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O sócio da StartSe, Fabio Neto, analisa o crescimento acelerado do comércio eletrônico na América Latina, que avança uma vez e meia mais rápido que a média global. O especialista destaca que o Brasil é um dos líderes mundiais em compras via dispositivos móveis, com 85% das transações realizadas pelo celular.

Fábio traz insights da NRF 2026, o maior evento de varejo do mundo, apontando o "agentic commerce" (comércio agêntico) como a grande tendência: o uso de agentes de inteligência artificial que realizam compras de forma autônoma, sem a necessidade de cliques do consumidor.

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Transcrição
00:00Agora, o comércio online que tem crescido uma vez e meia mais rápido aqui na América Latina,
00:06isso comparado com o restante do mundo, segundo a consultoria Endeavor.
00:10As vendas no nosso continente devem movimentar 215 bilhões de dólares esse ano.
00:16Sobre isso, eu converso com o Fábio Neto, ele é sócio da Startse.
00:20Fábio, boa noite, prazer receber você aqui mais uma vez.
00:23Boa noite, Cris. Sempre uma honra estar aqui.
00:24Fábio, o que justifica, o que explica esses números que são impressionantes?
00:30Muito impressionantes.
00:31Eu acho que o e-commerce como um todo na América Latina, ele vem numa maturação tardia.
00:35Óbvio, quando a gente compara isso com Estados Unidos e China, que já aceleraram antes de nós.
00:39Então, eu acho que existe esse gap, mas também uma adoção muito grande da entrada de grandes marketplaces globais
00:44na economia brasileira, mexicana e argentina, sobretudo.
00:47Então, quando a gente vê todos esses novos aplicativos chineses que todo mundo começou a baixar e acessar,
00:52a gente vê esse fenômeno de entrada e um crescimento para um consumidor brasileiro que adora comprar online.
00:59Então, hoje, por exemplo, as vendas do e-commerce, são mais de 85% delas, são pelo celular.
01:05E a gente é um dos países que mais adota a compra por celular no mundo.
01:09Então, é uma combinação desses fatores.
01:10Tem também a facilidade nas compras digitais, como você disse.
01:15A gente é early adopter, adotamos isso cedo.
01:17É tudo em relação à internet, à inteligência artificial, ao celular e à velocidade também de entrega.
01:24Isso ajuda?
01:26Ajuda.
01:26São alguns fatores que garantem essa fidelidade ao modelo online de comprar.
01:32A principal delas é a confiança.
01:34Então, a gente vive uma era de infidelidade.
01:36Inclusive, as pessoas declaram, nesse relatório interessante,
01:38quase 90% das pessoas declaram que se tiver uma má experiência, ele vai para um outro.
01:42Porque hoje tem inúmeras opções.
01:44Apenas 2% dos consumidores se declaram fiéis a um e-commerce, a um marketplace.
01:49Ou seja, eu gosto de comprar da sua loja, eu gosto de comprar do seu marketplace.
01:52Mas se ele não me entregar rápido, se ele não me der um atendimento, não solucionar problemas,
01:56eu facilmente troco por outros.
01:58Mudo, não tem problema nenhum com isso.
02:00Mudo, não tem problema nenhum.
02:00Então, eu acho que essa confiabilidade daquilo que é prometido é o mais importante.
02:04Porque promessa hoje tem para todo lado.
02:06Se a gente acessa esse mundo online, as promessas são cada vez de mais facilidade.
02:09Mas hoje tem vencido o jogo quem, de fato, faz esse básico da entrega com velocidade e atendimento melhor.
02:16Com certeza.
02:17Há muito comércio, lojas, supermercados e por aí vai,
02:21em que é mais barato você comprar online do que na loja física.
02:25É melhor investir no delivery do que nas lojas físicas?
02:29É mais barato?
02:30Inclusive, a gente viu muitas vezes,
02:31ah, tem promoção online, se você leva ali, olha, achei a promoção aqui.
