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Presidente e CEO da Publicis Brasil reflete sobre sua trajetória de 15 anos na agência e fala da importância de saber ler cenários para transitar no ambiente de trabalho
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CriatividadeTranscrição
00:00Antes de assumir a presidência da Publicis Brasil há dois anos,
00:03Gabriela Borges já tinha uma extensa passagem pela agência.
00:07Ao longo dos 15 anos que ela trabalha lá, foi vice-presidente de negócios,
00:11chief operating officer, dois cargos-chave para entender justamente
00:16como que funciona o negócio, da porta para dentro e da porta para fora.
00:20E sob a gestão da Gabi, a Publicis voltou a crescer.
00:23Hoje a agência tem um time de mais de 600 pessoas
00:26e atende a contas como Satander, Nivea e Red Bull, entre muitas outras.
00:31Eu sou Isabela Lessa e esse aqui é o A Ideia, podcast do Meio e Mensagem,
00:35que você pode ouvir ou assistir no YouTube e no canal de streaming da sua preferência.
00:40Curte, segue, avalia para não perder nenhum episódio.
00:44Seja muito bem-vinda, Gabi.
00:46Obrigada, Elisa. Obrigada pelo convite.
00:48É sempre um prazer falar com você.
00:50Então, estou super feliz de fazer parte desse projeto.
00:53O prazer é o meu.
00:59Bom, Gabi, vamos lá.
01:01Antes de mais nada,
01:03eu queria que você falasse um pouco sobre essa sua trajetória longa em agência.
01:08A gente estava falando um pouco antes aqui de entrar no ar,
01:11de conflitos geracionais,
01:13que são muitos.
01:15E hoje a dinâmica de trabalho é muito diferente.
01:19É comum a pessoa ficar um ano ou menos num emprego
01:22e você, no entanto, fez essa longa trajetória que é bem comum nas nossas gerações, né?
01:28De ficar mais de 10 anos numa empresa.
01:31Então, como é que foi para você a sua construção como profissional dentro de uma única agência?
01:38Boa parte da sua carreira.
01:39É, metade da minha carreira, né?
01:40Assim, foi lá.
01:41E eu acho que é uma boa questão.
01:44Porque eu acho que, apesar de ser comum para a nossa geração,
01:48ainda em agência não era tão comum.
01:50As pessoas, se você pegar as jornadas, são realmente muito fragmentadas.
01:54Então, realmente, eu fui um ponto fora da curva nisso.
01:58E eu acho que talvez tenha um pouco a ver do como eu cheguei na Publicis, né?
02:03A minha trajetória pré-Publicis foi feita em agências menores,
02:07em negócios muito focados em segmentação de healthcare.
02:11E quando eu fui para a Publicis, foi a primeira vez,
02:13quando eu já era diretora, né?
02:15Então, eu cresci em agências menores.
02:17E aí, quando eu fui, foi a primeira vez que eu fui viver uma multinacional, né?
02:22E aquilo, acho que foi muito diferente.
02:24E eu descobri um novo universo.
02:26E eu acho que, eu sempre brinco, o que eu falo foi realmente um match, assim.
02:30Eu acho que a gente, eu e a Publicis, nos demos muito bem desde o começo.
02:34Era um momento muito legal da Publicis de transformação, de reinvenção.
02:38Foi logo que o Hugo estava assumindo ali como CEO também
02:42e estava remodulando esses times.
02:44E eu acho que, a partir dali, muitas coisas aconteceram.
02:48Então, foi fazendo muito sentido ficar.
02:51E a verdade é que eu fui ficando e crescendo.
02:54e ocupando novos espaços, né?
02:56Foi muito na fase da chegada do Power of One,
03:00da entrada do digital de forma massiva, né?
03:04No dia a dia das marcas.
03:06E como o grupo vinha fazendo todo esse movimento.
03:09Então, eu acho que é uma trajetória longa, de fato.
03:14Mas ela foi uma trajetória muito dinâmica.
03:16É quase como se eu não tivesse sentido, de 2011 até aqui,
03:20o como cheguei até aqui, apesar de tantas coisas vividas.
03:23Então, eu acho que o que me fez ficar, de fato, foi muito dessa transformação
03:28e dessa agilidade com que as coisas foram acontecendo.
03:31E como que foi essa transição dos negócios para o cargo de operações?
03:36Que o cargo de operações, hoje, ele é muito comum, mas nem sempre foi assim, né?
03:41E se tornou um cargo, assim, quase que, tipo, a pessoa que vira Chief Operations Officer,
03:46em algum momento ela vai virar CEO, né?
03:48É verdade. E acho que é exatamente isso.
03:51Acho que a cadeira de operações, ela sempre foi meio quebrada, né?
03:54Bom, primeiro, você não tinha uma área de operações na agência tradicional, né?
03:58Assim, quando começou a vir a transformação, a chegada das entregas de tech,
04:04e até mesmo das demandas de digital, isso começou a ser muito essencial.
04:09Então, na Publicis, isso foi estruturado, acho que entre, sei lá, 2017, 2018,
04:14a gente começou a ter uma área de operações na agência,
04:17mas ela era uma área isolada, e para não te dizer isolada,
04:20ela tinha um reporte à criação, né?
04:23Assim, então, ajudava muito a organizar essas demandas,
04:27a ter cronogramas mais estruturados,
04:30que não eram coisas tão racionais na publicidade,
04:33e por muito tempo foi assim.
04:35A questão é que a gente começou a olhar e entender,
04:38e eu acho que esse foi um movimento geral,
04:41que a área de operações, ela tinha um pouco que ditar o bumbo em todas as frentes.
04:45E a área de operações, ela deixou de ser um facilitador,
04:48um viabilizador de projetos,
04:51para se tornar uma parte importante de negociação de contratos,
04:54de entendimento, né?
04:56De uso de ferramentas e tudo mais.
04:58Então, foi quando, em 2000, foi pós-pandemia,
05:0221, 22, acho que foi 22,
05:04a gente unificou com a área de negócios.
05:07Então, operações e negócios se tornaram uma única área,
05:10e foi quando eu assumi como vice-presidente de negócios e operações.
05:14Então, a gente unificou, de fato, tudo,
05:17e eu comecei a ser a responsável por fazer essa integração das áreas.
05:21E o que isso queria dizer?
05:23Foi muito difícil,
05:24porque eu acho que as lógicas não são necessariamente as mesmas.
05:29O time de negócios via o time de operações como burocratas,
05:33o time de operações via o time de negócios como
05:35as pessoas que não sabiam o que estavam fazendo,
05:37ou pouco organizadas.
05:39E eu acho que boa parte da minha gestão na vice-presidência de atendimento
05:43foi criar esta comunidade,
05:46este senso de somos uma equipe só,
05:47e o como isso ia sendo transversalmente alocado na agência.
05:52Então, assim, foi um processo longo,
05:54não foi um processo simples,
05:55foi um processo de muito trabalho com RH mesmo,
05:57e de entendimento.
05:59E hoje é tão natural que a gente nem lembra
06:01que passou por tudo isso,
06:02mas a verdade é.
06:03E aí, depois de dois anos,
06:06que eu estava já nessa cadeira,
06:08foi quando criou-se efetivamente a cadeira de seu
06:10na Publicis, ou voltou a ter depois de um tempo.
06:14E aí, isso se incorporou de uma forma ainda mais robusta.
06:19Então, acho que essa trajetória foi acontecendo fragmentada.
06:23Você acha que foi essa experiência,
06:25dessa integração entre as duas áreas,
06:27que te tornou mais apta a assumir a presidência da agência nos depois?
06:32Sem sobra de dúvidas.
06:33Eu acho que a unificação dessas duas coisas
06:36trouxe para a agência uma nova forma de operar.
06:38E esta nova forma de operar trouxe maior eficiência,
06:44trouxe uma visão muito mais clara sobre discussão de contratos,
06:47que era uma coisa que você assinava lá,
06:50se tinham 10 pessoas, 20 pessoas,
06:52e o cliente estava usando 100,
06:53aquilo lá ficava meio no limbo do dia a dia.
06:56Então, eu acho que quando tudo isso foi sendo moldado,
06:59estruturado,
07:01isso mudou drasticamente a forma da agência operar.
07:05E em tudo.
07:06E, de novo, em eficiência financeira,
07:08em eficiência de entrega.
07:10Então, acho que sim,
07:11eu acho que foi um processo meio natural
07:14e que, com certeza, me levou para a cadeira.
07:17E quando a gente conversou recentemente,
07:21acho que no final do ano passado,
07:22quando a gente publicou uma entrevista no semanal do Meio Mensagem,
07:26eu te fiz uma pergunta sobre o momento que você foi escolhida,
07:31que eu acho que é uma coisa que eu pergunto muito aqui,
07:32sobretudo para mulheres, né?
