- há 2 dias
Comunicadora relembra o começo de carreira em agências, compartilha saias justas vividas na MTV e as impressões sobre sua primeira cobertura no Cannes Lions
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CriatividadeTranscrição
00:00Minha convidada de hoje trocou a carreira em agência de publicidade como modelo para se firmar como apresentadora de TV.
00:07Na MTV, ela construiu a sua carreira como comunicadora, estando à frente de vários programas.
00:13Anos mais tarde, ela foi para o Multishow, onde apresentou O Lugar em Comum, que ficou muito tempo no ar,
00:18por 16 anos.
00:21E ela também é autora de dois livros que reúnem um pouco dessa mistura de cultura pop com viagens,
00:27o Minha Nova York e o Minha São Paulo.
00:30Além de tudo, ela é mãe de três jovens e, neste ano, ela cobriu pela primeira vez o Canny Lions,
00:37conectando um pouco de toda a sua vivência à frente das câmeras no principal festival de criatividade da indústria publicitária.
00:44Hoje eu tenho o prazer de conversar com a Didi Wagner. Seja muito bem-vinda.
00:48Muito obrigada, Isabela. Obrigada pelo convite. Estou feliz de estar aqui.
00:58Legal. Didi, eu acho que nem todo mundo sabe isso sobre você, que você estudou na SPM Publicidade e Marketing.
01:05Como é que foi essa escolha na sua vida? Teve dúvidas? Você sempre soube que ia para esse lado da
01:12comunicação?
01:12Eu não lembro, assim, exatamente o que pesou para que eu decidisse fazer a SPM, mas foi uma escolha que
01:22realmente acabou sendo muito boa para mim,
01:27em vários aspectos. Fiz boas amizades na faculdade e tive professores marcantes, como o Mário Chami, por exemplo.
01:37Era poeta e dava uma aula de semiótica super interessante.
01:42E eu acho que tudo isso ajudou também na minha carreira como comunicadora.
01:46Mas é isso, eu me formei em comunicação social com habilitação em propaganda e marketing.
01:52Esse é o nome da formação acadêmica que veio no meu diploma.
01:57E aí você chegou a estagiar em agências de publicidade.
02:00Você passou pela W, você falou um pouco antes da gente entrar no ar.
02:04Como é que foi essa experiência?
02:05O estágio da W foi uma experiência muito especial, porque eu já contei essa história outras vezes,
02:15mas a maneira como eu entrei na agência é muito bacana.
02:19Basicamente, eu me incomodei com o termo usado em um anúncio, que era de criação da W,
02:26porque na época os anúncios impressos vinham algumas vezes com o crédito da agência ali colocado bem pequenininho no cantinho
02:36superior à direita.
02:39E eu me incomodei com o termo, mandei uma carta, eu estou falando de tempos analógicos,
02:44mandei uma carta para a agência apontando o que eu via que era uma questão que deveria ser revisada naquele
02:50anúncio.
02:50E o Gabriel Zellmeister, que era um dos sócios do Washington Liveto, ligou na minha casa.
02:58Minha mãe atendeu o telefone.
03:00Eles entraram no maior papo, eu não estava em casa.
03:04E conversaram um montão.
03:05Quando eu cheguei em casa, minha mãe falou,
03:07eu acabei de falar por muito tempo com o Gabriel Zellmeister, da W,
03:12e ele está querendo falar com você.
03:14Daí eu liguei e me ofereceram um estágio.
03:17Fiquei pouco tempo lá, mas foi muito bacana.
03:19E você ficou em alguma área específica, você fazia um pouco de tudo?
03:23Fiquei em atendimento.
03:24Em atendimento.
03:25Que é como chamava a época, né?
03:26Porque hoje em dia mudou de nome, né?
03:28É, atendimento e negócios.
03:29Boa.
03:30Mas é uma área para dar a cara a tapa, né?
03:32Para você fazer a interface com a agência e com o cliente.
03:35É, né, Isabela?
03:36Mas assim, isso era estagiária.
03:38Nem sei o que eu fiz lá, nem lembro também.
03:40Mas eu lembro, assim, do prédio da W, lembro de ver o Washington Oliveto passando,
03:44lembro de conversar com o Gabriel Zellmeister.
03:47Então, foi uma experiência legal.
03:49E como que foi essa transição para a televisão?
03:53Bom, eu fiz o estágio na W.
03:55Aí, depois de um tempo, a J. Walter Thompson,
03:59que era uma agência de origem inglesa,
04:03anunciou nas principais faculdades de publicidade
04:06a possibilidade de alunos prestarem para um processo seletivo
04:12para virarem estagiários.
04:15E foi, assim, um processo seletivo bem caprichado.
04:20Tinha uma prova escrita primeiro,
04:22depois dinâmica em grupo,
04:23depois entrevista individual.
04:24E eu lembro que eu fui aprovada junto com outros cinco alunos.
04:29Não lembro quantos eram da ECA,
04:31quantos eram da ESPM,
04:33mas era meio que um mix entre essas duas faculdades, essencialmente.
04:39E entrei na área de atendimento
04:41em um grupo que atendia a Kodak.
04:45E pior que eu não lembro quais eram os outros clientes.
04:48A Kodak era a que mais ocupava ali o dia a dia.
04:52E uma marca icônica.
04:53É, super.
04:54E na época, a Kodak estava lançando um filme chamado Advantix,
05:00que era um filme diferente do 35 milímetros e tal.
05:04E foi um mega lançamento.
05:06E tinha um monte de peças publicitárias
05:09que tinham que ser criadas, desenvolvidas e tal.
05:12Então, eu lembro bastante desse processo.
05:14E na Jay Walter Thompson,
05:16eu fiquei, acho que, por cerca de um ano, mais ou menos,
05:20como estagiária.
05:21E aí, nesse meio tempo, ou um pouco antes disso,
05:24você também teve a sua carreira como modelo.
05:27É, mas eu sempre falo, Isabela,
05:30que eu, sim, me meti a ser modelo.
05:33E fiz um dinheirinho, fiz umas campanhas legais,
05:37fiz uma capa de revista ou outra.
05:39Não era modelo de passarela,
05:40porque eu não tenho altura suficiente.
05:43Mas eu sempre tinha essa preocupação
05:45em conciliar tudo com os meus estudos.
05:47Então, os estudos acabavam vindo em primeiro lugar.
05:49Eu fiz algumas coisas legais.
05:53Tenho, assim, boas lembranças.
05:55Trabalhei com grandes fotógrafos nessa época.
05:58Foi uma época em que é isso.
06:00Eu conheci o Bob Wolfson, o J.R. Duran,
06:04o Rafiq Farah, que é um designer,
06:06mas também fotógrafo, entre tantos outros.
06:09Mas é isso.
06:10Levava com mais seriedade
06:12a questão da demanda escolar e universitária.
06:16Mas a carreira de modelo é interessante,
06:18porque deve ter te dado alguns ensinamentos
06:21sobre câmera e sobre como se comunicar ou não.
06:25Você já assimilou isso na época?
06:27Eu acho que deve ter sido uma boa ajuda já.
06:32Por não só trazer um pouco mais
06:35desse entendimento de interação com a câmera,
06:37mas também de estar...
06:40Sabe o que eu acho, Isabela?
06:41É a sensação de estar em, por exemplo,
06:43um estúdio com mais gente te observando.
06:46Que é um exercício também, né?
06:50Sim.
06:51Porque quando você está,
06:53seja fazendo foto
06:54ou apresentando um programa de TV,
06:57tem muita gente atrás da câmera.
06:59Então, não é só a interação com a câmera
07:01e, por tabela, com o público,
07:03mas também essa sensação...
07:05Porque quando você interage com a câmera,
07:08o público é mais virtual.
07:12Você não está vendo ele ali.
07:14Mas tem as pessoas que estão ali
07:15te observando para te ajudar.
07:18Mas é uma sensação de uma interação
07:22e de um possível julgamento, avaliação.
07:26Então, eu acho que já vai calejando um pouco.
07:29E aí, quando você chegou na televisão,
07:31na MTV, isso já estava um pouco mais natural para você.
07:34Como é que foi essa relação
07:35com as câmeras no começo,
07:37nos primórdios da MTV?
07:40Então, eu tenho, para mim...
07:42É engraçado quando a gente fala, assim,
07:44de passado, Isabela,
07:46porque algumas coisas vão acontecendo
07:48de maneira muito orgânica.
07:51E depois é muito fácil, né?
07:54Entre aspas, assim,
07:55avaliar o que aconteceu.
07:56Na hora, as coisas só vão
07:58se desenvolvendo daquela maneira
08:00e você vai fazendo aquilo e tal.
08:04Então, eu, claro, né?
08:05Acho que eu tinha também, né?
08:07Por ser mais jovem,
08:08menos autocensura, né?
