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NotíciasTranscrição
00:00Com a proximidade do dia primeiro de agosto e sem perspectivas de prorrogação, a taxação de Trump ao Brasil segue preocupando diplomatas, empresários e autoridades públicas.
00:14Apesar dos pedidos de diálogo feitos pelo governo brasileiro, o presidente norte-americano segue inerte, sem dar sinais claros de qualquer chance de negociação.
00:25No entanto, o ministro Fernando Haddad garantiu que um plano de contingência já foi apresentado ao presidente Lula e que o governo federal segue aberto às tratativas.
00:37Os canais conosco, não existe obstrução. Eu já liguei para o Bessert, já me reuni com o Bessert na Califórnia.
00:44O Alckmin já falou três vezes com o Lutnik. O Mauro está lá, tem oito senadores lá.
00:51Quando dois chefes de Estado vão conversar, tem uma preparação antes, né?
00:57Para que não seja uma coisa que subordine um país ao outro. É uma preparação protocolar mínima.
01:03Outros países também atingidos pelas imposições de Trump conseguiram firmar acordos comerciais para amenizar os impactos das tarifas.
01:13Entre eles, Reino Unido, União Europeia e Indonésia.
01:16Na tentativa de seguir os passos desses países, uma comitiva de senadores brasileiros chegou aos Estados Unidos para tentar facilitar o diálogo.
01:27O Visão Crítica desta noite volta a discutir os recentes conflitos na relação entre Brasil e Estados Unidos.
01:34O que falta para que os dois países cheguem a um consenso e quais caminhos o Planalto deve adotar para ter negociações bem-sucedidas sem colocar em xeque a soberania nacional.
01:58Visão Crítica
01:59Olá, tudo bem com você? Seja bem-vindo, começando mais uma edição do Visão Crítica, que hoje volta a falar da relação do Brasil com os Estados Unidos,
02:10às vésperas da implementação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
02:17Por qual razão não conseguimos avançar com as negociações?
02:21Ainda dá tempo de pensar em uma reversão dessa medida, ou pelo menos o adiamento?
02:26Você acha que o presidente brasileiro poderia ter feito mais?
02:30Há quem defenda que ele ligue para Donald Trump.
02:33Enfim, questões que serão respondidas pelos nossos convidados, convidados muito especiais,
02:39com a gente aqui no Visão Crítica, a Zena Latif, economista, sócia, diretora da Gibraltar Consulting,
02:47e também ex-secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo,
02:50a quem agradeço demais pela participação.
02:52Bem-vinda, viu, Zena?
02:53Obrigada, é um prazer.
02:54No lado esquerdo da Zena, o Vinícius Rodrigues Vieira,
02:58professor de Relações Internacionais da FGV e da FAP,
03:01já participou de vários programas aqui com a gente.
03:03Muito obrigado mais uma vez, professor.
03:05E também com a gente, o Roberto Luiz Troster.
03:08Eu tenho uma alegria de reencontrar, já fiz várias entrevistas com o professor Troster,
03:13doutor em Economia pela FEA USP.
03:15Professor, muito obrigado mais uma vez pela gentileza em nos atender.
03:18Obrigado pelo convite.
03:19Pois é, vários aspectos para tratarmos desse tema, do tarifácio de Donald Trump,
03:25mas pegando o recorte, olhando para a situação que envolve o Brasil.
03:28Vou começar pela Zena, porque desde a semana passada a gente tem trazido aqui muitas reflexões,
03:34estamos debruçados sobre esse tema, analisando os muitos aspectos que tratam desse anúncio de Donald Trump,
03:40mas também da capacidade de negociação e articulação do governo brasileiro
03:47para demandas que não são meramente comerciais e tarefárias.
03:52Basta a gente lembrar daquela carta barra comunicado de Donald Trump.
03:57Zena, vimos nos últimos dias países e blocos comemorando, ou se não comemorando,
04:04alcançando acordos com os Estados Unidos em relação às tarifas impostas ou anunciadas.
04:08Por qual razão o Brasil não conseguiu avançar nessas negociações?
04:14Bom, tem países que vinham num processo de negociação já há um bocado de tempo.
04:20Outros ainda não conseguiram fechar acordo, por exemplo, o México.
04:24Então, é um retrato bastante heterogêneo.
04:27Cada caso é um caso e condições muito específicas.
04:31Mesmo aqueles que conseguiram fechar, muitas vezes, de forma polêmica.
04:37A gente viu, por exemplo, agora a reação de alguns países da União Europeia ao acordo.
04:42Foi feito o acordo, mas sobre críticas...
04:45França e Alemanha, especialmente.
04:46Exatamente.
04:47E que são players importantes.
04:49Então, é difícil a gente ter um retrato muito homogêneo nessa história.
04:55São situações muito diferentes.
04:56A posição do Brasil, primeiro, que é uma notícia nova.
05:03Que é essa questão do tarifácio.
05:04Não é algo que vinha lá de trás.
05:06É uma nova informação, um novo elemento, que, aliás, coloca o Brasil numa situação muito difícil.
05:14E, obviamente, como tem questões políticas envolvidas, isso diminui também o espaço para a barganha.
05:21Veja, nós somos uma economia muito fechada.
05:25Nós impomos muitas barreiras tarifárias e não tarifárias ao comércio mundial.
05:31Por esse aspecto, o Brasil é um dos países mais fechados do mundo.
05:35Então, qualquer país tem razão para ter bronca, vamos dizer assim, em relação à política do Brasil e o Mercosul.
05:43Isso é dado.
05:44Agora, não foi isso que foi colocado na pressão dos Estados Unidos.
05:52Por isso que é muito mais difícil.
05:54E, obviamente, com menos instrumentos para negociação.
05:59Não que não haja, mas com menos instrumentos para negociação.
06:02E num contexto político que atrapalha.
06:05O fato de se politizar o tema, sempre se politiza, mas, enfim, neste momento, essa questão política mais forte, obviamente, também atrapalha.
06:18Então, enfim, acho que tem muitos capítulos ainda nessa história, viu?
06:22Sem dúvida.
06:23Dos dois lados.
06:24Não, sem sombra de dúvida.
06:26Porque há quem defenda que a politização também foi destacada inicialmente por Donald Trump, a partir daquela carta considerada por alguns como uma grande salada.
06:37Porque ele fez uma mistura de temas e não foi objetivo em suas demandas e em seus pleitos ali.
06:43Mas a gente vai tratar disso daqui a pouco.
06:45Só quero dar, mais uma vez, boas-vindas ao Vinícius Rodrigues Vieira.
06:49Porque nós falávamos antes de começar o programa, aqui em off, no estúdio, e discutíamos justamente a questão que envolve a negociação e a maneira como o Brasil se colocava, né, professor?
07:01Não somente olhando para as autoridades, para a diplomacia, Ministério de Relações Exteriores, presidente brasileiro, mas também empresários, representantes de setores.
07:10O Brasil ficou acomodado com aquela primeira taxa anunciada de 10%, parecia que era um índice muito atrativo e aí não fez nenhum movimento para negociar, para chamar os Estados Unidos para a mesa?
07:25Foi mais ou menos por aí?
07:27Você acha que o erro começou ali?
07:29Acho que o erro começou ali.
07:31E, obviamente, como a Zena falou, temos essa questão política, essa demanda do Trump a favor do ex-presidente Bolsonaro, algo que é importante dizer, está fora aí do domínio do executivo brasileiro.
07:43Ainda que haja uma anistia, ela vai passar, se haverá pelo legislativo, isso está fora ali do nosso ordenamento jurídico.
07:52E o Trump precisa respeitar isso, é importante dizer.
07:55Mas se a gente olhar a evolução do tarifácio do Trump, o Trump impôs tarifas altíssimas a vários países, principalmente ali da Ásia.
08:04O Vietnã ficou ali naquele primeiro ciclo com quase 70%, 67%.
08:09Houve várias variações e nós respiramos aliviados, porque nós só tivemos 10%.
08:15E acho que isso desarticulou um pouco, não apenas o nosso governo federal, acho que desarticularia qualquer administração que recebesse.
08:25É uma questão de como nós nos situamos ali, nós respiramos aliviados.
08:31Até porque, pegando também o que a Zena falou, nós temos vários elementos protecionistas que não foram abordados naquela época.
08:38Esperava-se ali alguma coisa na questão do etanol, por exemplo, e até aí nos bastidores dizem que o governo já estava preparado para ceder algo no etanol,
08:47ainda que prejudicasse, por exemplo, produtores nacionais como instrumento de barganha.
08:52Então, nós fomos surpreendidos aí, menos de um mês, a carta foi publicada 9 de julho com 50%, a maior aí desse ciclo.
09:00Mas é importante ressaltar, não é apenas o Brasil que sofre com isso, mesmo países que chegaram a um acordo, um acordo muito ruim.
