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Com mediação de Marco Antonio Villa, Visão Crítica promove uma análise aprofundada dos principais acontecimentos do dia. A cada edição, convidados com diferentes perspectivas se reúnem para debater os fatos mais relevantes do cenário político, econômico e social do Brasil e do mundo.

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00:00:00Visão Crítica
00:00:08Olá, estamos começando o nosso
00:00:12Visão Crítica de hoje, discutindo
00:00:14política internacional. Vocês
00:00:16estão cansados, nós falamos
00:00:17sempre do Brasil, o julgamento do
00:00:19Bolsonaro por semanas. Então, é
00:00:22necessário a gente ver que tem
00:00:23outras questões super importantes
00:00:25para o Brasil, como a questão da
00:00:28política internacional. Evidente,
00:00:30algumas delas que estão colocadas
00:00:32no nosso dia a dia, na nossa
00:00:33conjuntura. É estranho, em certos
00:00:36momentos, as discussões internacionais
00:00:38não faziam parte do debate político
00:00:40brasileiro. Mas, nos últimos anos,
00:00:42para o bem, eu acho, a questão da
00:00:46política externa brasileira passou a
00:00:47ser uma discussão pública. Nem
00:00:48sempre um bom nível, com bom
00:00:51conhecimento, mas algum tipo de
00:00:53discussão. E aqui, no Visão Crítica,
00:00:55nós temos como pressuposto, como
00:00:57dizia o antigo filósofo italiano, que
00:00:59foi muito preso durante um longo
00:01:00período, durante o fascismo na Itália,
00:01:03o senso comum é a filosofia das
00:01:05massas. A gente faz o oposto, né? A gente
00:01:07quer quebrar o senso comum e tentar
00:01:09discutir as grandes questões que são
00:01:12centrais no Brasil. E mostrar que é
00:01:15possível a convivência de ideias
00:01:17diferentes, a pluralidade e a essência
00:01:19da democracia. Então, o programa sempre
00:01:22fez isso e nos últimos quatro meses
00:01:24que nós temos o programa em todas as
00:01:26áreas, inclusive na discussão de
00:01:28relações internacionais. E hoje, temos
00:01:31o prazer de receber o professor Danilo
00:01:33Porfirio, professor de relações
00:01:34internacionais, já esteve conosco,
00:01:37especialista Oriente Médio do
00:01:39Uniceub. Com muita honra, o embaixador
00:01:42Rubens Barbosa, embaixador do Brasil em
00:01:45Londres e Washington, né? E a
00:01:48professora Natália Finger, professor de
00:01:49relações internacionais da escola da
00:01:52SPM. Eu começaria, até pela
00:01:55antiguidade, veja, com o professor Rubens,
00:01:58com o professor e embaixador Rubens
00:02:00Barbosa. Eu vou colocar uma questão
00:02:04bem atual. Nós temos, claro, as questões
00:02:06que envolvem o Oriente Médio, a
00:02:09tensão, as questões da faixa de Gaza. O
00:02:12acordo, pra mim, surpreendente, entre o
00:02:15Paquistão e a Arábia Saudita,
00:02:17recentemente, né? Que pode envolver até
00:02:20uma transferência de tecnologia
00:02:21militar do Paquistão, que é um país que
00:02:24tem a bomba atômica, uma OTAN
00:02:26islâmica, entre aspas, etc. Mas eu não
00:02:29queria ir pra esse ponto, porque afinal
00:02:31são tantas coisas importantes pra ser
00:02:32discutidos. Eu colocaria pro
00:02:35embaixador Rubens Barbosa a questão da
00:02:38Assembleia Geral da ONU. Por tradição, o
00:02:40Brasil é o primeiro a falar. Se causou
00:02:43estranheza a fala do presidente Lula e
00:02:46depois, em seguida, a fala do
00:02:49presidente Trapil. Obrigado, senhor, ter
00:02:51aceito o nosso convite.
00:02:53Olha, eu acho que o que o presidente Lula
00:02:56mencionou no discurso foi uma repetição do que
00:03:01era a posição tradicional do Brasil, né?
00:03:04Nesses últimos anos, a posição nossa foi
00:03:08crítica, não é? Da ação do governo
00:03:11Natanil. Eu acho que ele reiterou todas as
00:03:16afirmações que ele fez aqui antes e com
00:03:20muito vigor, ficou muito forte no discurso
00:03:24das Nações Unidas. E foi, coincidiu com a
00:03:29reunião, né? Que foi feita na véspera da
00:03:32abertura, em que acho que onze países, no
00:03:37final, né? Reconheceram a política do segundo
00:03:42estado. E que vem da ONU também, né? Em 1947,
00:03:48quando a ONU aprovou a constituição do
00:03:52estado de Israel e do estado palestino. Houve uma
00:03:57uma reação muito negativa por parte dos
00:04:00estados dos palestinos, né? E isso é uma
00:04:05guerra, né? Nós já tivemos guerra dos cem
00:04:07anos e tal. Essa é uma guerra que vem há
00:04:10oitenta anos, né? E agora ficou mais
00:04:14difícil ainda, porque mais de cento e
00:04:17cinquenta países reconhecem a necessidade
00:04:21para se chegar a um acordo de paz lá,
00:04:24reconhece a necessidade de ter um segundo
00:04:26estado, quando Israel está fazendo
00:04:29exatamente o contrário com o apoio dos
00:04:32Estados Unidos. Então, é uma situação
00:04:34muito complexa. Eu acho que esse apoio
00:04:37das lideranças europeias, agora, França,
00:04:40Inglaterra, Portugal, né? Ela é importante
00:04:44politicamente, mas eu acho que vai ter
00:04:46pouco efeito prático. Enquanto os Estados
00:04:49Unidos continuarem a apoiar Israel, nada
00:04:52vai mudar, porque Israel agora, na minha
00:04:55visão, se tornou uma potência militar, né?
00:05:00Além de ter bomba atômica, tem um poderio
00:05:04militar crescente, declarou agora que vai
00:05:09constituir uma política de defesa
00:05:12independente, vai construir os seus
00:05:15equipamentos militares e só é possível ser
00:05:18feito com apoio americano, porque depois
00:05:22desses anos todos de guerra, né? Desse ano
00:05:25todo de guerra e com os gastos que Israel
00:05:27está tendo, inclusive humanos, né? É uma
00:05:31reação da sociedade, a economia está
00:05:35passando por um momento muito difícil. Então,
00:05:38eu acho que essa situação complicou ainda
00:05:41mais agora, né? Com tudo isso, com toda essa
00:05:45pressão sobre Israel e com Israel se
00:05:49mantendo a sua posição e dobrando a
00:05:52aposta. Primeiro-ministro disse que não vai
00:05:54existir nunca o Estado de Israel, o Estado
00:05:57de Palestina. Então, aí nós temos agora essa
00:06:01posição americana, que é o único garantidor
00:06:04da posição inflexível de Israel.
00:06:10Professora Natália Fingerman, justamente pegando
00:06:16esse gancho do embaixador Rubens Barbosa,
00:06:19houve agora recentemente esse grande
00:06:22reconhecimento de vários países importantes
00:06:25do Estado Palestino. E quando nós olhamos
00:06:29hoje o desenho do mapa da região, nós temos
00:06:32Israel, tem a Cisjordânia e a faixa de gás. E no
00:06:36meio tem o Estado de Israel. A faixa de gás passando
00:06:40pelas situações que nós já sabemos, né? Muito
00:06:43complexas. Se é um genocídio ou não. Eu sei que é uma
00:06:46discussão de conceito sobre genocídio, mas é uma
00:06:49tragédia que lá está ocorrendo. Se quiser
00:06:51substituir por uma tragédia humanitária, é uma
00:06:54tragédia humanitária. E a Cisjordânia com ameaça,
00:06:57inclusive, do atual governo de Israel, não do
00:06:59Estado de Israel. Vamos sempre separar Estado e
00:07:01governo. Porque a única democracia no Oriente
00:07:04Médio é Israel, eu faço sempre questão de acentuar
00:07:06isso, mas esse atual governo, que se tiver
00:07:09eleições perde, está fazendo todo o possível de
00:07:12manter a guerra para não ter eleições, mas ameaça
00:07:15até incorporar o território de Israel a Cisjordânia,
00:07:18o que seria um ato realmente de agressividade
00:07:21máxima. E atacou recentemente o Catar de forma
00:07:24surpreendente, criando muita tensão na região.
00:07:27Como que a senhora avalia essa situação?
00:07:29Uma situação... Bom, primeiro, obrigada, né, Vila, pelo
00:07:34convite. Um prazer estar aqui, um prazer, né, estar aqui
00:07:37acompanhada com companhias tão de alto nível. Fico muito
00:07:41feliz. Olha, eu vejo essa situação sendo uma situação de
00:07:47muita instabilidade para os demais países do Oriente
00:07:49Médio, né? O Catar, que é, vamos dizer assim, um intermediador
00:07:53muito importante na região, que exercia esse papel de
00:07:56intermediação e atuava dessa maneira já faz alguns anos e
00:08:01com muito respeito, tanto pelos países árabes quanto por
00:08:04Israel, né? Tinha essa, essa, esse fato de ser um país
00:08:08neutro, que garantia uma certa, né, credibilidade frente aos
00:08:13demais atores, se sentiu ameaçado. Isso coloca Israel numa
00:08:18situação de isolamento ainda maior, né? Frente aos países da
00:08:23região, que se sentem numa situação de ameaça, né? Não é
00:08:30somente o Irã que é ameaçado, mas eles também se veem como
00:08:33potenciais, vamos dizer assim, núcleos de ataque, de ameaça.
