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NotíciasTranscrição
00:00As bolsas de valores mundiais registraram queda nesta sexta-feira.
00:06Na Europa, os mercados de ações abriram no vermelho.
00:10Já na Ásia, fecharam em baixa após os últimos anúncios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
00:18Poucas horas antes do prazo que ele havia dado aos governos para chegarem a acordos e evitarem as tarifas,
00:24o magnata republicano assinou uma ordem executiva impondo tarifas mais altas a dezenas de países
00:32para, segundo ele, reestruturar o comércio global em benefício dos Estados Unidos.
00:38Mas Trump concedeu um breve alívio, afirmando que as medidas só entrarão em vigor na próxima sexta-feira.
00:46Governos em todo o mundo se apressam para tentar uma negociação mais favorável com uma Casa Branca.
00:52Países da União Europeia e outros como Japão, Reino Unido e Coreia do Sul já chegaram a acordos, mas a maioria ainda não.
01:03A China continua dialogando com Washington para estender a frágil trégua em vigor desde maio.
01:11Já o Brasil enfrenta uma tarifa de 10%, mas só até 6 de agosto.
01:16Depois desta data, Trump disse que vai adicionar uma tarifa de 40% como retaliação pelo julgamento do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro
01:27e as regulamentações contra as mídias sociais.
01:31O Visão Crítica desta noite segue discutindo o tarifaço de Donald Trump, os impactos para a geopolítica global
01:39e os principais riscos que a balança comercial brasileira pode enfrentar.
01:56Visão Crítica
01:58Olá, tudo bem com você?
02:02Seja muito bem-vindo, começando mais uma edição do Visão Crítica desta noite, sexta-feira ao vivo, né?
02:08Geralmente vocês acompanham o Só Vale a Verdade e hoje uma edição especial do Visão Crítica
02:14para tratar justamente dos impactos econômicos do tarifaço e apontar caminhos para o governo
02:21e também para o mercado diante desse anúncio de Donald Trump.
02:25Nesta noite, os nossos convidados, Gustavo Pessoa, economista, diretor da Taleb Capital Head Fund.
02:31Ao lado dele, a Juliana Inhaz, ela é economista, professora do INSPER e rede de economia da ANEFAC.
02:39Ao lado da Juliana, o Marcos Ianc, professor sênior e coordenador do Centro INSPER Agro Global.
02:46Agradeço demais pela participação de todos.
02:49Sejam bem-vindos.
02:50Para começar, Gustavo, queria trazer, inclusive, a notícia mais recente.
02:55Inclusive, na programação da Jovem Pan, nós destacamos uma manifestação do presidente Donald Trump.
03:01Concedeu aquela entrevista também improvisada no Jardim da Casa Branca e respondeu alguns questionamentos dos jornalistas.
03:09E aí, uma repórter brasileira justamente fez o questionamento sobre a possibilidade de ele atender o presidente brasileiro.
03:16Ele disse, sem problema nenhum, posso falar com o presidente brasileiro quando ele quiser.
03:21E aí, o presidente Lula fez uma manifestação pela rede social dizendo que o Brasil sempre esteve disposto a conversar com o presidente brasileiro.
03:32Enfim, queria uma reflexão.
03:33É um gesto importante?
03:35A partir de agora, a gente pode observar o início de um processo de desescalada das tensões?
03:42Enfim, quais são as possibilidades, inclusive, para o governo brasileiro?
03:47E parece um momento muito importante, não só para o Brasil, mas para todo o trabalho que vem sendo feito nas negociações.
03:56Porque começa um primeiro passo do outro lado, um passo do governo americano, que estava reativo até esse momento nas negociações.
04:06Então, acho muito importante, também é muito interessante o presidente Lula já fazer essa abertura e falar também que quer negociar.
04:17Eu vejo isso como algo positivo.
04:20Nós, infelizmente, passamos quase oito meses do governo brasileiro sem ter uma conexão, sem ter um acesso direto ao governo.
04:36Então, eu vejo que isso é um início para que a gente possa conversar e dar seguimento às tratativas.
04:43Até agora, a gente está vendo vários ministérios do governo fazendo um trabalho, tentando negociar.
04:51Mas esse papel simbólico dos dois presidentes terem uma sinalização de paz, uma bandeira branca, é uma coisa muito importante para a gente, sim.
05:02Acho que pode ser o início do desenvolvimento de uma negociação mais clara e boa para ambos os lados.
05:10Agora, Juliana, seria o start de um processo menos doloroso, talvez?
05:16Porque não me parece que o presidente brasileiro iria iniciar um processo de negociação, propriamente, com o presidente norte-americano.
05:26Tratar de tarifas.
05:27Ah, esse produto poderia ter uma taxa mais baixa.
05:30Não estamos falando disso, né?
05:32É muito mais um gesto diplomático, talvez o hasteamento dessa bandeira branca, para depois eles passarem para os seus auxiliares a negociação, propriamente dita, em relação a tarifas, segmentos, produtos, setores, enfim.
05:47Qual a reflexão que a gente precisa fazer a partir dessa sinalização de Donald Trump?
05:51Acho que o seu diagnóstico é perfeito.
05:53De fato, eles em nenhum momento vão, de uma maneira técnica, definir quais são as tarifas, quais são os setores.
06:01É óbvio que ambos os lados sabem muito bem quais são as demandas do seu país.
06:05E isso é importante, né?
06:07Porque isso dá muito o tom desse tipo de conversa, mas é um gesto, como você muito bem mencionou, diplomático.
06:13Mas é importante, porque boa parte dessa história que envolve o tarifasso vem muito da percepção, e muitas vezes da fala até do próprio presidente Lula, de que ele não tinha acesso a esse tipo de conversa.
06:28Então, a gente viu aí, nas últimas semanas, várias reclamações, inclusive do presidente Lula, nesse aspecto de que, olha, ele não abre a possibilidade para que eu converse com ele.
06:37Então, na verdade, tem agora, nessa troca de mensagens, depois, inclusive, de mensagens bem difíceis dos dois lados, né?
06:46Existia uma clara animosidade em ambos os lados, né?
06:51Tanto nos recados...
06:52E declarações, talvez, não muito felizes do presidente da República, que a gente fica em dúvida.
06:57Será que o outro lado tem ciência de tudo isso que foi dito, no calor da emoção, em um discurso improvisado, muitas vezes?
07:04Muitas vezes improvisado e numa posição, e acho que isso também de ambos os lados, que é muito pouco diplomática, né?
07:11A gente talvez esperasse posturas diferentes de presidentes da República, né?
07:16E aqui, falando até da própria postura, muitas vezes, do presidente Lula, é muito reativa, né?
07:20Quando, nesse momento, a gente tem que saber se posicionar dentro de todo esse contexto do tarifasso, que o Brasil tem um contexto específico,
07:29então, também não está dando todas as cartas, acho que tem um espaço relativamente pequeno para conseguir dar as cartas,
07:37ou conduzir, ter uma barganha muito maior, mas a gente esperava, acho que, uma coisa um pouco mais diplomática.
07:44Agora, com essa sinalização, vem essa possibilidade, mas uma parte do estrago está feita.
07:49Acho que a gente tem que ter noção de que a gente já tem tarifas que estão praticamente em vigor,
07:53que entram em vigor agora e os mercados já estão se ajeitando.
07:57Então, ainda que você consiga mitigar os efeitos, uma parte da contabilização das perdas já acontece.
08:04Quando a Juliana fala em barganha, contrapartidas, a gente vai também tratar disso, né?