09:08Não só a União Europeia, pensar, por exemplo, na Indonésia, nas Filipinas, países que têm mais perfil próximo ao do Brasil, por serem países emergentes.
09:15Para não citar, claro, o México, que também está aí enfrentando dificuldades.
09:20Mas nós, talvez, como sociedade, o setor produtivo, poderia ter aí se preparado melhor fazendo estudos ao lado,
09:28é importante dizer, claro, do governo federal, que também acabou aí sendo traído, vamos dizer, pelas circunstâncias,
09:35haja vista que nós estávamos no nível mais baixo no primeiro momento, mas Trump parece ter mudado de ideia,
09:41porque ele falou que agora o baseline, a tarifa mínima, não será sequer 10%, mas será entre 20% a 15%.
09:48Professor Roberto Luiz Troster aqui com a gente, professor, tarifaço anunciado por Donald Trump,
09:55a maneira como o Brasil recebe essa notícia, as indicações de que o governo tentaria a negociação,
10:02uma reversão da medida ou até adiamento, e aí muitas frentes de negociação, né?
10:08Vai o chanceler para os Estados Unidos, não é recebido por nenhuma autoridade.
10:12vice-presidente da república enviou uma carta, não tem até agora nenhuma resposta.
10:18Comitiva de senadores, tratativas com outros parlamentares e também com representantes de setores da economia norte-americana.
10:26Governadores, em reunião aqui no Brasil, tentam achar uma saída para essa situação.
10:32O governo, em paralelo, pensa em um plano de contingência, naturalmente socorro às empresas e aos produtores.
10:41situação fiscal ótima do Brasil para pensar nessa saída.
10:44Tudo bem, daqui a pouco a gente trata disso.
10:46Mas queria escutá-lo a respeito, a maneira como o Brasil tem tratado desse tema, quando a gente olha para as negociações.
10:52O Brasil está negociando com a parede, né?
10:55A parede não quer falar e o Brasil está tentando, assim, você falou, senadores, vice-presidente.
11:04Se não é recebido, por que não quer negociar?
11:06Que é uma estratégia de negociação, sabe?
11:09Ficar quieto já é negociar, né?
11:12Já é negociar, porque quanto mais vai chegando, mais expostos.
11:16Ele acabou de mencionar o caso do etanol.
11:19Quer dizer, era algo inegociável, ou seja, debatia que era inegociável, agora já é negociável.
11:27Quer dizer, quanto mais está pressionando bem.
11:30A parede fala e você está chegando à parede.
11:33Você vai bater com a parede, é uma maneira de pressionar.
11:37Ah, e a tarifa não é só com exportação para os Estados Unidos, né?
11:44O que acontece?
11:44Como a tarifa brasileira é mais alta que a tarifa, por exemplo, argentina ou de outros países,
11:51o que acontece?
11:53As vantagens agora da Argentina e todos os outros que têm tarifa menor para exportar para os Estados Unidos aumentam consideravelmente.
12:01Quer dizer, então ele perde dos dois lados.
12:04Também com a União Europeia, o Brasil compete com os Estados Unidos e muitos produtos agropecuários que são exportados,
12:13carne para a Europa.
12:16Estão dando vantagem agora para os produtos americanos.
12:21Quer dizer, o Brasil vai exportar menos carne para a Europa, possivelmente.
12:24Quer dizer, então é um golpe forte e ele está parado, esperando, o relógio joga a favor dos Estados Unidos.
12:33O que é razoável esperar?
12:36Que na hora H vão baixar algumas coisas que prejudicam mais a eles do que a nós,
12:42tipo café, tipo suco de laranja, algumas coisas vão baixar, outras não.
12:48E esperar.
12:50Quer dizer, a parede cada vez vai pedir para que a gente comece a oferecer mais e mais,
12:57esteja mais desesperado.
13:00Você mencionou, professor, essa situação que envolve a possibilidade de diminuição
13:06ou até que o governo dos Estados Unidos zere a tarifa para alguns produtos.
13:11Quais produtos?
13:13Aqueles que os Estados Unidos não produzem, claro.
13:15Tem uma lógica nessa reflexão, né, Zena?
13:19O secretário de comércio dos Estados Unidos deu essa declaração, o Howard Lutnik,
13:23inclusive, no vídeo de abertura, a Fernanda Haddad chega a mencionar o nome do secretário de comércio
13:29que tem mantido contato com algumas autoridades brasileiras.
13:34Mas ele disse, no dia de hoje, que existe, sim, a possibilidade de alguns produtos,
13:38como manga, cacau e café, terem a tarifa zerada.
13:43Mas ele não chegou a mencionar o Brasil como um possível beneficiário dessa medida.
13:50Mas, a partir dessa sinalização, dá para considerar que ele dá uma dica
13:56de como deve ser tocada essa negociação a partir de agora?
14:00É uma luz no fim do túnel?
14:02Devemos aproveitar essa oportunidade, essa sinalização?
14:05Olha, se a gente for pensar o modus operandi do Trump, o Trump tem esse estilo agressivo, né,
14:13e vai ali depois ajustando.
14:17Ele mesmo admite, enfim, esse estilo de negociação.
14:22Então, o primeiro ponto é esse.
14:23Não quer dizer que, quando chegar o deadline, o prazo final, esses elementos já vão estar ali.
14:32Não dá para a gente dizer.
14:33É muito imprevisível.
14:34Pela própria natureza do Trump, é muito imprevisível.
14:37Mas existe, obviamente, um espaço para atenuar algumas tarifas que sejam do seu interesse.
14:45Eu até citaria, no caso, a Embraer, porque a Embraer, ela importa muito os insumos dos Estados Unidos.
14:52Então, tem coisas que têm impacto direto na inflação do consumidor, né,
14:57e que isso pode ser um elemento ali de pressão, mas tem esses laços comerciais de uma empresa do tamanho da Embraer.
15:07Então, assim, primeiro ponto é, faz parte da estratégia do Trump.
15:14A decisão final é dele.
15:17Porque a gente observa que o papel da diplomacia, ele é sempre meio secundário, né.
15:21Ele reage muito mais a questões de uma racionalidade econômica, entre aspas, né,
15:28mas de interesses econômicos, né, racionalidade econômica.
15:31De interesses econômicos, menos de diplomacia.
15:35Então, por esse aspecto, o secretário do Tesouro fazer uma afirmação, por exemplo, tem um peso.
15:42Então, enfim, tem muita água para rolar.
15:45Agora, a gente está falando de um quadro muito imprevisível e mesmo os países que fecharam um acordo,
15:52não dá para dormir, pôr a cabeça no travesseiro e achar que o jogo acabou.
15:58Então, se inserir um elemento de incerteza no ambiente internacional, que ele é dado.
16:04Isso vale para o Brasil, isso vale para todos os outros países.
16:07Sempre vai ficar aquela expectativa, bom, e agora, qual vai ser a próxima jogada?
16:13A Zena traz um ponto que eu acho muito interessante, professor Vinícius,
16:17quando ela destaca essa imprevisibilidade de Donald Trump.
16:21Mas tem um aspecto que eu acho que é previsível.
16:24Isso deve ser contabilizado pelas autoridades brasileiras, pela diplomacia,
16:29quem estiver à frente das negociações.
16:31que é a necessidade dele sair como vencedor.
16:35Ainda que não na mesma medida que ele tenha colocado sobre a mesa com a tarifação de 100%.
16:44De que maneira as relações internacionais podem interpretar esse aspecto
16:51para facilitar, inclusive, a negociação e pensar, talvez,
16:55ou no adiamento ou até na redução da tarifa?
16:58Porque a reversão me parece pouco provável agora.
17:01A reversão, eu diria que é impossível, por conta das circunstâncias em que o Trump...
17:08A regra que ele estabeleceu.
17:09Quando ele fala daquela base de tarifa que vai variar de 15% a 20% para todos.
17:14Para todos, exato.
17:15E, como falamos anteriormente, as motivações políticas no caso do Brasil.
17:20Então, ele teria que ter ali alguma sinalização, me parece,
17:25para revogar totalmente o tarifácio, que está fora de cogitação,
17:28porque, ainda que o executivo brasileiro quisesse satisfazer essas demandas políticas
17:33que implicariam aí na violação, na prática da nossa soberania do ponto de vista...
17:38Você está querendo dizer que passaria por alterações de processos em curso do judiciário ou não?
17:44Exatamente.
17:44Ainda que quisesse, um cenário hipotético.
17:46Vamos traçar aqui um cenário hipotético.
17:48Apresenta um projeto de lei para ser aprovado na jato no Congresso.
17:52Exatamente.
17:53Ainda que houvesse um grande acordo nacional dos poderes,
17:57julgando que isso fosse viável e que não afetaria a nossa soberania.
18:01É claro que afetaria, mas vamos traçar esse cenário.
