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O Brasil pode ampliar as exportações em até US$ 33 bilhões nos próximos cinco anos com a abertura de cerca de 500 novos mercados. Roberto Gianetti da Fonseca, economista e ex-secretário de Comércio Exterior, analisou o impacto na balança comercial, os setores mais beneficiados e os desafios para sustentar esse crescimento.

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Transcrição
00:00Estimativas do Ministério da Agricultura e também da Apex Brasil projetam que o país pode adicionar até 33 bilhões de dólares às exportações nos próximos cinco anos.
00:14Isso por causa da abertura de cerca de 500 novos mercados internacionais.
00:19Sobre esse assunto e para entender como isso vai se refletir na balança comercial brasileira,
00:24eu converso agora com o Roberto Gianetti da Fonseca, economista e ex-secretário de Comércio Exterior.
00:32Roberto, muito boa noite, obrigado por estar aqui conosco nesta segunda-feira.
00:36Eu queria começar entendendo a sua perspectiva sobre essa estimativa de adicionar até 33 bilhões de dólares às exportações brasileiras,
00:46se isso é realista e também qual seria de fato o impacto comercial na balança brasileira.
00:52Muito boa noite, Roberto.
00:54Boa noite, muito obrigado pelo convite.
00:56É um prazer estar aqui.
00:58Muito bem, eu acho que é uma estimativa feita com um certo grau de realidade,
01:03porque nós temos visto um potencial ainda muito grande de avanço das exportações brasileiras no mercado internacional
01:12e Apex, que desde os anos 90 tem feito um trabalho notável de aprimoramento da imagem do Brasil no exterior,
01:21das marcas brasileiras, dos produtos brasileiros, participado em feiras, eventos,
01:27promovendo o acesso a mercados a vários produtos brasileiros,
01:30eu acho que tem elementos suficientes para que essa estimativa seja realizada com um bom grau de realidade.
01:38A tendência é que o Brasil diversifique mercados.
01:43Nós temos hoje uma concentração muito grande em poucos mercados,
01:49talvez até essa ocasião, esse evento que ocorreu do tarifácio ajudou as empresas brasileiras a pensarem fora da caixa.
02:00Bom, se nós não formos vender para os Estados Unidos, porque o preço ficou proibitivo,
02:05vamos buscar mercado na Ásia, na África, na própria América Latina,
02:10diversificar para mercados que não são, às vezes, prioridade, mas que possam ser alternativa.
02:17E depois que se abrem mercados, estabelecer uma relação permanente com distribuidores,
02:24com consumidores, criar uma marca própria e valor adicionado,
02:29é o desafio que resta para que a gente possa permanecer nesses mercados por décadas adiante
02:35e criar realmente um lastro importante para as exportações brasileiras.
02:41Agora, Roberto, você mencionou a diversificação dos mercados que o Brasil vem fazendo
02:46e talvez o tarifácio do presidente Donald Trump acelerou ainda mais esse processo.
02:52Quais setores da economia brasileira podem se beneficiar ainda mais dessa diversificação de mercados?
03:00Olha, os novos setores são aqueles ligados à economia verde,
03:07porque surge um grande espaço no mercado mundial para produtos que a gente já chamaria de baixo carbono.
03:16E aí nós colocamos não só grande parte do setor do agronegócio brasileiro,
03:21porque nós estamos aqui no Brasil produzindo alimentos com uma qualidade,
03:26com uma intensidade de carbono bastante baixa,
03:30como também nos setores de energia.
03:33Tudo aquilo que leva energia renovável, solar, eólica,
03:40e, por exemplo, vou dar um exemplo claro aqui para vocês,
03:42e os fertilizantes que hoje podem ser produzidos a partir da amônia verde,
03:49quer dizer, feita já a partir da água e da utilização de energia renovável,
03:55energia solar, provavelmente.
03:57Tudo aquilo que for relacionado à bioeconomia,
04:02uso das matérias-primas, dos insumos da Amazônia,
04:06para a produção de cosméticos, medicina,
04:08alguns novos produtos na área do agronegócio,
04:12por exemplo, o gergelim está assumindo, por exemplo, uma dimensão interessante,
04:18criando novos mercados na Índia, na China, no Oriente Médio.
04:22As próprias carnes brasileiras continuam ganhando e progredindo cada vez mais
04:26no mercado internacional, carne bovina, suína, frango, peixe.
04:31Então, há uma série de setores diversificando mercados e diversificando produtos.
04:37O Brasil tem um potencial gigantesco ainda para crescer as exportações,
04:42gerando renda e emprego para a nossa sociedade.
04:45Agora, nessa busca por novos mercados, também vêm novos desafios,
04:50e quais são as principais barreiras que as empresas brasileiras enfrentam
04:54para, de fato, conseguirem chegar a novos destinos, novos mercados, Roberto?
04:59As principais barreiras, por incrível que pareça, são barreiras internas.
05:04E, portanto, nós podemos resolvê-las.
05:06E estamos, de certa forma, resolvendo.
05:09Por exemplo, aprimorar o sistema logístico para que,
05:12da fazenda ou da indústria ao porto,
05:15a gente tenha uma logística mais competitiva,
05:19reduzindo a carga tributária em cima da exportação.
05:24Isso é um drama que vem aí há muitos anos.
05:26Espero que a reforma tributária, que tem agora, a partir de 2026, 2027,
05:31comece a ser aplicada, vá reduzir a carga tributária em cima dos exportadores,
05:37tornando o nosso produto mais competitivo.