08:09Os acordos que foram firmados com outros países ou com outros blocos, o que eles ofereceram,
08:14quais são os objetivos dos Estados Unidos, temos algo a oferecer,
08:19para além da diminuição do imposto para o etanol norte-americano,
08:24as terras raras que vêm sendo discutidas já há algum tempo.
08:29O Marcos Yank já participou de diversos programas e telejornais aqui da Jovem Pan.
08:35Obrigado mais uma vez, viu, Marcos?
08:36Queria também pedir, nesse giro inicial de reflexões,
08:40sua análise para esse movimento que pudemos observar nesta sexta-feira
08:44dos dois presidentes do Brasil e Estados Unidos,
08:48sinalizando para um segundo capítulo, talvez, muito mais sereno e mais diplomático
08:56no que tange o tarifácio.
08:59Olha, eu acho que chegou um pouco tarde, né?
09:02Quer dizer, eu acho que esse processo de conversa entre os dois governos
09:05devia ter se intensificado lá atrás já.
09:08A gente sabia que o Trump ia vir com essa obsessão por tarifas
09:14como um instrumento de dissuação, né?
09:16Ele fez isso no primeiro governo só com a China.
09:19Aliás, no primeiro governo, quando ele fez isso com a China,
09:21foi bom para o agro-brasileiro,
09:23porque a China retaliou, né?
09:25Naquela época, tarifas de 20% de cada lado,
09:28na primeira guerra comercial, no governo Trump I.
09:31E a tarifa que a China colocou sobre os produtos agro dos Estados Unidos
09:35permitiram que nós dobrássemos as nossas exportações para a China
09:39entre 2017 e até hoje, né?
09:41E os americanos ficaram no mesmo lugar.
09:44Então, na verdade, o que aconteceu, eu acho, é que a gente dormiu no ponto,
09:47um pouco, em relação a esse novo mundo do governo Trump II,
09:51com muito mais poder do que ele teve no primeiro mandato,
09:54tendo hoje o controle das duas casas lá do Congresso americano,
09:59lá do Legislativo, e mesmo um judiciário bastante próximo dele.
10:04Então, ele colocou em prática essa tese de que
10:07vou botar tarifa para conseguir controlar os diversos países,
10:11inclusive em agendas não comerciais, né?
10:14São várias agendas que se misturam.
10:17Primeiro, a questão da fronteira do México-Canadá,
10:20depois a questão lá das terras raras, no caso do Brasil,
10:24a questão do Supremo Tribunal Federal e do Alexandre de Moraes,
10:27as questões lá do Bolsonaro, o BRICS, né?
10:31Eu acho que o BRICS nem é uma influência sobre o BRICS,
10:36mas acho que é uma influência da China na América do Sul,
10:39que preocupa mais do que tudo o Trump, né?
10:42Eu acho que ele não gosta de ver isso e pretende eliminar isso.
10:46Então, eu acho que exatamente por essa agenda complexa que está acontecendo,
10:52os governos já deveriam ter conversado antes,
10:54já deveriam ter se encontrado.
10:56Nós mesmo lá no Agro achávamos que íamos ser ganhadores nesse processo, né?
11:01Mais uma vez, como foi a primeira vez, não é verdade.
11:04Agora, o Brasil está com as tarifas mais altas de todas, né?
11:08E, obviamente, já tem algumas exceções, né?
11:10Vamos lembrar disso.
11:11É, a gente vai trazer, inclusive, essa lista,
11:13porque eu acho que a lista aponta alguns caminhos, inclusive.
11:16É, eu acho, olha, quando eu vejo para essa lista,
11:20basicamente, essas tarifas zero que foram colocadas no caso do Agro e dos aviões,
11:26tem a ver com a pressão de empresas americanas,
11:31interesses americanos em aviões, né?
11:35E suco de laranja, que é um produto que hoje o Brasil responde por 63%
11:41do consumo de suco de laranja lá nos Estados Unidos.
11:43É um produto que iria desaparecer e não tem um substituto, né?
11:48E alteraria o hábito de consumo do americano, né?
11:51Exato, exato, que adora isso e adora o café também,
11:53que eu acho que é um produto que vai ser liberado,
11:55porque ele é tropical, a gente fala depois.
11:57Então, basicamente, eu acho que foram empresas americanas que pressionaram.
12:01Mas agora chegou a hora, como você disse, dos governos se conversarem,
12:05inclusive sobre todas as pautas, não só a pauta comercial.
12:09Então, eu acho que é muito bem-vindo, na verdade, que isso agora seja feito.
12:14E eu acho que precisa ser feito rápido, né?
12:16Agora a gente tem que entrar nesse processo de conversa,
12:19obviamente respeitando a soberania e tudo mais, né?
12:22Quando o Marcos diz, Gustavo, que possivelmente o governo ou os players dormiram no ponto,
12:29eu escutei uma análise muito interessante que diz respeito ao Brasil
12:33quando teve aquela primeira taxação de 10%.
12:38Parece que o Brasil ficou muito acomodado, dizendo,
12:40poxa, eu fui praticamente premiado, né?
12:43Outros países recebendo tarifas bem mais altas.
12:48E há um diagnóstico que entende que, naquele momento,
12:51o Brasil deveria ter arregaçado a manga e feito o primeiro contato,
12:55pensado em se aproximar do governo norte-americano.
12:58Houve uma acomodação.
13:00Então, naquele momento, parecia que o cenário era muito positivo para a gente,
13:05só que não colocaram no radar a possibilidade de uma escalada, né?
13:10Dito e feito.
13:11É, o que me parece que subestimaram que essa ala ideológica norte-americana, né?
13:17Às vezes nós falamos que só aqui no Brasil existe esse descompasso
13:23entre governos executivo, legislativo, judiciário.
13:29Mas nós temos isso nos Estados Unidos também.
13:31Nós temos várias alas.
13:33A gente tem uma ala muito ideológica.
13:36E me parece que o governo brasileiro subestimou o poder do desarranjo
13:43que poderia acontecer sob o Trump,
13:46que a gente já sabia como que ele negociava,
13:49como que ele agia e tudo mais.
13:51Então, nós estamos vendo aqui, estamos quase há oito meses,
13:56e a primeira contato que a gente tem do presidente Lula com o presidente Trump,
14:05antes disso a gente teve uma comunicação que foi só do Lula
14:09parabenizando o Trump pela sua eleição, e só isso.
14:14Então, apesar de nós termos órgãos, ministérios em contato,
14:20termos a diplomacia, é muito importante esse simbolismo
14:24do órgão mais alto do país, que é o chefe de Estado,
14:30que é o presidente conversar.
14:32Então, eu acho que realmente perderam esses oito meses,
14:36e espero que agora, com esse símbolo que foi feito hoje, da comunicação,
14:42as coisas se revertam, e venham agora todos os ministérios, associações, etc.,
14:49e consigam negociar de uma forma mais justa possível para ambos os lados.
14:57Porque nós sabemos que os dois países estão defendendo os seus interesses.
15:05Do mesmo jeito que o Brasil tem interesse, Estados Unidos também tem.
15:08Então, tem que ser colocado numa mesa de negociação,
15:12porque tem coisas que realmente nós sabemos que são blefes até do outro lado.
15:18Essa coisa de interferência no judiciário, nós seríamos ingênuos,
15:23ou eles seriam ingênuos de achar que eles conseguem interferir,
15:27ou podem interferir a este nível.
15:30Então, temos que separar o que é fumaça do que é realmente
15:34o cerne da questão e da negociação.
15:38Pois é. Agora, eu queria destrinchar, Juliana,
15:41se você me permite, enfim, decreto do tarifaço assinado,
15:45o texto foi divulgado, uma longa lista de exceções,
15:49as justificativas naquele comunicado muito questionadas,
15:54mas queria escutá-la.