07:34Você se sentia pronta para assumir o comando da agência?
07:39Teve alguma dúvida?
07:41Você se aconselhou com alguém?
07:42Foi um movimento que era esperado?
07:45Você teve tempo para digerir aquilo?
07:48Nenhum.
07:49Olha, acho que tem muitas respostas nesta pergunta, né?
07:53Eu acho que a primeira coisa é...
07:55Pronta, eu acho que não.
07:57Mas isso eu acho que também foi uma coisa que eu aprendi na minha trajetória,
07:59que é que as mulheres sempre se sentem menos prontas.
08:01Mas eu acho que a parte disso,
08:04eu também entendi muito que a gente nunca está 100% pronto
08:08para a próxima cadeira,
08:09porque a próxima cadeira te traz coisas que você nunca viveu.
08:12Então, estar pronto ou não estar pronto, né?
08:14Eu acho que, em geral, a gente não está pronto mesmo,
08:17porque isso vai sendo...
08:20Eu sempre falo que tem um ano para você chegar na cadeira, né?
08:22De verdade.
08:23E entender, opa, eu estou aqui.
08:24Eu acho que a virada para a vice-presidência foi muito importante,
08:28porque eu tinha uma parte da agência e eu passei até a agência toda.
08:31Aquilo, por si só, já é um choque.
08:33Você ter 30% dos problemas ou 100% dos problemas,
08:37obviamente, isso faz diferença.
08:39E eu acho que quando você vira na virada da presidência,
08:43era como se eu tivesse, sei lá, 50% de todas as decisões da agência
08:49e eu passei até os outros 50%.
08:50Então, também isso é exponencial.
08:53A parte de...
08:55Não tive tempo de preparação, né?
08:57Não foi uma coisa esperada, não era um passo planejado.
09:00Eu acho que isso veio muito da mudança que o grupo foi fazendo, né?
09:04E o grupo foi, de forma muito rápida, mudando.
09:08Então, em algum grau também, muitas das mudanças que foram feitas antes,
09:12eu fui pega de surpresa até chegar na minha.
09:15Então, eu não tive muito como me preparar.
09:18Mas eu acho que o que eu tive de muito importante foi,
09:20primeiro, os 15 anos de conhecimento daquele ecossistema.
09:24Muito embora que eles estivessem em transformação,
09:26eu já tinha vivido várias transformações ali.
09:29Então, acho que essa foi uma parte.
09:30A segunda parte foi, primeiro, ter sido escolhida pela liderança que chegou.
09:36Então, ali, em algum grau, tinha uma confiança que estava sendo depositada.
09:40E que essa liderança era uma mulher, né?
09:43E eu acho que isso também fez diferença naquele momento.
09:48A sua chará.
09:49Gabriela Onofre, que tinha chegado há pouco tempo, talvez seis, sete meses,
09:54e que me surpreendeu e falou, vamos junto, né?
09:58Assim, eu vou pegar na sua mão e a gente vai fazer.
10:01E a verdade, eu acho que naquele momento, ela também pôs a perspectiva de que é,
10:04você conhece esse negócio muito mais do que eu, né?
10:07Você está aí há muito mais tempo.
10:09Então, acho que foi muito legal as trocas com ela.
10:11E a preparação, é assim, eu sou uma pessoa muito dos conselhos.
10:15Eu gosto de dar e gosto de receber.
10:16Eu acho que a troca é o que a gente tem de mais poderoso nessa vida.
10:20Então, eu me relaciono com praticamente todos os meus ex-chefes.
10:24Eu me relaciono com pessoas que praticamente é bom.
10:28Eu acho que todos.
10:29Em algum grau, todos.
10:31Assim, alguns mais, alguns menos, mas não tenho, né?
10:33Nenhuma questão.
10:36Parte deles, sim, eu consultei, porque já tinham vivido aquilo, né?
10:41Mas é assim, foi de um dia para o outro.
10:44Essa consulta e esse como vai ser.
10:46E pessoas que vivem essa trajetória, né?
10:49Fora isso, eu tinha um time, eu acho que eu fui muito bem recebida.
10:54Então, isso também faz diferença, né?
10:55Assim, eu já tinha um time forte, conectado a mim internamente.
11:00Mas outros desafios vieram.
11:01Obviamente, nem tudo é só felicidade, né?
11:05A gente teve outras questões, obviamente.
11:08Mas passamos e foi muito bom.
11:09E o que você diria sobre a sua trajetória como publicitária?
11:15Você já vislumbrava isso?
11:17Porque tem gente que faz tudo meio que, né?
11:19Calculado, pensando, eu quero chegar lá.
11:22Para você foi meio assim, planejado?
11:25Foi mais do vamos ver como vai acontecer?
11:28Você foi deixando...
11:29As oportunidades foram surgindo no seu caminho?
11:32Não foi.
11:33Assim, eu acho que planejada não é uma palavra que me define, assim.
11:38Eu sou uma pessoa de entrega.
11:39Eu me jogo nas coisas, assim.
11:41Eu sou taurina, sou muito conectada à astrologia.
11:44Mas eu sou...
11:45Então, assim, eu sou uma pessoa que me joga muito, especialmente no trabalho.
11:48O trabalho é parte importante da minha essência.
11:50E eu sempre gostei muito disso.
11:53Eu acho que as relações mais fortes que eu tenho na minha vida pessoal
11:57são pessoas que vieram do trabalho.
11:58Então, eu sempre tive muito essa relação profunda com o trabalho.
12:02Mas eu nunca fiquei muito planejando esse próximo passo.
12:06E, sendo honesta, eu acho que a coisa de eu sempre me jogar
12:10me fez sempre também ir crescendo de forma natural.
12:13Eu não me lembro de ter que bater numa porta e falar
12:15escuta, e o meu crescimento, e o meu próximo passo?
12:18E as coisas foram muito acontecendo.
12:21E eu acho também que vem de um lugar
12:22da onde eu sempre gostei de ter autonomia
12:25e de meio decidir as coisas e falar
12:27beleza, fiz assim.
12:28Eu sempre preferi que alguém me batesse por eu ter feito
12:31do que eu ficasse esperando alguém me dizer o que fazer.
12:35Isso, posto, eu acho que a trajetória foi acontecendo.
12:37Eu nunca, e assim, nunca na minha vida
12:41imaginei sentar na cadeira da presidência da Publicis.
12:43Nunca. Isso não passava na minha cabeça.
12:46E não passava mesmo quando eu fui crescendo.
12:49E por mil razões.
12:50Eu acho que a cadeira da Publicis, primeiro, é gigante.
12:56Hoje é a quinta maior agência do país.
12:59É uma cadeira que sempre foi ocupada por nomes de pessoas que tiveram as suas trajetórias
13:06muito em outras grandes agências, em como tudo isso foi...
13:10Como chegaram até lá.
13:12E eu também acho que, em algum grau, eu tinha essa coisa da síndrome do impostor.
13:16Dizendo, eu nunca vou conseguir fazer esse negócio.
13:19Eu acho que talvez eu nunca vou conseguir, não.
13:22Mas eu não tenho a estatura desta cadeira, né?
13:25Eu acho que passa um pouco por isso.
13:28Então, não.
13:29Planejado não foi.
13:31Também não sei se eu tinha um sonho, mas eu acho que quando eu sentei, a gente descobre
13:34que a gente, no fundo, talvez a gente sempre tenha um sonho que a gente nem sabe que teve.
13:38A hora que você senta lá, que você fala, putz, eu queria isso.
13:41Eu queria isso, né?
13:42Assim, eu acho que isso me aconteceu poucas vezes na minha carreira, mas uma delas, por
13:46exemplo, é o Caboré.
13:46O Caboré é emblemático.
13:47Eu nunca planejei estar no Caboré, mas quando ele chegou, eu falei, caramba, eu acho que
13:51eu sempre quis estar aqui, né?
13:53E eu vejo a presidência um pouco como isso, mas eu acho que o valor vem disso.
13:59De sempre...
13:59Eu sempre trabalhei antes de conseguir, e eu acho que isso fez diferença do que só planejar,
14:04né?
14:04Que daí você fica focado ali totalmente no que você está fazendo no momento, né?
14:08Mais do que ficar olhando pra frente.
14:11Exatamente, do que ficava...
14:12Enfim, então, foi natural, mas não foi planejado.
14:16Mas você é ligada à astrologia mesmo?
14:18Qual que é o seu ascendente, a sua lua?
14:20Menina, eu tenho este problema, que é...
