- há 5 horas
A história do mais antigo partido político ainda em atividade numa minissérie documental de 2 episódios
Nascido em 1921, nos conturbados tempos da Primeira República, cedo o PCP se viu forçado a resistir na clandestinidade, na sequência do golpe militar de 28 de maio de 1926 e da ditadura que se lhe seguiu. Ao longo de 48 anos, o PCP foi a força que de modo mais constante e ativo combateu a ditadura, sendo por isso alvo privilegiado da repressão. Organizou protestos e greves, dinamizou plataformas de oposição unitárias, apoiou a luta de libertação dos povos coloniais. A sua ação influiu diretamente no processo histórico que desembocou no 25 de Abril de 1974.
Com a revolução, o PCP adapta rapidamente a sua organização e atividade às novas condições sociais e políticas, transformando-se em pouco tempo num partido com muitos milhares de membros. Assumiu um papel preponderante no processo revolucionário, particularmente na consagração de medidas como a reforma agrária e as nacionalizações. A queda da União Soviética, contudo, marcou o seu trajeto, dando origens a significativas dissensões internas. Não obstante, o Partido manteve a sua natureza e doutrina até aos dias de hoje.
Nascido em 1921, nos conturbados tempos da Primeira República, cedo o PCP se viu forçado a resistir na clandestinidade, na sequência do golpe militar de 28 de maio de 1926 e da ditadura que se lhe seguiu. Ao longo de 48 anos, o PCP foi a força que de modo mais constante e ativo combateu a ditadura, sendo por isso alvo privilegiado da repressão. Organizou protestos e greves, dinamizou plataformas de oposição unitárias, apoiou a luta de libertação dos povos coloniais. A sua ação influiu diretamente no processo histórico que desembocou no 25 de Abril de 1974.
Com a revolução, o PCP adapta rapidamente a sua organização e atividade às novas condições sociais e políticas, transformando-se em pouco tempo num partido com muitos milhares de membros. Assumiu um papel preponderante no processo revolucionário, particularmente na consagração de medidas como a reforma agrária e as nacionalizações. A queda da União Soviética, contudo, marcou o seu trajeto, dando origens a significativas dissensões internas. Não obstante, o Partido manteve a sua natureza e doutrina até aos dias de hoje.
Categoria
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AprendizadoTranscrição
00:12Música
00:40Música
01:07A 25 de Abril de 1974 é derrubada a ditadura.
01:12Inicia-se a Revolução Portuguesa.
01:15Música
01:31Foi no quadro do levantamento popular que se seguiu ao levantamento militar
01:35que o Partido Comunista Português assumiu um papel determinante como ator social no processo revolucionário.
01:41No próprio dia 25, a Comissão Executiva do Comitê Central do PCP, que se encontrava reunida no Porto,
01:48emite um comunicado em que manifesta a disponibilidade dos comunistas
01:51para colaborar com outras forças políticas e sociais para pôr fim ao fascismo e instaurar a democracia.
01:59Portugueses e portuguesas, o governo de Marcelo Caetano foi derrubado.
02:03Que todo o povo se une e lute para que o fascismo seja liquidado para sempre
02:07e sejam instauradas as liberdades democráticas.
02:10Para que cesse imediatamente a guerra colonial e acabe o colonialismo.
02:13Para que Portugal se liberte dos monopólios e do imperialismo estrangeiro.
02:21No dia seguinte, num novo comunicado, o PCP manifesta as suas preocupações e alerta.
02:26O governo foi deposto, mas o regime fascista ainda não foi completamente destruído.
02:32Continuam de pé muitas das suas instituições e instrumentos.
02:35As liberdades não foram ainda instauradas.
02:38Existe o perigo de um contra-golpe dos elementos mais reacionários.
02:42É urgente, por um lado, a liquidação do Estado fascista e dos ninhos e forças de conspiração contra-relacionária.
02:48E, por outro lado, a participação das forças democráticas e das massas populares
02:53na vida política e na obra de renovação necessária e possível no momento presente.
03:01A 30 de Abril, Álvaro Cunhal regressa a Portugal, sendo recebido por uma multidão no aeroporto de Lisboa.
03:12A 30 de Abril, Álvaro Cunhal regressa a Portugal, sendo recebido por uma multidão no aeroporto de Lisboa.
03:22A 30 de Abril, Álvaro Cunhal regressa a Portugal, sendo recebido por uma multidão no aeroporto de Lisboa.
03:39A 30 de Abril, Álvaro Cunhal, a sua alegria, o seu contentamento e, primeiro que tudo,
03:51o abraço da Rádio Divisão Portuguesa ao seu regresso ao Sol Pátrio, de onde saiu desde 1960.
03:56O que é que sente neste momento de regressa a Portugal?
03:58Confiança. Confiança em que o nosso povo, em aliança com os militares de 25 de Abril,
04:06conduzirão o nosso país pelo caminho da liberdade, da democracia e da paz.
04:17Neste momento, o futuro do nosso país está na mão de todos os portugueses
04:23que desejam pôr definitivamente fim aos restos do fascismo,
04:28e assegurar ao nosso povo a independência, a paz e a liberdade.
04:33Qual a sua maior preocupação neste momento?
04:36A maior preocupação é que não tenhamos a força bastante para nos sabermos unir,
04:44para sabermos unir o movimento das Forças Armadas e o movimento popular
04:50e tornar impossível o regresso ao nosso país dos métodos, dos processos
04:56que tiranizaram o nosso povo durante mais de quase 50 anos.
04:59Tem algum conselho especial a endereçar aqui aos elementos do Partido Comunista?
05:03Eu não tenho conselhos.
05:05Eu faço parte de um partido que se rege por princípios democráticos
05:08e em que as decisões são coletivas.
05:10Aí, discursando do topo de um carro de combate, o secretário-geral do PCP faz apelo à unidade.
05:16O momento exige que se reforce na ação diária a unidade da classe operária,
05:20a unidade das massas populares, força motora das grandes transformações sociais,
05:24que se alargue e reforce na ação diária a unidade de todos os democratas e patriotas
05:29e se desenvolva impetuosamente a sua força organizada,
05:32que se reforce a aliança, a cooperação, a solidariedade recíproca
05:36entre as massas populares e os oficiais,
05:39sergentos, soldados e marinheiros de sentimentos democráticos e liberais.
06:02A impressionante jornada do 1º, 1º de maio em Liberdade
06:05confirma a capacidade de mobilização da Intersindical Nacional,
06:09na qual os comunistas, em resultado da sua ação na frente sindical
06:12ao longo de décadas, tinham destacado influência.
06:16As manifestações convocadas pela Intersindical
06:18são as maiores alguma vez realizadas em Portugal.
06:22Em Lisboa, Álvaro Cunhal, que regressara nas vésperas de Paris,
06:26dirige-se à multidão.
06:35Camaradas, se alguém queria saber quais eram os sentimentos,
06:42qual é a vontade, quais são os objetivos do nosso povo,
06:47hoje, este dia, deu a resposta.
06:56Unidade dos trabalhadores, unidade do povo, unidade dos comunistas e socialistas,
07:03unidade com os católicos e liberais,
07:06a frente unitária que vem do tempo do fascismo,
07:09unidade com todos, sem exceções,
07:11que nesta hora decisiva para o futuro de Portugal,
07:14querem lutar e querem lutar unidos
07:18e não dividir, e não provocar, e não desagregar
07:22a unidade de todos aqueles que querem lutar unidos
07:26para assegurar ao nosso povo
07:28um futuro de democracia, de paz e de independência nacional.