18:04Ainda assim, o Trump, ele não se sentiria...
18:06Haveria o risco de ele não se sentir totalmente vitorioso.
18:09Sem falar que abriria, do ponto de vista das relações internacionais,
18:12não da economia.
18:13É um precedente muito perigoso.
18:14Qualquer um no futuro, poderia ser a China, qualquer país mais poderoso,
18:19ou a União Europeia, fazer o mesmo tipo de pressão,
18:22achando que o Brasil cederia nesse aspecto, qualquer aspecto político no futuro.
18:27Então, o próprio Trump, ele coloca ali uma condição muito difícil a ser cumprida,
18:32porque não está apenas no reino da economia, mas está no elemento na esfera política.
18:39E isso gera ali sensibilidades como essa que nós estamos vendo aqui no nosso debate nacional.
18:43Em relação a produtos específicos, aí eu acho que tem uma abertura,
18:49não só para o café, para o cacau, como foi mencionado hoje pelo secretário de comércio americano,
18:55mas também em outras áreas, como, por exemplo, o suco de laranja,
19:00a própria Embraer, como a Zena falou,
19:02porque você tem cadeias produtivas que vão impactar o salário de pessoas lá nos Estados Unidos.
19:07Só para ilustrar aqui a questão do café, o que vem sendo mencionado aí pelo mercado.
19:11A cada um dólar que nós exportamos, 38 dólares são gerados na economia americana,
19:17porque é o empacotador do café, é o cara que serve o café lá naqueles copos gigantes,
19:22naquele estilo de café americano, que é muito estranho aqui aos nossos hábitos.
19:26Nós preferimos, claro, o cafezinho.
19:28Então, nós temos aí algo que pode pressionar o Trump no seguinte sentido.
19:32Olha, eu vou dar uma concessão para beneficiar a própria população americana.
19:37Então, nesse discurso...
19:39São produtos que fazem parte do dia a dia do americano, do hábito do americano.
19:42O suco de laranja também.
19:43O suco de laranja, né?
19:44Tem aquela piada, né?
19:46Que a gente, pelo menos, fala muito em relações internacionais,
19:48na área de economia política internacional,
19:51que o americano, ele não sobrevive...
19:54Ele sobrevive a tudo.
19:55Sobrevive a furacão, a Flórida.
19:57Sobrevive às doenças que dizimaram ali os laranjais da Flórida,
20:02mas não fica sem o seu suco de laranja.
20:03Quem proveu o suco de laranja é o interior, por exemplo, do estado de São Paulo.
20:08Então, você tem uma abertura para que você tenha ali,
20:11junto à base trumpista, inclusive, que consome esses produtos,
20:16uma espécie de declaração de vitória.
20:18Olha, eu abri essa sessão para vocês, consumidores,
20:22mas olha, no restante ali, eu ainda vou impor 50% ao Brasil
20:27e vou esperar aí algum meio de campo,
20:30que muito pouco, provavelmente, chegará.
20:33Porque é importante lembrar também das notícias de hoje.
20:36O que vem sendo mencionado do ponto de vista do nosso governo federal?
20:40E aí cabe, talvez, alguma crítica, alguma avaliação, alguma reflexão.
20:44Que o Lula não vai se humilhar perante o Trump.
20:47Que até os senadores que estão lá,
20:50e os senadores de vários matizes partidários,
20:52desde a Tereza Cristina, que é uma representante do agro, da direita,
20:56até Jax Wagner, que é ali um nome muito forte do PT,
21:00notícias de bastidores dão conta de que a saída seria o Lula se humilhar perante o Trump.
21:06Mas que tipo de humilhação?
21:08Algo que se passou como se foi feito com Zelensky,
21:11lá na Casa Branca, ao vivo?
21:13É algo como, por exemplo, se passou com o Cyril Ramaphosa,
21:18o presidente da África do Sul,
21:19que também ali gerou um mal-estar,
21:21em função da visão que o governo americano tem em relação que se passa
21:25com os fazendeiros brancos na África do Sul,
21:28que não tem nenhum lastro ali na realidade.
21:30Então, em suma, nós temos aqui no varejo,
21:34em setores específicos, a possibilidade de que o Trump faça alguma concessão,
21:38sem dizer que está fazendo uma concessão,
21:40até porque suas taxas de aprovação estão caindo.
21:43Hoje isso é um número de 40% de aprovação.
21:45A inflação também tem uma perspectiva de alta nos Estados Unidos,
21:49embora, no primeiro momento, os tarifácios não tenham rendido ali,
21:53num aumento de preços.
21:55E, no âmbito geral, aí me parece realmente muito mais difícil
21:58o Trump ter uma saída honrosa em que ele possa se declarar vencedor
22:03perante o Brasil,
22:05haja vista as demandas que ele apresentou,
22:07que são, reitero, não factíveis,
22:10ainda que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário brasileiro
22:13quisessem fazer um grande acordo nacional.
22:16Pois é, bons pontos.
22:17Professor Troster, queria te ouvir também a respeito dessa declaração
22:20do Secretário de Comércio dos Estados Unidos,
22:22Howard Ludnick,
22:24acho que é um sobrenome polonês, talvez,
22:27não sei, meu palpite,
22:29mas que ele considera, sim,
22:30a tarifação zero
22:32para alguns produtos, como manga, cacau e café,
22:35e aí os analistas disseram,
22:36ah, é um recado,
22:38para o governo brasileiro.
22:39Enfim, o que é preciso considerar
22:41quando ele dá essa dica,
22:43essa sinalização?
22:44A negociação pode se apoiar
22:46nesse tipo de informação?
22:48Nós não estamos tendo negociação até agora.
22:51Só lembrando mais um caso.
22:53Pois não, por favor.
22:53Um caso da Colômbia,
22:55com os presos colombianos,
22:57que o presidente Trump se impôs,
23:00o mesmo argumento de soberania foi usado,
23:04e o presidente colombiano deu um passo para trás.
23:07Só que o Brasil não é Colômbia.
23:09Eu acho que o Brasil,
23:12até antes, no dia 9 de julho,
23:14era um país dividido.
23:15Hoje, continua dividido em alguns aspectos,
23:18mas hoje estão todos contra, assim,
23:21a interferência de trâmina judiciária.
23:23Então, acho impossível
23:25que Lula dê um passo atrás
23:29e ofereça um grande acordo.
23:30Então, acho que isso está fora do radar.
23:33Acho que o Brasil inteiro,
23:35é assim, dependendo a independência dos poderes.
23:41Quer dizer,
23:42e o Brasil, acho que uma coisa muito boa
23:44é que tem instituições fortes.
23:46Não funcionam bem.
23:47Uma série de críticas a gente pode fazer,
23:50mas a independência dos três poderes
23:53não está em discussão.
23:54É mais ainda com o agressor externo.
23:57Segundo,
23:58Trump tem esse estilo de negociar.
24:00Quer dizer,
24:01então, se a gente vai ter alguma novidade,
24:03vai ter no dia 1º de agosto, né?
24:05Não vai ter na véspera, né?
24:07Eu já teria anunciado.
24:10Terceiro, eu acho que a questão agora é esperar.
24:14Assim, não há muito o que ser feito.
24:15Já se mostrou a vontade de negociar.
24:18Já puseram tudo o que o Brasil está disposto a fazer.
24:23Vice-presidente em contato.
24:26Eu acho que isso do presidente do Brasil
24:28se humilhar, pedir, tentar falar...
24:30Tentar contato, não?
24:32Não, eu não...
24:33Você acha que agravaria a situação?
24:35Não, não vai correr esse risco, né?
24:38Aconteceu o que aconteceu com o Zelensky,
24:40como ele demora...
24:41Não, acho que não seria a mesma coisa
24:42porque ele não iria até o Solão Oval.
24:44Creio eu.
24:45Seria um contato telefônico, eu acredito.
24:47E a gente tem que lembrar que o Trump fazia o que você faz agora, né?
24:52Ele tinha um show de televisão.
24:54Então, ele é muito bom de encenação, de teatro.
24:57Pedir as pessoas.
24:59O aprendiz, é verdade.
25:00O aprendiz.
25:01Então, assim, ele é um experto comparável.
25:04Sim, sem dúvida.
25:05E fez muito bem.
25:06Quer dizer, ele enquadra muito bem as pessoas.
25:09Então, eu diria que se eu Lula no lugar dele, não iria nunca, né?
25:14Esse é um ponto que eu queria tratar com a Zena,
25:16porque a Zena é economista, enfim,
25:18já participou de muitos programas de televisão,
25:21também é sócia-diretora da Gibraltar Consulting,
25:24mas ela tem experiência na administração pública,
25:28no poder executivo, inclusive, né, Zena?
25:30Queria que você trouxesse um pouco da sua experiência,
25:33das relações entre autoridades.