08:11Menos autocobrança.
08:14Acho que era uma situação confortável
08:17para mim estar ali
08:18à frente de uma câmera falando.
08:20Eu sempre gostei muito de falar.
08:22Cuidado até para não passar do tempo aqui.
08:25E dá a impressão que era uma...
08:27Para quem, né?
08:28Para a gente que assistia MTV,
08:30que era uma coisa mais livre, assim.
08:32Lógico que tinha roteiro e tudo,
08:34mas dava a impressão
08:35que vocês se divertiam trabalhando, né?
08:37Muitas vezes.
08:38Não, era sempre uma delícia.
08:40Era sempre muito especial.
08:42Foi uma época mágica
08:45para a televisão, né?
08:48Para o público
08:48e para quem trabalhava lá na MTV também.
08:50Acho que todos nós que passamos pela MTV
08:53temos essa gratidão, assim.
08:56Essa noção de que foi realmente
08:59uma coisa única,
09:00uma oportunidade muito incrível.
09:04Um...
09:06Ah, é um zeitgeist mesmo, né?
09:08Uma situação ali
09:10que tinham vários componentes
09:12que faziam com que aquilo fosse muito especial mesmo.
09:16E aí você acompanhou essa transição.
09:18A própria MTV vivenciou muito isso,
09:20que foi a chegada da internet.
09:21De repente, não fazia mais sentido
09:23você ligar a televisão
09:24para ver um videoclipe.
09:26A MTV era essa fonte primordial, assim,
09:29para os jovens,
09:30e não só para os jovens, né?
09:31De informação,
09:33de acesso a muita coisa.
09:34Às vezes,
09:34os primeiros debates sobre sexo
09:37aconteciam porque assistia MTV.
09:39E aí, de repente,
09:41vem a internet e essa avalanche toda.
09:43Como que você, pessoalmente,
09:45como comunicador,
09:46acompanhou essa transformação?
09:47Como foi para você
09:49essa adaptação também
09:50à chegada de tantos outros meios
09:53e outras fontes de informação?
09:56Eu acho que...
09:57Só dá para dizer
09:59que eu fui meio que surfando a onda, né, Isabela?
10:01E tentando acompanhar
10:02todas essas movimentações
10:04para me manter relevante ainda,
10:08atualizada,
10:09e principalmente
10:12muito focada
10:13no que eu gosto de fazer,
10:14que é me comunicar
10:16com o público.
10:17Mas, falando especificamente
10:19sobre a MTV,
10:21é realmente
10:23uma sorte que eu tenha
10:26trabalhado na emissora
10:27no momento
10:28de ouro
10:29da MTV, né?
10:31Eu fiquei lá de 2000 a 2006.
10:33E a MTV
10:34tinha
10:35essa autoridade
10:37para falar com o jovem,
10:38porque, acima de tudo,
10:40como, inclusive,
10:40a Sara Oliveira,
10:41minha amiga,
10:42e ex-VJ também
10:43costuma dizer,
10:44a MTV tinha muito respeito
10:46pelo jovem.
10:48Então,
10:49tudo que era colocado no ar
10:50era pensado
10:51para o jovem
10:53com carinho
10:55e com a noção
10:57de que
10:58era
10:59o público-alvo,
11:01mas, mais do que isso,
11:02era um público
11:03que tinha que ter
11:05o respeito
11:07de quem estava falando
11:08com ele.
11:09Era uma emissora
11:10que era sinônimo
11:11de cool, né?
11:12Não tinha nada cringe
11:13sobre a MTV.
11:14E aí, você disse
11:15que vocês se divertiam
11:16muito nos bastidores
11:18e à frente das câmeras
11:19também.
11:19Tanto que tem
11:20alguns momentos ali
11:21que fica uma saia justa,
11:23uma situação engraçada
11:24com algum entrevistado,
11:25algum artista.
11:26Você lembra
11:27de algum momento
11:28em particular
11:28que você viveu
11:30em algum programa
11:30que foi uma saia justa,
11:32mas que você conseguiu ali
11:35improvisar
11:35ou sair por cima
11:37ou resolver?
11:38Foram tantos momentos
11:40engraçados
11:41e assim,
11:43de tipo,
11:44enfim,
11:47roubadas até, né?
11:49Agora,
11:50para citar algum
11:50em específico,
11:52não sei se a minha memória
11:53vai me ajudar,
11:54mas...
11:55Eu lembro de um.
11:56Pode falar.
11:56Eu lembro,
11:57acho que era o Supernova,
11:58você com o Mion
11:59e vocês estavam
12:01entrevistando o Rapa.
12:03Ah, bom,
12:03essa história
12:04é que eu estava
12:04tentando evitar
12:06de citar exatamente
12:07esse exemplo, Isabela,
12:09mas esse é um clássico, né?
12:11Que foi só um problema
12:12no ponto.
12:13Não,
12:13não foi um problema
12:13no ponto.
12:14Não?
12:14Não,
12:15foi outra situação.
12:17Olha,
12:17vou te contar,
12:18vou tentar ser sucinta
12:19porque,
12:21basicamente,
12:21não era nem com o Rapa,
12:23era só com o Marcelo Falcão,
12:24né?
12:25Vocalista da banda.
12:27O Marcos Mion
12:28de um lado,
12:29eu do outro,
12:29o Falcão no meio,
12:31na época em que nós dois,
12:32o Mion e eu,
12:33apresentávamos juntos
12:34o Supernova
12:35todo dia ao vivo,
12:37tá?
12:38Segunda a sexta,
12:39das três às seis da tarde.
12:40Convivência
12:42ali constante.
12:43Não, o Mion brincava,
12:44né?
12:44Na época que a gente
12:45fazia um Faustão por dia.
12:48Porque era a época
12:49que o Faustão
12:49fazia o Domingão do Faustão
12:51e ficava também
12:51três, quatro horas,
12:52né?
12:53Sim.
12:53No ar.
12:54Mas,
12:55claro,
12:55a nosso favor,
12:56a gente tinha
12:56a questão dos vídeo
12:58clipes
12:58que davam
12:59um intervalinho
13:00aí pra...
13:01Um respiro.
13:02É, exato.
13:02Pra gente poder dar
13:03uma pausa
13:04e tudo mais.
13:05A gente tava
13:06entrevistando
13:06o Falcão.
13:08Os blocos
13:09tinham
13:09uma duração
13:11mais ou menos
13:11pré-determinada.
13:12Claro que, né,
13:13você tinha uma
13:15flexibilidade
13:15de alguns segundos
13:16pra lá
13:16ou pra cá,
13:17mas o bloco
13:18tinha que ter
13:19uma duração ali
13:21estipulada
13:21pela emissora,
13:22porque depois
13:23tinha que ter o break,
13:24depois tinha que entrar
13:25o videoclipe,
13:26depois a gente
13:26voltava de novo
13:27pro ar, né?
13:28Pro programa
13:29ter aquele tempo
13:30de duração específico
13:32e tudo que estava
13:33programado pra entrar
13:34no ar,
13:35ter tempo de entrar
13:36no ar.
13:37Então,
13:37a gente tava
13:38fazendo essa entrevista,
13:39então a gente já tava
13:40perto do horário
13:41de ir pro break
13:41e eu não lembro
13:43se foi o meu ou eu,
13:44um dos dois,
13:44fez pro Marcelo Falcão
13:46uma pergunta
13:46sobre a ONG
13:48que a banda
13:49O Rapa
13:50estava
13:50naquele momento
13:52idealizando
13:53pra dar suporte
13:55a uma comunidade
13:56do Rio de Janeiro.
13:56Isso é mais ou menos
13:57o que eu lembro, tá?
13:58Só que quando a gente
14:00fez essa pergunta,
14:01que é
14:02uma pergunta importante
14:04de um assunto
14:05super relevante
14:06e sério,
14:07até aí tudo bem?
14:08Estamos todos de acordo?
14:09Certo?
14:09Certo.
14:10Ok.
14:11O Marcelo Falcão
14:12começou a falar
14:14como a gente
14:15até brinca, né,
14:17na televisão,
14:17sem ponto de corte, né?
14:19Então ele começou
14:20a falar, falar, falar,
14:21falar, falar
14:23e o diretor
14:24entrou no ponto
14:26eletrônico
14:26do Mion
14:27e meu
14:28e falou
14:29chamem o break.
14:31Então eu tava aqui,
14:33o Mion aqui,
14:33o Marcelo Falcão aqui,
14:34certo?
14:35E a gente se olhou assim,
14:36o Mion e eu, né?
14:38Aí um olhou pro outro
14:40meio tipo
14:40vai você, né, meu?
14:42Eu que não quero
14:42interromper o Marcelo Falcão
14:43falando de um assunto
14:44tão sério, né?
