- há 17 horas
Fundador e CEO da Chilli Beans relembra origem da empresa, reflete sobre os desafios do empreendedorismo e fala sobre sua paixão pela música
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PessoasTranscrição
00:00De um pequeno stand no mercado Mundo Mix nos anos 90, em São Paulo,
00:04o meu convidado de hoje criou uma multinacional chamada Chili Beans,
00:07que tem mais de 1.300 pontos de venda no Brasil e em países como Estados Unidos, Costa Rica, Portugal
00:13e em cidades mais recentemente como Miami.
00:17O case de sucesso atrelado à sua personalidade falante e descontraída
00:20fez uma das vozes proeminentes do empreendedorismo brasileiro.
00:23Além de ser um autor de livros como E Se Colocar Pimenta e Se Parar o Sangue Esfria,
00:30ele é jurado do Shark Tank Brasil e palestrante recorrente.
00:34Mas ele não fica só no tema de negócios, ele fala abertamente sobre assuntos como saúde mental,
00:38inclusive os desafios que enfrenta com a própria.
00:41E sobre o que mais dá na telha.
00:42Eu sou Isabela Lessa, editora do Meio e Mensagem, esse é o A Ideia,
00:46podcast que é um espaço pra gente falar das ideias que mudam trajetórias e negócios.
00:51Hoje eu tenho o prazer de conversar com o Caíto Maia, CEO da Chili Beans, seja muito bem-vindo.
00:57Obrigado, querida. Obrigado pela apresentação, apresentação de nível altíssimo.
01:02Obrigado. É legal assim que, tipo, né, depois de 30 anos, quando você escuta um pouco da tua história,
01:06assim, você fica, fala, poxa, acho que eu fiz alguma coisinha, é legal.
01:11A gente que agradece.
01:17Ó, Caíto, eu queria que você contasse um pouco sobre o que antecedeu a sua carreira como empresário.
01:24Você teve uma relação ali muito forte na sua infância com os esportes,
01:30aí você migrou pra outra paixão que foi a música.
01:33E a Chili Beans é muito atrelada a festivais como Lollapalooza, como Rock in Rio.
01:38Queria que você contasse a sua relação pessoal com a música.
01:41Então, na verdade, assim, desde que eu nasci, tipo, a hora que eu comecei a pensar, assim,
01:45tipo, é sempre música.
01:47Banda, estourar, gravadora.
01:49E, assim, o problema da banda é a banda, né?
01:52Que a banda é muito ego, é o trabalho, um quer fazer, outro não quer fazer.
01:57Mas, assim, eu tive várias bandas.
01:59E, assim, sempre foi uma relação muito forte, assim.
02:01E, assim, vale lembrar que não é que eu tive, tipo, não era um negócio amador, assim.
02:06Eu tive três bandas que, putz, eu cheguei muito perto de estourar, assim.
02:10Muito.
02:11Mas quais são as suas primeiras lembranças, assim?
02:13Tipo, o que você ouvia?
02:15As suas primeiras lembranças musicais ali?
02:17Então, assim, desde moleque, assim, até, deixa eu ali mandar um abraço pra galera da técnica,
02:21que era a galera metaleira, né?
02:23Você vê as camisas da galera.
02:24Eu era metaleiro também.
02:26Só que eu era um metaleiro meio poser.
02:28Mas eu era metaleiro também.
02:30Desde moleque, cara.
02:31Desde, não sei, nove anos, oito anos de idade, era uma parada com música.
02:35Música, gravar a fita cassete, ter a fita cassete, ter o disco, entendeu?
02:41Tipo, sempre, assim.
02:43Eu sempre fiz muito esporte, porque eu fiz no clube.
02:45Tipo, eu tinha uma facilidade com esporte.
02:47Eu jogava basquete, era federado do paulistano e tal.
02:49Mas a música, pra mim, de brilho no olho, sabe?
02:53Assim, de paixão, de falar de sonho, sempre foi a música do começo.
02:57Então, respondendo a sua pergunta, desde moleque, e tem uma coisa interessante.
03:01Meu pai era músico.
03:02O que ele tocava?
03:04Ele era professor de piano.
03:05Meu pai inventou um método muito legal pra uma pessoa que nunca tocou piano na vida.
03:09Em quatro aulas, tocava uma música.
03:12Era muito legal.
03:13Deu aula pra Antônio Hermídio de Moraes, pra uma galera.
03:16Muito legal.
03:16E ele odiava que eu fosse músico.
03:18E ele falou assim, se depender de mim, você não vai tocar um acorde.
03:20Ele nunca me ensinou um acorde.
03:22Entendeu?
03:22Porque ele não queria que você seguisse esse caminho.
03:24Ele falava que ele não queria que eu sofresse o que ele sofreu.
03:27Não é fácil.
03:28O mundo artístico e tal, né?
03:29E você toca piano?
03:30Não, piano não.
03:31Mas eu toco violão, eu toco guitarra, toco bateria, canto um pouco.
03:36Eu tenho facilidade com o instrumento musical.
03:38Mas, respondendo a sua pergunta, sempre foi música.
03:41Música, música.
03:42E eu sempre...
03:43E em paralelo, como a música sempre deu prejuízo,
03:47eu sempre usei esse instinto de empreendedorismo pra bancar a música.
03:53E aí você teve bandas que não deram certo,
03:56mas aí você teve uma que até concorreu ao VMB,
04:01que era uma premiação da MTV,
04:03pra quem tá nos ouvindo e não ouviu falar,
04:06que é Las Chicas en Fuego, né?
04:07Como é que foi?
04:08Foi a ideia sua, da banda?
04:09Você que era o cabeça que idealizava os grupos?
04:12Assim, só pra te falar uma coisa, até as poucas pessoas sabem,
04:17antes disso, eu tive uma banda que chamava Sylvia James.
04:21Sylvia James era uma banda de música eletrônica, de tecno-pop,
04:27na época de New Order, essas bandas e tal.
04:30E a gente assinou o contrato com o Gugu Liberato.
04:32E eu fui no programa do Gugu Liberato.
04:34E a gente ia ser lançado pela Promoarte,
04:37e naquela época, diferente de hoje,
04:39o que ele tinha?
04:40Ele tinha os artistas que ele contratava,
04:42daí ele lançava no programa e no dia seguinte estourava.
04:45Era bem instantâneo.
04:47É, e era muito uma fórmula que funcionava.
04:49O cara tinha o canal, né?
04:50Tipo, ia lá no domingo legal,
04:52você tocava playback,
04:54e no dia seguinte ele dava o telefone no ar.
04:58E aí o que aconteceu foi que o tecladista da banda,
05:02que era o cara que compunha,
05:05que tinha todo o equipamento,
05:06e o cara acordou no dia seguinte e falou,
05:07não quero mais.
05:09E aí morreu.
05:11E até o empresário que morava na Granja Viana,
05:14ele chamou o meu pai um dia e falou assim,
05:15você está preparado o que vai acontecer com o seu filho?
05:18Que ele vai estourar e vocês vão ganhar muito dinheiro com isso.
05:21E aí o cara desistiu.
05:23E aí depois eu tive outras bandas,
05:25e também tive uma banda que se chamava
05:26Elastica Sanefuego,
05:27que a gente concorreu no VMS da MTV.
05:30Tinham dois mil clipes de banda,
05:31e foram escolhidos cinco bandas,
05:32e a gente foi uma delas.
05:33E a gente fez turnê no Brasil inteiro,
05:36foi uma coisa bem profissional,
05:39uma parada, fizemos show.
05:41Tipo, naquela época,
05:43tinha uma coisa muito legal que a Sony fazia,
05:45que chamava Super Demo.
05:48Olha só que legal,
05:49era um subsero da Sony.
05:52E eles ficavam de olho em umas bandas,
05:56daí todo ano eles faziam um turnê da Super Demo,
05:58que eles pegavam as bandas que eles achavam
06:00que podiam estourar e colocavam na vida
06:02para fazer show.
06:03E depois disso eles contratavam ou não.
06:05E a gente participou do turnê da Super Demo
06:09no ano de Raimundos,
06:17do Marcelo D2,
06:19o, como chama?
06:21Planet Ramp.
06:22Então só para você saber que foi muito legal.
06:24E foi tudo o que você esperava
06:26quando começou a engrenar,
06:28quando você começou a fazer turnê e tudo,
06:29era tudo o que você sonhava?
06:31Então, deixa eu te contar uma coisa,
06:32é o seguinte,
06:33tem coisas na nossa vida que a gente não explica,
06:35que parece que começa a abrir as portinhas,
06:37abre a porta e as coisas começam a acontecer.
06:41Várias vezes,
06:42chegou muito perto de eu estourar com uma banda,
06:43mas Deus não quis aquilo.
06:45Teve um show nosso do Las Chicas Terenfuego
06:47em Brasília,
06:48que foi um puta show,
06:50foi um dos melhores shows que a gente fez.
06:51E o cara,
06:52o diretor artista estava vindo lá para ver o nosso show,
06:54o cara perdeu o voo.
06:57Ou seja, não era para acontecer.
06:59Entendeu?
07:00Mas assim,
07:00chegou muito perto.
07:02E você sempre teve essa ciência,
07:04assim,
07:04quando tinha esses,
07:06ah,
07:06o cara desistiu da banda,
07:08o outro perdeu o voo,
07:10você tinha,
07:11isso,
07:12você tomava já nessa época
07:13como sinais de que você tinha que mudar de rumo?
07:16Essa pergunta é muito boa,
07:17assim,
07:17na verdade,
07:18quando eu perdi,
07:19quando a gente não ganhou o VMAs,
07:20que a gente estava achando que a gente ia ganhar,
07:23aquilo foi uma puta broxada,
07:25foi uma banho de água gelada radical.
07:26Foi ali que eu falei,
07:27desencanei.
07:29Desencanei mesmo,
07:30assim,
07:30tipo assim,
07:31foi,
07:32até a banda,
07:33só para você saber,
07:34o Las Chicas,
07:35quando acabou,
07:35foi muito legal,
07:36porque quando acabou,
07:39eu fundei a Chili Beans,
07:41o baterista,
07:42desculpa,
07:43o vocalista,
07:43o guitarrista,
07:45que estava junto comigo,
07:45o Tchelo,
07:46fundou a cerveja Devassa.
