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O sócio diretor da XP e presidente da Ancord, Rafael Furlanetti, analisa o impacto das medidas econômicas do governo federal: aumento no IOF que pode gerar R$ 40 bilhões extras em arrecadação e bloqueio de R$ 31 bilhões no orçamento. Custos de crédito disparam e confiança do mercado é abalada.

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Transcrição
00:00O governo federal anunciou aumentos no IOF sobre várias operações financeiras para aumentar a arrecadação.
00:07A gente trouxe essa cobertura aqui no radar na semana passada.
00:10O executivo também congelou cerca de 31 bilhões de reais do orçamento.
00:15Sobre o impacto dessas medidas para o mercado financeiro, eu recebo aqui no estúdio o Rafael Furlanetti,
00:21sócio-diretor da XP e presidente da Ancord, a Associação Nacional das Corretoras de Valores.
00:26Tudo bom, Rafael? Boa noite.
00:27Fala, Fábio. Tudo bem? Bom estar de volta aqui, coisa que tem assunto novo para a gente falar.
00:32Pois é. Obrigado pela presença aqui mais uma vez.
00:35Rafael, a medida anunciada pelo governo atingiu várias operações financeiras.
00:39Uma delas foi crédito para empresas.
00:42E a alíquota aumentou de 1,88% para 3,95%, mais do que o dobro.
00:49Quer dizer, isso tem um impacto direto sobre o custo do crédito.
00:52É como se fosse aumentar juros sobre o crédito.
00:53Olha, para a gente explicar o que aconteceu semana passada.
00:58Eu diria que, pensa que você está num jogo de futebol, o governo estava ganhando ali de 2 a 0 naquela tarde de quinta-feira.
01:04Porque a gente não esperava um bloqueio com distanciamento de 30 bilhões de reais.
01:09O que é isso? Só para o nosso amigo que é empresário nos escutar.
01:12O orçamento do governo, a receita não estava vindo, ele tinha que cortar gasto.
01:16Então, ele falou, eu não vou gastar o que está orçado aqui até o final do ano.
01:2030 bilhões de reais a menos eu não vou gastar.
01:23Aquilo foi uma baita notícia, 2 a 0.
01:26Ao longo da tarde, no final do dia, ele aumentou uma série de impostos.
01:29O que é o IOF? É um imposto transacional.
01:32E ele pega, talvez, um calcanhar de aqueles do empresário que é o quê?
01:36O custo do crédito.
01:37Então, você que toma empréstimo no banco, faz uma operação financeira, esse custo aumentou.
01:44E como é que isso vai cair no bolso da sociedade, que é importante?
01:47Você compra lá uma geladeira parcelada.
01:50Essa geladeira, provavelmente, esse desconto de recebível, ele é feito num banco.
01:55Então, o aumento do custo na veia vai ser pago pelo consumidor.
01:59E outra coisa, geralmente, quando você faz um ajuste de imposto por decreto,
02:05porque esse foi um ajuste feito pelo Ministério da Fazenda.
02:09Não teve um debate com a sociedade, com o Congresso Nacional.
02:12Geralmente, Fábio, quando você faz um ajuste,
02:14você fala ali de 5, 10 bilhões de reais,
02:17você está corrigindo uma distorção aqui, outra ali.
02:20Sabe quanto é a conta do IOF para o ano que vem?
02:24Quanto?
02:2440 bilhões de reais.
02:26Sabe quanto o Brasil arrecada com o IOF, na média?
02:3060 bi.
02:31Então, ele quase dobrou a arrecadação de IOF no Brasil, sem discutir com a sociedade.
02:37Então, isso foi muito impactante.
02:40Certo ou errado, foi muito impactante.
02:42Agora, talvez o que foi mais grave nessas medidas foi colocar um imposto para investimentos no exterior.
02:49E ao ponto em que o governo voltou atrás depois.
02:51É, parece o seguinte.
02:52Olha, eu vou tributar para você investir fora do Brasil e você vai investir mais aqui dentro.
02:56O efeito é contrário.
02:58O que o investidor pensa?
