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O economista e sócio da Nogami Economia e Estratégias, Otto Nogami, avalia os efeitos da implementação da tarifa de 15% sobre importações pelos Estados Unidos. Durante a entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, o especialista destaca como setores como o agronegócio e a indústria metalúrgica podem encontrar vantagens competitivas, além de discutir os desdobramentos das negociações internacionais do governo brasileiro na Ásia e os desafios para a exploração de minerais críticos no Brasil.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00Começa a valer hoje a tarifa global de 15% sobre importações do mundo inteiro pelos Estados Unidos.
00:06E a gente vai falar sobre as consequências disso com o Otto Nogami, que é economista e sócio da Nogami
00:12Economia e Estratégias.
00:13Seja muito bem-vindo ao Radar, Otto.
00:16Eu que agradeço o convite. Muito boa tarde a todos.
00:19Bom, eu li muitas análises defendendo que a nova situação pode até ser vantajosa para o Brasil na comparação com
00:26outros países.
00:26Por que existe essa leitura?
00:28Bom, sem dúvida alguma, isso facilita as exportações brasileiras em direção ao território norte-americano,
00:35principalmente no que diz respeito a produtos que fazem parte do processo de produção na economia americana.
00:43Então, para o produtor americano, à medida que ele consegue importar o bem intermediário a uma tarifa menor,
00:50isso acaba implicando num custo menor de produção.
00:53Consequentemente, isso acaba favorecendo todo o processo de produção dentro do território norte-americano.
01:00Isso sem falar da possibilidade de, eventualmente, alguns produtores repassarem essa vantagem ao preço final.
01:09Consequentemente, a própria sociedade norte-americana acaba se beneficiando.
01:13Agora, a gente tem que levar em consideração também que essa tarifa de 15% é uma tarifa temporária.
01:21Ela não é definitiva.
01:22Então, tem muita coisa que pode acontecer aí no meio do caminho, principalmente no que diz respeito às estratégias que
01:29as empresas adotam na formação dos seus estoques.
01:33Então, certamente, a essa redução, ou a essa alíquota de 15%, que acaba beneficiando, de alguma maneira, o Brasil, a
01:42Índia, a China,
01:43então isso pode fazer com que muitos produtores norte-americanos antecipem a sua compra,
01:49consequentemente favorecendo a balança comercial brasileira com relação aos Estados Unidos.
01:54Você coloca que é uma taxa temporária, mas a gente viu na entrevista do Donald Trump, ele querendo, enfim, tomar
02:02decisões mais duradouras.
02:04Ele não está disposto, ao que parece, a abrir mão de tarifas desse tipo.
02:08Apenas está estudando os melhores instrumentos para que isso prossiga, não?
02:13Sem dúvida alguma, mas só que ele não pode esquecer que o Trump tem, muitas vezes, aqueles repentes,
02:21nem tempestivas, e que, de repente, da noite para o dia, pode reverter todo esse processo.
02:28Pelo menos, num primeiro momento, eu acho que, principalmente pelo fato dessa fixação dos 15%,
02:36ter, não digo afetado, mas prejudicado os grandes parceiros europeus.
02:45Então, dentro desse cenário é que a gente pode entender essa preocupação do Trump em adotar essa tarifa,
02:54vamos colocar assim, por um período mais longo.
02:57Que setores no Brasil você vê com mais vantagens nesse momento?
03:00Porque a gente sabe que no setor do agro, por exemplo, vários produtos estavam com tarifa zero e vão continuar
03:05com tarifa zero.
03:06Mas no setor de manufaturas, por exemplo, o Brasil vendia muitos móveis para os Estados Unidos e reclamou na época
03:12que,
03:12na comparação com outros países da Ásia, por exemplo, o Brasil estava perdendo competitividade porque estava com uma tarifa maior
03:18que a deles.
03:19Nesse caso, agora, o fato de que vai ser a mesma tarifa para todo mundo, tem esse lado benéfico também
03:24para algumas manufaturas brasileiras, não?
03:26Não, sem dúvida alguma.
03:28Quanto a isso, não há dúvida nenhuma.