15:55Qual foi o seu diagnóstico para esse tarifaço
15:58sob a ótica comercial e econômica?
16:01Bom, o que a gente escutou muito, e claro,
16:03o presidente Donald Trump deixou isso muito claro,
16:05é que existia um incômodo, ele sempre,
16:09aliás, desde a época da campanha,
16:10ele vem falando muito que a economia americana
16:13está sempre sendo prejudicada,
16:15então ele tem esse nacionalismo muito forte.
16:20E, claro, se trouxe toda a ideia,
16:23vem a história de perseguição ao ex-presidente,
16:28ele chegou a falar, inclusive, de déficits comerciais,
16:30o que isso não é verificado.
16:32A gente sabe que as contas mostram que, na verdade,
16:36o Brasil é deficitário dentro dessa história,
16:39mas se traz todo um arcabouço de justificativas
16:43que, para mim, ao meu ver, não conseguem justificar esse pacote.
16:48Porque, primeiro, se fosse uma questão realmente econômica,
16:52a gente teria que ter os argumentos e os dados que mostrassem isso.
16:56O que a gente tem, realmente, em algumas pautas,
16:59é um Brasil bem protecionista,
17:01mas a gente não tem o tal do superávit como o presidente americano traz.
17:06Eu, particularmente, acho que, na verdade,
17:08a economia americana começou a perceber
17:11que demorou muito para reagir ao avanço chinês.
17:14No meu ponto de vista, a economia americana
17:18negligenciou bastante áreas, inclusive, aqui na América Latina,
17:23que foram, acabaram se tornando zonas de influência da China.
17:27Então, a China foi tomando espaços.
17:28Isso não acontece só aqui, isso acontece na África.
17:32Faz parte do projeto de expansão da economia chinesa
17:37esses pontos de contato, essas zonas de influência,
17:40que fazem com que eles, claro, consigam colocar o produto deles,
17:43mas ganhar espaço não só econômico, mas também geopolítico.
17:47Então, acho que a economia americana, na verdade,
17:49o presidente Donald Trump começou e percebeu meio tarde
17:53que a economia americana estava perdendo essa grande vantagem.
17:58E aí, claro, nesse momento, o jeito é trazer isso.
18:02Isso vem numa grande cortina de fumaça com inúmeras justificativas
18:06que, na verdade, economicamente não se seguram.
18:09Então, para mim, o tarifácio vem nesse contexto.
18:11Agora, é óbvio, existem todas as questões também
18:14que estão mais ligadas à questão eleitoral americana.
18:20A gente sabe que ele precisa fazer com que boa parte
18:24daquele eleitorado que o elegeu
18:25entenda agora, nas próximas eleições,
18:28agora que vale a pena continuar com esse mesmo esquema.
18:32E aí entra todo esse pacote também que entra a reboque do tarifácio
18:36de contra-imigração, de tentar trazer a indústria de novo
18:41para a economia americana.
18:42Então, são várias medidas, e eu acho que aqui eu só sei algumas,
18:45a gente poderia passar horas falando delas,
18:48que explicam o porquê que isso tudo acontece.
18:51E o Brasil, aí eu já entro um pouco, só um comentário na questão
18:54que você fez anteriormente.
18:56Na verdade, realmente, o Brasil nessa história
18:58acabou negligenciando todo o efeito.
19:01A gente achou que, como você bem falou,
19:0310% estava saindo barato,
19:05estava melhor que todo mundo no relativo.
19:07Foi escondido e encolhidinho.
19:08Tomara que ninguém me perceba.
19:09Isso mesmo.
19:10Só que não foi bem assim que a história se fez.
19:13Pois é, professor Marcos, também queria escutá-lo a respeito
19:16dessa reflexão que muitos fazem sobre as motivações,
19:21o que estaria por trás.
19:23E a gente tem aí, sei lá, 3, 4, 5 teses.
19:26E uma delas indica que, talvez, a insatisfação, o receio de Donald Trump
19:32com a articulação dos países que integram o BRICS,
19:38aquelas falas do presidente Lula sobre a adoção de uma unidade de pagamento
19:44para a negociação, desdolarizar o bloco, enfim.
19:48Essa é uma tese.
19:49Há outras que a gente poderia colocar aqui em discussão.
19:53As motivações de Donald Trump para o tarifácio
19:55e por que essa tarifa ao Brasil.
19:58Eu também acho, como a Juliana, que a principal razão do Brasil
20:04ter entrado no foco, lá no holofote, foi a reunião de BRICS aqui no Brasil.
20:10Foi naquela semana que veio a reação.
20:13Vamos lembrar também que um pouco antes o Lula esteve lá na Argentina
20:17falando lá da Kirchner Livre,
20:20esteve fazendo articulação no Chile com o Bóric,
20:22e falou realmente essas questões ligadas à desdolarização,
20:27que é um assunto que nem está em pauta no BRICS.
20:29Até porque as moedas do BRICS são todas moedas não conversíveis,
20:33ninguém quer acumulá-las,
20:35não há nenhuma conversa sobre algum tipo de moeda única.
20:39Aliás, não é nem um bloco.
20:40O BRICS é um agrupamento de países em torno da China.
20:44A China criou o seu grupo de amigos,
20:47o Brasil faz parte dele, como faz parte do G20 e de outros grupos.
20:51Então, eu vejo isso, na verdade,
20:54muito relacionado com a presença da China na América Latina,
20:58que não é pequena hoje.
21:00A China hoje é o maior cliente comercial do Brasil.
21:03Quer dizer, a gente tem lá, por exemplo,
21:06lá no agronegócio, ela representa 35%, 40% das nossas exportações,
21:11muito maior do que os Estados Unidos,
21:13como destino hoje das exportações.
21:15Aliás, é o que eu dizia antes,
21:16o que mais me preocupa hoje nem é tanto
21:19o que a gente vai perder de mercado nos Estados Unidos
21:23com esse tarifácio, que é bastante, por exemplo,
21:25no caso do agronegócio.
21:27O que me preocupa mais é o que vai acontecer
21:29com os acordos que os Estados Unidos vão fazer
21:31com a União Europeia, com a China, com o Japão, com a Indonésia,
21:36e se nesses acordos vai haver um acesso preferencial
21:39para os produtos americanos nesses países,
21:42que vai acabar prejudicando a nossa vida,
21:44não nos Estados Unidos, mas em outros países.
21:47Já está no radar do agronegócio brasileiro?
21:49É, o que está sendo anunciado, por exemplo,
21:51no acordo com a União Europeia, está escrito que vai...
21:54Condiciona a diminuição de uma tarifa
21:56com a compra de um montante de determinado produto.
22:00A coisa é muito louca, por exemplo,
22:02a Europa estava pagando, como todos nós, 5%,
22:06aliás, 2%, 3%, 4% para entrar lá nos Estados Unidos.
22:10Aí o Trump ameaçou com 30%.
22:12Para eles, 30% é um desastre,
22:15porque eles têm enorme superávit lá com os Estados Unidos.
22:18E aí, então, a sinalização que ia cair para 15%,
22:21portanto, 10 a mais do que eles tinham, pelo menos,
22:24fez com que eles oferecessem uma série de concessões.
22:28E parte dessas concessões são investimentos que eles vão fazer lá nos Estados Unidos.
22:33Anunciaram 600 bi.
22:34Aliás, eu nem sei como que a Europa vai conseguir coordenar
22:37com que 27 países façam investimentos lá nos Estados Unidos.
