
25:13quando eu voltar,
25:14eu vou ler
25:15os depoimentos
25:15que o sargento
25:16está tomando
25:16sobre o assassinato
25:18do infeliz
25:19Leôncio Almeida.
25:20E eu preciso repensar
25:23a sua estratégia
25:24de defesa, Isaura.
25:27Eu não sei
25:28nada de nada.
25:30Me deixe em paz.
25:31Por que ninguém
25:31acredita em mim?
25:33Por que você
25:34tem cara de mentiroso?
25:36Não, não, não.
25:37eu sempre digo
25:38a verdade.
25:39Quer dizer,
25:40quase sempre, né?
25:41Leopior,
25:42eu vou te dar uma chance
25:43de você me contar
25:45quem foi
25:45que matou o senhor Leôncio.
25:47Mas eu não sei,
25:48Chico.
25:49Leopior,
25:50alguma coisa
25:51está me dizendo
25:51que você está mentindo.
25:52Não, não estou.
25:54Me deixe em paz.
25:55Eu quero,
25:56eu quero trabalhar.
25:57Leopior,
25:57volta aqui.
25:58Eu vou terminar
25:59com você.
26:00Volta aqui, Leopior.
26:01Leopior.
26:02Leopior.
26:03Leopior.
26:03Leopior.
26:04Leopior.
26:06Leopior.
26:09Vai marcar a data
26:10do casamento
26:10para quando?
26:12Para logo depois
26:13do julgamento de Helena.
26:15E o senhor já sabe
26:16quando será o julgamento?
26:17Muito em breve,
26:18pelo que soube.
26:20Também pudera.
26:21Mandei mensagens
26:22de telégrafo
26:23para os desembargadores
26:24do passo,
26:25para o ministro da justiça.
26:26Expliquei a eles
26:27que se trata
26:28de um caso
26:28de legítima defesa
26:29e que não quero ver
26:30mais tempo
26:31minha filha na cadeia.
26:32Como Helena
26:33é reconfessa
26:34em carta
26:36de próprio punho
26:37assinada
26:37assumindo a autoria
26:38do crime,
26:39acredito que o julgamento
26:40sairá bem antes
26:41do que pensávamos.
26:42Então,
26:43logo depois,
26:44já quer se casar?
26:45Quero
26:46e vou me casar.
26:48Não vai sequer
26:50respeitar o meu luto?
26:51Leôncio era seu genro.
26:53Um genro
26:54que eu detestava.
26:55Mesmo assim,
26:56era seu genro.
26:58Vós-messês
26:58já estavam separados,
27:00ele não era mais
27:01meu genro
27:01e eu não tenho
27:02que ficar aqui
27:02de fingimentos.
27:04Meu marido
27:05acabou de morrer
27:06e o senhor
27:06já quer se casar.
27:08Meu casamento
27:09já estava marcado
27:11antes da morte
27:12de Leôncio
27:12e com a sua
27:13benção, Malvina.
27:15Eu não tenho
27:15mais idade
27:16para perder tempo.
27:17Não vou ficar
27:18adiando
27:19a minha oportunidade
27:20de ser feliz
27:21ao lado de Joconda
27:22só porque Leôncio
27:23morreu,
27:23mas de forma alguma.
27:26Mesmo assim,
27:26meu pai,
27:27não é só isso.
27:29Pense bem.
27:29Não fica bem
27:30o senhor querer
27:31se casar
27:32com Helena na cadeia.
27:33Eu já disse
27:34a vós-messê
27:34que vou esperar
27:35que ela saia
27:36na cadeia
27:36com a graça de Deus.
27:38E se ela não sair?
27:40E se for condenada?
27:41Ora,
27:41vire essa boca
27:42para lá, Malvina.
27:43Sua irmã
27:44vai sair sim.
27:47É o que eu espero.
27:50Lembre-se
27:51que o senhor
27:51está sendo esperado
27:52para depor hoje.
