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O encontro entre Lula e Donald Trump, na Ásia, gera análises sobre a relevância do Brasil. No Visão Crítica, o Prof. Guilherme Casarões, economista e pesquisador, afirma que a imprensa americana mal repercute o tema, pois "só se fala em outra coisa".

Ele destaca que a atenção dos EUA está voltada para questões domésticas e internacionais mais urgentes, indicando o baixo nível de prioridade do Brasil no radar americano.

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Transcrição
00:00Eu queria justamente passar para o professor Casarões para essa questão,
00:04olhando agora no interior dos Estados Unidos,
00:08pegando um pouco o caminho do Roberto Giannetti da Fonseca.
00:12Quer dizer, o significado dessa política do Trump dentro dos Estados Unidos,
00:16passando, você está no estado da Flórida, o Marco Rubio foi governador e é secretário de Estado,
00:22qual é a repercussão no campo político desse último encontro,
00:27dessas conversas e no campo econômico, por favor.
00:33Outro dia me perguntaram justamente isso, qual seria a repercussão na imprensa americana
00:38do encontro do Trump com o Lula e eu brinquei dizendo o seguinte,
00:42olha, só se fala em outra coisa.
00:44Porque nos Estados Unidos existem outras preocupações que ganham precedência
00:49a essa relação com o Brasil.
00:51tanto questões internas que têm a ver com o government shutdown,
00:58o governo está nesse momento paralisado oficialmente,
01:02já há quase um mês o governo americano federal não funciona, não paga salário,
01:07está completamente atado em função da negativa do Congresso americano
01:14em aprovar a lei orçamentária dos Estados Unidos,
01:16que é uma situação gravíssima e aí você tem um jogo aqui de responsabilização,
01:20que é até meio infantil,
01:23mas basicamente gira em torno da questão da saúde pública,
01:27do acesso à saúde pública por parte da população mais pobre,
01:31que tem aí o Obamacare, o Medicare, o Medicaid,
01:34que são programas, vamos dizer, públicos de saúde.
01:38Então a gente tem um governo paralisado,
01:40a gente tem um presidente que tem popularidade em declínio nesse momento
01:44e que está ligada à inflação, como o Roberto bem colocou,
01:48que para padrões americanos é uma inflação altíssima,
01:51que vem desde a Covid e que não cedeu.
01:55Então para a gente que está acostumado com inflação de 3,5%, 4% anual
02:00como padrão normal aqui nos Estados Unidos, isso é muito.
02:04E o pior, essa inflação está sendo puxada,
02:09sobretudo por duas coisas,
02:10o preço dos alimentos, em primeiro lugar,
02:14e o preço da moradia, em segundo lugar.
02:15Veja que tem um candidato em Nova Iorque,
02:18a prefeitura de Nova Iorque, o Zoran Mandani,
02:21que tem batido muito nessa tecla,
02:23ele é um socialista democrático, por assim dizer,
02:25é um sujeito que apareceu no Partido Democrata
02:27quase como uma grande novidade ali na política local,
02:32e ele provavelmente ganhará a eleição municipal de Nova Iorque
02:35batendo na questão do affordability, como ele chama,
02:39que seria a capacidade, o poder de compra das pessoas,
02:41principalmente a questão dos aluguéis,
02:43que aqui na Flórida, no estado de Nova Iorque,
02:46na Califórnia e em outros estados,
02:47tem sido um problema real para o americano.
02:50Então, em resumo,
02:53a preocupação da imprensa,
02:54ela passa muito ao largo
02:56daquilo que para nós é crucial.
02:59A imprensa brasileira anunciou um peso
03:02aquilo que aconteceu em Kuala Lumpur,
03:05o encontro do Lula com o Trump,
03:06as falas do Lula, inclusive,
03:08muitos mostraram lá o momento
03:10em que o presidente Lula se irrita com a imprensa,
03:12pede o pessoal interromper
03:13e fazer perguntas depois da conversa, enfim.
03:16Enquanto aqui nos Estados Unidos
03:17a gente viu muito pouca coisa.
03:20Vimos, por outro lado,
03:22notícias do encontro com o Trump,
03:24entre o Trump, desculpa,
03:25e o representante,
03:27o presidente da Malásia,
03:30o presidente da Indonésia.
03:32Existe uma preocupação
03:33que eu acho que, de alguma forma,
03:35converge o interesse de Brasil e Estados Unidos,
03:38que é a preocupação com o Sudeste Asiático,
03:40uma região muito estratégica
03:42para ambos os países,
03:43por razões até distintas,
03:44no caso do Brasil,
03:46o Sudeste Asiático é o nosso
03:47quarto maior mercado agregado de comércio.
03:50Então, existe uma importância ali
03:52do que a gente vende para o Sudeste Asiático.
03:54Basicamente, carne,
03:56enfim, produtos, energia também,
03:59e o que a gente compra de produtos,
04:00sobretudo, manufaturados do Sudeste Asiático.
04:03A relação do Brasil com a ASEAN
04:04é uma relação antiga
04:05e cada vez mais consolidada.
04:07E, no caso do Trump,
04:08ele percebe o Sudeste Asiático
04:10como um campo potencial de batalha,
04:13seja ela tecnológica,
04:14seja ela econômica,
04:16na relação dos Estados Unidos com a China,
04:18que tem ali um significado também
04:20para o governo americano.
04:22Então, o que a imprensa está repercutindo aqui
04:23está repercutindo,
04:25tem muito a ver com essa questão
04:27da visita do Trump ao Sudeste Asiático.
04:29Não são comuns
04:32idas de presidentes americanos
04:33à cúpula da ASEAN,
04:35como foi o que aconteceu agora.
