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O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que a discussão sobre um código de ética e conduta para os ministros não partiu da Corte, mas de uma demanda da sociedade. Segundo ele, a proposta busca enfrentar o desgaste da imagem do tribunal e será construída por consenso, apesar da resistência de parte dos magistrados.
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NotíciasTranscrição
00:00Um outro assunto, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou que o Código de Ética e Conduta para os Ministros não é uma iniciativa dele próprio, mas uma demanda da sociedade.
00:11O magistrado interrompeu suas férias para conversar com seus pares e lidar com os desgastes enfrentados atualmente pela Corte, aproveitando o momento para tentar convencê-los da necessidade das normas.
00:23Nessas interlocuções, Fachin afirmou que, embora seja pessoalmente favorável à implementação do Código de Conduta, nada será imposto, mas construído a partir de um consenso.
00:35Uma parte dos ministros, no entanto, ainda resiste ao avanço dessa medida.
00:39Deixa eu chamar o Bruno Musa à ideia de estabelecer normas de integridade para os ministros da Suprema Corte, com a finalidade, acredito, Musa, de reaproximar a boa imagem do judiciário da sociedade.
00:53Oi, Jacoba, eu, você como advogado aí, conhece muito melhor do que eu.
01:01Eu sou um amplo defensor do direito natural, direito à vida, à liberdade e à propriedade.
01:08Essas são normas que não precisam estar escrita num papel.
01:12E você pode estender isso a determinadas normas básicas.
01:15Quando nós estamos juntos no estúdio, se você vai à minha casa, se eu sou convidado a ir à sua,
01:20nem todas as regras precisam estar escritas para terem uma implicação óbvia, para ter um comportamento óbvio entre as partes.
01:29Determinados comportamentos não precisam ter escrito em papel pelo homem, porque eles são óbvios.
01:35Normas implícitas, normas de conduta, normas de comportamento, normas de moralidade,
01:41que, de novo, não precisam que nenhum burocrata sente e escreva no papel qualquer tipo de norma.
01:48Dito isso, entra o código de conduta, elaborado, como o próprio ministro Fachin tem falado a respeito do STF.
01:57Determinados problemas não deveriam ser da ordem do judiciário, de qualquer país.
02:05Determinadas regras são claras.
02:08Determinados posicionamentos deveriam ser óbvios.
02:11Seria natural se o Brasil fosse um país mais ou menos normal, como é Estados Unidos, Suíça.
02:18Enfim, se você senta com cada um desses países, pessoas, civis comuns, do dia a dia,
02:26e pergunta qual o nome de juízes, ninguém tem a menor ideia.
02:30Por quê?
02:30Porque eles não devem aparecer no futebol, que eu adoro.
02:34Quando o juiz é o protagonista, alguma coisa está errada.
02:37Então, determinadas normas, na minha opinião, elas não deveriam ser escritas,
02:41porque elas partem de um relacionamento óbvio, ético e moral,
02:45entre seres humanos para terem uma boa convivência dentro da sociedade.
02:50E aí, volta, quem escreve o código de conduta é a mesma coisa,
02:55é a mesma pergunta que eu deixo no ar aqui.
02:57Então, um código de conduta é importante?
03:00Pode ser.
03:01Mas, nesse caso, a coisa é questionável.
03:06Mota, apesar do ministro presidente dizer que isso é uma demanda da sociedade,
03:09ele é um entusiasta da ideia de se firmar ali as normas de integridade
03:14e isso está muito claro de que ele é quem toma iniciativa na Suprema Corte.
03:20E ele é o presidente agora, desde o fim do mandato do ministro Luiz Roberto Barroso.
03:26O fato do presidente ter isso debaixo do braço,
03:29você acredita que faz com que haja uma possibilidade aí,
03:32nos próximos meses, de isso avançar, ir adiante,
03:35virar, de fato, uma realidade no Supremo Tribunal Federal?
03:38Eu não sei avaliar, Cobar.
03:44O que eu posso dizer é que o sentimento da sociedade,
03:50o sentimento do homem comum,
03:53não está centrado num código de ética.