14:23Eu não tenho esses detalhes, Luísa.
14:26Agora você me pegou, porque eu sou muito...
14:27Assim, a primeira coisa é, eu sou muito taurina na minha essência, então eu devo
14:30achar que eu devo estar tudo aí nisso.
14:32As meninas lá da agência, que são...
14:34A Publicis é uma agência muito ligada à astrologia.
14:36Quem conhece a história sabe que o leão tem toda a simbologia lá do...
14:40Do Blenstein, de como isso foi fundado.
14:43E, naturalmente, lá, sei lá, a gente se uniu num grupo que é muito ligado à astrologia.
14:47E elas vivem querendo ir a fundo nessa história, mas eu tô com o plano que eu tô sem o
14:51horário
14:51exato da minha certidão de nascimento.
14:53Ah, é, precisa ser o horário certinho.
14:54Então, eu não tenho todos esses detalhes, mas eu tenho a coisa do taurino, assim, eu sempre fui.
14:58E eu tenho até hoje a coisa do taurino, de olhar no detalhe, e eu realmente, quando você lê o
15:03perfil do taurino, eu sou 100% taurina.
15:05E todas as pessoas que trabalham comigo falam isso, falam, Gabriela, você não desvia de uma regra do taurino.
15:10Então, eu posso te dizer que a minha conexão vem com esse touro tatuado que eu tenho em mim.
15:15Nem quero saber o resto, na verdade eu quero, mas preciso ir atrás disso.
15:19Precisa ir, um minutinho, né, ali, dizem que já faz a diferença, já muda todo o seu mapa astral.
15:25Mas, Gabi, voltando, então, pro passado um pouco, como é que a publicidade entrou na sua vida?
15:32Você é dessas pessoas que teve certeza do que ia fazer na faculdade?
15:37Como é que foi pra você?
15:38Tive médium.
15:39Você tinha essa identificação, assim, também de essa coisa que muita gente fala que, ah, eu crescia vendo comercial na
15:48TV e isso me brilhava os olhos e tal?
15:50Eu acho que um pouco sim, então, eu acho que eu sempre fui uma pessoa muito de humanas, assim, eu
15:55sempre fui a pessoa muito mais deste lado das conexões e, enfim.
16:01E eu sempre fui uma pessoa muito do universo da televisão, de gostar disso, sabe?
16:05De me conectar, de, sei lá, eu era pequena, meus pais me levavam no show da Xuxa, assim, de frequentar
16:12o programa de auditório, sabe?
16:13Enfim, eu tinha um pouco desse sonho.
16:15Você foi no programa da Xuxa?
16:17Fui, andei na roda gigante, esse nível, assim.
16:19Nossa!
16:22Então, você gostou de ler a entrevista com a Xuxa na edição de aniversário?
16:27Lógico, lógico, lógico, sempre.
16:29Porque eu fui a garota da geração da Xuxa, né?
16:33Isso se perdeu um pouco, mas fui.
16:35Então, eu acho que talvez lá no fundo sim, mas nunca foi super materializado como quero.
16:40No entanto, eu tive um pai que trabalhava no marketing, já era um executivo de marketing.
16:45Não no marketing ultra, como se diz, sedutor.
16:52Ele sempre trabalhou na indústria farmacêutica.
16:55E eu acho que a partir dali eu comecei a brilhar um pouco o meu olho de falar, ah, tem
16:59uma coisa aqui que pode ser legal, né?
17:02Eu acho que no Brasil, no Brasil não, mas de forma geral a gente presta vestibular muito cedo, né?
17:06Assim, então eu nunca repeti de ano, enfim, saí da escola ali com 17 e falei, e agora o que
17:11eu vou fazer pro resto da minha vida?
17:13E coloquei a publicidade, eu falei, ah, eu acho que esse é um negócio que é legal.
17:16Pra algum lado aqui eu vou fazer.
17:18Mas eu nunca tive a ambição de ser uma criativa, o que não era o natural, porque as pessoas nesta
17:25minha geração iam pra faculdade de publicidade para ser da criação, né?
17:31E aí quando chegou a hora de fazer estágio, tudo isso, eu me vi pela primeira vez dentro de uma
17:36agência e eu me apaixonei pela área de atendimento, que é uma loucura, porque ninguém se apaixona pela área de
17:43atendimento.
17:45Que é dar a cara tapa ali, né?
17:46É dar a cara tapa, mas eu entendi que vindo do lugar, eu sou da pessoa das relações, dessa troca,
17:53dessa conexão, eu falei, cara, isso é muito legal, porque eu conheço muita gente, eu discuto sobre muitas coisas,
17:59e eu me via muito como esse elo de conexão das áreas e tal, e eu realmente me encantei por
18:05aquilo.
18:06Mas eu entrei na agência, fiz o meu estágio, o meu estágio acabou, e os donos me chamaram e falaram,
18:12Gabriela, você é incrível, a gente te adorou, a gente queria te fazer uma coisa até meio sem graça, assim,
18:17eles estavam...
18:18A gente queria que você ficasse, mas hoje a única oportunidade que a gente tem de te manter aqui dentro
18:23é você sendo a nossa assistente, assistente real, pagar conta, agendar reunião e tudo mais.
18:29Mas é uma forma de você se manter dentro da agência, eu falei, onde eu assino? Eu quero.
18:32E fiquei, então assim, depois de ter estagiado na área de negócios, eu fui ser assistente dos donos da agência,
18:41e depois de um ano eu fui ser tráfego, olha, foi uma trajetória meio...
18:46E aí, quando eu fui ser tráfego, foi muito legal, porque eu acho que ali eu tive muita certeza, porque
18:52você acaba vivendo muito a fundo todas as áreas da agência,
18:56porque, né, você conecta ali a criação, a produção, o filme chegou, não chegou, a mídia liberou o plano, não
19:01liberou o plano, é...
19:04E ali eu entendi que realmente eu queria ficar na área de atendimento, nem chamava negócio naquela época, éramos puros
19:09atendimentos.
19:11Atendimento.
19:11E desde então, eu sentei e nunca mais saí, nunca tive dúvida de que eu queria alguma outra área na
19:18agência, então acho que isso foi muito legal,
19:20e eu sempre tive relações muito boas com os clientes, e eu sempre tive a visão de empreender mesmo, de
19:26encontrar nossos caminhos e trazer escopo e puxar,
19:29e isso foi o que foi me moldando, sabe?
19:31O que é mais difícil? Levar o lado da agência para o cliente ou vice-versa? Porque é muito da
19:39parte do atendimento ali, né?
19:42Acho que as duas coisas são muito complexas, mas eu acho que é mais difícil trazer o lado do cliente
19:47para dentro da agência.
19:48Porque eu acho que, naturalmente, tem um choque ali, né? Das coisas, assim, o que é a visão?
19:58Porque o que eu entendo é, nem sempre o que o cliente está fazendo é o que ele quer, mas
20:02ele também ali tem um universo de gente,
20:05de pessoas, de coisas acontecendo, de demandas ou de entendimento de contexto.
20:09E eu acho que trazer esse entendimento do contexto e do momento do cliente para dentro da agência, ele é
20:15mais sofrido.
20:16Eu acho que isso sempre foram batalhas mais difíceis para mim do que você fazer o cliente entender a agência.
20:23Eu sempre tive uma relação muito aberta com os meus clientes, dizer, cara, me ajuda aqui.
20:26Ou, olha isso daqui, olha... E sempre foi mais fácil.
20:29Eu acho que contestar para dentro, você está contestando muitas vezes com artistas, né?
20:33Com outras lógicas.
20:36E isso, em algum grau, é mais difícil.
20:37Mas isso, falando mais do time de criação ou não só, time de estratégia também?
20:44Eu acho que a parte boa é que eu sempre me dei muito bem com todas as áreas, assim, né?
20:49Eu nunca fui a pessoa do conflito, eu acho que eu sempre consegui construir.
20:52Mas a área de estratégia, ela é uma grande aliada.
20:54Se você se conecta da forma certa, eu acho que a área de estratégia, ela acaba se tornando uma aliada
21:00justamente porque eles também têm muito o que pôr na frente, a visão do negócio
21:04e a visão do contexto macro e tudo mais.
21:07Então, eu acho que quando você vai para os times criativos, para os times de produção,
21:10para os times... Isso se torna uma conversa mais complexa mesmo.
21:14E hoje, eu entendo, e já há algum tempo, é que são mentos muito diferentes, né?
21:19Assim, são lógicas muito diferentes.
21:21Então, como você traduz isso é parte importante do time de atendimento.
21:27E é por isso que eu sou uma fã endorsement da área.
