- há 5 meses
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00:00O sol nascente é tão belo
00:05A fábula do rato da cidade e do rato do campo deu a maior discussão.
00:10Uns defenderam a vida na cidade e outros no campo.
00:14Sabe o que eu acho?
00:15Que é bom conhecer e passear nos dois lugares.
00:18Enquanto a gente continuava assistindo o meu vídeo sobre as fábulas,
00:22o Barnabé e a Anastácia se atrapalharam com o tal do espantalho enfeitiçado pela cuca.
00:26O saci está querendo ganhar a aposta que fez com ele, mas não sei não.
00:31O espantalho é esperto que só ele.
00:33O tio Barnabé tentou pegar ele, mas o danado foi mais inteligente
00:37e não caiu na armadilha do chapéu com cola.
00:41Só que o tio Barnabé não desiste fácil.
00:43E ele e a tia Anastácia construíram uma espantalha para atrair o boneco.
00:48Eu acho que dessa vez o espantalho vai se dar mal.
00:51Será?
00:53Fábio.
00:55Quinto episódio.
01:03Fica pra aí.
01:04Mas viu só o que você fez?
01:06Por sua causa, vi parar nesse buraco.
01:09Olha só.
01:10Mas que espantalho, mas cara de palha, hein?
01:13Ainda quer botar a culpa na pobre da bonequinha?
01:16Pobre da espantalha que não fez nadinho.
01:19Olha só, olhando bem, ela ficou bonitinha, né?
01:22Pode deixar, Anastácia.
01:24Pode deixar que o atentado agora vai pagar por tudo que ele fez.
01:26E aí a gente vai poder contar pra todo mundo o que é que tava acontecendo aqui.
01:30Que ninguém vai falar que nós estamos ficando malucos.
01:32Tá aí, ó.
01:34Tá aí o espantalho em pano e palha pra provar.
01:38Isso, né?
01:39Boneco enfeitiçado.
01:40É, e vamos lá, Manabé.
01:42Vamos lá, que eu tô doido pra botar isso em pratos limpos.
01:44Tá?
01:45Vamos lá, Anastácia.
01:45E fica aí bem quietinho, viu?
01:48Seu safado.
02:01Aí, ó, tanto que acabou que acabou caindo no buraco.
02:07Eu falei pra você abrir o olho com o tio Manabé.
02:12O velho não é bobo, não.
02:14E pegou você direitinho.
02:20E que desse jeito o senhor pede a sua aposta.
02:26Vai ser que deixar o sítio se armar seus espantos em outras paragens.
02:32Não, senhor.
02:33Se eu ficar preso aqui, nossa porta está cancelada.
02:37Concentra-se.
02:38Por quê?
02:39Se você ainda pergunta, como é que eu posso aprontar preso dentro de um buraco?
02:44Pra todos me entenderem, estou fora de qualquer compromisso.
02:49A não ser...
02:52A não ser o quê, seu cara de palha?
02:55Fala, Antônio.
02:56A não ser que um colega me tire daqui.
02:59Aí, aí a nossa aposta passa valida de novo.
03:04Muito bem.
03:06Mas pra não ficar nessa lenga-lenga toda, vamos lá decidir o nosso desafio.
03:13Tem que pregar uma pedra.
03:15Bem pregada na culpa.
03:18Leva-me, ó.
03:19Nossa, eu não tenho medo de nadar.
03:29Bom, agora é caminho possível.
03:33Tchau.
03:34Fui.
03:37Vai, vai, vai.
03:43Esse madrão é um sábio que está se metendo.
03:49Acho que vai ter um couro de palha, mas também não dá conta.
03:55Estamos aqui com um personagem que não podia deixar de aparecer na nossa viagem ao País das Fábulas.
04:06Como vocês estão vendo, estamos aqui com a majestade, o leão.
04:13Qual é seu rei dos animais?
04:20Bom, é um tanto cansativo.
04:24Tem horas que é até chato.
04:27O que é chato?
04:30O que dá mais trabalho?
04:32Pessoas fazendo perguntas.
04:35O que você mais gosta em ser?
04:38Não ter que responder, pergunto.
04:43Ah, então vamos deixar a majestade o leão, cara de juba, lambida em paz.
04:53O que?
04:54Como você disse?
05:04O que você está fazendo aqui, bichinho insolente?
05:07Suma!
05:08Retire-se da presença do rei dos animais!
05:11Rei?
05:12Para mim você não é, bichinho.
05:14Não conheço a sua força, nem tenho medo de você.
05:19Como ousa!
05:23Vai embora, sua borrabotas!
05:27Saia daqui, município adora!
05:29Vou acabar com a tua pronta.
05:40Tá vendo?
05:42Sentiu a minha força?