03:57Eu diria que o cidadão brasileiro, o pagador de impostos,
04:01o eleitor, o trabalhador que acorda quatro e meia da manhã
04:04para ganhar o seu sustento,
04:07ele pensa que os ocupantes de alguns cargos do Estado
04:12desempenham funções tão importantes
04:15que não deveriam receber, por exemplo,
04:18nenhum tipo de remuneração que não venha do seu cargo no Estado.
04:24Eu acho que isso é uma questão que merece uma reflexão.
04:28Então, eu vou dar um exemplo aqui.
04:29Vamos supor que eu sou responsável pela fiscalização da indústria de remédios.
04:36Eu tenho essa responsabilidade.
04:39Será que eu posso ser remunerado por palestras que eu dou
04:43em eventos patrocinados por grandes laboratórios farmacêuticos?
04:49Será que parentes meus podem ter empresas especializadas
04:54em ajudar os fabricantes de medicamentos
04:58a passar pela fiscalização?
05:02Mas que essa é a pergunta essencial.
05:07Os códigos de ética, ou qualquer regra,
05:11são mera consequência da resposta que a gente dá
05:16a perguntas como essas.
05:17Esse movimento na própria corte,
05:22com o presidente entusiasta da ideia,
05:25alguns outros ministros apoiando,
05:28a ideia começou a ganhar apoio externo também,
05:30de ex-ministros.
05:31O ministro Celso de Melo,
05:32que é uma das pessoas mais benquistas
05:35dentro da magistratura e no próprio Supremo Tribunal Federal,
05:38também se associou à ideia de um código de conduta.
05:42Além dele e de outros,
05:44a gente tem, por exemplo, a OAB de São Paulo,
05:46que antes mesmo disso virar um debate nacional,
05:50já falava a respeito disso na Comissão de Reforma do Judiciário,
05:53que tem, além de advogados, ex-ministros da Justiça,
05:55tem ex-ministros da Suprema Corte também,
05:57Celso Peluso, Ellen Grace, dentre outros.
06:00A OAB do Paraná também se associou,
06:02ou seja, parece que a sociedade civil,
06:05de fato, vai dando as mãos com órgãos representativos
06:08de muita relevância à ideia de um código de conduta.
06:12Isso, de alguma maneira, começa a pressionar
06:14para que isso, de fato, se torne uma realidade,
06:17se torne, de fato, uma norma criada na Suprema Corte.
06:20Olha, Kobayashi, mal não faz, sem dúvida nenhuma,
06:27que mal pode fazer um código de ética
06:29se não buscar o aperfeiçoamento de determinada carreira.
06:32Dentro do sistema de justiça,
06:34praticamente todas as carreiras têm código de ética.
06:36A advocacia tem, o Ministério Público tem,
06:39somente a magistratura, de fato,
06:41que, embora tenha todo um complexo legal,
06:44tenha a lei orgânica da magistratura,
06:45ainda não tem um código de ética específico
06:47sobre o padrão de conduta a ser mantido pelos magistrados.
06:51Eu não acredito que seja a grande panaceia
06:53que resolve todos os problemas que nós temos,
06:56que orbitam o judiciário brasileiro.
06:58Mas não deixa de ser a entrega de um bom símbolo
07:01para a sociedade, o símbolo de que há,
07:04ao menos, a iniciativa para que melhores padrões
07:07de transparência, de probidade,
07:10sejam instalados dentro do nosso poder judiciário.
07:13Agora, é, de certa forma, um pouco frustrante,
07:16acho que para mim, como cidadão,
07:18e, de certa forma, para toda a sociedade de modo geral,
07:20ter que observar que cabe ao próprio presidente da corte
07:25apresentar alguns freios à atividade da corte
07:29quando isso, na verdade, deveria caber ao parlamento.
07:32Seria o Congresso Nacional que teria que estar discutindo
07:34os superpoderes do Supremo Tribunal Federal
07:36e mobilizando ferramentas para que nós contivéssemos
07:40esses superpoderes.
07:42Eu citei há alguns dias aqui algumas medidas
07:44que deveriam, acho que não ser acessórias,
07:46mas que são até mais importantes do que um código de ética.
07:49O estabelecimento de mandato para os ministros
07:50do Supremo Tribunal Federal,
07:53uma PEC que, de certa forma,
07:56tangenciasse, tocasse as muitas competências
08:00que o Supremo Tribunal Federal hoje acumula.