07:47Ah,
07:48olha só.
07:48É,
07:48e o baterista fundou uma marca chamada Mulher do Padre.
07:51Todo mundo foi empreender.
07:53Todo mundo,
07:53e empreendedorismo,
07:55mas,
07:55legais,
07:56todo mundo se deu bem,
07:56pô.
07:57O cara inventou a Devassa,
07:58foi lá na,
07:59na,
07:59na Serra de,
08:00no Rio de Janeiro,
08:01e criou uma cerveja.
08:03Então,
08:03assim,
08:03é,
08:05todo mundo tomou o nosso rumo,
08:06tá?
08:07E assim,
08:08por que que eu estou falando isso?
08:09Eu acho que na hora,
08:10na vida,
08:10a gente tem que,
08:11uma hora tem que tomar as escolhas,
08:12cara.
08:14Você vai ver aquele meio termo,
08:15você tem que lutar,
08:16lutar,
08:17lutar,
08:17não pode desistir,
08:18mas tem uma hora que,
08:20cara,
08:20Deus está te falando.
08:21Tem que saber, né?
08:21Não é isso.
08:22Eu tinha,
08:23eu morava numa casa,
08:24na Pompeia,
08:25o berço do Heavy Metal brasileiro,
08:27e aí,
08:28é,
08:29embaixo tinha um estúdio,
08:30e tinha um quartinho de serviço do lado direito,
08:33e um banheiro,
08:34mas assim,
08:34tipo,
08:34era tudo muito tosco.
08:36E eu vivia sempre naquele meio do caminho,
08:38fala,
08:38que caminho que eu vou,
08:39cara?
08:39Vou pra cá,
08:40vou pra cá,
08:40vou pra cá,
08:40vou pra cá.
08:41E sempre era uma dúvida,
08:43porque a paixão estava aqui.
08:45Só que daí,
08:45quando a gente perdeu o VMA,
08:46isso foi muito ruim,
08:47foi traumatizante,
08:49quando eu voltei,
08:50eu falei,
08:50puta,
08:50eu vou esquecer isso aqui,
08:51vou pôr a minha energia aqui.
08:52E a hora que eu pus energia aqui nos óculos,
08:54aí começou a voar.
08:56Mas aí,
08:57qual que foi o grande estalo?
08:58Porque você estava nos Estados Unidos,
08:59aí você trouxe uns 200 óculos
09:01pra vender aqui no Brasil.
09:02Como é que você teve essa ideia?
09:04Na verdade,
09:05foram muitos estalos
09:07que foram construindo o que está acontecendo.
09:11Na verdade,
09:11sim,
09:12o óculos eu comprava pra pagar a banda.
09:16E o óculos era...
09:18O óculos,
09:19ele é...
09:20Eu gosto de óculos escuro,
09:21o óculos tem muito modelo,
09:23o óculos você consegue ter uma margem boa,
09:27uma variedade de produto legal.
09:29E aí eu trouxe o óculos,
09:31vendia tudo,
09:32não sobrava nem parafuso.
09:33Como você descobriu
09:34que você tinha tino
09:35pras vendas?
09:37Não posso falar,
09:38porque é ilegal.
09:40Brincadeira.
09:43Você pode falar o que você quiser no programa, tá?
09:45Tá bom.
09:46Eu tenho pago umas línguas aí
09:48com o meu tio
09:49que eu não posso falar,
09:51mas essa história é boa, meu.
09:53Não dá pra contar,
09:53porque não dá,
09:55não dá,
09:55não dá.
09:56O assessor tá ali,
09:57eu tenho...
09:58Nossa, eu tenho...
10:00Eu tô...
10:01Eu fico preocupado, cara,
10:02porque nos últimos dois anos
10:03eu falei coisas que me...
10:05A minha opinião é muito forte,
10:07as pessoas levam muito em consideração
10:08a minha opinião, entendeu?
10:09Às vezes você fala alguma coisa
10:10que você não pensou muito
10:12e aí aquilo repercute
10:14de uma forma...
10:16É?
10:17Radical.
10:18Mas aí você começou a se privar mais
10:20de fazer comentários?
10:21Talvez.
10:22Talvez um pouco sim e não,
10:24mas voltando.
10:25Desde moleque,
10:27eu sempre percebi que eu tinha um tino,
10:29entendeu?
10:30Então essa brincadeira de dois mais dois
10:31não é quatro, é cinco.
10:33Então essa eu posso falar, por exemplo.
10:34Então eu pegava um ônibus
10:35e ia lá pra...
10:36Pra terra...
10:38Da minha esposa.
10:40Pra Foz de Iguaçu,
10:42Barro Paraguai.
10:43E eu, puta, cara,
10:44eu comprava as coisas
10:45e vendia,
10:45fazia mó grana.
10:47Entendeu?
10:48Desde moleque.
10:49Desde moleque.
10:50Então já tava lá
10:51desde o começo.
10:52Já, já.
10:53Desde moleque.
10:54Tipo, imagina,
10:54eu ia com 15 anos
10:55para o Paraguai, meu.
10:56Não sei.
10:57E você foi morar
10:58bem pra adolescente
10:59nos Estados Unidos?
11:00Eu fui morar nos Estados Unidos
11:01com 12 anos.
11:02Fui morar na casa
11:03de um tio meu no Texas.
11:04Você pediu pra ir?
11:07Não lembro.
11:07Eu acho que sim.
11:08Eu acho que sim
11:09porque eu queria...
11:09Boa pergunta.
11:10Você pediu pra ir?
11:11Eu acho que pedi.
11:12E aí eu uniu
11:13o útil com o agradável
11:14porque meus tios...
11:15Esse tio morava
11:17em Fort Worth,
11:18no Texas.
11:19Daí ele falou,
11:19não, vem pra cá
11:20que a gente se fica
11:21aqui na casa,
11:22tal, não sei o que.
11:22Aí eu fiquei lá.
11:23Então, assim,
11:24foi desde moleque,
11:26assim,
11:26e assim,
11:29essas histórias, né?
11:30É legal que a gente
11:30tá falando de coisa
11:31que não tem a ver
11:31com a Tiri Bins,
11:32assim,
11:32mas, Colônia,
11:33você falou antes da...
11:34Antes da Tiri Bins, né?
11:37Minha mulher já escutou
11:37essa história 30 vezes,
11:39assim,
11:39mas eu fui, puta,
11:41com 12 anos,
11:41meu pai me colocou
11:42num avião,
11:43vira copos,
11:44era um voo fretado
11:45que parou em San Juan
11:48e depois foi pra Miami.
11:49E aí eu cheguei lá
11:50às 7 horas da manhã
11:50e um amigo do meu pai
11:51foi lá me buscar.
11:53E aí ele levou pra...
11:54Meu voo era só à noite
11:56a conexão pra Texas.
11:58Aí era todo mundo
11:59muito louco, né?
12:00Porque assim,
12:00ele chegou meio com 12 anos
12:01e falou assim,
12:01ó, vou trabalhar,
12:02você fica aí, cara.
12:03Falei, ó,
12:03vou dar uma volta.
12:04Ele vai e eu saí andando
12:06pelos centros de Miami.
12:08Sem conhecer nada.
12:09Gastei todo o dinheiro
12:10que eu tinha,
12:11comprei um pedal de bateria
12:12nos pratos,
12:13um disco do Jailbreak
12:14do ACDC e tinha uma cena
12:16muito boa que tinha um cara,
12:18cara, tocando uma música
12:19do Journey.
12:21Don't Stop Believing?
12:22Não era Don't Stop Believing,
12:23era uma música Open Arms,
12:25era uma música romântica.
12:28Ele era uma loja
12:29de instrumento musical
12:30e ele pôs o teclado pra fora
12:31pra chamar as pessoas
12:31e ele cantava bem
12:32e tocava o teclado.
12:33E tinha uma bateria do lado.
12:34Eu falei, posso tocar?
12:35Aí o cara deixou.
12:36Fiquei tocando.
12:38Aí eu fico imaginando,
12:38cara, o moleque nem chegou
12:39nos Estados Unidos
12:40e já tá aqui tocando,
12:41entendeu?
12:41Mas respondendo a sua pergunta,
12:44sim.
12:45Desde moleque,
12:46eu sempre tive essa coisa
12:47do time.
12:48Vou te dar outro exemplo.
12:49Eu não tinha dinheiro
12:51de família.
12:53E, cara,
12:54hoje o acesso que você tem
12:55pra instrumento musical
12:55não é o que você tinha antes.
12:57Era radical, meu.
12:58Tipo, bateria importada
12:59era uma parada
13:00que você falava,
13:00meu, era extraterrestre.
13:02Aí você fala, nossa,
13:03o cara tem uma bateria importante.
13:04E assim,
13:05as baterias nacionais
13:06eram, meu,
13:06era muito nível baixo.
13:09E eu sempre quis ter
13:10uma bateria foda,
13:11porque, tipo,
13:12eu era baterista, né?
13:13Queria ter e tal.
13:15Cara,
13:16eu comprei uma bateria,
13:18eu fiz a pintura da bateria
13:20e vendi a bateria
13:22e ganhei uma grana.
13:23Aí com essa grana
13:24eu consegui comprar
13:25minha primeira bateria importada.
13:27Aí eu dei um tapa
13:28na bateria
13:29e deixei arrumado
13:29no salo da minha casa
13:31e eu coloquei
13:31no primeira mão
13:34pra vender.
13:35E aí veio
13:36o baterista
13:37do Alceu Valença,
13:38cara.
13:39Atrás da bateria.
13:40E ela tava
13:41na sala, assim,
13:42meu pai ficava de cara,
13:43falando,
13:44jura?
13:44Aí o cara pagou em dólar
13:47e levou a bateria.
13:49Com esse dinheiro
13:50eu peguei uma passagem,
13:52fui pra Nova York
13:52e comprei a bateria
13:53dos meus sonhos.
13:54Então eu com 16, 17 anos de idade
13:57tinha dinheiro, cara.
13:59Tipo, eu fazia a parada
14:00acontecer, entendeu?
14:01Já conseguia fazer negócio, né?
14:02Sim, senhora.
14:03Sim, senhora.
