- há 5 horas
A história do mais antigo partido político ainda em atividade numa minissérie documental de 2 episódios
Nascido em 1921, nos conturbados tempos da Primeira República, cedo o PCP se viu forçado a resistir na clandestinidade, na sequência do golpe militar de 28 de maio de 1926 e da ditadura que se lhe seguiu. Ao longo de 48 anos, o PCP foi a força que de modo mais constante e ativo combateu a ditadura, sendo por isso alvo privilegiado da repressão. Organizou protestos e greves, dinamizou plataformas de oposição unitárias, apoiou a luta de libertação dos povos coloniais. A sua ação influiu diretamente no processo histórico que desembocou no 25 de Abril de 1974.
Com a revolução, o PCP adapta rapidamente a sua organização e atividade às novas condições sociais e políticas, transformando-se em pouco tempo num partido com muitos milhares de membros. Assumiu um papel preponderante no processo revolucionário, particularmente na consagração de medidas como a reforma agrária e as nacionalizações. A queda da União Soviética, contudo, marcou o seu trajeto, dando origens a significativas dissensões internas. Não obstante, o Partido manteve a sua natureza e doutrina até aos dias de hoje.
Nascido em 1921, nos conturbados tempos da Primeira República, cedo o PCP se viu forçado a resistir na clandestinidade, na sequência do golpe militar de 28 de maio de 1926 e da ditadura que se lhe seguiu. Ao longo de 48 anos, o PCP foi a força que de modo mais constante e ativo combateu a ditadura, sendo por isso alvo privilegiado da repressão. Organizou protestos e greves, dinamizou plataformas de oposição unitárias, apoiou a luta de libertação dos povos coloniais. A sua ação influiu diretamente no processo histórico que desembocou no 25 de Abril de 1974.
Com a revolução, o PCP adapta rapidamente a sua organização e atividade às novas condições sociais e políticas, transformando-se em pouco tempo num partido com muitos milhares de membros. Assumiu um papel preponderante no processo revolucionário, particularmente na consagração de medidas como a reforma agrária e as nacionalizações. A queda da União Soviética, contudo, marcou o seu trajeto, dando origens a significativas dissensões internas. Não obstante, o Partido manteve a sua natureza e doutrina até aos dias de hoje.
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AprendizadoTranscrição
00:15A CIDADE NO BRASIL
00:56A CIDADE NO BRASIL
01:06A fundação do Partido Comunista Português surge no seguimento do surto revolucionário
01:11iniciado nos últimos anos da Primeira Grande Guerra
01:13e que se prolonga até aos primeiros anos da década de 1920.
01:18A Revolução Socialista de Outubro na Rússia inspira em todo o mundo
01:22o desenvolvimento de uma nova doutrina,
01:24acolhida em Portugal por um movimento operário numericamente modesto,
01:28mas com uma forte capacidade de mobilização,
01:31dominado por sindicalistas revolucionários e anarco-sindicalistas.
01:36Aos entusiastas da tomada do poder pelo proletariado
01:39dirigido por um partido disciplinado,
01:41defendida e praticada pelos bolcheviques russos,
01:44opõem-se os defensores intransigentes da imediata destruição do Estado.
01:50Com o objetivo de difundir as novas teses,
01:53em 1919 é fundada a Federação Maximalista Portuguesa,
01:57no seio do movimento sindical.
01:59O seu jornal, A Bandeira Vermelha,
02:01atinge tiragens de 5 mil exemplares
02:03e os núcleos estendem-se por 50 localidades.
02:07Ao fomentar o debate sobre o comunismo
02:09e a experiência revolucionária mundial,
02:11sobretudo a soviética,
02:13a Federação preparou as condições e os quadros
02:15para a criação do PCP,
02:17na qual estiveram envolvidos vários dos seus membros.
02:20A partir de novembro de 1920,
02:23têm em lugar reuniões em sedes de sindicatos
02:25para preparar a constituição do novo partido.
02:28A 20 do mês seguinte,
02:30na Associação dos Caixeiros em Lisboa,
02:32é designada uma Comissão para a Constituição
02:34do Partido Comunista Português,
02:36que, em janeiro de 1921,
02:39elabora as suas bases orgânicas.
02:42A criação do PCP é finalmente consumada
02:45a 6 de março de 1921,
02:47numa Assembleia realizada na sede
02:49da Associação dos Empregados de Escritório,
02:51que elege os primeiros órgãos dirigentes.
02:53De pé, de pé, de pé, de pé,
03:01de pé, as chamas já consome,
03:07a trouxe da bruta que a supera,
03:11a venta e o mal em pelo fundo.
03:28O jovem partido desenvolve-se rapidamente
03:31e em breve atinge o milhar de membros.
03:33Em julho, difunde o seu primeiro manifesto,
03:36onde expõe os seus objetivos.
03:38Entre eles estão a socialização integral das terras,
03:41das minas, das fábricas,
03:43das oficinas e dos meios de circulação e consumo.
03:46O aproveitamento racional e científico
03:49de todas as riquezas naturais do país.
03:51A modificação da estrutura política da nação,
03:54abolindo a República Burguesa,
03:56dos capitalistas, dos financeiros e dos patrões.
03:59E a instauração, em seu lugar,
04:02de uma República Comunista,
04:03do povo, dos operários e dos trabalhadores.
04:09Antes do final do ano,
04:10estão em funcionamento centros e núcleos partidários
04:13em Beja, Coimbra, Évora, Lisboa, Porto e Sacavém.
04:17E inicia-se a publicação do primeiro órgão do partido,
04:21o Comunista.
04:23Seis meses depois, sai o Jovem Comunista.
04:28Apesar dos êxitos iniciais,
04:30os primeiros anos do PCP não foram fáceis.
04:33Mal preparado e abraços com divergências internas,
04:36confronta-se ainda com a repressão.
04:38As primeiras prisões de militantes
04:40dão-se logo em setembro de 1921,
04:43numa ação comemorativa do Dia Mundial da Juventude Comunista.
04:48Em novembro de 1923,
04:51tem lugar o primeiro congresso,
04:52com 118 delegados,
04:54em representação de 33 comunas.
04:57Participa nos trabalhos
04:58o representante da Internacional Comunista,
05:01o suíço Humbert de Rose.
05:03O Congresso exige a extensão da jornada
05:06de oito horas aos campos,
05:08defende a igualdade salarial entre homens e mulheres
05:10e saúda os militantes comunistas
05:12e sindicalistas presos.
05:16Desde cedo que o PCP alerta
05:18para a tentativa das forças mais conservadoras
05:20da sociedade tomarem de assalto a República.
05:23Logo em novembro de 1921,
05:26apela à constituição de uma frente única
05:28capaz de extravar
05:29e de garantir as liberdades políticas e económicas,
05:32o que volta a fazer no primeiro congresso.
05:36Nas eleições parlamentares de 1925,
05:39os comunistas concorrem coligados
05:41com a esquerda democrática
05:42para evitarem o triunfo da reação.
05:45E no início de maio do ano seguinte,
05:47o jornal O Comunista
05:49orienta os militantes com medidas concretas
05:51de combate ao fascismo.
05:52O golpe militar de 28 de maio
05:55apanha o PCP prestes a iniciar
05:57os trabalhos do seu segundo congresso,
05:59de onde sai um último apelo
06:01à unidade antifascista.
06:04Não tardará até que a ditadura lance
06:06uma forte vaga repressiva
06:08que atinge os comunistas
06:09e demais forças e militantes democráticos.
06:12Em 1927, a sede do PCP é encerrada,
06:15ao mesmo tempo que são assaltadas
06:17a sede da Confederação-Geral do Trabalho,
06:19CGT,
06:20e a redação do seu jornal,
06:22A Batalha,
06:23que chegou a ser o terceiro maior jornal do país.
06:27As liberdades de imprensa,
06:28reunião,
06:29organização,
06:30expressão,
06:31pensamento e greve
06:32são imediatamente cerceadas
06:34e as lutas reivindicativas
06:36prontamente reprimidas.
06:37Os que discordam da ditadura
06:39são despedidos,
06:40perseguidos,
06:41deportados
06:42e, não poucas vezes,
06:43presos e torturados.
06:45Para lá da repressão
06:47e da vigilância generalizadas,
06:49a ditadura ataca
06:50as condições de vida
06:51das camadas populares.
06:52A desagregação da organização sindical,
06:55que se fazia sentir desde 1924,
06:58agrava-se após o golpe
06:59e a luta operária
07:00revela-se incapaz
07:01de fazer face
07:02aos novos desafios.