21:29Porque eu acho que o bom atendimento é o atendimento que consegue realmente equalizar essa relação,
21:37consegue fazer o criativo entender sobre o negócio, consegue fazer o cliente entender sobre o que é uma boa ideia.
21:43E não é fácil você conectar todas essas pontas.
21:47E eu sempre fui uma grande endorsement de ser essa pessoa, de querer ser essa pessoa, né?
21:52De poder ser uma aliada, não importa de qual lado, para que a gente tenha um resultado que faça sentido.
21:59E não ser o que é o que sempre a área sofreu, a pessoa que fica...
22:03O cliente mandou, a criação não quer e ficar nessa troca de recados, né?
22:08É uma negociação que no fim tem que ser boa para todo mundo.
22:12Exatamente.
22:13E que é para um objetivo comum de negócio, né?
22:16E é por isso que eu falo que essa minha habilidade de pessoas sempre me ajudou na minha trajetória, né?
22:21De saber lidar, de saber ler pessoas, de entender contexto e momento.
22:24Tem hora que não é hora de você confrontar nada, tem hora que dá para você ir além.
22:29Então eu acho que eu sempre fui transitando muito por isso, por essa perspicácia de clima, de contexto.
22:35E quem que foram os seus primeiros mentores, assim?
22:38Quem que você acha que foi imprescindível para a sua permanência no mercado publicitário, para o seu crescimento?
22:44Cara, eu acho que, sem sombra de dúvidas, eu estaria sendo injusta se eu não citasse o Hugo.
22:49Eu acho que o Hugo foi muito importante.
22:51Os meus primeiros chefes foram muito importantes em me tornar uma profissional.
22:57Uma pessoa que, cara, entendia do negócio, da importância do cliente, do senso de responsabilidade,
23:05de que organização e disciplina é importante para o dia a dia.
23:08Assim, eu acho que eles foram imprescindíveis.
23:10Mas eu acho que o Hugo foi o cara que me fez me apaixonar pela publicidade.
23:15O amor que ele tem, como ele move as coisas, é a efervescência que ele tem dentro dele.
23:22E o como ele faz todo mundo correr atrás daquilo que ele acredita.
23:27Não é fácil, mas realmente foi muito divisor de águas para mim essa relação.
23:34Então, acho que não citá-lo seria injusto.
23:37E, Gabi, você é de uma geração de lideranças que vem depois desses líderes que eram extremamente...
23:47Eles eram a cara da agência.
23:50E aí, como a própria dinâmica do mercado, as agências foram se internacionalizando, foram virando globais e tal.
23:59Hoje, a gente tem líderes, e não só por esse motivo, mas por vários outros, mais low profile.
24:04Você sente que existe essa autocobrança por parte da sua geração de ser mais a cara do negócio?
24:12Ou a dinâmica, os tempos mudaram simplesmente, e assim como as personalidades das pessoas?
24:18Eu acho que os tempos mudaram, Isa.
24:20E eu acho, e talvez quando você me perguntou assim, você se via nesse lugar, talvez eu não me via,
24:24porque eu não me via nesses nomes, né?
24:26Assim, de falar, cara, mas quem sou eu?
24:28Porque realmente, as cadeiras antes eram primeiras sobre as pessoas, né?
24:31Assim, sobre o que aquilo representava.
24:33Mas eu acho que hoje em dia, a gente vive...
24:37Bom, primeira coisa, com o advento da rede social, a gente se relaciona em comunidade, né?
24:41Assim, você vive com micronúcleos, né?
24:44Não faz sentido que uma pessoa seja uma sumidade e dite coisas e regras que sejam tão inegociáveis ou intransferíveis,
24:55enfim.
24:56Então, o que eu acho é, hoje este poder, ele é mais descentralizado.
25:01E não é porque ele, o poder, é descentralizado.
25:03É porque hoje você tem trocas, trocas de visões de geração, trocas, as áreas se modularam de forma diferente, o
25:11como isso impacta.
25:13Então, eu acho que hoje não faz mais sentido que você tenha um nome tão à frente.
25:20Eu acho que os nomes ainda são importantes, óbvio que são importantes, né?
25:23E eu trabalho também para construir e para ter essa reputação e fazer diferença numa sala de reunião, óbvio, senão
25:29não tem porquê você ter essa cadeira.
25:30Mas eu não acho mais que faça sentido que as agências transitem em torno de uma pessoa.
25:37Eu acho que hoje o negócio, ele é muito mais complexo e ele é muito mais diverso em sua essência
25:42de todas e no sentido completo da palavra diverso,
25:47que é sobre troca, né?
25:49É sobre visão de mundo diferente, é sobre troca de referência, é sobre um olhar de futuro, enfim.
25:58Eu acho que as coisas realmente mudaram.
26:00Então, eu não vejo a gente voltar para esse lugar onde os grandes nomes virem esse centro de referência, sabe?
26:07E, Gabi, você está à frente da Publicis, que é a agência que leva o nome da Holding, né?
26:13Do Publicis Group, que está completando 30 anos.
26:19Esse ano?
26:19Em agosto.
26:20Em agosto deste ano.
26:22É 100 anos do grupo Publicis e 30 anos da Publicis Brasil.
26:26E é uma agência que está com mais de 600 pessoas, que está indo bem, que tem contas muito parrudas.
26:36Teve essa situação de um deslocamento, de uma troca da conta do Satander, que estava numa das agências do grupo
26:44AlePub e que daí foi para Publicis.
26:47Como é que é? Rola um ciúme das agências?
26:51Vocês são frenemies, vocês e as lideranças de mais agências?
26:55Essa pergunta é bem boa.
26:57Eu vou te falar uma coisa que você não vai acreditar.
26:59Não mais.
27:00A gente foi muito frenemies.
27:02Muito.
27:02Por muito tempo.
27:04E eu acho que por algum tempo declarado.
27:08Por algum tempo velado.
27:09E acho que agora nós somos realmente pares.
27:13A gente troca.
27:15A gente se ajuda.
27:17E isso está conectado a esta nova organização.
27:21Porque eu acho que esta nova organização deu lugar e papel para cada agência.
27:28Então, quando você fala...
27:29E podemos falar sobre isso da troca de Santander de Le Pobre para Publicis.
27:33É porque também tem uma coisa de entender o perfil da conta e o perfil da agência.
27:37E as agências não são iguais.
27:39Porque se elas fossem 100% iguais, também não teria muito por que existir todas.
27:45Então, hoje, nós somos bastante parceiros.
27:48A gente troca.
27:49A gente tem almoço.
27:51A gente tem café.
27:52A gente fala...
27:53Fiquei sabendo que fulano vai entrar em pitch.
27:55Eu já tenho o segmento aqui.
27:56Vai para cima.
27:58Então, acho que realmente acabou a coisa do frenemy no grupo Publicis.
28:02No mercado.
28:03As agências serão sempre frenemies.
28:04Eu acho que a gente tem um mercado que pressupõe que para um ganhar, o outro tem que perder.
28:09Então, como é que a gente vai ser amigo na essência?
28:12Então, é...
28:14Mas eu acho que no grupo, realmente, a gente tem uma parceria que é muito legal.
28:18Mas o que mudou foi a gestão da Gabionofre, que meio que favoreceu esse clima.
28:23Eu acho que o amadurecimento...
28:24Eu acho que a Gabionofre veio para ser uma enabler disso.
28:28Mas eu acho que o que mudou, na essência, foi o amadurecimento do Power of One.
28:31O que é o Power of One?
28:32E o porquê que cada uma dessas coisas existem?
28:35E o como tudo isso é constituído?
28:37Era muito confuso antes, né?
28:39Assim, a gente tinha que...
28:40A sensação que você tinha é...
28:41Mas, peraí, eu estou dando o meu dinheiro para o outro?
28:43Ou eu estou...
28:44Isso não era muito estruturado.
28:46Então, acho que a partir do momento que o grupo também amadureceu, o Power of One,
28:50e o como isso foi cascateando para os países, e a chegada da Gabi, que nunca foi sobre a ótica
28:56da guerra,
28:56e sim sobre a ótica do...
28:57Tem espaço para todo mundo, e o como é que a gente organiza esse espaço,
29:02eu acho que foi ficando mais natural o processo.
29:05E, obviamente, a mudança...
29:06As mudanças de presidência são importantes nisso.
29:09Porque você também já traz as pessoas com o mindset atual, né?
29:14Assim, porque essa transformação de mindset não é fácil, né?
29:18Então, eu acho que foi essa combinação de amadurecimento com a chegada da Gabi e essa da Reorg geral.