14:45Então os dois
14:47tiveram a mesma
14:49sensação,
14:49tipo,
14:50eu que não quero
14:50chamar esse break aí,
14:52vai você.
14:53Então a gente, tipo,
14:53se olhou, meu,
14:54putz,
14:55tamo nessa furada aí, né?
14:56E o Falcão falando e falando
14:59e falando e falando
14:59e explicando sobre a ONG
15:01e sobre a comunidade do Rio
15:02e tal, não sei o quê.
15:04E daí o diretor
15:04entrou no ponto de novo
15:06e falou
15:08chamem o break.
15:10E a gente se olhou de novo
15:11tipo, né?
15:12E aí, meu?
15:14Tô essa batata quente aí
15:16pra você.
15:17Sim.
15:18E nenhum dos dois
15:19conseguia achar um momento
15:21em que desse
15:22um respiro
15:23pra falar,
15:24Falcão, a gente já continuou
15:25falando isso,
15:25porque não era
15:26pra dar tchau,
15:27era só pra continuar
15:28depois do break.
15:30E o break tem que entrar
15:31e tem um horário
15:32mais ou menos
15:33pré-determinado.
15:34Bom, pra resumir,
15:36que eu já não tô
15:36conseguindo ser tão sucinta assim,
15:38o diretor
15:39foi ficando, acho que,
15:40meio aflito,
15:41porque a gente não conseguia
15:42achar um momento
15:43pra falar,
15:43a gente já volta,
15:45Falcão,
15:45pra falar mais sobre a ONG,
15:47a gente vai pra um rápido
15:48intervalo e daqui a pouquinho
15:49a gente conversa mais
15:50sobre isso.
15:51a gente não conseguia
15:52achar, né,
15:54espaço pra
15:55essa nossa entrada,
15:56o diretor começou
15:58a brincar no ponto
16:00individualmente,
16:00depois pros dois
16:01ao mesmo tempo,
16:02fazendo música
16:03com a frase
16:05chamem o break.
16:06Então, ele entrou,
16:07por exemplo,
16:07no meu ponto,
16:08assim,
16:08chamem, chamem,
16:09chamem o break,
16:11chamem, chamem o break,
16:12no ritmo do cancã.
16:14Aí entrou no ponto
16:15do mion,
16:16cantando, sei lá,
16:17em que ritmo.
16:18Aí entrou no meu ponto
16:19de novo.
16:19Uma hora ele entrou
16:19no ponto dos dois,
16:21porque ele foi alternando,
16:22porque ele podia falar
16:23com cada um separadamente
16:24ou com os dois
16:25ao mesmo tempo.
16:26Quando ele entrou
16:27no nosso ponto
16:27ao mesmo tempo,
16:28a gente se olhou
16:28e a gente caiu
16:29na gargalhada.
16:30Em um momento
16:31em que o Falcão
16:32estava falando
16:33desse assunto
16:34super sério,
16:36super importante,
16:37super relevante,
16:38estamos todos
16:38de acordo
16:38em relação a isso.
16:39Então,
16:40claro que foi
16:40muito inapropriado
16:42e deseducado
16:42da nossa parte,
16:43mas foi ao mesmo tempo
16:45inevitável.
16:45Incontrolável.
16:46É, porque não,
16:47porque ele não parava
16:48de falar.
16:48E ele é um cara
16:49também da mídia, né?
16:50O Falcão sabe
16:51que TV tem timing,
16:52como eu, por exemplo,
16:53também sei
16:53e não paro
16:54de falar que agora.
16:55Ó, tô falando
16:56aqui no meu ponto.
16:56Olha aí, olha aí,
16:57vou parar,
16:57Isabela acabou a história,
16:58tá?
16:59Enfim, resumo da ópera,
17:00foi pro break,
17:02com a gente meio rindo,
17:02falando, ah,
17:03vamos pro intervalo,
17:04a gente já volta,
17:05rindo, nesse, né,
17:07contexto de assunto sério.
17:09O Falcão ficou chateado
17:10com razão, falou,
17:11pô, meu,
17:12vocês estão de brincadeira
17:13comigo, o que que é isso,
17:14tal?
17:14Daí a gente explicou,
17:15aí o diretor desceu
17:16da central de controle,
17:18veio falar com o Falcão,
17:19falou, olha,
17:20a culpa foi minha,
17:21eu estava desesperado,
17:23entendeu?
17:23Pra colocar o intervalo
17:25comercial no ar,
17:26e comecei a brincar
17:27com os dois,
17:28então a culpa não é deles,
17:29tal, claro que foi um pouco
17:30culpa nossa, óbvio,
17:32porque a gente realmente
17:33não conseguiu se segurar,
17:34e daí ficou tudo bem,
17:35voltamos pro ar,
17:36continuamos,
17:37entrevista com o Marcelo Falcão,
17:38e eu me dou muito bem
17:39com o Marcelo Falcão
17:40até hoje.
17:41Ficou tudo bem,
17:42ficou tudo certo.
17:43Estamos em paz.
17:44Ah, mas rendeu um momento
17:45muito constrangedor
17:46e engraçado
17:47pros anais da MTV.
17:49Exato,
17:49e pra minha memória,
17:50pelo menos,
17:51apesar, né,
17:52de ter sido nesse contexto
17:53de um assunto
17:54tão profundo,
17:55foi uma situação
17:57ao mesmo tempo divertida,
17:59porque em que emissora
18:01você consegue imaginar
18:02um diretor brincando
18:03dessa forma, né?
18:04Exato.
18:05E foi ali na MTV
18:06que você pegou mesmo
18:08amor pela comunicação,
18:10por ser apresentadora,
18:11o que que você
18:12mais pegou
18:15daquela experiência
18:16da MTV
18:16pra sua carreira
18:18posterior
18:19como comunicadora?
18:21Eu acho que o que
18:22eu mais aprendi
18:24na MTV,
18:25mas infelizmente,
18:26tô falando agora
18:27de um jeito
18:28muito
18:31verdadeiro
18:32e mais
18:33vulnerável mesmo,
18:34eu acho que eu até
18:35desaprendi
18:36ao longo dos anos
18:38por uma
18:40autoexigência,
18:41autocobrança,
18:42uma cabeça
18:43cada vez mais adulta,
18:45eu diria assim,
18:46mas acho que o que eu
18:46mais aprendi
18:47é justamente
18:48a lidar com o erro,
18:50a brincar,
18:52saber improvisar,
18:56levar as coisas
18:57com mais leveza
18:58e tal,
18:58mas eu em alguns momentos
18:59vejo que eu desaprendi
19:01isso,
19:01porque eu fui assim
19:02me exigindo tanto
19:04uma perfeição
19:05que em alguns contextos
19:09um erro
19:10acabava me derrubando
19:11em vez de eu simplesmente,
19:13sabe,
19:13só também lidar
19:15com aquilo
19:15com mais tranquilidade,
19:17mas
19:18também assim,
19:19eu tenho que
19:20explicar que tem a ver
19:22com o contexto
19:22de mundo,
19:23porque na época
19:24da MTV
19:25não tinha
19:26mídia social,
19:27nada,
19:28assim,
19:28o que viralizava,
19:29viralizava,
19:30né,
19:30numa notícia impressa
19:32que como a gente
19:32brincava também,
19:34no dia seguinte
19:34embrulhava o peixe
19:36da feira,
19:37né,
19:37então,
19:38assim,
19:39eu acho que
19:39parte da minha
19:42autocobrança
19:42vem dessa sensação
19:44de que,
19:45assim,
19:45eu não gosto
19:46de dar passo
19:46em falso,
19:47eu não quero
19:48falhar,
19:49eu não quero
19:49errar,
19:50mas essas coisas
19:51podem acontecer,
19:52né,
19:52e agora tudo isso
19:54fica sendo visto
19:56como lentes macro,
19:58né,
19:58então dá um pouco
19:59mais de angústia
19:59pra mim,
20:00porque eu já sou
20:01muito perfeccionista
20:02e tal.
20:03É,
20:03isso quando as pessoas
20:04não resgatam
20:05coisas que,
20:05né,
20:06foram faladas
20:06lá no Twitter
20:07em dois mil
20:08bolinhas,
20:09Pois é.
20:10E daí você migrou
20:11pro Multishow
20:12pra um programa
20:13de viagens,
20:14que era diferente
20:15de tudo que você
20:15vinha fazendo
20:16até então,
20:17né,
20:17MTV.
20:18Como é que foi
20:19pra você
20:21inserir,
20:21né,
20:21viajar e ao mesmo tempo
20:23apresentar um programa,
20:24o que que a viagem
20:25representa na sua vida?
20:27E aí,
20:28né,
20:28contando também
20:29com esse lado
20:30que foi muito presente,
20:31né,
20:3116 anos no ar
20:33é muita coisa,
20:33né.