08:04A Suprema Porte Brasileira é uma das únicas do mundo
08:06que, além de guardiã da Constituição,
08:08tem que julgar as corpos de qualquer ladrão de galinha.
08:11Então, associado a esse código de ética,
08:14seria muito importante que o Congresso Nacional
08:16colocasse para frente algumas medidas
08:19que diminuíssem esses poderes da Suprema Corte,
08:23porque a Suprema Corte não chegou a esse estado
08:25de coisas que nós acompanhamos hoje,
08:27diuturnamente, aqui na Jovem Pan,
08:29em toda a imprensa nacional, à toa.
08:32Chegou porque o parlamento,
08:33que no sistema republicano tem que funcionar
08:35como um freio,
08:36a Suprema Corte não está desempenhando o seu papel.
08:40Está deixando a Suprema Corte atuar
08:42de forma livre, leve e solta,
08:43inclusive absorvendo parte das competências
08:46do próprio Legislativo.
08:47Vamos examinar nos últimos três anos
08:49quantos temas importantes foram discutidos
08:52no Supremo Tribunal Federal
08:53e quantos temas foram discutidos,
08:55efetivamente, no Congresso Nacional.
08:57O Supremo Tribunal Federal foi palco
08:59de discussões que, evidentemente,
09:01não deveriam ter sido travadas ali.
09:03Então, novamente, chega a ser um pouco frustrante
09:06ver que a própria Suprema Corte
09:08está impondo os seus próprios limites
09:10e o parlamento está só preocupado
09:12com as eleições de 2026.
09:14Nessa linha do que fala o Diego,
09:16o Bruno Musa, a ideia do corte de conduta
09:18se associa mesmo a algumas ideias
09:20de reforma no Judiciário como um todo.
09:22A ideia de um mandato para os ministros,
09:24um tempo determinado,
09:25levando em consideração que quem entra agora
09:28às vezes fica até 2050,
09:29dependendo da idade, né?
09:30Fica até 75 anos de idade.
09:32Quero ouvir você, Bruno Musa, mais antes.
09:34Agora, quando são 18 horas e 30 minutos,
09:36seis e meia da tarde,
09:37a gente vai para um rápido intervalo
09:38para você que nos acompanha
09:39pela rede de rádios da Jovem Pan.
09:42Por aqui, Bruno Musa.
09:45Bom, Cobá, eu concordo muito
09:46com o que o Diego falou.
09:48Mal não faz,
09:49mas o grande ponto volta
09:50naquilo que eu falei,
09:51numa série de discussões
09:53a respeito do óbvio.
09:55E aqui eu deixo também
09:56uma boa reflexão, né?
09:58No país da impunidade,
10:00qual seria,
10:01em todos os sentidos, né?
10:03Qual seria
10:04a punição
10:06para aquele que não cumpra
10:07o Código de Ética?
10:09Haveria alguma?
10:10Quem julgará
10:11se ele, de fato,
10:12descumpriu
10:13o Código de Ética
10:14elaborado por ele mesmo?
10:16Como nós poderíamos
10:18pressioná-los
10:19por,
10:20de fato,
10:21levar à risca
10:23aquilo que
10:24supostamente teria sido aprovado
10:26como Código de Ética?
10:27Uma vez determinada
10:28uma punição,
10:30eles, de fato,
10:30cumpririam?
10:31Ou haveria ferramentas
10:33onde eles teriam acesso
10:34para mexer
10:35nessa eventual punição
10:37determinada no Código de Ética
10:38por eles mesmos?
10:40Então,
10:40perceba que
10:40tudo remonta
10:41à falta de previsibilidade
10:44que o país vive.
10:45E isso impacta
10:46absolutamente tudo.
10:48Instituições,
10:48que impacta a economia,
10:50que impacta a vida
10:50diária do brasileiro médio,
10:52por mais
10:53que ele acredite
10:54ser apolítico
10:55ou que não tenha
10:56nenhuma atividade
10:57ligada a isso.
10:58O nosso dia-a-dia,
11:00ele sofre
11:01dessas interferências
11:02como um todo.
11:04Então,
11:05eu acho que
11:06essa reflexão,
11:07ela deve ser válida.
11:09O Brasil,
11:09ele precisa,
11:10talvez,
11:11de uma transformação
11:12da base
11:13como um todo.