29:26E aí, falando sobre Lepub, sobre Satander,
29:31a gente já conversou sobre isso em outras ocasiões,
29:35e eu acho que um dos assuntos que vem à tona, que o mercado gosta de cutucar,
29:39é falar que é mero alinhamento global, está vendo?
29:43Não importa muito a agência que está, contanto que seja uma conta do grupo.
29:49Então, assim, e a gente já falou um pouco sobre isso, né?
29:53E eu acho que é legal falar aqui também sobre o quão complexo você disse
29:58que é um alinhamento global, que não é um simples arranjo, né?
30:02Que às vezes dá a impressão que é um arranjo, tipo, ah, é isso.
30:06Você está determinado e pega aí, né?
30:08Isso, isso.
30:09Não, não é, cara.
30:10E eu acho que esse é realmente uma das grandes mentiras,
30:14mas que eu acho também que elas vêm sendo desmistificadas
30:17conforme esses movimentos todos acontecem, né?
30:21Eu acho que um dia sim, já foi assim, você tinha um contrato,
30:24mas também não era tão simples.
30:26E eu vou dizer, a minha história com a Publicis
30:28começou num alinhamento global
30:30que estava para ser desalinhado por questão de performance, né?
30:33Então, também já tinham, se o serviço não é entregue,
30:37não tem contrato que te proteja, né?
30:40E aí eu acho que parte daí.
30:41Primeiro que é, todos os contratos globais
30:43têm cláusulas super severas de destrato, né?
30:47Assim, e ele pode ser feito.
30:49Hoje em dia, os contratos globais, além de tudo,
30:51eles vêm com um agravante que é um, o que se chama malos.
30:55E os malos nada mais são do que multas que a gente paga,
30:58que podem ser enormes por má prestação de serviço e tudo mais.
31:02Então, ser alinhado é fácil?
31:04Não é verdade.
31:05E, por fim, nesta evolução do mundo
31:08e nessa fragmentação dos escopos e tudo mais,
31:12hoje em dia, um contrato global, ele te protege de pouca coisa.
31:15Porque a verdade é que você pode pegar um escopo aqui
31:18e jogar numa agência e falar,
31:20ah, não, mas eu não estou tirando a conta, né?
31:22Eu estou tirando esse escopo,
31:23ou eu estou passando parte desse negócio.
31:25É difícil o contrato global que te dá 100% dos escopos.
31:28O contrato global, ele te dá uma parte desta relação,
31:32em geral, uma parte de branding, né?
31:33Uma parte mais estratégica.
31:36E o resto é na luta do dia a dia, né?
31:39Assim, você tem que provar o seu valor,
31:40ou você tem que ir lá fazer aquele pitch e garantir aquela parte.
31:44Então, eu acho uma grande injustiça com as agências de conta global.
31:48Porque a verdade é que tocar uma conta global é assim,
31:52se alinhar entre pessoas aqui, da mesma cultura,
31:55imagina como é esta insanidade por mundos,
32:00por cliente e agência,
32:01por determinações que não necessariamente fazem sentido
32:05para o mercado que você opera.
32:08Então, de novo, eu acho que o alinhamento global,
32:11ele não é glamouroso nem simples.
32:13Ele é realmente, a essência é sobre a entrega,
32:17assim como qualquer outro contrato.
32:19Ele não te protege de grandes coisas, não.
32:22Na verdade, é isso.
32:23Se você não operar aquilo, ele pode te quebrar.
32:26Nas multas, ele pode ir drenando o escopo.
32:29Quando você vê, você acha que você tem a conta,
32:30mas não sobrou nada lá dentro.
32:33Então, não é fácil.
32:35E mesmo uma mudança como a de Le Pub de Santander para Publicis,
32:40não é um movimento, assim, foi uma decisão,
32:44mas em algum grau, o cliente podia simplesmente dizer
32:46não estou satisfeito, ou não é isso, ou, né?
32:49Então, eu acho que não é tão cartesiano nem tão fácil assim.
32:54E sobre os 30 anos, o que você pode falar sobre festividades,
33:00planejamentos, quais são os planos?
33:04Olha, a gente gosta de comemorar naquela agência.
33:07A gente tem festa para tudo, né?
33:09Acho que a Publicis é uma agência muito...
33:11Talvez, e também por ser a Publicis,
33:13muito próxima à cultura do grupo, né?
33:17Então, eu acho que a gente tem rituais muito estabelecidos.
33:20E isso é uma coisa que é muito legal,
33:22porque eu estou...
33:22Desses meus 15 anos lá,
33:25nossa, tem coisas que existem desde o primeiro dia que eu entrei, assim.
33:27E você fala, caramba, faz 15 anos isso aqui,
33:30de tão forte que é na equação, né?
33:31Por que, por exemplo?
33:32Ah, eu acho que a gente tem a celebração no final do ano,
33:36a gente tem um troféu Lionheart,
33:38onde a gente reconhece os funcionários que se destacaram no ano.
33:41Isso é uma coisa que, meu...
33:42Eu entrei e já existiu o Lionheart,
33:44e ele nunca deixou de existir.
33:46Para não dizer que ele nunca deixou de existir,
33:47na pandemia ele perdeu um pouco de força.
33:51Mas a gente...
33:52Então, a gente trabalha muito esta cultura, né?
33:55Dentro da agência e com os nossos funcionários.
33:58Então, acho que para esses 30 anos,
33:59o que a gente quer é, primeiro, celebrar muito
34:02essa agência que se transforma e que não cansa de se transformar.
34:05E que, de novo, isso vem do nosso DNA de Paris, né?
34:08De como eles transformaram esse grupo
34:10e foram se reinventando.
34:13E isso a gente tem feito para dentro.
34:15Então, reconhecendo as pessoas
34:17e entendendo quem são as pessoas
34:18que fazem toda essa transformação.
34:21Mas, obviamente, a gente vai fazer, sim.
34:23Teremos uma grande celebração com os nossos clientes.
34:26Para marcar, porque, além de tudo,
34:27o que a gente tem também desses 30 anos
34:29é que são clientes que estão lá há muito tempo.
34:31Então, a gente tem pessoas como
34:32a maravilhosa Iona CMO, da Nestlé,
34:36que ela fala, nossa, a primeira agência que eu trabalhei na vida
34:38quando eu sentei numa cadeira de marketing
34:39foi a Publicis.
34:40E, desde então, ela trabalha com a Publicis.
34:43Então, acho que a gente também quer celebrar um pouco
34:45dessas relações que são longevas,
34:47que são consistentes e transformadoras.
34:49Então, a gente vai usar os 30 anos
34:51para fazer tudo isso.
34:53Seja com festa,
34:54seja através de expressão mesmo dos clientes.
34:58Enfim, a gente tem que celebrar.
35:00E o centenário do grupo é esse ano também?
35:03Este ano também.
35:04Eu não sei a data exata,
35:05mas é este ano também.
35:08E, sim, essas duas coisas,
35:10essas duas frentes estão conectadas ali,
35:12o como a gente vai trabalhar.
35:15Mas é um ano muito importante.
35:17É um grupo que gosta de celebrar
35:21um certo legado cultural,
35:23que você mencionou,
35:24até o Leão tem a história,
35:26mas que, ao mesmo tempo,
35:29olha para frente.
35:29Um equilíbrio dessas duas coisas,
35:32entre tradição e inovação.
35:34Totalmente.
35:35E eu acho curioso que, sim, é isso.
35:37É um grupo que não para de se transformar
35:39e de realmente reinventar.
35:41E que reinventou o mercado, em algum grau.
35:44Hoje, se a gente olhar o que está todo mundo fazendo,
35:46segue muito do que o grupo fez.
35:49Mas é um grupo que não muda as suas pessoas.
35:53Ele faz isso com as suas pessoas.
35:54E eu acho que isso é o grande valor
35:57do grupo Publicis, assim.
35:58Então, se você pegar o board ali em Paris,
36:02ou o próprio Sadum,
36:03há quanto tempo está,
36:04e como ele veio movendo tudo isso,
36:05e as pessoas que trabalham com ele,
36:07isso também se reflete para a gente aqui.
36:09Acho que na Publicis Brasil também.
36:10Hoje, boa parte da liderança da Publicis
36:12são pessoas que foram crescendo na agência,
36:15e que foram se transformando na agência,
36:17e que foram ajudando a transformar a agência.
36:21E eu acho que isso é muito legal,
36:23e isso é um grande diferencial da nossa equação.
36:26Mas você acha que isso corre o risco de se perder?