07:05O PCP vê os seus efetivos
07:07drasticamente reduzidos,
07:09a sua direção desmembrada
07:10e a sua atividade paralisada.
07:13Da direção eleita
07:14no segundo congresso,
07:15resta apenas
07:16Manuel Vilar,
07:17que juntamente
07:18com o operário
07:18arsenalista
07:19Bento Gonçalves
07:20e a célula
07:21do Arsenal da Marinha,
07:22se empenha
07:23num processo
07:23de reorganização
07:24do partido
07:25iniciado na Conferência
07:27de Abril de 1929.
07:30Partindo de um núcleo
07:31restrito de militantes,
07:32o PCP lança-se
07:33na criação
07:34de organizações
07:34partidárias
07:35e unitárias.
07:36A Organização Revolucionária
07:38da Armada,
07:39a Secção Portuguesa
07:40do Socorro Vermelho Internacional,
07:42a Liga contra a Guerra
07:43e o Fascismo,
07:44a Federação
07:45das Juventudes
07:45Comunistas Portuguesas
07:46e os grupos
07:47de defesa académica
07:49resultam desta ação.
07:51Em fevereiro de 1931
07:53é editado
07:54o primeiro número
07:54do Avante
07:55e do aparelho
07:56de imprensa
07:56do partido
07:57sairão também
07:58o Jovem,
07:59o Solidariedade,
08:00o Marinheiro Vermelho
08:01e o Militante.
08:24Do esforço
08:26para reerguer
08:26o Partido Comunista
08:27nas duras condições
08:28da clandestinidade
08:29emerge a figura
08:30de Bento Gonçalves
08:31que assume
08:32as funções
08:32de secretário-geral
08:33entre 1929
08:35e a sua morte
08:36no campo
08:36de concentração
08:37do Tarrafal
08:38em setembro
08:39de 1942.
08:41Natural
08:41de uma família
08:42camponesa
08:42de Montalegre,
08:44cedo se torna
08:44operário
08:45e sindicalista.
08:47Em 1927
08:48adere ao partido.
08:50É ele que,
08:51na condição
08:51de secretário
08:52da Célula
08:52do Arsenal
08:53da Marinha,
08:54abre a Conferência
08:55de Abril
08:55de 1929,
08:57da qual sai
08:58como um dos cinco
08:59elementos
08:59da Comissão
09:00Provisória Eleita.
09:01Designado
09:02secretário-geral
09:03pouco depois,
09:04imprime ao PCP
09:05uma orientação
09:06leninista.
09:08Preso
09:08e deportado
09:09em 1930,
09:11regressa
09:11ao país
09:12em 1932,
09:14iniciando
09:14no ano seguinte
09:15a vida clandestina.
09:18Em 1935,
09:19representa o PCP
09:20no histórico
09:217º Congresso
09:22da Internacional
09:23Comunista
09:23em Moscouvo,
09:24onde apresenta
09:25um relatório.
09:27A aplicação
09:28da tática
09:29da Frente Única
09:30deve ser,
09:30no momento presente,
09:31a base
09:32de toda a atividade
09:32do nosso partido.
09:33É somente
09:34sobre a base
09:35da luta
09:35pelas reivindicações
09:37imediatas
09:37da classe operária
09:38e de todas
09:39as massas
09:39trabalhadoras,
09:40da resistência
09:41à ofensiva
09:41do capital,
09:42da luta
09:43pelos direitos
09:43e liberdades
09:44democráticas,
09:45que devemos,
09:46na nossa atividade,
09:47realizar a tática
09:48da Frente Única.
09:49Esta tática
09:50é a única justa
09:51contra a ofensiva
09:52capitalista
09:53e para a ofensiva
09:54das massas
09:55contra o fascismo
09:55e para o derrubamento
09:57do sistema capitalista.
09:59A aplicação
10:00das novas orientações,
10:01porém,
10:02terá de esperar,
10:03pois Bento Gonçalves
10:04é preso
10:04pouco depois
10:05de reentrar no país.
10:06Deportado
10:07para a Angra
10:07do Heroísmo
10:08em janeiro
10:08de 1936,
10:10defende-se.
10:11O tribunal
10:12vai ditar-me
10:13a sentença.
10:14Que faça
10:15ao tribunal
10:15o que entender.
10:16Quanto a mim,
10:18mantenho-me
10:18nesta convicção.
10:20A terra
10:20gira.
10:22Em outubro,
10:23o secretário-geral
10:24está no primeiro grupo
10:25de prisioneiros
10:26enviado para o campo
10:27da morte lenta,
10:28o Tarrafal,
10:29de onde não sairá vivo.
10:31A ameaça
10:32do primeiro diretor
10:33do campo,
10:34Manuel dos Reis,
10:35não era vã.
10:36Quem vem
10:37para o Tarrafal
10:38vem
10:39para morrer.
11:13A notícia da morte
11:14de Bento Gonçalves
11:15surge na primeira página
11:16do Avante
11:17de novembro
11:18de 1942.
11:21não foi uma bilhosa
11:22que matou
11:23Bento Gonçalves,
11:24como não foi
11:25a doença
11:25que matou
11:26muitos outros
11:27lutadores antifascistas
11:28que morreram
11:29já no Tarrafal.
11:31Foi o governo
11:32fascista
11:32que matou
11:33Bento Gonçalves.
11:34Ele era o dirigente
11:36político
11:36incontestável
11:37do nosso partido
11:38e a figura
11:39mais prestigiada
11:40de todo o movimento
11:42antifascista.
11:43O nome
11:44da Bento Gonçalves
11:45evoca logo
11:46as mais belas
11:47qualidades
11:48de herói
11:48filho do povo.
11:49Inteligência esclarecida,
11:52dedicação sem limites
11:53à causa
11:54dos trabalhadores,
11:55modéstia,
11:56honestidade.
11:58Por ação do PCP
11:59realiza-se um amplo
12:00processo de reorganização
12:01sindical.
12:03A organização,
12:04logo em 1930,
12:06do Congresso
12:07da Federação Nacional
12:08da Indústria
12:08dos Transportes,
12:09agregando cerca
12:10de 40 sindicatos,
12:11é um dos resultados
12:12mais relevantes
12:13desta ação.
12:14Da luta
12:15em defesa
12:16da jornada laboral
12:17de 8 horas
12:18surge a Comissão
12:19Intersindical,
12:20CIS,
12:21com forte influência
12:22comunista,
12:23e o seu jornal,
12:24O Proletário.
12:28Entre as primeiras lutas
12:29reivindicativas
12:30em ditadura,
12:31destacam-se as greves
12:32dos operários
12:32da construção civil
12:33e naval,
12:34dos marítimos,
12:35dos portuários,
12:36dos fragateiros
12:37e também dos estudantes,
12:39na qual sobressai
12:40desde logo
12:40um jovem aluno
12:41de direito,
12:42de nome
12:43Álvaro Cunhal.
12:45O 1º de maio
12:46de 1931,
12:47em Lisboa e no Porto,
12:48e a jornada
12:49de 29 de fevereiro
12:50de 1932,
12:52contra a redução
12:53de 1%
12:53dos salários,
12:55atingem grandes proporções
12:56e são alvo
12:57de violência policial.
13:00Ao mesmo tempo
13:01que o Partido Comunista
13:02se reorganiza,
13:03avança a fascização
13:04do Estado,
13:05tomando como modelos
13:06o fascismo
13:07de Mussolini
13:07e, mais tarde,
13:08o nazismo de Hitler.
13:10Em 1932,
13:12é constituída
13:13a Polícia de Vigilância
13:14e Defesa do Estado,
13:15PVDE,
13:16e no ano seguinte,
13:17é proclamada
13:18a Constituição Fascista.
13:20Em 1936,
13:22surgem a Legião
13:23e a Mociidade Portuguesas
13:24e abre o campo
13:25de concentração
13:26do Tarrafal.
13:27Em setembro de 1933,
13:29o Estatuto do Trabalho Nacional,
13:31semelhante
13:32à Carta del Lavoro
13:33de Mussolini,
13:34extingue os sindicatos livres
13:35e impõe
13:36um modelo corporativo,
13:38submetendo os sindicatos
13:39ao Estado
13:39e proibindo a greve.
13:42Contra a fascização
13:43dos sindicatos,
13:44é convocada
13:45a Greve Geral Insurrecional
13:46de 18 de janeiro de 1934,
13:48que mobiliza
13:50as diferentes tendências
13:51no seio do movimento.