25:35Foi secretária de Desenvolvimento Econômico
25:37aqui do Estado de São Paulo.
25:39Há uma cobrança por parte de algumas figuras da política,
25:44mas também do mercado,
25:46de que o presidente deveria se apresentar a essa demanda.
25:51Inicialmente, foi uma responsabilidade passada a Geraldo Alckmin,
25:56entendem que trata-se de uma figura mais moderada,
25:59com uma boa interlocução com representantes de alguns setores,
26:02mas há três, quatro dias da implementação do tarifácio,
26:08entendem que o presidente brasileiro deveria se expor,
26:12ainda que corresse esse risco,
26:14bem destacado pelo professor Vinícius,
26:16de se humilhar.
26:17Queria te ouvir.
26:19É muito difícil imaginar as estratégias.
26:23A gente tem dois jogadores aqui,
26:26o Trump e o presidente Lula,
26:28os dois precisando se preservar politicamente,
26:31e os dois precisando passar uma imagem
26:35para as respectivas nações
26:38de que saíram bem nesse jogo.
26:42Por esse aspecto,
26:44são muito parecidas as situações.
26:46O Trump tem esse estilo de negociar
26:52e que, ao final, ele fala,
26:53olha, eu consegui o que eu queria.
26:54Mesmo quando se fala dessa...
27:00Até se usa essa expressão que, no final,
27:01ele acaba cedendo, ele fala,
27:03não, não é isso.
27:03Essa é a minha forma de...
27:05Essa é a minha estratégia.
27:06Essa é a minha forma de agir.
27:09Não é que eu estou facilitando no final.
27:11Não.
27:11É porque esse é o meu estilo.
27:13Então, cada líder aí tem o seu estilo.
27:18Olha, eu não vou descartar a possibilidade
27:22dos dois presidentes se encontrarem em algum momento.
27:24Eu não vou descartar essa possibilidade,
27:26porque a política é tão imprevisível...
27:28Dinâmica, né?
27:29Exatamente.
27:30Então, se começa a ter muita pressão,
27:32por exemplo,
27:33mesmo internamente,
27:34para o presidente Lula se apresentar,
27:37e ele mesmo fala,
27:38olha, eu sou do tipo que sento para conversar.
27:41Então, é tudo tão imprevisível
27:43que eu não descarto.
27:45O que não significa
27:46que vai ser uma postura de humilhação.
27:49A gente está falando dos dois lados,
27:53de políticos experimentados,
27:55que sabem que precisam entregar algo.
27:59Então, eu não descarto, não.
28:01Agora, é claro que, de novo,
28:03a gente volta para aquele ponto.
28:06Não há como o Lula prometer nada
28:09em relação a decisões do judiciário.
28:13Acho que isso já foi colocado muito claramente
28:16pela diplomacia, enfim,
28:21ao presidente.
28:22Pelo menos o que sai na imprensa
28:24é que isso já foi colocado por Trump.
28:27Que não tem como se prometer algo do judiciário.
28:32Mas tem uma irritação com o Brasil,
28:34independentemente disso.
28:36As falas do presidente Lula
28:38são uma provocação.
28:42Então, seria muito importante, na minha visão,
28:45ter um certo recuo aqui
28:47do nosso presidente
28:49no sentido de evitar provocações
28:52e aprofundar essa sinalização
28:56de que, olha, eu toparia conversar.
29:00Pois é, olha, tem vários aspectos
29:03que a gente precisa considerar
29:05a partir de declarações e visões
29:07das autoridades brasileiras.
29:08Porque me parece que, neste momento,
29:12hoje, terça-feira,
29:13há um grande contingente
29:15de pessoas influentes
29:17que apostam na implementação do tarifácio.
29:20E eu queria fazer o exercício agora
29:22de pensarmos, no dia seguinte,
29:24ao tarifácio.
29:25Hugo Mota, que é o presidente
29:26da Câmara dos Deputados,
29:28professor Vinícius,
29:29defende a adoção da lei da reciprocidade,
29:32devolvendo a mesma moeda.
29:34E até nós trouxemos, na semana passada,
29:36indicações de representantes do governo
29:40que, sim, levantam a possibilidade
29:42de adotar esse dispositivo,
29:44mas não de imediato.
29:45Ah, sexta-feira entra em vigor
29:47a taxação dos Estados Unidos
29:49sobre os produtos brasileiros.
29:51Daí, na segunda-feira,
29:52o governo brasileiro institui,
29:54implementa a mesma tarifa
29:56de 50% sobre produtos americanos.
29:58O que é preciso considerar
30:00sobre os sinais que nós devemos emitir,
30:02que o Brasil deve emitir
30:04para os Estados Unidos
30:05a partir da implementação?
30:07Aí, abre-se um canal
30:08de negociação diferente
30:10a partir da implementação
30:12dessa tarifa,
30:13que muda na dinâmica do jogo.
30:15Nós vamos começar muito mal
30:17esse jogo,
30:18porque nós vamos ter
30:20a maior tarifa
30:21dentre todos os países.
30:23Ainda que alguns
30:23não tenham chegado a nenhum acordo,
30:2550% será a maior tarifa.
30:28Exceto China,
30:29a depender do resultado final.
30:31Depende do resultado final,
30:32mas tudo indica que na China
30:33haverá ali um adiamento,
30:35uma trégua de três meses.
30:36É o que tudo indica.
30:38E a China tem esse poder de barganha,
30:41algo que nós não temos.
30:42A China escalou, escalou, escalou,
30:43passou de 100%,
30:44145%,
30:46Trump respondeu na mesma moeda,
30:48até que as partes conversaram.
30:50Só que nós não somos a China,
30:51a gente não tem
30:52o mesmo status internacional.
30:54Nós não temos, por exemplo,
30:55armas nucleares.
30:56Pode parecer piada
30:57falar aqui de armas nucleares inadequadas,
30:59mas repare,
31:01o Trump respeita ali
31:03as grandes potências.
31:04A própria União Europeia
31:05parece que ele respeita
31:06menos do que, por exemplo,
31:08Rússia,
31:08que, interessantemente,
31:09ficou com uma tarifa ali
31:10de 10%
31:11e no meio dessa discussão
31:12também não está claro ali
31:13como que o Putin
31:14vai ser taxado,
31:16ainda que haja ali
31:16promessas de sanções
31:18em 12 dias
31:19na questão da guerra da Ucrânia.
31:21Mas voltando ao ponto do Brasil,
31:23quais são as opções
31:24de retaliação, por exemplo?
31:26Podemos suspender
31:27propriedade intelectual,
31:28mas acho que geraria
31:29um mal-estar muito grande
31:31no mercado,
31:32no sentido de não respeitarmos
31:33contratos.
31:34Seria um instrumento legítimo
31:35do ponto de vista
31:36das relações internacionais?
31:37Sem dúvida,
31:38mas no aspecto econômico,
31:40péssimo.
31:40E acho que o problema
31:41do governo,
31:43o governo, aliás,
31:43já tem problemas
31:44de credibilidade junto
31:45ao mercado,
31:46independentemente do Trump,
31:47como a questão
31:48da dívida pública,
31:49enfim,
31:50todo esse debate
31:51que já existia aqui.
31:52Então o governo acho
31:52que não vai se arriscar
31:53nesse sentido.
31:54Então talvez o governo,
31:55ele tenha ali um período,
31:57como já se especulou,
31:59aí de seis meses
32:01até decidir fazer
32:02alguma coisa
32:03e nesse período
32:04tentar fazer,
32:06abrir algum canal
32:07de negociação.
32:08Seria até uma sinalização
32:09de boa vontade.
32:10Olha,
32:10vocês estão nos taxando,
32:11mas nós ainda queremos
32:12sentar à mesa.
32:13Enquanto,
32:14pelo menos,
32:14não houver uma conversa
32:16de fato entre os presidentes,
32:18nós vamos segurar
32:20qualquer retaliação.
32:21É um caminho possível.
32:22Outras medidas
32:24podem estar relacionadas
32:25a dois pontos
32:26que acho que nós
32:27nos esquecemos
32:27aqui no debate,
32:28porque ficou muito
32:30aí na questão política
32:32que é o que o Trump,
32:33como ele abriu a carta dele.
32:35Mas tem dois pontos.
32:35As big tax,
32:37acho que alguma barganha
32:38pode ser oferecida
32:39nesse sentido.
32:40O próprio Canadá,
32:42que também é um caso
32:43interessante de regulação
32:44de big tax,
32:45tem uma postura
32:46mais próxima
32:46da nossa
32:47que é inspirada.
32:48Big tax no que tange
32:49taxação.
32:50Taxação e conteúdo.
32:53Mais a taxação
32:54do que o conteúdo,
32:54porque aí o conteúdo
32:55passa ali.
32:55O presidente Lula
32:56é um entusiasta
32:57da regulação das redes.