05:43Viu como de nada valeu sua majestade de fim?
05:47Adeus e passar bem.
05:49Vou contar pra todas e charada a história do leão que levou uma sopa da mosca.
06:00Essa não me dei mal.
06:03Encarei um leão que não conseguiu encostar um dedo em mim.
06:06E agora vou virar petisca em papo de aranha.
06:13Parece que a coisa não acabou bem pra mosca atrivida.
06:18Vamos ver o que acham os outros personagens do País das Fábulas.
06:23É por isso que eu sempre digo às minhas filhas, olha, muito cuidado por onde vocês andam, hein?
06:29Porque a gente nunca sabe de onde é que pode vir o perigo, não é mesmo?
06:32Gostei dessa mosca.
06:33Um inseto de atitude.
06:36Onde já se viu tamanha prepotência do leão?
06:39Isso não é maneira de um rei tratar seu súdito?
06:44Para mim, a moral da fábula está no fato de que muitas vezes um inimigo que parece ser menor e
06:51mais fraco pode ser mais perigoso do que o mais forte dos animais.
06:56É, os pequenos inimigos são mais temíveis que os grandes.
07:00Concordo e acrescento que aí vemos a cadeia alimentar se manifestar.
07:05As moscas servem de alimento para as aranhas que as capturam em suas teias.
07:09Um leão não come mosca, não é?
07:11Essa não.
07:12Esse leão comia muita mosca.
07:14Em vez de se comportar como um rei, ele ficava destratando todo mundo.
07:19Vocês viram como ele me tratou?
07:20Só que isso é modo de um rei?
07:23Faça meu favor.
07:25Mas Emília, você está falando em sentido figurado.
07:27Figurado é você, seu sabugo ilustrado.
07:32Se você continuar me desdizendo, você vai acabar desfigurado.
07:37Calma, Emília.
07:39O Visconde não estava falando da atitude do rei leão e sim de como ele se alimenta.
07:45E aí vale a pena realçar que a diferença de tamanho entre os dois animais acabou dando vantagem à mosca.
07:52Que conseguiu escapar dos golpes do leão.
07:56Na batata, vó.
07:58É essência, Dona Bento?
08:00Dona Bento?
08:01Está resolvido o mistério do espantalho.
08:03Ele está enfeitiçado.
08:05Mas agora todo mundo pode ver.
08:07Peguei o danado no mundel.
08:10Isso mesmo, Dona Bento.
08:11O espantalho está lá dentro do buraco, vivinho no buraco, lá na horta.
08:15Um espantalho vivo era tudo que faltava aqui no sítio.
08:22Essa até eu quero ver.
08:24Mas então vamos todos ver de perto o causador de tanto espanto.
08:30É, vamos lá.
08:35Mas eu juro que eu deixei o danado espantalho aqui dentro.
08:39Meu São Jorge, será que a gente está ficando no caduco, Barnabé?
08:44Imagina, o que é isso, Nastáfia?
08:46Todo mundo aqui sabe que no nosso sítio tudo pode acontecer.
08:50Vai ver.
08:51Ele não gostou das espantalhas que o Tivarnada fez e...
08:54Ó, e mandou.
08:56Mas como é que ele conseguiu sair do mundel, hein?
08:59Boa pergunta, Pedrinho.
09:00Isso requer uma boa investigação.
09:02Esse espantalho pode ter sido ajudado por um cúmplice.
09:05Eu estou vendo pegadas aqui em volta.
09:08De dois tipos diferentes.
09:10Duas parecem ser do espantalho.
09:12Mas há uma outra de um pé só.
09:16É o saci.
09:17Vamos seguir essa pista, Visconde.
09:19Vem.
09:20Olha só, mas isso é incrível.
09:22Isso é um mistério.
09:23É fabuloso.
09:25Isso poderia servir de inspiração para uma fábula.
09:29E qual seria a moral?
09:31Mas vale um espantalho que espanta, tem que um buraco sentado.
09:35Eu vi.
09:36Eu vi.
09:37Espantalho vivinho aqui.
09:39Aqui.
09:39Aqui, né?
09:41Ninguém está duvidando de você, Nastácia.
09:44Você não conhece a Emília?
09:47Mas, porra, gente, por que não vamos todos fazer um lanche e comer uns bovinhos enquanto
09:52esperamos o resultado das investigações do Pedrinho?
09:55Grande ideia.
09:56É, boa ideia.
09:57É.
10:03Emília, é fabuloso.
10:05Esse sítio é mesmo fabuloso.
10:07Ele deveria ficar no país das fábulas.
10:10É isso aí.
10:12Ai, eu sou uma espécie de lá foi treino aqui.
10:16Vou te contar uma fábula que eu mesma.
