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Como vencer o crime organizado? Desembargador federal avalia | DISCUTINDO DIREITO
Jovem Pan News
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há 11 horas
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No Discutindo Direito, o desembargador federal Fausto De Sanctis avalia as melhores estratégias para desarticular o crime organizado no Brasil.
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00:00
Agora eu quero aproveitar e fazer uma pergunta sobre as organizações criminosas.
00:04
Você tem uma experiência internacional, eu sei que você foi o único magistrado brasileiro
00:10
convidado a participar de um encontro entre juízes federais norte-americanos,
00:17
inclusive juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos.
00:20
Quero que você conte isso, mas antes dessa análise,
00:24
eu quero saber qual a sua opinião sobre as organizações como o Primeiro Comando da Capital,
00:30
o PCC hoje é a maior organização criminosa da América Latina,
00:34
e também o Comando Vermelho e outras quase 100 organizações criminosas que temos aqui no Brasil.
00:39
O PCC em 93 eram sete gatos pingados jogando bola em um presídio em Tremembé.
00:45
A que ponto chegou? Por que o Brasil permitiu que essas organizações crescessem a esse ponto?
00:51
Eu acho pelo seguinte, o uso político desse fato para fins políticos,
00:58
ou seja, eu acho que faltam iniciativas que aparentemente são contrárias ao que é defendido nas academias,
01:06
porque o que é defendido na academia é sempre o criminoso como uma visão romântica, vamos dizer assim,
01:16
e não atacando naquilo que precisa.
01:19
Então, precisa severidade da lei, precisa cortar efetivamente a comunicação entre o preso e a pessoa que estiver fora do presídio,
01:29
tem que ter infiltração de agentes, tem que ter proteção dos agentes que investigam,
01:34
nós tivemos agora o caso do delegado da Polícia Civil de São Paulo que foi assassinado.
01:40
Tem que ter uma legislação contundente, forças-tarefas atuando com inteligência e um rigor absoluto,
01:48
e até mesmo enquadrá-las como entidades terroristas e mudar a lei para esse fim.
01:54
Porque o método utilizado são métodos terroristas.
01:58
E se nós não tratarmos como o mundo trata o terrorismo,
02:03
que nós estamos vendo que o terrorismo ele retrocedeu no mundo,
02:07
porque houve uma ação contundente,
02:11
em nenhum momento titubeante,
02:13
que permitiu o retroceder dos terroristas.
02:16
Eles não venceram terroristas fora do mundo,
02:19
mas aqui está vencendo,
02:20
porque esses grupos, essas facções,
02:23
elas estão ganhando cada vez mais força,
02:25
e o pior, elas estão cada vez mais dentro das instituições.
02:29
E isso é assustador.
02:30
Agora, dentro do meu gabinete,
02:32
que nós temos casos envolvendo o PCC,
02:35
até tivemos casos envolvendo casos do Rio de Janeiro,
02:38
que passaram por São Paulo,
02:40
por questões do presídio do Mato Grosso do Sul,
02:43
que é da competência nossa,
02:46
continuam agindo com firmeza,
02:48
continuam agindo com sobriedade,
02:50
agora com sensibilidade para entender
02:52
que, olha, aqui é um caso sério,
02:55
e não dá para, primeiro, ter medo,
02:58
e, segundo, não agir com a proporcionalidade necessária,
03:03
neste caso,
03:04
que é diferente de outros casos que a gente está vendo,
03:06
de penas elevadíssimas,
03:08
por pessoas expressarem,
03:09
simplesmente, sua opinião.
03:11
Muito bem.
03:12
O Tribunal Regional Federal da Terceira Região
03:14
abrange o Estado de São Paulo,
03:16
o Estado do Mato Grosso do Sul,
03:18
e julga, em segunda instância,
03:19
os crimes federais.
03:20
Muita gente está nos acompanhando aqui,
03:21
o pessoal está perguntando aqui.