05:40Também investimento em inovação e tecnologia,
05:44para que a gente continue evoluindo na qualidade,
05:47na inovação, buscando soluções para o consumidor,
05:51produtos que, de fato, venham atender aos desejos dos consumidores,
05:56especialmente o público mais jovem.
05:58E as barreiras externas são as negociações internacionais,
06:01o acesso ao mercado e a promoção dos produtos brasileiros.
06:06Muitos mercados ainda desconhecem os produtos brasileiros.
06:09Talvez, em alguns países, nunca tenham experimentado uma manga brasileira,
06:14ou a castanha de caju,
06:16ou produtos que a gente tem qualidade e que não têm ainda o reconhecimento.
06:23A própria carne brasileira, por exemplo,
06:25é hoje uma carne de altíssima qualidade, cortes especiais.
06:29Temos que promover para que seja reconhecido no mercado,
06:33na hora que o consumidor faz opção pela compra,
06:36que o Made in Brasil é um produto desejável.
06:39Sim, Roberto, eu vou aproveitar aqui na nossa conversa
06:42e chamar a nossa analista, o Vinícius Torres Freire,
06:45que também vai se juntar a nós e fazer uma pergunta para você, Roberto.
06:50Janete, boa noite.
06:52Boa noite, Vinícius.
06:53Tudo bem?
06:54Vamos mudar agora um pouco para a conjuntura.
06:57Você está falando de estrutura, de perspectiva de longo prazo.
07:01Legal, tem muita coisa para fazer.
07:02Agora, a gente tem alguns problemas imediatos no ano que vem
07:06para ver se tem solução ou não.
07:09Primeiro, vai sair o acordo com o Mercosul?
07:12Está encrencado ou é só uma coisa transitória?
07:15Segundo, temos as tarifas sobre produtos industriais, principalmente.
07:19E terceiro, que é uma curiosidade grande, que pode mudar,
07:22a gente nunca sabe,
07:23é se a China vai continuar comprando tanto produto agropecuário do Brasil
07:28e se isso vai mudar com alguma pressão americana.
07:30Quer dizer, a gente tem três coisas importantes para o progresso do comércio exterior brasileiro
07:34para ver aí no começo do ano se tem resultado, certo?
07:39Então, vamos lá.
07:40Minha visão é muito otimista em relação aos três pontos, Vinícius.
07:44Primeiro, acho que o acordo com o Mercosul vai acabar saindo,
07:48talvez até por exaustão,
07:51porque imagina que eu sou secretário executivo da Camex nos anos 2000 a 2002
07:57e isso estava no início.
08:00Nós estamos em 2026, agora passando para 2026,
08:05e o assunto ainda está não resolvido.
08:08Eu acho que chegou agora num ponto final.
08:10Eu acho que se no mês de janeiro ele não for resolvido,
08:14o Brasil deve pôr uma pá de cal, esquece,
08:16vão virar a página, vão fazer acordo com o Japão,
08:19vão fazer acordo com o Índia,
08:21vão melhorar a nossa estrutura de comércio exterior.
08:24Tem muito mais coisa para fazer do que ficar perdendo tempo
08:27em negociações com a União Europeia se eles não querem fazer o acordo.
08:31Porque não tem mais o que negociar.
08:32Tudo que foi para negociar já foi negociado.
08:35Em relação à China,
08:37eu acho que a China vai continuar dependendo do Brasil em alimentos,
08:41e essa dependência não é nem por falta de mão de obra,
08:44nem por falta de terra, Vinícius.
08:46É por falta de água.
08:47A água na China está ficando cada vez mais escassa
08:51e eles têm que usar primeiro para consumo humano,
08:54depois para consumo animal,
08:57depois para consumo industrial,
08:58e o que resta, se houver, é para o consumo agrícola.
09:02E cada tonelagem de soja,
09:04são milhares, eu não lembro exatamente a relação,
09:07mas são milhares de litros de água.
09:09Então, no fundo, eles estão importando também a água,
09:11que nos é abundante.
09:13A água que nos faz irrigação,
09:14que promove o nosso agronegócio,
09:17que alimenta o nosso gado, as nossas aves,
09:21enfim, água que nós temos uma dimensão 12% da água potável do mundo.
09:26E a possibilidade do Brasil abrir novos mercados,
09:29eu sempre falei que é uma condição de trabalho,
09:32de cultura exportadora.
09:34Nós temos toda a condição de continuar crescendo
09:375% a 10% das nossas exportações por ano,
09:40se não mais,
09:41e continuamos a ter aí um bom superávit,
09:44um robusto superávit,
09:46que ajuda as nossas fontes externas,
09:47fortalecer nossas reservas,
09:50criar um colchão de liquidez,
09:52que reduz o risco Brasil.
09:54É óbvio que nós temos problemas ainda
09:56de natureza fiscal,
09:57de natureza monetária,
09:59mas eu acho, de novo,
10:01sendo otimista,
10:01eles se resolvem no tempo.
10:03Acho que nós temos bastante,
10:04não é hora de falar disso aqui agora,
10:06seria longo,
10:07mas temos todas as condições de solução também desse problema.
10:09Perfeito.
10:11A gente conversou com o Roberto Gianetti da Fonseca,
10:14economista e ex-secretário de Comércio Exterior.
10:17Muito obrigado, Roberto.
10:18Uma boa noite para você.
10:21Eu que agradeço a todos.
10:22Obrigado.
10:22Obrigado.
10:23Obrigado.
10:23Obrigado.
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