22:41Isso não é da alçada da União Europeia.
22:44É uma coisa muito curiosa.
22:45Mas em termos das tarifas, a Europa prometeu acesso, por exemplo,
22:49a produtos agrícolas americanos.
22:51Então, isso afeta o nosso acesso na Europa.
22:53Se isso acontece com a China também,
22:56a negociação com a China ainda está longe de acabar,
22:59também pode prejudicar a gente na China.
23:01Então, é um novo jogo de xadrez.
23:04E é um jogo que exige preparo, exige estratégia, exige modelagens.
23:08E, infelizmente, a gente não tem feito isso.
23:11Eu acho que a gente estava realmente deitado em berço esplêndido nessa história.
23:16A gente vai ser poupado,
23:18eles têm superávit conosco e tal.
23:20Mas a reunião de BRICS, no meu entendimento,
23:23não pelo BRICS, mas pela China liderando o BRICS,
23:27eu acho que foi o sinal que o Trump precisava para dizer
23:30olha, agora eu vou olhar para o Brasil.
23:32Eu acho que a discussão...
23:34Tanto que aquela carta é divulgada.
23:35Se não, no dia, no dia seguinte.
23:36É, logo depois.
23:37E eu acho que a essência do tarifácio não é questão comercial.
23:43É realmente questões político-ideológicas.
23:47Eu acho que a gente está falando...
23:48Mas tem, mas também, alguns analistas entendem que ele acaba cooptando esses episódios,
23:55inclusive do ex-presidente Jair Bolsonaro,
23:58para alcançar objetivos que não seriam somente ideológicos.
24:02Ele acaba se utilizando disso...
24:04Não, é óbvio.
24:05Para até atender aos anseios de alguns grupos que batem palmas,
24:09mas, no fundo, não seria esse o objetivo, enfim.
24:13Tanto que não parece fazer sentido ele externar a necessidade de acabar com o processo,
24:22mas se dirigindo ao Executivo Federal, que não tem autonomia para isso.
24:25Se o presidente faz isso, talvez poderia até sofrer um processo de impedimento.
24:29Mas, por favor, pode...
24:29Não, não, não, mas é exatamente isso.
24:31Eu acho que ele usa a tarifa para várias agendas.
24:34Tem, sim, duro.
24:35Uma das agendas é que ele realmente acredita que aumentar a tarifa é bom
24:39para a reindustrialização dos Estados Unidos, o que eu acho absolutamente falso.
24:44Porque ele está atraindo indústrias que os americanos perderam competitividade há muito tempo
24:48e que não vão ganhar só com tarifa, certo?
24:51Quer dizer, são coisas que eles já não fazem mais e que ele quer resgatar,
24:55como a questão da indústria do aço e tantas outras, né?
24:58Faz sentido, né?
24:58Então, não faz sentido.
24:59Fazer capinha de iPhone, né?
25:00É, e também não vai ter áreas intensivas em mão de obra,
25:04como a parte lá do vestuário ou lá dos calçados.
25:07Quer dizer, ele vai ter enormes problemas com isso nos Estados Unidos.
25:11Vai gerar inflação, vai gerar vários problemas lá que ainda não apareceram.
25:15Eu acho que vão aparecer um pouco mais tarde depois desses acordos.
25:18Mas, de fato, essa foi a agenda dele.
25:20Ele foi eleito com essa agenda e ele está avançando nisso.
25:24E isso tem consequências para todos nós, né?
25:26E eu acho que ele mistura as agendas.
25:29Então, ele usa a pressão da tarifa sobre os países para conseguir outras coisas.
25:33E no caso da América do Sul, da América Latina,
25:37eu acho que ele está fazendo uma experiência com o Brasil na questão político-ideológica.
25:42Quer dizer, ele está forçando a mão por conta dessa presença chinesa
25:47muito perto dos Estados Unidos, na América, né?
25:51E eu acho que o Brasil é o país que mais simboliza isso hoje, né?
25:55A Argentina já tinha sido antes.
25:57É curioso como é que o Brasil e a Argentina mudaram de posição, né?
26:00Eles antes estavam próximos da China e nós estávamos próximos lá dos Estados Unidos no governo Bolsonaro.
26:06Agora, inverteu e veja o que aconteceu.
26:09A gente recebeu uma tarifa de 50% e a Argentina está conseguindo acesso aos seus produtos
26:16e está conseguindo investimentos, inclusive acesso no agro, né?
26:21Conseguiram aicotas, uma série de coisas.
26:23Gustavo, eu queria também pedir o seu diagnóstico, o seu raio-x para esse tarifaço.
26:30É preciso considerar também a lista de exceções.
26:33É bom lembrar que o Gustavo tem uma relação muito próxima com investidores de alguns segmentos específicos, né?
26:40Que certamente monitoram essa situação que envolve o tarifaço para os produtos brasileiros, né?
26:44O que a gente sente uma diferença em relação à negociação e o contato com o governo?
26:51Nos Estados Unidos, nós temos instituído o papel do lobista, né?
26:56Então, existem lobistas de carteirinha.
27:01Então, eles atendem interesses para certas indústrias, para certas empresas, para certos setores.
27:08E eu acredito que isso tem facilitado em muitas exceções que a gente recebeu agora nesses últimos dias.
27:17Que vieram mais pelo lado americano do que pelo lado brasileiro.
27:23Aqui no Brasil, nós temos diversas associações, sindicatos, empresas, que têm acesso ao governo federal.
27:34Mas o que nos parece realmente o problema está no lado americano, na comunicação com o governo americano.
27:40Então, o que eu acho é que as empresas brasileiras, depois que a gente passou pela época de Covid,
27:50nós tínhamos que entender como esses eventos aleatórios podem acontecer a qualquer momento.
27:57E essas empresas brasileiras começarem a ter mais proximidade com essa geopolítica instável que nós estamos tendo, né?
28:10Porque hoje em dia nós temos o Trump, mas amanhã a gente pode ter alguém com uma ideia ainda mais complexa do que essa.
28:19Podemos ter uma pandemia, então eu acho que tudo isso serve para as empresas brasileiras se prepararem para momentos adversos.
28:29Eu acredito que realmente essas tarifas vamos ter más exceções, não vamos ter esse volume, esse problema desse tamanho.
28:40Mas eu acho que fica a lição de casa para nós, como brasileiros, nos prepararmos para próximos eventos aleatórios que vão aparecer sem sombra de dúvida.
28:54Dado que a gente ainda tem muito tempo do governo Trump e também ano que vem nós vamos ter a eleição aqui no Brasil.
29:02Então mais instabilidade está para vir no mercado brasileiro.
29:07A gente não vai ter calma a partir da negociação dessas tarifas.
29:14No ano que vem a gente vai ter mais volatilidade, com certeza no mercado interno e não sabemos no mercado externo.
29:24Agora, Juliana, para além da manifestação de Donald Trump nesta sexta-feira e a resposta do presidente Lula,
29:30sinalizando que muito possivelmente eles devem conversar, manter contato nos próximos dias,
29:37o vice-presidente Geraldo Alckmin tinha assumido o papel de negociador, de articulador,
29:44tratando inclusive com algumas autoridades dos Estados Unidos.
29:48Daí ontem ele concedeu entrevista para alguns veículos,
29:51dizendo que a partir da implementação da tarifa é que as negociações começarão de falta.
29:57E aí é preciso olhar para, se não ineficiência, talvez para a decepção de alguns grupos
30:04que puxaram para si essa responsabilidade na tentativa de destravar.