00:08:38Então, é uma situação muito delicada. Eu acredito que a gente
00:08:42precisava ter um reposicionamento do governo norte-americano em
00:08:48relação a Israel para resolver essa situação de uma vez por
00:08:52todas, mas também vejo que os países europeus tomaram uma
00:08:58decisão agora, que do meu ponto de vista é tardia e de um impacto
00:09:03limitado. Por muito menos outros países do mundo sofreram sanções
00:09:08econômicas, por muito menos. Então, caberia à Europa e alguns
00:09:14países, né, importantes do mundo tomarem uma posição sobre impor
00:09:19sanções a Israel. E parece que fica sempre uma espera sobre um
00:09:23posicionamento norte-americano.
00:09:27É, professor Danilo Porfiro, eu tava dando uma diagonal ontem e hoje na
00:09:31imprensa lá da região, em alguns dos jornais falando desse recente
00:09:38acordo Arábia Saudita-Paquistão. E alguns falavam até desses
00:09:43jornais numa OTAN islâmica. Era expressão usada numa das matérias.
00:09:49E é bom lembrar, pra quem nos acompanha, que o Paquistão é um país que tem
00:09:53bomba atômica. É a bomba atômica, entre aspas, islâmica. E aí tem a ver
00:09:57com os conflitos históricos com a Índia, especialmente pela questão da
00:10:00Caxemira. Desde o momento da independência mal feita, vai lembrar, em
00:10:051947, 48, que deu numa confusão que parece que não há solução também a
00:10:11curto prazo. Eu não sei também que outra solução teria, mas a solução
00:10:15adotada naquele momento histórico não foi das mais felizes. Bem, o que
00:10:20interessa é que esse acordo faz com que haja um desequilíbrio de forças na
00:10:24região do Golfo Perso. Arábia Saudita é uma inimiga histórica do Irã e
00:10:28milenar. É bom lembrar, se nós só se puxar o fim da história, chegaremos lá em
00:10:32Sírio da Pérsia. Portanto, é uma história muito longa. Mas pra não irmos tão
00:10:36longe, pra irmos um momento contemporâneo. O embaixador Rubens Barbosa
00:10:42lembrou que Israel é uma potência militar e demonstra isso a todo momento. O
00:10:46ataque ao Catar foi isso. Provavelmente com uma concordância ou com uma missão dos
00:10:52Estados Unidos. Afinal, a frota naval norte-americana, a maior parte, estava
00:10:56estacionada justamente no Catar. Como é que o senhor vê essa questão? Que, de um lado,
00:11:01nós temos a tragédia da faixa de gás e não existe solução, aparentemente, a
00:11:05curto prazo. E não vai virar uma riviera francesa. Isso é um delírio, né?
00:11:10Creio. A questão da Cisjordânia, que é um problema. Temos agora essa questão do
00:11:16acordo Arábia Saudita-Paquistão. E tem as questões do Irã, porque é bom lembrar que
00:11:21recentemente, há cerca de um mês e pouco, um pouco mais, o Israel bombardeou também o
00:11:27Irã. Houve uma resposta tímida do Irã, em termos militares, inclusive. Ou mostrando
00:11:32fraqueza, ou buscando algum outro tipo de negociação. Eu pergunto ao senhor, e aí, como é que ficamos
00:11:38nessa situação?
00:11:40Bom, vamos começar pelo Paquistão e pela Arábia Saudita. E por esse rearranjo dos países do
00:11:48Islã político sunita, sunita. Pra mim não foi, professor Vila, é surpreendente ver essa
00:11:58composição entre Paquistão e Arábia Saudita. A Arábia Saudita e o Paquistão já tem, professores,
00:12:07um relacionamento histórico, histórico desde, institucionalmente, desde o governo do ditador
00:12:17general Zia. Nos Zia, no final dos anos 60 e início dos anos 70. Temos que lembrar também
00:12:29que a Arábia Saudita com o Paquistão articulou todo um processo de resistência em relação à
00:12:40invasão soviética no Afeganistão com apoio dos norte-americanos. Então, nós temos essa
00:12:47relação antiga, sem contar, professor Vila, que ideologicamente, e aqui volto no General
00:12:55Zia, o Paquistão tem uma grande simpatia pelo pensamento político-religioso, o Arrabita.
00:13:04O Arrabita.
00:13:04O Arrabita. Lembremos do grande ideólogo da década de 50, que até hoje inspira jihadistas,
00:13:13chamado Maldúdi, o grande mentor. Inclusive inspirou saída Qtab na Irmandade Muçulmana no Egito
00:13:24ao longo da década de 60 e 70. Pois bem, o que eu observo nessa aliança? Eu observo que
00:13:33há interesse dos sauditas em reafirmar um protagonismo como potência regional dentro
00:13:45do grande Oriente Médio. Quando eu falo grande Oriente Médio, professor Vila, eu estou falando
00:13:49do quê? Do Paquistão até o quê? O norte da África. O grande Oriente Médio. Esses elos
00:13:56culturais, tradicionais, religiosos, não são apenas geográficos. E a Turquia no meio?
00:14:02Este é o ponto. Tem dois agentes, dois agentes, professor, que estão, vamos dizer, correndo
00:14:10em paralelo. A Turquia. Por que digo a Turquia, professor? Lembre-se que turcos são muçulmanos,
00:14:20mas não são árabes. Exato. E há sempre um peso histórico sobre o quê? A ação otomana
00:14:27dentro da região árabe. E segundo, o modelo de islã político da Turquia é muito mais próximo
00:14:36daquilo que é pensado dentro da Irmandade Muçulmana do que entre sauditas e satélites
00:14:43da Arábia Saudita. Há diálogos, mas não existe necessariamente alinhamento. E o Irã,
00:14:51obviamente, e aquilo que restou dos seus satélites, estão vinculados a um outro tipo de pensamento
00:14:57islâmico político, que é o islã xiita, que foi construído em torno da Revolução
00:15:03Islâmica. Em torno da Revolução Islâmica. E do outro lado, professor Vila, para salientar,
00:15:09também é muito interessante ao Paquistão. Porque a gente só enfatizou aqui a questão
00:15:13da transferência de tecnologia nuclear para a Arábia Saudita. Reforçando o protagonismo.
00:15:19Mas nós temos que lembrar que o Paquistão está no momento de fragilização. As duas potências
00:15:27antagônicas ao Paquistão, China e Índia, se agigantam. Enquanto o Paquistão vive uma eterna
00:15:37crise político-econômica. Então, retorna o papel dos sauditas e dos países do Golfo,
00:15:46orbitais aos sauditas, uma fonte efetiva de financiamento, de apoio ao status quo paquistanês
00:15:57diante dessa realidade militar, principalmente demonstrada nesse último conflito entre Índia
00:16:04e Paquistão. Eu digo a quem nos acompanha que é importante vocês olharem. Eu, no passado,
00:16:12do longínquo, eu fiz o ginásio, que é o fundamental 2 hoje. Eu gostava muito de geografia. Não sei se
00:16:19fosse por causa da professora, mas eu gostava muito de geografia. Estudava lá os mapas, entendia.
00:16:25É muito importante para vocês que estão nos acompanhando, depois, se vocês puderem, dar uma
00:16:31olhadinha no plano de esfera para entender onde estão esses países e essas questões que nós estamos
00:16:36destacando, o que elas significam no campo geopolítico. Para entender, quando nós falamos
00:16:41da Índia, há um pouco atrás, é porque no momento da independência da Índia, a solução inglesa não foi
00:16:48das melhores, porque ficou a Península Indiana como Índia, Paquistão Ocidental e Paquistão Oriental.
00:16:55E, no meio, a Índia. Bem, onde tinha maior, no Paquistão Oriental e Ocidental, a maioria
00:17:02muçulmana e, na Índia, apesar de uma minoria muçulmana, que hoje são mais de 100 milhões,
00:17:08porque as minorias na Índia todas são em milhões. Mas, foi assim, e uma parte da população
00:17:13teve de se deslocar ou para o Paquistão Oriental ou para o Paquistão Ocidental. O Paquistão Oriental,
00:17:18no início dos anos 70, virou Bangladesh. Uma guerra tenebrosa, um país muito pobre. Teve agora, acho que o
00:17:24primeiro grande concerto de rock em defesa dos povos oprimidos foi o de Bangladesh. Foi o
00:17:31George Harrison que fez, faz bastante tempo. Consultem quem é George Harrison, porque o
00:17:36passado, eu tenho que lembrar que algumas referências nem sempre vocês, mas nós, vão se lembrar.
00:17:41Então, a questão toda ali é muito complicada. E tem bons livros, inclusive, da discussão
00:17:46do Gandhi e o Churchill, que o Churchill não gostava do Gandhi. E era recíproco também.
00:17:51E por aí vai. Temos aí, e a partir de então, a decadência inglesa se acentua com a perda
00:17:58da Índia e pelo sacrifício para a humanidade que a Inglaterra fez durante a Segunda Guerra Mundial,
00:18:05que a gente não deve se esquecer e o papel do Winston Churchill.
00:18:09Aí eu pergunto ao embaixador Rubens Barbosa. São questões complexas, quem nos acompanha,
00:18:14quando nós estamos falando do Oriente Médio, falamos da questão da Cisjordânia,
00:18:17que é a região que foi ocupada com Israel na guerra de 1967, que originalmente, na partilha
00:18:25que o senhor falou, em 1947, seria a Palestina. E na faixa de Gaza também seria a Palestina.
00:18:32Acabou uma o Egito, outra a Transjordânia, que virou Jordânia, ocupando.
00:18:37Saindo um pouco disso, olhando o Brasil, onde nós temos uma forte presença.
00:18:41A maior colônia libanesa no mundo está no Brasil. Temos uma forte colônia também de Síria,
00:18:47mas não com o número de libaneses. Tem uma presença de judeus no Brasil muito grande,
00:18:51que não é tão grande como a da Argentina, aqui no caso da América do Sul.