03:30Tanto é que eu comentei agora há pouco que, principalmente no que diz respeito a produtos metálicos, que fazem parte
03:38dos processos de produção,
03:39esses setores acabarão sendo privilegiados.
03:42Então, temos um segmento do agronegócio que irá se beneficiar, tem um segmento, principalmente metalúrgico, que também irá se beneficiar.
03:53Então, tem, pontualmente falando, alguns setores que, sem dúvida alguma, obterão vantagens com essa fixação dos 15%.
04:05Groto, a solidez da economia americana, ela interessa, claro, a milhares de brasileiros que têm dinheiro investido lá,
04:11mas também ao planeta como um todo pela influência global dos Estados Unidos, pelo poder que eles têm de influenciar
04:16a economia de todos os países.
04:18Na sua visão, quais são as consequências desse momento que a gente está vivendo agora para os Estados Unidos nos
04:25próximos anos?
04:25Porque eu já vi até o economista falando que tem aí um benefício disfarçado, que é o fato de que,
04:32derrubando essas tarifas maiores, teria menos pressão inflacionária, por exemplo.
04:37Não, sem dúvida alguma.
04:38Porque, à medida que a economia americana ainda é dependente da importação de determinados itens,
04:46então isso acaba beneficiando não só produtores, como os próprios consumidores.
04:52Agora, a gente não pode esquecer que, com a fixação dessa nova tarifa,
04:58necessariamente haverá um rearranjo nas negociações comerciais.
05:04Então, principalmente no que diz respeito aos países europeus,
05:08que terão que reavaliar todos os contratos comerciais feitos com a economia norte-americana.
05:15Então, na verdade, é o momento de nós observarmos como os governos irão fazer todo esse rearranjo
05:23para se adequar a essa nova realidade.
05:26O presidente Lula acabou de passar pela Índia, que é um país bastante fechado para importações do Brasil.
05:31Brasil, agora está na Coreia do Sul, tem uma expectativa até que possa haver um acordo
05:36de livre comércio com a Coreia do Sul no futuro, não sei se muito próximo.
05:40O que o senhor acha que fica de saldo dessa viagem do presidente Lula por esses dois grandes países asiáticos?
05:47O senhor acha que há uma possibilidade real, por exemplo, de fortalecer o comércio com a Índia?
05:52É algo factível?
05:55Não, não só factível, como extremamente importante, porque a gente não pode esquecer que a Índia hoje,
06:03principalmente no que diz respeito às atividades terceirizadas, principalmente na parte de informática,
06:14então isso para o Brasil será extremamente importante, é uma ponte importante.
06:17Agora, com relação à Coreia do Sul, eu acho que o maior interesse, na verdade, não é uma parceria comercial,
06:27e sim tentar atrair produtores coreanos, sul-coreanos, aqui para a economia brasileira,
06:36porque nós recentemente tivemos a saída de algumas indústrias, principalmente nesse setor eletroeletrônico,
06:43então há necessidade de que a gente mantenha uma tecnologia dentro do país,
06:49e aí então o interesse com relação à Coreia do Sul, ela começa a aumentar.
06:56Então, eu acho que esse talvez tenha sido o maior objetivo nessa viagem do Lula para a Coreia do Sul.
07:05A gente tem visto o presidente Lula assinar muitos memorandos de entendimento sobre minerais críticos,
07:09praticamente toda vez que tem uma reunião bilateral com um grande país,
07:13tem uma assinatura de memorandos de entendimento para esse fim.
07:17Mas até que ponto o Brasil está maduro, de fato, para entregar alguma coisa na produção aqui no Brasil
07:23de produtos ligados às terras raras e às minerais críticos?
07:27Não podemos esquecer que as terras raras estão justamente na área protegida ambientalmente falando.
07:35Então, enquanto não equacionarmos essa questão, os memorandos vão ser meros memorandos.
07:42Então, há necessidade realmente que o governo comece a projetar ou a planejar
07:48o como ele pretende explorar e como ele pretende oferecer esses metais raros ao mundo.
07:57Professor Otto Nogami, economista e sócio da Nogami Economia e Estratégias,
08:02muito obrigado pela sua participação nessa edição do Radar.
08:04Eu que agradeço e uma boa tarde para todos.
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