11:14Enquanto nós
11:15não tivermos
11:15confiança
11:16em todas as instituições
11:18ao respeito
11:19à regra
11:19e, de fato,
11:20à punição
11:21daquilo que
11:22eventualmente
11:23seja transgredido
11:24de que vale
11:25um código
11:26se ele não é levado
11:27em consideração.
11:28E aqui eu não levo
11:28apenas o código
11:30de conduta,
11:31falo de instituições
11:32como um todo.
11:33Nós temos instituições
11:34que, sim,
11:36passam mais seguranças,
11:37mas outras
11:37deixam muito a desejar
11:39e estão na boca
11:40da população
11:40no dia-a-dia,
11:41do cidadão convencional
11:43aqui na rua,
11:44no boteco na esquina,
11:45num jantar
11:46em sua casa,
11:47em família.
11:48E isso precisa
11:49ser reconstruído.
11:50E a confiança
11:50demora muito mais
11:52para reconstruir
11:53do que simplesmente
11:54um inscrito
11:54num pedaço de papel.
11:56Deixa eu chamar aqui
11:57o Roberto Mota.
11:58Ô, Mota,
11:58eu quero também
11:59a sua opinião
11:59a respeito
12:00dessa situação
12:01envolvendo
12:02o Supremo Tribunal Federal
12:02que o Diego trouxe,
12:04que é a competência,
12:05porque, aparentemente,
12:07o Supremo Tribunal Federal
12:08virou uma grande vara
12:09criminal.
12:10E não só vara criminal,
12:11vara de execuções
12:12criminal também.
12:13Tem que ficar ali
12:14cuidando de...
12:15É a ideia
12:16do neoconstitucionalismo,
12:18Coba.
12:18Exato,
12:19que você sempre fala
12:20aqui também.
12:20Eu quero a sua análise
12:21sobre isso.
12:23É, a ideia
12:24do neoconstitucionalismo,
12:25né?
12:25A ideia
12:26de que
12:27os juízes
12:28de uma Corte Suprema,
12:31eles têm como missão
12:32preencher
12:34todas as
12:34as lacunas
12:35existentes
12:36no Estado
12:37e na sociedade.
12:39Então,
12:40se alguma coisa
12:41não está acontecendo
12:42da forma
12:43como eles acham
12:44que deve acontecer,
12:46eles têm o poder
12:47para intervir
12:48da forma
12:49que eles acharem
12:50mais adequada.
12:51Essa doutrina
12:53não é exclusividade
12:54do Brasil,
12:55mas acho que aqui
12:55tomou uma forma
12:57que ninguém
12:59imaginaria.
13:01Então,
13:01o que nós vemos
13:03é efetivamente
13:04os tribunais
13:05assumindo
13:06a gestão
13:08do país
13:09e a liderança
13:10política do país.
13:12Então,
13:12se uma política
13:13pública
13:14não é feita
13:15do jeito
13:16que o tribunal
13:17acha adequado,
13:18o tribunal
13:19muda a política
13:20pública,
13:21mas, olha,
13:22quem é eleito
13:23para fazer
13:24política pública
13:25são os representantes
13:27do povo,
13:28os juristas
13:29do Estado
13:30não têm
13:30essa incumbência.
13:32Tradicionalmente,
13:33a missão
13:34de uma Corte
13:35Constitucional
13:36é simplesmente
13:37verificar
13:38se os atos
13:39do governo,
13:40os atos
13:41do Estado,
13:42da sociedade,
13:43se eles estão
13:44de acordo
13:45com o que diz
13:46a Constituição
13:47ou não.
13:47No caso
13:48brasileiro,
13:49desde a Constituição
13:50de 1988,
13:52já surgiram
13:53diferenças.
13:54A Suprema Corte
13:55brasileira
13:55tem o poder
13:56de julgar,
13:58de fazer
13:58investigações.
13:59Agora,
14:00esse processo
14:01com a adoção
14:02dessa visão
14:03do neoconstitucionalismo
14:05foi ampliado
14:06ao ponto
14:07de hoje
14:08existir muita gente
14:09no Brasil,
14:10inclusive na política,
14:11inclusive no
14:12parlamento,
14:13que acha
14:14que a última
14:14palavra realmente
14:16tem que vir
14:17dos tribunais.