20:33Tem um pouco mais,
20:34viu, Isabela,
20:35de 2006
20:37a 2025,
20:3819 anos.
20:39Nossa,
20:40é mais longo
20:41que Grey's Anatomy.
20:42É,
20:42mas não é?
20:43Olha,
20:43olha aí,
20:44olha aí,
20:44Mary this Grey
20:45e eu,
20:47Ellen de Pompeo
20:48e eu,
20:49tá certo,
20:49ah,
20:50claro.
20:50A que se deve,
20:52assim,
20:52você acha,
20:53um sucesso longevo,
20:54assim,
20:55desse programa?
20:56O fato do Lugar em Comum,
20:58né,
20:58ter todo esse tempo
20:59na grade
21:00tem muito a ver
21:01com o formato
21:02do programa
21:02que é de trazer
21:06para o público
21:08uma visão
21:09muito curiosa
21:11sobre cada lugar
21:12que era visitado
21:14com um bom equilíbrio
21:17entre informação
21:18e entretenimento.
21:20Então,
21:20não era nem um programa
21:20jornalístico
21:21e nem também
21:22só um programa,
21:24né,
21:25de matérias engraçadas
21:27sem um pouco mais
21:28de conteúdo
21:29e informação.
21:32Então,
21:32eu acho que
21:32a gente tinha sempre
21:33essa preocupação
21:34em trazer essas duas
21:35frentes.
21:36Eu acho que esse é um
21:36dos trunfos do programa.
21:38O outro trunfo
21:40do programa,
21:40eu acho que é
21:41uma linguagem moderna,
21:43uma linguagem
21:43que foi se atualizando
21:44também, né,
21:45claro,
21:46o programa entrou no ar
21:47em 2006
21:48e a última temporada
21:49a gente colocou no ar
21:50agora em novembro
21:51de 2025,
21:52então,
21:52bem recentemente,
21:53mas não dá para dizer
21:54que é exatamente
21:55o mesmo programa
21:56nesse período todo.
21:57Graças a Deus,
21:58né,
21:58a gente foi também
21:59se adaptando
22:00aos novos tempos,
22:02então,
22:02é isso,
22:03a gente foi se reciclando
22:04e trazendo novidades,
22:06incorporando novos conceitos,
22:08eu acho que
22:08essa maleabilidade,
22:11essa capacidade
22:11de adaptação
22:12também é
22:13uma das vitórias
22:14do Lugar em Comum.
22:15E qual que é
22:16o grande barato
22:17de viajar para você?
22:18Você continuou,
22:19depois do programa,
22:20você continuou
22:21fazendo viagens
22:22com o mesmo olhar,
22:24depois dessa experiência
22:24alguma coisa
22:25te transformou
22:26no seu jeito
22:27de viajar?
22:29Isabela,
22:30eu acho que viajar
22:31é uma das melhores
22:31coisas da vida mesmo,
22:32né,
22:33e eu tenho a impressão
22:34de que pouca gente
22:35discordaria de mim
22:36nesse sentido,
22:37e quando eu falo
22:38também em viajar,
22:39não acho que,
22:40né,
22:40isso presume
22:41ir para longe,
22:43viajar pode ser
22:44pegar o carro
22:45e visitar uma cidade
22:46no interior de São Paulo,
22:47a uma hora e pouco
22:49daqui,
22:50da capital,
22:51e já descobrir
22:52novas experiências,
22:54né,
22:54ou conhecer
22:55gente nova,
22:56então eu acho
22:57que o bonito
22:58de viajar
22:59é realmente
23:00a gente
23:02ter essa liberdade
23:04para se surpreender,
23:08né,
23:08para ter trocas
23:11diferentes
23:12com outras pessoas,
23:15com outros ambientes,
23:18com outros sabores,
23:20eu acho que é
23:21de uma riqueza
23:23cultural
23:23muito grande mesmo.
23:25Qual que foi a viagem
23:25mais marcante
23:26que você fez
23:26nesses últimos tempos?
23:30Nesses últimos tempos,
23:31eu diria que a viagem
23:32mais marcante
23:32que eu fiz
23:33é uma que aconteceu
23:34agora recentemente
23:35em abril de 2026,
23:37quando eu fui
23:38para o Nepal
23:38e fiz a caminhada
23:41de Lukla,
23:42que é uma cidadezinha
23:43já ali no meio
23:44dos Himalaias,
23:45até o acampamento
23:46base do Everest,
23:47foram 10 dias
23:48de caminhada
23:50com uma altitude
23:52bastante alta
23:53e foi bem desafiador
23:56fisicamente
23:57e mentalmente também,
23:58foi muito,
23:59muito legal,
24:00foi uma experiência
24:02transformadora
24:02para mim.
24:03E foi uma viagem
24:03pessoal?
24:04Foi uma viagem pessoal,
24:05não foi a trabalho,
24:07fui com um grupo
24:07pequeno,
24:08o interessante é que
24:09foi uma amiga minha
24:11que me falou
24:11que estava indo
24:12e eu assim
24:13meio que de ímpeto
24:14falei,
24:15vou também.
24:16Aí ela,
24:16nossa,
24:17vem, né?
24:18Então eu só conhecia ela
24:19e aí ali na viagem
24:20eu conheci mais
24:21três pessoas
24:22fora o organizador,
24:23nós éramos então
24:24num total de seis
24:27e o grupo
24:29ficou super coeso,
24:30todo mundo se deu
24:30muito bem,
24:32acho que todo mundo
24:32tinha bastante
24:33a mesma vibe,
24:37eu fiz tudo direitinho,
24:39eu era muitas vezes
24:40a mais lenta do grupo,
24:43exigente essa viagem,
24:44né?
24:44Nossa,
24:45meu,
24:45nossa,
24:46mas é isso,
24:47fui andando o tempo todo,
24:49não esmoreci.
24:50E aí,
24:51isso foi em abril,
24:52dois meses depois
24:53já estava praticamente
24:54na Riviera Francesa
24:55para sua primeira cobertura
24:57no Canilions,
24:58que é,
24:59assim,
25:00nosso público aqui
25:01está mais do que acostumado.
25:03E você já tem
25:04dez anos de Canilions,
25:05Isabela?
25:06Quase dez anos
25:07de Canilions.
25:07Parabéns,
25:08que legal, hein?
25:09É,
25:10e como é que foi
25:11essa experiência?
25:12Puxa,
25:12que legal,
25:13eu vou te falar,
25:13você vai para Canilions
25:15desde,
25:16é bem próximo
25:17da época em que o
25:18Zizu Papa
25:19foi o CEO do festival.
25:21Sim.
25:22Essa transmissão
25:23de Canilions
25:24para a CNN Brasil
25:25foi um projeto
25:26idealizado pelo
25:27Zizu Papa
25:29e ele acabou
25:31e acabou me chamando
25:32para entrar
25:32nesse projeto
25:34junto com ele
25:34e foi uma experiência
25:35muito,
25:36muito,
25:37muito satisfatória,
25:38muito bacana mesmo.
25:39Eu nunca tinha ido
25:40a Canilions,
25:41já tinha estado
25:42em Cannes
25:44e...
25:44Para o festival de cinema?
25:45Não,
25:46inclusive por causa
25:47do lugar em comum,
25:47justamente,
25:49porque tem uma temporada
25:49que a gente fez
25:50no sul da França
25:51e a gente
25:54pegou
25:54um carro
25:55conversível,
25:56se eu não me engano
25:57em Cannes mesmo
25:58e eu fui dirigindo
26:00por uma estrada
26:01que vai
26:02meio que
26:02ladeando
26:03o litoral
26:04ali,
26:05chamada Corniche d'Or
26:07até
26:08Saint-Tropez,
26:09que é pertinho,
26:10na hora e meia mesmo
26:10de carro,
26:11mas por essa estrada
26:12demora um pouquinho mais
26:13e tem,
26:14né,
26:14algumas paradas
26:15que são
26:15de
26:17pontos
26:18para ter uma
26:19vista bonita
26:20do litoral
26:21e tal,
26:23Belvederes,
26:24né,
26:24é isso?
26:25É assim que se chama?
26:26Acho que sim,
26:26acho que sim.
26:28Acredito que sim.
26:29É, acho que sim.
