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Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Economia e Relações Internacionais na FAAP e FGV, explicou ao Fast Money os impactos da vitória de Javier Milei nas eleições legislativas argentinas, o otimismo do mercado com reformas liberalizantes e os desafios econômicos do país nos próximos anos.

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Transcrição
00:00A gente fala juntos agora sobre o presidente da Argentina, Javier Milley, que venceu as eleições legislativas de domingo, contrariando muitas das expectativas.
00:10Os candidatos do partido governista conquistaram quase 41% dos votos e renovaram metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, de acordo com os resultados oficiais do país.
00:22O partido ultraliberal de Milley foi o mais votado do país e vai ampliar a bancada legislativa a partir de dezembro, quando começa a segunda metade do mandato presidencial do ultraliberal.
00:34E a gente vai entender os impactos dessa vitória para o mercado financeiro, se o Brasil também pode ser impactado de alguma forma.
00:41A nossa conversa ao vivo é com Vinícius Rodrigues Vieira, que é professor de Economia e Relações Internacionais na FAAP e na FGV.
00:48Tudo bem, Vinícius? Boa tarde, seja muito bem-vindo ao Fast Money.
00:52Olá, muito boa tarde, Natália. Boa tarde, Felipe. Obrigado pelo convite.
00:56A gente que agradece a sua disponibilidade.
00:59Bom, professor, vamos lá, vamos começar já falando então desse impacto para o mercado.
01:03Qual que é a leitura que se faz dessa vitória de Javier Milley?
01:08A leitura do mercado é que agora Milley terá condições maiores de passar ali as suas reformas, reformas mais liberalizantes.
01:18Um exemplo é o caso de benefícios sociais, principalmente na área de saúde e gastos em universidades,
01:26que o Milley chegou ali por decreto passar ali um corte, só que, por exemplo, esse corte acabou sendo derrubado ali em função do fato de ele não ter no seu partido um terço dos votos necessários para a derrubada desse veto.
01:40Agora ele tem pelo menos ali um terço dos votos do seu partido, então ele consegue derrubar ali medidas que eventualmente sejam rechaçadas pelo Congresso.
01:51Novamente, seu partido não tem maioria, mas pelas regras ali do Congresso argentino ele passa a ter muito mais folga.
01:57E para aprovar questões que exigem ali apenas 50% mais um dos votos, ou seja, uma maioria simples, o Milley pode confiar em partidos menores.
02:07O mais notório deles foi o grande perdedor, talvez mais do que os próprios peronistas dessa eleição,
02:12que é o partido do Maurício Macri, que é uma centro-direita mais moderada, não tão liberalizante quanto o La Libertad Avança É,
02:20que é a coalizão do Milley, o partido do Milley.
02:23E, portanto, nós temos aqui o otimismo do mercado, que a Argentina vai seguir um caminho mais liberal
02:28e, portanto, vai encontrar a estabilidade por meio dessas reformas liberalizantes.
02:34Ou seja, o momento agora é de otimismo.
02:36Vamos ver se, de fato, Milley consegue, via esse caminho mais liberal, estabilizar a economia argentina.
02:42Felipe.
02:43Legal. Vinícius, boa tarde mais uma vez.
02:45Professor, eu queria chamar a atenção para uma coisa curiosa que aconteceu nessa eleição da Argentina.
02:51Pouquinho antes da eleição, o presidente Donald Trump anunciou um apoio ao Javier Milley,
02:55anunciou dinheiro para a Argentina, 20 milhões de dólares,
02:59depois anunciou que até ia aumentar para 40,
03:02acabou anunciando, assim, de uma maneira bem pública, o apoio ao Javier Milley.
03:07E isso, quando ele fez isso com eleições em outros países,
03:10acabou tendo um efeito contrário, né?
03:12Ele acabou estimulando as oposições nesses países.
03:16Mas, na Argentina, a gente viu que foi uma vitória do Javier Milley.
03:19Eu queria que você fizesse um paralelo.
03:20Isso ajudou, na sua opinião, Javier Milley?
03:23Isso não teve um impacto muito forte.
03:26O fato de dizer que ele daí o dinheiro, apenas se o Milley ganhasse,
03:29teve um impacto nos eleitores argentinos.
03:31Como é que é a sua leitura?
03:34Acredito, Felipe, que houve ali, sim, o apoio decisivo de Donald Trump.