00:18:56E tem uma presença de palestinos na região norte do Brasil, em torno de Manaus.
00:19:02Temos aqui no estado de São Paulo e assim por diante.
00:19:06Como é que o governo brasileiro, numa situação tão complexa como essa, e não é fácil?
00:19:13Provavelmente, eu brinco, embaixador, que eu sinto saudades da Guerra Fria.
00:19:17Ao menos a coisa parecia ser um pouco mais fácil.
00:19:20Tinha o bom Nelson, parecia ser. Tinha o Nelson Vértica e os Estados Unidos.
00:19:24Agora as coisas são muito mais complexas.
00:19:26Como é que o Brasil deve se posicionar sobre isso,
00:19:30dentro das nossas limitações econômicas, políticas e militares?
00:19:33No governo Lula II, por fim, e eu passo a palavra ao senhor,
00:19:38o Brasil quis até fazer uma intervenção, que acabou não sendo muito feliz,
00:19:42junto com a Turquia, sobre o programa iraniano.
00:19:44Eu me lembro que na época eu escrevi um artigo na Folha de São Paulo,
00:19:48chamado Saudades do Barão.
00:19:50O Barão é o Barão do Rio Branco, porque não foi meio desastrosa aquela ação brasileira.
00:19:54Hoje, como é que o Brasil, em termos diplomáticos, deve se situar nessa região?
00:19:59Como se posiciona?
00:20:00Olha, eu acho que nesse complexo mundo que está surgindo,
00:20:07sem instituições sólidas, com cada país defendendo o seu interesse,
00:20:15eu acho que o eixo da política comercial, da política econômica brasileira está mudando.
00:20:23Nesses últimos 15 anos, o comércio exterior brasileiro se voltou para a Ásia.
00:20:3250% do comércio exterior brasileiro hoje é com os países dessa região.
00:20:41Só na parte agrícola, 40% é com a China.
00:20:44Então, hoje, o Brasil, dentro dessa tensão global entre os Estados Unidos, China,
00:20:53e esse complexo cenário internacional, não tem alternativa.
00:20:58O Brasil é um país, eu considero, não a potência média regional,
00:21:05é um país com uma extensão continental, como nós sabemos,
00:21:08nós temos 210 milhões de habitantes, uma das 10 maiores economias do mundo.
00:21:14O Brasil não é um país pequeno.
00:21:16O Brasil tem, se tivesse uma visão estratégica, uma visão de médio prazo,
00:21:23com uma atenção voltada para os problemas internos,
00:21:28que repercutem nessa inserção externa do Brasil,
00:21:32o Brasil hoje não tem alternativa.
00:21:36Nós somos um país ocidental, ninguém nega isso.
00:21:39Estados Unidos é nosso segundo parceiro,
00:21:41nós temos interesses aqui na região, na América do Sul,
00:21:45mas nesses últimos 15 anos, a nossa política se diversificou,
00:21:50a política comercial, econômica,
00:21:52nós estamos com uma grande parceria com a China e com a Ásia.
00:21:56Então, nós não temos alternativa.
00:21:57O Brasil não pode se alinhar, na minha visão,
00:22:02não pode se alinhar com nenhum país, nem com um grupo de países.
00:22:08A gente tem que ter uma política de equidistância em relação aos Estados Unidos,
00:22:13em relação à China, em relação aos BRICS.
00:22:17Nós temos que ter uma posição que coloque os interesses brasileiros em primeiro lugar.
00:22:22Não tem saída.
00:22:23Eu hoje acho que a melhor política externa dentro desse mundo que nós estamos vivendo é a da Índia.
00:22:34A Índia hoje tem uma posição com um pé em cada canoa.
00:22:41A Índia está com um conflito, que agora parece, vai,
00:22:45pelo menos nessa última visita do Modi à China,
00:22:48deve ter sido conversado, uma guerra tradicional com a China.
00:22:55E ela faz parte de uma aliança estratégica no mar do sul da China,
00:23:02com a Austrália, com o Japão, com um outro país e eles, com a Índia.
00:23:12Então, e faz parte dos BRICS junto com a China.
00:23:19E estava aliada até há pouco tempo com os Estados Unidos,
00:23:25que usavam a Índia como contenção da China.
00:23:28Hoje a Índia se aproxima politicamente da Índia.
00:23:32Então, está havendo uma grande mudança no quadro geopolítico global.
00:23:39E para o Brasil, nós, com um comércio exterior em expansão,
00:23:44sobretudo por causa do agro, não é?
00:23:46E o Brasil, nos próximos anos, há estudos mostrando que com o aumento da população
00:23:52para cerca de 9,5, 10 bilhões de pessoas daqui a 20 anos,
00:23:58nós vamos ter uma demanda de alimentos muito grande.
00:24:02E a Ásia vai ser a área que vai requerer mais alimentos,
00:24:09pela melhoria do padrão de vida da já boa classe média chinesa.
00:24:16Vai haver um aumento também da renda na Índia.
00:24:20Os outros países asiáticos vão também demandar mais alimentos.
00:24:23E segundo estudos da FAO, desse aumento da demanda,
00:24:2740% vai ser atendida pelo Brasil, além dos Estados Unidos e da União Europeia.
00:24:34Então, nós não temos interesse em nos alinhar, na minha visão,
00:24:39não temos interesse em nos alinhar com quem quer que seja.
00:24:42A gente tem que defender os interesses brasileiros,
00:24:46os interesses do agro brasileiro, da indústria brasileira.
00:24:50E nós temos que voltar as nossas políticas, as nossas visões
00:24:57para as vulnerabilidades que esse mundo em transformação estão mostrando.
00:25:04Quer dizer, são vulnerabilidades estruturais, vulnerabilidades conjunturais
00:25:09que vão ter que ser, de uma maneira ou de outra,
00:25:15atendidas ou remediadas com políticas internas.
00:25:19Então, a gente tem que começar a fazer uma análise interna
00:25:23do que nós precisamos fazer.
00:25:25Temos que fazer, completar reformas para diminuir o custo Brasil,
00:25:30para aumentar a competitividade das exportações brasileiras.
00:25:35E temos que mudar várias concepções nossas em relação à educação,
00:25:41em relação à saúde, em relação à defesa,
00:25:44porque o mundo mudou.
00:25:45Quer dizer, se a gente não entender que o mundo mudou,
00:25:47nós vamos ficar para trás.
00:25:49O mundo não vai esperar o Brasil avançar.
00:25:52O mundo vai avançar.
00:25:54Se o Brasil não avançar, o Brasil vai ficar para trás.
00:25:57É, eu sempre brinco aqui que nós criamos uma categoria recente no Brasil
00:26:02de bi-patrioto, nunca vi.
00:26:04Mas é uma categoria brasileira, igual Jabuticaba, né?
00:26:07O bi-patrioto.
00:26:08O cara está com a bandeira americana e a bandeira brasileira.
00:26:11Isso realmente eu...
00:26:13Oi?
00:26:14A bandeira de Israel.
00:26:15De Israel também, é verdade.
00:26:17Você pode chegar ao limite do tri.
00:26:19Eu conheço o tricampeonato de 1970 e tal.
00:26:22Até a musiquinha do melhor Gustavo.
00:26:24Agora, nós estamos vendo uma situação meio anômblida,
00:26:30inclusive até de falta de compreensão.
00:26:33Uma vez, numa das manifestações aqui na Paulista,
00:26:35uma senhora, duas senhoras que estavam com a bandeira de Israel,
00:26:38foram perguntar que identificação ela tinha com Israel.
00:26:42Ela falou, é um grande país cristão.
00:26:43É um grande país cristão.
00:26:45Ela não tinha a mínima ideia do que é Israel.
00:26:47Não é que Israel é menos por não ser um país cristão.
00:26:50Ela não tinha ideia do que significava a questão de Israel.
00:26:54E, no fundo, é uma visão antissemita,
00:26:57porque Jesus só voltará à terra quando for libertada dos infiéis,
00:27:02que seriam os muçulmanos, e convertendo todos os judeus.
00:27:05É bem bacana essa visão pseudo-evangélica.
00:27:08Eu digo isso porque eu leio, estudo isso, em certa época,
00:27:11por obrigação de ofício,
00:27:13foi obrigar a estudar essas questões que não me agradam muito.
00:27:18Mas, professor Natália, se nós pensarmos isso,
00:27:21que eu estava indicando o embaixador,
00:27:23nós tivemos relações históricas,
00:27:25é evidente, entre boa parte do século XIX e início do século XX,
00:27:29com a Inglaterra.
00:27:30Era a nossa principal relação.
00:27:33A partir de certo momento, especialmente a partir dos anos 30 do século passado,
00:27:39as relações dos Estados Unidos se aprofundaram,
00:27:42mas ainda por causa da política da boa vizinhança,
00:27:44e já se aproximando da Segunda Guerra Mundial.
00:27:47E quando os Estados Unidos, graças ao maior presidente da história americana,
00:27:51na minha leitura, evidentemente,
00:27:52que foi o presidente Franklin Roosevelt,
00:27:55e que em 1934 acabou essa história das intervenções militares americanas,
00:28:00especialmente na América Central.
00:28:02Basta lembrar o caso de Cuba, Nicarágua, etc.
00:28:05Então, a história mudou.
00:28:08E o Brasil, depois, entrando na guerra,
00:28:11algo que a Argentina não fez,
00:28:13ou melhor, a Argentina não fez em março,
00:28:14a guerra acabou em maio na Europa.
00:28:16Foi bem bacana a colaboração argentina na Segunda Guerra Mundial,
00:28:20diferente do Brasil,
00:28:21que enviou tropas à Itália na Força Expedicionária Brasileira.