26:29Então,
26:29eu nunca tinha ido ao festival
26:30e foi uma
26:33experiência
26:35muito gratificante,
26:36eu
26:37e o Zizu Papa
26:39nos sentimos
26:40muito acolhidos
26:41pela CNN Brasil,
26:42tivemos boas entradas
26:43ao vivo,
26:45interações
26:45muito simpáticas
26:47com os apresentadores
26:48da emissora
26:48e a gente também
26:49teve a oportunidade
26:50de,
26:51além das entradas
26:52ao vivo,
26:52fazer algumas matérias
26:54sobre o festival,
26:55sobre as tendências
26:56que estavam,
26:57né,
26:57sendo avaliadas
26:59e comentadas
27:00ali em cada dia
27:03de Cannes Lions,
27:04então,
27:04foi,
27:05para mim,
27:06pelo menos,
27:07né,
27:07um desafio,
27:08mas ao mesmo tempo
27:09algo que
27:11me trouxe
27:13uma sensação
27:14de,
27:16ah,
27:18versatilidade
27:18em termos de comunicação,
27:20me senti apta
27:21a falar sobre
27:22o festival
27:24e sobre tudo
27:25que eu estava vendo
27:25acontecer por ali.
27:26Um desafio,
27:27você diria,
27:28por ser um formato
27:29um pouco diferente
27:30do que você já tinha feito,
27:32porque é outro assunto,
27:33é outro formato,
27:34talvez um pouco mais jornalístico
27:35do que Lugar em Comum,
27:37do que MTV,
27:37que era um pouco
27:39entretenimento,
27:40nesse sentido.
27:40do que até,
27:41né, Isabela,
27:42lembrando bem,
27:43do que até também
27:44as transmissões ao vivo
27:45dos festivais de música,
27:47né,
27:47porque eu
27:50sempre fiz as transmissões
27:51dos principais festivais
27:52de música
27:53que acontecem no Brasil
27:54para o Multishow,
27:56Lollapalooza,
27:56Rock in Rio,
27:57essencialmente,
27:58além de alguns outros.
27:59E
28:01esses
28:03festivais
28:04permitem
28:05uma comunicação
28:06que é um pouco
28:08mais informal,
28:09é diferente realmente,
28:11né,
28:12de uma entrada ao vivo
28:13dentro do CNN Live,
28:15né,
28:15que é o noticiário
28:17da manhã
28:17da CNN Brasil.
28:19Mas eu acho
28:20que a CNN tem
28:21esse mérito
28:22de ser
28:23uma emissora
28:24jornalística
28:25de muita credibilidade,
28:28mas
28:28sem precisar
28:30ser tão sisuda.
28:31Tem uma coisa,
28:32sabe,
28:32gostosa,
28:33é uma programação
28:35que
28:36traz
28:37para
28:38os jornalistas
28:39dos telejornais
28:40e para quem,
28:41por exemplo,
28:41participa de uma transmissão
28:42como essa,
28:43como foi o meu caso,
28:46uma soltura,
28:47uma coisa assim,
28:49mais autêntica,
28:50mais natural.
28:50Então,
28:52foi um desafio,
28:53mas ao mesmo tempo
28:54eu me senti à vontade,
28:55me senti muito à vontade.
28:56E foi,
28:57de certa forma,
28:58um retorno seu
28:59a esse universo
29:00da publicidade
29:01que você deixou lá atrás
29:02nos seus primeiros estágios.
29:04E aí você viu,
29:06pôde acompanhar de perto
29:07como a publicidade
29:08mudou muito,
29:10né?
29:10E aí você viu ali
29:11em loco,
29:12o que mais te impressionou,
29:13o que mais te chamou
29:14atenção a partir
29:15do que você viu,
29:16a partir das ideias
29:17que você trocou
29:18com as lideranças
29:18do mercado?
29:20Bom,
29:21primeiro de tudo,
29:22eu acho que é
29:24muito interessante
29:25esse
29:27posicionamento
29:28do festival
29:28de se colocar
29:30como um festival
29:30de criatividade,
29:32né?
29:32Porque até alguns,
29:33muitos anos atrás,
29:35era um festival
29:36de publicidade
29:37e eles foram
29:39se adaptando
29:40e entendendo que,
29:42na verdade,
29:42muito mais do que
29:43publicidade,
29:44quando a gente fala
29:45de comunicação
29:46de marcas,
29:47né?
29:47De posicionamento
29:48de anunciantes
29:49e de como as empresas
29:51querem se colocar
29:52para o seu público,
29:53isto é
29:54um trabalho
29:55de criatividade.
29:56Não importa
29:57em que meio
29:57que você vai atuar,
29:58se é na televisão,
29:59se é no rádio,
30:00se é em um outdoor,
30:02né?
30:02Então,
30:03eu acho que
30:04essa é uma
30:06premissa super interessante
30:08do festival
30:08e o que eu vejo
30:11é que é,
30:11cada vez mais,
30:13um lugar
30:14de encontro
30:16e de troca
30:18para olhar
30:19para o futuro.
30:20Então,
30:20isso foi o que eu senti
30:21ali em Can Lions.
30:24Eu estou falando
30:25cada vez mais
30:26porque,
30:26apesar de ter sido
30:27a minha primeira edição lá,
30:28eu tinha um pouco
30:29de informação,
30:31né?
30:31De como eram
30:32as edições anteriores
30:33e o que eu
30:34entendi
30:35é que está
30:36todo mundo ali
30:37em Cane
30:38realmente,
30:39assim,
30:40olhando o presente
30:41e pensando
30:42no futuro
30:43para daqui a um ano
30:45estar lá de novo
30:46reciclando as ideias
30:48e reajustando
30:50os parâmetros
30:50para mais um ano.
30:52Então,
30:53eu acho que é
30:55assim,
30:56é uma engrenagem
30:56muito interessante.
30:57interessante.
30:58E você entrevistou
31:00a Susan Cradle,
31:01que foi uma das maiores,
31:03né?
31:03É uma das maiores
31:05criativas do mundo
31:06e o Ed Cue
31:07da Apple,
31:08que foi eleito,
31:09né?
31:09A pessoa de entretenimento
31:11do ano.
31:12Tem alguma mensagem,
31:14alguma coisa ali
31:15que eles te falaram
31:16na entrevista
31:16que ficou com você?
31:18Algumas,
31:19algumas.
31:19Isabela,
31:19essas duas entrevistas
31:20foram realmente
31:21muito marcantes.
31:22a Susan Cradle
31:23recebeu
31:24neste ano
31:25em Canlines
31:25o prêmio
31:26de Leão de São Marco,
31:28né?
31:29Que é o prêmio
31:30que reconhece
31:30o legado
31:31de um publicitário.
31:35Então,
31:36é uma premiação
31:37que realmente
31:38enaltece
31:38toda a importância
31:40da Susan Cradle
31:41dentro desse mercado.
31:44E
31:44uma coisa que eu achei
31:46super bacana
31:47na entrevista
31:48com ela
31:48foi que
31:49ela comentou
31:50que ela,
31:50desde pequenininha,
31:51tem a lembrança
31:52de gostar
31:54de ver os intervalos.
31:56Que
31:58eu acho
31:59que é importante
32:00contextualizar.
32:01Eu tenho a impressão
32:03que ela
32:03deve ser um pouquinho
32:04mais velha que eu,
32:06né?
32:06Estou falando isso
32:07só para contextualizar
32:08e reforçar
32:09que a gente está falando
32:10de uma época
32:11que é anterior
32:12aos smartphones,
32:14tablets,
32:15anterior a ter
32:15uma tela
32:16nas mãos
32:17e poder decidir
32:19o que você vê
32:20ou não, né?
32:20A gente está falando
32:21de uma televisão,
32:22tinha a programação
32:23intervalo comercial,
32:25programação de novo
32:26e assim por diante.
32:29No momento
32:29do intervalo,
32:31muitas vezes
32:31a gente aproveitava
32:32para ir rapidinho
32:33ao banheiro,
32:34né?
32:35O pit stop
32:36para o
32:37pip stop
32:40ou passava
32:42na cozinha
32:42para comer um lanche
32:43e tal
32:43e muitas vezes
32:43a gente só ficava
32:44no sofá
32:45assistindo
32:46ao intervalo comercial.
32:48Então,
32:48a Susan Cradle,
32:49como boa publicitária
32:50que é,
32:51falou na entrevista
32:52que ela,
32:54desde criança,
32:55gostava de assistir
32:57aos comerciais.
32:58E eu achei isso
32:58muito simpático
33:00porque a verdade,
33:01Isabela,
33:01é que a gente tem
33:03que reconhecer
33:03que os anúncios
33:06constroem
33:07a nossa identidade cultural
33:09também.
33:10Além do entretenimento,
33:12além das manifestações
33:13culturais mais diversas,
33:15não precisa ir longe,
33:17né?
33:17O Papai Noel
33:17com as cores
33:18vermelho e branco
33:19é uma invenção
33:22da Coca-Cola,
33:23né?
33:24Será que vocês
33:25sabiam disso?
33:26Não,
33:27o Papai Noel,
33:28o Papai Noel
33:28é uma figura
33:29mítica lá da Lapônia
33:31e tal,
33:31que sempre existiu,
33:32mas a figura dele
33:34com a roupa
33:35vermelha e branco
33:36é oriunda
33:37de uma campanha
33:38publicitária.
