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Otto Nogami, economista e professor do Insper, comentou ao vivo no Fast Money sobre o corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros dos EUA. Ele destacou os riscos da inflação, efeitos do shutdown e a influência política de Donald Trump na decisão.

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Transcrição
00:00Volta e a gente continua a repercutir a decisão do FED.
00:03Agora conversando ao vivo com o economista, sócio da Nogami, Economia e Estratégias,
00:08o professor Otto Nogami, professor de Economia do INSPER.
00:11Boa tarde, professor Otto. Bem-vindo mais uma vez ao Fast Money.
00:15Boa tarde, Natália. Boa tarde, Felipe. Um prazer estar aqui novamente.
00:19É, nós também.
00:20Professor, bom, oficializamos então, né?
00:22O FED trouxe então a informação de um corte de 0,25 ponto percentual
00:26na taxa básica de juros americana.
00:29É o segundo corte consecutivo esse ano.
00:31Quero ouvir o senhor sobre qual que é a leitura das principais razões
00:34para esse corte de agora.
00:37É, eu diria que a principal razão, ela está ligada exatamente a esse momento
00:42de shutdown que a economia norte, que os Estados Unidos está vivendo.
00:46Porque à medida que você não tem informações completas,
00:50isso acaba abrindo uma brecha justamente para que o FED possa,
00:55vou colocar assim, acomodar eventuais interesses políticos.
00:59apesar de nós termos dados, né?
01:02Que é retirir esse tipo de parte do FED, como, por exemplo,
01:09a inflação moderada nos últimos tempos, a fragilidade do mercado de trabalho.
01:15Então, existem sinalizações.
01:18Existem sinalizações justamente para esse tipo de comportamento do FED.
01:21Entretanto, conforme eu acabei de comentar, faltam dados mais completos.
01:27Então, até para acomodar, conforme eu comentei, esses interesses políticos,
01:31talvez, cautelosamente, vamos reduzir em 25 pontos base
01:37e aguardar dados mais contundentes.
01:43E, então, a grande expectativa agora, ela está com relação ao comunicado do FED.
01:52Em que tempo, em que linguagem, ele vai anunciar essa redução.
01:58Aí, a gente tem que ter uma ideia daquilo que possa acontecer no futuro.
02:04Professor, a gente sempre que fala de decisões aqui do FED,
02:07a gente sempre lembra que eles têm, ao contrário do Brasil,
02:09ao contrário não, mas o Brasil tem aquele mandato mais olhando ali para a inflação,
02:12e eles também olham para o mercado de trabalho e tal.
02:15Agora, se a gente for olhar para a inflação americana,
02:18o mercado de trabalho, tudo bem, desacelerou e tudo mais,
02:21com os números que a gente tem, apesar do shutdown,
02:23e apesar do presidente Donald Trump ter demitido os líderes ali que traziam os dados,
02:29então, perdeu um pouco a credibilidade.
02:31Mas, enfim, mercado de trabalho desacelerado.
02:33E a inflação, se a gente olhar os últimos 12 meses,
02:35acabou acumulada em 3%, lembrando que a meta é 2%.
02:39Como é que o senhor vê essa escolha?
02:41O que o senhor faria?
02:42O senhor apostaria ali, cortaria também 0,25,
02:46ou pensaria um pouco mais na inflação e seguraria um pouco mais?
02:49Como é que o senhor vê essa decisão do FED de baixar o 0,25,
02:53mesmo com a inflação em alta?
02:54É, eu tenho uma tendência mais conservadora, né?
02:58Então, principalmente levando-se em conta que,
03:01apesar dessa inflação moderada,
03:04a gente ainda não pode esquecer os efeitos do tarifaço
03:07sobre vários setores da economia norte-americana.
03:10Então, à medida que o TPA ou o IPCA dos americanos
03:17começar a incorporar integralmente
03:20os efeitos efetivos desse tarifaço,
03:24sobre, por exemplo, a carne, o café,
03:28ou seja, itens do cotidiano do americano,
03:31talvez essa tendência ou esse comportamento se reverta.
03:34Então, há uma expectativa, sem dúvida alguma,
03:38com relação ao que pode acontecer com os preços.
03:42Conforme eu comentei, eu, cautelosamente,
03:45manteria, nessa atual circunstância,
03:48a taxa de juros nesse patamar de 4,25,
03:51aguardando o andar da carruagem
03:54para, eventualmente, então,
03:56de uma maneira mais contundente,
03:59reduzir a taxa de juros.