07:56A mobilização popular expressa na manifestação do 1º de maio em liberdade
08:00é demonstrativa do papel das massas
08:03e da sua decisiva intervenção
08:04para o novo rumo do processo revolucionário.
08:07Ainda no mês de maio de 1974,
08:10é instituído o salário mínimo nacional,
08:12que abrange mais de 50% dos trabalhadores,
08:14e nos meses sucessivos,
08:16graças aos contratos coletivos,
08:18os trabalhadores conquistam importantes direitos
08:20como a redução da jornada de trabalho.
08:24A conjuntura revolucionária lança novos desafios
08:26à organização do PCP, construída na clandestinidade.
08:30Em outubro de 1974,
08:33o PCP realiza o seu sétimo congresso extraordinário,
08:36que aprova alterações aos estatutos e programa do partido,
08:39incluindo neste uma plataforma de emergência,
08:42apontando três direções capitais da luta
08:44pela instauração de um regime democrático.
08:46O reforço do Estado democrático e a defesa das liberdades,
08:50a defesa da estabilidade económica e financeira
08:52com vista ao desenvolvimento,
08:54e o prosseguimento da descolonização.
08:59Tratando-se de um congresso extraordinário,
09:01da sua ordem de trabalhos não fazia parte
09:03a eleição de novos órgãos de direção do partido.
09:05No entanto, foi dada a conhecer pela primeira vez
09:08a composição do Comitê Central.
09:10Compunham-no 36 membros, efetivos e suplentes,
09:13que no seu todo expressavam a base social
09:16e a história de resistência antifascista do PCP.
09:2075% eram operários ou empregados
09:22e no total passaram 755 anos na clandestinidade
09:26e 308 nos cárceres fascistas.
09:32O partido passa rapidamente de uma organização
09:34essencialmente de quadros para um partido de massas.
09:37Em 7 de outubro de 1974,
09:40estavam inscritos no PCP cerca de 30 mil comunistas,
09:43número que rapidamente subiria nos meses sucessivos,
09:46atingindo no fim do ano os 100 mil inscritos.
09:50Sobe também o número das organizações comunistas,
09:52atingindo 6 mil em maio de 1975.
09:56Nos anos que se seguiram à Revolução,
09:58os comunistas empenharam-se na mobilização popular,
10:01procurando impor transformações económicas,
10:03sociais e culturais,
10:05tais como a nacionalização dos principais setores económicos,
10:08a criação de uma rede de importantes serviços públicos
10:11para a concretização das funções sociais do Estado
10:13ou aquela que designou de a mais bela conquista da Revolução,
10:17a reforma agrária.
10:31Segundo, ainda hoje, o programa do PCP,
10:34A conquista e instauração das liberdades,
10:37dos direitos dos cidadãos
10:38e de um regime de democracia política foi,
10:40no processo da Revolução Portuguesa,
10:42inseparável da liquidação do poder económico e político,
10:46dos grupos monopolistas e dos latifundiados,
10:49através das nacionalizações e da reforma agrária
10:51e das outras reformas das estruturas socioeconómicas,
10:55do fim da guerra colonial
10:56e do reconhecimento dos direitos dos povos
10:59das colónias portuguesas à independência.
11:01Perante a conspiração, a sabotagem
11:03e as tentativas de golpes de força
11:05de setores reacionários
11:07apoiados pelos grandes capitalistas,
11:09pelos agrários e pelo imperialismo estrangeiro,
11:11as grandes reformas estruturais
11:13foram, além do mais, necessárias
11:15para a defesa das liberdades
11:17e da democracia nascente.
11:21O PCP participa nos governos provisórios
11:24e desempenha um papel essencial
11:26na organização e unidade dos movimentos operário e popular,
11:30pugnando pelo avanço do processo revolucionário
11:32através das nacionalizações,
11:34da reforma agrária e do controle operário.
11:37Impunha-se, na perspectiva dos comunistas,
11:39a liquidação dos monopólios e dos latifúndios,
11:42considerados os suportes essenciais do fascismo
11:45e os beneficiários de um modelo de desenvolvimento assente
11:48na sobreexploração da mão de obra,
11:50refletido em baixos salários
11:51e péssimas condições de vida e trabalho.
11:54Em novembro de 1974,
11:57é publicada a primeira lei sobre o uso da terra,
11:59peça fundamental nas conquistas
12:01dos assalariados rurais do Alentejo e do Ribatejo,
12:04sob o lema da luta,
12:05a terra a quem a trabalha.
12:08Ao comemorar o 40º aniversário da reforma agrária,
12:12o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa,
12:14num comício comemorativo em Évora,
12:16sublinha a importância das lutas dos trabalhadores
12:18na conquista da reforma agrária.
12:20A assinalar o 40º aniversário da reforma agrária,
12:24momento marcante da história do nosso país,
12:27em que os assalariados agrícolas do Alentejo e do Ribatejo,
12:31levando por diante as conclusões
12:33da primeira Conferência dos Trabalhadores Agrícolas do Sul,
12:37avançaram audaciosamente
12:38no caminho da construção concreta da reforma agrária
12:42e da garantia do trabalho,
12:44da produção e do pão
12:46de que o povo e o país necessitavam.
12:49Avançaram para transformar o Alentejo das terras incultas,
12:53das charnecas, dos pouzeus,
12:55do gado raro e miserável,
12:57do baixo rendimento das culturas,
12:59do desemprego,
13:00da miséria e da fome,
13:02para fazer do Alentejo,
13:03com o apoio do Estado Democrático,
13:05uma terra de progresso para todos.
13:07Em determinada altura,
13:10eu comecei a sentir também que no Alentejo,
13:12enfim,
13:13o documento dos nove também se...
13:14Eu também a subscrevo por isso
13:16que a reforma agrária no Alentejo
13:18estava a descambar completamente,
13:19porque eu o que achava era
13:21que as ocupações terras
13:22deviam corresponder à legislação
13:24que tinha sido aprovada em governo,
13:26eram as leis 704, 706, 75,
13:32do Oliveira Batista,
13:34só que as ocupações estavam desembestadas
13:37e ultrapassavam completamente o limite.
13:40E eu sentia que nós íamos perder a mão naquilo.
13:44E eu, no Conselho de Revolução,
13:45fazia sentir,
13:47e fazia sentiram vários cruzados, etc.,
13:48que era preciso atalhar aquilo,
13:51pôr mão naquilo,
13:52porque senão íamos perder tudo,
13:53como acabámos de perder mais tarde.
13:55E o Fabião,
13:57que era chefe de Estado do meu exército,
13:59entrou à altura,
14:00diz-me assim,
14:01olha lá,
14:03era capaz de ser útil
14:05uma conversa entre ti e o Alvaro Cunhal?
14:07Eu dizia,
14:08eu acho que era capaz de ser muito útil.
14:10É a primeira vez que eu falei com o Alvaro Cunhal.
14:13O Fabião não assistiu,
14:15tivemos só os dois.
14:16Eu falei,
14:17e conversar,
14:17e eu sensibilizei,
14:18tentei sensibilizar o Alvaro Cunhal.
14:20Dizia,
14:20doutora,
14:20Alvaro Cunhal,
14:21vocês,
14:21o Partido Comunista,
14:22têm, de facto,
14:24uma hegemonia grande do Alentejo.