36:28Porque quando a gente olha para as gerações mais jovens,
36:31aquilo que a gente estava falando antes do programa,
36:34de não ficar muito tempo em um lugar,
36:36de não criar raízes,
36:38é uma busca de vocês,
36:42de lideranças, não só da Publicis,
36:44mas você vê que é uma busca de outras agências também,
36:46de tentar criar esse laço de permanência de talento também,
36:51ou vai ter que, né,
36:54vocês vão ter que aprender a lidar de outra maneira
36:56com essa cultura, com essa permanência?
36:59Então, eu acho que hoje o choque é mais importante do que no passado.
37:02O choque, que eu digo assim, né,
37:03você ter a diferença das gerações é fundamental.
37:06Então, a gente, na nossa equação hoje,
37:09a gente tem, é isso,
37:10a gente tem boa parte de pessoas que cresceram lá,
37:13mas que cresceram lá sendo agentes da transformação, né,
37:16nunca sobre a ótica de, ah, cresceram porque estavam ali fazendo o que faziam e foram bem.
37:21Mas a gente traz os novos elementos, né,
37:23então a gente tem que fazer essa combinação.
37:26E os novos elementos, eles não necessariamente são só os mais jovens,
37:28mas eles podem ser os mais ácidos,
37:31eles podem ser, né, assim,
37:32eu acho que a gente vai, sim,
37:35fazendo totalmente
37:36essa,
37:38esse lego de como a gente monta times
37:41que se confrontem.
37:42a gente acredita,
37:43e eu acredito muito que
37:45é ter,
37:47confrontar
37:48esse,
37:49esse,
37:50visões,
37:51é importante,
37:52de forma respeitosa,
37:53não é sobre guerra,
37:54não é, né,
37:54mas assim,
37:54eu acho que a gente tem que ter essa troca de visão e de olhar.
37:57Então,
37:58eu acho que a gente
38:00mantém,
38:01mas a gente agrega os novos,
38:02e os novos têm espaço,
38:03e os novos fazem parte da equação.
38:06Quando eu olho pra fora,
38:09eu sinto que as pessoas,
38:11eu acho que tem uma boa parte de pessoas que tá há bastante tempo,
38:14tem nomes que você tenta trazer,
38:15que você não traz jeito nenhum,
38:16a pessoa é da essência daquele lugar,
38:17assim,
38:18é difícil,
38:19né,
38:19assim,
38:20e talvez isso seja como eu tô pra publicis,
38:22tem outras pessoas,
38:24mas eu acho que tem um meio do caminho da nova geração,
38:28que muitas vezes ainda não entendeu qual é,
38:31e isso é uma coisa,
38:32essa é uma conversa que eu tenho dentro da gente,
38:33então tem muita gente que chega pra mim e fala,
38:34ó,
38:36os líderes,
38:37né,
38:37ó,
38:37pessoa do meu time recebeu uma proposta e vai ganhar,
38:40sei lá,
38:4110 mil reais a mais,
38:42eu falo,
38:42na publicis,
38:43assim,
38:44a gente não vai conseguir cobrir esses 10 mil,
38:46mas o que eu tenho aqui?
38:47Carreira,
38:48né,
38:48eu acho que aqui,
38:49o que a gente tem na publicis é plano de carreira,
38:51de crescimento,
38:52de desenvolvimento,
38:53de que você realmente não fique pulando,
38:56é,
38:57pela questão salarial,
38:58então eu acho que depende,
38:59mas eu também entendo que,
39:01pra determinada pessoa,
39:02aquele dinheiro vai fazer muita diferença na vida,
39:03naquele momento,
39:05então,
39:05o que eu vejo,
39:06eu acho que a gente traduz muito em geração,
39:08e sim,
39:09é sobre geração,
39:10sobre como cada um foi moldado,
39:13né,
39:13e entendeu o mercado de trabalho,
39:15mas eu acho também que tem muito de momento da vida,
39:18de contexto,
39:18assim como eu fui muito feliz dentro da publicis,
39:20talvez tenha um monte de gente que passou por lá e não se identificou,
39:24eu acho que hoje a busca é mais por identificação do local onde você tá,
39:28sabe,
39:28e de espaço,
39:29todo mundo quer espaço,
39:30pra poder pôr sua opinião,
39:32pra ter autonomia,
39:33pra,
39:35pra mudar alguma coisa,
39:36e eu acho que isso é uma coisa que a gente fomenta bem também.
39:39E qual que foi a sua maior,
39:44encruzilhada na carreira,
39:45assim,
39:45algum momento que você teve que tomar uma decisão muito difícil,
39:50assim,
39:51que iria mudar potencialmente o rumo da sua carreira?
39:56Cara,
39:57eu acho que a ida pra publicis foi totalmente,
39:59porque,
39:59como eu disse,
40:00eu já tava muito bem obrigada em agência menor,
40:03eu já tava indo pra uma sociedade,
40:06e aí eu era diretora de atendimento de uma agência,
40:11lógico,
40:11uma agência que era menor,
40:12mas era,
40:13cuidava do todo,
40:14já tinha um olhar de ser uma sócia e tudo mais,
40:17e aí quando chegou a publicis eu falei,
40:19caramba,
40:19e agora?
40:20É voltar pra trás,
40:21cuidar de um núcleo,
40:22é ser a décima quinta da fila ali,
40:26porque já num universo onde as outras pessoas já estavam há muito tempo,
40:28e eu tava chegando,
40:30então,
40:30acho que essa foi uma grande encruzilhada,
40:32porque eu naquele momento refleti muito,
40:34eu já tinha trinta anos,
40:35então não é que eu tava entrando no mercado de trabalho,
40:39mas alguma coisa ali me falou,
40:41vai,
40:42e se joga nisso,
40:43né,
40:44então,
40:44acho que essa foi sem dúvida a primeira,
40:47e depois,
40:48durante o meu caminho,
40:49eu tive algumas,
40:50assim,
40:51então eu também já tive crescimento na agência que não deu certo,
40:53e eu voltei pra trás,
40:55porque não funcionou,
40:57e eu tive que abrir mão,
40:58e não é fácil,
40:59você fala,
40:59olha,
40:59eu vim pra cá,
41:00agora eu cuido disso,
41:01e de repente você fala,
41:02não foi bem isso,
41:03e voltei,
41:06tive questões com lideranças,
41:08que eu acho que é natural,
41:09né,
41:09e aí você começa a refletir,
41:10falar,
41:11putz,
41:12saio,
41:12fico,
41:13e de novo,
41:13eu sempre olhei muito,
41:15eu acho que o mais difícil da nossa carreira também é isolar o que é uma liderança,
41:19ou o que é o ambiente,
41:20né,
41:20assim,
41:21o que que,
41:21e eu acho que eu sempre,
41:23é,
41:24tentei fazer um pouco desse momento,
41:26porque a verdade é,
41:26as lideranças,
41:27elas passam,
41:28em algum momento elas vão passar,
41:29ninguém fica naquela cadeira pra sempre,
41:31né,
41:31mas o que que o ambiente tá pregando,
41:34e o como isso foi feito,
41:35então eu acho que,
41:36é,
41:37essas coisas passaram,
41:39e sempre,
41:40e,
41:40é natural que a gente tenha encruzilhadas,
41:42e eu falo sempre muito que,
41:44os meus 15 anos de jornada na publicidade,
41:46eles também foram muito sobre resiliência,
41:48obviamente eu vivi momentos difíceis,
41:50obviamente eu vivi momentos em que me deu vontade de sair correndo,
41:52e falar,
41:52eu não quero mais voltar,
41:55mas eu sempre consegui ponderar,
41:57e entender que,
41:57isso aqui passa,
41:59ou isso daqui não é a agência,
42:01né,
42:01isso daqui é um,
42:02é uma fase,
42:02ou é uma pessoa,
42:03ou é um,
42:04é,
42:04é uma coisa que deu errado agora,
42:07então,
42:08a publicidade é tensa,
42:09né,
42:09eu acho que essa é a primeira coisa,
42:11é muito louco,
42:12assim,
42:12essa coisa de a gente viver aquilo,
42:14sempre numa panela de pressão,
42:15e num caldeirão,
42:17é,
42:17faz com que você tenha dilemas o tempo inteiro,
42:19a vontade de sair correndo é sempre enorme,
42:21mas depois você começa a entender,
42:22e amadurecer,
42:24e aí isso vai te fazendo tomar melhores decisões,
42:26e não sair correndo para fugir do problema.
42:29E qual que foi a pior decisão que você já tomou,
42:34estando numa cadeira já de gestora,
42:36de chefe,
42:38e como que você lidou com isso?