14:18E isso
14:19acaba resultando
14:21num processo
14:22em que os outros
14:23poderes da República
14:25vão encolhendo
14:26até desaparecer.
14:28Agora são 18 horas
14:30e 35 minutos,
14:30nós estamos de volta
14:31para você que estava
14:32no nosso intervalo
14:33na rede de rádio.
14:34Estava acompanhando
14:34o comentário
14:35do Roberto Mota
14:36sobre o neoconstitucionalismo
14:38que tem gerado
14:39o ativismo judicial,
14:40tantas decisões
14:41que às vezes
14:41não precisam respeitar
14:42tanto o que está escrito,
14:44na Constituição,
14:46na lei,
14:47e isso de alguma maneira
14:48vai diminuindo
14:49o poder do legislativo.
14:51Eles fazem as leis,
14:52eles escrevem,
14:53discutem,
14:54propõem,
14:55debate,
14:55vota,
14:56vira lei,
14:56mas daí no final das contas
14:57o que se sobrepõe
14:59é um princípio,
15:00um entendimento
15:00moderno do direito
15:02a respeito do tema
15:03e não aquilo
15:04que está escrito na lei.
15:06Essa é uma crítica
15:06que recai
15:07sobre a Suprema Corte
15:08também.
15:10Mas como é
15:10que o próprio
15:11parlamento
15:11tem grande parcela
15:13da culpa
15:13a respeito
15:14dessa cultura?
15:15Porque abre mão
15:16de suas próprias competências.
15:18É praticamente cultural
15:19no Brasil.
15:19Nós temos um terceiro turno
15:20do processo legislativo
15:22que se dá
15:22no judiciário.
15:24Como partidos políticos,
15:25eles têm competência
15:26para provocar
15:27o poder judiciário
15:28por intermédio
15:29dos remédios constitucionais,
15:31ação direta
15:31de inconstitucionalidade,
15:33ação declaratória
15:33de constitucionalidade,
15:35ação por descumprimento
15:36de preceito fundamental,
15:38que também é,
15:38de certa forma,
15:39uma aberraçãozinha
15:40jurídica brasileira
15:41onde cabe
15:42praticamente tudo
15:43e qualquer assunto.
15:45Munidos dessa possibilidade,
15:47partidos políticos
15:48que são derrotados
15:49no parlamento
15:50acabam acionando
15:51o poder judiciário
15:53para que,
15:53de repente,
15:54faça valer
15:55a sua vontade,
15:56a sua opinião,
15:57que, novamente,
15:58foi derrotada
15:59no processo legislativo
16:01ordinário,
16:02naquele que corre
16:02nas comissões especiais,
16:04naquele que corre
16:05no pleno
16:07do parlamento
16:08votado por todos
16:09os deputados
16:09ou por todos
16:10os senadores
16:11e que, inclusive,
16:12custa muito caro
16:13também ao contribuinte
16:14brasileiro,
16:15cerca de 40 milhões
16:16de reais por dia,
16:17para que a canetada
16:18de um ministro
16:19da Suprema Corte
16:20derrube
16:20todo esse trabalho.
16:22Então,
16:22o parlamento,
16:23não raras vezes,
16:24acaba abrindo mão
16:25do seu protagonismo
16:26no processo legislativo
16:27em favor do judiciário
16:29e, com isso,
16:29também,
16:30fomenta
16:30esses superpoderes
16:32que os nossos
16:33magistrados
16:34hoje têm.
16:35E, novamente,
16:36basta novamente
16:36nessa tecla,
16:37a competência
16:38do Supremo Tribunal
16:39Federal
16:39atualmente
16:40é muito grande,
16:42também razão
16:43da extensão
16:43da nossa Constituição.
16:45Nós temos uma Constituição
16:46que fala sobre tudo.
16:47Lá no artigo 242,
16:49por exemplo,
16:50tem uma determinação
16:51sobre a manutenção
16:52em esfera federal
16:53do Colégio Pedro II
16:55que se localiza
16:56no Rio de Janeiro.
16:57Ou seja,
16:57se você quiser tirar
16:58uma escola localizada
16:59no Rio de Janeiro
17:00do âmbito federal,
17:01do controle federal,
17:02você precisa
17:02de uma proposta
17:03de emenda
17:04à Constituição.
