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No Visão Crítica, os economistas Gustavo Pessoa, Juliana Inhasz e Marcos Jank debatem como o tarifaço de Donald Trump aos produtos brasileiros também afeta a economia americana. Eles analisam como as tarifas, que muitos dizem ter sido "destravadas" por interesses de empresas americanas, geram um tiro no pé para os EUA, impactando custos de insumos e preços para o consumidor final.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/BHDNk1cZkW0

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00:00É preciso considerar também a lista de exceções.
00:03É bom lembrar que o Gustavo tem uma relação muito próxima com investidores de alguns segmentos específicos,
00:09que certamente monitoram essa situação que envolve o tarifácio para os produtos brasileiros.
00:14O que a gente sente uma diferença em relação à negociação e o contato com o governo?
00:21Nos Estados Unidos, nós temos instituído o papel do lobista.
00:25Então, existem lobistas de carteirinha.
00:30Então, eles atendem interesses para certas indústrias, para certas empresas, para certos setores.
00:37E eu acredito que isso tem facilitado em muitas exceções que a gente recebeu agora nesses últimos dias,
00:47que vieram mais pelo lado americano do que pelo lado brasileiro.
00:52Aqui no Brasil, nós temos diversas associações, sindicatos, empresas, que têm acesso ao governo federal,
01:03mas o que nos parece realmente o problema está no lado americano, na comunicação com o governo americano.
01:10Então, o que eu acho é que as empresas brasileiras, depois que a gente passou pela época de Covid,
01:20nós tínhamos que entender como esses eventos aleatórios podem acontecer a qualquer momento.
01:27E essas empresas brasileiras começarem a ter mais proximidade com essa geopolítica instável que nós estamos tendo.
01:38Porque hoje em dia nós temos o Trump, mas amanhã a gente pode ter alguém com uma ideia ainda mais complexa do que essa,
01:49podemos ter uma pandemia.
01:52Então, eu acho que tudo isso serve para as empresas brasileiras se prepararem para momentos adversos.
01:58Eu acredito que realmente essas tarifas vamos ter mais exceções, não vamos ter esse volume, esse problema desse tamanho,
02:11mas eu acho que fica a lição de casa para nós, como brasileiros, nos prepararmos para próximos eventos aleatórios
02:20que vão aparecer sem sombra de dúvida, dado que a gente ainda tem muito tempo do governo Trump e também ano que vem nós vamos ter eleição aqui no Brasil.
02:32Então, mais instabilidade está para vir no mercado brasileiro.
02:37A gente não vai ter calma a partir da negociação dessas tarifas.
02:44No ano que vem a gente vai ter mais volatilidade, com certeza no mercado interno e não sabemos no mercado externo.
02:54Agora, Juliana, para além da manifestação de Donald Trump nesta sexta-feira e a resposta do presidente Lula,
03:00sinalizando que muito possivelmente eles devem conversar, manter contato nos próximos dias,
03:07o vice-presidente Geraldo Alckmin tinha assumido o papel de negociador, de articulador,
03:13tratando inclusive com algumas autoridades dos Estados Unidos.
03:17Daí ontem ele concedeu entrevista para alguns veículos, dizendo que a partir da implementação da tarifa
03:24é que as negociações começarão de falta.
03:27E aí é preciso olhar para, se não ineficiência, talvez para a decepção de alguns grupos que puxaram para si essa responsabilidade
03:37na tentativa de destravar, não só o chanceler Mauro Vieira, uma comitiva de senadores foi aos Estados Unidos,
03:45alguns governadores também trataram dessas questões, principalmente o de São Paulo, Tarcísio de Freitas, enfim.
03:51Há vários movimentos, várias frentes tentando encontrar caminhos aí para destravar essa questão,
03:58tentar negociar, diminuir a tarifação, em algum momento disseram a possibilidade de adiamento.
04:05Pois bem, não surtiu efeito.
04:08E aí o presidente Lula deu aquela declaração dizendo, bom, não respondem aos nossos comunicados.
04:14A partir dessa sinalização, a gente pode apostar em uma nova dinâmica de negociação?
04:21Quando você questiona o uso do mecanismo para objetivos não muito claros, talvez objetivos velados,
04:31de que maneira essa negociação deve avançar?
04:35Tratando de maneira única e exclusiva os aspectos econômicos e comerciais,
04:40você acha que há possibilidade também de eles debaterem outras questões para além das comerciais?
04:47Não parece fazer sentido, né?
04:49É, não parece fazer sentido, mas a gente também tem que colocar dentro dessa história
04:52que muitas coisas dentro do tarifácio também acabam distoando das percepções iniciais.
05:00Acho que pode acontecer, sim, de outras questões acabarem emergindo.
05:04No entanto, acho que é importante que nesse momento a gente consiga ou tenha muito em mente, né,
05:11dado que esse canal está sendo aberto, que a gente tente negociar de uma forma técnica
05:16uma forma de mitigar, de reduzir os impactos para a economia brasileira,
05:23que hoje não são poucos significativos, né?