42:39Ah,
42:39eu errei várias vezes,
42:40já não dá para dizer que não,
42:41né,
42:42eu acho que,
42:42é muito difícil você ser gestora,
42:44e é muito difícil você ser gestora,
42:47enquanto você também está amadurecendo coisas,
42:50né,
42:50assim,
42:50eu acho que é o,
42:51assim,
42:52de pior decisão,
42:53deixa eu pensar,
42:55mas eu já devo ter tido algumas pelo caminho,
42:57mas eu acho que eu já tive,
42:58assim,
42:59brigas muito feias,
43:00que eu me arrependi,
43:01com pessoas que a gente rompeu,
43:03eu acho que,
43:04é,
43:05eu tive,
43:08eu acho que a minha decisão não foi nem como gestão,
43:09mas assim,
43:10a minha decisão de pedir para mudar de conta,
43:12e ter dado errado,
43:13foi ruim,
43:14porque aquilo em algum grau me levou para um lugar,
43:16deu,
43:17será que eu sou uma boa profissional,
43:18será que eu só funciono para determinada conta,
43:21né,
43:21então eu acho que,
43:22é,
43:23eu já tive algumas decisões intempestivas que me levaram para lugares ruins,
43:29é,
43:29hoje eu tento sempre tirar o layer da emoção,
43:32né,
43:33na hora de ter que tomar alguma decisão dura,
43:35ou na hora de,
43:36é,
43:37a demissão é uma coisa que é muito difícil,
43:40né,
43:40assim,
43:40quando você tem que trocar time,
43:41entender que você precisa trocar,
43:43é,
43:45já fiz movimentos muito certos,
43:46mas também já fiz movimentos muito errados,
43:48então acho que passa um pouco isso,
43:51é,
43:51de que a,
43:52a gestão é difícil,
43:53não é,
43:54nunca vai ser um lugar confortável,
43:56é,
43:57e,
43:58e é um lugar onde você está sempre muito exposto,
43:59né,
44:00e nunca é uma ciência exata,
44:01né,
44:01e aí você vai aprendendo,
44:03talvez,
44:03para a próxima vez você tomar uma melhor decisão.
44:06Eu acho que esse é o principal ponto,
44:08é falar,
44:08cara,
44:08o que que eu tiro de lição dessa história,
44:10mas eu já tive,
44:11sei lá,
44:12eu já tive gente que eu tive que demitir,
44:13que eu chorei mais do que a pessoa,
44:14gente,
44:14isso é um horror,
44:15a pessoa estava rindo e você estava chorando.
44:17Pois é um horror,
44:17você fala,
44:18cara,
44:18como é que eu saio dessa?
44:22Porque a verdade é que era um corte necessário,
44:25enfim,
44:25então eu acho que eu já errei algumas vezes nesse caminho,
44:28e quem estiver assistindo aí,
44:29desculpa,
44:31é,
44:32mas,
44:34esse é o ponto,
44:34é a gente aprender e evoluir e tentar não errar mais.
44:37Errar,
44:37erraremos,
44:38somos seres humanos,
44:39né?
44:40E qual que é,
44:41para você,
44:42a grande,
44:43o grande barato de trabalhar em publicidade hoje,
44:48estando nessa,
44:50nessa área,
44:51né,
44:51há tanto tempo?
44:53Eu amo,
44:54eu não queria fazer outra coisa da vida,
44:56eu sou muito pactuada com a minha profissão e o que eu faço,
44:59mas eu acho que o que me traz isso,
45:01assim,
45:01a coisa que eu sou mais apaixonada,
45:03é a visão que a gente consegue ter de muitas coisas,
45:07né,
45:07você é um especialista em muitos,
45:10em muitos segmentos,
45:11você tem muitas frentes,
45:13eu acho que quando você está do outro lado,
45:14lógico,
45:15você se movimenta,
45:16né,
45:16você muda de indústria quando você é cliente,
45:19mas talvez poucas profissões te dê uma visão tão ampla de muitas frentes,
45:23né,
45:24então,
45:24a gente fala de bebida,
45:25a gente fala de medicamento,
45:27a gente fala de carro,
45:28a gente fala de,
45:29e os universos são muito encantadores,
45:31e olhar sobre tudo isso,
45:33eu acho que realmente,
45:34assim,
45:34o que a gente carrega de referência,
45:37de repertório,
45:38de bagagem,
45:39eu acho,
45:40para mim,
45:40isso é o mais apaixonante da publicidade,
45:42é o que eu amo,
45:43é o que me faz não me ver mudando de lado,
45:46assim,
45:47e mesma coisa,
45:47quando você pega a transformação do mundo,
45:50você segue entendendo sobre todas as plataformas que nascem,
45:53sobre as que se transformaram,
45:55sobre,
45:55então,
45:56eu acho que realmente,
45:57o que a gente acumula,
45:59de experiência e repertório,
46:01é muito diferenciador,
46:03e é muito,
46:04acho que abre muito o caminho,
46:05né,
46:05e lidar com a juventude,
46:07pô,
46:08me traz uma certa juventude,
46:09lidar com a juventude,
46:10e a publicidade,
46:12ela é fomentada pela juventude,
46:14né,
46:14e pelos novos olhares,
46:16e pela,
46:17então,
46:18eu acho isso muito legal,
46:20assim,
46:20e realmente,
46:21isso é o que me apaixona na publicidade,
46:22além,
46:23né,
46:24de você ver essas marcas,
46:26é o como você constrói todas essas marcas,
46:28e quando você vê uma pessoa se apaixonar,
46:30eu acho que,
46:30o nosso trabalho,
46:31assim,
46:31nesse momento,
46:32eu estou muito encantada pelo nosso trabalho recente,
46:34no Big Brother,
46:35com Nivea,
46:36que foi realmente uma transformação,
46:38de uma marca,
46:39é,
46:39que precisava se reinventar,
46:41que precisava se reconectar com o target jovem,
46:43e ver aquilo,
46:44como exponencialmente,
46:47aconteceu,
46:48e,
46:48e,
46:48e a explosão,
46:49é muito legal,
46:51então,
46:51eu acho que todo o trabalho da publicidade,
46:53ele é muito gratificante,
46:55apesar de intenso.
46:57e quando você não está trabalhando,
46:59Gabi,
47:00no seu pouco tempo livre,
47:02o que você faz para se manter inspirada,
47:04para dar uma oxigenada,
47:06para se manter ali,
47:09ativa e inspirada?
47:11Bom,
47:11primeiro,
47:11eu tenho uma filha pequena,
47:12né,
47:13e ela toma bastante parte.
47:15Que é outro trabalho.
47:16Tem o meu outro,
47:17meu outro CLT.
47:19Então,
47:19eu acho,
47:20mas eu acho que minha filha é parte do que me inspira,
47:22assim,
47:23né,
47:23e você vê o como essa nova geração nasce,
47:25o como eles se conectam com as coisas,
47:27o como,
47:27a gente acha que não,
47:28e eu falo isso para todo mundo,
47:29eu falo,
47:30gente,
47:30a minha filha,
47:31assim,
47:31a publicidade é muito relevante na vida dela,
47:33ela tem acesso à tela,
47:35obviamente,
47:35não em todas as crianças tem,
47:37mas ela canta jingle,
47:39ela traz coisas para mim que ela viu,
47:40fala,
47:41mamãe,
47:41então,
47:42eu acho que tem uma descoberta no mundo da minha filha ali,
47:44que me inspira muito,
47:46e me ensina muito,
47:47de falar,
47:48peraí,
47:49para onde essas coisas estão indo e como,
47:50e como que essas cabeças funcionam,
47:53eu sou muito ligada à música,
47:55assim,
47:55a música é uma das grandes paixões da minha vida,
47:56não toco nada,
47:57mas sou casada com um músico,
47:59e eu acho,
48:00então,
48:00eu frequento muito show,
48:02festival,
48:03e eu gosto,
48:04porque,
48:04de novo,
48:04são lugares que te trazem experiência,
48:06qual foi o último grande show que você foi?
48:09Olha,
48:09eu fui esse final de semana no festival metal,
48:11olha que coisa,
48:12nem é muito,
48:12nem é muito,
48:13se me olharem,
48:14nem acham que é isso,
48:15mas,
48:15seu marido é do metal?
48:17Meu marido é baterista,
48:19olha que coisa,
48:19eu dei rock,
48:20e eu fui,
48:22mas eu,
48:22ficou minha filha pequena,
48:23pela primeira vez no Lollapalooza,
48:25e para ela foi uma descoberta,
48:26olhar todo aquele mundo,
48:27ela passou por todos os estandes de marca,
48:29a gente,
48:29às vezes,
48:29a gente põe um dinheiro naquilo e fala,
48:31será que as pessoas gostam mesmo?