04:00E, professor, que efeitos positivos
04:03e que desafios podem surgir
04:05para a economia dos Estados Unidos com essa redução,
04:08especialmente, então, em relação à inflação
04:10e ao mercado de trabalho?
04:12Pois é.
04:13À medida que você reduz um pouco mais
04:16a taxa de juros, então, agora para 4%,
04:18isso, sem dúvida alguma,
04:21tende a dar uma aquecida na economia americana.
04:24E esse crescimento pode começar a pressionar preços novamente.
04:28Então, é um dilema muito grande
04:31que, certamente, o Banco Central
04:33vai se defrontar aí nos próximos meses.
04:36Porque, à medida que você reduz a taxa de juros,
04:40então, na verdade, você,
04:42vamos colocar assim de uma maneira bem simples,
04:44reduz o crédito para o consumidor,
04:47a tendência é que a demanda agregada aumente.
04:49Então, à medida que a demanda aumenta,
04:51a grande questão é,
04:53e o lado da oferta?
04:54E o lado do produtor?
04:55Ele está pronto para atender a esse aumento de demanda?
04:58Porque a gente sabe, principalmente em função do tarifácio,
05:02que a resposta do setor produtivo,
05:04hoje, nos Estados Unidos,
05:06não é tão rápida como era no passado.
05:09O produtor, ele,
05:11estrategicamente, mantinha estoques,
05:13justamente para poder desová-los
05:16nos melhores momentos em que...
05:19nos melhores momentos de preço
05:22para aquelas mercadorias.
05:25Então, hoje, o cenário já se modificou um pouco.
05:28Porque o efeito causado por essas decisões
05:34tomadas pela Casa Branca,
05:36eles fizeram com que o lado da produção
05:39se tornasse mais cauteloso.
05:41Então, por isso que em cores referentes
05:44à produção industrial,
05:46ao nível de estoques da economia americana,
05:49as estatísticas com relação às encomendas,
05:53essas, infelizmente, não temos no momento.
05:55Então, a gente não tem condições de prognosticar
05:58a capacidade de resposta
06:03que o setor produtivo tem.
06:06Porque se, conforme eu comentei,
06:07se ele não tiver essa capacidade de resposta imediata,
06:12então, pelo menos no curto prazo,
06:14todo esse desequilíbrio vai se reverter
06:17sobre os preços da economia americana.
06:20Professor, eu queria saber o seguinte da sua opinião.
06:23A gente está vendo esses dados de inflação,
06:25os dados do mercado de trabalho não estão muito claros.
06:28O senhor acha que, dessa vez,
06:29essa queda na taxa de juros
06:31foi uma influência política do presidente Donald Trump?
06:33Já numa conversa anterior, eu havia comentado isso.
06:38Porque a pressão estava sendo muito grande.
06:41Então, por isso que eu comentei.
06:43A partir do momento que surge essa brecha
06:45em função do shutdown,
06:46ou seja, a inexistência de dados mais robustos,
06:51então, talvez eles politicamente enxergaram esse caminho
06:55para, pelo menos em curto prazo,
06:58acomodar interesses.
06:59Então, esse é o meu ponto de vista com relação
07:03a essa, não vou dizer decisão política,
07:08mas essa influência política
07:10na política monetária norte-americana.
07:14E, professor Otto, e a gente aqui no Brasil?
07:16Como que essa decisão agora oficializada do FED
07:20pode impactar diretamente a gente aqui,
07:23seja no câmbio, fluxo de capitais,
07:24ou na política monetária adotada pelo Banco Central?
07:27Em termos de política monetária,
07:29a influência é praticamente nula.
07:31Porque o momento que a gente vive,
07:34o momento inflacionário,
07:35é totalmente diferente daquilo que está acontecendo
07:38nos Estados Unidos.
07:40Então, à medida que existe essa preocupação
07:43do Banco Central brasileiro
07:44em conter o processo inflacionário,
07:47então, a taxa de juros norte-americana
07:50não vai surtir nenhum efeito.
07:53Pode surtir efeito, sim,
07:55justamente nesse fluxo de capital.
07:57Então, no fluxo de capital,
07:59e à medida que há uma entrada do capital estrangeiro,
08:03não é de maneira contundente,
08:05mas um aumento de volume,
08:08isso tende a fazer que a nossa moeda valorize.