32:58Da regulação das redes.
33:00Mas é muito mais
33:01a questão da taxação
33:03que passa mais,
33:04no meu entendimento,
33:04pelo menos pela ação
33:06direta do Executivo,
33:07do que a questão
33:08do conteúdo,
33:09que aí também resvala
33:10um pouco na questão,
33:12é um pouco análogo
33:12à questão política,
33:13porque passa pelo legislativo,
33:15o próprio entendimento
33:16do STF
33:17sobre o grau
33:19de liberdade
33:19de expressão
33:20das redes,
33:21o que deveria ser
33:22regulado ou não.
33:23Teria mais,
33:24como nós falamos
33:24na ciência política,
33:25atores de veto.
33:26Na questão tributária,
33:28não me parece ser o caso.
33:29Então, alguma barganha
33:30por questão de pragmatismo
33:32pode ser oferecida.
33:33E o segundo ponto,
33:34a Zena falou aí
33:35das falas do presidente Lula.
33:36Acho que mais que as falas
33:37do Lula,
33:38acho que mais pega ali
33:39o Trump,
33:40e do ponto de vista
33:41novamente das relações
33:42internacionais,
33:43foi muito interessante
33:44ver o Trump,
33:45mesmo antes da aposta,
33:46preocupado com os BRICS,
33:47porque todo mundo
33:49em relações internacionais,
33:50principalmente
33:51em universidades americanas,
33:53colegas de universidades
33:54americanas e europeias,
33:55falavam,
33:55ah, os BRICS
33:56não se preocupavam muito.
33:57Quando o presidente
33:58dos Estados Unidos
33:58se preocupa com os BRICS
34:00é porque tem alguma coisa
34:01ali que gera um mal-estar.
34:03E qual é esse mal-estar
34:04na minha visão?
34:04Mas isso passa por
34:05aquela suposta adoção
34:07da moeda alternativa?
34:08Exatamente.
34:09Essa proposta
34:10não é nem uma moeda alternativa.
34:12Uma unidade de pagamento.
34:13Uma unidade de pagamento,
34:14mas sobretudo
34:14o que mais preocupa o Trump
34:15é o que?
34:16É a desdolarização
34:17da economia global.
34:19Que, repito aquilo
34:21que eu já falei
34:21em outras entrevistas,
34:22não vai ser uma questão
34:23do Trump,
34:25do Lula,
34:25do Xi Jinping
34:26e do Putin.
34:27Quem vai definir
34:27se o dólar
34:28vai continuar ou não
34:29como moeda de troca global
34:30vai ser o mercado.
34:32E quem está mais
34:33minando a credibilidade
34:34do dólar
34:35é o Donald Trump
34:36com a
34:37One Big Beautiful Bill,
34:39né,
34:39que ali abre margem
34:41para gastos maiores,
34:43tanto que
34:43gerou atenção com o Musk
34:45que defendia ali
34:46cortes de gastos
34:47e saiu do governo.
34:48Mas voltando aqui
34:49para a questão
34:49do Lula,
34:50o que ele poderia oferecer?
34:52Algum compromisso
34:53no sentido
34:53de não avançar
34:54nessa agenda
34:55de desdolarização
34:56e talvez
34:57ali
34:58não taxar
34:59as big tax.
35:00Acho que
35:01essas são
35:01as duas moedas
35:02de barganha
35:03que podem satisfazer
35:04Trump,
35:05mas o Trump
35:06tem que falar,
35:07tem que estar disposto
35:08a negociar.
35:09Por hora,
35:10não há nenhuma
35:11sinalização
35:11nesse sentido.
35:13Pois é,
35:13Troster,
35:13também quero te ouvir.
35:14Caminhos possíveis
35:15a partir da implementação
35:17da tarifa
35:18de 50%.
35:19Há quem defenda
35:20a adoção
35:21da lei
35:21da reciprocidade.
35:22O professor Vinícius
35:23menciona dois aspectos
35:25também muito pertinentes,
35:26né,
35:26big tax
35:27e o assunto
35:29que a gente tem tratado
35:30aqui de forma regular,
35:32a insatisfação
35:33e antipatia
35:34de Donald Trump
35:35pelos BRICS.
35:37Bom,
35:37aí nós estamos falando
35:38de três assuntos.
35:39Pois é,
35:39exato.
35:40Se quiser,
35:41se quiser fazer uma ação,
35:43se não,
35:44trate da lei
35:45da reciprocidade
35:46e a alternativa
35:47que nós teríamos
35:48a partir da implementação
35:49dessa tarifa.
35:50Bom,
35:50eu acho que é uma briga
35:51desigual,
35:52né,
35:52quer dizer,
35:53a participação nossa
35:54no comércio internacional
35:56deles,
35:57no comércio exterior
35:58deles,
35:59é muito maior
36:00do que o contrário,
36:01quer dizer,
36:01nós somos o ratinho
36:02brigando com o leão.
36:04Então,
36:05acho que
36:06se a gente se ameaça,
36:07ele vai dobrar a posta,
36:09né,
36:09quer dizer,
36:10Brasil,
36:11números redondos,
36:12é 2,5%
36:15do PIB mundial,
36:16quer dizer,
36:17então,
36:17Estados Unidos
36:18são mais do que
36:1910 vezes isso.
36:20Então,
36:21é uma briga desigual.
36:23Então,
36:23empeitar,
36:24eu não acho que seja
36:25o caso.
36:27Eu acho que
36:27como estratégia
36:29não é boa.
36:31Com a questão do dólar,
36:32só complementando
36:33o que ele falou,
36:34eu acho que o dólar
36:36está se enfraquecendo,
36:37concordo com ele,
36:38Donald Trump,
36:39porque é a primeira,
36:39não só Donald Trump,
36:41né,
36:41primeira vez na história
36:43que a Moody's
36:44tirou o triple A
36:45dos títulos
36:47da dívida americana.
36:50E o fato
36:51de outros sistemas
36:52de pagamentos,
36:53independentemente
36:54do poder do dólar
36:55ou não,
36:55quer dizer,
36:56estão acontecendo
36:57no mundo inteiro.
36:58hoje você,
37:00foi mencionado
37:01o PIX,
37:02mas o SWIFT
37:03comparado
37:04com a rede chinesa
37:05é menos eficiente,
37:07quer dizer,
37:08toda história
37:09de moeda
37:09é sempre uma história
37:10de evolução.
37:12Então,
37:12é muito mais
37:13uma obsolescência
37:14do sistema americano
37:16do que
37:17os novos players.
37:19E pagamentos
37:20em moedas locais,
37:22né,
37:22os sistemas
37:22de moedas locais,
37:23isso você já tem
37:24faz tempo.
37:25O Brasil,
37:26acho que há uns 15,
37:2720 anos,
37:28tem com alguns países
37:29da América do Sul
37:30um que se chama
37:31um SML,
37:32sistema de moedas locais.
37:34Você,
37:35exportação,
37:36por exemplo,
37:36só para dar um exemplo
37:37para a Argentina,
37:38em vez de você
37:39converter para dólar,
37:41converter para peso,
37:42você pode fazer direto.
37:44Apesar do sistema
37:45existir,
37:46menos de 7%
37:48das transações
37:48são feitas desse jeito.
37:50Mas é uma tendência,
37:52quer dizer,
37:52por que eu tenho
37:53que comprar dólar
37:55e vender dólar
37:56ter esses dois
37:57spreads?
37:59É uma tradição,
38:01costume,
38:02usar tudo em dólar,
38:03mas está perdendo espaço,
38:05né?
38:06Esse ano,
38:07só com o euro,
38:09perdeu 8%
38:10o dólar, né?
38:11Quer dizer,
38:12o dólar está se enfraquecendo.
38:14Da mesma maneira
38:15que a Libra
38:15se enfraqueceu
38:16nos anos 30,
38:19sabe,
38:19por uma má política
38:21dos ingleses,
38:25nós mudamos da Libra
38:26para o dólar,
38:27né?
38:27Então,
38:28se ele não atuar
38:31internamente,
38:32vai ter problemas,
38:33né?
38:34Com que velocidade,
38:35não dá para saber,
38:36mas com certeza
38:37nós vamos ver
38:38um dólar mais fraco,
38:39né?
38:39Pois é,
38:40agora,
38:40Zena,
38:41tem alguns analistas
38:42internacionais
38:43que tratam de uma questão
38:45que o professor Vinícius
38:46chegou a destacar aqui
38:48sobre a motivação
38:50de Donald Trump
38:51para a adoção das tarifas,
38:53enfim.
