Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Welber Barral, consultor em comércio internacional e ex-secretário de Comércio Exterior, explica o aumento das tarifas de importação no Brasil e os efeitos das medidas norte-americanas. Ele detalha quais setores são beneficiados, quem arca com os custos e os riscos jurídicos das novas tarifas. O especialista também analisa o impacto nas exportações brasileiras e a busca por acordos internacionais para maior previsibilidade.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00E agora, a gente conversa com o Welber Barral, ele é consultor em comércio internacional e ex-secretário de comércio
00:07exterior.
00:08Welber, boa noite pra você, é sempre um prazer enorme ter você aqui com a gente.
00:12Eu quero começar ouvindo a sua opinião exatamente sobre essa questão que a Thalita acabou de nos trazer.
00:17O que que você acha, você concorda com essa atitude do nosso governo de aumentar as alíquotas de importação?
00:25Então, o que que tá acontecendo? Bom, primeiro, boa noite, obrigado pelo convite, é um prazer falar com você.
00:30Bom, o que que tá acontecendo no mundo inteiro, tá? A partir das medidas norte-americanas, você tem tido um
00:36aumento médio de tarifas no mundo inteiro.
00:38Os países estão se protegendo porque há uma queda de importação dos Estados Unidos e uma sobra de equipamentos e
00:46de exportações no mundo inteiro.
00:47E aí, o governo tenta manter uma parte da produção no Brasil e aumenta a tarifa pra que não fique
00:53mais barato importar do que produzir aqui.
00:56Simplificando, é isso que tá acontecendo, tá?
00:59É claro que toda elevação tarifária, ela é passada pro preço.
01:03Então, o governo tem que fazer uma análise específica pra saber se há produção nacional, por exemplo.
01:10Caso não haja, aí existem mecanismos pra que os importadores comprovem que não haja, que não há produção nacional e
01:18que, portanto, deveria ser reduzida aquela alíquota pra aquele produto específico.
01:23Bom, vamos olhar agora pras tarifas do Trump.
01:25Quais são os segmentos mais beneficiados e os menos beneficiados aqui no Brasil?
01:31Todo mundo dizendo que o Brasil é o país que mais se beneficiou.
01:34Mas, claro que existe diferença entre os segmentos.
01:37E, de fato, nada mudou pra aço e alumínio.
01:40É exatamente isso.
01:41As pessoas se profundam um pouco, porque a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos foi com relação à lei
01:47de emergência econômica.
01:49Que era a lei que o Trump estava utilizando pra colocar tarifas neolaterais, inclusive a tarifa de 40% contra
01:56o Brasil.
01:57Então, você tem vários produtos brasileiros que ainda estavam pagando 40%.
02:02O exemplo é calçados, o exemplo é porcelanato, o café solúvel.
02:08Vários produtos industriais continuavam pagando 40% e agora vão pagar 15%.
02:13Da mesma forma que vários outros países que ainda não têm acordo com os Estados Unidos.
02:19Só que essa decisão da Suprema Corte não afeta outras medidas econômicas.
02:24E aí nós temos várias situações.
02:26É o caso da seção 232, que afeta aço, alumínio, cobre, madeira, móveis.
02:32É o caso de medidas anti-dumping, que afeta vários metais.
02:35Então, são várias situações específicas.
02:37E é necessário analisar a classificação tributária do produto pra saber se ele foi beneficiado.
02:43Se ele estava com a tarifa zero e foi pra 15%, que isso aconteceu em alguns casos.
02:49Se ele caiu de 40% pra 15% ou se não mudou, que é o que aconteceu com a
02:53aço e alumínio.
02:55Velber, no fim das contas, quem paga mais essa conta?
02:58Pra quem pesa mais?
03:00Pros países mais prejudicados?
03:02Ou no fim das contas, pro bolso do consumidor americano mesmo?
03:06Todo mundo, Cris.
03:07Porque na prática é o seguinte.
03:09O país exportador, ele perde mercado.
03:11Na medida, inclusive, que ele tem tarifas discriminatórias em relação a outros concorrentes,
03:15ele perde participação no mercado norte-americano.
03:19Depois, o importador norte-americano, ou o distribuidor brasileiro, dependendo da situação,
03:24tem que pagar a tarifa.
03:26E ele paga a tarifa, que afeta, inclusive, o seu fluxo de caixa.
03:29E depois ele tem que repassar essa tarifa pro preço.
03:32Então, o consumidor americano é que acaba pagando o impacto inflacionário.
03:36E isso tem tido, inclusive, efeito eleitoral.
03:40E provavelmente vai ter, inclusive, nas eleições de novembro deste ano.
03:44Velber, a gente sabe que o Trump vive buscando brecha na lei pra adotar, aumentar as tarifas
03:50comerciais.
03:51Esses 15% correm também o risco de serem contestados judicialmente?
03:57Seguramente.
03:58Seguramente por quê?
03:59Esses 15% estão sendo baseados na seção 122, que é uma seção que trata de balanço
04:07de pagamentos.
04:08Então, o argumento é que os Estados Unidos estão tendo um efeito no seu balanço de
04:11pagamentos por conta das importações e, por isso, ele vai colocar 15% horizontalmente.
04:17Na realidade, não vai ser horizontal porque já tem vários acordos que eles fizeram com
04:21pelo menos 19 países.
04:22Então, já tem algumas exceções aí.
04:25Ao lado disso, a própria proclamação tem dois anexos que excluem alguns produtos que
04:31não serão afetados por esses 15%.
04:33Então, tem mais exceções.
04:35Depois disso, há uma discussão se há de fato um fundamento legal para o uso dessa
04:42medida.
04:42Então, pode haver novo questionamento judicial.