14:04Fazer negócio
14:05ao ponto de ter, puta...
14:07E assim, né?
14:08Puta moleque
14:08de 17 anos de idade
14:09fazer muamba
14:10em Nova York
14:12comprar bateria
14:12e trazer pro Brasil, entendeu?
14:14Mas sempre tive essa coisa
14:16mesmo, assim,
14:16do instinto comercial.
14:19E aí, mercado mundo mix,
14:21outra realidade, né?
14:23Outra era ali,
14:24outra cena
14:24que foi muito forte, né?
14:26Em São Paulo,
14:27ali nos anos 90,
14:28você começou a vender
14:29os óculos
14:30e aí começou
14:31uma coisa levou a outra.
14:33Você não chegou a conhecer
14:34mercado mundo mix?
14:35Eu era muito criança,
14:37mas eu lembro.
14:38Eu lembro, sim.
14:39Porque você...
14:39Eu fico triste.
14:42Porque o mercado mundo mix
14:43hoje,
14:44ele é absolutamente
14:46atual, cara.
14:48Em que sentido, você diria?
14:49Em todos.
14:50Democracia,
14:51diversidade,
14:53oportunidade.
14:55O mercado mundo mix
14:56era um jeito
14:57de você começar um negócio.
14:59Você alugava
15:00três metros quadrados,
15:01pagava uma puta grana,
15:03mas, meu,
15:03você começava um negócio,
15:04cara.
15:06Sem comprar uma...
15:07Você não tem dinheiro
15:08pra ter uma loja.
15:09Mas era democrático, né?
15:11Democrático.
15:11Brasil inteiro.
15:13Poder aquisitir Brasil
15:14tava bombando.
15:15Era dólar um pra um.
15:16E, meu,
15:17é muito louco, cara.
15:18Do nada,
15:19do nada,
15:20caia do teto
15:22uns puta cara talentoso
15:23absurdo, cara.
15:25Absurdo, assim.
15:26Tipo, eu...
15:27Eu era um vendedor de óculos,
15:28um mambeiro.
15:30Meu,
15:30uma galera boa.
15:32Tipo,
15:32Belo Horizonte,
15:33uns puta estilistas,
15:34uns puta design.
15:36Aqui em São Paulo também,
15:37Rio de Janeiro também.
15:38E, assim,
15:40design estilista
15:40em Belo Horizonte
15:41com cara de mineiro.
15:43Personalidade.
15:45carioca com cara de carioca.
15:46Sabe?
15:47Tipo,
15:47um negócio, assim,
15:48encantador.
15:50Você imagina hoje, né?
15:52Hoje,
15:52de onde você acha
15:53que saem esses talentos?
15:56Como que eles fazem
15:57pra aparecer?
15:57Porque hoje tem,
15:58em tese,
15:59mais acesso com internet?
16:01Puta,
16:02não sei, meu.
16:03Eu não sei.
16:05Esse assunto,
16:06a gente vai ficar até amanhã.
16:07Mas, assim,
16:08tanto na música,
16:09quanto na arte,
16:10quanto no estilo,
16:11eu acho que esses caras
16:12estão escondidos, cara.
16:14Uma ajuda de ação.
16:16Eu não sei,
16:16eu não sei te falar.
16:18Tipo, assim,
16:18por exemplo,
16:20não é possível
16:20que não tenha banda boa.
16:21Claro que tem.
16:22Mas onde é que tá?
16:23Eu não sei se eu acesso.
16:25Porque é muito acesso
16:26versus pouco acesso, né?
16:27O muito gera pouco.
16:28Não sei se a quantidade
16:29de informação,
16:30ela emburrece.
16:32Eu não sei.
16:33Mas, assim,
16:34por exemplo,
16:34na minha época,
16:35o que era relevante
16:36era um estilista.
16:38Puta,
16:39deixa eu ver.
16:39Quem te fez essa blusa?
16:40Ah, foi uma pessoa tal.
16:42Sério?
16:42Ele pensou nisso?
16:43Hoje as pessoas
16:44não tão nem mais
16:45aí quem é um estilista.
16:47É o influenciador
16:48que mostrou esse produto,
16:49entendeu?
16:50Então,
16:50eu não sei te responder
16:51essa pergunta.
16:52Eu sei que esse glamour,
16:56porque você tá valorizando
16:57o trabalho de um artista,
16:58cara.
17:00É lindo.
17:01É parecido
17:01com o de uma banda,
17:03né?
17:03De um compositor.
17:03Sim, senhor.
17:04O compositor.
17:05É igual.
17:05Não é parecido.
17:06É igual.
17:07O compositor que escreve
17:08uma letra linda
17:09com uma melodia linda.
17:11Uma pessoa que...
17:11Meu,
17:12um estilista que faz
17:13uma criação de roupa.
17:14Esse cara é um gênio,
17:15cara.
17:15O cara pensa em tudo,
17:17sabe?
17:18Então,
17:19isso eu acho
17:19que se perdeu.
17:20Isso eu acho
17:21uma ajuda de ação,
17:21assim.
17:22Eu acho muito triste,
17:23assim.
17:24Porque, tipo,
17:25cara,
17:25tinha um desfile
17:25do São Paulo Fashion Week,
17:26por exemplo,
17:27que parava São Paulo.
17:29E não era cópia.
17:30Que era um espetáculo
17:31por si só.
17:32E não era cópia de Paris.
17:34Era bem autoral.
17:35Era brasileiro,
17:35velho.
17:36Acabou.
17:37Tinha uma marca
17:37chamada Serial Benedito
17:38que os caras pegavam
17:39e faziam lona de caminhão,
17:40meu.
17:41Puta,
17:41o desfile com o Carlinhos Brau
17:43tocando a tabaque.
17:44Foi icônico,
17:44sabe?
17:46Cadê?
17:47E como é que foi
17:48a construção
17:49da marca Chili Beans?
17:50Você tem essa coisa
17:52com o fogo, né?
17:53Las Ticas Tenefuego,
17:54Chili Beans,
17:55foi você que deu o nome?
17:56Minha mulher fala
17:56que eu tenho coisa com fogo,
17:58mas eu não sei.
17:58Mas eu acho que eu tenho, né?
17:59Porque Las Ticas Tenefuego,
18:00Chili Beans,
18:02símbolo fogo,
18:03acho que tenho, né?
18:04É assim, ó.
18:07De novo,
18:08mais uma vez,
18:09mas uma pena
18:09que vocês não conheceram
18:11essas histórias,
18:12porque foi muito interessante.
18:15Eu estava muito ferrado
18:17vendendo óculos escuros
18:18no atacado sem margem.
18:20E eu tomei uns balão
18:24de cliente.
18:25E eu quebrei.
18:26E aí me sobram
18:27uns óculos na mão.
18:29Aí eu fiquei sabendo,
18:30uma amiga minha
18:31me levou lá
18:32numa feirinha
18:33chamada Mercado Mundo Mix,
18:35que não era no começo
18:36no Cine Letra,
18:37na Rogusta,
18:38lá no fundo,
18:38lá direito.
18:40E aí, meu,
18:41tiveram uma portinha
18:41pequena, cara.
18:43De repente,
18:43abrem um galpão assim,
18:45fiquei assim,
18:46encantado, cara.
18:47Um monte de gente feliz,
18:49uns DJs tocando
18:49umas músicas fora,
18:50todo mundo dançando,
18:51um monte de coisa legal,
18:53meu.
18:53Eu falei,
18:53nossa,
18:54que legal,
18:54que legal,
18:55que legal.
18:56Aí eu expus lá.
18:58sem marca,
18:59não tinha marca.
19:01E aí,
19:03quebraram até o espelho.
19:05Que espelho?
19:06Espelho do meu estande.
19:08Do estande?
19:09É.
19:10Na empolgação?
19:11Na empolgação.
19:11Acabou tudo.
19:14Eu sempre tive
19:15uma mão boa
19:15para produto.
19:16Eu sempre escolhi
19:17produtos que as pessoas falavam,
19:19opa,
19:19que legal.
19:19Que chamavam atenção.
19:20Sempre,
19:21sempre.
19:21Eu tenho uma facilidade
19:23com isso.
19:24E aí,
19:25eu cheguei lá
19:25no Mercadão do Mix.
19:26Começou aquela...
19:28Você fica encantado
19:29por aquele movimento
19:30acontecendo.
19:31Né?
19:32Um monte de...
19:34Estilista,
19:35de trans,
19:36travesti,
19:38hétero.
19:39Todo mundo junto
19:40e feliz.
19:42Respeitando,
19:42sabe?
19:43Sem preconceito.
19:43Muito especial.
19:45E aí,
19:45eu via que todo mundo
19:46tinha marca.
19:48Aí,
19:48a próxima edição
19:50eu fiz,
19:50e aí eu fiquei com vergonha.
19:52Porque não tinha marca.
19:53Não tinha um nome,
19:54não tinha uma identidade.
19:55Marca.
19:57Meio mensagem.
19:58Entendeu?
19:59Marca.
20:00Branding.
20:01E foi ali
20:01que eu aprendi.
20:02Que eu aprendi.
20:03Eu falei,
20:03meu,
20:03eu preciso ter uma marca.
20:05E você recorreu a alguém?
20:07Não.
20:08Foi tudo sozinho.
20:09Tudo sozinho.
20:11Sempre.
20:13Mas,
20:14veio da minha cabeça.
20:17E até,
20:18puta,
20:18a história do chat GBT,
20:19né?
20:19Que é uma puta coisa
20:20meio artificial, né?
20:22Você fala um nome assim,
20:23aí vem com os nomes
20:24super plastificado, cara.
20:28Não tem vida,
20:29não tem verdade.
20:30Não tinha o chat GBT,
20:31tinha da minha cabeça.
20:32E aí,
20:33veio o Tilly Beans.
20:34E aí,
20:35começou a minha trajetória
20:36no mercado do mundo mix,
20:37assim, sabe?
20:38Radical.
20:39Que você tinha
20:41um país borbulhando.
20:44Pô,
20:45a gente fazia turnê
20:45no Brasil inteiro.
20:46Parava a cidade,
20:47a gente chegava.
20:48e era legal
20:49que o ônibus a gente...
20:51Sabe o filme
20:51Priscila,
20:52Rainha do Deserto?