00:28:25Mas eu coloco a senhora a seguinte questão.
00:28:28Nessa situação, quando coloca o embaixador,
00:28:31há uma transferência,
00:28:33estou exagerando um pouco,
00:28:35mas do eixo econômico hoje do mundo,
00:28:37da região Ásia Pacífica.
00:28:38Lembra um pouco o início do século XIX,
00:28:43quando as grandes potências estavam além da Índia e da China,
00:28:47lá por volta de 1810 e tal.
00:28:49Aí, por uma série de razões,
00:28:50o Ocidente acaba ocupando o Oriente.
00:28:53Agora, nessa situação,
00:28:55como é que o Brasil,
00:28:56que historicamente é um país ocidental,
00:28:58200 anos em relação com os Estados Unidos,
00:29:01as relações com a Inglaterra,
00:29:03com a Europa,
00:29:04as referências culturais são todas essas,
00:29:06ou dos Estados Unidos, ou da Europa,
00:29:08mas o mundo se transferiu para a região,
00:29:10inclusive, que nós não temos acesso direto.
00:29:13Afinal, somos um país atlântico e tal.
00:29:16Como é que fica?
00:29:17Porque eu encontrei,
00:29:18eu estava em Brasília semana passada,
00:29:20para entrevistar o ex-presidente supremo,
00:29:24a Iris Brito,
00:29:25e uma atriz de Sá,
00:29:26que disse que a China está tomando o Brasil,
00:29:28hoje o Brasil é um país comunista,
00:29:29ele me explicou,
00:29:30o Brasil é um país comunista,
00:29:32obviamente que eu não discordei,
00:29:33porque ele estava ganhando o carro,
00:29:34o Brasil é um país comunista,
00:29:36sob domínio da China.
00:29:39Eu não sei onde tem comunismo,
00:29:41socialização dos meios de produção,
00:29:43partido único, etc.
00:29:45E onde nós estamos falando,
00:29:46o mandarim também.
00:29:48Mas tudo bem,
00:29:49eu estava chegando no meu local,
00:29:50eu falei, não vamos discordar.
00:29:51Aí eu pergunto para a senhora,
00:29:53como é que nós vamos,
00:29:55estamos paulatinamente,
00:29:56a economia mostra isso,
00:29:57os dados econômicos,
00:29:58deslocando o nosso comércio,
00:30:00as nossas relações com o Oriente.
00:30:03Como é que fica a seguinte questão?
00:30:05Eu sei que é fácil perguntar,
00:30:06a resposta deve ser complexa.
00:30:08Quando nós tínhamos relação com a Inglaterra,
00:30:11largo momento,
00:30:12e depois os Estados Unidos,
00:30:13nós tínhamos uma mesma cultura.
00:30:15A cultura ocidental,
00:30:16o cristianismo,
00:30:18determinados valores,
00:30:19a influência ideológica nossa,
00:30:21era muito maior da França,
00:30:22do que da Inglaterra,
00:30:24do que dos Estados Unidos,
00:30:24em certo momento.
00:30:26A nossa república é um produto
00:30:27da terceira república francesa.
00:30:30Só que agora,
00:30:30as nossas relações
00:30:31são fundamentalmente econômicas.
00:30:33Mas no campo cultural,
00:30:35político e ideológico, não é.
00:30:37Como é que vai ser daqui para frente?
00:30:39Eu sei que não é pitonismo,
00:30:40nós não estamos no oráculo de idelfos,
00:30:42mas como é que vai ser?
00:30:43Porque é um negócio tão novo,
00:30:45e nós estamos no meio do novo.
00:30:46E aí?
00:30:48Eu acredito que isso não é um problema
00:30:50para o Brasil,
00:30:50como não é um problema para a China.
00:30:52A China,
00:30:53ela,
00:30:54diferentemente,
00:30:55dessas potências anteriores,
00:30:58que você mencionou,
00:30:59com as relações com a Inglaterra,
00:31:02as relações com os Estados Unidos,
00:31:04sempre vinculava as suas relações econômicas
00:31:06com relações culturais.
00:31:08A China,
00:31:09ela não atua dessa maneira,
00:31:12não simplesmente com o Brasil,
00:31:15mas em relação ao mundo.
00:31:17Ela tem um pragmatismo
00:31:18nas suas relações,
00:31:19ela mantém esse pragmatismo,
00:31:23e o Brasil,
00:31:24acho que também tem trabalhado dessa forma.
00:31:26E a China pode fazer uma colaboração muito importante,
00:31:29quando a gente fala de custo Brasil,
00:31:31que o embaixador mencionou,
00:31:33é investimento em infraestrutura.
00:31:34Hoje,
00:31:35o maior custo da nossa exportação
00:31:37está pelo fato do Brasil
00:31:39não ter infraestrutura adequada.
00:31:42Então,
00:31:42a gente tem um problema
00:31:42nas nossas rodovias,
00:31:44falta ferrovias,
00:31:45é muito importante que o Brasil
00:31:47desenvolva essa ferrovia
00:31:49ligando ao Pacífico.
00:31:51Se o nosso maior comércio
00:31:52está com a Ásia,
00:31:54com a região da Ásia,
00:31:54a gente precisa ter uma saída
00:31:55pelo Pacífico.
00:31:57É importante a gente conseguir
00:31:59se conectar ao porto do Peru,
00:32:01que foi construído recentemente pela China.
00:32:04Então,
00:32:05eu acredito que,
00:32:06em termos de investimento,
00:32:08a China entrega rápido.
00:32:10Eu tive a oportunidade de morar na África
00:32:12durante o meu doutorado,
00:32:14e a mudança que a China...
00:32:15Que país?
00:32:16Morei em Moçambique.
00:32:17Ah, tá.
00:32:18E a mudança que a China fez
00:32:19na paisagem moçambicana
00:32:21foi impressionante.
00:32:22Então,
00:32:22eu morei em Moçambique em 2013,
00:32:24retornei várias vezes ao país.
00:32:26E,
00:32:27nesse período que fui retornando,
00:32:28na última vez foi em 2019,
00:32:30antes da pandemia,
00:32:31você percebia a modificação.
00:32:34Ela conseguiu construir, assim,
00:32:36pontes,
00:32:37infraestrutura, né?
00:32:40Aeroportos,
00:32:41portos,
00:32:41ferrovias,
00:32:42em regiões que não tinham nada.
00:32:45Então,
00:32:45do meu ponto de vista,
00:32:47é muito interessante essa parceria,
00:32:49e essa parceria não deve se limitar
00:32:51ao comércio.
00:32:52Mas acho que a questão do investimento
00:32:54pode ser muito benéfica
00:32:55para o Brasil no longo prazo.
00:32:57E a questão cultural,
00:32:59ela não vai se impor.
00:33:00os chineses não buscam
00:33:02impor a sua cultura.
00:33:04Pelo menos,
00:33:05por enquanto.
00:33:06O futuro,
00:33:06não sabemos.
00:33:07Mas,
00:33:07por enquanto,
00:33:08eles têm essa visão
00:33:09muito pragmática
00:33:10nos relacionamentos
00:33:11com os países, né,
00:33:13aí do mundo
00:33:14que eles se relacionam.
00:33:15Você falou em Moçambique,
00:33:17professor,
00:33:18eu me lembrei do Mia Couto,
00:33:19que é um grande escritor moçambicano.
00:33:21Leio Mia Couto.
00:33:24É um prazer de almoçar com você.
00:33:25É.
00:33:26Esse é grande,
00:33:27porque nós temos uma literatura portuguesa,
00:33:29em língua portuguesa na África,
00:33:31em Angola,
00:33:32José Landino Vieira,
00:33:34né,
00:33:34A Vida Verdadeira e Domingos Xavier,
00:33:38que é um clássico.
00:33:39Temos em Guiné-Bissau
00:33:40e temos em Moçambique.
00:33:43E nos anos 70,
00:33:44no Brasil,
00:33:45em plena ditadura,
00:33:46na segunda metade dos anos 70,
00:33:47a editora ática,
00:33:48que era uma grande editora,
00:33:49tinha uma coleção
00:33:50de literatura africana.
00:33:52Você veja que...
00:33:54E aí é o que eu conheci também,
00:33:55até um pouco de Cabo Verde e tal.
00:33:59E se você falou de Moçambique,
00:34:01esse...
00:34:01Puxo,
00:34:01e o Mia Couto,
00:34:02especialmente,
00:34:03estou me lembrando agora
00:34:04de um dos livros dele,
00:34:05fiquei muito impressionado.
00:34:06Inclusive,
00:34:06a influência da Índia, né,
00:34:08em Moçambique,
00:34:09histórica,
00:34:10a gente vai aprendendo aí.
00:34:11E a literatura,
00:34:12nos ensina muito.
00:34:14Embaixador Rubens Barbosa,
00:34:16nessa nova conjuntura,
00:34:19o senhor,
00:34:20quando entrou no Itamaraty,
00:34:23eu queria que o senhor
00:34:24pudesse nos falar o ano,
00:34:25era naquele momento
00:34:26que nós tínhamos
00:34:27um alinhamento muito forte
00:34:28com os Estados Unidos,
00:34:29não é verdade?
00:34:30Isso foi quando,
00:34:31mais ou menos,
00:34:31quando o senhor começou a...
00:34:33Foi o estudante lá
00:34:34no Instituto Rio Branco,
00:34:36entrou no Itamaraty,
00:34:37quando é que foi?
00:34:3860.
00:34:3960.
00:34:39A influência...
00:34:40A influência...
00:34:41era o presidente
00:34:41Eisenhower lá nos Estados Unidos,
00:34:43foi aquele que cunhou a expressão
00:34:46complexo industrial-militar,
00:34:48é dele,
00:34:48no último discurso.