02:35Aí você vai na loja física para provar uma roupa, por exemplo.
02:38Ah, se você mostrar, você ganha aquele desconto do online.
02:41Esse é um grande desafio hoje, que é as marcas entenderem essa multicanalidade.
02:47Que nos últimos anos chamaram de Omnichannel.
02:48Ou seja, não é mais sobre canal.
02:50Você não quer saber onde você compra.
02:51Você quer simplesmente comprar.
02:53Seja um áudio para o WhatsApp ou para uma vendedora de uma loja que você gosta.
02:56Com certeza.
02:56Seja um agente de IA utilizado para antecipar a sua demanda.
03:00Ou seja, visitar um shopping center, aproveitar que você está com a família.
03:04O consumidor que escolhe onde ele quer comprar.
03:06As lojas nunca estiveram preparadas para isso.
03:08Então, ela tinha um tipo de estoque no site, que é diferente do estoque da loja,
03:11que é diferente do app.
03:12Então, existe uma maturidade que o brasileiro está ganhando,
03:15de ter mais uma integração.
03:17Porque o consumidor não quer essa decepção de olhar no preço no site,
03:20vai visitar a loja mais caro.
03:21Ou vice-versa.
03:22Então, ainda para mim é um processo de maturação.
03:25Não deveríamos ter essas diferenças.
03:26Onde existem essas diferenças ainda é por falta de maturidade do varejista.
03:30Isso, de certa forma, impacta no mercado de trabalho?
03:33Impacta.
03:34De alguma forma, sem dúvida, várias marcas que a gente chama de nativas digitais estão nascendo.
03:40E, naturalmente, você dependia de uma mão de obra ou de espaço físico,
03:44se você quiser ter uma marca.
03:45Hoje, você depende muito menos.
03:46Mas impacta um tipo de mão de obra, mas, por outro lado, exponencializa outra.
03:50Para você ser relevante online, você vai precisar de novos profissionais com habilidades diferentes,
03:55que é um tipo de venda diferente.
03:56Então, a gente fala hoje muito da live seller, ou seja, a vendedora online.
04:00Antigamente, tinha que abrir uma loja física, contratar 5, 6 vendedores e um gerente.
04:04Hoje, você abre uma loja online, você também precisa de ter vendedores online,
04:07que não é só um social media, ou não é só investir num tráfego.
04:10Eu preciso ganhar a visibilidade de como vender online.
04:13E esse é um dos pontos, inclusive, que surge no relatório.
04:16Ainda a gente usa muito pouco no Brasil live commerce,
04:19que é, de fato, mostrar a nossa cara como se fosse uma loja ao vivo o tempo todo vendendo.
04:23Muito comum na China.
04:23Muito comum. Aqui hoje, por exemplo, é 18%.
04:26Só que, desses 18%, a conversão é muito maior do que uma loja ou de um site que não tem
04:32live commerce.
04:33Então, acho que também a gente está entrando nessa maturação hoje no Brasil.
04:35E deve crescer muito aí pelos próximos anos.
04:37Não tem dúvida.
04:38Também tem aquela clássica preocupação com lojas menores, o chamado comércio de bairro.
04:42Eles sofrem com o impacto, claro, já da concorrência de grandes redes.
04:47Mas, de certa forma, eles conseguem dar conta de fazer um bom uso das vendas online?
04:52Ou eles têm uma dificuldade maior mesmo?
04:54Naturalmente, é difícil generalizar.
04:56Mas, naturalmente, eles têm uma dificuldade maior.
04:58Eu acho que tem uma limitação de consciência tecnológica, uma limitação de uso de ferramentas.
05:02Mas isso não é generalizado.
05:03Porque, por outro lado, é a maior oportunidade para o comércio local poder vender além das suas fronteiras.
05:09Então, antigamente, ter um bom comércio, Cris, a gente brincava que eram três segredos para o varejo.
05:15Localização, localização e localização.
05:17Escolha um bom ponto comercial onde passem pessoas, abra sua loja ali e espere alguém entrar.