20:53Sim.
20:53Um clássico, né?
20:55Fantástico.
20:55Fantástico.
20:56Sensacional.
20:57A gente brincava
20:57que o ônibus
20:58era o Rainha do Deserto.
20:59É.
21:00Porque,
21:01sei lá...
21:01Se decoravam.
21:02Cara,
21:03a gente chegava na cidade,
21:04a gente...
21:04Era um caminhão
21:05atrás
21:06e o ônibus.
21:09É...
21:09que tinha lá
21:12e...
21:12Eu era o único hétero.
21:14Todo mundo...
21:15E a galera...
21:16Isso é uma coisa
21:16que eu queria te falar
21:17que é muito interessante,
21:18assim.
21:19Eu era um menino
21:22de um clube de elite,
21:23de uma escola de elite.
21:24Eu não era rico,
21:25mas eu...
21:26Eu...
21:27Isso.
21:28Portanto,
21:28o meu universo
21:29era muito pequeno.
21:32Bolhas, né?
21:33Paulistanas.
21:33Bolhas,
21:33bolhas paulistanas.
21:34Barra preconceituoso.
21:37E eu cheguei num lugar
21:38e a galera me acolheu,
21:40cara.
21:40Falou,
21:41ó, meu...
21:41Ô, menino...
21:44É...
21:44Queria te mostrar
21:45outro mundo.
21:46Onde as pessoas se respeitam,
21:47as pessoas são livres.
21:49Entendeu?
21:50E as pessoas me acolheram,
21:52cara.
21:52E eu abri a minha cabeça.
21:54E foi nessa abertura de cabeça
21:55que eu construí a Tili Beans.
21:57Essa empresa democrática
21:58que tem várias pessoas.
22:00Pô, hoje a gente...
22:01Poucas empresas no mundo
22:03são tão democráticas
22:04quanto a Tili Beans.
22:05Então,
22:05isso me ajudou demais,
22:07assim.
22:07Foi muito legal.
22:07Foi muito especial.
22:09Até pra,
22:09já que você tá tocando
22:10nosso assunto,
22:10fortalecer
22:11o quanto o mercado
22:12Mundo Mix
22:13me ajudou
22:13a construir a Tili Beans.
22:15A identidade da marca,
22:16o branding e tudo.
22:17Tudo.
22:18Ah, por exemplo,
22:19lançar a coleção toda semana.
22:20Foi lá que eu aprendi com isso.
22:22Tipo, imagina,
22:22tipo,
22:23contratar...
22:24Galera com atitude,
22:26meu.
22:26Imagina.
22:28Primeiro quiosso
22:29que eu abri
22:29no Shopping Vila Lobos,
22:30meu.
22:31Tipo,
22:31todos os vendedores
22:32eram de postos,
22:33aquele macacão
22:34de posto de gasolina.
22:35Todo mundo estiloso pra caramba,
22:36tatuado pra caramba.
22:37parou o shopping, né?
22:38Tinha gente que tinha medo
22:39de chegar perto
22:40e assim por diante.
22:41É interessante porque
22:42aí,
22:43desde o início,
22:44quando a pauta
22:45diversidade e inclusão
22:46não era uma pauta corporativa,
22:48você já incutiu aquilo
22:50desde o começo
22:51na empresa.
22:52Tenho maior orgulho disso.
22:52E hoje,
22:54a gente vem vendo,
22:55não é de hoje,
22:56de alguns meses,
22:57um retrocesso
22:58nessa agenda
22:59mundial.
23:01Empresas globais
23:02cortando iniciativas
23:04de diversidade e inclusão.
23:05Como é que você vê
23:07esse retrocesso?
23:08Porque dizem que
23:09tem a ver com
23:11dinheiro,
23:12com investimentos,
23:14prioridades.
23:15Como é que você
23:15vê esse movimento?
23:17Cara,
23:17eu não vou te falar
23:18como eu vejo
23:18esse movimento,
23:19mas eu vou te falar
23:19como que eu vejo
23:20o ser humano.
23:22eu valorizo as pessoas,
23:24independente de orientação
23:25sexual,
23:26de religião,
23:26de cor,
23:27de qualquer coisa.
23:28Foi assim que eu construí
23:29a Tilibins.
23:31Eu preciso de uma pessoa
23:32com o olho brilhando,
23:33uma pessoa com tesão,
23:34com paixão,
23:35independente de qualquer coisa.
23:37Isso não vai mudar.
23:39E assim,
23:39em termos de custo,
23:40para mim,
23:41vale muito mais a pena,
23:42porque eu retive mais pessoas,
23:44as pessoas estão mais tempo
23:44comigo,
23:45me ajudaram a construir,
23:46a paixão,
23:46entendeu?
23:47Então é isso.
23:49Respeito as pessoas
23:50do jeito que elas são,
23:50sempre a gente fez isso
23:51há 30 anos.
23:53Não interessa
23:53se você tem a tatuagem
23:54ou não,
23:55interessa a você.
23:56E a gente vai se respeitar.
23:58É isso que eu acredito.
23:59E essa diversidade
24:01de perfis,
24:02você disse que te ajudou.
24:04Na prática,
24:05ajuda nos negócios,
24:07no resultado final.
24:09Eu te falo,
24:10eu dei oportunidade
24:11para um monte de gente
24:12que não ia ser empregado nunca,
24:14cara.
24:15Simples como isso.
24:17Entendeu?
24:19desde trans,
24:19até pessoas homossexuais,
24:22pessoas tatuadas,
24:24pessoas pretas.
24:26Porque se fala muito,
24:28cara,
24:28tem um puta preconceito,
24:29cara.
24:30É radical.
24:31É que a gente não está,
24:32a gente não é o nosso direito
24:33de fala,
24:34mas é radical.
24:36E eu estou te falando
24:36de Brasil,
24:37tá?
24:39Estou falando,
24:40estou falando de tudo.
24:41Acre,
24:41Nordeste,
24:42assim por diante.
24:42então,
24:44foi muito especial
24:45para mim,
24:46assim.
24:47E essas pessoas,
24:47como elas não tinham
24:48oportunidade em outro lugar,
24:49quando elas viram oportunidade,
24:50elas agarraram mesmo.
24:52Agarraram de um jeito radical.
24:54E aí você acabou
24:55construindo uma comunidade.
24:56Sim, senhora.
24:57Qual que é a importância?
24:58Porque hoje se fala muito,
24:59né?
25:00De marcas serem capazes
25:01de se conectar,
25:03da própria empresa
25:04ser uma comunidade
25:05e de se conectar
25:06com diferentes comunidades.
25:08Isso veio de uma forma
25:09orgânica para Chile Beans,
25:10me parece,
25:11mas quais que foram
25:13daí os desafios
25:14que vêm
25:15com a expansão
25:16do negócio, né?
25:17Porque daí expandiu muito.
25:18E aí é sempre um desafio
25:20você manter cultura,
25:21você manter essência.
25:23Então, assim,
25:25é muito louco, assim,
25:26porque, tipo,
25:27cara, eu tenho um celular
25:28mais de 400 fotos
25:29de tatuagem da galera.
25:30Tatua,
25:31tira e bens na pele,
25:32pimenta,
25:33entendeu?
25:34E tem coisa
25:35que eu sei te explicar,
25:36tem coisa que eu não sei.
25:37Eu acho que essa coisa
25:38do respeito às pessoas
25:39do jeito que elas são
25:40e essa verdade
25:40que a gente tem
25:41com as pessoas,
25:42eu acho que faz
25:42muita diferença,
25:43muita.
25:45E as pessoas sentem isso,
25:46as pessoas percebem isso,
25:47o cliente,
25:48na hora de entrar
25:49numa loja,
25:50entendeu?
25:50Claro,
25:51teve gente que,
25:53no começo,
25:53tinha preconceito
25:54de entrar na loja
25:54de tira e bens.
25:55Esse doidão.
25:56Hoje não,
25:57hoje entra feliz,
25:58contente,
25:59e é muito bem tratado,
26:00entendeu?
26:01E essas pessoas
26:02deixaram de ser preconceituosos
26:04com essas pessoas
26:04que estavam atendendo,
26:05entendeu?
26:05Então,
26:06eu acho que a gente fez
26:07um bem muito grande
26:08pelo Brasil, assim,
26:09a gente ajudou muito,
26:10uma empresa muito inclusiva,
26:11assim,
26:11e eu tenho muito orgulho
26:12disso.
26:13E quando o negócio
26:13começou a tomar forma,
26:14tomar corpo,
26:15e aí você se viu
26:16como um empresário mesmo
26:19de uma empresa,
26:20como um CNPJ,
26:20como um...
26:24você precisou de alguma ajuda
26:26para ajudar a gerir aquilo,
26:28ou você foi sempre aprendendo
26:30no dia a dia?
26:31Não, assim,
26:32eu só estou onde eu estou
26:32pelo time,
26:33eu tenho um time muito radical,
26:34né, assim,
26:35e que funciona demais,
26:36que é um time muito unido,
26:37tal.
26:38Uma coisa que me ajuda
26:39bastante também
26:39são os franqueados,
26:40sabia?
26:40Os franqueados da Tire Bens
26:41me ajudaram a multiplicar
26:43essa personalidade.
26:44E que foi um dos muitos riscos
26:45que você correu lá no começo,
26:47né,
26:47porque você não tinha uma garantia
26:48de que ia dar certo
26:49e muitas vezes não deu,
26:50né,
26:50você já contou isso
26:51em outras entrevistas.
26:52É isso aí,
26:53é um processo, né,
26:54é um processo de amadurecimento
26:55e libertação,
26:56porque a tua marca,
26:57tipo,
26:57agora,
26:58nesse momento,
26:58tem um vendedor lá no Acre
27:00vendendo Tire Bens,
27:01eu tenho que confiar nele,
27:03entendeu?
27:03E você tem que deixar
27:04o barco correr,
27:05assim,
27:05você...
27:06Isso tem...
27:07Passa por uma evolução
27:08como ser humano também,
27:09entendeu?
27:09É uma coisa meio tipo,
27:10você tem que pegar,
27:11você fala,
27:11opa,
27:15o respeitar,
27:16o acreditar,
27:18o aprender,
27:19entendeu?