17:05E, nessa esteira,
17:06tem muitos outros temas
17:07que são tratados
17:08pela nossa Constituição.
17:10Em paralelo,
17:10você tem a Constituição
17:11americana,
17:12por exemplo,
17:13que tem pouquíssimos artigos,
17:15que foi emendada
17:15pouquíssimas vezes.
17:17Está certo que,
17:18nos Estados Unidos,
17:19nós temos um outro
17:19sistema de interpretação
17:20constitucional,
17:22mas isso é só
17:23para a gente ter uma ideia
17:24de como a nossa Constituição
17:26é extensa,
17:27é prolixa,
17:27e, bem por isso,
17:28recebe dezenas
17:29de emendas
17:30todos os anos.
17:31E, mesmo assim,
17:32não tem ainda
17:33as condições
17:33de ir ao encontro
17:35dos problemas estruturais
17:36que o Brasil tem,
17:37principalmente dessa
17:38relação entre os poderes
17:39que é cada vez
17:41mais espinhosa,
17:42uma corda que cada vez
17:43se estica mais.
17:44Mas o fato
17:45é que,
17:46havendo interesse,
17:47e eu não acredito
17:48que há,
17:49o Brasil deveria,
17:50os dirigentes brasileiros
17:51deveriam se debruçar
17:52sobre essa estrutura
17:53do Estado,
17:53sobre essas ferramentas
17:54de relação
17:55e, principalmente,
17:56a competência
17:57de cada um dos poderes,
17:59porque isso,
17:59hoje,
17:59se encontra
18:00numa zona
18:00muito nebulosa.
18:03Musa,
18:03mas isso também
18:04é um pouco de culpa
18:05do Congresso,
18:06como está dizendo
18:06o Diego.
18:07Por exemplo,
18:08o Mota está falando
18:09do neoconstitucionalismo,
18:11que é essa abertura
18:11que os ministros
18:12têm para decidir,
18:14segundo as suas convicções,
18:16baseadas em princípios
18:17e tal,
18:17desrespeitando
18:17o que a lei diz,
18:19o que a Constituição diz.
18:20Por exemplo,
18:20o ministro Luiz Roberto Barroso
18:22já escrevia
18:23sobre neoconstitucionalismo,
18:25já tinha essa visão
18:26de mundo do direito
18:27há décadas e décadas,
18:29quando foi escolhido
18:30pela presidente Dilma Rousseff.
18:32Ele é um dos maiores
18:34nomes defensores
18:35do neoconstitucionalismo
18:36e o nome dele passou,
18:38como de todos
18:39os outros ministros
18:40que estão lá
18:40na Suprema Corte,
18:41pela sabatina
18:42no Senado
18:42foi aprovado.
18:43Ou seja,
18:44parece,
18:45de acordo com
18:45as últimas experiências,
18:46todas,
18:48que quem o presidente
18:49escolhe
18:49é simplesmente
18:51ali já
18:52um ministro escolhido
18:53que vai ser,
18:54de fato,
18:54da Suprema Corte,
18:56porque a sabatina
18:57no Senado
18:58se tornou ali
18:59um ato pro forma,
19:00um ato praticamente
19:01teatral,
19:02necessário
19:03para um degrau
19:04para o topo
19:05desse caminho
19:07que é virar ministro.
19:08Nessa vez,
19:09agora,
19:10nessa indicação
19:10do presidente Lula,
19:12do ministro Jorge Messias,
19:14da AGU,
19:14é que há alguma
19:15possibilidade
19:17de rejeição,
19:17mas ainda
19:18muito difícil,
19:20porque a gente sabe
19:20como tem sido
19:22esses processos
19:23aí de beijamão
19:23de todos os ministros
19:24que estão lá
19:25na Suprema Corte
19:25até hoje
19:26e como tem sido
19:27também do próprio
19:28Jorge Messias.
19:29Talvez a palavra
19:30que você tenha,
19:31do que você tenha
19:32descrito,
19:33é que virou
19:34algo completamente
19:35protocolar,
19:36né, Cobar?