30:09Não só o chanceler Mauro Vieira, uma comitiva de senadores foi aos Estados Unidos,
30:15alguns governadores também trataram dessas questões, principalmente o de São Paulo,
30:20Tarcísio de Freitas, enfim.
30:22Há vários movimentos, várias frentes tentando encontrar caminhos aí para destravar essa questão,
30:29tentar negociar, diminuir a tarifação.
30:32Em algum momento disseram, há possibilidade de adiamento.
30:36Pois bem, não surtiu efeito.
30:38E aí o presidente Lula deu aquela declaração, dizendo,
30:41bom, não respondem aos nossos comunicados.
30:44A partir dessa sinalização, a gente pode apostar em uma nova dinâmica de negociação?
30:51Quando você questiona o uso do mecanismo para objetivos não muito claros,
30:59talvez objetivos velados, de que maneira essa negociação deve avançar?
31:05Tratando de maneira única e exclusiva dos aspectos econômicos e comerciais,
31:10você acha que há possibilidade também de eles debaterem outras questões para além das comerciais?
31:17Não parece fazer sentido, né?
31:19É, não parece fazer sentido, mas a gente também tem que colocar dentro dessa história
31:22que muitas coisas dentro do tarifácio também acabam destoando das percepções iniciais.
31:30Acho que pode acontecer, sim, de outras questões acabarem emergindo.
31:35No entanto, acho que é importante que nesse momento a gente consiga ou tenha muito em mente,
31:41dado que esse canal está sendo aberto, que a gente tente negociar de uma forma técnica
31:47uma forma de mitigar, de reduzir os impactos para a economia brasileira,
31:53que hoje não são poucos significativos.
31:57E isso é muito justificável, inclusive até o papel do próprio governador aqui de São Paulo.
32:03São Paulo seria um dos estados, é um dos estados mais prejudicados dentro dessa história.
32:08Mas a gente realmente não viu grande êxito nem na comitiva de senadores.
32:15A gente, na verdade, viu muito mais empresas e o empresariado em si
32:21tendo, inclusive, alguns muito mais acesso do que o próprio governo brasileiro,
32:26que foi uma coisa que chamou muito a atenção.
32:27Alguns empresários, inclusive, tendo acesso a vários ministros.
32:32E o Brasil aqui, os senadores recebendo nãos consecutivos ali, né?
32:38Não conseguindo realmente chegar nesses senadores para tentar um caminho mais diplomático.
32:45Então, acho que fica muito claro, na verdade, que no final das contas,
32:49foi a agenda americana que se sobrepôs.
32:51Quem destravou o tarifácio foram os americanos.
32:53Quem destraiu, quem acabou destravando, isso mesmo, foram os americanos.
32:57Foi a agenda americana, foi o interesse americano,
33:02o que faz muito sentido dentro dessa história,
33:05porque, claro, a economia americana sofre bastante o impacto desse tarifácio.
33:09Existe uma pressão inflacionária que se instala dentro da economia americana.
33:16Junto dessa pressão inflacionária, toda uma onda de incertezas,
33:20de volatilidades que se espalham pelo mercado.
33:23E acabam, inclusive, não, claro, eventualmente não num curto prazo,
33:27mas ao longo do tempo, levando efeitos a outros parceiros comerciais
33:31que também prejudicam essa dinâmica econômica.
33:34Então, acho que quem destravou, na verdade, foi o próprio Trump.
33:37Foi ele que destrava essa parte do tarifácio.
33:43E até retomando um ponto que o Marcos falou,
33:47e que eu acho que muito provavelmente em breve ele deve voltar,
33:50é que outros produtos devem entrar nessa história,
33:53porque não faz sentido realmente que a economia americana,
33:57por conta dessa imposição inicial,
34:01acabe sofrendo tantos impactos em produtos que eles nem produzem.
34:04Agora, existe toda a questão da indústria que fica...
34:10Eu, particularmente, fico na dúvida o quanto que o objetivo de reindustrialização,
34:15de retorno da indústria que o Donald Trump entende ser estratégico,
34:21de fato acontece num contexto em que a racionalidade pode superar essas questões ideológicas.
34:28Sem dúvida. Marcos, queria te escutar, queria que você compartilhasse também com a nossa audiência
34:34um pouco da percepção do agronegócio.
34:37Qual o diagnóstico raio-x feito até aqui?
34:41Me lembro que a ministra Simone Tebet, inclusive, concedeu entrevista essa semana aqui para a Jovem Pan,
34:46mas ao longo da semana ela dizia que para resolver os problemas com os Estados Unidos,
34:53isso necessariamente passaria por terras raras e etanol.
34:58Enfim, o que a gente precisa considerar?
35:01Bom, conforme eu já disse, a gente tem uma pauta com os Estados Unidos
35:05que é relativamente pequena até em relação à nossa pauta total no agro.
35:10A gente exporta para os Estados Unidos 12 bilhões de dólares em agro
35:13e se a gente olhar o total exportado é 165 bilhões de dólares.
35:20Então, nos Estados Unidos é 6% do que a gente exporta em agro
35:22e por isso eu acho que é tão importante olhar não tanto o impacto em cada produto,
35:30conforme a Juliana disse, né, que cedo ou tarde você vai resolver isso,
35:36a gente deve convergir para essa tarifa que todos os outros estão tendo, que é de 15% a 20%.
35:41Eu acho que isso vai acontecer depois de mais conversas e tal.
35:44O que eu estou preocupado é com as regras do jogo, certo?
35:48Porque as instituições são as regras do jogo, as organizações são os jogadores.
35:56Não há jogo que funcione sem regra.
35:57Imagina um jogo lá de futebol que não tivesse regra e não tivesse juiz.
36:00O que a gente está vendo com o Trump é um sistema unilateral, né?
36:07Ou seja, ele unilateralmente levanta as suas tarifas e inicia uma negociação com cada país.
36:13Bom, parênteses, a justiça pode derrubar inclusive a lei que permite a ele adotar as tarifas com esse mecanismo.
36:21A justiça pode e ele pode também perder uma próxima eleição e as coisas voltarem atrás.
36:25Mas nesse momento o que nós estamos vendo é um jogo sem regras.
36:29E curiosamente as regras que existem há bastante tempo são as regras da Organização Mundial de Comércio
36:35que foram criadas pelos Estados Unidos e pela Europa
36:38e que estabelecem, por exemplo, a cláusula da nação mais favorecida e a tarifa consolidada.
36:44Todos os 165 membros, inclusive o Brasil e os Estados Unidos,
36:48têm que consolidar na emissão a tarifa máxima que eles vão praticar,
36:52tem a tarifa efetiva que eles praticam
36:54e se eles reduzirem a tarifa para um parceiro, eles têm que reduzir para todos os demais.
37:00Então essa regra hoje já não funciona mais.
37:03Hoje qualquer país pode aumentar ou diminuir tarifas.
37:06Tem ainda todo o problema de barreiras não tarifárias, como as sanitárias, as técnicas ambientais,
37:11que podem ser colocadas talvez a esmo assim, cada um resolve o que faz.
37:15E esse mundo, essa lei das selvas que a gente pode viver é o que mais me preocupa, entendeu?
37:22Porque você pode estar caminhando para um mundo que não é tanto uma nova ordem internacional,
37:28mas é uma grande desordem, uma grande bagunça.
37:31E isso eu acho que para o agronegócio é muito crítico,
37:34porque como a gente exporta 30, 40% do que a gente produz aqui no Brasil,
37:38a gente exporta para 200 países, para os 5 continentes,
37:41imagina se cada país de repente resolve mudar ao seu bel prazer uma tarifa
37:47ou colocar uma barreira não tarifária.