03:38Por quê?
03:39O eleitor argentino, ele já está cansado da grande alternativa ao Milley nesse cenário,
03:45que seria o que? Os peronistas.
03:46Os peronistas, eles, é importante dizer,
03:48também saíram aí muito perdedores ao lado aí do partido do Marcre,
03:53mas eles, por exemplo, tinham o domínio histórico da província de Buenos Aires, né?
03:57A província de Buenos Aires é justamente aquela que circunda, né?
04:01Onde fica a maior parte da população do país e circunda a cidade autônoma de Buenos Aires,
04:05que é a capital, né?
04:07A capital federal argentina, né?
04:09Como se fosse o estado, por exemplo, Goiás, né?
04:11E a cidade autônoma fosse o distrito federal deles.
04:14Então, o Milley, ele conquistou votos até ali, o que indica que, de fato,
04:18o eleitor de última hora pode ter parado e pensado.
04:21Será que não é melhor eu insistir, dar uma espécie de segunda chance para o Milley?
04:26Porque ele, pelo menos, está fazendo algo diferente do que os peronistas fizeram,
04:32que é o quê?
04:32Aumentar gastos públicos, não resolver essa questão do estado.
04:36E com isso, portanto, o Trump acabou surtindo um efeito, como você muito bem colocou.
04:41Eu acho que é importante lembrar isso, que Trump, em outros cenários,
04:45o apoio dele a determinados candidatos, perdão, acabou por tirar votos desses candidatos.
04:52Mas aí a situação é diferente, porque, diferentemente do caso da Argentina,
04:56os outros casos em que o Trump fez esse tipo de apoio,
04:59era menos uma questão de ajuda financeira,
05:01que a Argentina desesperadamente precisa para ter liquidez, né?
05:04Senão a Argentina vai enfrentar ali uma crise de liquidez, não vai ter dólares,
05:08como não está tendo agora para fazer suas transações internacionais.
05:12E, portanto, se fosse apenas uma questão comercial, que não é no caso da Argentina,
05:17acho que haveria ali o efeito contrário.
05:19O Milley teria perdido, de fato, votos,
05:22mas não é isso que nós vimos ali no caso da Argentina.
05:24Então, o apoio do Trump, ironicamente, dessa vez funcionou,
05:28mas menos por causa das qualidades do Trump,
05:30e mais pelas circunstâncias da Argentina, que não vê um caminho alternativo ao do Milley,
05:35e, portanto, o eleitor argentino médio decidiu aí redobrar a aposta.
05:39E, professor, que medidas econômicas e políticas o senhor vê, assim,
05:43avançando agora com mais facilidade com esse resultado?
05:47A questão, por exemplo, de ajuste fiscal, ganha um fôlego novo, o que mais?
05:52Ajuste fiscal, que vai implicar aí, talvez, no curto prazo,
05:57em algo negativo, que é o corte, o que é de mais benefícios sociais,
06:00de mais estrutura do Estado.
06:02Como eu falei, o caso das universidades, de assistência médica,
06:05reforma trabalhista, né?
06:06Uma das propostas que circularam aí no pós-eleição
06:09é justamente o aumento da jornada diária de 8 para até 12 horas, enfim.
06:16Nós também temos aí mudanças eventuais no sistema de férias
06:18para tornar a economia argentina mais competitiva.
06:21Mas é aquela coisa, o argentino talvez esteja tão ali calejado, né?
06:26Estão ali já sofrendo tanto numa situação em que tem grande proteção social,
06:31mas que enfrenta o quê?
06:32Grande instabilidade econômica.
06:34Então, podem ser concessões necessárias, na visão do eleitor argentino,
06:39para que a economia volte a crescer,
06:41ou então, no mínimo, para que o país volte a ter o mínimo de previsibilidade.
06:46Isso, talvez, é o que mais pese aí para as pessoas
06:49e faça com que o Milley tenha respaldo para essas medidas
06:52que vão implicar em corte de gastos públicos,
06:56vão implicar, talvez, ali, no impacto para os mais pobres,
06:59em particular, no primeiro momento.
07:01Mas se o Milley conseguir colher os frutos desses cortes
07:04até a reeleição, né?
07:06Ele tem direito a disputar a reeleição em 2027.