33:39Então,
33:39eu achei legal
33:40porque
33:42é uma publicitária
33:44reconhecendo
33:46de onde já veio
33:48o princípio
33:49do interesse dela
33:50na carreira
33:51que ela decidiu trilhar.
33:52Eu achei isso bonito.
33:53No caso do Ed Kiel,
33:54foram vários insights
33:55bacanas,
33:56mas uma das coisas
33:56que eu mais gostei
33:57de ouvir dele
33:59é como ele gosta
34:01de trabalhar em equipe,
34:02porque a gente
34:03está falando
34:03de um executivo
34:05que tem uma importância
34:07tão grande
34:09e um currículo
34:10de 39 anos
34:12de Apple
34:13que seria,
34:15talvez,
34:16compreensível
34:17que ele assumisse
34:18toda a importância
34:22da sua figura
34:23como esse executivo
34:25de tanto destaque.
34:27E não me pareceu
34:29um discurso ensaiado.
34:31Realmente,
34:31o que eu senti ali
34:32foi uma coisa genuína
34:34de alguém que sabe
34:36que ele tem
34:37essa importância toda,
34:38mas que ele só faz
34:39o que ele faz
34:40porque tem muita gente
34:42ali dando suporte,
34:44contribuindo,
34:45colaborando com o trabalho dele.
34:47É,
34:47ele é responsável
34:48por tanta coisa ali na Apple
34:50que você fala
34:50como assim, né?
34:51É Apple TV,
34:52mas é Apple um monte
34:53de coisas ali, né?
34:54Várias frentes ali.
34:56Tudo, tudo, tudo.
34:57Tudo não, né?
34:58Mas tudo de entretenimento
34:59e tal,
35:00basicamente está
35:00embaixo do guarda-chuva dele.
35:02E voltando
35:02num ponto
35:03que tem a ver
35:03um pouco com isso,
35:04assim, né?
35:05De intervalo,
35:07que antes, né?
35:07Tinha só o intervalo
35:08da programação,
35:09como você falou,
35:10e agora tem o poder
35:12da escolha
35:12nas nossas mãos,
35:13né?
35:13Na telinha ali.
35:14Como que é
35:15a sua relação
35:17com tanta informação?
35:18Como que você filtra isso?
35:20Porque você é uma pessoa ativa
35:21nas suas redes sociais, né?
35:23Como é que é
35:24esse equilíbrio
35:24entre o que você quer mostrar,
35:27o que você deixa de mostrar,
35:28o que você consome,
35:30o que o momento
35:31que você fica off,
35:32se é que existe esse momento?
35:35Eu acho que eu consegui
35:36encontrar bem
35:37esse equilíbrio,
35:37porque eu,
35:38no fundo,
35:39no fundo,
35:39Isabela,
35:40não compartilho muito
35:41da minha vida pessoal.
35:42Coloco uma coisa ou outra,
35:43pra também não parecer, né,
35:44que eu tô guardando tudo
35:45as sete chaves,
35:47mas,
35:47a bem da verdade,
35:49eu acho que preservo bem
35:51a minha privacidade.
35:52Então,
35:52isso pra mim,
35:54assim,
35:54eu acho que o desafio,
35:55na verdade,
35:56é que eu deveria,
35:57talvez,
35:58pra ganhar um alcance
35:59ainda maior,
36:00compartilhar mais
36:01sobre o meu dia a dia.
36:02mas eu acabo optando
36:05por ter menos alcance
36:07e um pouco mais
36:08de privacidade
36:10e do meu universo ali
36:13protegidinho,
36:15né,
36:15com ônus e bônus
36:16pra cada escolha
36:17que a gente faz.
36:18Mas,
36:21eu gosto
36:22das redes sociais,
36:24eu uso bastante,
36:25o problema
36:26é que eu tenho lido
36:27cada vez menos.
36:29É um problema.
36:29livros.
36:30É.
36:31Eu tenho lido livros
36:32cada vez menos,
36:33é um problema.
36:34É um problema.
36:35Mas,
36:36porque você fica muito
36:37lá no scrolling.
36:39E porque,
36:39e porque,
36:39porque,
36:40é quase,
36:42eu brinco,
36:42né,
36:42e eu gosto mesmo
36:43das redes sociais,
36:45mas,
36:45é um,
36:46como a gente,
36:47né,
36:47fala em inglês,
36:48um rabbit hole,
36:49né,
36:49o buraco do coelho ali,
36:50da Alice,
36:51que você vai meio que
36:52entrando,
36:53porque se você posta
36:54uma foto,
36:56daí começam a entrar
36:56os comentários.
36:58Aí,
36:58o ideal,
36:59e bacana,
37:00e eu gosto de fazer isso,
37:01é que você interage
37:02com esses comentários,
37:03porque a pessoa
37:04que te segue,
37:05se deu o trabalho
37:06de interagir com aquela foto,
37:07então,
37:08eu acho que o mínimo
37:08que eu posso fazer
37:09é interagir de volta.
37:11Então,
37:11você entendeu?
37:12É uma coisa
37:12que vai consumindo o tempo
37:14de um jeito exponencial.
37:17As notificações, né?
37:18Eu nem tenho
37:19notificação ativada,
37:20eu não tenho mesmo,
37:21mas é isso,
37:22eu entro lá no post
37:23que eu acabei de subir,
37:24já tem,
37:25sei lá,
37:2530,
37:2540 comentários,
37:27um eu dou like,
37:27outro eu respondo,
37:28outro eu dou like
37:29de novo,
37:30enfim,
37:31no geral,
37:32obrigada ao meu público,
37:33não tenho comentários negativos
37:35no geral,
37:36então,
37:36amém.
37:37Não tem hate.
37:38Enfim,
37:39não é um que eu nunca tenha tido,
37:40mas é raro,
37:41eu sinto muito carinho
37:43mesmo do público,
37:44e daí é isso,
37:45daí você interage,
37:46aí depois de interagir,
37:47a coisa vai meio que arrefecendo,
37:50mas aí você tem que subir
37:51outro post,
37:52então,
37:52o ciclo,
37:53né,
37:54começa de novo.
37:55E quais são as suas fontes
37:57de inspiração
37:58quando você não está trabalhando,
38:00quando você não está
38:01nas redes sociais,
38:02como que você se alimenta,
38:03como você desanuvia?
38:05Ah,
38:05eu adoro viajar,
38:07obviamente,
38:08gosto bastante de ir para a praia,
38:10gosto de entrar no mar,
38:11gosto de andar na areia descalça,
38:14isso me alivia tensões
38:17e me traz energia,
38:20eu gosto,
38:21na verdade,
38:21também de coisas que eu faço
38:22no meu dia a dia,
38:23faço yoga,
38:24que é uma prática
38:26que também me
38:28traz uma coisa mais centrada
38:30e de concentração,
38:32gosto muito,
38:33gosto de uma aula
38:34que eu tenho feito
38:35com mais frequência,
38:36que é de treino funcional
38:37e boxe,
38:38estou ficando muito fera,
38:39estou achando,
38:40estou tipo,
38:41né,
38:41Didi Balboa,
38:42né,
38:47e adoro
38:49programas culturais,
38:50né,
38:50gosto de
38:51a museu,
38:52a cinema,
38:53adoro.
38:54E depois de tanto tempo
38:55cobrindo os principais
38:56festivais brasileiros
38:58de música,
38:59o Rock in Rio,
39:00né,
39:00não é brasileiro,
39:00enfim,
39:01é brasileiro,
39:01mas depois,
39:02né,
39:02foi para Lisboa também,
39:03mas,
39:03e o Lola,
39:04não,
39:04mas é brasileiro,
39:05ele pode ter edições,
39:06mas,
39:07assim,
39:08a alma,
39:09a alma é brasileira,
39:10e o Lola,
39:11enfim,
39:12você ainda gosta
39:13de ir a shows?
39:14Eu amo,
39:15amo,
39:16imagina.
39:16Tem algum que te marcou
39:17muito,
39:18sendo a trabalho ou não?
39:19Bom,
39:20eu fui em 2020
39:22e,
39:24tudo bem,
39:24já tem até um tempinho,
39:25mas eu fui em 2023
39:28para Frankfurt,
39:29só para ver a Beyoncé,
39:30por exemplo,
39:31para ver a Renaissance Tour,
39:33pro Gramey,
39:34imagina,
39:35Isabela,
39:36passagem de avião,
39:37hotel,
39:38os ingressos do show,
39:40toda uma logística,
39:41fui com a minha filha mais velha,
39:42Laura,
39:43só para ver a Queen Bee no palco.
39:46Para testemunhá-la.
39:47É,
39:48fiz esse investimento aí.