05:26E isso é muito justificável, inclusive, até o papel do próprio governador aqui de São Paulo.
05:32São Paulo seria um dos estados, é um dos estados mais prejudicados dentro dessa história.
05:38Mas a gente realmente não viu grande êxito nem na comitiva de senadores.
05:45A gente, na verdade, viu muito mais empresas e o empresariado em si tendo, inclusive,
05:52alguns muito mais acesso do que o próprio governo brasileiro,
05:55que foi uma coisa que chamou muito a atenção, né?
05:58Alguns empresários, inclusive, tendo acesso a vários ministros, né?
06:02E o Brasil aqui, os senadores recebendo nãos consecutivos ali, né?
06:08Não conseguindo realmente chegar nesses senadores para tentar um caminho mais diplomático.
06:15Então, acho que fica muito claro, na verdade, que no final das contas,
06:19foi a agenda americana que se sobrepôs.
06:21Quem destravou, né?
06:21Quem destravou o tarifácio foram os americanos.
06:23Quem destraiu, quem acabou destravando, isso mesmo, foram os americanos.
06:27Foi a agenda americana, foi o interesse americano,
06:31o que faz muito sentido dentro dessa história,
06:35porque, claro, a economia americana sofre bastante o impacto desse tarifácio.
06:40Existe uma pressão inflacionária que se instala dentro da economia americana.
06:45É, junto dessa pressão inflacionária, toda uma onda de incertezas,
06:50de volatilidades que se espalham pelo mercado.
06:53E acabam, inclusive, não, claro, eventualmente não num curto prazo,
06:57mas ao longo do tempo, levando efeitos a outros parceiros comerciais
07:01que também prejudicam essa dinâmica econômica.
07:04Então, acho que quem destravou, na verdade, foi o próprio Trump.
07:07Foi ele que destrava essa parte do tarifácio.
07:12E, até retomando um ponto que o Marcos falou,
07:16e que eu acho que, muito provavelmente, em breve ele deve voltar,
07:20é que outros produtos devem entrar nessa história,
07:23porque não faz sentido, realmente, que a economia americana,
07:27por conta dessa imposição inicial,
07:30acabe sofrendo tantos impactos em produtos que eles nem produzem.
07:35Agora, existe toda a questão da indústria que fica...
07:39Eu, particularmente, fico na dúvida o quanto que o objetivo de reindustrialização,
07:45de retorno da indústria que o Donald Trump entende ser estratégico,
07:50de fato, acontece num contexto em que a racionalidade pode superar essas questões ideológicas.
07:58Sem dúvida.
07:59Marcos, queria te escutar, queria que você compartilhasse também com a nossa audiência
08:04um pouco da percepção do agronegócio, qual o diagnóstico raio-x feito até aqui.
08:10Me lembro que a ministra Simone Tebet, inclusive, concedeu entrevista essa semana aqui para a Jovem Pan,
08:16mas, ao longo da semana, ela dizia que, para resolver os problemas com os Estados Unidos,
08:23isso necessariamente passaria por terras raras e etanol.
08:28Enfim, o que a gente precisa considerar?
08:31Bom, conforme eu já disse, a gente tem uma pauta com os Estados Unidos que é relativamente pequena
08:36até em relação à nossa pauta total no agro.
08:40A gente exporta para os Estados Unidos 12 bilhões de dólares em agro
08:43e, se a gente olhar, o total exportado é 165 bilhões de dólares.
08:49Então, os Estados Unidos é 6% do que a gente exporta em agro
08:52e, por isso, eu acho que é tão importante olhar, não tanto o impacto em cada produto,
09:00conforme a Juliana disse, que cedo ou tarde você vai resolver isso,
09:06a gente deve convergir para essa tarifa que todos os outros estão tendo,
09:09que é de 15% a 20%.
09:10Eu acho que isso vai acontecer depois de mais conversas e tal.
09:14O que eu estou preocupado é com as regras do jogo, certo?
09:18Porque as instituições são as regras do jogo, as organizações são os jogadores.
09:25Não há jogo que funcione sem regra.
09:27Imagina um jogo lá de futebol que não tivesse regra e não tivesse juiz.
09:31O que a gente está vendo com o Trump é um sistema unilateral.
09:37Ou seja, ele unilateralmente levanta as suas tarifas e inicia uma negociação com cada país.
09:42Bom, parênteses, a justiça pode derrubar, inclusive, a lei que permite a ele adotar as tarifas com esse mecanismo.
09:50A justiça pode e ele pode também perder uma próxima eleição e as coisas voltarem atrás.
09:55Mas, nesse momento, o que nós estamos vendo é um jogo sem regras.