37:49Então eu acho que essas regras do jogo, para mim, é o que mais me preocupa,
37:52é o que vai acontecer com o mundo nesse formato que o Trump está inaugurando.
37:56É claro que isso pode cair, mas a gente vai ter que conviver com isso
38:00e vamos ter que negociar, certo?
38:02Porque senão você vai ter prejuízos de emprego, de divisa, de tudo mais, né?
38:06Então acho que esse é o ponto central.
38:09Em relação à questão de alguns produtos-chave,
38:13de fato, os Estados Unidos querem colocar o etanol em pauta.
38:17E o que ele quer colocar é uma redução da nossa tarifa de etanol.
38:21A tarifa deles hoje...
38:22É em 18, né?
38:23A nossa está em 18, a deles está em 2, eles querem que caia para 2.
38:27Curiosamente, quando eu fui presidente da União da Indústria da Cana,
38:30a gente era exatamente o contrário.
38:32A nossa era baixa, a deles era alta,
38:34e nós brigamos em Washington para derrubar a tarifa deles.
38:37Então acho que faz parte do jogo, certo?
38:39Etanol vai tentar abaixar a tarifa.
38:42E aqueles produtos que são muito consumidos pelos americanos,
38:45mas que não receberam taxação ou foram isentos,
38:49ou entraram na lista de exceções,
38:51alguma explicação, alguma reflexão sobre isso?
38:53Talvez justamente esses produtos, no caso do café,
38:56isso entra em uma negociação futura?
39:00Olha...
39:00Para justamente ter o poder de barganha mencionado pela Juliana?
39:03Eu acho que, no primeiro momento, os produtos que foram dados à isenção
39:07são suco de laranja e celulose,
39:11que são produtos que têm empresas americanas muito fortes,
39:13que foram a Washington...
39:15Ameaçaram judicializados.
39:16É, e que tiveram acesso aos ministros que o nosso governo não teve,
39:20que a gente já falou disso.
39:21Agora, eu acho que eles vão liberar os tropicais,
39:24porque não tem sentido proteger manga e proteger café que eles não produzem, né?
39:28O café são 2 bilhões de dólares de exportação anual.
39:32É um tremendo produto na pauta, né?
39:35É grande.
39:36E, obviamente, não faz sentido aumentar o preço do café,
39:38que os americanos adoram, inclusive, e dependem muito do Brasil.
39:41Não é o cafezinho, só aqueles copos.
39:43Aqueles copões enormes, que a gente até nem gosta tanto,
39:46mas eles gostam muito, né?
39:48Então, eu acho que esses produtos vão entrar.
39:50Aí, depois, você vai ter que mexer com as frutas,
39:52vai ter que mexer com a carne, com pescados, com açúcar e etanol.
39:55Eu acho que essa pauta vai longe.
39:57O Trump gosta desse negócio de ter etapas, né?
40:01Às vezes, ele parece que vai, que está mais próximo lá de um país.
40:05Parecia que ele já tinha feito um acordo lá com a Índia,
40:07agora ele vai lá e bota a tarifa, o Canadá, o México vai e volta.
40:11E ele, com isso, está sempre na mídia, né?
40:13E ele, eu acho que ele tem esse feitio, né?
40:15Eu preciso, preciso, eu preciso causar aqui.
40:19Eu preciso causar.
40:20É, é.
40:23Visão crítica desta sexta-feira,
40:25aos efeitos econômicos do Tarifácio,
40:27os nossos convidados, Gustavo Pessoa,
40:29Juliana Inhás e também o Marcos Ianc.
40:33Agora, Gustavo, antes de começar o programa,
40:35nós falávamos sobre a figura do presidente da República
40:38em meio a uma situação como essa, né?
40:40De que maneira ele deve se comportar,
40:44quais são as articulações que ele pode fazer, enfim.
40:47E aí, o Gustavo, ele levantou um aspecto muito interessante,
40:51fazendo uma comparação com as outras administrações do presidente Lula.
40:56Aquele Lula é diferente desse, né?
40:58E há, inclusive, reclamações reiteradas de pessoas muito próximas
41:02que não conseguem mais acessá-lo,
41:05principalmente em alguns horários,
41:07aos finais de semana.
41:09Há, inclusive, acusações de que a primeira-dama
41:11não permitiria que essas figuras assessores,
41:14pessoas realmente próximas, ministros,
41:16acessassem o presidente Lula
41:18para tratar de trabalho, né?
41:20Coisas importantes, emergenciais.
41:22O quanto disso pode prejudicar
41:25o andamento daquela pauta emergencial urgente?
41:31O que nos parece é que esse Lula 3
41:33é completamente diferente de Lula 1 e Lula 2,
41:37que tinha um suporte do próprio partido,
41:40um suporte de uma equipe muito preparada
41:44e muito articulada politicamente.
41:48Parece que agora, neste novo governo do Lula,
41:53figuras que eram chaves dentro do partido,
41:58dentro da rede de relacionamento deles,
42:01acabaram se afastando por inúmeras razões,
42:05alguns por conta da investigação e da Lava Jato,
42:12outros por conta da idade, problema de saúde.
42:16Mas o que vem parecendo naquele circuito de Brasília,
42:22as pessoas reclamando no acesso direto ao Lula,
42:25está difícil.
42:26porque parece que ele não tem mais esses articuladores,
42:33esses braços direitos que ele tinha,
42:36seis pessoas, oito pessoas.
42:40E isso é complicado,
42:41porque ele, como a pessoa mais importante do executivo,
42:48é muito importante que ele faça sinalizações,
42:51que ele faça articulações e tudo mais.
42:54A gente está vendo nessa negociação do Tarifácio,
42:59vários ministros, seus secretários,
43:02o próprio vice-presidente Alckmin negociando muito bem,
43:06mas você não vê uma coalizão,
43:11você não vê uma frente ampla de vários ministros
43:15juntamente com o presidente.
43:17Parece que cada um está negociando a sua cota,
43:25o seu pedaço.
43:28Isso é muito prejudicial para o país em si,
43:32porque mostra uma desconexão.
43:36Algumas pessoas colocam como culpa nisso
43:39a articulação,
43:47falta de uma articulação política dentro do partido,
43:51você vê muito fogo amigo dentro do partido dos trabalhadores,
43:57que dificulta também.
44:00Outras pessoas falam que a presença da Janja
44:04já tem monopolizado o próprio Lula,
44:08mas eu acho que o público em geral consegue ver
44:11que está faltando, não a comunicação,
44:15mas realmente a articulação.
44:18A comunicação do presidente,
44:20ele está sendo um pouco reativo,
44:22até alguns momentos, muito rápido,
44:24mas essa articulação dentro do próprio executivo
44:29não está sendo feita muito bem.
44:32Não só em relação a legislativo, judiciário,
44:35mas você vê muitos ministros com a sua pauta própria.
44:40Às vezes até em benefício do Brasil,
44:44mas seria importante que se ajudassem mais.
44:49Então, eu acredito que agora,
44:53com essa sinalização aí,
44:55espero que os ministros possam trabalhar
44:59em conjunto com o presidente agora.
45:02A gente tem acompanhado uma série de discussões,
45:06a gente vem trazendo muitas análises
45:09sobre a polarização do país,
45:12enfim, e há muitas discussões a respeito do tarifácio,
45:15querendo imputar ao grupo adversário,
45:17o grupo de Jair Bolsonaro,
45:20a autoria, ou pelo menos alguns integrantes
45:24do governo federal e do Partido dos Trabalhadores,
45:27costumam dizer que o presidente norte-americano
45:29teria sido induzido ao erro,
45:31pelo filho de Jair Bolsonaro, enfim.