48:32Cara,
48:33minha filha pirou naquilo,
48:34olhou tudo,
48:34e,
48:35então,
48:36eu acho que,
48:36esse é um outro lado meu também,
48:38que me fomenta muita experiência,
48:41e,
48:41e,
48:42entendimento de,
48:43de,
48:44de gerações e de comunidades mesmo,
48:46né,
48:46como as pessoas se relacionam e tudo mais,
48:48eu acho que essas são as duas principais coisas que me alimentam,
48:51mas eu,
48:51de forma geral,
48:52eu sou muito conectada em muitas coisas,
48:54então,
48:55eu sou muito do,
48:56do,
48:56do Tik Tok,
48:57do que está acontecendo,
48:58da polêmica do momento,
48:59do,
49:01das fofocas,
49:02das fofocas,
49:03de famosos,
49:05ou do que o,
49:07o,
49:07o,
49:07o que que o filme,
49:08o que que,
49:09sabe,
49:09assim,
49:09eu,
49:10eu sou realmente meio muito conectada em,
49:12em muitos temas e muitas coisas,
49:14eu acho que isso é minha locomotiva principal.
49:17Mas dá pra ficar,
49:19você sente a necessidade de,
49:20às vezes,
49:20ficar off das telas,
49:22ou não tem como?
49:24Cara,
49:25eu acho que eu preciso,
49:26mas não consigo.
49:28É um trabalho.
49:29Mesmo nas férias?
49:30Eu sou muito ligada.
49:32E eu sou muito ligada no mercado,
49:34nos movimentos do mercado,
49:35eu sou muito,
49:36muito rápida nisso,
49:38e me desconectar pra mim é difícil.
49:40Muito difícil.
49:41Eu acho que hoje,
49:42esse é o maior drama que eu tenho na minha vida,
49:45assim,
49:45é um drama,
49:46mas assim,
49:46talvez o maior peso que eu carregue,
49:49eu me desconecto muito pouco,
49:51é muito raro aqui,
49:52isso é um tempo maravilhoso,
49:53eu não tenho um WhatsApp pra responder.
49:56Assim que a gente terminar,
49:57você já vai dar uma...
49:59Certamente,
50:00eu acho que os dias,
50:01por exemplo,
50:02eu tenho muitas reuniões ao longo do dia,
50:04e à noite eu quero me alimentar do que aconteceu,
50:06assim,
50:07e ver,
50:08pra ficar por dentro,
50:09pra ficar por dentro.
50:12Então,
50:12eu acho que hoje,
50:13a grande dificuldade que eu tenho é essa,
50:15muito embora eu precise,
50:16eu acho que todo mundo hoje vive uma sobrecarga,
50:19né,
50:19assim,
50:19o como você...
50:20E eu não acho que o descansar pode ser sempre através da rede social,
50:23ou sempre através de você estar se lotando de mais conteúdo.
50:27O meu hábito hoje é muito esse,
50:29mas eu tenho planos pra tentar ser uma pessoa mais offline,
50:34eu tenho um monte de amiga que vai pra retiro do silêncio,
50:35eu falo,
50:36urgente.
50:36Vocês vão me matar!
50:38Como eu vou pro retiro do silêncio?
50:40Assim,
50:40eu acho que eu melhorei numa coisa,
50:41eu consigo sair de férias sem querer estar freaky do que tá acontecendo dentro da agência.
50:48Eu tô sempre disponível,
50:50eu vou estar sempre online,
50:53caso alguém precise te acionar,
50:55caso alguém precise me acionar,
50:57mas eu hoje,
50:58eu acho que a maturidade me faz também dizer,
51:00cara,
51:00tem um time lá fazendo acontecer,
51:01e qualquer coisa vão me gritar.
51:03Isso é uma coisa que é uma evolução,
51:04eu tinha dificuldade de desligar nas férias,
51:07de achar que eu tinha que saber e controlar.
51:09Também é parte de saber liderar,
51:11de você confiar nas pessoas.
51:14Confiar no time é muito importante,
51:16eu tenho um borde da minha extrema confiança,
51:19e ir pra baixo as pessoas,
51:20então sim,
51:21acho que isso vem de confiança,
51:22e de entender que,
51:24calma,
51:24ninguém vai morrer.
51:26Então,
51:27essa foi uma evolução importante na minha vida,
51:29eu perco pouco o sono por causa de trabalho,
51:32eu acho que eu também já tenho uma maturidade de entender que as crises se resolvem,
51:36que os problemas têm solução.
51:38Não vai valer perder o sono.
51:39Não vai valer perder o sono,
51:41mas eu tenho essa inquietude de estar sempre me alimentando de alguma coisa,
51:46e isso me faz estar o tempo inteiro muito conectada,
51:50e é ruim, né?
51:52E Gabi,
51:52pra gente,
51:53chegando ao fim do nosso papo,
51:55qual que foi a última grande ideia que te chamou a atenção?
51:57Isso pode ser um case da publicidade,
52:00ou alguma outra coisa,
52:02alguma outra criação,
52:04produção,
52:05enfim?
52:06Ah,
52:07eu acho que eu tenho uma coisa que eu tô bem,
52:09apaixonada,
52:10que foi a nossa campanha com a Hershey's,
52:11né?
52:11O nosso,
52:12a nossa capibarra,
52:13ela foi muito apaixonante,
52:15porque eu acho que ela traz uma coisa que é,
52:17cara,
52:17como é que você pega uma indústria de chocolate,
52:19que não tem ovo de Páscoa,
52:20onde a maior sazonalidade do ano é a Páscoa,
52:23né?
52:23E eu acho que a inversão que a gente fez ali,
52:27de pegar um,
52:27falar,
52:28então vamos demitir o coelhinho da Páscoa,
52:29e vamos reinventar tudo isso,
52:32eu acho que pra além da ideia ser fofa e criativa,
52:35ou como isso é molda,
52:39é uma transformação de pensamento,
52:40de você subverter uma lógica, né?
52:43E trazer,
52:44então vou falar de uma coisa óbvia,
52:46que é esta dentro da Publicis,
52:48mas eu acho que ela realmente,
52:51ela me traz uma coisa que é,
52:52é isto que a publicidade tem que fazer, né?
52:54Eu acho que este é o nosso papel das agências,
52:56é resolver problemas complexos,
52:59de forma leve, criativa,
53:02e que realmente façam as pessoas olharem e falarem,
53:04caramba, eu queria ter tido essa ideia, né?
53:06Então eu acho que a gente ainda está muito imbuído
53:10desta campanha,
53:11e de tudo que ela trouxe,
53:12e como ela moveu muitas coisas.
53:14Ah, e antes que eu me esqueça, Gabi,
53:16a gente está há cerca de um mês do Festival de Cannes,
53:19que ano passado foi marcado,
53:22já sabemos,
53:22por diversas polêmicas envolvendo o mercado brasileiro,
53:26o que você acha que dá pra esperar
53:29do desempenho do Brasil,
53:31do comportamento da organização de Cannes Lions,
53:36será um ano um pouco mais tímido
53:40em termos de trabalhos que o Brasil deve ganhar,
53:43o que passa pela sua cabeça?
53:45Mas eu acho que é impossível dizer que não,
53:47né?
53:47Assim, eu acho que foi muito,
53:50foi amplamente complexo e com muito holofote.
53:55E eu acho que também tem uma coisa que é,
53:57muitas vezes o próximo ano ainda tem resquícios do ano anterior,
54:02então talvez muitos que não possam voltar a serem inscritos,
54:05eu acho que dá.
54:06A própria lista de jurados brasileiros encolheu, né?
54:11Assim, então eu acho que é um ano totalmente novo,
54:15eu realmente acho que,
54:16e entendo que o festival também está se encontrando nesse novo modelo,
54:20então hoje, por exemplo, eu tenho que entrar na plataforma,
54:23e acessar lá e liberar case por case,
54:27e dar o endosso,
54:28depois do festival já ter dado o endosso,
54:30então eu acho que ele traz uma burocracia,
54:35mas que eu acho também que é um olhar importante
54:39para que a gente legisle as coisas da forma correta,
54:42então acho que é um novo cani,
54:44e acho que vamos ver novas histórias por ali.
54:48Em breve veremos.
54:49Bem em breve, né?
54:50A conferir.
54:52Obrigada, Gabi, pela sua presença aqui no A Ideia,
54:54foi um prazer falar com você.
54:55Eu que te agradeço, obrigada.
54:57Até uma próxima.
54:59Continue acompanhando esse e outros episódios do A Ideia,
55:02nas plataformas de e-mail e mensagem,
55:04no YouTube ou no streaming de sua preferência.
55:07Até mais.
55:22Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
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