10:19Que passa aqui no sítio, na cozinha da Tia Nastácia.
10:22Na cozinha moravam duas panelas.
10:25Uma de barro e outra de ferro.
10:28Naquele dia, não tinha nada para cozinhar.
10:31E elas estavam na maior bobeira.
10:34Ai, bela tarde para um giro na horta.
10:36A Tia Nastácia saiu e até ela voltar, teremos tempo para dar um alô para a Faça e fazer
10:41uma visitinha aos repolhos.
10:42Que tal?
10:43Uma excelente ideia, amiga.
10:45Então vamos.
10:49E lá foram as duas panelas, todas as prosas, cumprimentando todos os legumes e hortaliças.
10:56Bom dia, dona Couve.
10:58Comendador Repolho, como tem passado?
11:00Olá, coentrinho.
11:03No meio do caminho, a panela de ferro bateu na panela de barro.
11:08Cuidado, sua desastrada.
11:09Assim você me trinca.
11:11Ah, não foi nada.
11:12Não foi nada.
11:12Não foi nada para você, que é feita de ferro.
11:15Ih, não exagera.
11:16Foi só uns barralzinhos.
11:18Ai, de novo?
11:19Você está pensando que eu sou de ferro?
11:21Acho que eu rachei.
11:23E agora?
11:24Vamos para casa que a Tia Nastácia te conserta.
11:27Ai, sai.
11:28Olha o que restou de mim.
11:30Estou em pedaços.
11:32Coral da história.
11:34Fé com fé, barro com barro.
11:36Essa eu não entendi, menina.
11:40Não?
11:41Não.
11:42Então eu explico.
11:44Ferro com ferro, barro com barro.
11:47Ah!
11:53Mas não foi você que inventou, não.
11:55A vovó já tinha me contado.
11:58É, sem dúvida é uma história interessantíssima.
12:01Essa fábula é muito fabulosa.
12:04Ela fala sobre uma amizade complicada.
12:06É.
12:06Sobre a amizade do barro com o ferro.
12:09É, a fábula fala do cuidado que nós devemos ter
12:12quando encontramos pessoas diferentes de nós.
12:14O que machuca o outro pode não nos causar o menor dano e vice-versa.
12:20Os mais braços têm como apoiar para a amizade mais solta.
12:25Não.
12:25Ele acaba se machucando.
12:27Bota nela de barro.
12:30Então vamos comer o bolinho da tia Anastasia.
12:33É pra ficar todo mundo bem cortinho, hein?
12:37Oi, Dary.
12:40E põe o mesmo pra derreter.
12:46Você não sabe de onde venho o que eu sou, nem o que tenho.
12:55Eu sou terrível, mas sou maravilhosa.
13:01E põe o mesmo pra derreter.
13:10Minha vassoura é máquina quente.
13:13Eu sou terrível.
13:15Ah, esse pepino nos olhos vai me deixar maravilhosa.
13:21Ah, eu vou mudar o repertório.
13:24Tomo banho de lama.
13:27Fico roupa como a terra.
13:30Tem lama no meu umbigo.
13:32Estou pronta para a guerra.
13:35É tão bom sonhar contigo.
13:38Ah, lama tão fofa.
13:40É tão bom quanto o castigo.
13:43Ah, lama tão fofa.
13:47Vem, vem, vem, vem.
13:50Ah, mas que cheiro horroroso é esse?
13:57Parece que tem alguma coisa queimando no meu caldeirão.
14:05Ah, mas o que é que está acontecendo aqui?
14:12Alguém andou mexendo no meu caldeirão.
14:34Ah, você!
14:37Como se atreve a invadir a minha gruta, seu fantasma idiota?
14:42Fui eu mesma que te criou, cabeça de palha.
14:46E como inventei, posso desinventar.
14:51Vida que faz mexer, sai dessa palha morta.
14:55Espantalho e dá cara torta.
14:58Volte já para a sua rota.
15:11Espantalho, vai brincar com a cuca, é ruim.
15:23Não é que o cara de palhaça voltou para o seu lugar, rapaz?
15:29Que está tão quietinho.
15:34Acho que a prima deu um jeito nele.
15:39Bilu, bilu, bilu.
15:43Fala, putacinho, fala, meu filho.
15:46Não fique espantado, não.
15:53Há vários gravetos de palha espalhados pelo caminho.
15:57É sinal que esse espantalho andou por aqui.
16:00Eu conheço esse caminho.
16:02Estamos perto da gruta da cuca.
16:05Hum, esse espantalho vivo deve ser obra da bruxa.
16:08É, é melhor a gente pedir ajuda ao saci.
16:12Saci!
16:14Saci!
16:16O que foi, moleque?
16:19O que você está fazendo por aqui perto da gruta, hein?