14:26Vocês, praticamente,
14:28enfim,
14:28não são todas
14:29de iniciativa
14:30de militantes
14:31do Partido Comunista,
14:32mas os grandes militantes
14:34da ocupação das terras
14:35são ligadas
14:36ao Partido Comunista.
14:38E eu gostava de o alertar
14:39que aquilo vai estar
14:41tudo inserido
14:43porque está-se a tornar
14:44incontrolável.
14:45E,
14:46corremos,
14:46inclusive,
14:47talvez,
14:47que já tinha havido
14:48alguns casos
14:48de reações a tiro
14:50dos proprietários
14:53das idades
14:54e eu posso,
14:56às tantas,
14:57ter de ser obrigado
14:57a intervir com o militar.
14:59E depois,
15:00de que lado é que eu estou?
15:02Bom,
15:03e o Alvaro Cunhal
15:04compreendeu.
15:05E o Alvaro Cunhal
15:06diz-me assim,
15:06olha,
15:08você vai ser procurado
15:09lá no Alentejo
15:11por um camarada meu,
15:13que é um homem
15:14com muita influência
15:14ali no meio agrícola
15:16e que vai falar consigo.
15:18Diz-me,
15:18o doutor,
15:19encantado da vida.
15:20E as coisas vão-se compor,
15:22diz-me,
15:22encantado da vida.
15:23E assim,
15:24passados dois dias,
15:25eu recebo
15:25um telefonema
15:27de um homem
15:29de Alpiarça,
15:29Alpiarça era na altura,
15:31era um conselho
15:32em que 70 e tal por cento
15:34votavam pêssepina.
15:35Era um homem caro-espilhão
15:37que eu não conhecia,
15:37que foi ao Partido de Jornal,
15:38foi falar comigo
15:39e disse,
15:40olha,
15:40venha enfocar,
15:41conversa que eu tive
15:42com o meu camarada Alvaro Cunhal,
15:42disse,
15:43eu disse,
15:44o senhor,
15:44na altura,
15:45o senhor Brigadeiro,
15:46o senhor Brigadeiro,
15:47nós vamos exercer aqui
15:49a nossa influência
15:50no sentido de procurar
15:52moderar aqui,
15:53nós queremos que a forma agrária
15:54avance,
15:55mas vamos tentar realmente
15:57que haja aqui alguma
15:58alguma ordem nisto
16:00e tentar
16:02moderar
16:02os excessos
16:03que estão a passar.
16:04A verdade é que
16:05dali para o futuro
16:06eu passei a ter
16:07uma vida muito mais tranquila.
16:08As coisas passaram a correr
16:09muito melhor
16:10e inclusivamente
16:11foi a partir daí
16:12que das tais manifestações
16:13hostis,
16:14eu lembro-me
16:16porque depois
16:17vinham-me dizer,
16:18também havia lá
16:19havia lá pessoas
16:20no meio da manifestação
16:21que depois me vinham contar
16:22o que é que se passava
16:23e depois vinham-me dizer,
16:24olha,
16:25os tipos do PCP
16:26andaram ali pelo meio
16:27a convencer as quebradas
16:28a enrolar os cartazes
16:30mais agressivos.
16:31Isto, enfim,
16:33foi um período
16:34extremamente intenso.
16:35Exatamente.
16:36Foi um período
16:36muito intenso.
16:37E está a escravar.
16:53a defesa das suas conquistas
16:55é o seu objetivo
16:56político central.
17:00Álvaro Cunhal
17:01sublinhava que
17:02a dinâmica capitalista,
17:03sendo ainda dominante,
17:04já não era determinante
17:06na sociedade portuguesa.
17:35A Constituição da República Portuguesa,
17:38aprovada e de imediato
17:39promulgada pelo presidente
17:40Francisco da Costa Gomes
17:42a 2 de abril de 1976,
17:44consagrava a irreversibilidade
17:47das conquistas revolucionárias
17:48e apontava o socialismo
17:50como horizonte.
17:53Travar o avanço da revolução
17:54e suster a influência
17:55dos comunistas
17:56e outras correntes de esquerda
17:57nas esferas política,
17:58civil e militar
17:59foram os objetivos centrais
18:01de um processo
18:02dito contra-revolucionário
18:03que se manifestou
18:04em três levantamentos armados,
18:05os golpes de Palma Carlos,
18:07de 28 de setembro
18:08e de 11 de março,
18:10e outras ações violentas,
18:11nomeadamente
18:12contra o Partido Comunista.
18:14No seu livro
18:15Quando Portugal Ardeu,
18:16o jornalista Miguel Carvalho
18:18descreve a ação bombista
18:19durante o chamado verão quente
18:20que visou, sobretudo,
18:21o PCP.
18:23Num dos muitos ataques
18:24ocorridos durante esse ano
18:26às sedes do partido,
18:27foi morto o militante comunista
18:29José Martins da Costa Lima.
18:30Muitos outros ficaram feridos,
18:32alguns com gravidade.
18:39O golpe de 25 de novembro de 1975
18:42marca a derrota da esquerda militar
18:44e a dissolução efetiva
18:46do movimento das Forças Armadas.
18:48Segundo Álvaro Cunhal,
18:50O 25 de novembro não liquidou o processo
18:53ainda então em curso
18:55de configuração do regime democrático
18:57a instaurar e a institucionalizar.
19:00Criou, entretanto,
19:01uma nova correlação de forças
19:03que abriu caminho mais fácil
19:04à formação de governos
19:06com uma política contra-revolucionária.
19:08O Partido Comunista
19:09também tem uma influência decisiva
19:11no 25 de novembro.
19:12Decisiva?
19:12Absolutamente.
19:13Decisiva.
19:13Claro.
19:14Decisiva.
19:14Absolutamente decisiva.
19:15Com a recolhão,
19:16entretanto, na altura,
19:16diz,
19:17os seus camaradas,
19:18querem que o país
19:19se lance numa guerra civil?
19:20Não querem, então recuem.
19:24Pronto.
19:24Eu sei isto,
19:26sei isto de fonte segura.
19:28Porque o PCP
19:30estava na origem
19:31da saída dos paraquedistas
19:32de hoje,
19:33sei de fonte segura.
19:35Só que não era para derrubar
19:37o poder,
19:38nem para derrubar o governo.
19:39Era apenas com uma intenção
19:42substituir
19:43a hierarquia da força aérea
19:45e que bem precisava.
19:49E que bem precisava.
19:50O chefe de Estado-Maior,
19:51Moraes Silva e Copinha,
19:52e que bem precisava.
19:52Porque, substituindo
19:54a hierarquia da força aérea,
19:56talvez conseguisse também
19:57corrigir um pouco
19:58a correlação de forças
19:59dentro do Conselho da Revolução.
20:01Mas isto era o único.
20:02Só que,
20:03depois o 25º do governo
20:03ultrapassou.
20:05E quando o Alvaro Gunhal
20:06tem a percepção
20:08de que aquilo podia
20:11desembocar numa guerra civil,
20:13ele diz aos seus camaradas,
20:15camaradas,
20:16vocês querem lançar Portugal
20:18numa guerra civil?
20:19Ah, não.
20:20Então,
20:21travem isso e recuem.
20:22E a gente clara com.
20:23Foi bonita a festa, pá.
20:28Fiquei contente,
20:30ainda aguardo,
20:32renitente,
20:33um velho cravo para mim.