13:51A Comissão Intersindical
13:54de Influência Comunista
13:55participa
13:56numa alargada
13:57coligação
13:57que integra também
13:58a Confederação-Geral
13:59do Trabalho,
14:00a Narco-Sindicalista,
14:02a Federação
14:02das Associações Operárias
14:04de Orientação Socialista
14:05e os sindicatos autónomos.
14:07Em vários pontos
14:08do país,
14:09verificam-se greves,
14:11manifestações,
14:12sabotagens
14:12e confrontos
14:13com as forças repressivas.
14:15Na Marinha Grande,
14:17onde o PCP
14:17tem forte organização,
14:19a ação assume
14:20um caráter
14:20verdadeiramente
14:21insurrecional.
14:22Durante algumas horas,
14:24a bandeira vermelha
14:25ondula
14:25na Vila Vidreira,
14:27onde é proclamado
14:28o Soviet.
14:28De madrugada,
14:30os revolucionários
14:30ocupam os passos
14:31do Conselho,
14:32os telégrafos
14:33e o quartel
14:34da GNR.
14:35A resposta é violenta.
14:36Unidades militares
14:37seguem para a Marinha Grande
14:39com artilharia,
14:40cavalaria,
14:40infantaria
14:41e aviação.
14:42A resistência operária
14:43é quebrada.
14:45Muitos são presos,
14:46outros conseguem escapar.
14:48Dois participantes
14:49no movimento revolucionário
14:51na Marinha Grande,
14:52Augusto Costa
14:52e António Guerra,
14:54são mais tarde
14:54assassinados no Tarrafal.
14:59Após o 25 de Abril,
15:00na sua primeira visita
15:01à Vila Vidreira,
15:03em janeiro de 1975,
15:05Álvaro Cunhal afirma
15:07Marinha Grande
15:08é um nome
15:08escrito a ouro
15:09na história
15:09do movimento operário
15:10português.
15:11Melhor se pode dizer,
15:12escrito com lágrimas
15:14e sangue,
15:14porque a luta
15:15dos trabalhadores
15:15da Marinha Grande
15:16ao longo de 50 anos
15:17de fascismo
15:18foi paga
15:19com pesadas perdas,
15:20com perseguições,
15:21torturas,
15:22prisões,
15:22com o assassínio
15:23e a deportação
15:24em massa
15:25de muitos
15:25dos seus melhores filhos.
15:27As tradições
15:28de luta
15:28do proletariado
15:29da Marinha Grande
15:30são inseparáveis
15:31da atividade
15:31dos comunistas.
15:35A vitória
15:36da Frente Popular
15:37em Espanha,
15:37a sublevação
15:38dos militares
15:39fascistas
15:39e a guerra
15:40que se seguiu,
15:41na qual participaram
15:42abertamente
15:43tropas alemãs
15:43e italianas,
15:45constituíram,
15:46desde agosto
15:46de 1936,
15:48temas prioritários
15:49da ação do PCP,
15:50que alertou
15:51para os riscos
15:51que uma vitória
15:52dos revoltosos
15:53teria não só
15:54em Espanha
15:54como em Portugal.
15:56Numa resolução
15:57do Secretariado
15:58emitida em fevereiro
15:59de 1937,
16:01afirma-se
16:01Uma vitória
16:03do fascismo
16:04internacional
16:04em Espanha
16:05consolidaria
16:06a posição
16:07do fascismo
16:08português
16:08e logo
16:09reforçaria
16:10a ofensiva
16:11do capital
16:12sobre as classes
16:13trabalhadoras.
16:14A vitória
16:15da República
16:16Espanhola
16:17representa,
16:17pelo contrário,
16:18uma machadada
16:19dura
16:20no fascismo
16:21internacional
16:21e um triunfo
16:23enorme
16:23para o movimento
16:24da frente popular
16:25em todo o mundo.
16:28Os comunistas
16:28portugueses
16:29entendiam a luta
16:30contra o salazarismo
16:31e o apoio
16:31ao povo espanhol
16:32como duas frentes
16:33de um combate comum.
16:35Para além da agitação
16:36e propaganda
16:37constantes,
16:38desenvolvem uma
16:38intensa ação
16:39em favor
16:40da República
16:40Espanhola.
16:41Vários militantes
16:43participam em combates
16:44ao lado das forças
16:45republicanas
16:46e antifascistas.
16:49A 8 de setembro
16:50de 1936,
16:52ao apelo
16:52da Organização
16:53Revolucionária
16:54da Armada
16:54ligada ao PCP,
16:56revoltam-se
16:57os marinheiros
16:57do Afonso de Albuquerque,
16:59Bartolomeu Dias
16:59e Dão.
17:01Na sua origem
17:02está a repressão
17:03desencadeada
17:03pela ditadura
17:04contra a influência
17:05do partido
17:06na Marinha,
17:07expressa em expulsões,
17:08transferências compulsivas
17:09e prisões.
17:11Porém,
17:12ainda os navios
17:13não tinham ultrapassado
17:14a Barra do Tejo
17:15e já a revolta
17:16era dominada
17:16pelas forças
17:17da ditadura
17:17que bombardeiam
17:19os três navios
17:19a partir das duas
17:20margens do Tejo.
17:22Morrem 12 marinheiros
17:24nos bombardeamentos
17:25e mais de 200
17:26são presos.
17:28Destes,
17:29cinco não voltariam
17:30vivos do Tarrafal.
17:33Apesar das lutas
17:34que inspirou
17:34e da intensa
17:35atividade que desenvolveu,
17:36o PCP atravessa
17:37um período difícil
17:38na segunda metade
17:39da década de 30.
17:41A repressão
17:41desfere-lhe
17:42golpes profundos.
17:44À prisão
17:45de Bento Gonçalves
17:45sucedem-se
17:47as de vários
17:47outros dirigentes.
17:49Em 1938,
17:51muitos dos principais
17:52quadros do PCP
17:53encontram-se presos,
17:55a publicação
17:56do Avante
17:56é interrompida
17:57e a atividade
17:58do partido
17:58praticamente paralisa.
18:03Consolidado no poder
18:04e vendo os seus
18:05aliados italianos
18:06e alemães
18:06a dominar
18:07quase toda a Europa,
18:08o fascismo
18:09concede uma amnistia
18:10a vários presos políticos,
18:12entre os quais
18:13Álvaro Cunhal,
18:14Militão Ribeiro,
18:15Sérgio Vilarigues,
18:16Pires Jorge,
18:17José Gregório,
18:18Pedro Soares,
18:19Manuel Guedes
18:20e Júlio Fogaça.
18:22Estes militantes,
18:24uma vez em liberdade,
18:26iniciam o processo
18:26que ficará conhecido
18:27como a reorganização
18:28de 1940-41.
18:32Para Sérgio Vilarigues,
18:34A situação do partido
18:36antes da reorganização
18:37resumia-se no facto
18:39de que ninguém
18:40acreditava nele.
18:41Todos os dirigentes
18:42do partido
18:43que estavam presos
18:43não tinham confiança
18:45nos dirigentes
18:46que estavam em liberdade,
18:47porque as prisões
18:48sucediam-se,
18:49as tipografias
18:50caíam nas mãos
18:51da polícia.
18:53Entre os objetivos
18:54centrais dos reorganizadores
18:55estão a defesa
18:56do partido,
18:57o alargamento
18:58da organização
18:59e a reedição
18:59do Avante.
19:01É implementada
19:02uma rigorosa
19:03clandestinidade
19:04e criada
19:05uma densa rede
19:06de casas
19:06e tipografias clandestinas.
19:09Os funcionários
19:10do partido
19:10são sujeitos
19:11a duras provas
19:12e intervêm
19:12em difíceis condições.
19:15Em 2001,
19:16António Dias Lourenço,
19:18também ele
19:18um ativo participante
19:19na reorganização,
19:20guardava vivas
19:21memórias desses tempos.
19:23Em 1941,
19:25fui para o Alentejo.
19:27Deram mais o Algarve,
19:28a Oveia e a Cobilhã,
19:29de bicicleta.
19:30De bicicleta.
19:31Eu era o único ciclista
19:33que fazia isto tudo.
19:35Tínhamos de fazer
19:36longos percursos.
19:37O Álvaro Cunhal,
19:38que estava no norte,
19:39às vezes vinha
19:39durante toda a noite
19:40a pedalar até Lisboa.
19:42Reunia durante o dia
19:44e ia na noite seguinte
19:45outra vez
19:46para o norte
19:46de bicicleta.
19:48A gente conhecia Portugal
19:49com a geografia
19:50das botas.
19:55Os resultados
19:56não se fazem esperar.
19:57Em breve,
19:58o PCP
19:59está disseminado
19:59pelo território nacional
20:00e tem organização
20:02nas principais
20:02zonas industriais
20:03do país.