16:22Está querendo encrenca, é?
16:24Eu e o Viscônio estamos fazendo uma investigação.
16:27E chegamos até aqui seguindo as pegadas de um certo espantalho que esteve aprontando lá no sítio.
16:35E as suas pegadas estavam junto com as dele.
16:39Esse espantalho foi feito pelo tio Barnabé, mas ganhou vida misteriosamente.
16:43Achamos que ele pode ter sido enfeitiçado pela cuca.
16:46É, pode até ser, mas agora ele está lá na horta.
16:53Paradão.
16:55Acho que aquele ali não assusta nem mais passarinho.
17:00Quem mandou aquela espantanaia do saci aqui?
17:05Toma um banho de lama
17:09Fico fofa como a terra
17:12Sem lama no meu umbigo
17:16Estou pronta para a guerra
17:18É tão bom sonhar contigo
17:23Eu sou uma paixinha na gruta, primo
17:27Ah, está precisando ver
17:29Saci
17:30Ah, vai procurar a sua turma, vai
17:33Já não basta a confusão que aquele espantalho aprontou aqui
17:37Ah, mas o cara de pai acabou ganhando o que merecia, viu?
17:42Voltou lá para a horta, que é o lugar dele
17:45E de onde ele nunca deveria ter saído
17:48Quem mandou se meter para o saci?
17:51Espera aí, moleque
17:52Quem fez o espantalho sair da horta foi eu
17:56Foi mesmo?
17:58O quê?
17:59Foi mal aqui?
18:01Sabe o que é, né?
18:02Eu fiz uma aposta com ele
18:06Ele queria aprontar mais do que eu
18:10Imagina!
18:14Então quer dizer que você fez uma aposta com o espantalho
18:19Bem que eu fiquei me perguntando como é que ele acabou parando aqui na minha gruta
18:23Agora eu estou começando a entender quem é que estava por trás de toda essa atrapalhada
18:31Você!
18:33Você mesmo!
18:35Você mesmo, seu moleque atrevido
18:38Isso não vai ficar assim não, hein?
18:39Você me paga!
18:41Eu não quero saber de explicações suas
18:45Eu vou te transformar num espantalho!
18:49Volta aqui, seu moleque, que eu transformo você numa pomba sem graça
18:56Eu jamais vou me esquecer dessa minha visita que é o feat do pica-pau amarelo
19:00Puxa, aqui eu me sinto como se eu estivesse no país das fábulas
19:04Olha aqui, seu Lafonte
19:06Preparei esses bolinhos para o senhor levar
19:08Puxa, vida de Anastácia, muito obrigada
19:10Eu sou louco por esses bolinhos
19:12Eles são muito gostosinhos, eu fico maluco
19:15Olha, pelo menos eu vou ter como provar para os meus colegas
19:18Eu acho que eu já comi uma comida melhor do que a da França
19:21Obrigado
19:22Senhor Lafonte, foi um prazer conhecê-lo
19:25Eu quero agradecer ao senhor pelas fábulas que contou
19:29E também quero agradecer o carinho com que o senhor tratou os meus netos no país das fábulas
19:35O que é isso, dona Benta?
19:37Eu já adorava essas crianças há muito tempo
19:39Agora eu tenho que reconhecer que foi um verdadeiro encanto
19:43Conhecer a contadora de histórias aqui do sítio
19:46O que me faz confirmar a minha teoria de que a maior beleza está na simplicidade
19:53Agora no histórico, eu estou mais simples e melhor
19:56Bem, agora eu tenho que partir
19:59Eu tenho muita coisa para fazer, tenho que terminar aí umas fábulas
20:02Tenho que entregar os manuscritos para o rei de França
20:05Enfim, muita coisa mesmo
20:06Ah, por favor, não esqueçam de dar lembranças minhas ao Visconde de Sabugosa e ao Pedrinho também
20:12Tá bom
20:12Adeus
20:13Tchau
20:18A gente volta para te buscar um guiador
20:21Então, lá vai
20:25Bom, e vocês? O que mais gostaram das fábulas que documentaram?
20:34O que eu mais gostei é que para tudo a gente pode lembrar de uma fábula como exemplo
20:38Parece até que existe uma para cada coisa que acontece ou para cada pessoa que a gente conhece
20:44E você, Emília?
20:47Para mim, as fábulas já mostram duas coisas
20:50Primeiro, que o mundo é dominado pelos mais fortes
20:53E segundo, que a única forma de vencer a força é com a esperteza
21:00Vale aí, então, um conselho para todo mundo
21:04Sejam espertos, porque a esperteza nem a força derruba
21:10Tudo bem, amor?
21:14Ah!!
21:14Ah!
21:15Ah!
21:15Obrigado.