20:37Já murcharam tua festa, pá.
20:41Mas certamente,
20:43esqueceram uma semente
20:46em algum canto de jardim.
20:49Sei que a léguas
20:51há nos separar
20:52tanto mar,
20:55tanto mar.
20:56Sei também quanto é preciso, pá.
20:59Navegar, navegar,
21:03canta a primavera, pá.
21:06Cá estou carente,
21:08cá estou carente,
21:08manda novamente
21:10algum cheirinho
21:11de alegrim.
21:13Estou-me a fazer sinais,
21:14eu não sei se posso continuar.
21:15Talvez seja melhor
21:16explicar aos ouvintes
21:17que eu não posso continuar
21:19a falar por razões técnicas,
21:20é isso?
21:22Não posso continuar
21:23a falar por razões técnicas.
21:24Eu continuo daqui a pouco,
21:26não poderá ser.
21:28Eu estava aqui a ser,
21:29a minha intervenção
21:30estava a ser aqui
21:31perturbada
21:32pelos sinais dos técnicos.
21:33Eu acho que devemos
21:34entrar em casa das pessoas,
21:35naturalmente.
21:36Não é verdade?
21:37Perturbada no sentido
21:38de inocidação, talvez.
21:39Exatamente,
21:39porque tecnicamente
21:41eu não posso continuar
21:41a falar
21:42e eu continuaria
21:43porque estava
21:44a desenvolver este tema
21:45e até para explicar melhor
21:46qual é a nossa posição
21:47e o que é que nos trouxe aqui.
21:49Está certo?
21:53Canta a primavera,
21:55pá,
21:55cá estou carente,
21:57manda novamente
21:58algum cheirinho
21:59de alegrim.
22:17É com a formação
22:18do primeiro governo
22:19constitucional do PS,
22:21sozinho,
22:21mas de facto,
22:22aliado à direita,
22:23que a contra-revolução
22:24se institucionaliza.
22:26Com o apoio do PSD
22:27e CDS,
22:28o governo de Mário Soares
22:30iria,
22:30nas palavras do próprio,
22:31meter o socialismo
22:32na gaveta.
22:34Nas empresas
22:35sob intervenção
22:36do Estado,
22:36são crescentes
22:37os obstáculos
22:38ao controle operário
22:39e à gestão
22:39dos trabalhadores,
22:40conquistas da revolução
22:41que se tinham revelado
22:42fundamentais para
22:43travar sabotagens,
22:45defender postos
22:45de trabalho
22:46e garantir
22:47a viabilidade
22:47de muitas dessas empresas.
22:49A Lei Barreto
22:50é considerada pelo PCP
22:52um poderoso golpe
22:53contra a reforma agrária.
22:55Outro marco
22:56legislativo
22:56deste processo
22:57é a primeira revisão
22:58constitucional
22:59em 1982
23:00e as que se seguiram.
23:02A influência eleitoral
23:03do PCP
23:04foi sempre bem menor
23:05que a sua influência
23:06e prestígio social.
23:07Em 1975,
23:09nas eleições
23:10para a Assembleia Constituinte,
23:11o partido
23:12atinge 12,5%,
23:14elegendo 30 deputados
23:15e, nas várias eleições
23:17legislativas,
23:18mantém forte representatividade,
23:20sobretudo na cintura
23:21industrial de Lisboa
23:22e no Alentejo.
23:23É também nestas regiões
23:25que, em dezembro de 1976,
23:27conquista a maioria
23:28das câmaras municipais.
23:36Nas sucessivas eleições
23:37presidenciais,
23:38o PCP contribuiu
23:39sempre para a solução
23:40que, a seu ver,
23:41melhor servia
23:42à defesa da democracia
23:43e das conquistas de abril.
23:44Ramalho Guianos,
23:46em 1980,
23:47contra Soares Carneiro,
23:48Mário Soares,
23:49em 1986,
23:50contra Freitas do Amaral.
23:53Para assumir esta última opção,
23:54realizou inclusivamente
23:55um congresso extraordinário,
23:57o 11º.
24:00Paralelamente
24:00ao papel decisivo
24:01que os seus militantes
24:02assumem nos sindicatos,
24:03comissões de trabalhadores
24:04e demais movimentos sociais,
24:06o PCP desenvolve
24:07uma intensa ação política.
24:09Em sucessivos congressos,
24:10conferências e encontros,
24:12apresenta propostas
24:13para, nas suas palavras,
24:15a defesa da democracia,
24:16rumo ao socialismo.
24:36Em 1985,
24:38o PSD ganha as eleições legislativas.
24:41Ainda nesse ano,
24:42Portugal assina o Tratado de Adesão à CEE,
24:44cuja entrada se concretiza
24:46a 1 de janeiro de 1986,
24:48um acontecimento desde logo
24:50criticado pelo partido,
24:51que argumenta com as consequências
24:53negativas que este processo,
24:54considerado de integração capitalista
24:56europeia,
24:57traria a Portugal
24:58e alerta para a necessidade
25:00do reforço da luta
25:01na defesa da soberania nacional.
25:04Nos anos seguintes,
25:05as sucessivas revisões constitucionais
25:07apagam as nacionalizações
25:09e a reforma agrária
25:10das páginas
25:11da lei fundamental.
25:13O decreto
25:14de revisão constitucional
25:16foi aprovado
25:17com maioria
25:19qualificada.
25:221989,
25:23o ano do fim do caminho
25:24para o socialismo.
25:25As centenas de horas de debate,
25:27um acordo entre
25:27socialistas e sociais-democratas
25:29e a Constituição portuguesa
25:30é revista pela segunda vez.
25:32Transição para o socialismo,
25:33sociedade sem classes,
25:34a reforma agrária,
25:35conquistas irreversíveis.
25:3615 anos depois do 25 de abril,
25:38as pressões que saem
25:40da lei fundamental do país.
25:42Quando o PCP realiza
25:43o seu 12º Congresso,
25:44em 1988,
25:4613 dos 22 bancos comerciais
25:48tinham sido já privatizados
25:49e 290 UCPs e cooperativas
25:52tinham sido desmanteladas.
25:56Os militantes comunistas
25:57são chamados então
25:58a debater e aprovar
25:59um novo programa.
26:01Da tribuna do Palácio de Cristal,
26:02no Porto,
26:03o secretário-geral do PCP,
26:05Álvaro Cunhal,
26:05afirma.
26:06O programa para a revolução antifexista,
26:09o programa de revolução democrática
26:10e nacional,
26:11estava desatualizado
26:12e ultrapassado
26:13pelos acontecimentos.
26:15A revolução provocou alterações
26:17profundas e radicais
26:18nas estruturas socioeconómicas
26:20e praticamente
26:21em todas as áreas
26:22da sociedade portuguesa.
26:24Depois,
26:24nos últimos 12 anos,
26:26avançou um processo
26:27contra-revolucionário,
26:28destruindo pouco a pouco
26:29as conquistas de abril,
26:31sem, entretanto,
26:32ter conseguido ainda
26:33o seu objetivo estratégico,
26:35da restauração do capitalismo monopolista
26:37de Estado.
26:50O novo programa
26:51considera a revolução de abril
26:52como uma revolução inacabada,
26:54mas insiste na perenidade
26:56dos seus valores.
26:57Aponta como objetivo intermédio
26:59uma democracia avançada,
27:00simultaneamente política,
27:02económica,
27:02social e cultural,
27:04e reafirma o valor intrínseco
27:06da soberania nacional.