27:54Todos nós
27:54que estivemos
27:55nas proximidades
27:56da cabana
27:57de caça
27:57teremos que
27:58prestar depoimento.
27:59Eu, inclusive.
28:02Acho isso
28:03um imenso absurdo.
28:06Mas se não há
28:06outro remédio,
28:07vamos lá depor.
28:08Só que antes
28:09devo passar
28:10em casa de Joconda
28:11para acertarmos
28:12alguns detalhes
28:12de nosso casamento.
28:13Em seguida,
28:14irei à delegacia.
28:16Sabe,
28:17fico impressionado.
28:19Mesmo depois de morto,
28:21Leôncio
28:21continua a ser
28:22motivo de tormento
28:24para todos nós.
28:25Não se amofine
28:26tanto, meu pai.
28:28Não paga a pena.
28:31Bem,
28:33vos me servem
28:34comigo, Malvina.
28:35Depois iremos
28:36à delegacia
28:37conversar
28:38com o sargento
28:38como ele quer.
28:40Não,
28:40não irei com o senhor.
28:42Vá em paz
28:43conversar
28:44com a dona Joconda
28:45sobre o seu casamento,
28:46meu pai.
28:47Eu vou com o Henrique
28:48na delegacia
28:49mais tarde.
28:51Falar em Henrique,
28:53ele ainda
28:54não se levantou?
28:55Não.
28:57Ainda está dormindo.
28:58Parece-me que
28:58dormiu tarde ontem.
29:00Ah,
29:01prima Aurora
29:02também ainda está
29:03recolhida,
29:04o que é estranho,
29:04porque ela costuma
29:05madrugar.
29:06É verdade,
29:07meu pai.
29:08Prima Aurora
29:09sempre costuma
29:10se levantar
29:10com os primeiros
29:11raios do sol.
29:13Ah,
29:14coincidência,
29:15não é,
29:15minha filha?
29:17Prima Aurora
29:18e Henrique
29:18ambos dormindo
29:20até tarde.
29:23coincidência
29:24ou explicação.
29:26Eu bem ouvi
29:27uma conversa
29:27de Aurora
29:28e Henrique
29:28ontem à noite.
29:30Parece-me
29:30que trocaram
29:31confidências
29:32até altas
29:33horas da madrugada.
29:34Ah,
29:36prima Aurora
29:37e Henrique
29:38trocando
29:38confidências
29:39na madrugada
29:40até altas horas.
29:42Pode sair
29:43coisa boa
29:44daí,
29:44não é?
29:46estimo
29:46que sejam
29:47muito felizes.
29:50Deus
29:50queira.
29:54E quem
29:54faz?
29:55Faz
29:56a mesma
29:56que a vida
29:57ouça.
30:00Rosa,
30:00Rosa,
30:01fale pro seu Chico
30:02não fazer
30:02mais tarde
30:03com eu.
30:04O que
30:05que seu Chico
30:05tá querendo
30:06com o senhor?
30:09Eu quero
30:10saber
30:10que história
30:11é essa
30:11que você
30:11viu
30:12quem matou
30:13seu
30:13no chão.
30:14Quantas vezes
30:15eu vou ter
30:15que jurar
30:16e gritar
30:17se eu não vi
30:17nada?
30:18Onde eu acho?
30:19Me deixa
30:20embora,
30:20eu quero
30:20que eu trabalho
30:21não saia de mim.
30:22Não,
30:22você não vai
30:22embora não,
30:23você fica.
30:23Me sorte
30:24a rosa
30:24barbada?
30:25Não sorte.
30:26Eu sei
30:27que você
30:27sabe de alguma
30:28coisa
30:29e eu quero
30:29saber
30:30o que é.
30:30Me larga,
30:31me larga,
30:32me larga.
30:33Não,
30:33senta aqui.
