00:00Acredito que a plataforma de festivais em si ou de grandes eventos
00:03é uma oportunidade única que a gente tem
00:05de colocar essas pautas de um jeito mais lúdico também, sabe?
00:10Porque às vezes fica muito nesse lugar do eco chato
00:13e eu acho que o que a gente busca é sair um pouco desse lugar
00:16e conectar com o que ele acredita, né?
00:23Essa, na verdade, é a fórmula do futebol,
00:25é usar o entretenimento em prol do impacto positivo na economia,
00:30usar o entretenimento em prol de causas,
00:33sejam sociais ou ambientais que nos parecem relevantes.
00:38A gente, com a Afropunk, a gente fez um circuito um pouco diferenciado, incomum.
00:42A gente primeiro implementou e trouxe as práticas do social e depois o ambiental.
00:48Dá mais trabalho, mas a gente acredita que tem mais consistência.
00:51Não existe mais, na minha opinião, a possibilidade de as marcas não entenderem isso
01:01como gestão de risco dos seus negócios.
01:04Então isso tem que estar imbricado nas decisões da empresa,
01:07isso tem que fazer parte do processo decisório.
01:11E aí sim, ele tem que ser comunicado e ele tem que fazer parte de um posicionamento.
01:16A busca pela sustentabilidade, ela é constante, porque se viver, emite, né?
01:24Respirar, emite gás.
01:26Meu, estar no mundo, então não se trata sobre zerar a emissão da vida.
01:32Se trata em como é que a gente opera de uma maneira mais eficiente,
01:37fazendo com que as empresas sejam parte também de redução dos impactos negativos
01:42e ampliar os impactos positivos da existência dos nossos negócios.
01:47Quando eu comecei a me aprofundar e entender mais com a equipe especializada em ESG,
01:53eu entendi que esses resíduos, que são latas, garrafas,
01:57representam menos de 1% de todo o impacto ambiental de um festival.
02:02O maior impacto é o deslocamento do público.
02:06Que aí você fala de carbono, de mais transporte privado rodando.
02:12E o primeiro ponto do festival, meses antes de fato dele acontecer,
02:17é pensar onde ele vai se realizar.
02:19Porque você tem que pensar em um espaço que dê maior acesso e facilidade de circulação do público,
02:25estimulando a utilização de transporte coletivo.
02:28E como Coca-Cola, historicamente, a gente patrocina diversos eventos.
02:32E eu acho que a gente conseguiu setar a barra para conectar os nossos assets
02:36com toda a agenda de sustentabilidade.
02:39Então, vou te dar um exemplo aqui.
02:40A jornada de festivais começou logo depois da pandemia.
02:44A gente entendeu que naquele momento ali, as pessoas, e principalmente Gen Z,
02:49estava muito conectada dentro de casa com a questão do seu lixo.
02:52Acho que foi uma oportunidade das pessoas conviverem com essas temáticas
02:57que a gente fala tanto,
02:59mas que na pandemia se tangibilizou.
03:02Então, acho que essa questão do resíduo mesmo,
03:05você vendo ali o lixo da sua casa,
03:07acho que as questões sociais ficaram muito mais latentes.
03:10E eu acho que tinha uma sede naquele momento de voltar a socializar.
03:14Então, logo depois da pandemia, a gente fez um primeiro festival sustentável
03:18e a gente foi na gamificação.
03:20A gente entendia que era um momento importante ali
03:23para essa pessoa, para esse consumidor, para a Gen Z,
03:27que está ali curtindo o seu momento,
03:29entender o que ela faz com o resíduo.
03:31Eu acho que essa tensão está muito forte nas novas gerações,
03:35mas eu acho que o como executar, o como participar do impacto socioambiental
03:40está longe ainda da realidade de todo mundo.
03:43Não existe mais, na minha opinião,
03:46a possibilidade de as marcas não entenderem isso
03:51como gestão de risco dos seus negócios.
03:55Então, isso tem que estar imbricado nas decisões da empresa,
03:58isso tem que fazer parte do processo decisório
04:02e aí sim, ele tem que ser comunicado
04:04e ele tem que fazer parte de um posicionamento.
04:07Mas eu acho que primeiro, e o que a gente está vivendo nesse momento,
04:12é uma clareza tão grande de que este tema não é mais um tema ESG,
04:19ele é um tema que pertence hoje à matriz de risco das empresas.
04:26A gente está falando de segurança energética de países,
04:31a gente está falando de que o futuro que se desenha
04:35é um futuro guloso por energia.
04:40Então, como a gente vai gerar essa energia
04:44trazendo a possibilidade de que ela esteja equilibrada
04:48com o que a gente está vendo no clima,
04:51com o que a gente está vendo no dia a dia da vida da gente?
04:54Aí você tem coisas que você tem que fazer.
04:56Mas a gente cria ali uma provocação,
04:59que é se você estudar o nosso relatório de sustentabilidade,
05:04se entender as nossas políticas,
05:06você pode concorrer a ingressos.
05:08Então, isso vai de uma forma lúdica,
05:12muito mais do que uma forma obrigatória.
05:15Mas a gente percebe que muitas empresas
05:18se aproximaram dos nossos eventos
05:22por termos, por a gente ser uma plataforma segura de ESG.
05:27Então, quando a gente traz uma plataforma de confiança,
05:31de operação, de transparência,
05:32onde a gente faz muito na nossa parte,
05:35faz além do que a lei exige,
05:38a gente começou a ver empresas vindas.