38:54Vocês já falaram,
38:55em certa medida,
38:57trata-se de uma tendência,
38:58é a maneira dele negociar,
39:00talvez para cada país
39:02ele tenha um objetivo específico,
39:03não necessariamente
39:04ele deixa isso muito claro,
39:06ele não é muito objetivo
39:08nas suas,
39:10na maneira como ele trata
39:11do tarifácio,
39:12qual, de fato,
39:13o que ele quer mirar,
39:15mas,
39:16em relação ao Brasil,
39:17não é incomum
39:19escutar quem diga
39:20que o que estaria por trás
39:21é a insatisfação dele
39:23com o fortalecimento
39:25do BRICS,
39:26para além da questão
39:27que envolve
39:27a possibilidade
39:28de adotar
39:29essa unidade monetária
39:31para transações
39:32entre os países
39:33dos BRICS.
39:34O que a gente precisa
39:34considerar
39:35quando essa tese
39:37acaba ganhando o corpo
39:38e as tratativas
39:40e discussões
39:41também levantam
39:42essa possibilidade?
39:43Olha,
39:43você sabe que eu,
39:44eu confesso
39:47que eu não acho
39:48que a questão
39:48do BRICS
39:49foi o mais importante.
39:52Ele mesmo
39:52falou assim,
39:53olha,
39:53esse BRICS
39:54não é relevante,
39:55nem foram lá
39:56todos os representantes
39:58na reunião,
39:59né?
40:00É muito difícil,
40:02sabe,
40:02colocar tanto peso.
40:03Uma coisa assim,
40:04ah,
40:05ele pode ter tido
40:07alguma relevância,
40:08mas acho pouco,
40:13acho pouco,
40:14uma peça pouco relevante.
40:16Até porque
40:16quando a gente olha
40:17o BRICS,
40:18ampliou bastante,
40:20tem países
40:22com realidades
40:23dinâmicas,
40:25políticas,
40:26econômicas
40:26absolutamente diferentes,
40:28não é um todo coeso,
40:31é aquele chamado
40:33sul global
40:34de alguma medida
40:35tentando ali
40:36ganhar alguma voz.
40:39Essa pode até
40:40ser uma tendência
40:41de longo prazo
40:42em função
40:43nesse mundo
40:44que tem
40:47esse antagonismo,
40:48China
40:49e Estados Unidos,
40:51a tendência
40:51disso é recrudecer.
40:54Então,
40:54esse tipo
40:54de arranjo
40:55pode até ser
40:56que tenha um,
40:58seja um caminho
40:59aí que a gente
40:59vai ver daqui
41:00para frente,
41:01mas hoje,
41:02hoje é um grupo
41:03absolutamente
41:04heterogêneo,
41:06com poucos
41:06interesses em comum.
41:10Então,
41:11por isso que eu dei
41:11esse peso
41:12muito mais
41:13às provocações ali,
41:14sabe?
41:15Por isso que eu dei
41:15esse peso.
41:17Eu não vejo,
41:19eu não vejo,
41:20enfim,
41:21essa importância
41:22toda do BRICS.
41:22Agora,
41:24tem aquele ponto
41:25assim,
41:26econômico,
41:27quer dizer,
41:27pegando
41:28essa discussão
41:30que já foi iniciada,
41:31no longo prazo
41:35essas medidas
41:36são ruins
41:37para os Estados Unidos.
41:38O comércio mundial
41:39ele tem uma razão
41:40de ser.
41:41Se um país
41:41compra uma mercadoria
41:42de um determinado
41:43país,
41:44é porque tem
41:45uma lógica econômica
41:46por trás.
41:48É uma relação
41:48custo-benefício
41:49que vale a pena.
41:50Você se especializa
41:52em alguns produtos
41:53e você vai comprar
41:54produtos de outros
41:55países que no relativo
41:57tem vantagem
41:58comparativa
41:59para aquela produção.
42:00Com isso,
42:01os países
42:01exploram
42:03os seus ganhos
42:04de escala,
42:05tem acesso
42:06a produtos
42:06de maior qualidade
42:08e a gente viu
42:09o ganho
42:10que foi a globalização
42:11de uma forma geral
42:12e os Estados Unidos
42:14foram ganhadores
42:15com a globalização.
42:18Principalmente
42:18quando a gente
42:19olha os setores
42:20mais sofisticados
42:22associados
42:22a serviços.
42:24Aquela
42:24manufatura
42:25tradicional
42:26ela perdeu
42:27o espaço
42:28mas abriu
42:29o espaço
42:30para outros setores
42:31muito mais
42:32sofisticados
42:32empregando muito
42:33mais gente
42:34e trazendo ganhos
42:36para o PIB
42:36muito maiores.
42:37Estados Unidos
42:38foram ganhadores.
42:39Claro que
42:40de forma localizada
42:41alguns estados
42:43alguns setores
42:44sofreram
42:46claro
42:46a concorrência
42:47com produtos
42:48chineses
42:50asiáticos
42:51mas tudo isso
42:52para dizer
42:53que os Estados Unidos
42:54perdem com essas
42:55iniciativas
42:56assim como se nós
42:57fizermos retaliação
42:58nós vamos perder
43:00fechar o comércio
43:03isso significa
43:04menos crescimento
43:05agora a questão
43:06é o timing disso
43:08talvez demore
43:09talvez seja uma coisa
43:11que a sociedade
43:12norte-americana
43:14não perceba
43:16rapidamente
43:17então começa a sentir
43:18alguma coisa
43:19de inflação
43:20que talvez nem seja
43:21algo muito forte
43:23porque a gente tem
43:24um quadro de uma
43:24inflação mundial
43:25bem comportada
43:26inclusive porque a China
43:27exerce uma
43:29uma força de redução
43:31da inflação
43:31no mundo
43:32e isso infelizmente
43:35acaba dando fôlego
43:36para essas políticas
43:37porque assim
43:38Trump toma
43:40essas decisões
43:41de isolacionismo
43:42de protecionismo
43:43e talvez não seja
43:45ele quem vai colher
43:46os frutos negativos
43:48exceto alguma
43:49alguma elevação
43:51da inflação
43:51então lamentavelmente
43:53isso acaba colocando
43:55mais fôlego
43:56o dólar
43:58perde força
43:59mas qual
44:00em que
44:01em que
44:01dimensão
44:02em que magnitude
44:03talvez não seja
44:05um movimento
44:06muito longo
44:07pelo menos
44:08enquanto
44:09Trump
44:09for presidente
44:10então
44:11esse contexto
44:13né
44:13de muitas vezes
44:14decisões de um governante
44:16o efeito
44:17perverso
44:18ficar para um próximo
44:20acaba fazendo
44:21com que esse governante
44:22estique a corda
44:23demais
44:24e esse contexto
44:24a gente não pode
44:25desconsiderar
44:26porque no final
44:27se a gente for olhar
44:28o que está acontecendo
44:29ele está ganhando
44:30em várias frentes
44:31ele está conseguindo
44:32alguns acordos
44:33e em todos
44:34alíquotas superiores
44:36ao que era
44:36a situação anterior
44:38importante
44:41esse exercício
44:42que foi
44:42colocado
44:43e proposto
44:44aqui pela
44:44Zena Latifi
44:46agora
44:46pois não
44:47eu complementaria
44:48com duas coisas
44:49claro
44:49um tem
44:51uma curva
44:52de um U
44:53invertido
44:54né
44:55dizendo onde
44:56que você agrega
44:56valor
44:57né
44:58que se você
44:58agrega muito
44:59valor
44:59na pesquisa
45:01quando você vai
45:01fazer um produto
45:02e depois
45:04na parte
45:04de comercialização
45:05na produção
45:06o valor agregado
45:08é muito baixo
45:09um exemplo
45:10típico
45:10assim emblemático
45:11é o notebook
45:12que era da IBM
45:14quer dizer
45:15a IBM
45:15vendeu isso
45:16a IBM
45:16vendeu toda a produção
45:18de notebooks
45:18por quê?
