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Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, analisou o resultado da inflação nos Estados Unidos, os impactos do shutdown na coleta de dados, os riscos de distorção no relatório e como esse cenário pode influenciar as próximas decisões do Federal Reserve.

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Transcrição
00:00E sobre o resultado da inflação nos Estados Unidos, eu converso com Stephen Kautz, que é economista-chefe da EQI Asset.
00:08Boa noite, Stephen. Tudo bem com você?
00:11Boa noite. Prazer estar aqui com você.
00:13Stephen, olha só, a gente viu alguns números positivos, a CNBC fazendo a matéria sobre isso,
00:19mas alguns analistas alertaram por esse fato que o relatório saiu com alguns números que foram um pouco contestados,
00:26alguns números foram zerados, enfim, colocando um pouco de dúvida nesse relatório.
00:31Como é que você viu esses números do relatório do governo federal?
00:37O número veio com bastante ruído, porque não houve a coleta de preços ao longo do mês de outubro,
00:44por conta do government shutdown, do fechamento do governo, e a coleta de dados em novembro começou só a partir do dia 14 de novembro,
00:53ou seja, foi só metade do mês.
00:55Isso é importante porque na segunda metade do mês de novembro, nos Estados Unidos, tem o Black Friday,
01:01que é bastante importante.
01:03Então, eles coletaram justamente ali no período onde você tinha um bocado de descontos nos bens, enfim.
01:10E aí o BLS, o Instituto que Calcula a Inflação lá nos Estados Unidos,
01:15eles acabaram repetindo os dados de outubro que eles tinham coletado em setembro e acabaram fazendo essa coleta só em novembro.
01:25Então, o número realmente foi muito baixo, mas ele sugere que tem algumas distorções bastante importantes
01:32e algumas cálculos independentes sugerem que a gente deve ter uma reaceleração em dezembro.
01:39Então, tem que ter bastante cuidado na interpretação desse número, porque ele não foi um número limpo,
01:45no sentido de que é fácil de interpretar.
01:47Steven, vamos lembrar um pouquinho, alguns meses atrás, o presidente Donald Trump demitiu a diretora principal do BLS,
01:56do Bureau of Labor Statistics, que é esse órgão que você falou, que é o órgão que produz esse relatório.
02:02E agora a gente teve o shutdown, essa bagunça com os números, alguns números que acabaram não sendo levantados,
02:08as pessoas não estavam trabalhando no mês de outubro.
02:11E agora a gente veio com esse relatório mostrando a inflação mais baixa.
02:14Você acha que é possível que esses números tenham sido manipulados de forma proposital pelo governo americano?
02:21Ou esses números foram um ruído decorrente, uma consequência da falta de números no mês de outubro?
02:30A gente entende que foi um ruído, até porque esse instituto já utilizou dessa estratégia em outros períodos anteriores de repetição de números.
02:41A gente não teve, obviamente, um shutdown que durasse tanto tempo, mas nos períodos em que você afetou a coleta em outros momentos de shutdown,
02:50você ouve algumas vezes essa estratégia ali, tanto de estimar alguns números quanto de repetir outros.
02:56É que dessa vez, como ficou muito tempo fechado o governo, acabou pegando o mês de outubro inteiro,
03:03e aí gera esse ruído estatístico bastante grande.
03:06Então, assim, realmente foi único nesse sentido, mas a gente ainda entende que, tecnicamente, a decisão que foi utilizada ali pelo Instituto,
03:15ela está ok, está em linha aí com os padrões que foram utilizados no passado.
03:21Steven, como é que você acha que esses números vão influenciar, por exemplo, a decisão do Fed no início do ano?
03:26A gente lembra que ele tem dois mandatos, ele fica de olho ali no emprego, mas também fica de olho na inflação.
03:33Você acha que esses números levam a imaginar que poderiam ter mais um corte de juros logo no início do ano?