27:07No final dos anos 80,
27:09em paralelo com as derrotas
27:10do socialismo no leste da Europa,
27:12assiste-se ao aparecimento
27:13de grupos críticos
27:14no interior do PCP.
27:16Pensamos que há que atualizar
27:19algumas partes do programa,
27:24pensamos que é necessário
27:27alterar alguns pontos dos estatutos.
27:29Agora, tudo isto são propostas
27:31que nós fizemos,
27:32tal como nos competia,
27:34como dentro dos direitos
27:36que nos assistem,
27:37como membros do partido,
27:39fizemos a quem direito,
27:40isto é, fizemos
27:41à própria direcção do partido.
27:45Fazíamos propostas concretas,
27:47não é?
27:48Por exemplo,
27:49a questão do voto secreto,
27:50por exemplo,
27:51a questão do centralismo democrático,
27:56a necessidade de uma análise
28:00objetiva
28:01e não passar por cima
28:03das dificuldades
28:04como se elas não existissem,
28:05ou atribuindo essas dificuldades
28:07sempre à perfidia da direita
28:10e às oscilações
28:12do Partido Socialista.
28:14Portanto, a culpa,
28:15nunca havia responsabilidades
28:18da nossa parte
28:18no Partido Comunista,
28:19era sempre de fora,
28:20e nós entendíamos
28:22que isso não nos ajudava
28:23a progredir, não é?
28:25E as coisas andaram
28:27à volta disso,
28:27mais frase,
28:29menos argumento,
28:31andavam à volta disto.
28:32Havia uma questão
28:33que, enfim,
28:34que mudava muito,
28:37que era a proximidade
28:38entre o PC e a União Soviética
28:40e a insistência do PC
28:44em louvar o mundo
28:49que estava a desmoronar-se.
28:50em promover,
28:52digamos,
28:52um mundo
28:52que estava a desaparecer.
28:55Uma coisa perfeitamente,
28:56na altura,
28:57que me parecia a mim,
28:59perfeitamente irrealista.
29:02E penso que,
29:03acho que foi por aí
29:04o essencial parque.
29:06A partir desta questão,
29:07depois,
29:08vieram outras,
29:09não é?
29:09E havia outras
29:09que se associavam,
29:11enfim,
29:11havia várias pessoas envolvidas
29:13e cada qual tem a sua ideia
29:14do que devia ser o Partido,
29:15como devia estar organizado,
29:17enfim.
29:19Mas o essencial para mim
29:21foi isto,
29:22foi o apelo,
29:23digamos,
29:23àquele mundo
29:24que literalmente
29:25era o mundo
29:26que estava a sussurrar
29:27e que não lhes podia servir
29:28de exemplo
29:29de forma nenhuma.
29:30A perestroika
29:32declarou-se,
29:33já nós estávamos
29:34nesta discussão,
29:37mas
29:39depois foi um argumento
29:40que utilizamos,
29:41porque o PCP
29:43perante a perestroika
29:45começou por ser silencioso,
29:47depois passou
29:49a ter umas reticências
29:50e finalmente
29:52passou
29:52a aplaudir
29:53entusiasticamente,
29:55mas tudo isto
29:56sem passar
29:57por nenhuma análise,
29:58por nenhuma discussão
29:59interna,
30:00foram saltos.
30:01Não houve discussão interna
30:03sobre isso?
30:03Não houve,
30:05e
30:07ao mesmo tempo
30:08que fazia
30:09este aplauso
30:10ao que se passava
30:12na União Soviética,
30:14recusava
30:15o que nós estávamos
30:16a propor
30:17em Portugal.
30:19A reestruturação
30:20interna
30:20que o PCOS,
30:21o Partido Comunista
30:22Soviético,
30:24fez
30:24sob a orientação
30:26do Gorbatchev,
30:28que passava
30:29por lhe conferir
30:30transparência,
30:31liberdade,
30:32democracia,
30:33etc.,
30:33eram essas coisas
30:34que aqui estavam
30:35a ser recusadas,
30:37recusando
30:37as nossas propostas.
30:39O recusar
30:40as nossas propostas,
30:41vamos lá ver,
30:42nós não nos passava
30:43pela cabeça
30:44que chegávamos ali,
30:45dizíamos
30:46que as nossas propostas
30:47são estas
30:47e é assim que deve ser.
30:49Não!
30:49O que nós propunhamos
30:50é que elas fossem discutidas.
30:52Portanto,
30:53em vez de serem
30:55postas de lado
30:56e dizer
30:56não,
30:56o que vamos discutir
30:58é isto
30:58que a direção
30:59do partido propõe,
31:00era que todas
31:01as propostas
31:03de todos os camaradas
31:05que as quisessem fazer
31:06pudessem ser
31:06conhecidas primeiro
31:08e discutidas depois
31:09e que o resultado
31:10dessas conclusões,
31:12que o resultado
31:12dessas discussões
31:14pudessem ser levado
31:15até ao Congresso.
31:17Mas,
31:18isso aqui
31:19foi recusado
31:21liminarmente.
31:21Não foi permitido.
31:22Não foi permitido.
31:23Quer dizer,
31:24quando o Gorbachev
31:24é eleito
31:25secretário-geral
31:25do Partido
31:26do Ministro
31:26da Universidade
31:26em 85,
31:30o que é que
31:31isso vos provocou?
31:31Ah,
31:32isso provocou
31:33sentirmos,
31:34de certa maneira,
31:35um apoio
31:35do lado de lá.
31:39Obviamente,
31:39isto não é dito assim
31:41e não era confessado,
31:43mas nós percebíamos
31:44que havia
31:44alguma coisa
31:45que estava a mudar
31:46ou, pelo menos,
31:47que nos dizia
31:49que havia que mudar.
31:50Isso,
31:51para nós,
31:52foi extremamente importante.
31:53É curioso
31:54que estas coisas
31:54não eram declaradas
31:55e não eram declaradas
31:56assim,
31:57não é?
31:57Portanto,
31:57tudo isto
31:58era subentendido.
32:00Mas,
32:00essa forma de estar,
32:02essa presença
32:03do Gorbachev
32:04foi decisiva
32:06para,
32:07não só para a minha
32:08posição
32:09e para a minha saída,
32:10mas para...
32:10Mas as críticas
32:11já vinham antes,
32:12portanto,
32:13já havia algum encontro
32:14antes disso.
32:14Sim, as críticas
32:15vinham antes.
32:16Mas isso era uma coisa
32:17que era discutida
32:17a nível das células
32:18do partido,
32:19nas reuniões do partido?
32:20Já era discutido?
32:21Já acaba por isso?
32:22Sim, sim.
32:24E havia várias
32:25opiniões divergentes?
32:26Havia várias
32:26opiniões divergentes
32:27e algumas
32:27transitoram-se
32:27na dissidência.
32:29Em muitos países
32:30da Europa,
32:31a derrota da URSS
32:32determina a transformação
32:33ou o desaparecimento
32:34de partidos comunistas,
32:35mas o caminho
32:36seguido pelo PCP
32:37foi distinto.
32:39Em maio de 1990,
32:41realiza um congresso
32:42extraordinário,
32:43o 13º.