27:20Então,
27:20isso passa por umas coisinhas,
27:22detalhes que são legais.
27:23O empreendedorismo no Brasil
27:25nunca foi fácil,
27:26sei lá,
27:27ali no começo,
27:27você mencionou, né,
27:28que o Brasil tava num bom momento,
27:30mas isso, assim,
27:32oscila muito
27:32e com mais de 30 anos de empresa...
27:35Oh yeah, baby!
27:36Ainda mais agora, né?
27:37Exatamente.
27:38Mas o que que te fez persistir
27:41mesmo nos momentos difíceis?
27:43As pessoas.
27:44As pessoas.
27:46A família,
27:47a Chile Binks,
27:47os franqueados,
27:48os vendedores,
27:48os gerentes,
27:49a comunidade,
27:50isso é muito forte.
27:51Qual que foi o...
27:52a maior encruzilhada
27:53que se viveu no negócio?
27:55Ai, meu Deus,
27:56foram tantas, cara.
27:58Tantas, tantas, tantas.
28:00Não é pandemia,
28:01não é delicada.
28:04É...
28:06Um momento agora
28:07com esses juros absurdos,
28:09né?
28:09Mas que a gente tá superando,
28:11tamo passando por isso.
28:13É...
28:15Mas, cara,
28:15é muito louco,
28:16porque, assim,
28:17a gente...
28:18Quando você vem do nada,
28:21você aprende a ser muito resiliente,
28:22sabe?
28:23Tipo,
28:24você não desiste, cara.
28:25Sabe?
28:26Então, tiveram vários momentos,
28:28mas, puta,
28:30é porrada,
28:31cachorro vira lata,
28:32levanta a cabeça,
28:33limpa o sanguinho
28:34e segue a vida, sabe?
28:35É isso.
28:37Então, assim,
28:37uma coisa é você ter uma empresa
28:39corporativa,
28:40multinacional,
28:40que ninguém não...
28:41Outra coisa é você ter uma empresa
28:42que começou,
28:43entendeu?
28:44Mesmo agora,
28:45por exemplo,
28:45a gente tá passando pelo momento
28:46que a gente tá conseguindo
28:48fazer um segundo semestre
28:49agora acreditando,
28:51bacana,
28:51mas teve que se unir,
28:52cara.
28:53Teve que levantar a cabeça
28:54e seguir em frente.
28:56E vocês estão expandindo
28:57lá fora, né?
29:00Tem sido mais fácil,
29:02a despeito do momento
29:03no Brasil econômico
29:05fazer negócios lá fora?
29:07Como é que é
29:08essa equação?
29:09A gente tá fazendo
29:10bons negócios lá fora,
29:11mas não por causa
29:12desse negócio,
29:14desse momento ruim
29:16economicamente brasileiro.
29:17Eu explico por quê.
29:19Porque a gente tá
29:19há 22 anos
29:21fora do Brasil.
29:22A gente já tomou
29:23porrada demais,
29:24a gente aprendeu agora.
29:25A gente sabe
29:26como escolher um franqueado,
29:27como que é o formato,
29:29como é que esse cara
29:29tem que vender,
29:30qual que é o aluguel
29:30que ele tem que passar.
29:31Então, assim,
29:32essa experiência de anos
29:33a gente pegou a manha
29:34pra que a gente faça.
29:35Então, por exemplo,
29:36abrimos loja na Argentina
29:37e no Uruguai
29:38há pouco tempo,
29:39faz um mês.
29:40Tá indo super bem, meu.
29:42Porque já começa
29:43com um formatinho interessante,
29:44entendeu?
29:45Que formatinho interessante
29:46seria esse?
29:48A gente começa
29:49com o e-commerce,
29:51a gente entende
29:51o consumidor
29:52e depois de uns 4, 5 meses
29:53a gente abre
29:54uma loja física.
29:56Tem particularidades
29:56no tipo de abordagem
29:59e no tipo de produto
30:00que vai pra esses países?
30:01Tem nos continentes.
30:04América Latina,
30:05ela tem
30:05um modus operandi
30:08similar.
30:10Países latinos,
30:13nós somos mais calientes,
30:15então tem um modus operandi.
30:17No Oriente Médio
30:18é outro tipo de atendimento.
30:20Nos Estados Unidos
30:21é outro tipo de atendimento.
30:23Esse é o desafio
30:24de você internacional,
30:26é uma treta.
30:27E depois de tantas,
30:29de três décadas já,
30:31qual que você diria
30:32que continua sendo o apelo?
30:34Parece que foi ontem, né?
30:36O ano que vem
30:36a gente vai fazer 30 anos,
30:38cara,
30:38nossa senhora.
30:3997.
30:40Eu,
30:42esse ano,
30:42a hora que terminar
30:43eu vou dar um tapa em mim,
30:44inclusive tô olhando aqui
30:45tirar umas ruguinhas aqui,
30:46dar uma camada,
30:47porque os últimos dois anos
30:49foram porradas,
30:49assim,
30:50eu sinto que as coisas
30:50estão cada vez melhorando mais,
30:52então vou cuidar.
30:53Mas assim,
30:55cara,
30:58a história da...
30:59São alguns fatores, né?
31:01A força da marca,
31:03temas e coleções
31:04que você,
31:05a gente lança os temas,
31:06as histórias,
31:07que a gente conta a história
31:07através de produto.
31:09Toda semana uma coleção nova.
31:11Essa molecada incrível
31:12que trabalha na Tiribins
31:12com essa verdade.
31:14Então essa junção de coisas
31:15que eu acho que a gente aprendeu
31:16que faz.
31:17Isso,
31:18a gente tá aberto,
31:19inclusive,
31:19pra mudanças,
31:20entendeu?
31:21Tipo assim,
31:21acho que no...
31:22O que me trouxe até aqui
31:24talvez não vai ser
31:25que me vai levar até ali?
31:26O que que você quer fazer ainda
31:28com a empresa
31:29que você ainda não fez?
31:30Já que vocês estão
31:31nesse ciclo de expansão
31:32já faz tempo,
31:33vocês continuam expandindo,
31:35tem alguma outra coisa?
31:36São duas coisas importantes.
31:38Qualidade,
31:39hoje a gente não tá focando
31:40mais quantidade
31:40em qualidade,
31:42tá?
31:42Se eu tiver que enxugar
31:43um pouco de ponto,
31:44eu vou enxugar
31:45pra ter mais qualidade.
31:46Isso é um fato.
31:47Antes a minha vida
31:48era qualidade,
31:48quantidade,
31:49ter mil,
31:49mil,
31:50duzentas,
31:50mil,
31:50trezentos,
31:50não.
31:51Não penso assim mais.
31:53Penso com qualidade,
31:54rentabilidade,
31:55saudabilidade,
31:55é isso que eu penso.
31:56E a ótica,
31:57que é o projeto
31:58da ótica Tiribins
31:59que a gente quer colocar.
32:00A gente tá com duzentas,
32:00quer colocar quase mil
32:02no Brasil,
32:03entendeu?
32:03Então se você me perguntar
32:04hoje,
32:04os caminhos que a gente
32:05tá colocando na mesa
32:06são esses dois.
32:07E você sempre foi bastante vocal
32:11sobre o tema da saúde mental.
32:13Foi a intensidade com que você
32:16sempre levou as coisas
32:17que você acha que te fez
32:19ter algumas crises de ansiedade?
32:21O que que você,
32:22como que você assimilou isso?
32:24É um pouco de cada coisa.
32:26Por exemplo,
32:26eu tenho em casa,
32:27eu sou casado com a minha esposa,
32:29ela é uma das pessoas
32:31responsáveis pela felicidade corporativa
32:34na Tiribins.
32:34Ela estuda isso.
32:35e é muito louco
32:36que ela não estudava isso.
32:37Ela passou a estudar isso
32:38durante a pandemia.
32:40E obviamente,
32:40quando você dorme
32:41com uma pessoa assim,
32:42ela te traz reflexões,
32:46alertas, atitudes.
32:47E aí ela tá fazendo
32:48um trabalho incrível.
32:48Já faz dois anos,
32:49tá indo pro terceiro ano
32:50na Tiribins.
32:54A história da...
32:57da...
32:57do pânico,
32:58essa coisa toda,
32:59sempre rolou comigo.
33:01Até dou um apelido pra ela
33:02que se chama Cindy.
33:04a Cindy sempre teve na área.
33:07Eu não sei,
33:07essa coisa de...
33:08essa cabeça que não para,
33:10sabe, assim,
33:11é foda.
33:12Tipo,
33:12então isso é bom e ruim.
33:14É ruim e bom.
33:15Só que durante a pandemia,
33:17explodiu.
33:19Explodiu.
33:20Foi um negócio pavoroso.
33:23Sofri que nem um cachorro.
33:27e eu sinto que eu consegui...
33:29Hoje eu, puta cara,
33:31tô super bem, assim.
33:32É um dos melhores momentos meus,
33:33assim,
33:34da minha saúde mental,
33:36por mais que tudo
33:36que eu tô vivendo, né?
33:38Toda essa preocupação
33:39com a economia brasileira,
33:41quem vai ser...
33:41né?
33:42Qual vai ser os próximos passos
33:43do Brasil.
33:44Eu acho que eu tô convivendo
33:46muito bem, assim.
33:47Muito bem mesmo, assim.
33:48Então, é uma coisa que...
33:51na raça,
33:53na dor,
33:54na porrada,
33:56eu aprendi a lidar
33:58com essa situação.
33:59Com ajuda profissional,
34:01qual que foi o caminho seu?
34:03Certeza.
34:03Remédio.
34:05Hoje eu tomo
34:06um quarto dos remédios
34:07que eu tomava
34:07dois, três anos atrás.
34:09Eu tô quase com o remédio,
34:11quase desmamando.
34:15Ajuda profissional
34:16a um terapeuta.
34:17Isso pra mim é uma das coisas
34:18que me salvou.
34:19Esse é radical.
34:21Um terapeuta bravo
34:23que me dá umas invertidas,
34:24me dá umas cabeçadas,
34:26não me dá moleza.
34:27Um cara...
34:29Porrada, assim.
34:31Porque...
34:32A terapia, por exemplo,
34:35eu...
34:35Sabe aquela coisa
34:36que você acredita,
34:37mas nunca aconteceu com você?