03:00Bom, se ele tributou 3,5% agora para eu investir fora, amanhã vai ser 5%, vai ser 7%, vai ser 10%.
03:08Esse negócio fica um controle de capitais, um controle de capital.
03:12Isso pegou muito mal.
03:13Agora, o governo, ao longo da noite, ele fez a revisão dessa medida,
03:18mas outras medidas ficaram.
03:20Quer ver um negócio?
03:21Todo país que é forte tem uma grande taxa de poupança.
03:25O país é forte, investe.
03:26Uma forma de você criar uma taxa de poupança é o tal do PGBL e o VGBL, planos de aposentadoria.
03:34O governo foi lá e colocou a taxa nisso.
03:37Tudo bem.
03:38É para os ricos, acima de R$50 mil.
03:41Tudo bem, meu caro, mas esse investidor, que é poupador, talvez agora ele vai fazer outra coisa com esse dinheiro.
03:48Você diminui a taxa de poupança.
03:50Então, foram uma série de medidas que vieram na direção de aumentar o custo de crédito no Brasil.
03:55O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, deu essa declaração.
03:58É quase que você aumentar em meio ponto o percentual da Selic.
04:03Você que é empresário, você está satisfeito com o juro que você toma?
04:06Você não toma o juro na Selic.
04:08Selic mais alguma coisa.
04:11Com essas medidas, o teu dinheiro na ponta vai ficar mais caro.
04:15Então, eu diria que as medidas que foram anunciadas pelo governo,
04:19elas foram um banho de água fria no mercado na quinta-feira, na sexta-feira.
04:24Apesar de ter revisto alguns pontos, fica aquele negócio do gato escaldado, tem medo de água fria.
04:30Então, a gente está nesse momento refletindo, aguardando mais sinalizações e esperando.
04:39E era um momento que estava tudo indo muito bem.
04:42O dólar estava batendo R$5,65.
04:44O juro futuro, que é onde o mercado toma, impressa juros, a curva estava fechando.
04:50E foi algo pouco discutido com a sociedade.
04:52Pouco discutido, aparentemente, dentro do governo, pela reverberação que teve.
04:58Então, eu diria que foi um final de tarde ali que eu recebi muitas ligações,
05:04principalmente à noite, quando essas medidas foram anunciadas na coletiva,
05:08após o fechamento do mercado.
05:10E pouco discutido e com validade imediata também.
05:13Quer dizer, tem um fator também de mudar as regras do jogo.
05:16Fábio, deixa eu te falar o que aconteceu.
05:17PGBL, VGBL, que é o instrumento de poupança que a gente tem no mercado financeiro.
05:24As grandes seguradoras pararam de ofertar no dia seguinte.
05:28Por quê?
05:29Se eu não sei como eu vou recolher o imposto, como que eu oferto esse produto para o meu cliente?
05:34Se essa tributação de 3,5% do investimento exterior tivesse passado,
05:39eu diria que em sexta-feira ia ser um grande colapso no mercado de capitais brasileiro.
05:43Porque existe muita operação de arbitragem.
05:46O que é arbitragem?
05:47Você compra em um lugar e vende em outro.
05:49Você ganha muito pouco com isso.
05:50Operações muito grandes, que a gente chama de operações alavancadas.
05:543,5% quebrariam alguns fundos no Brasil.
05:58Então, foi de fato muito grave o que aconteceu na quinta-feira.
06:02Bom que parte disso foi corrigido.
06:05Mas ainda tem muitos avanços para acontecer nessas medidas.
06:09Você falava há pouco da taxa de poupança.
06:11É importante frisar também que a taxa de poupança tem uma relação direta com o nível de investimentos.
06:16Você tem que ter uma reserva de dinheiro que vai financiar investimento no país também.
06:20E investimento, por sua vez, tem relação direta com...
06:23Crescimento econômico.
06:24Crescimento econômico e inflação.
06:26Exatamente.
06:27Agora, eu não me lembro de uma medida feita de forma unilateral ter um impacto tão grande quanto 40 bilhões de reais que foi dito na quinta-feira para sexta-feira.