20:05A publicação do Avante
20:06é retomada logo em agosto
20:08de 1941,
20:10mantendo-se sem interrupção
20:11até abril de 1974.
20:33A ilegalidade imposta pela ditadura
20:36não deixou ao PCP
20:37outra alternativa
20:38que não a luta clandestina.
20:39os militantes que passavam
20:42à clandestinidade
20:43dedicando-se por completo
20:44à ação revolucionária
20:45assumiam uma opção radical,
20:47profundamente transformadora
20:49das suas vidas.
20:50Cortavam com a família,
20:52assumiam identidades falsas,
20:54tinham de cumprir
20:55em todos os gestos
20:56e nos mais simples atos
20:57rígidas regras conspirativas.
21:01Uma das principais
21:02preocupações
21:03era a inserção
21:04no tecido social
21:05em que se encontrava
21:06a casa que habitavam.
21:08Quando as casas
21:09ocultavam tipografias,
21:11tudo se tornava
21:12mais difícil.
21:14As histórias de vidas
21:15inventadas
21:16continham elementos
21:17que procuravam
21:18justificar a mudança
21:19para determinado local.
21:20A rotina diária,
21:22as ausências,
21:23as visitas.
21:24Tínhamos que estar
21:25alertas para saber,
21:26perguntar,
21:27arranjar uma maneira
21:28de falar com as pessoas
21:30para não saberem
21:31o que é que a gente queria.
21:36e muitas vezes
21:38aconteceu,
21:39houve uma vez
21:42que eu entrei
21:45numa casa,
21:46no mesmo dia
21:46que entrei
21:47numa casa
21:48entrou um casal
21:49da PIDE,
21:50ele era da PIDE,
21:51era mesmo,
21:53e eu falando
21:54com a mulher dele,
21:56falando com a mulher dele,
21:59porque eu achava
22:00muito esquisito
22:01os horários dele,
22:02e não sei o quê,
22:04e falei com a mulher dele
22:06e ele,
22:07ela,
22:09ai, olha,
22:10o meu marido
22:12é da polícia,
22:14da polícia do Estado,
22:17não sei se a senhora sabe
22:18e tal,
22:19ah, pensei.
22:21Fui para casa
22:22e fui logo dizer
22:24o que era.
22:25A seguir,
22:26quando eu contei isto
22:27e disse isto
22:28que estava ali,
22:29o camarada foi-se logo embora,
22:30fiquei eu
22:34a tapar,
22:35a tapar,
22:36a ver se,
22:37pois eu vou,
22:39já há dois ou três dias,
22:40foi quando ela teve a ser,
22:41ah, o seu marido
22:42não, não, não,
22:44não,
22:44o seu marido
22:45não está cá,
22:46o seu marido não,
22:47e disse assim,
22:48não, o meu marido,
22:48como já disse à senhora,
22:50o meu marido
22:50tem trabalho fora,
22:52portanto,
22:53não está,
22:53só vem de vez em quando
22:55porque tem trabalho fora,
22:56e nós temos que,
22:58ah, pronto, pronto,
22:59está bem,
22:59nessa altura
23:00eu já tinha o meu Zé,
23:04e eu digo assim,
23:06bom,
23:07lá andei calmamente
23:09a arranjar as coisas
23:10e os camaradas,
23:12e depois,
23:12a certa altura,
23:14fui-me embora,
23:16assim,
23:17sem,
23:18sem,
23:19deixei tudo,
23:19praticamente,
23:20sem grandes explicações,
23:21sem grandes explicações,
23:22deixei tudo em casa,
23:23deixei tudo,
23:24e fui-me embora,
23:25e depois os camaradas,
23:27mais tarde,
23:28já bastante mais tarde,
23:29é que,
23:30mas eu tive que me ir embora
23:31porque ela disse,
23:32ah,
23:32é uma marido da polícia,
23:34a polícia política,
23:36não sei se a senhora sabe,
23:38e a senhora que sabia muito bem.
23:42Neste esforço de passar despercebido,
23:44as mulheres assumem um papel determinante.
23:47Era a elas que cabia no fundamental
23:49a defesa das casas clandestinas,
23:50a manutenção da normalidade possível,
23:53a construção de relações de confiança com a vizinhança.
23:56Por elas passava ainda,
23:58em grande medida,
23:59a avaliação dos riscos de vigilância policial.
24:03O domínio de códigos,
24:05senhas e vias de comunicação alternativas
24:07faziam parte das regras conspirativas
24:10que todos os clandestinos tinham de seguir.
24:13No que respeita às casas,
24:14a eventual presença de um perigo
24:16era sinalizada através de pedras,
24:18da posição dos cortinados
24:20ou da colocação de pequenos objetos
24:22perto da porta ou das janelas.
24:25Sofia Ferreira,
24:26que esteve vários anos na clandestinidade,
24:28recorda.
24:30Não entrávamos em casa
24:31sem saber se estava tudo em ordem.
24:33Ou o camarada, ou a camarada.
24:35Vinha ao meu encontro,
24:37ou ia lá por um sinalzinho
24:39num sítio qualquer,
24:40num sítio lá escondido,
24:41que a gente combinava.
24:43Eu ia lá,
24:44via o sinalzinho
24:45e já sabia que podia entrar.
24:50Não eram só os riscos de se ser preso
24:52que tornava difícil a vida clandestina.
24:55Em 1965,
24:57referindo-se às tipografias,
24:59o dirigente do PCP,
25:00Joaquim Gomes, questionava.
25:02Quem pode imaginar
25:03quantas dificuldades é necessário vencer
25:06para montar, aumentar e manter
25:09uma tipografia
25:10nas condições de clandestinidade?
25:13Quem pode imaginar
25:15quantos olhos e nervos
25:16têm sido gastos
25:18em dias e noites seguidas
25:20a juntar letras
25:21que nem sempre a escola
25:23ajudou a conhecer?
25:26Particularmente dura
25:27era a separação dos filhos,
25:28habitual a partir de uma certa idade.
25:31Como lembra Sérgio Vilaríguez,
25:33tínhamos de mandar os nossos filhos
25:35para a escola
25:35com o coração a sangrar
25:36porque eram perigosos,
25:38falavam muito.
25:40A partir daí,
25:41encontros só organizados
25:42pela direção do partido.
25:43Eu passei por quase todas
25:44as prisões existentes no país
25:46e, apesar dos trabalhos forçados
25:48e das febres,
25:49foi para mim muito mais duro
25:50os 32 anos seguidos
25:51de clandestinidade.
25:53O partido reorganizado
25:55mostra-se capaz
25:56de dirigir grandes lutas operárias,
25:58num momento marcado
25:59pelo agravamento
26:00das condições de vida
26:01das classes populares.
26:03Ainda em 1941,
26:05há greves na Covilhã
26:06e lutas estudantis
26:08e no ano seguinte
26:09protestos camponeses
26:10contra o envio de géneros
26:11para a Alemanha
26:12e uma grande vaga de greves
26:13em Lisboa e arredores.
26:16Em julho-agosto de 1943,
26:19o movimento grevista
26:20atinge grandes proporções.
26:2250 mil trabalhadores,
26:24a quase totalidade
26:25dos operários de Lisboa
26:26e da Margem Sul,
26:27participam no movimento,
26:29em que as células do PCP
26:30desempenham um papel central.
26:34No início de maio de 1944,
26:36o Secretariado
26:37do Comitê Central do PCP
26:39lança um comunicado
26:40apelando à greve
26:41por pão e géneros.
26:44Heroicos trabalhadores
26:45da região de Lisboa,
26:46à greve,
26:48na manhã de dia 8,
26:50apresentei as vossas
26:51reivindicações ao patronato,
26:53paralisai o trabalho,
26:55em seguida,
26:56fazei manifestações de rua
26:57pelo pão e géneros.
26:59Trabalhadores do campo,
27:01na manhã do dia 8,
27:03tocai os chines a rabate,
27:05parai o trabalho,
27:06juntai-vos todos,
27:08marchai sobre as vilas
27:09em grandes marchas de fome.
27:13Dezenas de milhares de operários
27:15e camponeses da região de Lisboa
27:16e Baixo Ribatejo
27:17participam no protesto.
27:19Há greves no Cimentos Tejo,
27:21na fábrica de louça de Sacavém,
27:23na Cuf e na Covina.
27:25Em muitas localidades,
27:26há marchas da fome.
27:28Centenas de manifestantes
27:29são presos e despedidos.
27:31Mas o governo aumenta
27:32a quantidade de pão racionado
27:34e muitas empresas
27:35sobem os salários.