03:38Eu acho que eles atrapalham até, no sentido de que, como fica essa dúvida sobre essa leitura,
03:46e os próprios dados que saíram também de mercado de trabalho recentes estão bastante incertos e difíceis de interpretar.
03:53A gente tem uma economia que não contrata muito, mas ao mesmo tempo não manda ninguém embora,
04:00os salários continuam subindo.
04:02Então, é difícil de entender o que está acontecendo também no outro mandato deles, do mercado de trabalho.
04:07Então, essa dúvida, esses ruídos me sugerem que o Banco Central talvez fique mais inseguro de assumir ou tirar alguma conclusão
04:17e talvez eles pulem a reunião de janeiro, decidam talvez ficar parados e voltem a cortar somente na reunião de março.
04:26E você acha que o presidente Donald Trump tem feito aquela pressão sobre o Fed?
04:30Isso tem, inclusive, ele tem falado muito sobre a escolha do novo presidente do Fed, do novo chairman,
04:35para substituir o Jerome Powell, e ele tem falado que o próximo presidente vai ter que baixar os juros de qualquer jeito.
04:41Como é que isso afeta a credibilidade do Banco Central americano?
04:46Isso realmente é um sinal muito ruim, é uma preocupação grande.
04:49O mandato do Powell vence em final de maio.
04:52Então, esse novo indicado que a gente deve saber nas próximas semanas.
04:56O presidente Trump falou hoje que nas próximas semanas será anunciado o substituto.
05:02Mas, de qualquer maneira, já entrar com esse mandato, com essa pressão tão forte de ser obrigado a cortar os juros,
05:09ou uma pessoa que será escolhida porque concorda com essa visão de cortar os juros,
05:15é bastante ruim para a credibilidade do Banco Central.
05:17Além disso, outras mudanças dentro da diretoria do banco vão acontecer por outros mandatos também estarem vencendo.
05:25E tem uma visão do secretário do Tesouro, que seria o nosso secretário da Fazenda aqui,
05:30de que o papel do Banco Central americano tem que ser alterado também.
05:34Então, a gente pode ver no segundo semestre de 2026 mudanças mais estruturais acontecendo também no Banco Central americano.
05:42Então, tudo isso tende a ser ruim e pode ser bastante ruim para o dólar, para a moeda americana,
05:48no segundo semestre do ano que vem, podendo depreciar de novo.
05:52Como é que vocês aí na EQI Assets, vocês sempre trabalham com cenários,
05:56como é que vocês estão vendo a economia americana no ano que vem?
05:59Quais cenários vocês estão trabalhando?
06:03A gente entende que a economia americana no ano que vem deve manter um crescimento forte,
06:07seja porque o Banco Central americano está cortando os juros,
06:12e talvez corte mais um pouco no ano que vem,
06:14e também porque você entra no ano que vem com um estímulo fiscal bastante relevante.
06:20Lembrando que o presidente Trump aprovou no Congresso a manutenção dos cortes de impostos
06:26que ele tinha feito no primeiro mandato dele,
06:29conseguiu também algumas mudanças de incidência de impostos em cima das empresas.
06:36Então, a partir agora da virada do ano, a gente vai ter um estímulo fiscal bastante relevante.
06:42Além disso, tem a expectativa de que ele possa injetar mais dinheiro na economia,
06:47fazendo uma transferência de 2 mil reais para as famílias,
06:51de 8 mil dólares, desculpa, para as famílias americanas ao longo do ano que vem.
06:55Então, em geral, é tudo para que a economia continue crescendo.
07:00E isso aumenta o risco, especialmente no segundo semestre, no final do ano que vem,
07:04de que a inflação nos Estados Unidos volte a subir ou volte a ser um problema.
07:09Muito bem, conversei com o Stephen Kautz, economista-chefe da EKI Asset.
07:13Stephen, super bom falar com você, como sempre. Boa noite para você.
07:18Obrigado, boa noite, Felipe.
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