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Fabrizio Panzini, diretor da Amcham Brasil, detalhou os impactos da tarifa de 50% anunciada pelos EUA sobre exportações brasileiras. Segundo ele, a medida coloca em risco cerca de 3 milhões de empregos e prejudica empresas americanas instaladas no Brasil. O setor defende diálogo para evitar perdas bilionárias. Os analistas Julia Lindner e Alberto Ajzental discutem os impactos e negociações sobre as tarifas.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00Sobre o impacto dessa tarifa, eu converso agora com Fabrício Panzini, que é diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais da Anchan Brasil.
00:08Fabrício, boa noite para você, seja bem-vindo, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:13Bom, Fabrício, a Anchan se reuniu com o comitê criado pelo governo e com o vice-presidente Geraldo Alckmin.
00:19Como é que foi essa reunião? O que você pode contar para a gente?
00:23Cris, boa noite, obrigado pelo convite. Foi uma reunião muito positiva.
00:30Uma reunião que demonstramos a preocupação das empresas, sobretudo de capital americano, que operam aqui no Brasil e que são grandes exportadoras para suas matrizes, tem esse comércio chamado o comércio intrafirma.
00:47Então, a gente demonstrou como essa tarifa inviabiliza muito das exportações que são feitas a partir do Brasil e o impacto econômico que isso pode ter.
01:01Vale lembrar, Cris, algo importante, que a pauta de exportação para os Estados Unidos brasileira de exportação é uma pauta muito nobre,
01:10quase 80% de bens industriais e um dado que a gente tem aqui calculado junto com o Ministério é que essas exportações estão atreladas a cerca de 3 milhões de empregos criados aqui no Brasil.
01:23Então, colocamos essa preocupação e também uma mensagem importante, que foi algo que soou bastante, uma harmonia entre todos os empresários, algo que foi uma unanimidade,
01:36é buscar essa negociação, buscar o caminho do diálogo para que essa tarifa não seja de fato aplicada.
01:45É, Fabrício, só para ficar bem claro para todos nós, qual é o papel exatamente da Anshan nessa tentativa de reaproximar Brasil e Estados Unidos diante desse impasse que a gente está vivendo?
01:56A Anshan é uma entidade centenária, ela tem 104 anos de operação aqui no Brasil, ela foi criada por empresas brasileiras e americanas para fomentar as relações econômicas entre os dois países.
02:14E ela tem, ao longo desses mais de 100 anos de atuação, promovido o comércio, promovido investimentos diretos, seja americanos aqui, brasileiros dos Estados Unidos,
02:26trabalhado pelo fortalecimento.
02:28E o nosso papel nesse momento é, sobretudo com empresas dos Estados Unidos que operam no Brasil, que tem o mercado brasileiro como muito importante,
02:37ajudar nessa aproximação entre os dois governos, demonstrar prejuízos que essa barreira pode causar as nossas exportações e a economia brasileira,
02:50não só, mas também a economia dos Estados Unidos, e servir como uma forma de, uma cola entre os dois setores e tentar aproximar.
03:00A gente entende que a relação econômica entre o Brasil e os Estados Unidos é muito relevante,
03:05os Estados Unidos é o nosso maior parceiro econômico e talvez os empresários podem dar essa contribuição para aproximar os dois governos neste momento.
03:16É até uma questão importante que os Estados Unidos seguem com superávit comercial em relação ao Brasil há muitos anos.
03:22Esse número ajuda a reforçar o argumento de que a tarifa é injustificada?
03:28É, embora a gente não goste de medir o comércio entre superávit e déficit, porque isso é uma visão um pouco, que limita um pouco,
03:36você vai ter superávit em alguma conjuntura, eventualmente, se a sua produção tem ali uma ociosidade maior, busca mercado externo,
03:45ou em algum momento que o país está crescendo muito, importa mais, então não é uma métrica boa.
03:50Mas, dado um critério que é muito anunciado pelo governo dos Estados Unidos, isso deveria sim nos favorecer,
03:58porque o Brasil é o quarto maior superávit comercial dos Estados Unidos, principalmente se a gente juntar bens e serviços.
04:06São mais de 15 anos seguidos de superávit dos Estados Unidos com o Brasil.
04:11Só na última década, em bens, foram quase 100 bilhões de superávit dos Estados Unidos com o Brasil.
04:20Então, a gente entende que isso, de fato, pode pesar favoravelmente ao Brasil.
04:25Nesses primeiros seis meses do ano, os dados do governo brasileiro, os superávit dos Estados Unidos cresceram 500%,
04:33que mostra uma evidência que não há um tratamento discriminatório,
04:39um tratamento desfavorável às empresas americanas aqui no Brasil.
04:44Passar para a pergunta dos nossos analistas, vamos começar pela Júlia Lindner, lá em Brasília.
04:49Júlia, por favor.
04:50Fabrício, como que você vê a possibilidade de ser concedido um adiamento desse prazo do dia 1º de agosto?
05:00Tem muita gente que fala, os empresários pedem 90 dias, e o que você acha que aconteceria nesse período?
05:06Você acha que seria possível reverter ou você acha que a situação do Brasil é muito diferente dos outros países?
05:14O comércio internacional, assim como os negócios, Júlia, dependem de previsibilidade.