27:37Analisando a jornada,
27:38um dos organizadores,
27:39Alfredo Diniz,
27:40conhecido por Alex,
27:41conclui.
27:42O fascismo tremeu.
27:44Ao mesmo tempo
27:45que orientava a luta popular,
27:47o PCP assume um papel
27:48determinante
27:49na construção
27:50do Movimento de Unidade Nacional
27:51Antifascista,
27:52o MUNAF,
27:53que congrega comunistas,
27:55socialistas,
27:56republicanos,
27:57católicos
27:58e monárquicos.
28:00Os intelectuais comunistas
28:02contribuem para a luta
28:03antifascista
28:04na resistência clandestina,
28:05mas também com a sua arte,
28:06onde os operários
28:08e os camponeses
28:08são, pela primeira vez,
28:10protagonistas.
28:11Nasce o neorrealismo,
28:13corrente estética
28:14de resistência
28:15e intervenção,
28:16onde,
28:16entre muitos outros,
28:18sobressaem
28:18Soeiro Pereira Gomes,
28:20Alves Redol,
28:21Carlos de Oliveira,
28:22Fernando Namora
28:23e Júlio Pomar.
28:26Apesar da incessante repressão
28:27que lhe provoca
28:28importantes baixas,
28:30o PCP resiste
28:31e, em 1943,
28:33organiza,
28:33no Monte Estoril,
28:34o seu terceiro congresso,
28:36o primeiro na clandestinidade.
28:39Álvaro Cunhal
28:40apresenta o relatório político,
28:41demonstrando as suas
28:42imensas capacidades
28:43de liderança.
28:46O fim da Segunda Guerra Mundial
28:48e a derrota
28:49do nazifascismo
28:50trazem esperança
28:51às forças democráticas.
28:54Em maio de 1945,
28:56nas Jornadas da Vitória,
28:58milhares saem às ruas
28:59com bandeiras dos aliados
29:00e paus-nus,
29:01simbolizando a proibida
29:03bandeira soviética.
29:07A ditadura abala
29:08e promete mudanças.
29:09Surge o Movimento
29:10de Unidade Democrática,
29:12que ganha apoios
29:13e proporções tais
29:14que lhe é possível,
29:15pela primeira vez
29:15em quase 20 anos,
29:17reclamar eleições livres.
29:19O MUD manteve
29:20por algum tempo
29:21o estatuto
29:21do movimento legal
29:22e a participação
29:23de comunistas
29:24favoreceu uma maior ligação
29:26entre o PCP
29:26e as massas.
29:28Pouco depois
29:29nasce o MUD juvenil,
29:31que segundo o seu dirigente,
29:32Otávio Pato,
29:33chega a reunir
29:3420 mil jovens.
29:36Nele são formados
29:37muitos dos militantes
29:38que se tornaram,
29:39depois,
29:39dirigentes históricos
29:40do partido
29:40e dos movimentos
29:41de libertação
29:42das colónias africanas.
29:46Ao mesmo tempo
29:47que era forçada
29:48a aceitar uma atividade
29:48legal às forças democráticas,
29:50a ditadura mantém
29:51apertada à vigilância
29:53e não abranda à repressão.
29:55Logo em julho de 1945,
29:57Alex,
29:58membro do Comitê Central
29:59do PCP,
30:00é assassinado pela PIDE
30:01numa emboscada
30:02em Bucelas.
30:05É neste ambiente
30:06de aberta contestação
30:07ao fascismo
30:07que em 1946
30:09tem lugar
30:10o 4º Congresso,
30:11na Lausanne,
30:13em que o PCP
30:13chega com 6 vezes
30:14mais militantes
30:15do que em 1943
30:17e 5 vezes mais
30:18organizações locais.
30:21A tiragem do Avante
30:22quadriplicara.
30:24No relatório
30:25de Álvaro Cunhal,
30:26clarifica-se
30:26a via para o derrubamento
30:28do fascismo.
30:29Uma vez que o governo
30:30fascista se agarra
30:31desesperadamente ao poder,
30:33uma vez que responde
30:34pela violência
30:35às mais modestas
30:36reclamações populares,
30:38uma vez que não dá
30:39qualquer possibilidade
30:40ao povo português
30:41de escolher
30:41liberamente o seu destino,
30:43uma vez que qualquer
30:44saída pacífica
30:45para a democracia
30:46é prejudicada
30:47e impedida
30:47pelo governo fascista,
30:49só resta uma saída
30:50ao povo português.
30:51o levantamento
30:52em massa
30:53contra o domínio
30:53fascista
30:54em surreição nacional.
30:56Em 1947,
30:58no mesmo ano
30:59em que a greve
30:59da construção naval
31:00mobiliza milhares
31:01de operários,
31:02Cunhal desloca-se
31:03à União Soviética
31:04para retomar
31:05a ligação do PCP
31:06ao movimento comunista
31:07internacional,
31:08interrompida
31:09uma década antes.
31:12Com o começo
31:13da Guerra Fria,
31:14a unidade antifascista
31:15abre brechas.
31:17Britânicos
31:17e norte-americanos
31:18reabilitam
31:19o fascismo português,
31:20colocando-o
31:21entre os fundadores
31:22da NATO.
31:23Salazar aposta
31:24no isolamento
31:25do PCP
31:25e faz promessas
31:27que nunca cumpre
31:28aos setores
31:28da oposição
31:29que repudiassem
31:30os comunistas.
31:33Em 1949,
31:35a manifestação
31:36de ampla unidade
31:37contra o fascismo
31:38é a campanha
31:39presidencial
31:39de Norton de Matos,
31:41que desiste
31:41da sua candidatura
31:42por não terem sido
31:43atendidas
31:44as suas exigências
31:45de liberdade
31:46de propaganda,
31:47alteração da lei eleitoral
31:48e fim da censura.
31:50Por todo o país
31:51desenvolve-se
31:52uma intensa agitação
31:53e grandes ações
31:54de massas.
31:57Nesse mesmo ano
31:58são presos
31:58dois destacados quadros,
32:00Álvaro Cunhal
32:01e Militão Ribeiro.
32:02Dois dos quatro
32:03membros do secretariado
32:04são presos no Luso,
32:05juntamente com
32:06Sofia Ferreira.
32:07A década seguinte
32:08viria a ser
32:09um tempo de chumbo.
32:11O ano de 1950
32:12começa de modo
32:13trágico para o PCP.
32:14A dois de janeiro,
32:16Militão Ribeiro
32:17morre na penitenciária
32:18de Lisboa,
32:19doente,
32:19privado da necessária
32:20assistência
32:21e vítima de maus tratos.
32:24O sobrinho,
32:25vendo o seu cadáver,
32:26lembra-se dos prisioneiros
32:27de Auschwitz.
32:28Pesava 38 quilos.
32:31Nas cartas
32:32que envia ao partido,
32:33uma das quais
32:33escritas com o seu próprio sangue,
32:35Militão Ribeiro
32:36declara.
32:37Tenho sofrido
32:38o que um ser humano
32:38pode sofrer.
32:40Nem sei como
32:41tenho tido forças
32:42para tanto.
32:43Mesmo quase já cadáver,
32:45ainda fui esbofeteado
32:47por um agente.
32:48Dores,
32:49insónias,
32:50agonias,
32:51tudo tenho sofrido
32:52nestes sete meses.
32:54Quase sempre na cama,
32:56sem me perder
32:56quase mexer.
32:58Sei que venceremos.
32:59Desde sempre,
33:01mantive a disposição
33:02de dar a vida
33:03pelo partido
33:04em todas as circunstâncias.
33:07Assim como a dor
33:08de uma forma horrível
33:10e cheia de sofrimento,
33:12que a minha morte
33:13traga novos
33:14combatentes à luta.
33:16Dias depois,
33:17é assassinado
33:17José Moreira.
33:19Membro do Comitê Central,
33:20era o responsável
33:21pelas tipografias clandestinas
33:22que a ditadura queria
33:23a todo o custo desmantelar.
33:25Recusando-se a revelar
33:26a sua localização,
33:28é espancado até à morte
33:29e lançado do terceiro andar
33:31da sede da PIDE.
33:34No mês de maio,
33:36Álvaro Cunhal
33:36defende-se
33:37e ao PCP
33:38perante o Tribunal Plenário
33:40e transforma o seu julgamento
33:41numa viamente denúncia
33:42da ditadura fascista.
33:45Condenado,
33:46passará toda a década
33:47na prisão,
33:48durante vários anos
33:49sem ver ninguém
33:50para além dos carcereiros.