06:42Não me lembro, não me recordo.
06:44Então, de fato, foi uma medida administrativa unilateral da fazenda e que foi pouco discutido com a sociedade.
06:51Eu tenho certeza que o Congresso Nacional não aprovaria uma pauta de aumento de imposto.
06:56Aliás, o imposto é a pior forma de fazer justiça social.
07:00É a pior forma porque a gente aumenta imposto, a gente acha que vai tributar o rico, vai tributar o investidor, vai tributar os malvadões da economia.
07:10Pelo contrário, isso tudo é repassado em aumento de imposto e quem paga a conta é quem mais precisa.
07:16É o momento agora de a gente debater a eficiência na máquina pública, como é que a gente corta gastos.
07:21Na minha casa, na sua casa, eu tenho certeza que tem corte de gastos para fazer.
07:25Será que não tem no governo federal?
07:27Deve ter, certamente.
07:29Eu tenho certeza que o Congresso Nacional topa debater isso, se pautado pelo governo.
07:34Então, está na hora de a gente discutir coisas estruturais que levem ao crescimento de longo prazo no nosso país
07:40e, sem sombra de dúvida, a modernização do Estado brasileiro está dentro disso, Fábio.
07:45Rafael, agora, na medida em que o crédito fica mais caro, enfim, você tem esse imposto incidindo com mais força
07:52sobre tantas operações que dizem respeito às empresas, o próprio mercado de capitais,
07:57a própria transação de papéis das empresas fica afetada também?
08:00Olha, vamos separar em dois. Negociação de ações de empresas é uma coisa, negociação de debêntures é outra coisa.
08:08Quer ver? Essas medidas que foram feitas pelo governo, elas não pegaram as debêntures.
08:14Então, hoje, para a empresa, é mais barato você tomar crédito no mercado de capitais,
08:19que eu até acho correto, do que tomar um empréstimo direto num banco,
08:23porque no banco vai incidir IOF, nas debêntures não.
08:26Certo ou errado, se estimula o mercado de capitais de crédito, que é muito importante.
08:30Por que os Estados Unidos é o que é hoje?
08:32Porque lá as empresas conseguem tomar crédito no mercado de capitais do dia para a noite,
08:36é um mercado muito líquido.
08:38Aqui no Brasil é curioso, os títulos privados das empresas negociam menos que as ações das empresas.
08:45Então, por exemplo, nossa Bolsa de Valores negocia 25 bilhões de reais por dia.
08:51Quando você vai para o mercado de títulos privados, que são as debêntures,
08:54esse número é muito menor, quando você tira principalmente até o efeito das debêntures que ficam no balanço dos bancos.
09:02E quando você tem um mercado pouco líquido, o tal do crédito de longo prazo,
09:06por que você compra um título perpétuo de uma empresa?
09:09Você vai viver a vida toda?
09:11Você vai viver na perpetuidade?
09:13Óbvio que não.
09:14Mas você tem um mercado de seguridade tão líquido que você consegue sair.
09:17Então, eu diria que assim, ações, vai negociar, obviamente, as empresas mais expostas a crédito,
09:23as varejistas, vão ser mais impactadas.
09:25Quem depende de tomar empréstimo, depende de juros, vai ter um impacto.
09:30A ação provavelmente vai cair dessas empresas.
09:32Negociação de debêntures, pode ser que as empresas venham a emitir mais, até melhore.
09:38Agora, o que é mais importante, você coloca um freio na economia.
09:42Você está aumentando o imposto que é direto na atividade das empresas.
09:49Rafael Furlanetti, sócio diretor da XP, presidente da Ancora,
09:53de Associação Nacional das Corretoras de Valores.
09:56Muito obrigado, Rafael, mais uma vez pela sua participação aqui com a gente.
09:59Obrigado, Fábio.
09:59Estou sempre à disposição para poder esclarecer e desmistificar a economia para todo mundo.
10:04Muito obrigado, uma honra estar aqui.
10:05Boa noite, boa semana.
10:06Obrigadão.
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