39:50Mas eu,
39:51nossa,
39:52assim,
39:52adoro esse programa,
39:53já,
39:54eu vi o Kendrick Lamar
39:55no Barclays Center,
39:56em Nova York,
39:57eu,
39:59nossa,
40:00para lembrar,
40:01vi o Paul McCartney aqui,
40:03recentemente,
40:03né,
40:04o que,
40:04dois anos atrás,
40:05mais ou menos,
40:06no,
40:06que então se chamava
40:08Allianz Parque,
40:08agora é no Ben Carena.
40:13Nossa,
40:14eu adoro,
40:15eu adoro ver shows ao vivo,
40:17acho que é uma experiência
40:21muito forte do coletivo.
40:24Eu,
40:25eu,
40:25por exemplo,
40:25vejo muito valor nas transmissões
40:27que a gente faz,
40:28né,
40:28dos shows,
40:29porque você está levando
40:31aquela experiência
40:33para quem está em casa,
40:35mas nada se compara
40:36a você estar ali,
40:38inserido,
40:39na plateia,
40:40vendo aquilo tudo acontecer ao vivo.
40:42Naquela atmosfera,
40:44né,
40:44imerso ali.
40:45E aí a gente falou
40:46de coisas que te inspiram
40:47e pessoas que te inspiram.
40:49Eu li uma entrevista recente
40:50de você falando
40:51da sua avó,
40:53de você falando
40:53da sua mãe
40:54como figuras
40:55muito inspiradoras
40:56em vários sentidos,
40:58né,
40:58essas são as pessoas
41:00que mais te inspiraram
41:01ao longo da vida?
41:02Eu acho que
41:05provavelmente sim,
41:06Isabela.
41:07São figuras femininas
41:08muito
41:10importantes
41:11para mim
41:11e
41:12muito inspiradoras
41:14mesmo.
41:15Eu estive com a minha avó
41:17hoje de manhã,
41:18que engraçado você ter falado
41:19dela agora,
41:20fui visitá-la com a minha filha
41:21mais velha,
41:22Laura.
41:23minha avó está com 94 anos,
41:26já está demonstrando
41:28algumas falhas de memória
41:29e tal,
41:30mas
41:30é uma mulher linda
41:32e
41:33que tem uma história
41:34de vida
41:35muito peculiar,
41:36né,
41:37ela é sobrevivente
41:37da Segunda Guerra Mundial,
41:39ela não chegou a ir
41:39para campo de concentração,
41:41mas se escondeu
41:42num sótão
41:43em Budapeste,
41:44uma daquelas histórias
41:44que parecem de filme
41:45e
41:47acho uma mulher
41:48batalhadora
41:49e que trouxe
41:53para a minha mãe
41:54esse entendimento
41:56da resiliência,
41:57de
41:59seguir em frente
42:00e
42:01minha mãe
42:02por sua vez
42:03passou isso para mim,
42:04então acho que
42:05são realmente
42:06fontes de inspiração.
42:08Que legal,
42:09poder, né,
42:10ter uma avó presente
42:11até hoje.
42:12Não é?
42:12Imagina,
42:13minha filha tem uma bisavó,
42:14olha que coisa linda.
42:16Muito legal.
42:17Minhas filhas,
42:17é que eu fui só com uma delas hoje.
42:19São três filhas.
42:20São três meninas,
42:21três meninas,
42:21a Laura de 22 anos,
42:23a Luísa de 20
42:23e a Júlia de 17.
42:26Então é isso, né,
42:27a sorte delas de...
42:28Uma família cheia de mulheres.
42:29É,
42:30e que é isso,
42:31imagina,
42:32essas meninas são adultas já
42:33e podem falar
42:34que tem bisavó.
42:35Isso é...
42:36Um baita privilégio.
42:37É, um baita privilégio.
42:38E eu sei que você é afeita
42:40a trocadilhos,
42:41porque você sempre fala
42:42das didicas.
42:43Trocadilhos, né,
42:44Isabela?
42:45Trocadilhos,
42:46pô, como não?
42:47A gente também tem um trocadilho
42:48aqui no programa,
42:49que é com o nome do programa,
42:51que aí eu sempre pergunto
42:52a melhor ideia
42:53e a pior ideia
42:54que a pessoa já teve.
42:57Ou a melhor ideia
42:59com a qual você teve contato
43:01que mais te impactou.
43:02A gente pode pegar
43:03alguma de Canilions,
43:05por exemplo,
43:05mas vou deixar você livre
43:07para responder.
43:09Pensando nessa referência
43:11a Canilions,
43:12eu diria que a melhor
43:15e a pior ideia
43:16são a mesma coisa,
43:17que é a inteligência artificial.
43:20Ela pode ser a melhor ideia
43:22se bem aproveitada,
43:24se bem utilizada,
43:26e pode ser a pior ideia
43:27dependendo também do contexto.
43:31E você viu bastante
43:32discussões sobre isso,
43:33eu imagino lá, né?
43:34Sim.
43:35Existe um certo,
43:36até um certo cansaço, né,
43:38parece, assim,
43:38em relação a quanto
43:40esse tema é onipresente,
43:42mas é tão parte da vida, né,
43:44das pessoas e da publicidade
43:46que não tem como fugir, né?
43:47Não, mas o que eu entendi
43:49nessa edição,
43:51Isabela,
43:51aqui, né,
43:52ressaltando,
43:52não foi a minha primeira,
43:53mas eu me informei
43:54sobre as anteriores,
43:55é que, neste ano,
43:59já se pressupõe
44:00que a inteligência artificial
44:01é um recurso,
44:02é uma ferramenta,
44:03é algo que está presente
44:05no dia a dia das empresas,
44:07sejam elas agências de publicidade
44:09ou anunciantes,
44:11não importa.
44:11Então, a discussão não é mais, né,
44:14se haverá uso
44:16da inteligência artificial
44:17e sim como evoluir
44:19a criatividade
44:20a partir do uso
44:22da inteligência artificial
44:23sem deixar que a inteligência artificial
44:25se sobreponha
44:26ao que nós, humanos,
44:28temos de mais valioso
44:29que é a imaginação.
44:31Então, isso é o que eu entendi
44:33que foi o assunto, assim,
44:35mais recorrente ali
44:37entre tantos painéis
44:39e apresentações
44:40em Cannes Lions.
44:42E agora, falando mesmo
44:44de dicas,
44:45porque você tem dois livros
44:46que reúnem um pouco
44:49das suas paixões ali
44:51em relação a duas cidades,
44:53Nova York e São Paulo,
44:55que de dica que você dá
44:57para fazer,
44:58de coisas para fazer
44:59em São Paulo,
45:00para fazer ou para ver?
45:01Em São Paulo?
45:02Em São Paulo,
45:03mas podemos falar de Nova York
45:04na sequência também.
45:05Acho que uma de dica legal
45:07é o Mataleb,
45:09que é uma multimarcas
45:11ali no Complexo Rosewood
45:13e que tem lojas muito legais,
45:17uma curadoria bem bacana.
45:20Eu fiquei muito impressionada
45:21quando eu fui lá.
45:22E de Nova York?
45:23De dica de Nova York,
45:24não há uma grande de dica,
45:26mas por acaso eu fiz isso hoje
45:28porque a minha filha
45:29está voltando para Nova York
45:31amanhã e vai morar lá
45:33e trabalhar na cidade,
45:35que é de entrar em sites
45:39de venda de ingressos,
45:41de eventos culturais,
45:42com bastante antecedência
45:44para você,
45:45um, descobrir o que vai ter
45:46quando você estiver na cidade,
45:48dois, poder comprar com preço
45:49de tabela e não com preço inflacionado
45:53pela falta de antecedência
45:55em relação à data do evento.
45:58Porque Nova York é uma cidade
45:59onde muita coisa acontece
46:01ao mesmo tempo.
46:02Eu lembro quando eu morava
46:03em Nova York,
46:04Isabela, que às vezes,
46:05mesmo morando em Nova York,
46:07assinando o New York Times
46:08e tudo mais,
46:09e me preocupando em me informar,
46:11eu de repente descobria
46:12que ia ter um baita de um show,
46:14vamos supor,
46:15no MetLife Stadium,
46:16que é em New Jersey,
46:17que é outro estado,
46:19mas que é ali,
46:20do lado de Nova York,
46:21do lado de Manhattan,
46:21você pega no metrô e chega,
46:23que é onde aconteceram
46:24os Jogos da Copa, inclusive.
46:25E o pessoal ficava chamando
46:26de estádio de Nova Jersey
46:29em Nova York, né?
46:31Acho que a FIFA inventou
46:33essa ideia aí.
46:35Enfim, e eu falava,
46:37gente, quase que passou batido
46:39por mim,
46:40e era um baita de um show.
46:42Então, não é uma grande dica,
46:44mas é isso, assim,
46:45não deixa para descobrir
46:46chegando lá.