00:34:50E olha que nós estamos falando
00:34:51do general comandante
00:34:52das forças aliadas na Europa.
00:34:54Em 60,
00:34:54nós tínhamos uma proximidade.
00:34:56No ano seguinte,
00:34:57em 61,
00:34:57embaixador,
00:34:58se eu estiver errado,
00:34:59o senhor me corrija,
00:34:59o governo Jânio Quadros
00:35:01veio a política externa independente
00:35:03com Afonso Arínio de Melo Franco.
00:35:05E aí tivemos o governo
00:35:06de Angola de Algumas Mudanças,
00:35:07o próprio Afonso Arínio voltou
00:35:08a ser ministro,
00:35:09depois tivemos o Santiago Dantas,
00:35:12que é uma figura
00:35:13que fez tanta falta ao Brasil,
00:35:15morreu tão cedo,
00:35:16em 64.
00:35:18Se o senhor,
00:35:19olhando agora assim,
00:35:20dentro do que o senhor falou,
00:35:21nós temos uma potência,
00:35:22mais ou menos,
00:35:23eu estou dizendo,
00:35:24uma potência média.
00:35:25Muitos falam do sul global.
00:35:28Nós teremos,
00:35:29em uma época falavam muito,
00:35:31falavam sul-sul.
00:35:33Hoje,
00:35:34como é que nós devemos nos situar?
00:35:37Nós temos a Europa
00:35:39como um grande bloco,
00:35:41os Estados Unidos,
00:35:43a China,
00:35:44a Rússia,
00:35:45uma potência economicamente
00:35:46pouco importante,
00:35:47mas militarmente muito importante.
00:35:49E o senhor citou a Índia,
00:35:51que para mim,
00:35:52sempre é um ponto de interrogação,
00:35:53eu falo nas nossas conversas,
00:35:54embaixador,
00:35:55a importância econômica,
00:35:57a Índia vai atropelando por fora,
00:35:59ninguém parece aquelas corridas.
00:36:00Estava indo em sexto,
00:36:02sétimo,
00:36:03quinto,
00:36:03daqui a pouco,
00:36:04quarto PIB,
00:36:05mas,
00:36:06o que me intriga na Índia,
00:36:08é que ela não tenha
00:36:09a presença externa,
00:36:11e uma presença militar,
00:36:12tão forte como as outras potências,
00:36:14econômicas,
00:36:15algumas não tão importantes como ela.
00:36:18Mas,
00:36:18eu vou deixar,
00:36:19eu fui até ler o Otávio Passo,
00:36:20foi embaixador na Índia,
00:36:21eu fui ler nos anos 60,
00:36:23fui ver se ele dava alguma dica,
00:36:25mas,
00:36:26eu pergunto ao senhor,
00:36:27para nós,
00:36:28aqui,
00:36:28no Brasil,
00:36:30nessa situação,
00:36:31dessas mudanças,
00:36:33que são para sempre,
00:36:34a história não deve regressar,
00:36:36aquele momento,
00:36:37dos anos 60,
00:36:3870,
00:36:39e 80,
00:36:41esse deslocamento,
00:36:43o senhor falou,
00:36:45olha,
00:36:45nós temos que manter a independência,
00:36:46como é manter essa independência,
00:36:48preservar nossos interesses estratégicos,
00:36:50no mundo polarizado,
00:36:52e com a possibilidade,
00:36:53nós não temos ainda tão claro,
00:36:55até de conflitos militares,
00:36:57em áreas muito sensíveis.
00:37:00Olha,
00:37:00eu vejo essa tensão,
00:37:03entre os Estados Unidos e a China,
00:37:06não como uma guerra fria,
00:37:09que nós tivemos depois da guerra,
00:37:11com a Rússia,
00:37:12com a União Soviética,
00:37:14e os Estados Unidos,
00:37:15porque naquela época,
00:37:16havia uma competição ideológica e nuclear,
00:37:22como você disse,
00:37:24hoje não tem essa competição ideológica,
00:37:27hoje a competição é econômica,
00:37:30comercial, tecnológica,
00:37:32então,
00:37:33não há a necessidade dessa definição,
00:37:39que houve durante,
00:37:41de 45,
00:37:43a 89,
00:37:4691,
00:37:47então,
00:37:48é mais fácil,
00:37:50hoje,
00:37:50você,
00:37:51não ter que se,
00:37:53se alinhar,
00:37:54automaticamente,
00:37:56a um grupo,
00:37:57durante a guerra fria,
00:37:58ou você era,
00:38:00comunista,
00:38:01a favor da Rússia,
00:38:02ou você era,
00:38:04a favor do capitalismo,
00:38:06americano,
00:38:07havia uma ideologia,
00:38:08naquela época,
00:38:09agora não,
00:38:10agora,
00:38:11a China não está,
00:38:13com uma política,
00:38:14de expansão ideológica,
00:38:16como havia,
00:38:18com os países comunistas,
00:38:20aqui,
00:38:21Cuba,
00:38:21com alguns países africanos,
00:38:23também,
00:38:25mas,
00:38:25isso acabou,
00:38:27então,
00:38:27para,
00:38:28hoje,
00:38:28é mais,
00:38:29é mais fácil,
00:38:31você definir o seu interesse,
00:38:34sem,
00:38:35confrontar,
00:38:36esses países,
00:38:37você não precisa confrontar,
00:38:38os Estados Unidos,
00:38:39confrontar a China,
00:38:40você apenas defende o seu interesse,
00:38:43né,
00:38:44e defende a soberania,
00:38:46interna do país,
00:38:48sem interferência,
00:38:49então,
00:38:50como eu mencionei as vulnerabilidades,
00:38:52você mencionou essa questão,
00:38:54da infraestrutura,
00:38:56isso aí,
00:38:57nós temos,
00:38:58acordos com a China,
00:39:02e é uma coisa,
00:39:03uma outra coisa,
00:39:03também,
00:39:04que é importante,
00:39:05a gente,
00:39:06pouca gente,
00:39:06deve saber disso,
00:39:08você sabe,
00:39:09que o Brasil,
00:39:10tem,
00:39:12com a China,
00:39:13o único país,
00:39:15com que o Brasil,
00:39:16tem,
00:39:17acordos decenais,
00:39:19nós temos um planejamento,
00:39:21com a China,
00:39:21ninguém sabe disso,
00:39:23e há reuniões,
00:39:24há tratados,
00:39:26há,
00:39:26por isso,
00:39:27que há essa crescente,
00:39:29interligação,
00:39:29interligação,
00:39:30porque,
00:39:31a China,
00:39:33em 1992,
00:39:35eu,
00:39:36estava,
00:39:37sentado à mesa,
00:39:39com o Fernando Henrique,
00:39:40ministro do exterior,
00:39:42quando,
00:39:42um,
00:39:43primeiro,
00:39:44vice-primeiro-ministro,
00:39:45chinês,
00:39:46foi a Brasília,
00:39:48e propôs ao Brasil,
00:39:49uma parceria estratégica,
00:39:51isso é,
00:39:52em 1992,
00:39:55a China,
00:39:56para fazer esse gesto,
00:39:57estudou,
00:39:58durante,
00:39:59muitos anos,
00:40:00o que,
00:40:01que ela precisava,
00:40:02do Brasil,
00:40:03e definiu,
00:40:04as suas prioridades,
00:40:06que está acontecendo,
00:40:06hoje,
00:40:08a China,
00:40:09hoje,
00:40:09é um,
00:40:09um,
00:40:10maior parceiro,
00:40:11do Brasil,
00:40:12porque ela compra,
00:40:13não o que o Brasil,
00:40:14quer vender,
00:40:15ela compra,
00:40:16o que tem necessidade,
00:40:17e são,
00:40:19os produtos,
00:40:20de alimentação,
00:40:21e nós,
00:40:22saímos,
00:40:22dessa reunião,
00:40:23em 92,
00:40:25muito,
00:40:26cheios,
00:40:26né,
00:40:27de,
00:40:27ufanismo,
00:40:29o Brasil,
00:40:30parceiro estratégico,
00:40:31e tal,
00:40:32e de 92,
00:40:33até hoje,
00:40:34não fizemos absolutamente nada,
00:40:35o Brasil não tem uma estratégia,
00:40:37em relação à China,
00:40:38então,
00:40:39agora,
00:40:40com essa,
00:40:40esse novo cenário,
00:40:42e o Brasil,
00:40:45se tiver uma visão estratégica,
00:40:47uma visão de média e longo prazo,
00:40:49tendo que defender,
00:40:50os seus interesses,
00:40:51tem que definir,
00:40:52uma política,
00:40:53em relação à China,
00:40:54em relação aos Estados Unidos,
00:40:56em relação à Europa,
00:40:57em relação à África,
00:41:00quer dizer,
00:41:00o Brasil não tem política,
00:41:01em relação à África,
00:41:02a gente tinha,
00:41:03não tem mais,
00:41:05e a China,
00:41:06agora,
00:41:07está,
00:41:08se retirando,
00:41:09proporcionalmente,
00:41:11tem hoje,
00:41:12uma presença menor,
00:41:14do que tinha,
00:41:1410,
00:41:1515 anos atrás,
00:41:16na África,
00:41:18você sabe,
00:41:18quem que ocupou,
00:41:19esse espaço,
00:41:20não foi o Brasil,
00:41:21o Brasil poderia,
00:41:22ter ocupado,
00:41:23esse espaço,
00:41:24quem está ocupando,
00:41:24esse espaço,
00:41:24é a Turquia,
00:41:26a Turquia,
00:41:26hoje,
00:41:27tem uma presença,
00:41:29em toda,
00:41:30na maioria dos países africanos,
00:41:32porque eles têm uma política,
00:41:34de penetração lá,
00:41:36e não é só com alimentos,
00:41:38que eles não têm,
00:41:39eles vendem farinha,
00:41:40a única coisa,
00:41:41que eles vendem farinha,
00:41:43não,
00:41:43eles vendem armamentos,
00:41:45eles têm uma política,
00:41:46e o Brasil,