05:40Então, eu acho que essa é a grande contribuição,
05:42é que voluntariamente a gente consiga somar forças.
05:45Acredito que a plataforma de festivais em si,
05:48ou de grandes eventos,
05:49é uma oportunidade única que a gente tem
05:51de colocar essas pautas de um jeito mais lúdico também, sabe?
05:55Porque, às vezes, fica muito nesse lugar do eco chato.
05:59E eu acho que o que a gente busca é sair um pouco desse lugar
06:01e conectar com o que ele acredita, né?
06:04Então, eu acho que, sim, existe uma pressão.
06:07E como eu falei, e não é só dos consumidores.
06:10Eu acho que é todo o sistema, toda a cadeia, né?
06:14Buscando boas práticas,
06:16uma visão de transparência do que tem sido feito pelas organizações.
06:21Então, eu acho que todos os stakeholders,
06:22eles estão nesse lugar de olhar e falar assim,
06:26olha, isso eu acho que é legal.
06:28Existe uma tensão e a gente não sabe como endereçar, né?
06:31Então, eu estou aqui com o meu resíduo,
06:32como é que eu endereço isso?
06:34Como que eu faço?
06:35Então, às vezes, tem uma vontade,
06:38mas não tem uma finalização.
06:40Eu acho que a gente, como marcas,
06:41está aqui para trazer essas soluções, né?
06:43O ESG não é um critério de escolha do patrocínio,
06:47mas ele vai ser, para a gente,
06:48um critério importante de desempate, vamos colocar assim.
06:53A gente vai sempre dar preferência a eventos
06:56onde a gente possa atuar na parceria de uma descarbonização,
07:01porque essa tem sido a forma como a gente encontra
07:04de juntar o posicionamento com o negócio da companhia.
07:08Talvez não seja trazer,
07:10eu acho que é uma visão colaborativa.
07:12Então, a gente já fez alguns formatos de impacto nos festivais, né?
07:16Então, como eu falei, a gente começou com gamificação,
07:19depois a gente fez um Rock in Rio,
07:21onde a gente se juntou com outras empresas,
07:25com Heineken, Natura,
07:27beneficiamos o resíduo,
07:28esse resíduo virou novos produtos para nós,
07:31para a Natura, né?
07:32Novas embalagens, no caso.
07:34Então, fizemos isso de uma maneira colaborativa
07:36com outras marcas e com o time do Rock World.
07:39Eu acho que tudo é feito a quatro, seis mãos.
07:42Eu sempre brinco assim, né?
07:43Eu estou há 20 anos aqui no negócio,
07:46mas eu sempre falo que
07:49estar em sustentabilidade é um ótimo lugar para estar,
07:51porque é sobre agendas pré-competitivas,
07:53porque os problemas, eles não são de ordem única, né?
07:56A gente não vai resolver sozinho.
07:57E não é nem com os outros patrocinadores
08:00e com o time do Rock World,
08:01é com todos esses entes
08:03e com as cooperativas,
08:04e com a sociedade civil,
08:06e com a academia.
08:07Acho que há uns cinco anos, dez anos,
08:10a gente ouve de muitas marcas
08:11que a única preocupação é
08:12onde minha marca vai estar aplicada?
08:16E do público,
08:17quem é que vai estar no palco?
08:18Hoje a gente vê essa geração,
08:20e até a geração, os milênios mesmo,
08:22já entendendo a importância,
08:24as mudanças climáticas,
08:25os aspectos sociais.
08:27Então, a gente, como Afropunk,
08:29a gente já nasceu pensando em sustentabilidade,
08:33propositalmente,
08:34pensando primeiro no aspecto social,
08:36e a gente foi caminhando,
08:37entendendo as necessidades também
08:39da preocupação ambiental.
08:42E isso é também trazido como resultado
08:46do que a gente ouve nas redes sociais
08:48e do comportamento do público.
08:49Quando a gente junta com a marca
08:51para fazer uma ação gamificada,
08:54sobre manuseio de material reciclável,
08:58e ver essa comunidade popular
09:00e o público engajado nisso,
09:03quando a gente produz um copo retornável
09:06com a marca do evento
09:07e que a gente não vê esse copo no lixo,
09:11a gente percebe que as pessoas
09:12têm uma preocupação,
09:13têm uma cobrança.
09:14Quando a gente vê aqui
09:17as várias medidas que a gente vai tomando,
09:19existe, e a gente já tendo 20 anos aqui
09:21de jornada nesse caminho,
09:23tem uma barreira clara que é indústria.
09:27As soluções precisam vir em massa.
09:29Chega uma hora que a gente não consegue evoluir,
09:32porque a gente precisa de soluções
09:33que atendam não só a um evento,
09:35que é da dimensão dos nossos eventos,
09:37como o Rock in Rio, como o Detal,
09:38mas que toda a indústria possa ter acesso
09:41de uma forma economicamente viável
09:44a essas soluções.
09:46Eu acho que o ponto que a gente está,
09:48tem um ponto muito favorável,
09:50cada vez virou um assunto obrigatório,
09:54digamos assim,
09:54apesar de ser voluntário,
09:56até pela cobrança do consumidor.
09:59E se você me perguntar,
10:01a cobrança do consumidor
10:02veio antes da decisão das empresas.
10:04Algumas empresas tinham como posicionamento
10:07avançar nessa área,
10:08mas o consumidor começou a cobrar mais rápido.
10:11Então as empresas tiveram que acelerar
10:13a sua colocação de soluções no mercado.
10:16E aí
10:17E aí
10:18Legenda Adriana Zanotto
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