09:59E, curiosamente, as regras que existem há bastante tempo são as regras da Organização Mundial de Comércio,
10:05que foram criadas pelos Estados Unidos e pela Europa,
10:08e que estabelecem, por exemplo, a cláusula da nação mais favorecida e a tarifa consolidada.
10:14Todos os 165 membros, inclusive o Brasil e os Estados Unidos,
10:17têm que consolidar na emissão a tarifa máxima que eles vão praticar,
10:22tem a tarifa efetiva que eles praticam,
10:24e se eles reduzirem a tarifa para um parceiro, eles têm que reduzir para todos os demais.
10:30Então, essa regra hoje já não funciona mais.
10:33Hoje, qualquer país pode aumentar ou diminuir tarifas.
10:36Tem ainda todo o problema de barreiras não tarifárias, como as sanitárias, as técnicas ambientais,
10:41que podem ser colocadas talvez a esmo, assim, cada um resolve o que faz.
10:46E esse mundo, essa lei das selvas, que a gente pode viver, é o que mais me preocupa, entendeu?
10:51Porque você pode estar caminhando para um mundo, né,
10:56que não é tanto uma nova ordem internacional, mas é uma grande desordem, uma grande bagunça.
11:00E isso, eu acho que para o agronegócio é muito crítico,
11:03porque como a gente exporta 30, 40% do que a gente produz aqui no Brasil,
11:07a gente exporta para 200 países, para os cinco continentes,
11:11imagina se cada país, de repente, resolve mudar ao seu bel prazer uma tarifa,
11:16ou colocar uma barreira não tarifária.
11:18Então, eu acho que essas regras do jogo, para mim, é o que mais me preocupa,
11:22é o que vai acontecer com o mundo nesse formato que o Trump está inaugurando.
11:26É claro que isso pode cair, mas a gente vai ter que conviver com isso
11:30e vamos ter que negociar, certo?
11:32Porque senão, você vai ter prejuízos de emprego, de divisa, de tudo mais, né?
11:36Eu acho que, então, acho que esse é o ponto central.
11:39Em relação à questão de alguns produtos-chave, né,
11:42de fato, os Estados Unidos querem colocar o etanol em pauta.
11:47E o que ele quer colocar é uma redução da nossa tarifa de etanol, né?
11:51A tarifa deles hoje...
11:52Tem 18, né?
11:53A nossa está em 18, a deles está em 2, e eles querem que caia para 2.
11:57Curiosamente, quando eu fui presidente da União da Indústria da Cana,
11:59a gente era exatamente o contrário.
12:02A nossa era baixa, a deles era alta, e nós brigamos em Washington para derrubar a tarifa deles.
12:07Então, eu acho que faz parte do jogo, certo?
12:09Etanol, ele vai tentar abaixar a tarifa.
12:11E aqueles produtos que são muito consumidos pelos americanos,
12:15mas que não receberam taxação, ou foram isentos, ou entraram na lista de exceções,
12:20alguma explicação, alguma reflexão sobre isso?
12:23Talvez, justamente, esses produtos, no caso do café,
12:26isso entra em uma negociação futura?
12:29Olha...
12:30Para justamente ter o poder de barganha mencionado pela Juliana?
12:33Eu acho que, no primeiro momento, os produtos que foram dados à isenção
12:37são suco de laranja e celulose, que são produtos que têm empresas americanas muito fortes,
12:43que foram a Washington...
12:44Ameaçaram judicializar.
12:45É, e que tiveram acesso aos ministros que o nosso governo não teve,
12:50que a gente já falou disso.
12:51Agora, eu acho que eles vão liberar os tropicais,
12:53porque não tem sentido proteger manga e proteger café que eles não produzem, né?
12:58O café são 2 bilhões de dólares de exportação anual.
13:02É um tremendo produto na pauta, né?
13:04É grande.
13:05E, obviamente, não faz sentido aumentar o preço do café,
13:08que os americanos adoram, inclusive, e dependem muito do Brasil.
13:11Não é o cafezinho, só aqueles copos.
13:13Aqueles copões enormes, que a gente até nem gosta tanto,
13:16mas eles gostam muito, né?
13:18Então, eu acho que esses produtos vão entrar.
13:20Aí, depois, você vai ter que mexer com as frutas,
13:22vai ter que mexer com a carne, com pescados, com açúcar e etanol.
13:25Eu acho que essa pauta vai longe.
13:27O Trump gosta desse negócio de ter etapas, né?
13:31Às vezes, ele parece que vai, que está mais próximo lá de um país.
13:34Parecia que ele já tinha feito um acordo lá com a Índia,
13:37agora ele vai lá e bota a tarifa ao Canadá, ao México, vai e volta.
13:41E ele, com isso, está sempre na mídia, né?
13:43E ele, eu acho que ele tem esse feitio, né?
13:45Eu preciso, preciso, eu preciso causar aqui.
13:49Eu preciso causar.
13:50É, o ingrediente da vaidade.
13:50É, é.
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