03:23
Agora, eu queria te perguntar o seguinte,
03:25
com relação à sua experiência,
03:27
hoje o crime organizado movimenta
03:29
cerca de 300, 350 bilhões de reais
03:33
em dinheiro ilícito todo ano.
03:37
É contrabando de cigarro,
03:38
contrabando de bebida,
03:40
é veículos,
03:42
refinaria de petróleo,
03:43
de álcool, de gasolina,
03:44
postos de combustível,
03:46
danceterias,
03:47
lavanderia de roupa,
03:48
eles estão em todos os setores,
03:50
lavando dinheiro em fintechs.
03:52
E nós tivemos algumas operações
03:54
com o Ministério Público de São Paulo,
03:57
com o MPP Federal,
03:58
com a Polícia Federal,
04:00
Ministérios Públicos em outros estados também.
04:02
Mas nós estamos falando de bilhões,
04:04
centenas de bilhões de reais.
04:06
Nós temos um promotor aqui em São Paulo,
04:07
Lincoln Gaquia,
04:08
que vive cercado pela polícia,
04:10
que está jurado de morte
04:11
pelo primeiro comando da capital.
04:13
O delegado,
04:13
você citou que foi delegado,
04:14
geral Rui Fontes,
04:15
foi assassinado em Praia Grande.
04:16
Como você vê a possibilidade,
04:19
pela sua experiência internacional,
04:21
por aquilo que você vê
04:22
está acontecendo em outros países,
04:24
principalmente nos Estados Unidos?
04:25
Eu queria que você trouxesse um pouco
04:27
da sua experiência internacional,
04:29
desses contatos,
04:30
para saber qual o caminho,
04:32
para a gente sabe que é follow the money,
04:34
mas quais são o conjunto de medidas
04:36
que você apontaria como imprescindíveis
04:38
para combater ou minimizar
04:41
esse flagelo do crime organizado?
04:42
Primeiramente,
04:44
pelo que eu vejo no exterior,
04:46
não existe qualquer possibilidade
04:48
de saídas temporárias em presídios.
04:51
O rigor é absoluto
04:52
no sistema penitenciário
04:54
das organizações criminosas.
04:56
Há um rigor com uma legislação forte
04:59
e não permitindo
05:01
uma diminuição de pena ao longo do tempo.
05:05
Tráfico de drogas é tratado
05:07
como um crime absolutamente grave.
05:09
No Brasil, às vezes, a pessoa...
05:13
Porque leva um pouco de droga,
05:14
mas todos sabendo que se trata
05:16
de uma grande organização criminosa,
05:18
só porque a pessoa levou,
05:20
então leva uma pena muito baixa,
05:21
então estimula o continuismo
05:24
dessa prática.
05:27
Outra coisa que você mencionou,
05:29
que eu acho importante,
05:30
a reforma tributária
05:31
vai trazer o imposto do pecado.
05:33
Então, o imposto do pecado
05:34
vai incidir sobre bens
05:35
que vão gerar contrabando.
05:37
Então, você vai estimular mais
05:40
o contrabando e o descaminho.
05:42
Por quê?
05:43
Porque incidindo uma alta taxa tributária
05:47
no Brasil vai estimular
05:49
que o crime organizado
05:50
que já está trazendo de fora,
05:53
geralmente do Paraguai,
05:54
de países vizinhos,
05:56
trazendo essa mercurilha
05:57
a um preço mais baixo,
05:58
vai continuar e vai fortalecer isso.
06:00
Então, a pretexto de querer
06:02
diminuir com uma prática
06:03
que não seria salutar
06:04
para a população,
06:05
como o cigarro
06:07
e os derivados de fumo,
06:09
na verdade, vai estimular,
06:10
porque vai estimular
06:11
o contrabando e o descaminho.
06:12
Então, eu temo um pouco
06:13
essas ações
06:14
que não pensam
06:15
no crime organizado,
06:16
pensam só na questão tributária
06:18
e no arrecadar do Estado.