45:35É preciso fazer uma reflexão também
45:37sobre o quão vulnerável é Donald Trump
45:42e o governo norte-americano
45:44para receber esse tipo de aconselhamento
45:46e tomar essa decisão.
45:49Dá para imputar a esse grupo,
45:51esse poder de influenciar
45:53o presidente da mais poderosa nação do mundo?
45:57Enfim, é algo que a gente precisa
45:59colocar no seu devido lugar,
46:01porque talvez isso se encaixe
46:02a um discurso eleitoral, inclusive, né, Juliana?
46:05Com certeza.
46:06Eu não acho que, honestamente,
46:08que eles tenham tanta influência, não.
46:09Eu acho que...
46:12Não, não, mas eu digo que talvez
46:12isso se encaixe na retórica adotada por um grupo,
46:16querendo apontar.
46:16Está vendo?
46:17A culpa foi deles.
46:18Mas talvez não tenha sido exatamente isso.
46:20Não, e eu acho que no final das contas,
46:22ainda que tivesse sido supondo, né,
46:24que realmente tudo isso tenha acontecido,
46:26porque a gente também não sabe, né,
46:27a gente está ouvindo o lado do Eduardo Bolsonaro,
46:32que aparentemente realmente fez uma pressão
46:34para que a economia,
46:36para que o presidente americano se posicionasse.
46:39Mas eu acho que independente disso,
46:40se realmente isso aconteceu,
46:42o tiro saiu muito pela culatra, né,
46:44porque aparentemente esse posicionamento do Lula
46:48nessa questão tem feito, inclusive,
46:51a popularidade dele aumentar um pouco.
46:53A gente estava vendo ele em algumas pesquisas passadas, né,
46:56antes da instituição do Tarifácio,
46:59especialmente antes dessa...
47:02da cúpula do BRICS e de toda essa história
47:05que veio agora no mês de julho,
47:07a gente estava vendo a popularidade do presidente
47:09de uma maneira bem sofrida.
47:12E o que a gente está vendo aí nas últimas semanas
47:14é que aparentemente ele conseguiu ganhar um fôlego,
47:17eu acho que muito nesse discurso,
47:20tentando computar a culpa ao outro lado.
47:23Então ele achou no final das contas o Donald Trump
47:27para colocar boa parte da culpa eventualmente
47:30de uma volatilidade interna,
47:31de uma incerteza doméstica,
47:33que não vem só disso, né,
47:34a gente tem que lembrar que antes do Tarifácio
47:36nós já tínhamos o nosso problema fiscal
47:39bem agravado, inclusive, nos últimos anos.
47:43Então, na verdade, eu acho que se a gente for computar
47:45os prós e os contras,
47:47colocar nessa balança quais são os custos e os benefícios,
47:50eu acho que hoje o presidente Lula
47:52ele volta para a disputa, né,
47:55ele era considerado por muitos
47:57uma carta ali meio do lado, ao lado do baralho
48:00para dois mil e vinte e seis,
48:01eu acho que ele volta de uma forma,
48:04ele volta para o jogo, para a briga,
48:06de uma forma bem incisiva.
48:08Então, se o objetivo foi esse,
48:11deu totalmente errado, né,
48:12eu acho que isso mais queimou
48:14a possibilidade de uma volta,
48:17inclusive, da própria família
48:18Bolsonaro em dois mil e vinte e seis,
48:20do que alavancou essa possibilidade.
48:23É, bons apontamentos.
48:25Agora, professor Marcos,
48:28queria também pedir a sua reflexão
48:31sobre a possibilidade da atual administração
48:33tentar capitalizar em cima desse episódio,
48:37mas adotando essa retórica,
48:40apontando o dedo para o outro grupo,
48:41dizendo que tudo foi obra das articulações
48:46feitas por o que eles estão chamando
48:48de desertores, enfim,
48:50lesa pátria e por aí vai,
48:52mas também lançar a partir disso
48:55um plano de contingência,
48:57um plano de socorro às empresas,
48:59um pacote de bondades que,
49:01convenhamos com a situação fiscal do Brasil,
49:04não vai ajudar muito,
49:07mas talvez seja necessário em alguma medida.
49:09Queria a sua ponderação a respeito
49:12dessa possibilidade que vem sendo aventada,
49:14inclusive.
49:15Olha, eu acho que a solução,
49:17bom, eu acho que tem um ponto importante,
49:19que existe uma proximidade, vamos dizer,
49:22de história muito grande entre Bolsonaro e Trump,
49:25certo?
49:26Inclusive na história toda,
49:28depois das eleições que aconteciam em cada país,
49:31e também todo o problema lá com a justiça.
49:34Então, eu acho que essa proximidade realmente
49:36leva a esse assunto ter sido colocado, né?
49:40Mas, pelo lado comercial,
49:43que é o que a gente está falando aqui,
49:46eu acho que tem muito espaço
49:48para fazer uma negociação, né?
49:50Na verdade, a gente chegou tarde,
49:52vários países já fizeram as suas negociações,
49:55já estão avançando nelas,
49:57mesmo Estados Unidos e China, né?
49:58Então, eu acho que mais do que qualquer tipo
50:02de compensação de política pública,
50:04eu acho que não virá como talvez o empresariado queira,
50:08é realmente avançar nessa negociação.
50:11Não há por que o Brasil ficar com uma tarifa de 50
50:13e, de repente, a China, que é o grande alvo,
50:16uma tarifa que é metade disso, né?
50:18Que é para onde está migrando tudo.
50:20Então, eu acho que o que está faltando é mais diálogo.
50:23E um diálogo onde você tem pontos que dá para negociar
50:27e pontos que não dá, dos dois lados, né?
50:30E aí, eu acho que isso aí precisa realmente
50:33ser colocado sobre a mesa e rápido, né?
50:36Porque existe esse espaço.
50:37Aliás, o Washington hoje, eu acho que é um...
50:41é uma coisa incrível a quantidade hoje
50:44de países que estão lá fazendo essa negociação.
50:47Professor Marcos, quando o senhor defende a negociação,
50:50você entende que o mais adequado seria
50:52que os Estados Unidos determinassem
50:55aquela alíquota base de 15% a 20% também para o Brasil?
51:00Você entende que esse é o caminho?
51:02Eu acho que, inicialmente, ele colocou 10% como piso,
51:04que foi onde a gente achou que ia ficar o tempo todo, né?
51:07Agora, o que está acontecendo é alguma coisa
51:10entre 15% e 20%, né?
51:12Eu acho que também eles têm cálculos
51:14que se puser tarifas de 50%, 70%,
51:17proíbe o comércio.
51:18E aí, os impactos na economia americana
51:20serão muito maiores.
51:21Aquele tarifácio bilateral Estados Unidos-China,
51:25seria um desastre para a economia, né?
51:28Tanto que, assim que ele anunciou 145%,
51:32um pingue-pongue, né?
51:33É, mas você lembra disso?
51:35Que logo na sequência,
51:38o pessoal lá dos eletrônicos falou,
51:40escuta, vai triplicar o preço do iPhone, né?
51:43Imagina o que isso é.
51:45Lá na economia americana,
51:46as pessoas terem que pagar três vezes mais
51:48pelo seu iPhone, né?
51:50Então, eu acho que isso tudo
51:52vai acabar convergindo
51:55para esses 15% ou 20%.
51:58Acho que tarifa não reindustrializa.
52:00O que reindustrializa é a inovação,
52:02é produtividade, né?
52:04É um erro achar que a tarifa em si faz...