04:45Vai haver também questionamentos judiciais com relação à devolução, o reembolso das
04:50tarifas que foram pagas com base na seção 2, 3, na seção da lei de emergência econômica.
04:56E o Trump já avisou que vai usar mais a seção 301, que é o caso de discriminação, ou a
05:03seção 2, 3, 2, que são casos de insegurança nacional contra outros produtos.
05:08Então, o nível de insegurança tarifária vai continuar.
05:12É, e além disso tudo, de acordo com a lei, depois de 150 dias, os 15% perdem eficácia.
05:19É preciso o aval do Congresso.
05:21Isso, exatamente.
05:22O Donald Trump tem cacife político para manter essa taxação?
05:26Hoje, não.
05:28Hoje, a avaliação é de que, inclusive, alguns representantes republicanos votariam contra
05:36essa medida, justamente pelo efeito negativo que está tendo e impopular que está tendo.
05:42Agora, vai haver uma evolução política ao longo desse ano, inclusive essa questão da
05:48avaliação do governo Trump, que pode afetar o comportamento do Congresso.
05:52Caso isso não ocorra, vai ser muito difícil fazer uma renovação dessa medida depois
05:57dos 150 dias.
05:59É o que tem se dito muito, a gente está ouvindo muito, é que esse veto da Suprema Corte tirou
06:05a, digamos assim, cereja do bolo das negociações comerciais do Trump, a ameaça tarifária.
06:11Você concorda?
06:13Sim e não.
06:14A IPA, que era a Lei de Emergência Econômica, ela era muito vaga.
06:18Então, o Trump utilizou para questões políticas, para questões de fetanil, alegou questões
06:24de déficit comercial, alegou questões políticas, como no caso do Brasil.
06:28Então, você teve uma amplitude muito grande que a Suprema Corte limitou.
06:32Agora, ele ainda tem muitos instrumentos disponíveis.
06:36Então, o Brasil, por exemplo, continua sendo investigado pela Sessão 301, que pode levar
06:42tarifas até mais altas, caso não haja um acordo.
06:46Essas medidas adotadas pelo Trump, de certa forma, estão levando os Estados Unidos a um
06:52isolamento no mundo.
06:53Até porque o que os países outros estão fazendo é, cada vez mais, tentar parcerias
06:59com países que não os Estados Unidos?
07:02É, isolamento é um pouco forte porque a economia americana é muito grande para ser
07:08ignorada.
07:08Mas, seguramente, os países estão tentando diversificar o destino de suas exportações.
07:15Isso é bem visível no caso brasileiro.
07:17E nós temos, cada vez mais, países fechando acordos bilaterais para criar uma base jurídica
07:23de previsibilidade.
07:25Então, o EF também possui, a União Europeia e a União Europeia e o Sul são exemplos
07:29nesse sentido, da mesma forma que a Europa também está tentando assinar com outros,
07:33com a Indonésia, com a Índia, com vários outros países, para abrir novos mercados e
07:38diminuir o grau de estabilidade.
07:40Eu vou passar para a pergunta do Vinícius.
07:42Vinícius, fica à vontade.
07:44Marral, boa noite.
07:45Queria voltar para o caso do Brasil, do tarifar sozinho brasileiro.
07:49É verdade que tem tido uma sobra de produtos, não só por causa dos Estados Unidos, mas
07:54por causa da China, tem uma desova de produtos e pode ter algumas invasões estrangeiras.
07:59Agora, quando o Brasil cresce um pouco mais, por um período mais prolongado, com o PIB
08:04cresce um pouco mais, tem mais importação de bem intermediário, de bem de capital, até
08:09de bens finais, porque a indústria não dá conta.
08:11E, por outro lado, para citar um dado mais paralelo, mas que é interessante, o setor de serviços
08:16de TI está crescendo muito.
08:18E se imagina que tem mais empresas importando bem de TI para poder dar conta desse crescimento
08:23do serviço que ela está prestando.
08:24Então, tem dois motivos aí para explicar o aumento de importação e para pensar.
08:28Bom, a gente vai encarecer esse tipo de renovação tecnológica?
08:33A gente vai tentar tapar o buraco da indústria brasileira porque ela não consegue dar conta
08:37da demanda quando tem crescimento?
08:39Faz sentido, pensando nesses temas, faz sentido a gente fazer um tarifaço desse?
08:44Ministro, como você sabe muito bem, as decisões de política comercial são bem difíceis
08:50para o governo.
08:51E são difíceis porque, cada vez que o governo protege uma indústria nacional, você cria
08:57nove inimigos e um ingrato.
08:59É isso que fundamentalmente acontece.
09:01Então, o argumento sempre é de proteção dos empregos, proteção da indústria, proteção
09:06dos investimentos do Brasil.
09:07O grande problema é quando isso é feito de forma horizontal, você pega setores que
09:13já são muito protegidos.
09:15Você pega setores que não têm competitividade.
09:18Você acaba protegendo, às vezes, produtos que sequer são fabricados no Brasil.
09:23Esse é o problema.
09:25Então, a medida do governo, eu não sei qual foi o grau de análise que foi feita, o volume
09:31de itens é muito grande.
09:33Agora, o próprio governo colocou na resolução do GSECs a possibilidade de que haja um recurso
09:39para, na verdade, tecnicamente, é uma exclusão da lista da TEC, da tarifa interna comum,
09:45e essa exclusão levaria a uma nova redução tarifária, desde que se demonstre que não há
09:51produção nacional ou não há produção suficiente no Brasil.
09:54E isso, claro, vai depender de uma análise de caso a caso.
09:57Veber, muito obrigada.
09:58É sempre um prazer mesmo ter você aqui com a gente.
10:01Boa noite.
10:02Muito obrigado.
10:02Boa noite.
Comentários

Recomendado