32:44No que respeita
32:45ao autêntico
32:46terramoto
32:46que constituiu
32:47o desaparecimento
32:48do campo socialista,
32:49o PCP conclui
32:50que tal se devia
32:51à instauração
32:51de um modelo
32:52que se afastou
32:52de princípios
32:53fundamentais
32:54do projeto comunista,
32:55como a centralização
32:56do poder político,
32:57as limitações
32:58à democracia política,
32:59a direção partidária
33:00afastada dos trabalhadores
33:02e das massas populares,
33:03a fusão
33:04e confusão
33:04entre as funções
33:05do Estado
33:06e do partido,
33:07a dogmatização
33:08do marxismo-leninismo.
33:11Reconhecendo
33:11a dimensão
33:12e a gravidade
33:12dessas derrotas,
33:13rejeitou,
33:14no entanto,
33:15que pudessem
33:15pôr em causa
33:16a validade do ideal
33:17e do projeto
33:18comunistas.
33:19No manifesto
33:20aprovado
33:20nesse congresso,
33:21o PCP afirma
33:22fomos,
33:23somos
33:24e seremos
33:24comunistas.
33:28Naquela casa
33:29sempre se cultivou
33:30o respeito
33:31do outro,
33:32o respeito
33:32do outro
33:33e pelas opiniões
33:33do outro
33:34e pela forma
33:34de ser do outro.
33:35Isto é muito verdade,
33:36não é?
33:37Portanto,
33:38não estou a dizer
33:38nada que as pessoas
33:39que são no PCP
33:40e que tenham estado,
33:41enfim,
33:42em contato
33:43com os quadros
33:43centrais,
33:44não digam,
33:45não é?
33:45Há a ver
33:46esse cuidado.
33:47E devemos
33:48muito isso,
33:49penso eu,
33:49Álvaro Cunhal,
33:50não é?
33:51Com aquele
33:51suficientemente duro
33:52e não sei o quê,
33:52mas era uma pessoa
33:53que impunha
33:53um comportamento
33:54perfeitamente urbano,
33:57não é?
33:58E era só
33:59os outros.
33:59O Comitê Central
34:01reconduz
34:01Álvaro Cunhal
34:02como secretário-geral
34:03e Carlos Carvalhas
34:04é eleito
34:04secretário-geral
34:05adjunto,
34:06passando a ser
34:07o secretário-geral
34:07na sequência
34:08do congresso seguinte,
34:09o 14º,
34:10realizado em 1992.
34:37Economista,
34:38natural de São Pedro do Sul,
34:39Carlos Carvalhas
34:40aderiu ao PCP
34:41em 1969,
34:43destacando-se até
34:44ao 25 de Abril
34:45no apoio ao
34:45Movimento Sindical
34:46e Estudantil,
34:47nas Comissões Democráticas
34:48Eleitorais
34:49e no Movimento
34:50da Paz e da Solidariedade,
34:51incluindo-se
34:52entre os fundadores
34:53do Conselho Português
34:54para a Paz e a Cooperação.
34:56Foi redator e diretor
34:57do Notícias da Amadora
34:58e, ainda em 1973,
35:01fez parte da Comissão Nacional
35:03do 3º Congresso
35:04da Oposição Democrática,
35:05realizada em Aveiro.
35:07Temos cá também hoje
35:09o doutor Carlos Carvalhas,
35:10economista e diretor
35:12do jornal
35:13Notícias da Amadora.
35:14Oh, Carlos Carvalhas,
35:15você, como economista,
35:17como é que vê
35:18o panorama atualmente?
35:20A situação económica
35:22do país
35:22é muito grave.
35:23Eu estou convencido
35:24que a resolução
35:25de muitos
35:26dos problemas económicos
35:27e sociais
35:28dependem
35:29da prévia resolução
35:32dos problemas políticos.
35:35Não nos podemos esquecer,
35:36por exemplo,
35:36que até aqui,
35:37em cada 100 escudos
35:38gastos pelo Estado,
35:39de 54 escudos
35:41vão para as chamadas
35:43despesas de defesa
35:44e segurança,
35:45que são despesas
35:46improdutivas.
35:47Pois quando as bolas
35:49não são sementes
35:50e é mesmo que os canhões
35:51também não são manteiga,
35:52nem que responda
35:53à produção de trigo.
35:54São despesas
35:55improdutivas.
35:57Com a revolução,
35:59é um dos comunistas
36:00a assumir funções
36:01governativas.
36:02Secretário de Estado
36:03do Trabalho
36:03nos cinco primeiros
36:04governos provisórios
36:05fica associado
36:06a algumas
36:07das conquistas
36:07revolucionárias,
36:08precisamente as que
36:09os trabalhadores
36:10reivindicavam
36:11nas manifestações
36:11que marcaram
36:12esses tempos.
36:13Da criação
36:14do salário mínimo nacional
36:15ao aumento generalizado
36:17dos vencimentos,
36:18das férias pagas
36:19à liberdade sindical.
36:22Em 1976,
36:24no 8º Congresso
36:24do PCP,
36:25no qual Álvaro Cunhal
36:27apresenta ao seu relatório
36:28A Revolução Portuguesa,
36:29o Passado e o Futuro,
36:30é eleito para o Comitê Central,
36:32onde se manterá
36:33até 2020.
36:35A nível institucional,
36:37foi disputada
36:37à Assembleia da República,
36:39ao Parlamento Europeu
36:40e ao Conselho da Europa,
36:41onde chega a ser
36:42presidente do Grupo Comunista.
36:44Na década de 80,
36:46é uma das vozes
36:47do PCP
36:47a assumir publicamente
36:49a oposição
36:49à adesão de Portugal
36:50à Comunidade Económica Europeia.
36:53Em maio de 1990,
36:55na sequência
36:56do 13º Congresso,
36:57Carlos Carvalhas
36:58é eleito
36:58secretário-geral
36:59adjunto do partido
37:00e, em outubro,
37:02avança como candidato
37:03às eleições presidenciais
37:04perante o Mário Soares
37:05apoiado por PS e PSD.
37:07O Presidente da República
37:09deve caber um importante papel
37:11como impulsionador
37:13de grandes reformas democráticas
37:15previstas na Constituição
37:16e que têm vindo
37:18a ser paralisadas,
37:19como é o caso
37:20da regionalização,
37:22o reforço
37:22dos direitos dos cidadãos,
37:24a construção
37:24de uma administração aberta
37:26e do reforço
37:27do poder local.
37:28Nas eleições,
37:29alcança mais de 630 mil votos
37:31e 12,92%,
37:33o melhor resultado
37:34de um candidato comunista.
37:37Em finais de 1992,
37:39no 14º Congresso,
37:40intervém já
37:41como secretário-geral
37:42do PCP.
37:43Um dirigente
37:44do Partido Comunista
37:45português
37:46é um militante
37:47entre os militantes,
37:49que deve saber
37:50ouvir e tomar em conta
37:51as diversas opiniões
37:53e as preocupações
37:54que elas exprimem,
37:55que deve favorecer
37:57a formação
37:58e a promoção
37:59de novos dirigentes.
38:01Durante 12 anos,
38:03encabeça o Partido
38:04numa conjuntura difícil,
38:05marcada tanto
38:06pelos ventos
38:06internacionais desfavoráveis
38:08como pela acelerada
38:09desindustrialização
38:10que se verifica no país.
38:12Apesar de recusos eleitorais,
38:14o PCP mantém
38:14a capacidade
38:15de mobilização popular
38:16e a influência
38:17em grandes áreas
38:18do território.