34:38Era isso.
34:39Eu já tinha feito
34:39quatro, cinco terapeutas diferentes
34:41e não...
34:43Não tinha resolvido.
34:45É, meu.
34:45Tipo, não sei.
34:46Eu meio que...
34:47Chegava uma hora
34:47que eu...
34:49Dava uma engolida, assim, sabe?
34:51Daí esse deu um match.
34:52Esse deu um match.
34:54Deu um match.
34:55Deu.
34:55Deu.
34:56Porque, assim,
34:57só pra você saber, assim,
34:58tipo, o grande lance dele
34:59é que ele acredita
35:00que todo mundo
35:01pode viver sem remédio.
35:04E o cara é...
35:05O cara é um puta terapeuta.
35:07É um senhor.
35:09Escreveu não sei quantos livros, assim.
35:10E ele realmente
35:11tá me convencendo
35:13que eu não preciso de remédio.
35:14Bem, tanto que você diminuiu.
35:15Você falou que tá tomando um quarto.
35:17Muito.
35:17Muito.
35:17Por exemplo,
35:18eu tomei remédio pra dormir
35:19durante dois anos e meio.
35:20Eu não tomo mais remédio pra dormir.
35:22E, tipo, ele...
35:22Sabe o que ele falou?
35:23Que só 70% das pessoas
35:25conseguem abandonar.
35:27E eu consegui.
35:27É porque o desmame
35:29também tem que ser...
35:30Em alguns casos
35:30precisa ser feito
35:31com muita cautela, né?
35:33Todos os casos.
35:34Todos os casos.
35:35É, todos os casos.
35:35Mas é que remédio pra dormir
35:37é mais radical.
35:38Porque você...
35:39É o teu sono, sabe?
35:40Assim, tipo,
35:40você fala,
35:41puta, eu não vou conseguir dormir e tal.
35:42E eu passei noites em claro
35:43pra desmamar.
35:45É como se fosse um...
35:46Como chama quando você faz
35:46com droga, né?
35:47Como chama?
35:50É...
35:50Putz.
35:51Entendeu?
35:51Faz a limpeza.
35:52Sim.
35:53O detox ali.
35:53Detox.
35:54É, tem outro nome.
35:55Detox barra...
35:56Que é uma parada
35:57que você sente dor.
35:59Abstinência.
36:00Abstinência.
36:01Entendeu?
36:01Aí tem uma hora
36:02que você fala...
36:03Aí você começa...
36:04E você acredita na história.
36:05Então, resumindo a sua pergunta
36:08profissional
36:09e a medicação.
36:11E o tema
36:13saúde mental
36:14entrou com mais força
36:15no mercado corporativo
36:16só há alguns anos.
36:17Como que é esse diálogo?
36:18Essa abertura
36:20pra esse tema
36:21dentro, né?
36:22Da Chili Beans
36:23junto aos colaboradores.
36:24Cara, a gente sempre teve
36:25muito cuidado com a galera.
36:26A gente sempre teve
36:27escutar o máximo possível.
36:28Entendeu?
36:29E assim...
36:30É...
36:31Os últimos anos
36:32tem sido de muita pressão
36:33pra todo mundo.
36:36Fazer menos com mais.
36:39Entregas e pressão.
36:40Entrega, entrega, entrega.
36:42Mas a gente sempre teve
36:43muito cuidado com gente.
36:44Só pra você entender,
36:46tipo, no meu escritório,
36:47no showroom da Chili Beans aqui,
36:47a gente tem 250 pessoas trabalhando.
36:49Sabe qual é o tempo médio de casa?
36:5110 anos.
36:53Eu tenho gente que trabalha
36:53comigo há 20.
36:5418.
36:56Esse cuidado com gente
36:57de um jeito não técnico.
36:59Hoje tem um cuidado com gente
37:00de um jeito técnico.
37:01Mas esse cuidado com gente,
37:03essa preocupação com pessoas
37:04sempre aconteceu na Chili Beans
37:05desde o começo.
37:07Hoje, o que você acha que
37:09torna a Chili Beans
37:10uma marca ainda desejável
37:12depois de tantos anos
37:13e com mais entrantes
37:15nessa categoria
37:16dos óculos escuros?
37:18Então, é muito louco.
37:19Tem entrantes e não tem.
37:20Porque, por exemplo,
37:21hoje, se você me perguntar
37:22de concorrente,
37:23eu não tenho concorrente.
37:26Assim, concorrente,
37:27tipo assim, no shopping,
37:29por exemplo,
37:30mil lojas,
37:31monomarca,
37:32que lança toda semana
37:33uma coleção nova,
37:34que faz coleções com
37:36com a Loki,
37:39com a NASA,
37:40Rock in Rio,
37:42Cazuza.
37:42Não tem.
37:44Entendeu?
37:45Eu tenho concorrentes
37:46tipo uma Ray-Ban,
37:47por exemplo,
37:48é uma concorrente,
37:48mas ela é outro preço,
37:50ela é vendida em ótica.
37:52Entendeu?
37:53Então, assim,
37:54a gente conquistou o mercado,
37:55a gente criou o mercado
37:56de um jeito muito legal.
37:58Porque, volto a repetir,
37:59o que eu ofereço hoje
38:00no mercado,
38:00ninguém tem.
38:02Hoje, por exemplo,
38:03um óculos,
38:03a gente está agora
38:04com coleção da NASA,
38:05por exemplo.
38:07Um óculos,
38:08até filmei hoje,
38:10tem um ledzinho aqui
38:11da NASA,
38:12que você aperta o botão,
38:13que foi inspirado
38:13nos painéis
38:14do foguete da NASA.
38:16Ninguém tem isso
38:17no mundo inteiro,
38:17entendeu?
38:18Então, são essas coisas
38:19que a gente criou
38:20e por isso que a gente
38:22é meio que quase
38:23um unicórnio no mercado.
38:25E como é que você vê
38:26esse,
38:27porque a Tilly Beans
38:28nasceu do físico,
38:30do espaço físico,
38:30aí vocês vêm trabalhando,
38:32obviamente,
38:32o e-commerce,
38:33mas como que você vê hoje
38:35a importância
38:36do espaço físico
38:37quando tudo está
38:38tão fácil ali
38:39a um clique,
38:40um botão?
38:42É engraçado,
38:42está tão fácil
38:43e não está,
38:43porque assim,
38:44quando você tem
38:44uma experiência
38:45no ponto físico,
38:45isso faz uma diferença
38:46gigante.
38:47No caso de óculos,
38:49eu tenho uma vantagem
38:49muito grande,
38:50porque a galera
38:51precisa experimentar
38:52óculos.
38:53Eu falo com geração Z,
38:54por exemplo,
38:54que compra na Shein,
38:55e tal,
38:55falando,
38:56óculos eu não compro,
38:58óculos me incomoda,
39:00óculos eu preciso vestir,
39:02preciso,
39:02entendeu?
39:03Então,
39:04quando você junta
39:05experiência no ponto de venda
39:06e eu tenho essa ajudinha
39:08das pessoas
39:08quererem experimentar
39:09o produto,
39:10tanto o óculos de grau
39:10quanto o óculos escuro,
39:12isso me ajuda
39:14a fortalecer
39:14o ponto físico.
39:15E você sempre foi um cara,
39:18se tornou cada vez mais,
39:20ao longo da sua carreira,
39:21midiático,
39:22além do Shark Tank,
39:23você é bastante vocal,
39:25assim,
39:25sobre os mais diversos temas.
39:28Você já teve algum momento
39:31que você fez uma revisão,
39:33assim,
39:33desse papel,
39:34de falar muito,
39:36de dar a sua opinião,
39:37de ser um pouco mais comedido,
39:40porque você falou lá no começo
39:41que algumas coisas que você fala
39:42repercutem,
39:43ou você pretende continuar
39:46falando?
39:47Sim, sim, sim, sim.
39:49Eu acho que a gente,
39:51a força do speech,
39:54ela tem os seus preços.
39:56E isso faz parte
39:57do meu amadurecimento
39:58como profissional
39:59e como ser humano.
40:01Porque, assim,
40:02você tem que entender
40:03que quando você vira
40:05uma pessoa midiática,
40:05você tem uma responsabilidade
40:06no que você fala.
40:07Você influencia gerações.
40:09Então, você tem que ter uma,
40:10da mesma maneira,
40:11você tem que ter um pensamento,
40:12um posicionamento.
40:13Você tem que ter um posicionamento.
40:15Você também tem que ter
40:16um cuidado.
40:18Ainda mais nos dias de hoje
40:19que as pessoas falam
40:20um monte de bobagem
40:21sem pensar, cara.
40:23É um bando de responsáveis.
40:25Eu tenho uma preocupação
40:27que é o seguinte,
40:29essa reflexão, por exemplo,
40:30já vão me criticar,
40:32mas eu vou te falar
40:33o que eu penso.
40:34Há 20 anos atrás,
40:36onde você via as notícias,
40:37as informações
40:38do seu dia a dia?
40:38Em lugares,
40:40meio mensagem.
40:41Tipo assim,
40:42meio mensagem,
40:42quando vai publicar
40:43alguma coisa,
40:44não é uma coisa
40:44meio aleatória.
40:45Falar, ah,
40:46tem um pensamento,
40:47tem um editorial,
40:48tem uma responsabilidade.
40:50Hoje,
40:51o principal canal
40:54de informação
40:56é um esgoto aberto,
40:58sem censura,
40:59que todo mundo
41:00fala o que quer.
41:02Eu acho isso muito grave.
41:04Eu acho muito grave.
41:06porque você,
41:07às vezes,
41:07você escuta coisas
41:08que você fala,
41:09meu Deus,
41:10será que é isso?
41:11Será que essa pessoa
41:12pensou pelo que ela
41:13está falando,
41:13entendeu?
41:14Então,
41:14eu acho isso um assunto
41:16muito grave.
41:17Não sou a favor de censura,
41:19mas também,
41:19ao mesmo tempo,
41:20eu tenho uma preocupação,
41:20porque hoje você vê,
41:23você fala o que você quiser,
41:24Independente de idade,
41:26sabe?
41:27É um negócio sério,
41:27é um negócio grave.
41:29Então,
41:29isso me preocupa.