07:10Se nesses dois anos próximos ele conseguir colher os frutos,
07:13ele chegará muito bem para concorrer a um segundo mandato,
07:16que vai causar mais otimismo aí, no longo prazo,
07:20dos mercados em relação ao futuro da Argentina.
07:24Professor, a gente acompanha toda essa trajetória do Milley,
07:28uma trajetória super polêmica,
07:30mas a gente sabe também que a Argentina precisava,
07:32de alguma forma, ter esse choque, né?
07:34Porque eu estava fazendo uma pesquisa,
07:35desde 1957, a Argentina recorreu 23 vezes ao FMI,
07:40o país que mais recorreu na história ao FMI,
07:43e continuou, né?
07:43O próprio Milley já fez também o empréstimo,
07:45e agora mais esse dinheiro dos Estados Unidos.
07:47Quando que a Argentina vai conseguir,
07:49de acordo com essa estratégia do Milley,
07:52quando a Argentina vai conseguir segurar,
07:53assim, sozinha,
07:55segurar sem ter uma ajuda internacional,
07:58e de acordo com essa estratégia,
07:59de acordo com esses planos do Milley?
08:02Essa é justamente a pergunta de um milhão de dólares, Felipe.
08:05Quando que a Argentina vai finalmente se libertar desse ciclo, né?
08:10Nada virtuoso, né?
08:12Um ciclo vicioso de dependência externa, né?
08:15Sempre não ter ali condições de fechar as suas contas,
08:18sejam elas as contas públicas,
08:20sejam elas ali as contas nacionais,
08:23justamente pela escassez de recursos.
08:26O Milley, ele planeja aí, claramente,
08:29tornar a economia mais dinâmica, mais competitiva.
08:31Me parece que é uma aposta muito arriscada,
08:33ele confiar o quê?
08:35Exclusivamente na valorização,
08:37me parece que é um caminho de valorização apenas dos ativos,
08:39de ações principalmente,
08:40isso injetaria mais dinheiro, mais dólares na economia,
08:44e daria aí um fôlego para que a Argentina
08:46não dependesse do FMI no curto prazo.
08:49Mas é importante dizer aqui que,
08:52enquanto Trump estiver na Casa Branca,
08:54ele pode socorrer, pode recorrer ali ao FMI,
08:57quantas vezes for necessário,
08:59que o Trump vai apoiar os pleitos do Milley,
09:02e também, sem falar na questão do FMI,
09:04também eventuais ajudas bilaterais
09:06por parte do Tesouro Americano,
09:08por mais que Trump já tenha sinalizado aí
09:10que não haveria mais ajuda,
09:13não haveriam ali países a explorar os Estados Unidos,
09:15como se trata de um aliado,
09:17acho que o Trump ali não se importaria.
09:19Mas vocês antes estavam aí falando do Japão,
09:22como os economistas dizem,
09:23tem quatro tipos de países no mundo,
09:25os desenvolvidos, os em desenvolvimento,
09:27o Japão, que se industrializou fora do Ocidente,
09:30e até hoje tem aí um relativo sucesso,
09:32mas passou por um período de grande estagnação,
09:34e a Argentina, que já foi um país rico,
09:36e, claro, aí ao longo do século XX,
09:39entrou numa decadência que parece não ter fim.
09:42Se o caminho mais liberal de Milley
09:44é aquele que vai salvar a Argentina
09:46dessa decadência aí,
09:48que dura quase um século,
09:50esse processo de relativa estagnação,
09:53com momentos de crescimento,
09:55momentos de mais alívio,
09:56somente o tempo irá dizer.
09:58Mas é uma aposta arriscada,
10:00que coloca a Argentina aí, talvez,
10:01muito na dependência dos Estados Unidos,
10:03e, claro, sobretudo,
10:05do ânimo dos investidores externos.
10:09Quero agradecer, Vinícius Rodrigues Vieira,
10:11professor de Economia e Relações Internacionais
10:13na FAAP e na FGV,
10:15pela conversa ao vivo aqui,
10:17a respeito de Javier Milley,
10:18a vitória nas eleições legislativas da Argentina.
10:21Obrigada, viu, professor?
10:22Ótima tarde por aí.
10:24Muito obrigado,
10:25excelente tarde para vocês, até mais.
10:27Até, tchau, tchau.
10:27E aí, tchau.
10:37E aí, tchau.
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