00:41:48vai ter que no futuro,
00:41:50né,
00:41:51a partir da,
00:41:52eu espero que a partir dessa próxima eleição,
00:41:55a gente tenha essa visão,
00:41:57porque,
00:41:58se nós não tivermos,
00:42:00nesses próximos quatro anos,
00:42:02um programa,
00:42:03sério,
00:42:04de reformas internas,
00:42:06de uma visão estratégica,
00:42:08no exterior,
00:42:10o Brasil vai ficar para trás,
00:42:12não vai ter,
00:42:13com todo esse potencial,
00:42:14que a gente tem,
00:42:15porque o mundo vai avançar,
00:42:17a Turquia,
00:42:18vocês estavam falando,
00:42:20da questão do Oriente Médio,
00:42:21né,
00:42:22você veja,
00:42:24o Oriente Médio,
00:42:25está se reciclando,
00:42:29o Oriente Médio,
00:42:30tem consciência,
00:42:32de que o petróleo,
00:42:32daqui 20,
00:42:3330,
00:42:3440,
00:42:34quanto for,
00:42:35vai perder,
00:42:37a força que tem hoje,
00:42:40o que eles estão fazendo,
00:42:41centros de tecnologia,
00:42:43centros importantes,
00:42:45não é,
00:42:45de desenvolvimento tecnológico,
00:42:48grandes projetos,
00:42:49a Arábia Saudita,
00:42:50está fazendo um projeto enorme,
00:42:52170 quilômetros lá,
00:42:55e,
00:42:55e,
00:42:56os países,
00:42:57dessa região,
00:42:58um deles,
00:42:59o Catar,
00:43:00está fazendo aquilo,
00:43:01que o Brasil,
00:43:02tinha a pretensão de fazer,
00:43:04negociar a paz,
00:43:05o nosso presidente falou,
00:43:06queremos negociar a paz,
00:43:08fez um documento,
00:43:10com a China,
00:43:11e,
00:43:11da palpite,
00:43:12lá na Ucrânia,
00:43:13agora,
00:43:14quem está negociando a paz,
00:43:15é o Catar,
00:43:17que está,
00:43:17o Catar e o Egito,
00:43:19estão ocupando,
00:43:21esse,
00:43:21esse vazio diplomático,
00:43:23porque,
00:43:23como a Índia,
00:43:24a China,
00:43:24a Rússia,
00:43:25não,
00:43:25não podem negociar isso,
00:43:28alguém tinha que negociar,
00:43:29quem está ocupando,
00:43:30esse espaço,
00:43:31é o Oriente Médio,
00:43:32não é a América do Sul,
00:43:33não é o Brasil,
00:43:34que tem essa,
00:43:36tinha essa pretensão,
00:43:37de ocupar um espaço,
00:43:39não é,
00:43:40de negociação internacional,
00:43:42então,
00:43:42você vê que os desafios,
00:43:44são muito grandes,
00:43:45não é,
00:43:45para a gente ter,
00:43:47essa posição de independência,
00:43:48e a gente voltar a ter,
00:43:50até aqui na região,
00:43:52porque a gente,
00:43:52até na região,
00:43:53a gente perdeu,
00:43:54a liderança que a gente tinha,
00:43:56é um problema sério,
00:43:58eu,
00:43:58eu estou,
00:43:59com muita esperança,
00:44:01de que,
00:44:01na campanha,
00:44:02agora,
00:44:02do ano que vem,
00:44:04pela primeira vez,
00:44:05na história,
00:44:05a política externa,
00:44:06seja um tema,
00:44:07de campanha,
00:44:09sim,
00:44:09os,
00:44:10os,
00:44:10os,
00:44:10os,
00:44:10os,
00:44:11os,
00:44:11candidatos,
00:44:12vão ter,
00:44:13que pensar um pouco,
00:44:14sobre a política externa,
00:44:16que é totalmente,
00:44:17ignorada aqui,
00:44:18como a defesa também,
00:44:20idem,
00:44:21nós temos essas duas áreas,
00:44:22que,
00:44:23são praticamente,
00:44:24ignoradas,
00:44:25no debate público,
00:44:26aqui no Brasil,
00:44:27vão estar,
00:44:28a política externa,
00:44:29com certeza,
00:44:30vai estar,
00:44:31como um dos temas,
00:44:32importantes,
00:44:33na campanha eleitoral,
00:44:35muito bem,
00:44:36lembrado pelo embaixador,
00:44:37e lembrar a você,
00:44:38que nos acompanha,
00:44:40que vai ter a renovação,
00:44:41eu falo todo o programa,
00:44:42de dois terços do Senado,
00:44:44quer dizer,
00:44:44cada das 27 unidades da federação,
00:44:4726 estados e distrito federal,
00:44:50vou eleger mais dois senadores,
00:44:52vamos ver se você consegue votar,
00:44:53alguém que fala,
00:44:54lé com cré,
00:44:55que consiga acertar duas frases,
00:44:57consiga olhar um plano de esfera,
00:44:58identificar,
00:44:59aquele senador,
00:45:00que falou que o Chile,
00:45:01faz fronteira com o Brasil,
00:45:03aí não dá,
00:45:03então você tem responsabilidade,
00:45:07em quem você vota,
00:45:08e para deputado federal,
00:45:10e tem comissões,
00:45:11na Câmara e no Senado,
00:45:12para que o embaixador falou,
00:45:14tanto as relações exteriores,
00:45:15como para a defesa nacional,
00:45:17e ninguém está nem aí,
00:45:18e vide que nós vamos ter problema,
00:45:20na fronteira norte,
00:45:21os problemas com a Venezuela,
00:45:23ameaça de ataques norte-americanos,
00:45:25já houve o episódio da lancha,
00:45:27tem drones passando por Caracas,
00:45:29uma situação complicada,
00:45:31então precisamos discutir sério,
00:45:32a questão de ter uma política de defesa nacional,
00:45:35assim como ter uma política de relações exteriores,
00:45:37então olhe no que você vota,
00:45:39não escolha o voto na última hora,
00:45:41não,
00:45:41você é o responsável,
00:45:44não tem ninguém que é biônico,
00:45:45imposto à força,
00:45:46como tivemos,
00:45:47pelo pacote de abril,
00:45:49do trágico abril de 77,
00:45:51não,
00:45:51agora,
00:45:52você escolhe tudo,
00:45:53então,
00:45:54está na hora de ser cidadão,
00:45:56aprender a ser cidadão,
00:45:58o professor Danilo Porfiro,
00:45:59depois desse pito aqui,
00:46:01faz nada,
00:46:02eu falo só da Turquia,
00:46:04como eu falei,
00:46:05eu gosto muito de futebol,
00:46:06aí outro dia,
00:46:07ligando lá,
00:46:08a tarde,
00:46:08vinha rapidamente,
00:46:10as eliminatórias da Europa,
00:46:13era o jogo Espanha e Turquia,
00:46:15em Istambul,
00:46:16se não me engano,
00:46:17era em Istambul,
00:46:17não era em Angra,
00:46:18eu acho que era em Istambul,
00:46:20começou,
00:46:20antes de começar o jogo,
00:46:21tinha uma enorme bandeira turca,
00:46:23havia todo um nacionalismo turco,
00:46:24que durou 15 minutos,
00:46:26porque em 15 minutos,
00:46:26já estava 3 a 0 para a Espanha,
00:46:28foi 6 a 0 no final,
00:46:30a Turquia não é tão ruim assim,
00:46:32vale lembrar,
00:46:33porque acompanha o futebol,
00:46:34é que a Espanha é a melhor seleção do mundo hoje,
00:46:36mas foi um show,
00:46:36os primeiros 15 minutos,
00:46:38eu parei,
00:46:38falei,
00:46:38já está bom,
00:46:39esses 15 minutos,
00:46:42que eu fiquei realmente abismado,
00:46:43pelo belíssimo futebol,
00:46:44da seleção espanhola,
00:46:45agora,
00:46:46o curioso é o caso da Turquia,
00:46:48porque ela foi duramente afetada,
00:46:51pelo final da Primeira Guerra Mundial,
00:46:53que destruiu vários impérios,
00:46:54o Império Alemão,
00:46:55o Império Turco Otomano,
00:46:57o Império Russo,
00:46:58o Império Austro-Húngaro,
00:47:01esse aí,
00:47:02então,
00:47:02foi para o espaço,
00:47:04e a Turquia foi diminuindo o tamanho,
00:47:06até chegar a esse tamanho atual,
00:47:07para vocês aqui,
00:47:08que nos acompanham,
00:47:09a gente usa na expressão turco,
00:47:10para quem não é turco,
00:47:12porque a pessoa vinha com o embaixador da Turquia,
00:47:14a pessoa era si libanesa,
00:47:15e ficou essa expressão,
00:47:17uma vez,
00:47:17inclusive,
00:47:18o presidente Lula cometeu um fora danado,
00:47:20acho que no governo Lula 1,
00:47:21ou Lula 2,
00:47:22chegando a Turquia,
00:47:23fazendo referências a isso,
00:47:25confundindo o passaporte,
00:47:28com a imigração siro-libanesa,
00:47:30que não tinha nada a ver com a Turquia,
00:47:31mas são problemas que ocorrem,
00:47:34a questão da Turquia,
00:47:36o embaixador,
00:47:38o governador Lula lembrou a presença da Turquia na África,
00:47:42inclusive na Líbia,
00:47:43se a gente olhar os conflitos que tem hoje na Líbia,
00:47:45que a Líbia não tem governo central,
00:47:47já há um bom tempo,
00:47:48é uma confusão danada,
00:47:50alguém sente saudade,
00:47:51tem pessoas sentindo saudades do Kadhaf,
00:47:53como é que fica,
00:47:55então,
00:47:55como você fez a referência,
00:47:56a Turquia nessa história toda,
00:47:58ela tem presença na Síria,
00:48:00e aí?