30:34Você vai
30:34me dizer
30:35o que você
30:35viu
30:35naquela casa
30:36abandonada
30:37na hora
30:37que o senhorzinho
30:37morreu.
30:38Fala,
30:38fala.
30:40Eu só vi
30:41depois que o senhorzinho
30:42já estava morto.
30:44Eu não vi
30:45quem matou.
30:48Vai ver,
30:49seu Chico,
30:50ele está desse jeito
30:52porque foi ele
30:53mesmo que matou.
30:55Larga essa arma,
30:55seu Chico.
30:58Coloca a arma
30:59em cima da mesa.
31:04Não me custa
31:05nada fazer
31:06uma loucura
31:07e arrebentar
31:08com seus miolos.
31:09Isso.
31:10Continua com a mão
31:11para cima.
31:25O que eu servei
31:27fazer aqui na fazenda,
31:28miserável?
31:28Hein?
31:30Eu,
31:31eu,
31:31eu,
31:31eu,
31:32eu venho aqui
31:33para saber
31:34se o meu que
31:35sabe quem
31:36matou o senhorzinho
31:37Leôncio.
31:38Ô,
31:39senhor assassino
31:39miserável,
31:40Chico Trevoso.
31:42Eu devia
31:43era arrebentar
31:44com seus miolos,
31:45fazer um buraco
31:46de bala
31:46no meio
31:47da sua testa.
31:49Não,
31:49não,
31:49não me mata.
31:51Me deixa
31:51embora,
31:52me deixa.
31:52E por que não?
31:54Você não teve pena
31:55quando você
31:56deu veneno
31:56para minha mãe,
31:57maldito.
31:58E você também
31:59não teve pena
32:00quando você
32:01me forçou
32:01no cafezar,
32:02tirou minha inocência
32:03quando ainda
32:03era uma menina?
32:05É sim,
32:06o seu Chico
32:07não é de ter pena
32:08de ninguém.
32:11O que está acontecendo
32:12aqui?
32:13ele invadiu a fazenda
32:14mesmo dispôr
32:15de ter se despedido.
32:17Não vai fazer
32:18uma besteira,
32:19meu filho,
32:20você não se arrepender
32:21de expôs.
32:24Eu só vim aqui
32:25para saber
32:25se o meu que
32:26viu quem matou
32:28o senhor Leôncio,
32:29mas ele jura
32:30e diz que não sabe.
32:32Por favor,
32:33me deixa embora,
32:34me deixa.
32:34a vontade
32:35que eu tenho
32:36é de vingar
32:38a morte
32:38de minha mãe.
32:39Não, André,
32:40não vai estragar
32:41sua vida
32:41por causa
32:42de um carnalho.
32:43O seu Chico
32:44é igualzinho
32:44o Leôncio,
32:45não merece
32:46ficar vivo.
32:48Deixa, André,
32:49que a justiça divina
32:50não falha.
32:51Deixa ele embora.
32:52Um dia
32:53ele vai ter que prestar
32:53conta de tudo
32:54que fez.
32:58o seu pai
32:59está me perdoando.
33:01Por favor,
33:02eu não tenho culpa.
33:03Eu estava obedecendo
33:04as ordens
33:05do senhorzinho Leôncio.
33:06Para o mandato,
33:08assassino.
33:09Você some daqui
33:10da fazenda,
33:11não põe mais os pés aqui.
33:13Some da minha frente
33:14se você não quiser morrer,
33:15desgraçado.
33:16Tá, tá, tá, tá.
33:17Tá, tá, tá bom, tá bom.
33:19Obrigado.
33:19Eu vou embora,
33:20eu vou embora.
33:24Eu posso levar
33:25minha arma?
33:26Não.
33:27Você não vai levar
33:27a arma, Casqui.
33:28Eu vou deixar você
33:29desarmado,
33:29que assim você
33:30é menos perigoso.
33:31Agora, some da minha frente
33:32se você não quiser
33:33levar um chum
33:33que entra só a sua cara.