41:30Isso me preocupa bastante.
41:32Como que é a sua relação
41:34quando você não está
41:35trabalhando com redes sociais,
41:37você procura ficar off?
41:38Ficar off.
41:39Você consegue ficar off?
41:41Eu acho que
41:42fico off, amor.
41:44Fico.
41:45Fico.
41:45Fico off.
41:47Fico off.
41:47Tento.
41:50Para mim,
41:50mídia social é como,
41:52sabe aquela coisa
41:53que você vai,
41:54daqui a uns 10 anos,
41:54falar,
41:55nossa,
41:55lembra antigamente
41:56que todo mundo tinha acesso
41:5724 horas?
41:58É como cigarro.
42:00Nossa,
42:00lembra com aquela época
42:01que fumava no avião,
42:02que todo mundo achava normal?
42:03Eu acho que as pessoas
42:04vão começar a ter a consciência
42:08do que isso aqui significa
42:09para uma pessoa.
42:10E a?
42:11Você fala,
42:12você criticou um pouco antes
42:13como o chat GPT
42:15vem com nomes ali
42:16que são prontos e tal,
42:17soluções rápidas.
42:18São classificados.
42:19Você usa no seu dia a dia?
42:21Uso, uso.
42:23Assim, de novo,
42:24a tecnologia tem o lado bom
42:25e o lado ruim.
42:26Como tudo, né?
42:26Como tudo.
42:27Tipo,
42:27uma coisa para mim
42:28que eu acho genial
42:29do chat GPT
42:31é faça uma agenda
42:32para mim
42:33de quatro dias
42:34em tal lugar
42:34com a minha família
42:35com não sei o que.
42:36É inacreditável, cara.
42:38Sabe?
42:38Tipo, assim,
42:39o que eu acho
42:40é o equilíbrio.
42:41Isso é muito...
42:43Eu acho, por exemplo,
42:44o chat GPT
42:45tem a força,
42:47a importância
42:47da invenção
42:48para mim
42:48da revolução industrial
42:49para mim.
42:51É a minha opinião.
42:52Tipo, assim,
42:53é chat...
42:53Se você for para...
42:54Voltando,
42:55é chat GPT
42:55a internet,
42:58celular,
43:00telefone,
43:01luz,
43:01revolução industrial.
43:02Para mim,
43:02ele é muito revolucionário.
43:04É um assunto muito sério.
43:06Muito sério.
43:07Então, respondendo
43:07a sua pergunta,
43:08eu tento usar com equilíbrio.
43:10Consegue.
43:10Tem conseguido
43:11usar com equilíbrio.
43:12Acho que sim.
43:13E na sua trajetória
43:14como empreendedor,
43:15o que te deixou
43:16com mais medo?
43:19Foi quando o negócio
43:20alavancou e já era grande?
43:22Foi no começo?
43:23Não, é assim, ó...
43:24Vou te falar
43:25o que que me incomodava
43:28em 10 anos, assim.
43:30Quando uma pessoa
43:31chegava para você
43:31e falava assim,
43:32cara,
43:32todo o dinheiro
43:32que eu economizei
43:34na minha vida
43:34eu estou postando em você.
43:36Isso é treta.
43:38Não é fácil.
43:40Família,
43:41os filhinhos do lado,
43:42sabe assim?
43:44Caramba, mano,
43:45jura.
43:46Isso é duro.
43:47Isso é duro.
43:47E aí tem que ser
43:48na fé mesmo.
43:49Não, é claro.
43:50Depois que você vê
43:51os negócios se fortalecendo,
43:53os negócios acontecendo,
43:53sendo mais, né,
43:55tipo,
43:56mais concreto,
43:57aí você começa a relaxar
43:58um pouco mais.
43:58Pô, pode comprar
43:59que você vai se dar bem,
43:59entendeu?
44:01Mas não é fácil, não, cara.
44:02Tipo, ah,
44:03vou mudar com a minha família
44:04de cidade,
44:04com filho,
44:05com uma mão na trás,
44:06alguma coisa,
44:07e vou abrir uma Chili Beans.
44:08Se der errado,
44:09eu estou ferrado
44:10porque vou perder
44:10tudo que eu tenho na vida.
44:11Vou passar fome.
44:12Nossa senhora.
44:13Não é fácil.
44:14Não é fácil.
44:15Você falou que é do rock.
44:17Sou.
44:17Mas o rock saiu de moda.
44:18Você acha que o rock
44:20saiu de moda, né?
44:21Saiu de moda.
44:22Virou um sinônimo
44:23de coisa careta?
44:25Puta mesmo.
44:27Não tinha nem pensado.
44:30Pior que eu acho que sim, né?
44:32Nossa,
44:34essa entrevista
44:34foi maravilhosa.
44:36Agora me senti um careta.
44:39É muito louco, né?
44:40Essa reflexão
44:41é incrível,
44:42essa reflexão.
44:42Porque o rock,
44:43a essência do rock
44:44é a essência da rebeldia,
44:46da atitude,
44:47do freedom of speech, né?
44:50Aí você fala,
44:50puta,
44:51e é mesmo.
44:52O rock,
44:52ele...
44:53Fizeram uma pesquisa
44:54no Brasil, né?
44:55Os quatro,
44:55os cinco maiores
44:56estilos de música,
44:58coisa,
44:58o rock vem quinto.
44:59Exato.
45:00É uma coisa
45:01que mudou muito,
45:02acho que globalmente, né?
45:03Reggaeton,
45:04K-pop,
45:05você gosta de...
45:06Rap, né?
45:06Você gosta
45:07de outros gêneros também?
45:10Tem a música eletrônica
45:11que teve um papel
45:12na sua vida, né?
45:12Gosto pouco.
45:14De coisa nova,
45:15assim,
45:15de gêneros novos,
45:16nenhum te pegou.
45:18Cara,
45:19aí a gente vai falar
45:20de música, assim,
45:21porque assim,
45:21a black music,
45:23cara,
45:27da década de 80,
45:2870,
45:28era de uma riqueza,
45:30era de uma mensagem
45:30tão linda,
45:32tão,
45:32puta,
45:33né?
45:34Tipo,
45:34let's groove,
45:35vamos ficar felizes,
45:37vamos contentes.
45:37E era muito rico,
45:39cara, sabe?
45:39O Michael Jackson,
45:40essa galera toda.
45:42E eu não sei,
45:43eu acho que ele foi
45:43pra um caminho
45:44tão sério,
45:45cara,
45:46tão tenso,
45:48sabe?
45:48E eu acho,
45:49eu acho uma pena
45:50isso, assim.
45:51Então,
45:52essa reflexão
45:53eu nunca tinha feito,
45:55gosto de outros
45:55títulos de música,
45:56mas poucos,
45:57mas assim,
45:57se você me perguntar,
45:58eu gosto muito
45:59de black music,
46:00mas black music
46:03da década de 80
46:04pra baixo,
46:04década de 90
46:05pra baixo,
46:06e gosto muito de rock,
46:07igual de pop.
46:08Quais são
46:09os dois discos
46:10da sua vida?
46:11Um na black music
46:12e um do rock?
46:14Ai,
46:14meu Deus.
46:15Assim,
46:16o Michael Jackson
46:17é radical,
46:17meu.
46:18Esse cara,
46:19tipo,
46:20é meio,
46:20não é um ser humano,
46:22né?
46:22Tipo,
46:22é radical,
46:23assim,
46:23os discos.
46:24Viu o filme?
46:25Vi tudo.
46:26Meu filho pira
46:27no Michael Jackson.
46:28Michael Jackson
46:28é radical,
46:29meu.
46:29Ali,
46:31tudo,
46:31sabe?
46:32O artista
46:32é completo.
46:34e eu tenho
46:34uma,
46:36vou ser chamado
46:37mais uma vez
46:38de tiozinho
46:39e careta.
46:40A gente trabalha
46:41com marca,
46:42a gente trabalha
46:43com branding.
46:45As bandas
46:46antigamente,
46:46elas não eram bandas,
46:48elas eram 360.
46:52Era uma banda
46:53que se vestia
46:53desse jeito
46:54por causa desse jeito,
46:55as letras tinham a ver
46:56com esse pensamento,
46:57o nosso atitude
46:58tem a ver,
46:59eram 360,
46:59não era uma banda
47:00que subia e contava
47:01dois,
47:01trato e tocava.
47:02Hoje eu acho
47:02que só tem banda.
47:04vou te dar um exemplo,
47:05Pink Floyd,
47:05por exemplo.
47:06Não era uma banda,
47:07cara.
47:09Tinha droga envolvida,
47:10tinha um jeito de pensar,
47:11um jeito de gerar
47:12criatividade,
47:13a roupa,
47:14como os caras pensavam
47:15o universo,
47:16era um pacote
47:17de coisas,
47:18entendeu?
47:19E eu acredito
47:20que tudo é um 360,
47:21ele não pode ser
47:22uma coisa tão simples
47:23e tão pobre,
47:23e eu acho que hoje em dia
47:24eu tenho muita banda.
47:27Como você pensa,
47:28cara?
47:29Por que você se veste
47:30desse jeito?
47:31Qual é a sua comunidade?
47:32Qual é a sua história?
47:34Como é que você vê
47:34o seu arredor?
47:35Eu sinto falta disso.
47:38Então vamos lá,
47:38eu falei e não respondi
47:39a sua pergunta, né?
47:40Você falou Michael Jackson,
47:41mas não falou o disco.
47:42Não,
47:42vou ficar aqui a noite inteira
47:43falando,
47:44mas eu vou falar
47:44três artistas pra mim
47:45que radical,
47:46assim,
47:46tem 500 mil, né?
47:48Mais três, vai.
47:49Quatro, pode ser?
47:50Pode.
47:51Michael Jackson,
47:53New Order,
47:54pra mim New Order
47:54é uma banda muito importante
47:55pra mim,
47:56assim,
47:56música eletrônica,
47:57melodia,
47:58tirou a guitarra,
48:00sabe?
48:00Assim,
48:01é um assunto sério,
48:03bastante sério.
48:04Joy Division também?
48:05É que Joy Division
48:06é o pai de tudo,
48:07né?