52:06Aliás, se fosse boa a tarifa,
52:09a América Latina não tinha embarcado
52:11nesse modelo de substituição de importações
52:15que fez com que a nossa indústria
52:16ficasse menos competitiva do que em outros lugares.
52:19Enquanto a gente substituiu importações,
52:22a Ásia promoveu exportações
52:23e competiu no mundo
52:24e roubou o nosso lugar em vários países, né?
52:28Tem vários países que acabaram
52:29trabalhando sempre com tarifas
52:31e isso não criou indústrias mais eficientes, né?
52:35Mas eu acho que eles vão também provar
52:37essa experiência um pouco mais tarde.
52:40Tudo converge para 15 e 20.
52:42Eu não me preocuparia tanto com a questão
52:45do nível que as tarifas estão.
52:48Eu acho que tem que negociar.
52:50Mas eu me preocupo muito
52:50de quais são as regras do jogo daqui para frente.
52:53Já falei isso.
52:54Eu fico muito preocupado
52:56que hoje nós estamos vivendo
52:57num mundo unilateral
52:58onde as coisas são feitas
53:02sob pressão, sob ameaça.
53:05O Trump ignora as instituições.
53:07Ele parte para conversas diretas,
53:10assimétricas e transacionais.
53:13Na Casa Branca,
53:14sabe?
53:15Frente a frente.
53:16Então, é um outro método.
53:18A gente está, por exemplo,
53:19há 25 anos
53:21negociando um acordo
53:22União Europeia-Mercosul.
53:24Que faz todo sentido.
53:25Dois blocos
53:27tentando fazer
53:28um acordo
53:29entre dois grandes blocos.
53:31E não conseguimos chegar ao fim
53:32depois de 25 anos.
53:33Agora, em uma semana lá,
53:36ele conversou com a
53:37presidente União Europeia.
53:41Ursula von der Leyen.
53:42E pronto.
53:43Certo?
53:43Então, é um outro método.
53:45É claro, não é um acordo
53:46que tem todos os detalhes do nosso.
53:48Mas a Europa cedeu.
53:52Cedeu e cedeu muito até, eu acho.
53:54Professor, nós estamos encaminhando
53:55para o final do programa.
53:57Mas eu quero uma última reflexão
53:59de vocês três.
54:00E sendo, pegando justamente
54:02esse ponto destacado
54:03pelo professor Marcos,
54:05Gustavo, em 50 segundos,
54:09qual a efetividade
54:10desse tipo de dispositivo
54:12utilizado por Donald Trump?
54:13E o mundo deve caminhar
54:15para qual modelo?
54:17Porque isso certamente
54:18servirá também de experiência
54:19para ajustes futuros.
54:21Donald Trump não ficará
54:22para sempre no poder.
54:23É preciso olhar para a frente
54:24também em 50 segundos.
54:26Claro, me parece que
54:27esse método de negociação
54:29do Trump é uma coisa
54:31muito temerária,
54:33porque realmente você
54:35usurpa as regras do jogo.
54:38Não me parece que vai ser
54:39uma coisa que vai se perdurar
54:42em outros governos,
54:44mas eu acho que a gente
54:45tem que se preparar
54:46para esses momentos extremos.
54:51Porque volatilidade vai vir,
54:55esses eventos que a gente
54:56não calcula vão acontecer.
54:59Então, fica para a gente
55:01como empresário,
55:03como brasileiro,
55:04saber que momentos ruins
55:06podem chegar
55:08e como a gente tem que
55:09negociar e sair disso.
55:12Tem que ter plano B, C e D,
55:14como o brasileiro sempre teve.
55:17Eu acho que a gente
55:17tem flexibilidade
55:19e a gente tem que fazer
55:21a lição de casa nisso daí
55:22para os próximos problemas
55:24que a gente pode vir a ter.
55:27A experiência desse processo
55:28e caminharemos para onde,
55:30Juliana?
55:3050 segundos.
55:31Olha, eu concordo
55:32bastante com o Gustavo
55:33que eu acho que a gente
55:34traz, esse contexto
55:37traz muitos aprendizados.
55:39Eu acho que o primeiro deles
55:40e o mais forte
55:41é que a gente tem que ser
55:41mais proativo
55:42e menos reativo.
55:43e a gente começou
55:45nessa conversa aqui
55:46falando disso,
55:47que o Brasil esperou,
55:49se acomodou
55:50dentro de um contexto
55:52e esperou
55:52para tentar reagir
55:54quando a situação
55:55já estava bem pior.
55:56Acho que isso traz
55:56a percepção
55:58de que a gente tem que ser
55:59realmente mais proativo
56:01e isso passa por
56:03ter inovação,
56:04ter tecnologia,
56:05buscar produtividade,
56:06buscar eficiência,
56:07pensar os acordos
56:09e as conexões
56:10de uma forma estratégica,
56:12que vai muito além, inclusive,
56:13da questão comercial.
56:14A gente tem que pensar
56:15o posicionamento do Brasil
56:17de uma forma estratégica.
56:19É isso.
56:19Contando com o poder
56:20de síntese dos meus convidados,
56:22professor Marcos,
56:23para encerrar a sua reflexão
56:24final em 50 segundos,
56:26por favor.
56:27É, eu fico preocupado
56:28com o novo mundo,
56:29se ele vai ter regras
56:31e que regras são essas.
56:32Me parece que essa conversa
56:34bilateral com os Estados Unidos
56:35é sempre a briga
56:36do gorila com o mico, né?
56:37Quer dizer,
56:38certamente...
56:39Hoje falaram doberman
56:40com o chihuahua.
56:41Exatamente.
56:42Então, é isso aí mesmo.
56:43A gente tem que buscar
56:43essas regras em algum momento
56:45e acho que,
56:46para fazer isso,
56:47a gente tem que se fazer presente
56:48lá fora,
56:50que a gente não está
56:51devidamente presente.
56:52Então, significa que
56:53o governo brasileiro
56:54tem que estar em Washington,
56:55o empresariado tem que estar,
56:58a academia tem que discutir
57:00estratégia de médio e longo prazo, né?
57:02A gente deveria ter
57:02uma sala de guerra,
57:04como se fala
57:04quando tem uma crise,
57:05não é sala de guerra?
57:06Então, agora é uma sala
57:06de guerra comercial.
57:07Temos que estar muito bem preparados
57:11porque o mundo hoje
57:12está muito bicudo,
57:13está muito agressivo, né?
57:15E a gente tem que se organizar melhor.
57:18Agradecer demais
57:19a participação dos nossos convidados
57:20no dia de hoje.
57:21O Gustavo Pessoa,
57:22economista,
57:23diretor da Taleb Capital Head Fund.
57:26Também a Juliana Inhas,
57:27economista,
57:28professora do INSPER
57:29e rede de economia da ANEFAC.
57:31E também o Marcos Ianc,
57:33muita gente fala Janc,
57:35mas é Ianc.
57:36Ex-professor da Única,
57:37professor sênior
57:38e coordenador do Centro
57:40INSPER Agro Global.
57:42Agradeço demais
57:42pela participação.
57:43Boa noite,
57:44bom fim de semana
57:45e voltem mais vezes
57:46aqui a Jovem Pan.
57:48Não temos mais tempo,
57:49ponto final nessa edição.
57:50Fique na sintonia da Jovem Pan,
57:52fique sempre bem informado.
57:54Jovem Pan,
57:55jornalismo independente.
57:58Muito obrigado,
57:59vocês foram ótimos.
57:59Os comentaristas,
58:01não reflete necessariamente
58:03a opinião do grupo
58:04Jovem Pan de comunicação.
58:09Realização Jovem Pan
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