33:37Já vai tarde,
33:39filho de uma égua
33:40parideira.
33:41Ó, eu pensei
33:42que ele fosse
33:43me espancar
33:44para eu dizer
33:45o que eu tinha visto
33:46na hora que o seu
33:47Leôncio morreu.
33:48E a viola,
33:49mãe,
33:50eu...
33:50eu não tinha o que falar,
33:52né?
33:53Porque eu não vi
33:53na dica de nada, né?
33:56Você fez bem,
33:57meu filho.
33:58Por mais difícil
33:59que seja,
34:00tem que perdoar
34:01mesmo quem faz
34:03a mardade.
34:23eu só não matei,
34:24o senhor Chico.
34:26O senhor Chico,
34:26caso que eu não sou
34:27um assassino,
34:29mas ele não
34:29consiga perdoar
34:31esse homem tenebroso
34:32por causa
34:33de todas as
34:33mardades que ele fez.
34:34o senhor Chico,
34:40Ah, Chico.
34:43Chico.
34:44Quanta saudade.
34:47Sua visita
34:48me deixa
34:48surpresa
34:49e feliz.
34:51Muito feliz,
34:53eu confesso.
34:54Chico.
34:55Chico.
34:56Meu único alento
34:57hoje
34:58é o seu amor.
35:01Sabe,
35:02eu não vejo
35:02a hora
35:02de estarmos
35:03a sós
35:04em nossa viagem
35:05de lua de mel.
35:06Ai,
35:09que delícia.
35:11Eu chego
35:12a ficar
35:12com arrepios.
35:15Mas,
35:18mas,
35:23temos que esperar
35:25que se resolva
35:26a situação
35:26de sua filha,
35:27a dona Helena.
35:29Quando vinha
35:30para cá,
35:32soube que
35:32o julgamento
35:33será amanhã.
35:34Eu espero
35:35em Deus
35:36que
35:37declarem
35:37a minha Helena
35:38inocente
35:39por ter agido
35:40em legítima defesa.
35:41Eu espero
35:42mesmo
35:43que não a condenem
35:44em que ela
35:45não seja enforcada.
35:46O que é isso?
35:47Joconda,
35:48pelo amor
35:49que vós me setem
35:49a Deus,
35:50não diga isso.
35:51Ai,
35:52desculpe-me,
35:53tiozinho,
35:54eu não devia
35:54ter dito isso.
35:56Não quero
35:57acreditar
35:57que algo de mal
35:58possa ocorrer
35:59com minha filha,
36:00com minha Helena.
36:01Se Deus quiser,
36:03não vai acontecer nada.
36:05Mas,
36:07e o luto
36:08pela morte
36:09do crápula
36:10de seu genro?
36:10Não,
36:11não haverá luto
36:12nenhum,
36:13não me importa
36:13o que digam
36:14as outras pessoas.
36:19Quero casar-me
36:20com vós,
36:21me seu,
36:21quanto antes
36:22e ponto final.
36:24Ai,
36:25se é assim,
36:27eu aceito.
36:31Agora,
36:33eu já sei
36:34o que vão dizer.
36:36Aliás,
36:37já estão dizendo.
36:39O que estão dizendo?
36:41Quem está dizendo?
36:46Eu não posso
36:47esconder isso
36:48de vós,
36:48Messia,
36:49tchauzinho.
36:51Mas,
36:52mais de uma
36:53pessoa
36:54acredita
36:55que foi
36:55vós,
36:55Messia,
36:56o responsável
36:57pela morte
36:57do Leôncio.
37:00Por que?
37:01Me acusam?
37:02Por que?
37:04Porque vós,
37:05Messia,
37:05odiava o Leôncio
37:06e todo mundo
37:07sabia disso.
37:08É verdade,
37:09Gilcunda.
37:10É verdade,
37:10sim.
37:11Mas eu tenho
37:11o direito
37:12de não gostar
37:13de alguém
37:13e isso não me
37:14torna um assassino.