48:07Assim,
48:08mas eu acho New Order
48:09mais importante,
48:10assim,
48:10porque eu acho que eles
48:10conseguiram fazer um pop
48:11eletrônico,
48:13mal cantado,
48:14mas muito foda.
48:16Acho,
48:16pois.
48:18Beatles,
48:18pra mim,
48:19piro em Beatles,
48:20acho Beatles
48:20o começo de tudo,
48:22assim,
48:22tipo,
48:24uns puta gênio,
48:26um negócio absurdo.
48:28Meu filho nasceu com Beatles
48:29e assim por diante.
48:31E o ACDC,
48:32por exemplo,
48:33que é um negócio
48:33que não é uma banda,
48:34né?
48:34Tipo,
48:35é uma instituição,
48:36assim,
48:36tal.
48:37Não,
48:37e só fazer um comentário,
48:38meu filho tá fazendo
48:39intercâmbio na Austrália,
48:40né?
48:41Daí ele tava puto,
48:42porque ele falou,
48:43é,
48:43porque tem que comprar
48:43uniforme,
48:44eu tenho que ir de terno
48:45e gravata e bermuda.
48:46Meu,
48:46ele tirou uma foto,
48:47parecia o Angus e Angi,
48:48cara.
48:49Agora,
48:49eu falei,
48:50meu,
48:50tipo,
48:50e eu falei,
48:51mas tá frio lá,
48:52você pode usar calça?
48:53Ele falou,
48:53não,
48:53tem que ir de bermuda.
48:56Entendeu?
48:57Então,
48:57assim,
48:57tipo,
48:57foi essa curiosidade,
48:59mas,
49:00é,
49:00é,
49:01respondendo,
49:03é,
49:04é,
49:05de bandas,
49:06e eu queria só terminar
49:07esse assunto,
49:07porque esse assunto é gostoso,
49:08mas terminar,
49:09porque assim,
49:09parece que Brasil,
49:11valoriza Brasil,
49:12eu acho foda brasileiro.
49:13Eu queria falar dois nomes brasileiros.
49:16Cazuza,
49:17tá louco,
49:18Cazuza,
49:19tá louco.com.br,
49:20e Neymato Grosso.
49:22Pra mim,
49:23meu,
49:24meu Deus do céu.
49:25Que também tem esse filme recente,
49:27que é,
49:27o máximo.
49:27É, mas onde é que estão os Neymato Grosso,
49:29cara?
49:29Onde é que estão os Cazuza,
49:31cara?
49:31Com Cazuza,
49:32enfiava o dedo na cara da ditadura,
49:34brode.
49:35Entendeu?
49:36Quero que se dane o que você pensa,
49:38meu.
49:38Onde é que tá esse cara?
49:40Entendeu?
49:41Então,
49:41eu fico meio,
49:42não sei,
49:42pode ser que tem uns cantores de trap,
49:44né,
49:44que falam,
49:44que atitude,
49:45não sei,
49:45eu sinto...
49:47A essência do rock
49:48tava nesses caras,
49:50né,
49:50que é da rebeldia.
49:51E assim,
49:52só pra te falar,
49:53assim,
49:53tipo,
49:53que eu fiquei encanado com esse teu comentário,
49:55fiquei irritado e incomodado com essa história do rock.
49:59O rock não é o estilo de música,
50:01é a atitude,
50:02cara.
50:04E assim,
50:04só pra gente complementar esse pensamento,
50:07uma coisa que me incomoda na nova geração
50:09é o medo de se posicionar,
50:11de ser cancelado.
50:12Exato,
50:13as redes sociais,
50:13elas escancararam,
50:15né,
50:15acho que elas talvez sejam as autoras,
50:17né,
50:17desse medo de errar,
50:18né,
50:18porque tá tudo ali,
50:19todo mundo muito exposto.
50:22Cara,
50:22quando você tem 18 anos de idade,
50:23você tem o direito de falar a sua opinião,
50:25Que se dane que os outros vão pensar.
50:28Pô,
50:29Sex Pistos foi a primeira boy band do mundo,
50:31né,
50:32era pra afrontar a rainha,
50:34cara.
50:34Porra,
50:35entendeu?
50:36Então,
50:37isso me incomoda,
50:38esse medo
50:40de se posicionar,
50:41de ter atitude.
50:42Isso vale pra tudo,
50:43né,
50:43vale pras marcas também.
50:44Tudo,
50:45tudo,
50:45tudo,
50:45tudo,
50:45tudo.
50:45Estão com medo de se posicionar.
50:47Eu passo por isso também,
50:49entendeu?
50:49Eu passo por isso também,
50:50não.
50:50É que eu não tenho 18 anos de idade,
50:53entendeu?
50:54Eu acho que a juventude,
50:55ela tem que...
50:58Meu,
50:59tô nem aí pra você,
51:00o que você tá pensando.
51:01E qual você acha que talvez fosse um caminho
51:03pra que isso voltasse à tona?
51:05Ai,
51:06meu.
51:07Puta,
51:07não sei responder.
51:09Não dá pra fazer a perguntinha mais fácil,
51:11cara?
51:11Não sei te responder,
51:12meu.
51:13assim,
51:14eu vou te falar teorias.
51:21A falta de informação gera criatividade.
51:24E o excesso de informação gera burrice.
51:28Isso pra mim,
51:29eu acredito nisso demais.
51:31Quando não tinha...
51:32Cara,
51:32tipo,
51:32quando eu era moleque,
51:33era uma capa de um disco.
51:34That's it.
51:35E a sua imaginação.
51:36E a minha imaginação
51:37e um monte de mentira que me contavam.
51:40Agora,
51:41meu.
51:41É o dia inteiro de informação.
51:43Puta,
51:43agora é isso,
51:44agora é aquilo,
51:44não sei o que.
51:45Tu quer saber
51:45o que eu faço com tudo isso?
51:46Não sei.
51:48Eu acho que um dos motivos
51:50que a gente tá vivendo
51:51dessa...
51:52falta de coisas novas mesmo,
51:54assim,
51:55de...
51:56É o excesso de informação.
51:58Excesso de informação...
52:00Eu não vou falar que emburrece,
52:01é a anestesia.
52:03Entendeu?
52:04E aí você fala,
52:05meu,
52:05eu não sei o que fazer
52:05com tanta coisa.
52:07Paralisa e anestesia.
52:09E impede você de pensar,
52:10de tirar suas próprias...
52:12Sim, sim, sim.
52:12De você pensar mesmo, cara.
52:13Falou,
52:13tá aqui,
52:14esse é o copo, meu.
52:15Tchau.
52:15Vou te deixar aí
52:17nessa ilha
52:18e se vira com esse copo.
52:19Meu,
52:19quando eu voltar,
52:20tem 500 mil copos,
52:21tem uma árvore.
52:22Entendeu?
52:23Agora,
52:24não,
52:24peraí,
52:24eu vou lá
52:25e vou ver essa informação,
52:26eu vou ver essa imagem,
52:27eu vou...
52:28Puta,
52:28caramba,
52:28o que eu faço com tudo isso?
52:30Não sei.
52:30Então,
52:31minha teoria é essa.
52:33Poucas informações
52:34geram criatividade,
52:35muitas informações
52:36anestesiam.
52:38Caíto,
52:38e pra gente,
52:39chegando aqui
52:40à reta final
52:40do nosso papo,
52:42dá uma dica
52:43pra quem tá nos acompanhando
52:44e a pessoa tem vontade
52:46de empreender
52:47e não sabe por onde começar.
52:48Eu vou dar uma dica, sim.
52:50Primeiro,
52:51eu te agradecer aqui
52:52você,
52:53agradecer o papo,
52:54eu adoro a minha mensagem,
52:55eu acho um...
52:56eu pago um pau,
52:58vocês são uns puta guerreiros,
53:00nesse mundo todo
53:01tá sobrevivente
53:02e com...
53:04vocês têm
53:05muita credibilidade.
53:07Não é fácil.
53:08Tipo,
53:09o que os caras falaram?
53:10Opa!
53:11Então,
53:11isso é muito legal.
53:12Parabéns,
53:12manda parabéns
53:13pra galera,
53:13botantão,
53:14lá,
53:14um beijo pra galera.
53:15Vou dar uma dica
53:17pra quem quer empreender.
53:18Ainda existem
53:19muitos setores
53:21gigantescos
53:22e velhos.
53:27Arcaicos.
53:30dá um exemplo,
53:31vai, tipo,
53:33os caras foram lá
53:36e gourmetizaram
53:37um barbeiro,
53:38hoje é normal,
53:39um salão de barbeiro,
53:40só que, meu,
53:40antigamente não tinha isso
53:41quando era moleque.
53:42Era um tiozinho de branco
53:43que cobrava 40 reais
53:44e cortava o seu cabelo.
53:45O cara foi lá
53:46e pegou um negócio,
53:47um ambiente,
53:48deixou tudo bacana,
53:49com bar,
53:50cerveja,
53:51tua barba que cresce,
53:53não sei o que tal,
53:55isso se destina
53:56rejuvenescimento.
53:57A Tiri Bins
53:57fez isso com o mercado
53:58há 30 anos atrás.
53:59Quando eu entrei no mercado
54:00era todo mundo
54:01de avental branco,
54:02tudo trancado,
54:03o óculos era caro
54:03pra caramba,
54:04entendeu?
54:05E a gente fez o modelo
54:06ficar mais leve,
54:07divertido,
54:08engraçado,
54:10né?
54:10Então,
54:11eu ainda acho
54:11que tem vários setores
54:12que estão velhos
54:13e que podem ser rejuvenescidos.
54:17Caíto,
54:17super obrigada
54:18pela sua participação,
54:19foi um prazer
54:20conversar com você.
54:21Obrigado você,
54:22obrigado vocês aí,
54:23querendo mandar um beijão,
54:24vamos acreditar no Brasil,
54:26acreditar em marca,
54:27porque é isso que faz a diferença.
54:28Obrigado,
54:29sempre que vocês me convidarem,
54:30eu venho.
54:30Obrigada,
54:31até a próxima.
54:32Continue acompanhando a ideia
54:33nas plataformas de Meio Mensagem,
54:35na nossa página no YouTube
54:36ou no streaming de sua preferência.
54:38Os episódios são gravados
54:40no Content Club em São Paulo.
54:42Até mais.
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