08:11E vem no momento até,
08:14de certa maneira, oportuna.
08:16Por quê?
08:16Final de ano,
08:18característicamente,
08:19nós temos uma saída mais forte
08:22da moeda estrangeira.
08:24Então, ou em função das empresas
08:27estarem remetendo seus lucros,
08:29ou até mesmo em função
08:31das viagens turísticas de final de ano.
08:34Então, característicamente,
08:37principalmente nos dois últimos meses,
08:40aqui no Brasil,
08:41o câmbio, ele tende,
08:42ou a moeda nacional,
08:44ela tende a se desvalorizar.
08:45Então, com esse movimento do FED,
08:48talvez essa apreciação da moeda nacional
08:51compense a saída,
08:52ou seja,
08:53no frigir dos ovos,
08:55acho que nós não vamos ter grandes efeitos
08:57também na taxa de câmbio.
09:00Professora,
09:00a gente meio que inverteu,
09:03aqui no Brasil e nos Estados Unidos,
09:04acabou invertendo.
09:05Antes, lá,
09:06o Banco Central era super independente,
09:07o presidente não falava muito,
09:09e aqui no Brasil,
09:10o presidente falava muito
09:11e tentava influenciar.
09:13E agora,
09:13o presidente lá não para de falar,
09:15ele quer mesmo,
09:16pressiona de uma maneira bastante agressiva.
09:18E aqui no Brasil,
09:19o presidente Lula não tem falado muito,
09:21algumas críticas,
09:22uma aqui, outra ali,
09:23mas não tem falado muito.
09:24Você acha que essa decisão de aumentar,
09:26de baixar o juros,
09:26desculpa,
09:27tendo uma inflação um pouquinho acima da meta,
09:29vai influenciar aqui o Banco Central?
09:31Vai pensar,
09:31poxa,
09:32nossa inflação também está um pouquinho acima da meta aqui,
09:34embora o boletim Focus
09:38diga que a gente vai chegar a 4,5%,
09:41que é o teto da meta no final do ano?
09:43Você acha que essa decisão pode influenciar,
09:44de alguma maneira,
09:45a percepção do Banco Central brasileiro
09:47de também começar um corte de juros
09:49um pouco mais cedo?
09:52Politicamente,
09:53pode ser sim
09:54que haja um efeito dessa natureza,
09:56a semelhança daquilo que está acontecendo hoje no FED.
10:00Entretanto,
10:00eu tenho a percepção,
10:03ou pelo menos o entendimento,
10:04de que as autoridades monetárias brasileiras
10:07já conseguiram convencer o Planalto
10:12sobre o problema que nossa economia vive.
10:15Por quê?
10:15Porque, na verdade,
10:17não é uma questão desse desequilíbrio puro e simples
10:20de oferta e demanda.
10:22A gente não pode esquecer que a produtividade brasileira
10:27vem caindo continuamente desde 2014.
10:31Ou seja,
10:31a população continua crescendo
10:33e a capacidade de produção
10:36não acompanhando esse aumento de demanda.
10:39Então,
10:40nós temos aí um problema de natureza estrutural.
10:44E aí,
10:44então,
10:45talvez essa seja uma das razões
10:47do porquê o governo,
10:49muitas vezes,
10:50se sente motivado
10:52em interferir na formação de preços.
10:55Porque não é uma questão
10:56pura e simples
10:58de natureza
10:59natural
11:01nesse desequilíbrio de oferta e demanda.
11:04e sim um problema de natureza estrutural
11:06que, então,
11:07para que se possa neutralizar,
11:10há a necessidade
11:11que investimentos
11:13maciços
11:14sejam feitos
11:15no setor produtivo
11:16da nossa economia.
11:17não só para adequar
11:18a condição de produção,
11:20é adequar,
11:21expandir
11:22e agregar
11:23novas tecnologias
11:24ou novos métodos de produção.
11:27Professor Otto Nogami,
11:28economista,
11:29sócio da Nogami Economia e Estratégias
11:31e professor de Economia do INSPER,
11:33muito obrigada pela participação
11:34mais uma vez ao vivo
11:35aqui no Fast Money.
11:36Ótima tarde.
11:38Imagina,
11:38eu que agradeço.
11:39Uma ótima tarde para todos.
11:41Até a próxima.
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