00:00Pois é, a gente tem então essa situação momentânea, o apagar o incêndio, vamos dizer,
00:05que é o caso do bloqueio e do contingenciamento, e a gente tem a outra medida, que até medida
00:10em contrário, ela é definitiva, que é esse aumento nas alíquotas do IOF, ou seja, o
00:15governo mais uma vez aumentando impostos para isso, de alguma forma, fechar as contas.
00:21Isso é mais uma demonstração, Gésner, de que o governo tem dificuldade em cortar gastos,
00:26embora ele tenha apresentado aquele pacote fiscal no fim do ano passado?
00:30Ele não está conseguindo cortar gastos que, de fato, vão trazer uma trajetória mais sustentável
00:35para a dívida brasileira?
00:37Creio que sim, Tosso, creio que sim.
00:39Na verdade, o ajuste fiscal que o Brasil precisa fazer deve se concentrar em racionalização,
00:48em corte de gastos.
00:50Não necessariamente naqueles itens essenciais, mas você precisa dar mais flexibilidade ao
00:57orçamento.
00:58Você não pode ter os gastos previdenciários crescendo sistematicamente, de acordo com
01:05o salário mínimo, que cresce acima da inflação, e o próprio sistema da previdência requerendo
01:13uma outra reforma.
01:15Você não pode ter essa situação se perpetuando, porque isso vai estourar o orçamento.
01:23É impossível conduzir dessa forma.
01:26É impossível que o executivo só tenha uma fração muito pequena do orçamento que ele
01:33pode mexer em termos de despesas.
01:36O que acontece, Tosso?
01:37Acaba comprimindo o investimento, que é fundamental, e um conjunto muito amplo de itens o executivo
01:45fica de mãos atadas.
01:47Então, é preciso dar mais flexibilidade no orçamento, é preciso desindexar e é preciso
01:53cortar a máquina pública brasileira, que infelizmente, historicamente, é inchada.
02:00É preciso realmente ter a coragem de fazer uma profunda reforma fiscal.
02:05Quando não se faz isso, você acaba aumentando o imposto.
02:09O Brasil já tem uma carga, para um país emergente, o Brasil já tem uma carga tributária
02:15excessiva.
02:16O IOF foi usado por quê?
02:18Porque dá para fazer no mesmo ano via decreto, não precisa esperar o ano que vem, etc.
02:24Então, foi uma maneira de apagar incêndio.
02:27Mas é ruim, porque aumenta o custo financeiro das empresas, que já é enorme.
02:32As empresas estão enfrentando uma verdadeira asfixia financeira.
02:37Isso vai agravar o problema.
02:41É um imposto em cascata, contrário, inclusive, à diretriz da reforma tributária do próprio
02:47governo.
02:48Realmente, não é uma boa saída.
02:50Eu entendo que é apagar incêndio.
02:53Eu entendo que a ideia é eliminar o déficit este ano.
02:57Mas é preciso pensar urgentemente numa reforma fiscal mais profunda, com coragem, para que
03:04realmente o país tenha recursos para os investimentos necessários, para os programas sociais, sem
03:11comprometer a estabilidade macroeconômica.
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