45:19porque o valor agregado
45:20que tem
45:22é muito baixo
45:23então
45:23o Trump
45:24está
45:25procurando algo
45:27que tem pouco valor
45:28para a economia
45:29e está jogando fora
45:31o que tem muito valor
45:32quer dizer
45:33é uma estratégia ruim
45:35se você pensa
45:36no futuro do país
45:37é uma perda
45:38de eficiência
45:39muito grande
45:40queda de produtividade
45:41ainda que agora
45:42não vá se materializar
45:44muito interessante
45:45e a segunda coisa
45:46ainda só para complementar
45:47a gente sempre analisa
45:48em termos
45:49econômicos
45:50livre mercado
45:51ganhos de escala
45:52tem uma outra maneira
45:54de ver isso
45:54que vem com
45:55imperialismo
45:56né
45:57ou
45:57assim
45:59muitos países
46:00cresceram
46:01assim
46:01com políticas
46:02imperialistas
46:03um exemplo
46:04foi por exemplo
46:05na virada do século
46:0618 para 19
46:08o McKinley
46:09né
46:09que também
46:10subiu tarifas
46:12conquistou
46:14alguns territórios
46:16né
46:16deu a base
46:18para o crescimento
46:19assim
46:20para os Estados Unidos
46:21emergirem
46:22como uma potência
46:23foram
46:23foram medidas
46:26imperialistas
46:27né
46:28e tem mais
46:29uma das primeiras
46:31medidas
46:31que o Trump
46:32tomou
46:33foi nomear
46:34o Golfo do México
46:35o Golfo do América
46:36parece uma piada
46:38mas sim
46:39outra medida
46:40que foi
46:40o Monte Denali
46:41Denali
46:42a montanha
46:43mais alta
46:44dos Estados Unidos
46:45que fica no Alasca
46:46né
46:46e Denali
46:47era conhecida
46:48pelos índios
46:49como
46:49Denali
46:51pelos nativos
46:51aí
46:52um presidente
46:53assim
46:54há 100 anos atrás
46:55chamou o monte
46:56de Monte McKinley
46:57né
46:57pouco tempo
46:59depois
46:59né
47:00voltou a ser Denali
47:02e uma das primeiras
47:03medidas de Trump
47:04foi não
47:04agora vai ser
47:05McKinley de novo
47:07e parece que ele está
47:08muito inspirado
47:09no que McKinley
47:10fez
47:11né
47:11em muitas das medidas
47:12que ele está tomando
47:13tarifas
47:14falar que quer
47:15ganhar Groenlândia
47:17o Canadá
47:18tudo isso
47:19são
47:19assim
47:20é uma lógica
47:21imperialista
47:22e não uma lógica
47:23de mercado
47:24como você
47:25é
47:25mas
47:25para além
47:27dessa questão
47:28do imperialismo
47:29mercantilismo
47:30tem elementos
47:32não econômicos
47:33que explicam
47:34até
47:34porque que talvez
47:35o Trump
47:36ele se sinta
47:37tão confortável
47:38em empreender
47:40essa política
47:41tarifária
47:42porque
47:42vamos pegar
47:43como exemplo
47:44os agricultores
47:45americanos
47:45que aliás
47:46até podem se beneficiar
47:47com alguns
47:48dos acordos
47:49né
47:49mencionei mais cedo
47:50Indonésia
47:51Filipinas
47:52abriram ali
47:53totalmente
47:53o Japão
47:54né
47:55até uma questão
47:56cultural
47:56arroz
47:57eles vão ter
47:57que comprar
47:58arroz
47:58do meio oeste
48:00ali americano
48:01né
48:01ali dos produtores
48:02americanos
48:02vão ter que
48:03comprar produtos
48:03agrícolas
48:04e pode
48:04aliás
48:05fazendo a ponte
48:05nos prejudicar
48:06na Indonésia
48:07a gente estava
48:08tentando exportar
48:09frango aí
48:10todo um avanço
48:10aí muito forte
48:11do agro
48:12podemos ser
48:12prejudicados
48:13mas por que
48:14que esse indivíduo
48:15ali do centro
48:16dos Estados Unidos
48:17né
48:18de estados
48:18como Iowa
48:19da cota do sul
48:22da cota do norte
48:22ainda assim
48:23vota no Trump
48:24pela questão
48:26identitária
48:27questão de guerra
48:28cultural
48:28eles nunca vão votar
48:30num democrata
48:31por conta
48:32por mais que o Trump
48:33esteja equivocado
48:34nas decisões
48:36econômicas
48:37tome decisões
48:38econômicas
48:38que do ponto de vista
48:39daí dos manuais
48:41de economia
48:41sejam irracionais
48:43então esse elemento
48:44aí que envolve
48:46até elementos
48:47de nacionalismo
48:47cristão
48:48nacionalismo branco
48:49né
48:49basta lembrar aí
48:50que talvez o grande
48:51influenciador
48:52da decisão
48:53contra nós
48:54tenha sido
48:55Steve Bannon
48:55que é um nacionalista
48:57branco
48:57é um supremacista
48:58branco
48:58que tem a sua ponte
48:59aí com o Eduardo
49:00Bolsonaro
49:00então nós temos
49:02aqui elementos
49:03não econômicos
49:04que devem entrar
49:05na análise
49:07no sentido
49:07de entender
49:08porque que o Trump
49:09aparentemente
49:10tem decisões
49:11irracionais
49:12então não é só
49:13aí apoiar
49:14a big tax
49:15não é só
49:15apoiar
49:16make America
49:18great again
49:18no sentido
49:19das manufaturas
49:20por exemplo
49:21que não faz
49:21menor sentido
49:22reincorporá-las
49:23ali na dinâmica
49:24americana
49:25porque é muito
49:25mais eficiente
49:26fazê-las fora
49:27mas boa parte
49:28do que explica
49:29a continuidade
49:30e o sucesso
49:30do Trump
49:31e esse ímpeto
49:32aí sim entra
49:33ao meu ver
49:33o imperialismo
49:34é essa
49:35associação
49:36com setores
49:37ali de
49:38ultradireita
49:40de extrema direita
49:40que é
49:41o nacionalismo branco
49:42o nacionalismo cristão
49:43que acaba ali
49:45fazendo com que
49:45mesmo indo contra
49:46os interesses econômicos
49:48dessas constituentes
49:50como falamos
49:51em ciência política
49:51desses eleitores
49:52ainda assim
49:53esses eleitores
49:54continuam
49:55a apoiá-lo
49:56pela falta
49:57de uma
49:57talvez
49:58alternativa
49:59melhor
49:59pois é
50:00alguns pontos
50:01para tratarmos
50:02na última sessão
50:04do programa
50:04os últimos 10 minutos
50:06Zena Latif
50:07Vinícius Rodrigues Vieira
50:08e Roberto Luiz Troster
50:10aqui com a gente
50:11Zena
50:12pudemos acompanhar
50:13as pessoas
50:14que prestigiam
50:15a programação
50:16da Jovem Pan
50:16acompanharam
50:17a manifestação
50:19do ministro
50:20da Fazenda
50:20Fernando Haddad
50:21e também
50:21de outros representantes
50:23do Palácio do Planalto
50:24mencionando
50:25um plano
50:25de contingência
50:27que estaria sendo
50:28desenhado
50:29com o objetivo
50:30de socorrer
50:32apoiar
50:34subsidiar
50:35alguns setores
50:37estratégicos
50:38da nossa economia
50:39inclusive hoje
50:40teve uma manifestação
50:41de um representante
50:42do TCU
50:42Tribunal de Contas
50:44da União
50:44defendendo que
50:46o dinheiro
50:47empregado
50:47nesse plano
50:48de contingência
50:49não fique
50:51debaixo
50:52do guarda-chuva
50:53do arcabouço
50:53fiscal
50:54logo
50:54é preciso entender
50:56que isso
50:57seria
50:57fora
50:58então
50:58coloque aí
51:00na conta
51:00um estouro
51:01maior
51:02na situação
51:02fiscal
51:03já muito
51:04complicada
51:04do governo
51:06brasileiro
51:07queria a sua
51:07reflexão
51:08sobre esses
51:08caminhos possíveis
51:09de que maneira
51:10isso agrava
51:11a situação
51:12já que
51:13não
51:14positiva
51:15bem ruim
51:16que a gente
51:16tem acompanhado
51:17nos últimos meses
51:18quais são os
51:19caminhos possíveis
51:20caso venha
51:21essa implementação
51:22e o governo
51:23tente
51:23oferecer
51:25esse pacote
51:25de bondades
51:26porque tem um ingrediente
51:27também político
51:28eleitoral
51:28que a gente
51:29precisa também
51:30olhar para
51:312026
51:31olha
51:32primeira coisa
51:33que precisa
51:34ser colocado
51:35quando
51:36a gente
51:37tem
51:37uma economia
51:38que vai
51:39bem
51:39esses setores
51:40exportando
51:41a gente
51:42exportando
51:42commodities
51:43a receita
51:45das empresas
51:46crescendo
51:47isso não é
51:48dividido com a
51:49sociedade
51:49vamos dizer assim
51:50exceto via
51:51pagamento
51:52de impostos
51:53bom
51:54isso sendo
51:56a gente
51:56precisa
51:57ter
51:57colchão
51:59nas nossas
52:00contas públicas
52:01para que nesses
52:02momentos de
52:03bonança
52:03em que você
52:04tem aumento
52:05da arrecadação
52:06por causa