38:19Em outubro de 2004,
38:21anuncia a saída
38:22de secretário-geral
38:22do Partido,
38:23consumada no final do ano,
38:24na sequência
38:25do 18º Congresso,
38:27realizado no mesmo local
38:28em que recebeu
38:28o testemunho
38:29de Álvaro Cunhal.
38:30Mantém-se no Comitê Central
38:31e, embora longe
38:32das atenções mediáticas,
38:34ativo na ação do Partido,
38:35sobretudo na área económica.
38:59Nos anos seguintes,
39:00marcados pelo refluxo
39:01do movimento comunista internacional,
39:03o PCP continua fiel
39:05à sua doutrina
39:05e identidade,
39:07celebrando os 150 anos
39:08do Manifesto do Partido Comunista
39:10e os 80 da Revolução de Outubro.
39:52No limiar do século XXI,
39:54o PCP continua a centrar
39:55a sua intervenção política
39:57na denúncia e oposição
39:58às privatizações,
39:59à precarização das relações laborais
40:01e à integração europeia.
40:04Contudo,
40:04as privatizações
40:06e a acelerada
40:06desindustrialização do país
40:08com destruição
40:09de parte importante
40:10do seu aparelho produtivo
40:11faz aumentar o desemprego
40:12e, em consequência,
40:13desaparecem muitos
40:14dos bastiões operários
40:16com forte implantação
40:17dos comunistas.
40:19É neste período
40:20que,
40:20do interior do partido
40:21e com forte amplificação mediática,
40:24se ouvem novos apelos
40:25à renovação,
40:26vindos de militantes
40:27com particular expressão pública.
40:29Em vésperas
40:30do 16º Congresso,
40:31realizado em 2000,
40:33Álvaro Cunhal alerta
40:34para os perigos
40:35de uma social democratização
40:36do PCP.
40:38Na mensagem enviada
40:39ao Congresso,
40:39no qual já não participa
40:40por razões de saúde,
40:42o líder histórico
40:43dos comunistas
40:43apela à resposta
40:44a novas realidades,
40:46reafirmando princípios
40:47e objetivos.
40:48No discurso de encerramento,
40:50o secretário-geral,
40:51Carlos Carvalhas,
40:52garante.
40:54Somos e seremos comunistas,
40:56homens, mulheres e jovens
40:57que se orgulham
40:58da sua história,
40:59mas por isso mesmo
41:00não voltados para o passado,
41:01mas para o pulsar da vida,
41:03para a evolução social,
41:04para as novas realidades,
41:06com os olhos postos no futuro.
41:08Somos e seremos comunistas,
41:10afirmando e confirmando
41:11a nossa identidade
41:12de partido comunista,
41:13mas por isso mesmo
41:14com a flexibilidade
41:15tática necessária
41:16para obter os ganhos possíveis
41:18para os trabalhadores,
41:19para o povo e para o país.
41:21Somos e seremos comunistas,
41:23por vontade do coletivo partidário
41:25e um partido
41:26com as suas fortes raízes culpares,
41:28mas por isso mesmo
41:29com a força bastante
41:30para ultrapassarmos
41:31crispações e incompreensões.
41:33Respondemos à violenta ofensiva
41:35a que estivemos sujeito
41:36nos últimos meses
41:37e com vontade,
41:39determinação e confiança,
41:40não apenas para resistir,
41:42mas para avançar
41:43e conquistar novos espaços
41:44de progresso
41:44e de justiça social.
41:47Em 2004,
41:49no 17º Congresso,
41:50há alterações profundas
41:51na direção.
41:53Jerónimo de Sousa
41:53sucede a Carlos Carvalhas
41:55como secretário-geral
41:55do partido
41:56e o Comitê Central
41:57é renovado
41:58com a entrada
41:58de vários quadros jovens
42:00que assumem
42:00grandes responsabilidades.
42:02É esta nova direção
42:04que enfrentará
42:05uma nova conjuntura
42:06económica,
42:07social e política,
42:08marcada pela crise
42:09e a intervenção externa,
42:11mas também
42:11por uma recuperação eleitoral
42:13nas eleições legislativas
42:14de fevereiro de 2005,
42:15em que a CDU
42:16recupera deputados
42:17há muito perdidos.
42:19No início do ano seguinte,
42:21a candidatura presidencial
42:22de Jerónimo de Sousa
42:23obtém 8,6%
42:25e quase meio milhão
42:26de votos.
42:48Nascido na aldeia de Pires Cocho,
42:50no concelho de Loures,
42:51onde ainda hoje vive,
42:52Jerónimo Carvalho de Sousa
42:54seguiu o destino
42:54que estava traçado
42:55aos jovens da sua condição,
42:56o trabalho desde muito jovem
42:58e a guerra colonial.
43:00É na MEC,
43:01fábrica de aparelhagem industrial,
43:03para onde vai trabalhar
43:03como afinador de máquinas
43:05com apenas 14 anos,
43:06que consolida
43:07as suas convicções.
43:08Numa entrevista à Visão,
43:10Jerónimo de Sousa
43:11recorda uma conversa
43:12marcante com o seu mestre
43:13na fábrica.
43:14Chegou ao pé de mim
43:15e perguntou
43:16quanto é que vais ganhar?
43:18Eu recebia 10 escudos
43:19por dia
43:20e pagava-me
43:20à semana de 6 dias,
43:22com os descontos
43:2357 escudos por semana.
43:25O mestre,
43:26que se chamava
43:26Manuel Soldador,
43:27disse logo,
43:28estás a ser roubado.
43:30Foi ele
43:30quem me conduziu
43:31para a leitura
43:32do Soeiro,
43:32do Redol,
43:33e também me emprestou
43:34um livro
43:35que me marcou,
43:35A Mãe,
43:36de Gorky.
43:39A consciência desenvolvida
43:41na fábrica
43:42e nos livros
43:42soma-se
43:43à intensa vida associativa,
43:44enquanto dirigente
43:45de uma coletividade local
43:46e membro ativo
43:48dos grupos de cultura
43:48e de teatro,
43:49interrompida
43:50entre 1969 e 1971
43:53pelo serviço militar
43:54cumprido na mais dura
43:55das frentes
43:56das guerras coloniais,
43:57a Guiné.
44:00De regresso à fábrica,
44:02envolve-se mais profundamente
44:03na atividade sindical,
44:04primeiro como delegado
44:05na MEC e mais tarde
44:06como dirigente
44:07do Sindicato dos Metalúrgicos,
44:09preenchendo a vaga
44:10deixada por mais
44:10uma onda de prisões.
44:12A Revolução de 25 de Abril
44:14de 1974
44:15muda radicalmente
44:16a vida do jovem Jerónimo,
44:18como a do país.
44:19Nas primeiras eleições,
44:21para a Assembleia Constituinte,
44:22figura entre os candidatos
44:23comunistas.
44:24Ao manifestar dúvidas
44:25acerca das suas capacidades
44:27para ser deputado,
44:28ouve do histórico
44:29José Magro.
44:31Tu estás habituado
44:32a falar para plenários
44:33de mil trabalhadores
44:34e levá-los todos atrás
44:35de ti.
44:35Sabes defender os teus direitos,
44:37os direitos do trabalho,
44:38o direito à greve,
44:39a contratação coletiva.
44:40Precisas de algum professor
44:41para te ensinar isso?
44:42É a mesma coisa.
44:44Eleito nessa ocasião,
44:45recordava-te deste modo
44:46em 2019,
44:48numa entrevista
44:48ao Jornal Público.