05:20Esse prazo até 1º de agosto, ele está trazendo muita incerteza para as empresas,
05:26empresas que não conseguem tomar uma decisão se de fato embarcam os seus bens ou não,
05:32quando que essa tarifa de fato está entrando em vigor, se ela já está entrando em vigor,
05:37se ela chegar depois de 1º de agosto, ou se ela vai ser contada pela data de embarque dela aqui no Brasil.
05:46Então, de fato, alguma previsibilidade, um prazo maior é necessário.
05:52Lembrando que o que a gente gostaria e está lutando para que seja alcançado é uma eliminação definitiva desse 50%.
06:02Como eu estava aqui colocando para a Cristiane, a posição do Brasil no comércio dos Estados Unidos,
06:09sendo um dos países responsáveis pelo superávit dos Estados Unidos,
06:13inclusive em vários setores que os Estados Unidos têm déficit no mundo,
06:17farmacêutico, máquinas, automotivo, autopeças,
06:22tem déficit com o mundo e tem superávit com o Brasil.
06:25Então, o nosso intuito é que seja eliminado.
06:28Claro, se nesse meio termo tiver uma demonstração,
06:34aí uma sinalização de que 90 dias vão ser aplicados,
06:37isso dá um fôlego maior para negociar, ótimo.
06:41A gente tem aí nesse último dia o anúncio de uma investigação dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
06:46A gente pode trabalhar em temas que os Estados Unidos estão colocando
06:49e não tenho nenhuma dúvida que é possível a gente demonstrar que dá para ter ganhos para os dois lados nessa negociação.
06:58Passar para a pergunta do Alberto Azentar. Alberto, por favor.
07:02Fabrício, eu estava fazendo umas contas e o discurso tem sido muito em cima da questão do superávit.
07:10A gente até viu o vice-presidente falando muito sobre isso.
07:14O superávit, o ano passado, foi da ordem de 350 milhões de dólares.
07:21A gente exportou 40,3 bilhões e importou 40,6 bilhões.
07:28Ceteris Paribus, se a gente continua a exportar 40 bilhões e eles cobram, vamos supor, 20% de alíquota,
07:36eles recebem 8 bilhões de dólares e não 350 milhões de superávit.
07:42De qualquer forma, cobrar 20 ou 30% de alíquota, mesmo que as importações caiam,
07:48parece ser um número muito superior ao superávit.
07:51Você acha que vale a pena ficar na conta do superávit e tentar provar para os americanos
07:58que fazem conta que essa é a razão pela qual eles não deveriam cobrar alíquotas do Brasil?
08:04Tem bastante argumento que a gente pode utilizar.
08:11Eu diria, o superávit é um dos critérios que eles mesmos têm apontado.
08:17Ali, quando o Trump tomou posse, ele lançou uma política chamada Trade Policy, America First.
08:23America First Trade Policy.
08:24E lá ele colocava o tema do superávit, mas colocava também tratamentos que ele achava
08:31que outros países estariam dando, que desfavoreceriam as empresas americanas no seu comércio
08:36ou nos seus investimentos.
08:38Citou alguns setores chaves e tudo mais.
08:42Mas o fato é que, por onde você olhar essa relação, ela é muito positiva para os dois lados.
08:50E no caso, buscando por outros argumentos aqui, que não seja só o superávit,
08:59o Brasil tem 74% de suas importações que vêm dos Estados Unidos com tarifa zero.
09:07Ou tarifa muito baixa em outros percentuais.
09:11Mas 74% é tarifa baixa.
09:14Então, aqui a gente já vê que não há um tratamento desfavorável.
09:17É outro argumento que se pode utilizar.
09:22Então, de fato, acho que a gente não pode só ficar nessa coisa,
09:26se tem superávit, não tem superávit.
09:28Até porque as tarifas, muitas vezes, nos Estados Unidos,
09:31estão sendo colocadas por vários outros motivos, muitas vezes.
09:35O que a gente deseja é que a racionalidade econômica prevaleça.
09:39É uma relação positiva.
09:43Os Estados Unidos têm exportações ao Brasil de alto valor agregado.
09:47O mesmo pode se dizer das nossas vendas para aquele país.
09:52Então, olhando seja o superávit, olhando seja a questão do tratamento que se dá
09:59às importações dos Estados Unidos do Brasil,
10:01que entram majoritariamente com tarifa zero no Brasil,
10:06por onde se olha uma relação ganha-ganha.
10:09E colocar esse 50% de tarifa, ele levaria o comércio a uma queda grande.
10:14E não só do Brasil aos Estados Unidos,
10:17mas também de suas matrizes para o Brasil,
10:20que mandam peças para o Brasil manufaturar e mandam de volta para os Estados Unidos.
10:24Então, você tem impacto para a economia americana.
10:27Sem falar dos bens que são parte do dia a dia americano,
10:32alimentos ou até aeronaves que podem encarecer.
10:36E um ponto adicional é que, caso o Brasil venha a ter essa tarifa aplicada,
10:42outros países vão tomar o lugar do Brasil nas importações americanas.
10:46Quais seriam esses países?
10:48Provavelmente países asiáticos, justamente com quem os Estados Unidos
10:52têm déficit e gostariam de reduzir.
10:55Então, tem várias coisas que não fecham nessa equação de 50%,
10:59e é por isso que a gente mantém muita esperança que a racionalidade vai prevalecer.
11:04Fabrício, que assim seja.
11:07Muito obrigada, um prazer te receber aqui. Boa noite.
11:10Obrigado.

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