05:22Esse mundo mudou.
05:23Quando eu consigo agora acessar pessoas muito além do meu bairro e da minha esquina,
05:27eu acho que dá uma condição para o varejista local alcançar muito mais.
05:30Só que ele vai precisar passar por uma maturidade tecnológica, investir e ter essa consciência de chegar lá.
05:35Com certeza.
05:36Quais são as principais tendências do comércio eletrônico, do e-commerce, nos próximos anos?
05:42Eu acho que cada vez mais os grandes marketplaces entenderam que não é sobre vender produtos, simplesmente.
05:47Então, você pega, por exemplo, os grandes que dominam, desde lá da Amazon Global, Mercado Livre, todos esses grandes.
05:52Hoje, praticamente 50% da receita não vem mais de comércio.
05:56Vem de crédito, vem de serviços logísticos, vem de cada vez mais te dar soluções de IA e vem, sobretudo,
06:03de mídia.
06:04Ou seja, para você ser relevante dentro de um marketplace, não é só colocar um produto.
06:08É como abrir uma loja, um shopping center, numa esquina.
06:10Você precisa escolher o melhor posicionamento.
06:12Se você fica lá naquele fundão, ninguém te vê.
06:14No e-commerce, é a mesma coisa.
06:16Você tem que brigar por essa relevância.
06:18E eles entenderam que a monetização está além do produto e está nessas outras coisas.
06:21Então, essa é uma grande tendência.
06:22Mas talvez a maior de todas para 2026, inclusive, essa é uma pauta que nós estamos olhando bastante.
06:27A gente voltou da NRF agora com essa grande pauta, que é o que a gente chama de comércio agêntico.
06:31Que lá no palco de Nova York, chamaram de agêntico e comércio.
06:34O que é isso?
06:35É cada vez mais os nossos agentes podendo interagir entre eles e transacionarem sem depender de nós.
06:41É o que a gente fala da compra sem clique.
06:44Antigamente, o que a Amazon trouxe, depois o social media, o social commerce trouxe, é clique uma vez só para
06:49comprar.
06:50Agora é, será que eu preciso clicar?
06:51Porque se eu tenho um agente que sabe a maquiagem que você precisa, já sabe que ela está acabando,
06:56já pode dar esse direcionamento para o agente de vendas e eles já interagirem,
06:59e a maquiagem chegar na sua casa sem você nem precisar ter interagido,
07:02e essa é hoje a grande pauta 2026 do ICOM.
07:05Eu ia te perguntar exatamente isso.
07:07Quais insights principais que você viu na NRF,
07:09que é o maior evento de varejo do mundo, que aconteceu no mês passado em Nova York.
07:14Mas aí, puxando para a gente,
07:16quando a gente vai ver de fato isso acontecendo em larga escala aqui no nosso país?
07:21De larga escala, eu acho que a gente ainda tem uma limitação.
07:23Esse é um assunto que não é novo, mas o que aconteceu?
07:25O presidente do Google, que é talvez a grande plataforma que usa os agentes hoje para e-commerce,
07:30fez uma grande divulgação no palco da NRF,
07:32que era um protocolo onde ele dá acesso agora a qualquer varejista acessar esses agentes.
07:37Então, existe ainda, na minha visão, um delay de pelo menos 12 meses,
07:40todo mundo entendendo que tecnologia é essa, o que eu tenho que contratar,
07:43quais são os parceiros, como desenvolver isso dentro de casa.
07:46Então, isso vai demorar, porque tem uma maturidade ainda de ganhar,
07:49mas acredito que em até dois anos, gente, isso já é uma realidade no Brasil.
07:52Uau, dois anos, tá aí, né?
07:54Tá aí, tá na porta.
07:54Tá aí, sabe, sempre muito bom conversar com você.
07:57É uma honra estar aqui, obrigada.
07:58Obrigada, obrigada.
07:58Bom carnaval.
07:59Vamos lá.
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