46:47Veja a antecedência,
46:48entre nos sites,
46:49se informe antes.
46:50Mas para aproveitar melhor,
46:52né, a cidade, né?
46:53É isso.
46:53Se organizando um pouco.
46:54Mas o que te motivou
46:55a escrever esses dois livros?
46:57Eu comecei com
46:58Minha Nova York,
46:59porque eu morava em Nova York,
47:01e eu circulava muito
47:02pela cidade,
47:03gravando O Lugar em Comum.
47:05E o que me motivou
47:06a escrever o Minha Nova York
47:07foi justamente sentir
47:08que eu tinha
47:10um olhar muito particular
47:12sobre Manhattan,
47:13que eu queria compartilhar
47:14com o meu público,
47:16que eu queria poder levar
47:18para mais pessoas
47:19mais do que só
47:20o que eu estava colocando
47:21no ar,
47:22no lugar em comum.
47:23Os restaurantes
47:24que eu costumava frequentar,
47:25programas culturais,
47:26que às vezes
47:27eram programas
47:28que eu fazia
47:28na minha vida pessoal,
47:30e não por conta
47:31das gravações
47:32do programa.
47:33Então,
47:34eu acho que
47:35essa foi a minha
47:36maior motivação.
47:37E quando eu pensei
47:38em escrever o Guia,
47:40e era uma época
47:41em que o mundo
47:42era menos digital,
47:44eu lancei o Guia
47:45em 2008 ou 2009,
47:47por aí,
47:49eu lembro também
47:50de me questionar,
47:51Isabela,
47:52assim,
47:52bom,
47:52mas quem precisa
47:53de mais um Guia
47:54de Nova York,
47:54sendo que já tem
47:55o Fodders,
47:56o Fromers,
47:57o Guia da Folha
47:58de São Paulo,
47:59tantos outros guias
48:00super completos.
48:01E foi assim
48:02que eu tive
48:02um clique,
48:04uma eureca,
48:05que foi,
48:06o meu Guia
48:07não vai ser o mais completo,
48:08vai ser só o Guia
48:10com a minha curadoria,
48:13minha Nova York.
48:14E depois veio
48:15de São Paulo.
48:16E depois veio
48:16de São Paulo.
48:17O de São Paulo
48:18eu lancei em 2022.
48:20Quase mais de
48:2110 anos, né?
48:22É.
48:23Intervalinho bom aí.
48:24E a gente falou
48:25um pouco aqui,
48:26do lado bom
48:26e do lado ruim
48:27da IA,
48:28da comunicação publicitária,
48:30da comunicação,
48:31da sua trajetória
48:32como comunicadora
48:34em diferentes formatos,
48:35e hoje a gente vê,
48:37assim,
48:38em que todo mundo
48:38tem,
48:39na palma da mão,
48:40com o celular,
48:41o poder de se comunicar.
48:44E você tem
48:45muitas ali
48:47possibilidades, né?
48:48Pra se comunicar
48:49e pra receber também
48:50informação.
48:52Diante de tudo isso,
48:53qual hoje continua
48:54sendo pra você
48:55o valor
48:56de uma boa comunicação?
48:58Isso falando
48:59da publicidade,
49:02falando da comunicação,
49:03né?
49:05como profissional.
49:06Eu acho que é o que
49:07nos faz humanos, né?
49:09Essa troca,
49:10essa interação.
49:13Eu acho que o que é
49:14mais importante
49:15na comunicação,
49:15na verdade,
49:16é a escuta.
49:18E olha o que eu gosto
49:19de falar, hein?
49:23Mas eu acho.
49:24Eu tenho uma grande amiga
49:27que é uma super advogada
49:30especializada em arbitragem.
49:32Toda vez que eu converso
49:34com ela,
49:35eu fico muito maravilhada
49:37com a forma como ela me ouve.
49:40e daí ela, né,
49:41sempre me dá
49:45ideias
49:45e comenta
49:48coisas
49:49sobre o que eu falei
49:51com uma inteligência
49:52que eu, inclusive,
49:53considero meio soberana,
49:54no caso dessa minha amiga.
49:55Mas eu falei pra ela
49:58outro dia,
49:58eu falei,
49:59o teu dom da escuta
50:02é muito valioso.
50:03Eu acho que ela desenvolveu isso
50:06muito por conta da carreira
50:07que ela escolheu
50:08seguir
50:09e provavelmente
50:10já é uma coisa também
50:12que ela tem
50:14inerente a ela,
50:15não sei.
50:17Não sei se até de antes
50:19dessa carreira,
50:21mas
50:22eu acho que a boa comunicação
50:24depende
50:24de escuta.
50:29Que é algo que
50:30é um ativo valioso
50:33que está, de certa forma,
50:34em escassez, né,
50:35em muitos lugares.
50:36E eu acho que, inclusive,
50:37essa coisa, né,
50:37da polarização
50:38que a gente vê
50:39e que é...
50:40E eu gosto
50:41das redes sociais.
50:42Eu não estou falando isso,
50:43assim, né,
50:44como só um olhar crítico,
50:47porque eu realmente
50:47eu gosto
50:48e, assim,
50:49eu uso o Instagram
50:50não só, né,
50:53porque eu tenho
50:54o meu perfil
50:54ativo lá,
50:55mas porque eu gosto
50:56de me alimentar também
50:57pelo que as pessoas postam.
50:58Então, eu gosto
50:59das redes sociais.
51:00Mas, de fato,
51:00a polarização
51:01é um efeito, né,
51:03que é trazido
51:05pelas redes sociais,
51:07que eu acho
51:08um efeito
51:10devastador
51:11para a sociedade humana
51:12como um todo
51:14e que
51:16é o...
51:19é epítome
51:20da falta de escuta.
51:21Porque se todo mundo
51:22se escutasse um pouco mais...
51:24Assim, gente,
51:25não é...
51:26Alguém, por exemplo,
51:27pode estar me escutando agora,
51:29né, por falar em escuta
51:30e pensar assim,
51:31ai,
51:32essa é uma visão
51:33um pouco naif,
51:35um pouco ingênua,
51:36de achar que todo mundo...
51:37Eu não estou falando
51:37que todo mundo
51:37tem que, né,
51:38se dar as mãos
51:39e ser feliz
51:40e amigo
51:42para todo sempre.
51:43Eu só acho, assim,
51:44que se a gente escutar
51:45um pouco, né,
51:46um lado e outro,
51:48talvez a gente consiga
51:49ter um entendimento melhor
51:53de que, assim,
51:54os extremos
51:56não são
51:57construtivos
51:58de que
51:59mesmo que você tenha
52:01uma posição
52:01muito definida
52:02sobre um assunto,
52:03em algum ponto
52:04pode ser que haja
52:05convergência
52:06com uma pessoa
52:07que está
52:08em outro espectro
52:09daquele
52:10mesmo assunto,
52:12entendeu?
52:12Eu não sei,
52:13não sei se é uma visão
52:14muito, assim,
52:17utópica minha,
52:18mas, sei lá,
52:18eu tendo a achar que,
52:20enfim,
52:21é isso,
52:22que a escuta
52:24mais desenvolvida
52:25traria efeitos bons
52:26para a sociedade.
52:27Que a escuta
52:28é saber ouvir,
52:29saber perguntar,
52:30querer entender
52:31as nuances, né?
52:32Exato,
52:33olhar um pouco
52:33o lado do outro,
52:34ninguém está falando
52:34que é para você
52:35abraçar a ideia
52:36do outro,
52:37você pode continuar
52:38com as suas convicções,
52:39mas eu acho que, né,
52:40o radicalismo é ruim
52:42de qualquer forma,
52:43eu acho para qualquer
52:44tipo de assunto,
52:45e isso não significa
52:47que é para ser isento,
52:48né,
52:48você tem que ter, né,
52:50posicionamentos claros
52:51sobre assuntos específicos,
52:53ok,
52:54mas é isso,
52:56eu acho que a comunicação
52:57depende de escuta.
52:59E com essa de dica,
53:00a gente encerra
53:01a nossa ideia de hoje.
53:03Olha aqui,
53:04eu nem fui brifada,
53:05hein, Isabela,
53:05falei esse negócio agora
53:06aqui, assim, né,
53:07no style mesmo.
53:08Ah, assim que é bom.
53:10Obrigada, Didi.
53:11Obrigada a você,
53:12obrigada a ideia
53:13e a todos aqui do estúdio,
53:15adorei.
53:15Até uma próxima.
53:16Até.
53:18Continue acompanhando a ideia
53:19nos canais de e-mail e mensagem,
53:21no streaming de sua preferência
53:23ou na nossa página do YouTube.
53:24Os episódios são gravados
53:26no Content Club em São Paulo.
53:28Até mais.
53:29Até mais.
53:30Tchau.
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