06:20
E o Estado tem que pensar
06:21
no todo,
06:22
na consequência
06:23
e o alcance geral
06:24
que isso pode dar.
06:25
Agora, os Estados Unidos da América,
06:27
através do presidente Donald Trump,
06:29
resolveram combater
06:31
o narcotráfico venezuelano
06:33
apontando o Nicolás Maduro
06:35
como chefe
06:36
de um cartel poderoso
06:38
e que está combatendo lá,
06:40
na saída do mar
06:42
e na saída aérea da Venezuela,
06:44
combatendo esse narcotráfico.
06:47
E ele chegou a dizer
06:47
que o PCC deve ser enquadrado
06:50
como uma organização terrorista.
06:52
Seria importante
06:53
uma aliança
06:54
com os Estados Unidos
06:55
na medida em que
06:56
essas organizações
06:57
exportam drogas
06:58
e outros crimes para lá?
07:00
E, portanto,
07:01
trazer a estrutura,
07:03
a cooperação
07:04
e a força dos Estados Unidos
07:06
para ajudar a combater
07:07
essas organizações
07:08
que, aparentemente,
07:09
saíram do controle
07:10
aqui no Brasil?
07:10
Sem dúvida.
07:11
Quanto mais países
07:13
ajudarem o Brasil,
07:14
vai ser melhor.
07:15
Porque nós estamos precisando.
07:17
Porque chegou-se
07:18
num estágio
07:20
de risco
07:21
entre se tornar, de vez,
07:23
um narco-estado
07:24
ou a gente tentar
07:26
combater isso
07:28
com todas as forças possíveis,
07:31
inclusive estrangeiras.
07:32
E não quer dizer
07:33
que vai haver
07:35
violação
07:36
da soberania
07:37
nacional, não.
07:38
Tudo que vier
07:39
para ajudar
07:40
e para fortalecer
07:41
nossa soberania
07:42
é bem-vindo.
07:43
E é óbvio,
07:44
o crime organizado
07:46
ele já tem
07:47
uma parte
07:48
da soberania
07:48
de determinados
07:50
territórios.
07:51
E quando se fala
07:51
em ofensa soberania
07:52
no país,
07:53
esquece da soberania
07:54
dos morros
07:55
do Rio de Janeiro,
07:57
de algumas regiões
07:58
talvez em São Paulo
07:59
e assim por diante.
08:00
Então,
08:00
aquele lugar também
08:01
a soberania
08:02
foi ofendida
08:02
brasileira.
08:04
E não se vê
08:04
a ação
08:04
e indignação
08:05
do governo federal
08:06
ou do estadual,
08:08
no caso do Rio de Janeiro,
08:09
com relação
08:10
a essa soberania
08:12
violada.
08:13
Então,
08:13
nós precisamos
08:14
da ajuda externa
08:15
para que o tráfico
08:17
internacional
08:17
seja combatido,
08:18
mas também
08:19
internamente
08:20
nós precisamos
08:21
tomar uma ação
08:22
mais forte
08:23
e não simplesmente
08:24
tomar decisões
08:25
que não se pode
08:26
subir o morro.
08:28
Porque isso aí
08:28
você fez nascer
08:30
e crescer
08:31
de forma
08:32
absolutamente cruel,
08:34
porque a população
08:34
é a maior vítima
08:35
daquelas áreas
08:36
do crime,
08:38
a população pobre
08:39
que vive naqueles morros
08:40
são as mais,
08:43
as vítimas mais...
08:44
Mas são vulneráveis.
08:45
Mais vulneráveis
08:46
e que por vezes
08:47
são obrigados
08:48
a ceder seus filhos
08:50
para o crime
08:51
e são obrigados
08:52
a cometerem crimes
08:53
e serem vítimas
08:54
de estupro
08:55
e etc.,
08:56
porque tem que
08:57
atender o chefão
08:59
ou o grupo de chefes
09:00
daquela área.
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