04:36Então, isso ganhou um certo destaque.
04:39E o Brasil aparece tangencialmente
04:41justamente nessas preocupações
04:42que o Roberto muito bem colocou,
04:43sobretudo a questão do café,
04:45que aqui nos Estados Unidos
04:46tem um simbolismo cultural,
04:48até o Starbucks
04:50e outras redes de café importantes
04:52que fazem parte do dia a dia
04:54do americano médio,
04:56estão sofrendo aí uma pressão muito grande
04:58por causa do aumento do preço do café,
05:01que, se não me engano,
05:02subiu mais de 100%
05:04nos últimos dois anos.
05:06Então, tem aí uma questão
05:08que é muito fundamental para o americano.
05:11Agora, onde a gente vê
05:12uma certa preocupação com relação ao Brasil
05:14é, como o Roberto também falou,
05:17no Congresso americano,
05:18o Senado aprovou hoje
05:19essa rejeição do decreto do Trump
05:23do uso da lei de emergência econômica
05:26contra o Brasil.
05:27Provavelmente, ela não passará na Câmara,
05:30essa derrubada não passará na Câmara,
05:32então as coisas tendem a ficar
05:33do jeito como estão,
05:35mas parece que há uma preocupação,
05:36inclusive, de alguns republicanos
05:37de estados onde essa questão é inflacionária,
05:41onde há, por exemplo,
05:42uma diáspora brasileira
05:43e esse tema acaba sendo
05:44um pouco mais central.
05:47A gente vê alguma preocupação
05:49com relação ao Brasil
05:50no setor produtivo americano,
05:52porque nas cadeias produtivas daqui
05:54há uma certa dependência
05:56de produtos brasileiros.
05:57A gente se esquece desse dado,
05:59que é um dado muito importante,
06:00quase 70% do que o Brasil
06:02vende para os Estados Unidos
06:03é produto manufaturado,
06:06é chapa de aço,
06:08é avião da Embraer,
06:09é autopeça,
06:11peças de automóveis, por exemplo,
06:12são muito cruciais para o funcionamento
06:14da indústria automotiva americana,
06:16que terceirizou muito
06:18dessa produção para outros países,
06:20como o México,
06:20mas que no caso do Brasil
06:22tem uma certa importância estratégica também.
06:24E acho que o ponto mais fundamental,
06:27para além do que a imprensa noticia
06:28ou deixa de noticiar,
06:30é o fato muito bem colocado pelo Roberto,
06:32de que o Trump não só não gosta de perder,
06:35como ele não gosta de perdedores.
06:37E aí a gente ouviu alguns relatos recentes
06:40do Itamaraty,
06:41de membros do Itamaraty,
06:42dando conta de que um dos possíveis fatores
06:45pelos quais o Trump
06:46nutriu uma certa simpatia,
06:49desenvolveu uma certa simpatia
06:51pelo presidente Lula,
06:52tem a ver com o fato de que ele vê o Lula
06:54como uma figura de resiliência.
06:57O Lula parece que contou para ele,
06:59nessa conversa privada em Kuala Lumpur,
07:02da sua experiência na cadeia,
07:03nos 580 dias que ele passou na cadeia.
07:06Então, até para poder se contrapor
07:09ao ex-presidente Bolsonaro,
07:11que, enfim, diz que está sendo perseguido
07:13pela justiça,
07:14que também prendeu o Lula.
07:15Então, parece que o Lula
07:17contou um pouco dessa história,
07:18parece que o Trump também tomou conhecimento
07:20um pouco dessa trajetória política
07:22do presidente Lula
07:24e passou a encará-lo como uma figura
07:26resiliente, como uma figura
07:28de uma certa relevância política
07:31para além dos rumores
07:32que o Trump frequentemente ouvia
07:34sobre o que era bem e mal no Brasil,
07:36o que era comunismo,
07:37o que era os patriotas de verdade
07:39e assim por diante.
07:40Então, parece que o Trump agora
07:42admira um pouco essa personalidade do Lula.
07:44George W. Bush, no passado,
07:46desenvolveu também uma relação
07:47de boa amizade com o Lula,
07:49que eu não acho que vai acontecer agora,
07:50mas é interessante a gente ver
07:51que o Lula conseguiu cativar
07:53tanto democratas quanto republicanos
07:55ao longo dessas relações bilaterais
07:57em que ele era presidente.
07:58e eu diria que o Trump,
08:01além de gostar de presas e não de vencedores
08:06e não de perdedores,
08:08eu acho que é uma questão importante também
08:10que é a percepção dos Estados Unidos
08:13da centralidade que o Brasil tem,
08:15não só econômica, como também geopolítica.
08:18Volto ao ponto aqui.
08:19Geopoliticamente, o Brasil é uma peça
08:21muito estratégica na disputa
08:22que os Estados Unidos
08:23vêm tentando travar na América Latina
08:26para resgatar a região latino-americana
08:29com uma esfera de influência dos Estados Unidos.
08:32Panamá, da Groenlândia, na realidade,
08:34passando pelo Panamá,
08:36até agora as relações mais recentes com a Venezuela,
08:38tudo faz parte de um plano mais amplo
08:40de projeção americana sobre a região
08:42e contar ao menos com essa,
08:45não vou dizer anuência,
08:46mas com essa parceria com o Brasil
08:49em alguns dos objetivos políticos dos Estados Unidos
08:52é algo que para o governo Trump
08:53parece ter interessado bastante
08:55e isso mudou a percepção
08:57que a Casa Branca tem sobre o Brasil,
09:00que, no fim das contas,
09:01é uma coisa muito positiva.
09:03Roberto, você disse na sua última intervenção,
09:08são quatro, fundamentalmente...
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