33:52É o preso
33:53mais valioso de Salazar.
33:54No longo
33:55e duro cativeiro,
33:57Cunhal desenha
33:57e escreve.
33:59São desta altura
34:00o romance
34:00Até a Manhã Camaradas,
34:02publicado após a Revolução,
34:03sob o pseudónimo
34:04de Manuel Tiago,
34:05e os desenhos da prisão.
34:30Principal força de oposição ao fascismo,
34:32o PCP é o alvo privilegiado
34:34da repressão,
34:35que é constante e generalizada.
34:37São comunistas
34:38a maioria dos presos,
34:40os que cumprem
34:40as mais longas penas
34:42e sofrem
34:42as mais duras torturas.
34:44Quando presos,
34:45são sujeitos
34:46a violências constantes,
34:47a tortura da estátua
34:48e do sono,
34:49os espancamentos,
34:51os castigos
34:51e os trabalhos forçados,
34:53os longos períodos
34:54de isolamento.
34:55A alimentação deficiente
34:56e a falta de assistência médica
34:58também fazem vítimas,
34:59e não poucos foram
35:00pura e simplesmente
35:01abatidos a tiro.
35:03Mas é a resistência
35:04e não o sofrimento
35:05que marca a relação
35:06dos comunistas
35:07com as forças repressivas.
35:08São muitos os que,
35:10face às mais violentas torturas,
35:12se recusam a prestar declarações,
35:14pagando alguns
35:15tal ousadia
35:15com a vida.
35:16A brochura
35:18Se fores preso, camarada,
35:19orienta a postura
35:20dos comunistas
35:21face à polícia.
35:23Se fores preso, camarada,
35:25recairá sobre ti
35:26uma grande responsabilidade.
35:28Terás de continuar
35:30defendendo
35:30o teu partido,
35:32os teus camaradas,
35:33o teu ideal,
35:35mas em condições
35:36muito diferentes,
35:38pois que te encontrarás
35:40isolado
35:40nas mãos do inimigo,
35:42sujeito aos seus insultos
35:44e às suas violências.
35:48Na prisão,
35:49há quem aprenda
35:50a ler e a escrever,
35:52estude matemática
35:52ou línguas estrangeiras,
35:54matérias relacionadas
35:55por outros prisioneiros.
35:57As contribuições familiares
35:59são reunidas
36:00num fundo único
36:01e distribuídas
36:02de modo igualitário.
36:04Iludem a vigilância
36:05e editam
36:06os seus próprios jornais.
36:08Rejeitam maus tratos
36:09e lutam
36:10por condições dignas.
36:12Muitos evadem-se
36:13para continuar
36:13a resistência no exterior.
36:15Todas as fugas
36:17e foram várias
36:17revelam coragem,
36:19criatividade
36:19e organização.
36:21Apesar das condições adversas,
36:23não cessam as lutas
36:24e a ação
36:25do movimento antifascista.
36:27Desfeito o MUNAF
36:28e ilegalizado o MUD,
36:29o PCP empenha-se
36:30na criação
36:31do movimento nacional-democrático,
36:33politicamente mais restrito
36:35e na continuidade
36:36do MUD juvenil.
36:37Num período histórico
36:38marcado pela tensão nuclear,
36:40inspira ainda
36:41a criação
36:42do movimento nacional
36:42de defesa da paz,
36:44que se manifesta
36:44pela proibição
36:45da arma atómica
36:46e contra a participação
36:48de Portugal na NATO.
36:49As lutas sociais
36:50prosseguem nos anos 50,
36:52protagonizadas sobretudo
36:53pelas massas rurais
36:54do Alentejo,
36:55que reivindicam melhores salários
36:57e condições de vida.
36:58Nesta luta,
36:59as mulheres assumem
37:00um papel determinante.
37:02Em maio de 1954,
37:04no decorrer
37:05de um protesto
37:05por aumentos salariais,
37:07a jovem comunista
37:08Catarina Eufémia
37:08é assassinada
37:09a tiro pela GNR,
37:10tornando-se um símbolo
37:12da luta
37:12do proletariado agrícola
37:13contra o latifúndio.
37:14Chamava-se Catarina,
37:17o Alentejo
37:19havia nascer.
37:22Chamava-se Catarina,
37:24o Alentejo
37:25havia nascer.
37:28Serral,
37:29nas vinau nem vida,
37:31o Alentejo
37:32havia morrer.
37:34Serral,
37:35nas vinau nem vida,
37:40Balazão
37:41havia morrer.
37:55Balazão
37:56havia morrer.
38:11A nível internacional,
38:20em meados da década de 50,
38:22o movimento comunista
38:23vive grandes convulsões,
38:24decorrentes do 20º Congresso
38:26do Partido Comunista
38:27da União Soviética.
38:29No PCP,
38:30a principal consequência
38:31é a consagração
38:32no 5º Congresso,
38:33no ano seguinte,
38:35da tese da solução pacífica
38:36para o problema político português,
38:38que retoma e desenvolve
38:39a política de transição
38:40derrotada no Congresso anterior.
38:43Defendidas,
38:44uma vez mais,
38:44por Júlio Fogaça,
38:45que integra então
38:46o secretariado,
38:47estas teses apontam
38:48para a desagregação automática
38:50da ditadura
38:51e para a possibilidade
38:52de transição pacífica
38:53para a democracia.
38:55Nos anos 60,
38:57após uma ampla discussão
38:58no partido,
38:59a solução pacífica
39:00será considerada
39:01um desvio de direita
39:02e afastada.
39:04O 5º Congresso
39:05destaca-se também
39:06por ter consagrado
39:07inequivocamente
39:08o direito dos povos
39:09das então colónias portuguesas
39:11à imediata
39:12e completa independência.
39:14Há muito que a questão colonial
39:15assumia uma relevante
39:16preponderância
39:17na ação do PCP.
39:18Em 1953,
39:21no Festival Mundial
39:22da Juventude
39:23e dos Estudantes,
39:24realizado em Bucareste,
39:25na Roménia,
39:26jovens oriundos
39:27das colónias
39:27desfilam autonomamente
39:29em representação
39:30dos seus países.
39:33Em 1958,
39:35o PCP participa
39:37na grande mobilização
39:37popular
39:38em torno das eleições
39:39para a presidência
39:40da República,
39:41apoiando
39:41Arlindo Vicente
39:42e depois
39:43Humberto Delgado,
39:44na sequência
39:45da desistência
39:46do primeiro
39:46em favor deste.
39:48A grande mobilização
39:50em apoio
39:50ao General Sem Medo
39:51leva o regime
39:52a reconhecer-lhe
39:53quase 25%
39:54dos votos,
39:55mas a fraude
39:56é consumada
39:57e por todos
39:58percebida.
39:59Nos meses seguintes,
40:01há manifestações
40:02em todo o país
40:02contra a burla eleitoral.
40:05A fraude eleitoral
40:06e a posterior
40:07vaga repressiva
40:08abalam as ilusões
40:09legalistas
40:10que então se verificavam
40:11tanto fora
40:12como dentro
40:13do partido.
40:14O início
40:15da nova década
40:16é difícil
40:16para a ditadura.
40:18A 3 de janeiro
40:19de 1960
40:20evadem-se de peniche
40:2110 destacados
40:22militantes do PCP,
40:24entre os quais
40:24Álvaro Cunhal.
40:26O partido
40:27inicia uma nova
40:28viragem na sua
40:28orientação política,
40:30consumada na reunião
40:31histórica do Comitê Central
40:32de março
40:33de 1961.
40:35A crítica
40:35da solução pacífica
40:36conduz
40:37a formulações
40:38políticas fundamentais
40:39da história
40:39do PCP
40:40e do movimento
40:41comunista.
40:42São criticados
40:43e corrigidos
40:44o desvio
40:44de direita,
40:45as ilusões
40:46legalistas,
40:47constitucionais
40:47e golpistas
40:48e a tendência
40:49anarcoliberal
40:50no trabalho
40:50de direção
40:51e restauradas
40:52medidas conspirativas
40:53mais rigorosas.
40:56A resolução
40:58aprovada
40:58nessa reunião,
40:59intitulada
41:00A via para o derrubamento
41:01da ditadura
41:01fascista
41:02e para a conquista
41:03das liberdades
41:04políticas,
41:05repôs a linha
41:06do levantamento
41:06nacional antifascista.
41:08Álvaro Cunhal
41:09é eleito
41:10secretário-geral
41:11do PCP,
41:11o primeiro
41:12desde a morte
41:13de Bento Gonçalves
41:14quase 20 anos antes.