00:48:01A Turquia,
00:48:02o senhor estava falando
00:48:04da origem da Turquia moderna,
00:48:07contemporânea,
00:48:08nós temos que lembrar que a Turquia
00:48:09resulta de dois fenômenos,
00:48:11o colapso do Império Otomano
00:48:14por meio da derrota na Primeira Guerra Mundial
00:48:17e a sujeição da sua Versacele,
00:48:20que é o Tratado de Sebre,
00:48:22e, obviamente,
00:48:24a insurreição militar
00:48:27dentro das forças otomanas,
00:48:31nacionalistas, turcas,
00:48:33sob o comando do coronel Ataturk,
00:48:38que cria um governo secular,
00:48:41radicalmente secular,
00:48:43relacionando a ideia de islã político,
00:48:45como obsoleta, ultrapassada,
00:48:47tanto que eu sempre digo isso aos meus alunos,
00:48:50é um nacionalismo turco, secular,
00:48:53no qual a Constituição é inspirada na França
00:48:55e o Código Civil é suíço,
00:48:57então ele traz,
00:48:59ele importa essas referências.
00:49:01Nós vamos ver no governo,
00:49:04professor Erdogan,
00:49:06duas pessoas,
00:49:10duas personalidades.
00:49:12Nós temos que enxergar o Erdogan
00:49:14da década de 90,
00:49:17ainda como um líder partidário
00:49:20em um primeiro-ministro
00:49:21que ainda tinha esperança
00:49:24de enxergar a Turquia
00:49:27como parte integrante da União Europeia.
00:49:31E foi convidada a o quê?
00:49:34Desconsiderar esse projeto.
00:49:37Nós temos que lembrar,
00:49:38o discurso,
00:49:39professor Rubem,
00:49:41do Habermas
00:49:42e do próprio Hatzinger,
00:49:45o Papa Ben 16,
00:49:47falando da ideia do quê?
00:49:48Da incompatibilidade
00:49:50da Turquia
00:49:52dentro desse espaço
00:49:54político europeu-ocidental
00:49:56etnocêntrico.
00:49:58Vem o segundo momento.
00:50:00A ascensão de uma retórica
00:50:02otomanista,
00:50:05neo-otomana.
00:50:07O Erdogan defende a ideia do quê?
00:50:09A restauração
00:50:10de uma grandeza turca
00:50:13pelas tradições
00:50:14do Império Otomano.
00:50:15é uma vertente
00:50:16daquilo que nós chamamos
00:50:17de neocalifismo.
00:50:20Restaurar a grandeza
00:50:21pelas próprias tradições.
00:50:23E é aí que o quê?
00:50:25A Turquia começa a assumir
00:50:26um papel
00:50:27de ação
00:50:29dentro do Grande Oriente Médio.
00:50:33Primeiro,
00:50:34um processo de resistência
00:50:37contra as ações,
00:50:40certas ações de Israel,
00:50:42encampando para si
00:50:44o quê?
00:50:45A defesa da questão
00:50:46palestina.
00:50:47Devemos lembrar
00:50:48que antes do governo
00:50:50Erdogan,
00:50:51a Turquia era um dos principais
00:50:53aliados de Israel.
00:50:55É verdade.
00:50:56Um dos principais
00:50:57aliados de Israel.
00:50:59A Turquia se torna
00:51:00uma referência,
00:51:01professor,
00:51:02inclusive na Primavera Árabe,
00:51:05para o quê?
00:51:05A Irmandade Muçulmana
00:51:06como modelo de governo.
00:51:08presidente Mohamed Moussi
00:51:10enxergava o modelo ideal
00:51:13de democracia islâmica
00:51:15a Turquia.
00:51:17E não encontrando
00:51:19um espaço
00:51:21dentro do Oriente Médio
00:51:23regional,
00:51:25ele começa a agir o quê?
00:51:26Em outros ambientes
00:51:28do mundo islâmico.
00:51:29Ele tenta um processo
00:51:30de aproximação
00:51:31e de mediação
00:51:33com o novo governo
00:51:35o novo agora,
00:51:37Talebã no Afeganistão.
00:51:40Não é bem sucedido.
00:51:42Há o quê?
00:51:43Tem uma presença
00:51:45hoje no norte da Síria,
00:51:47mas por interesses,
00:51:49professor Villa,
00:51:50próprios,
00:51:51a questão dos curdos.
00:51:54Tem um bom alinhamento
00:51:56com o Catar,
00:51:58o mesmo Catar
00:51:59que abriga
00:51:59a Irmandade Muçulmana hoje.
00:52:02E uma coisa que eu quero
00:52:03fazer um parênteses aqui.
00:52:04sobre o ataque do Catar,
00:52:07israelense contra o Catar.
00:52:10Há inesoravelmente
00:52:12o aval americano.
00:52:15O sistema de defesa do Catar
00:52:16como espaço estratégico
00:52:18norte-americano
00:52:19na região do Golfo Pérsico
00:52:20é o Patriot,
00:52:22que é administrado
00:52:24pelos americanos.
00:52:25não funcionou
00:52:26no ataque contra o Israel.
00:52:28Ao meu ver,
00:52:30há uma justificativa.
00:52:31Uma dissuasão
00:52:33do Catar
00:52:34em relação ao quê?
00:52:37Ao distanciamento
00:52:38do país
00:52:40com lideranças
00:52:42da Irmandade Muçulmana,
00:52:43com lideranças
00:52:44do Hamas.
00:52:45E por que digo isso,
00:52:46professor?
00:52:46porque
00:52:48ainda no primeiro governo
00:52:50Bush,
00:52:51a questão do Al Jazeera
00:52:52e desse alinhamento
00:52:54custou o quê?
00:52:54O isolamento do Catar
00:52:55dentro dos...
00:52:58entre os países
00:52:59do Golfo Pérsico,
00:53:01entre eles o quê?
00:53:02A Arábia Saudita também.
00:53:03Então foi uma dissuasão.
00:53:05E para finalizar,
00:53:06e a tentativa o quê?
00:53:08De aproximação
00:53:09da Turquia
00:53:10dos povos
00:53:12ou dos países
00:53:13muçulmanos
00:53:13do norte da África.
00:53:14Sempre voltamos
00:53:16à questão
00:53:16do Grande Oriente Médio.
00:53:18Sobre a Líbia,
00:53:21entregue
00:53:21aos senhores da guerra.
00:53:25Culpa
00:53:25diversos.
00:53:28Entre eles,
00:53:29miopia ocidental.
00:53:33É,
00:53:33a questão da Líbia
00:53:34é complicada,
00:53:36mas muito complicada
00:53:37mesmo, né?
00:53:39A professora Natália Fingerman,
00:53:40pensando em falar um pouquinho
00:53:42de Israel,
00:53:43nós falamos de passagem,
00:53:44a situação é complicada.
00:53:47Gozar do Estado de Israel,
00:53:49quando ele nasceu
00:53:49e o embaixador
00:53:51Rubens Barbosa
00:53:52lembrou muito bem
00:53:53na partilha.
00:53:55Teve depois,
00:53:57só recordando
00:53:57a quem já sabe,
00:53:59mas quem dirigiu
00:54:00a Assembleia Geral
00:54:01da ONU
00:54:02quando da partilha,
00:54:03e depois o embaixador
00:54:04Oswaldo Aranha,
00:54:05que tinha sido aqui
00:54:06ministro de Relações Exteriores,
00:54:08embaixador dos Estados Unidos,
00:54:09tem uma longa carreira
00:54:10política,
00:54:11depois no Rio Grande do Sul
00:54:13ainda,
00:54:13pré-1930,
00:54:15como secretário
00:54:17de Getúlio Vargas,
00:54:18quando presidente
00:54:19de Estado,
00:54:20porque alguns Estados
00:54:21na Primeira República
00:54:22eram chamados de governadores,
00:54:23outros de presidente de Estado.
00:54:25Mas aí,
00:54:26a questão atual
00:54:27de Israel
00:54:28e que envolve
00:54:29muita polêmica
00:54:30da política brasileira,
00:54:31porque falam,
00:54:33por exemplo,
00:54:34a afirmação de genocídio
00:54:35é um conceito pesado,
00:54:37evidentemente,
00:54:38porque ele tem um sentido histórico
00:54:39e foi reafirmado
00:54:41pelo presidente
00:54:42da República Brasileira
00:54:43hoje,
00:54:43o presidente Lula,
00:54:44sobre a questão de gás.
00:54:46É bom lembrar,
00:54:46e por fim,
00:54:47para não fazer uma pergunta
00:54:48muito longa,
00:54:49que alguns falam
00:54:50que a esquerda
00:54:51é antissemita,
00:54:52eles são totalmente equivocados.
00:54:55Historicamente,
00:54:55a extrema direita
00:54:56foi antissemita,
00:54:57não só na Europa,
00:54:58basta lembrar o caso
00:55:00de Dreyfus,
00:55:01foi pessimamente lembrado
00:55:02no julgamento do Bolsonaro,
00:55:03que tem a ver
00:55:04com a derrota
00:55:05da guerra franco-prussiana,
00:55:06do reacionarismo
00:55:07da direita francesa,
00:55:09lembrar a França de Vichy,
00:55:11essa sim,
00:55:11antissemita,
00:55:13lembrar no Brasil
00:55:13o integralismo,
00:55:14lembrar Gustavo Barroso,
00:55:16leia a história secreta
00:55:17do Brasil,
00:55:18Brasil colônia
00:55:19de banqueiros,
00:55:20e etc.