44:49O meu trabalho
44:50centrou-se no trabalho
44:51da Comissão de Assuntos Especiais.
44:53Não dominava conceitos jurídicos,
44:54não sabia fazer uma lei,
44:55mas sabia o que era
44:57fazer uma greve,
44:58ser despedido
44:58sem justa causa
44:59por motivos político-ideológicos,
45:01vir do Sindicato dos Metalúrgicos
45:03e da Comissão de Trabalhadores
45:04da Empresa
45:05e falar de liberdade sindical
45:06e dos direitos
45:07do valor
45:08da contratação coletiva
45:09e do combate
45:10à discriminação salarial
45:11das merges.
45:12Tudo isto reconhecido
45:13e consagrado
45:13na Constituição
45:14no seu capítulo
45:15mais nobre
45:16dos direitos,
45:17liberdades e garantias.
45:19Deputado em várias legislaturas,
45:21foi eleito
45:22para o Comitê Central
45:22em 1979,
45:24no 9º Congresso,
45:26ascendendo
45:26à Comissão Política
45:27em 1992.
45:29É o nome
45:30apontado pelo PCP
45:31à candidatura presidencial
45:33de 1996,
45:34que assume
45:35como objetivo central
45:36a derrota
45:37de Cavaco Silva,
45:38de modo que
45:38a grande vontade
45:39nacional de mudança
45:40expressa nas legislativas
45:41do ano anterior
45:42não fosse defraudada.
45:44Jerónimo de Sousa
45:45desiste a dias da votação,
45:46abrindo caminho
45:47à vitória
45:47de Jorge Sampaio.
45:49Em 2004,
45:51o Comitê Central
45:51eleito pelo 17º Congresso,
45:53realizado em Almada,
45:55elege o secretário-geral
45:56do Partido.
45:57No discurso de encerramento,
45:59o novo líder
45:59reafirma princípios
46:00e convicções.
46:02Com aquela confiança
46:03e convicção
46:04de que continuamos
46:04com mais projeto
46:05que memória,
46:06aos comunistas portugueses
46:07vai ser exigida
46:08coragem política,
46:09coragem ideológica,
46:11coragem moral
46:11e, se necessário,
46:13coragem física
46:13para continuar,
46:14para incertar o caminho
46:16de uma democracia avançada
46:17e do socialismo.
46:18Em 2021,
46:20aos 73 anos,
46:21Jerónimo de Sousa
46:22mantém-se à frente
46:22do Partido,
46:23garantindo que a sua sucessão
46:24não será um problema.
46:26A Marcha Liberdade
46:27e Democracia,
46:28promovida em 2008
46:29pelo PCP,
46:31junta 50 mil comunistas
46:32em Lisboa
46:33em resposta
46:33ao que o Partido
46:34considera ser
46:35a ingerência do Estado
46:36na vida dos partidos
46:37políticos,
46:37através das leis
46:38dos partidos
46:39e do seu financiamento.
46:42Na oposição parlamentar
46:44e no seio dos movimentos sociais,
46:46o PCP opõe-se
46:47aos programas
46:48de estabilidade
46:48e crescimento
46:49dos governos PS
46:50liderados por José Sócrates,
46:52o SPEC
46:52e, posteriormente,
46:53à intervenção externa
46:54da Troika
46:55constituída pela Comissão Europeia,
46:57Banco Central Europeu
46:58e o Fundo Monetário Internacional,
47:00que,
47:00por acordo com o PS,
47:02PSD e CDS,
47:03impõem a Portugal
47:04um duríssimo programa
47:05da austeridade
47:06que o PCP
47:07apelida de
47:08Pacto de Agressão.
47:11O PCP
47:12empenha-se
47:12na mobilização social
47:13contra a Troika,
47:14com quem,
47:15inclusivamente,
47:16se recusa a reunir,
47:17e contra o governo
47:18do PSD e CDS,
47:20que considera
47:20responsável
47:21por uma política
47:22de aprofundamento
47:23da exploração,
47:24empobrecimento
47:25e declínio nacional.
47:28Ao longo de quatro anos,
47:29o PCP opõe-se
47:30a mais privatizações,
47:32cortes nos salários
47:33e pensões,
47:34agravamento
47:35da legislação laboral,
47:36aumento de impostos
47:37e empobrecimento
47:38generalizado,
47:39o que dá,
47:39efetivamente,
47:40origem a um poderoso
47:41movimento de lutas
47:42e de contestação
47:43populares,
47:44destacando-se
47:45a organização
47:45de três greves gerais
47:46a 22 de março de 2012,
47:4914 de novembro de 2012
47:50e 27 de junho de 2013.
47:54Não é por acaso
47:55que voltamos a ouvir
47:56o grande Labila Morena
47:57nas ruas deste país.
47:58É que,
47:58mais do que uma
47:59poderosíssima condenação
48:01deste governo
48:01e da sua política,
48:03o que já não seria pouco,
48:04é uma demonstração
48:06de que os valores
48:07da LIL
48:07são mais atuais
48:08que nunca
48:09e mais necessários
48:10que nunca
48:10no presente
48:11e no futuro
48:11de Portugal.
48:17Nas eleições
48:18de outubro
48:18de 2015,
48:19a coligação
48:20PSD-CDS
48:20perde 700 mil votos
48:22e a maioria
48:23parlamentar.
48:25O PCP
48:26fala de derrota
48:26eleitoral da direita
48:27e Jerónimo de Souza
48:28afirma
48:29que o PS
48:29só não forma
48:30o governo
48:31se não quiser.
48:32Está criado
48:32um novo quadro
48:33na Assembleia
48:34da República.
48:35Com este quadro,
48:36o Partido Socialista
48:37tem condições
48:38para formar
48:39o governo,
48:40mas isso
48:41terão que perguntar
48:42ao Partido Socialista.
48:44Cavaco Silva
48:45ainda dá posse
48:46a um novo governo
48:46de coligação
48:47PSD-CDS,
48:48mas o mesmo
48:49é derrotado
48:49na Assembleia
48:50da República,
48:51junto à qual
48:51se manifestavam
48:52milhares de trabalhadores.
48:53Toma posse
48:54um governo minoritário
48:55do PS,
48:56com António Costa
48:57como Primeiro-Ministro,
48:58que o PCP
48:59designa como
48:59Solução Política
49:01e que outros
49:01designam como
49:02Geringonça.
49:04A estratégia
49:05do PCP
49:05assenta na reversão
49:06do que considerava
49:07serem as medidas
49:08mais gravosas
49:09do governo anterior,
49:10com respostas
49:11estruturais
49:11para os problemas
49:12do país.
49:14Realizam-se eleições
49:15em 2019
49:16que resulta
49:17a formação
49:17de um novo governo
49:18minoritário do PS.
49:20Já em 2020,
49:22perante a epidemia
49:22de Covid-19,
49:23o PCP
49:24defende o investimento
49:25no Serviço Nacional
49:26de Saúde
49:26o alargamento
49:27dos apoios sociais
49:28e o reforço
49:29dos direitos laborais,
49:30ao mesmo tempo
49:31que rejeita
49:32as limitações
49:32às liberdades
49:33impostas
49:33pelos sucessivos
49:34estados de emergência.
49:35em sua luz,
49:58e se você gostou
50:04do quesstratos
50:19Abertura
51:03Abertura
51:08Abertura
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