41:17Ao mesmo tempo,
41:18foram combatidas
41:19tendências
41:19doutrinais
41:20influenciadas
41:21pela cisão
41:21no movimento
41:22comunista internacional,
41:23provocada
41:24pelos dirigentes
41:24chineses,
41:25consideradas
41:26dogmáticas,
41:27secretárias
41:27e esquerdistas.
41:49Filho adotivo
41:50do proletariado,
41:51como um dia
41:52se designou,
41:53Álvaro Cunhal
41:54foi um destacado
41:54dirigente do PCP
41:55e o seu principal
41:56teórico.
41:58Abraça,
41:58ainda jovem,
41:59o ideal
42:00e o projeto
42:00comunistas,
42:01enquanto estudante
42:02de direito
42:03e rapidamente
42:04se torna
42:04dirigente
42:05das juventudes
42:05comunistas.
42:07Está preso
42:08quando apresenta
42:08a sua tese
42:09de licenciatura
42:10sobre a despenalização
42:11do aborto.
42:13O participante
42:14ativo
42:14da reorganização
42:15de 1940-41
42:17ascende ao secretariado
42:18em 1942.
42:20Apresenta
42:21os principais relatórios
42:22ao terceiro,
42:23quarto e sexto
42:24congressos do partido.
42:26Escreve
42:26importantes obras
42:27teóricas,
42:28o Rumo à Vitória,
42:29a Revolução Portuguesa,
42:30o Passado e o Futuro,
42:31o Partido com Pareiros de Vidro.
42:34Preso várias vezes,
42:36passa 12 anos
42:37encarcerado,
42:38muitos dos quais
42:38totalmente isolado.
42:41Nesse tempo,
42:42aproveita para estudar,
42:43escrever e pintar.
43:06Salvo-me o trabalho,
43:08dirá mais tarde.
43:09Perante a tortura,
43:10não fala.
43:13secretário-geral,
43:14entre 1961
43:15e 1992,
43:17encabeça a direção
43:18do partido
43:19na derradeira fase
43:20da luta clandestina,
43:21na Revolução de Abril
43:22e na resistência
43:23à contra-revolução.
43:25A sua coerência
43:26e combatividade
43:26fazem dele
43:27um respeitado
43:28político português.
43:30O seu funeral,
43:31em junho de 2005,
43:33foi o maior
43:33alguma vez realizado
43:34em Portugal.
43:35Centenas de milhares
43:36de pessoas,
43:37muitas não comunistas,
43:38acompanham o cortejo
43:40entre o Centro de Trabalho
43:41Vitória
43:41e o Cemitério
43:42do Alto de São João,
43:43onde é cremado.
43:45Nesse dia,
43:46é divulgada
43:47a sua última vontade.
43:49A todos desejo
43:50que vida fora
43:52realizem os seus sonhos.
44:00A renovada força
44:01organizativa
44:02do principal opositor
44:03do Estado Novo
44:04não foi o único problema
44:06da ditadura
44:07no virar da década.
44:08O desvio do navio
44:09Santa Maria
44:10e a Revolta de Beja
44:11revelam fissuras crescentes.
44:14Mas é a partir
44:15de 4 de fevereiro
44:16de 1961
44:17que o fascismo português
44:19entra numa nova fase,
44:20para si dramática.
44:22Em resposta
44:23à repressão
44:23sobre trabalhadores angolanos,
44:25o Movimento Popular
44:26para a Libertação
44:27de Angola,
44:27MPLA,
44:28ataca uma prisão
44:30em Luanda.
44:31A reação
44:32da ditadura
44:32é a guerra colonial
44:33que em breve
44:34se trava
44:35em três frentes.
44:36Para além de Angola,
44:38também na Guiné
44:38e em Moçambique.
44:40Crescentemente acussado,
44:41o regime
44:42reage como sabe.
44:43No fim do ano,
44:45José Dias Coelho
44:46é assassinado pela PIDE
44:47numa rua de Alcântara
44:48em Lisboa,
44:48que hoje tem o seu nome.
44:51Reconhecido artista plástico
44:53era a muito funcionária
44:54do PCP,
44:55primeiro na falsificação
44:56de documentos
44:57e na produção
44:57de gravuras
44:58para a imprensa clandestina,
44:59depois assegurando
45:01a ligação
45:01aos intelectuais.
45:02A morte saiu
45:04à rua
45:05num dia assim
45:08Naquele lugar
45:09sem nome
45:10para qualquer fim
45:13Uma gota rubra
45:15sobre a calçada cá
45:18E um rio de sangue
45:21do peito
45:22aberto do sal
45:24O vento que dá
45:26nas canas
45:27do canavial
45:29E a foice
45:31de uma
45:31sem-feira
45:32de Portugal
45:35E o som
45:36da bincorna
45:37como um clarim
45:38do céu
45:41Vão dizendo
45:42em toda a parte
45:43o pintor morrer
45:53Em 1962
45:55a luta de massas
45:56atinge um ponto
45:57extraordinariamente alto.
45:59No Alentejo
46:00os operários agrícolas
46:01conquistam a jornada
46:02de oito horas
46:03na sequência
46:04de um amplo trabalho
46:05organizativo do PCP.
46:08Domingo
46:08todos para a praça
46:10e todos pedimos
46:12as oito horas
46:13aos patrões
46:14se eles não
46:15as derem
46:16a gente não vai trabalhar
46:17E assim foi
46:20E então
46:21chegou-se o dia
46:22domingo
46:22nós mulheres
46:24tínhamos as coisinhas
46:25para fazer
46:27e às seis da tarde
46:29é que podíamos
46:30ir para a praça
46:30de Jorna
46:32Pois ali
46:33era até
46:34até à meia-noite
46:35que os gaiatinhos
46:36com os filhos
46:37aqui ao colo
46:38outras vezes ali
46:39assentadinhos no chão
46:41e ali
46:41a puxar
46:42a puxar
46:42mas eles não
46:43não
46:44isso é que a gente
46:44não dá
46:45isso é que a gente
46:45não dá
46:45e ali
46:46estivemos
46:46até mar
46:47até à meia-noite
46:48ninguém as deu
46:50ninguém as deu
46:52no meio da malta
46:54uns por uns
46:55falámos
46:56eles não as deram
46:58amanhã
46:59às dez horas
47:00aqui para a praça
47:01e assim foi
47:02no dia de segunda-feira
47:05às dez horas
47:06da manhã
47:06tudo na praça
47:08onde os patrões
47:10chegavam
47:10pois foi numa altura
47:11que a gente escolheu
47:12o arroz
47:13estava cheizinho
47:15de erva
47:15e as mãos
47:16é que a tinham
47:17que tirar
47:17não havia
47:19pesticidas
47:19como há hoje
47:20e estava mesmo
47:22na força
47:23mesmo na força
47:24da erva
47:25e então
47:26quando é que vocês
47:28pensam em trabalhar
47:29temos que ir trabalhar
47:30e a gente respondia
47:32cada um
47:32cada grupo
47:33não é
47:33cada grupo
47:34tinha o seu padrão
47:35você dá
47:36às oito horas
47:37nós vamos trabalhar
47:40chegou-se
47:41meio-dia
47:42até que
47:43a partir de
47:44uma hora
47:45duas horas da tarde
47:46houve alguns patrões
47:48os primeiros
47:48deram às oito horas
47:50o rancho
47:51das mulheres
47:52e homens
47:52começaram a partir
47:53para o trabalho
47:54aqueles que estavam
47:55teimosos
47:56que não as queriam dar
47:57os trabalhadores
47:59ficaram ali
48:00quando foi
48:02cinco
48:03seis horas
48:03da tarde
48:04os trabalhadores
48:06do costo
48:07tinham conquistado
48:08as oito horas
48:09as poderosas
48:10manifestações
48:10do primeiro de maio
48:11de 1962
48:12com milhares
48:13de pessoas
48:13em desfile
48:14nas ruas de Lisboa
48:15e em bates
48:16com a polícia
48:16pela noite dentro
48:17constituem um marco
48:19nas celebrações
48:19do dia do trabalhador
48:20e da própria oposição
48:21ao fascismo
48:23no mesmo ano
48:24a crise académica
48:25revela uma nova
48:26força social
48:27as massas estudantis
48:28que contestam
48:30a atitude do governo
48:30contra a liberdade
48:31associativa
48:34ainda em 1962
48:35o PCP consegue
48:37uma importante conquista
48:38do ponto de vista
48:39da agitação
48:39e da propaganda
48:40a Rádio Portugal Livre
48:42inicia as suas emissões
48:43a partir da Roménia
48:44ao longo de 12 anos
48:46foi a voz oficial
48:47do PCP em Portugal
48:48nas suas emissões
48:50eram lidos
48:50artigos do Avante
48:51e do militante