00:55:21Leia do Henry Ford,
00:55:22um livro maravilhoso,
00:55:23O Judeu Internacional,
00:55:25de 1920,
00:55:26com muitas edições
00:55:27dos anos 30
00:55:27aqui no Brasil,
00:55:28e eu poderia citar
00:55:30e o clássico,
00:55:32tem 50 anos,
00:55:33do Elge Trindade,
00:55:34O Integralismo,
00:55:35que é o melhor livro
00:55:36sobre o integralismo
00:55:37no Brasil.
00:55:38Então,
00:55:39historicamente,
00:55:40foi a extrema direita
00:55:41e por identificar
00:55:42judeus com comunismo,
00:55:44né?
00:55:45E aí vem desde a questão
00:55:46do Marcos,
00:55:47do vô Rabino,
00:55:48passando pelo Trotsky,
00:55:49o pai era judeu,
00:55:50o Brostai,
00:55:51e por aí vai.
00:55:52Eu poderia ficar falando
00:55:53três anos,
00:55:53mas não estou aqui
00:55:55para falar três anos.
00:55:56Professora Natália Filho,
00:55:57essa questão
00:55:58das relações
00:55:58Brasil-Estados Unidos,
00:56:00seus reflexos
00:56:01na política brasileira,
00:56:02que nunca,
00:56:03ninguém nunca viu,
00:56:03nunca na história do Brasil
00:56:05se viu tantas vezes
00:56:06nas ruas
00:56:07a bandeira de Israel.
00:56:08E aí, hein?
00:56:10É interessante, né,
00:56:12a gente falar sobre
00:56:13como é que a questão
00:56:15de Israel
00:56:16foi uma questão
00:56:16que foi apropriada
00:56:18pela direita brasileira,
00:56:20e por grupos evangélicos.
00:56:24Então, hoje,
00:56:24você fez até a menção
00:56:26a esse caso
00:56:27das pessoas
00:56:28que acreditam
00:56:29que Israel
00:56:29é um Estado cristão,
00:56:31e não entendem
00:56:32que Israel
00:56:33é um Estado
00:56:34que vai ser formado
00:56:35por uma iniciativa lá
00:56:37em 1907,
00:56:39até mesmo antes
00:56:40da formação,
00:56:41pela perseguição
00:56:42que os judeus
00:56:43já sofriam
00:56:44dentro da Europa.
00:56:45Então, o povo judeu,
00:56:47a perseguição
00:56:50ao povo judeu
00:56:50não emerge
00:56:51com o nazismo,
00:56:52na verdade,
00:56:53só se intensifica
00:56:54com o nazismo,
00:56:55já acontecia
00:56:57na Europa,
00:56:58e a resposta
00:56:59foi a tentativa
00:56:59de se criar um Estado.
00:57:01E aí, professor,
00:57:02tem uma confusão
00:57:04hoje muito grande
00:57:05entre antissemitismo
00:57:06e antisionismo.
00:57:08Então, por exemplo,
00:57:09uma pessoa pode ser
00:57:10antissemita
00:57:11que significa o quê?
00:57:14Que ela é contra
00:57:14a qualquer judeu,
00:57:16mas não necessariamente
00:57:17ser antisionista,
00:57:19ser contra
00:57:20a criação
00:57:21do Estado de Israel.
00:57:22Então, você tem hoje,
00:57:23por exemplo,
00:57:24judeus que falam
00:57:25eu sou judeu
00:57:26e eu sou antisionista,
00:57:27porque eu não sou
00:57:28a favor da criação
00:57:29do Estado de Israel.
00:57:30Ou você pode ser judeu
00:57:32e ser a favor
00:57:34da criação de Israel
00:57:35e não querer
00:57:36viver em Israel,
00:57:38porque você pode entender
00:57:38que você pode ser judeu
00:57:39em qualquer lugar
00:57:40do mundo.
00:57:42Eu vejo, assim,
00:57:43essa tradição
00:57:44como a tradição,
00:57:44por exemplo,
00:57:45da minha família.
00:57:45Minha família é Fingerman,
00:57:47somos judeus
00:57:48e não vivemos em Israel.
00:57:50Não somos contra
00:57:51a criação de Israel,
00:57:52mas existem judeus
00:57:54que são antisionistas,
00:57:55são contra
00:57:56a criação de Israel.
00:57:57Então, hoje,
00:57:58a gente tem uma confusão
00:57:59dentro da sociedade brasileira
00:58:01sobre esses conceitos
00:58:03e, às vezes,
00:58:05pelo fato de alguns
00:58:07defenderem a criação
00:58:09da Palestina
00:58:10ou a existência
00:58:11da Palestina,
00:58:12é colocado como
00:58:13uma defesa
00:58:14contra o judaísmo,
00:58:17antissemitis,
00:58:19antissemita.
00:58:20E, na verdade,
00:58:21não é isso.
00:58:22Na verdade,
00:58:23a ideia é que exista
00:58:24a Palestina
00:58:25e exista Israel.
00:58:27A ideia, acho que,
00:58:28dos dois estados,
00:58:30da fundação
00:58:31dos dois estados
00:58:32sempre foi
00:58:33a política externa brasileira.
00:58:35O Brasil sempre
00:58:35defendeu
00:58:36a existência
00:58:38dos dois estados,
00:58:39que foi o projeto
00:58:40das Nações Unidas,
00:58:42quando funda
00:58:43Israel em 1947.
00:58:46Então,
00:58:47eu acho que
00:58:48esse é o posicionamento
00:58:49brasileiro clássico.
00:58:52O presidente Lula
00:58:53tomou a iniciativa
00:58:55de utilizar
00:58:56nas Nações Unidas
00:58:57a palavra genocídio,
00:58:59mas me parece
00:59:00que ele toma
00:59:01essa iniciativa
00:59:02pelo fato de ter
00:59:04recentemente
00:59:04saído um estudo
00:59:05feito pelas Nações Unidas
00:59:07no qual vai qualificar
00:59:09o que está acontecendo
00:59:10em Israel
00:59:11como genocídio.
00:59:12Não vejo
00:59:13que o presidente
00:59:14tenha essa competência técnica
00:59:16para fazer
00:59:17essa classificação.
00:59:18Ele se utiliza,
00:59:20na verdade,
00:59:20de um documento
00:59:21para fazer
00:59:21essa classificação.
00:59:23É uma classificação
00:59:24polêmica,
00:59:25sabemos que sim,
00:59:27mas parece
00:59:28que ela tem sido
00:59:30feita pelas Nações Unidas,
00:59:31já foi utilizada
00:59:33pela África do Sul
00:59:35para entrar
00:59:36com o processo
00:59:37contra Israel.
00:59:38Então,
00:59:39o que nós vemos
00:59:40é, de fato,
00:59:40uma tragédia.
00:59:42E é uma tragédia
00:59:42que está negando
00:59:43a existência
00:59:44desse projeto inicial
00:59:46da criação
00:59:47não só de Israel,
00:59:48mas também
00:59:48da Palestina.
00:59:50Nós teremos
00:59:51muito mais questões,
00:59:52veja como
00:59:53esses sistemas
00:59:53são importantes
00:59:54e pouco aproveitados
00:59:55na imprensa brasileira.
00:59:57Por isso que
00:59:58o Visão Crítica
00:59:58tem esse objetivo
00:59:59de colocar
01:00:00essas questões,
01:00:01muitas dessas
01:00:02que vocês não entenderam
01:00:04ou viram pela primeira vez.
01:00:06Vão a um site
01:00:07de busca,
01:00:08vejam a discussão
01:00:08da questão
01:00:09do que é o antisionismo.
01:00:11Lembrar que o Brasil
01:00:11votou isso
01:00:12no governo Gás,
01:00:13o sionismo
01:00:14como uma forma
01:00:15de racismo,
01:00:16o senhor lembra,
01:00:16mas deu uma
01:00:18confusão danada.
01:00:19Depois,
01:00:20acabou essa história,
01:00:21mas em certo momento
01:00:22votou.
01:00:24Então,
01:00:25tem muitas questões
01:00:26importantes
01:00:27que foram colocadas
01:00:28aqui no programa.
01:00:29Eu sinto sempre
01:00:30que nós temos
01:00:31um problema.
01:00:32O tempo é o nosso
01:00:33inimigo, sabe?
01:00:34E o nosso adversário
01:00:36criando...
01:00:39E é natural
01:00:40que nós não podemos
01:00:41nos estender mais
01:00:42além do que nós
01:00:43nos propomos.
01:00:43Então,
01:00:44eu queria agradecer
01:00:44mas muito,
01:00:45muito,
01:00:45muito ao professor
01:00:46Danilo Porfírio
01:00:48que já esteve conosco
01:00:49algumas vezes.
01:00:49Muito obrigado,
01:00:50professor.
01:00:50o professor e embaixador
01:00:52Rubens Barbosa,
01:00:53a professora Natália Fingerman
01:00:55e convidar todos vocês
01:00:57amanhã,
01:00:58nesse mesmo horário,
01:00:59às 22 horas,
01:01:00a mais um Visão Crítica
01:01:01e dizendo que esse tema
01:01:02e essa questão
01:01:03que é tão importante
01:01:04retomaremos
01:01:05nas próximas semanas.
01:01:07Até.
01:01:08A opinião
01:01:10dos nossos comentaristas
01:01:11não reflete necessariamente
01:01:13a opinião
01:01:14do Grupo Jovem Pan
01:01:15de Comunicação.
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