52:06de um ciclo
52:07econômico
52:07favorável
52:08para que
52:09gere
52:10reservas
52:11para ter
52:12como
52:13defender
52:14a economia
52:14diante
52:16de um choque
52:17adverso
52:18a gente
52:20vê por exemplo
52:20o Chile
52:21com o fundo
52:22do cobre
52:23Colômbia
52:24também tem
52:25um fundo
52:25de estabilização
52:26a gente
52:27precisa ter
52:28algo que
52:28de fato
52:29funcione
52:29para que
52:30no momento
52:31de um choque
52:32a gente
52:32não precise
52:33se preocupar
52:34com a saúde
52:34das contas
52:35públicas
52:35tem uma
52:36reserva
52:36ali
52:36então
52:37primeira
52:37coisa
52:37a gente
52:39está muito
52:39atrasado
52:40em decisões
52:41como essa
52:42é difícil
52:43também
52:43para a sociedade
52:44você fala
52:44puxa vida
52:45mas
52:45a gente
52:46vai ter
52:47que participar
52:47desse
52:48socorro
52:49então
52:50esse tipo
52:51de reflexão
52:52acho importante
52:53a outra
52:54coisa
52:55sim
52:55é compreensível
52:56dado isso
52:57que tem
52:59algum tipo
52:59de socorro
53:01algum tipo
53:02parcimonioso
53:03cuidadoso
53:05porque afinal
53:05você tem que pensar
53:06assim
53:06tem empresa
53:07que se preparou
53:09contratou gente
53:10pediu empréstimo
53:11do banco
53:12para
53:12investir
53:14para
53:15enfim
53:16comprar insumos
53:17e de repente
53:18não vai ter
53:18como entregar
53:19não vai ter como
53:20fazer a realização
53:25dessa exportação
53:26de repente
53:27vai precisar
53:27de um crédito
53:28uma linha
53:29de crédito
53:30especial
53:30para conseguir
53:31uma transição
53:32até se adaptar
53:34a uma nova
53:35realidade
53:36tá
53:37tá bom
53:37você pode pensar
53:39em alguma coisa
53:40desse tipo
53:41mas de forma
53:41muito parcimoniosa
53:43porque a gente sabe
53:43que política
53:44pública no Brasil
53:46é fácil fazer
53:47depois para desmontar
53:48olha o perse
53:49da pandemia
53:49que a gente
53:50o sufoco
53:52que é
53:53e assim
53:54setores que estão
53:55recebendo benefício
53:56e estão
53:57para lá
53:58de recuperados
53:59né
53:59então
54:00é importante
54:01a gente lembrar isso
54:02criar políticas
54:03públicas
54:03tem que ser algo
54:04muito
54:05muito bem
54:06calculado
54:07e de fato
54:08identificando
54:09os grupos
54:09que precisam
54:10em um período
54:11muito limitado
54:12para essa ajuda
54:13essa é a segunda
54:14colocação
54:14a terceira
54:15assim
54:16olha
54:17e que remete
54:18a primeira
54:19é claro
54:19mesmo que seja
54:21você fala
54:22tá bom
54:22vai ter alguma
54:23coisa
54:24e eventualmente
54:26ali
54:26fora
54:28da regra
54:29fiscal
54:30das metas
54:31do primário
54:32pode até
54:33ficar fora
54:34mas a corrosão
54:36das expectativas
54:37a perda
54:38de confiança
54:39dos investidores
54:41do mercado
54:41ela tá lá
54:42estando ou não
54:44computado
54:45computada
54:46eventual
54:47despesa
54:48no cálculo
54:49do arcabouço
54:50na regra
54:51do arcabouço
54:51ou nas metas
54:52de resultado primário
54:54você pode até
54:54não pôr
54:55mas o estrago
54:56do ponto de vista
54:57de expectativas
54:58fica ali
54:58então assim
54:59acho que tudo isso
55:01precisa ser pensado
55:02porque você fala
55:03ah mas
55:04o governo pode ter
55:05estímulos para isso
55:07em função da eleição
55:08o custo que vai
55:09para o câmbio
55:11o custo que vai
55:12no limite
55:12para o banco central
55:14cortar os juros
55:15eu acho que não vale a pena
55:17um ponto importante
55:18para colocar
55:19a gente tem visto
55:20esse enfraquecimento
55:21da moeda norte-americana
55:22por causa de erros
55:23de política econômica
55:24dos Estados Unidos
55:25aqui era para o câmbio
55:26estar abaixo
55:27de 5
55:28a gente já teve
55:30esses patamares
55:31do dólar
55:32mundialmente
55:33e com o câmbio
55:34abaixo de 5
55:35aqui
55:35esse
55:35esse
55:36esse hiato
55:37é fruto
55:38do risco fiscal
55:39três minutos
55:41para terminar o programa
55:42um minuto e meio
55:43para cada um
55:44destaque final
55:45professor Vinícius
55:46por favor
55:46não pegando o que
55:47a Zena falou
55:48acho que é importante
55:50pensar em alguma
55:51coordenação entre o governo
55:52federal e os governos
55:53estaduais que também
55:54sinalizaram aí
55:55para a oferta de crédito
55:57que novamente
55:58sendo bem desenhado
55:59bem coordenado
56:00para que não tenha
56:01aí sobreposição
56:03e um efeito carona
56:06ou seja
56:06até setores aí
56:07que tem ali
56:08exportação
56:09para os Estados Unidos
56:10mas que talvez
56:11ainda possam
56:12redirecionar
56:14suas exportações
56:15e claro
56:16ter também
56:17força ainda
56:18no mercado doméstico
56:19selecionando bem
56:21separar o joio do trigo
56:22de quem de fato
56:23merece
56:23receber esse auxílio
56:25é uma medida
56:26mais do que
56:27justificável
56:28não obstante
56:28claro
56:29aí a preocupação
56:30com a questão fiscal
56:32e mais do que
56:33acho que
56:33buscar esses auxílios
56:34é colocar aí
56:35a mobilização
56:36do
56:37Itamaraty
56:39da Apex
56:39agência promotora
56:41de promoção
56:42de exportações
56:43investimentos
56:43para buscar
56:44novos mercados
56:45porque Donald Trump
56:46não é uma figura
56:47confiável
56:47ainda teremos
56:48os três anos e meio
56:49de Donald Trump
56:49então ter aí
56:51qualquer esperança
56:52de recuperar
56:53o mercado americano
56:54isso para qualquer país
56:55não só o Brasil
56:55é uma quimera
56:57então buscar
56:57novos mercados
56:58e o poder público
56:59acho que tem
57:00um fator fundamental
57:01um papel fundamental
57:02nesse processo
57:02plano para socorrer
57:04as empresas atingidas
57:05já vimos esse filme
57:06professor
57:07um minuto e meio
57:08para encerrar
57:09esse filme
57:09é um filme triste
57:11tem até a musiquinha
57:13filme triste
57:14que me fez
57:14vai me fazer chorar
57:16ao invés
57:16que me fez chorar
57:17e todo mundo
57:18olha para o arcabouço
57:19aí o TCU fala
57:20não, isso não fica
57:21no arcabouço
57:22isso não fica
57:22mas o mercado
57:23não olha para o arcabouço
57:25o mercado olha
57:26para a relação
57:26dívida-PIB
57:27hoje nós pagamos
57:29vamos pagar esse ano
57:31mais do que
57:32um trilhão de reais
57:33em juros
57:34é mais do que o dobro
57:35que você gasta
57:36em educação
57:37saúde e justiça
57:38somados
57:39né
57:40então mais dívida
57:41quer dizer
57:42você gasta mais
57:42dez reais
57:43esse ano
57:45o ano que vem
57:46você vai pagar
57:46vai ficar devendo
57:47os dez reais
57:48mas vai pagar
57:49dez centavos
57:51um real a mais
57:53já no déficit
57:54do ano que vem
57:55e no outro ano
57:56outra coisa
57:57quer dizer
57:57nós estamos
57:58cada vez mais
57:59então eu acho
58:00que é um buraco
58:01sem fundo
58:01acho que o Mazena
58:02falou
58:02o mínimo
58:04você não sabe
58:04quanto tempo
58:05vai durar o tarifácio
58:06então
58:07tem que ser
58:09muito
58:09muito parcimonioso
58:11nisso
58:11é isso
58:11gostei muito do programa
58:13quero agradecer demais
58:14a participação
58:14de vocês
58:15Zena Latifi
58:16economista
58:17Vinícius Rodrigues Vieira
58:18professor de relações internacionais
58:20e também Roberto Luiz Troster
58:22doutor em economia
58:23voltem sempre
58:24a programação
58:25da Jovem Pan
58:26ponto final
58:27nessa edição
58:28agradecendo demais
58:29sua companhia e audiência
58:30fique na sintonia
58:31da Jovem Pan News
58:32sempre boas atrações
58:33para você ficar
58:34muito bem informado
58:36Jovem Pan
58:37jornalismo independente
58:39A opinião dos nossos comentaristas
58:50não reflete necessariamente
58:52a opinião do grupo
58:53Jovem Pan
58:54de comunicação
58:55Realização Jovem Pan
59:00Jovem Pan
59:01Jovem Pan
59:01Jovem Pan
59:02Jovem Pan
59:02Jovem Pan
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