48:52fornecidas informações
48:53sobre a guerra colonial
48:54a repressão
48:55e as conquistas
48:56da oposição
48:57e divulgadas
48:58as orientações
48:59do PCP
48:59através desta emissora
49:02ouve-se pela primeira vez
49:03os hinos do partido
49:04como Avante Camarada
49:05na voz de Luís Abasto
49:07filha de tipógrafos clandestinos
49:09que viveu e colaborou
49:10no trabalho
49:10de uma tipografia clandestina
49:12a viver desde muito jovem
49:13na União Soviética
49:25É desta altura
49:27também a Constituição
49:27da Frente Patriótica
49:29de Libertação Nacional
49:30FPLN
49:31nova expressão
49:32da unidade
49:33entre o PCP
49:33e outras forças
49:34da oposição
49:35como o movimento
49:36de ação revolucionária
49:38ou a ação socialista
49:39portuguesa
49:41Paralelamente
49:41surgem no interior
49:42do partido
49:43tendências de cariz
49:44esquerdista
49:45encabeçadas por
49:46Francisco Martins Rodrigues
49:47um dos 10 fugitivos
49:48de Peniche
49:49que estarão na base
49:50da criação
49:51do Comitê Marxista-Leninista
49:52Português
49:53e da Frente de Ação Popular
49:54Em 1965
49:57o PCP realiza em Kiev
49:59na então União Soviética
50:01o seu 6º Congresso
50:02o último na clandestinidade
50:04A estratégia
50:05e a tática aprovadas
50:06culminam e confirmam
50:07o processo de elaboração teórica
50:09iniciado após a fuga de Peniche
50:11e desenvolvido na obra
50:12de Álvaro Cunhal
50:13Rumo à Vitória
50:16Definindo o fascismo português
50:18como a ditadura terrorista
50:19dos monopólios
50:20associados ao imperialismo
50:21e dos latifundiários
50:23o programa do PCP
50:24aprovado no 6º Congresso
50:26aponta ao derruba
50:27da ditadura
50:28e do poder económico
50:29que o sustenta
50:31da mesma forma
50:32que assume
50:32não ser suficiente
50:33pôr fim
50:33às guerras coloniais
50:35pois era o próprio
50:36colonialismo
50:36que tinha de ser derrotado
50:38confirmando a via
50:40insurrecional
50:41de massas
50:41para derrubar o fascismo
50:42o Congresso
50:43define a revolução portuguesa
50:44como uma revolução democrática
50:46e nacional
50:47de natureza
50:48antimonopolista
50:49antilatifundista
50:50e antiimperialista
50:53Nestes anos
50:54surgem novos
50:55agrupamentos políticos
50:56que se reivindicavam
50:57de um marxismo-leninismo
50:58pertençamento puro
50:59apologistas
51:00da luta armada
51:01da ação direta
51:02da revolução socialista
51:04imediata
51:05Álvaro Cunhal
51:06dedica a este fenómeno
51:07o radicalismo
51:08pequeno-oburguês
51:09de fachada socialista
51:10onde reafirma
51:11a validade
51:12do programa do PCP
51:15A segunda metade
51:16da década de 60
51:17e os primeiros anos
51:18da seguinte
51:19são marcados
51:20pela intensificação
51:21da luta
51:21em vários setores
51:23São desta altura
51:24a greve da Mala
51:25na Carris
51:26a greve dos pescadores
51:27de Matosinhos
51:28as lutas dos ferroviários
51:30as greves na TAP
51:31na Lignave
51:32na CUF
51:34Em outubro de 1970
51:36é criada a Intersindical
51:37a partir de várias
51:39direções sindicais
51:40dirigidas por listas unitárias
51:41A estratégia sindical
51:43prosseguida pelos comunistas
51:44desde 1943
51:46tinha finalmente
51:47mais de duas décadas depois
51:49o seu corolário
51:52Os protestos estudantis
51:54de 1969
51:55iniciados nas universidades
51:57estendem-se aos liceus
51:58e às escolas técnicas
52:00Os camponeses
52:02reivindicam
52:02a posse dos baldios
52:03A oposição
52:05à guerra colonial
52:06alarga-se
52:07e expressa-se
52:07de modo aberto
52:08o que aliado
52:09às sucessivas derrotas
52:10no campo de batalha
52:11provoca fissuras
52:13no seio
52:13das próprias
52:14forças armadas
52:17Afastado do governo
52:18em 1968
52:19Salazar é substituído
52:21por Marcelo Caetano
52:22que pretende limpar
52:23a face de um regime
52:24cada vez mais isolado
52:25e contestado
52:26prometendo abertura
52:28A primavera marcelista
52:30é denunciada pelo PCP
52:31como o salazarismo
52:33sem Salazar
52:35Em outubro de 1970
52:37surge a ação revolucionária
52:38armada
52:39criada pelo PCP
52:40e dirigida pelo seu dirigente
52:42Jaime Serra
52:43Deve-se à ARA
52:45a imobilização do navio
52:47CUNEN
52:47que seguia para Angola
52:48com armamento
52:49o corte das comunicações
52:50durante uma reunião
52:51da NATO em Lisboa
52:52e a operação
52:53curto-circuito
52:54que derrubando
52:55postos de alta tensão
52:56deixou o país às escuras
52:58a destruição de dezenas
52:59de helicópteros
53:00e aviões
53:00na base de tancos
53:01Tudo aquilo
53:03que estava ali dentro
53:05as aeronaves
53:06que tinham
53:07levado uma carga
53:08e as que não tinham
53:09foi tudo danificado
53:11e muito danificado
53:13Houve aeronaves
53:14que não tiveram já
53:15é proveito nenhum
53:16e aquilo
53:17que não foi
53:18danificado
53:19pelas cargas explosivas
53:21foi depois
53:24vítima do incêndio
53:27que as cargas incendiárias
53:28provocaram
53:29porque uma das coisas
53:31que aconteceu
53:32foi que os depósitos
53:33que estavam com
53:35os postos dos aviões
53:37que estavam cheios
53:38para a cerimónia
53:39da manhã seguinte
53:40foram apanhados
53:41não só pela explosão
53:43de cargas próximas
53:44como pelo fogo
53:46das cargas incendiárias
53:49e portanto
53:50deu um incêndio
53:52bastante maior
53:53do que daria
53:56se fosse
53:56se não tivesse
53:58se não houvesse
53:59esse depósito
54:00de combustível
54:01das próprias aeronaves
54:03e até se fosse
54:05em campo aberto
54:06porque a dispersão
54:07das forças
54:08seria outra
54:09Bom, quando isto aconteceu
54:11já não estávamos muito longe
54:13Também o movimento democrático
54:15ganha amplitude
54:15Os congressos de Aveiro
54:17e as comissões democráticas
54:18eleitorais
54:19travam a luta
54:20no plano legal
54:22Depois de
54:22em março de 1971
54:25assinalar
54:25o seu 50º aniversário
54:27em todo o país
54:27hasteando bandeiras
54:29pintando inscrições
54:30em muros e paredes
54:31editando um número
54:32especial do Avante
54:33e lançando
54:34uma campanha
54:34de recrutamento
54:35o PCP reúne
54:37o Comitê Central
54:37em julho de 1973
54:39que apela
54:40ao lançamento
54:41de uma grande ofensiva
54:42contra o fascismo
54:43No final desse ano
54:45e no início do seguinte
54:46dá-se uma forte vaga
54:47de greves
54:49Em março de 1974
54:51a Comissão Executiva
54:53do PCP
54:53proclama
54:54pôr fim às guerras
54:56coloniais
54:56e conquistar
54:57as liberdades políticas
54:58é uma exigência nacional
55:00Em abril de 1974
55:02os títulos
55:03de primeira página
55:04do Avante
55:04são premonitórios
55:05Não dar tréguas
55:07ao fascismo
55:08e aliar
55:08à luta antifascista
55:09os patriotas
55:10das Forças Armadas
55:12A 25 de abril
55:14de 1974
55:15o governo
55:16de Marcelo Caetano
55:17é deposto
55:17pelo golpe
55:18do Movimento
55:18das Forças Armadas
55:19a que se seguiram
55:20o levantamento militar
55:21e o popular
55:23iniciava-se a revolução
55:24E aí
55:40A CIDADE NO BRASIL
56:23CIDADE NO BRASIL
56:54CIDADE NO BRASIL
56:59CIDADE NO BRASIL
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