37:14vão dizer
37:16que estamos
37:16casando logo
37:17para dar
37:19pretexto
37:19de sair
37:20do país
37:21em lua de mel
37:22sem despertar
37:23maiores suspeitas.
37:26Gilcunda,
37:27só uma coisa
37:28me interessa
37:29neste momento.
37:30Vós,
37:30Messia,
37:31também acredita
37:32nisso?
37:33Tem alguma dúvida
37:34a meu respeito?
37:36Vós,
37:37Messia,
37:37também acha
37:38que eu
37:39assassinei Leôncio?
37:43Não,
37:44tionzinho,
37:47eu não
37:47acredito
37:48nisso.
37:50Desconfio
37:51até mais
37:52da Tomásia
37:52do que
37:53de vós,
37:54Messia.
37:55Quero casar-me
37:57com vós,
37:57Messia,
37:58Gilcunda,
37:59porque eu
37:59a amo
38:00de verdade
38:00e não quero
38:01desperdiçar
38:02nem mais
38:02um instante
38:03de minha vida.
38:11Então,
38:11não viu
38:12e nem sabe
38:13quem pode
38:13ter matado
38:14do senhor Leôncio?
38:16A única coisa
38:16que eu sei,
38:17sargento,
38:17é que eu não fui
38:18nem o André
38:18e estou certo
38:20da inocência
38:20de Isaura também,
38:21por tudo
38:22que ela falou.
38:23Tenha piedade,
38:24sargento,
38:24desse jovem
38:25casal apaixonado.
38:27Iam se casar hoje.
38:29Sinto muito,
38:30mas agora
38:31a ordem
38:31é do juiz.
38:33Isaura vai ter
38:33que continuar
38:34presa.
38:35Bem,
38:35sargento,
38:36eu não tenho
38:37mais nada
38:37a acrescentar
38:38ao meu depoimento.
38:40Posso ir ver
38:40a minha noiva?
38:41Vá enquanto
38:42eu tomo o depoimento
38:43de Dona Tomaz
38:44e do senhor Miguel.
38:46Com licença.
38:53Bom dia.
38:54Meu amor,
38:55bom dia.
38:56Ó,
38:56Álvaro,
38:56que bom que chegou.
38:58Bom dia.
39:00Que saudades,
39:00minha amada.
39:01Uma noite longe
39:02de vós me seja
39:03me parece uma eternidade.
39:04É tão bom saber
39:05que eu o tenho
39:06ao meu lado.
39:07Eu estou tão revoltado,
39:09Isaura.
39:10Se essa tragédia
39:11não tivesse acontecido,
39:13a esta hora
39:13estaríamos a caminho
39:14da igreja
39:14para o nosso casamento.
39:16Isso é mais
39:16uma provação
39:17para o nosso amor,
39:18mas eu tenho certeza
39:20que venceremos.
39:22Escute,
39:23eu conversei
39:24com o doutor Geraldo
39:25e ele me convenceu
39:26que a melhor forma
39:27de tirá-la daqui
39:28rapidamente,
39:28meu amor,
39:30é obter a sua confissão
39:31do crime
39:31e alegar a legítima defesa.
39:34Meu noivo
39:34já me conhece
39:35o suficiente
39:36para saber
39:36qual é a minha opinião
39:37sobre este assunto.
39:38Ou não.
39:41Eu sei que vós
39:42me seja mais
39:42se fará isso
39:43e tem todo o meu apoio.
39:45A Condessa,
39:46o seu pai e eu
39:46estamos dispostos
39:48a investigar
39:48por conta própria
39:49quem matou
39:49o Leôncio Almeida.
39:56o Leôncio Almeida.
39:58O Leôncio Almeida.
40:00O Leôncio Almeida.
40:01O Leôncio Almeida.
40:02O Leôncio Almeida.
40:02O Leôncio Almeida.
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