19:37Ele indica
19:37e, basicamente,
19:39você tem a chancela ali,
19:40ou seja,
19:41não teria
19:42a eventual análise
19:44mais aprofundada,
19:45mas sim
19:45um simples carimbo,
19:47como se tornou
19:48o Estado brasileiro,
19:49um carimbo
19:50burocrático
19:50como um todo,
19:52onde passa tudo isso.
19:53Mas veja,
19:54eu vou tentar olhar
19:55o copo meio cheio
19:55disso tudo, tá?
19:57Alguns anos atrás,
19:59grande parte dos brasileiros
20:01não tinha a menor ideia
20:02do que seria,
20:03qual a diferença
20:03entre Câmara,
20:04entre Senado,
20:05quem faz uma Suprema Corte.
20:07Hoje não.
20:08Hoje, infelizmente,
20:09por essas placas tectônicas
20:10entrando em choque,
20:12por todas essas disfunções
20:13que nós vemos
20:14nas instituições brasileiras,
20:16talvez a população
20:17esteja percebendo
20:18a necessidade,
20:19graças à rede social,
20:20graças à informação
20:22descentralizada
20:23que chega na mão
20:25das pessoas,
20:26literalmente,
20:26através dos celulares,
20:28essas pessoas
20:28e esses processos
20:29começam a amadurecer
20:30politicamente.
20:32E quando você
20:32amadurece politicamente,
20:34no primeiro estágio
20:34desse amadurecimento,
20:36a gente vê demandas
20:38e choques
20:39que talvez sejam ainda,
20:40digamos,
20:41infantis,
20:42mas talvez
20:43seja necessário
20:44para chegar
20:44num processo
20:45de amadurecimento
20:45político maior.
20:46e ao ter
20:49um amadurecimento
20:50maior,
20:51as pessoas
20:51começam a demandar.
20:53E veja,
20:54por mais que,
20:55a não ser naqueles regimes
20:56extremamente ditatoriais,
20:58como Venezuela,
20:59Cuba,
21:00mesmo que seja
21:01um país
21:02desfuncional
21:03como é o Brasil,
21:05pelo menos um pouco
21:06da demanda
21:07da sociedade civil,
21:08os políticos
21:09precisam entregar.
21:10Pelo menos um pouco,
21:11para que eles possam
21:12permanecer
21:13no seu projeto de poder.
21:14E aqui eu falo
21:14de todos os espectros
21:15políticos como um todo.
21:18Quando a demanda
21:19da sociedade
21:19começa a mudar
21:20porque há
21:21um mínimo amadurecimento,
21:23eles precisam
21:24começar a entregar
21:25uma mudança
21:27da sociedade
21:28como um todo.
21:28Eu vou falar,
21:29por exemplo,
21:29no campo da minha área.
21:31Talvez a gente veja
21:32mais discussão
21:34a respeito
21:35da dívida pública
21:36nos grandes meios
21:37de circulação
21:37e na população
21:39como um todo
21:39no Brasil
21:40do que em outros países
21:42inclusive mais maduros,
21:43como o Japão
21:44ou até mesmo
21:44como os Estados Unidos.
21:46Significa que as pessoas
21:47começam a entender
21:48o que é um déficit,
21:49que alguns anos atrás
21:50seria, de repente,
21:51uma palavra em grego.
21:53Isso significa
21:54que daqui a pouco,
21:56se essa pressão
21:56continuar,
21:57os políticos
21:57terão que
21:58entregar algum mínimo
21:59de discurso
22:00a respeito
22:01de uma responsabilidade fiscal.
22:03Não sei se nesse ano,
22:04se no próximo ano,
22:05mas em breve.
22:06E isso também funciona
22:07para as demandas
22:08da sociedade
22:09enquanto o judiciário,
22:11enquanto o legislativo,
22:12enquanto todo o processo
22:14político.
22:15Portanto,
22:15esse processo
22:15de amadurecimento,
22:17eu acho que ele precisa
22:18e começa a estar
22:19mais na boca
22:20da população.
22:21E aí, sim,
22:22elas começam
22:22a questionar.
22:23E aí mora o grande medo.
22:25Será mesmo
22:26que o Estado
22:26e os políticos
22:27são tão necessários
22:28para o dia a dia
22:29e o bem-estar
22:29da população
22:30quanto se acreditava
22:32até alguns anos atrás?
22:33E aí a coisa
22:34começa a apertar
22:34para eles.
22:35E aí