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Após o recente encontro entre Lula e Donald Trump, o professor Guilherme Casarões, economista e pesquisador, analisa o cenário bilateral.

Ele avalia que o Brasil e os Estados Unidos viviam o pior momento de suas relações. Casarões lembra que os EUA são o país no qual o Brasil "se espelhou na construção da nossa própria identidade", ressaltando a gravidade da atual crise diplomática e de interesses.

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Transcrição
00:00Foi uma surpresa para muitos, o encontro, a conversa, desanuviou o ambiente, grosso modo é assim.
00:06E hoje temos dois convidados, o professor Guilherme Casarões, lá dos Estados Unidos,
00:12professor de estudos brasileiros na Florida International University, em Miami,
00:17a que eu agradeço ter aceito o nosso convite.
00:20E aqui está conosco o economista, empresário, especialista em comércio exterior e política econômica,
00:25Roberto Janete da Fonseca.
00:27Muito obrigado por ter aceito o nosso convite, já esteve conosco num encontro que foi muito profícuo,
00:31numa bela discussão de ideias que tivemos aqui.
00:34Começo com o professor Guilherme Casarões.
00:36Professor, primeiro, muito obrigado por ter aceito o nosso convite.
00:39E a questão que eu coloco ao senhor é o seguinte, pode ser uma questão óbvia,
00:43lembrando o Nelson Rodrigues, óbvio o Lulante, mas para o senhor foi uma surpresa o encontro
00:48e as primeiras consequências desse encontro entre o presidente Lula e o presidente Trump na Malásia?
00:53Bom, boa noite, Vila, boa noite, Roberto, é um prazer estar aqui com vocês.
00:59Foi uma surpresa, de certa forma, porque a gente estava avaliando de julho até meados de setembro
01:08que vivíamos ali o pior momento das relações bilaterais de 201 anos de história entre o Brasil e os Estados Unidos.
01:15Então, uma guinada como essa que a gente viu e que começa na tribuna da Assembleia Geral da ONU,
01:22quando o Trump fala da excelente química que teve com o presidente Lula e dali começam negociações
01:28para um eventual encontro, a gente tem uma ligação telefônica e depois viram um encontro de fato em Kuala Lumpur,
01:35foi uma guinada de 180 graus.
01:38Menos do lado brasileiro, porque o Brasil, desde o princípio, desde a eleição do Trump no ano passado,
01:45se mostrou disposto a seguir conversando com os Estados Unidos e manter uma boa relação com os americanos,
01:51que são um país, eu diria, indispensável para o Brasil em vários sentidos.
01:56O nosso segundo parceiro comercial é o país em que a gente, e você como historiador sabe disso melhor que ninguém,
02:02em que a gente se espelhou na construção da nossa própria identidade, na construção das nossas instituições políticas,
02:09desde a proclamação da república.
02:11Ou seja, é muito difícil a gente imaginar uma situação em que, para o Brasil,
02:15essa relação com os Estados Unidos esteja azeda, desgastada, como o que a gente viu de julho para cá.
02:22Para os Estados Unidos, por outro lado, o Brasil não importa tanto.
02:27Então, quando o Trump ganha a eleição e depois toma posse em janeiro,
02:31havia basicamente duas avaliações paralelas.
02:35Uma, que eu pessoalmente defendia, era a avaliação de que, em algum momento,
02:40Trump iria jogar o seu peso político em defesa do ex-presidente Bolsonaro,
02:45por se tratar de um parceiro ideológico, por ter aí uma relação muito intensa
02:50entre a família Bolsonaro e membros da Casa Branca,
02:53que a gente, inclusive, viu se desenrolar ao longo dos últimos meses.
02:57E havia aqueles que diziam que o Brasil iria completamente sair do radar dos Estados Unidos,
03:01porque não era um país importante.
03:04O que a gente viu foi a ideia de que os Estados Unidos,
03:07a partir do momento em que se deram conta de que o Brasil poderia ser pressionado
03:12e poderia gerar algum tipo de benefício político e econômico para os americanos,
03:16o Brasil passa a ser alvo de políticas que a gente nunca viu na nossa história bilateral.
03:21e que são duras até mesmo com relação a países tradicionalmente rivais dos Estados Unidos.
03:27Porque, veja, desde o dia 9 de julho, que a carta do Trump chegou pelas redes sociais dele próprio,
03:33a gente teve tarifato de 50%, a gente teve abertura de investigação
03:37sobre prática desleal de comércio por parte do Brasil com base na lei de comércio americana,
03:42a gente teve revogação de visto de autoridades brasileiras
03:46e a gente teve, de maneira inédita, sem precedentes, a aplicação da lei Magnitsky Global
03:51contra o Alexandre de Moraes, a sua esposa e as suas empresas.
03:55Ou seja, foi um pacote de medidas que a gente nunca viu igual na relação bilateral
04:00e, de fato, dali para frente, enfim, era de se esperar que o Trump continuasse seguindo
04:06e aplicando essas medidas contra o Brasil.
04:09O que causou essa guinada? E aqui eu concluo esse meu primeiro raciocínio.
04:13Eu diria que essa guinada tem a ver com dois fatores fundamentais.
04:17O primeiro deles, o Trump percebeu que a justificativa econômica
04:22para a punição coletiva contra o Brasil, ela não se sustentava do lado americano,
04:27ou seja, a inflação potencial causada pelo tarifato sobre o café, sobre a carne,
04:32o suco de laranja e outros produtos, inclusive produtos manufaturados,
04:36poderia colocar em risco a própria popularidade do presidente americano aqui nos Estados Unidos.
04:42E a segunda parte dessa guinada tem a ver com o fato de que o Brasil é um parceiro estratégico
04:50para os Estados Unidos no momento em que os Estados Unidos viram todos os seus canhões
04:55para a América Latina e para os países dos BRICS.
04:58O Brasil tem aí algo a contribuir com os Estados Unidos,
05:02porque o Brasil é uma democracia no meio dos BRICS,
05:04que é um bloco cada vez mais autoritário na sua composição,
05:08e o Brasil, ao mesmo tempo, é uma potência latino-americana,
05:12que é uma região que o Trump vê como sua esfera natural de influência, de poder.
05:17Então, virar essa chave com relação ao Brasil
05:20proporcionou ao governo americano uma abertura de um canal de diálogo
05:24que é muito importante para que o Trump siga levando adiante as suas próprias políticas
05:29com relação à Venezuela, com relação à China.
05:31Então, eu acredito que houve uma realização, uma epifania geopolítica, digamos assim,
05:38que fez com que o governo americano mudasse um pouco de rumo
05:40a partir daquele encontro na Assembleia Geral.
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