00:00O sol nascente é tão belo
00:05O tio Barnabé levou o maior susto quando viu a Tia Anastácia desmaiada na horta.
00:10Quando ela acordou, o espantalho se pediu de morto e a Tia Anastácia começou a achar que estava ficando maluca.
00:16Em Milenaresinho, Visconde e eu, chegamos no País das Fábulas e encontramos o La Fontaine,
00:21que se amarrou na ideia do documentário sobre as fábulas.
00:25O escritor gostou tanto que a gente convidou ele para assistir o vídeo lá no sítio.
00:30Depois de cada fábula, nós fizemos uma mesa redonda e cada um dá a sua opinião sobre a história.
00:37Enquanto isso, o espantalho não para de assustar a Tia Anastácia.
00:41Mas parece que o saci vai dar uma lição nele.
00:44Vai quietu, saci!
00:49Fábula, terceiro episódio.
00:51Vai saindo da minha alha!
00:53Sua alha é uma horta!
00:55Eu cheguei primeiro!
00:57Sim!
00:59E daí?
01:00E você nunca aprendeu que reinador que chega primeiro tem mais direito, não é?
01:05Vamos ver com essa história de aprender ou não!
01:07Na escola onde você foi ensinado, eu fui expulso!
01:12E vai ser expulso daqui também!
01:15Eu posso saber quem vai me expulsar?
01:16Olha só ele!
01:18Você é uma entidade da mata!
01:21Então vai para a mata!
01:23Eu sou uma assombração de sítio!
01:27Então vamos fazer um trato!
01:30Trato?
01:30Que trato?
01:32Uma competição!
01:34Quem reina mais por aquilo!
01:36Se conseguir as outras, não treinar mais o pessoal do sítio, fica sendo o dono do pedaço!
01:44E perder, some!
01:46Combinado?
01:47Combinado!
01:50Pode ir arrumando a sua mala, saci!
01:53Vamos ver!
01:55Vamos ver!
01:56Vamos ver!
02:05O fábulo lá na rede, nossa mesa redonda, está rendendo altos papos!
02:10Ah, seria tão bom se todas as crianças pudessem conhecer essas histórias!
02:16Cresceriam com uma visão de mundo muito melhor!
02:20O senhor não acha, senhora Fontaine?
02:22Acho, acho sim, dona Bento!
02:23Eu tenho certeza!
02:24Aliás, foi para isso que eu organizei essas fábulas!
02:27Para mostrar para as pessoas o sentimento humano!
02:30Sentimentos nobres ou não!
02:33Senhor, lá foi trem!
02:35Se o senhor queria mostrar o sentimento das pessoas, por que usam tantos bichos nas fábulas?
02:44Boa pergunta, Emília!
02:47É por ironia!
02:48Por pura ironia!
02:50Tem uma coisa que eu gosto!
02:52Que ironia!
02:53Diverte todo mundo!
02:55Aguarda logo o play, Pedrinho!
02:58Emília, você não está esquecendo de alguma coisa, não?
03:01Por favor!
03:06Se eu estou esquecendo, como é que eu vou saber?
03:09Pode deixar, Nuzinho!
03:11Porque é apenas uma boneca!
03:13Tudo bem!
03:14Todo mundo se diverte com a ironia!
03:17Mas quando alguém faz ironia comigo, eu não gosto não!
03:24O ratinho, o gato e o galo!
03:27Posso começar?
03:28Demorou!
03:30Certa manhã, um rato saiu pela primeira vez de sua torta!
03:35Ah, não!
03:35Outra fábula do rato, não!
03:37Seus amigos, precisa para mais tarde!
03:39Tem razão, Nuzinho!
03:40Tem razão, Nuzinho!
03:42O velho, o menino e a mula!
03:45Um, dois, três e...
03:49Voltamos diretamente do País das Fábulas para acompanhar uma história muito legal!
03:54A história...
03:55Não, vamos pausa aí!
03:55Eu tive uma ideia, Nuzinho!
03:58Que ideia, hein?
03:59Eu vou chamar o conselheiro!
04:01Ele deve ter milhões de palpites e conselhos sobre essa história!
04:06Boa ideia, Nuzinho!
04:07Não, peraí, peraí, Emília!
04:09Quem é esse tal aí de conselheiro?
04:12Não se mexe!
04:13Você vai ter uma surpresa!
04:15Ah, meu Deus do céu!
04:17Eu espero que, pelo menos, seja uma surpresa agradável!
04:20De preferência, sem ironias!
04:23Vai agradar, Nuzinho!
04:31Calma, Nuzinho!
04:33Parece que eu estou vendo coisa!
04:37Calma, calma!
04:38Pode ser!
04:39Pode ser que isso seja só!
04:42Pode ser!
04:44Pode ser que isso seja só cansaço!
04:46No descredo!
04:50Ai!
04:52Ai!
04:52Ui!
04:59Ei!
05:00Você não dá uma louca!
05:02Meus pedra!
05:04Não!
05:05Calma!
05:06Ah!
05:07Seja lá!
05:08Que tenha sido!
05:11Ui!
05:12Já fui embora!
05:15Oi, filha!
05:17Não sei, diz que eu juro!
05:19Diz que eu juro, filho!
05:22Duvido que aquele espalhado de uma figa consiga assustar mais do que eu.
05:28É ruim, né?
05:30Já perdeu?
05:32Já perdeu?
05:35Já ganhei!
05:36Já ganhei!
05:38O sacinho é muito fraquinho pra mim!
05:41Opa!
05:42Hora de apontar!
05:48Na saça tem cada uma!
05:52Onde é que já serviu?
05:54Achar que esse desinchavido aí está vivo!
06:01Que bichinho feio, hein?
06:05Nem tá mais parecendo uma mistura de coisa ruim com Deus me livre!
06:14Viu, viu?
06:16É, isso aí tá mais morto do que a... do que a vó da minha vó, é isso!
06:28Mas que estrago!
06:31Quem foi o perdiço aqui?
06:34Será que foi o danado do rabicó?
06:38Mas não tem pegada nenhuma aqui no chão!
06:41Eu vou dar um jeito nessa sujeira toda aqui!
06:49Quem foi que me chutou?
06:52Quem foi que me chutou?
07:02Eu vou dar um jeito...
07:03Deus me livre!
07:07Já ganhei!
07:09Já ganhei!
07:11Meu Deus do céu!
07:13Macacos me mordam!
07:15Eis que não é o personagem principal da minha fábula, os animais e a peste!
07:20Era o personagem principal, Sr. Carlos.
07:24Agora é o nosso querido personagem.
07:29Oh, é um prazer revelo, Sr. Lafontaine.
07:33Não, não, não, não. O prazer é todo meu.
07:36Não, Sr., o prazer é meu.
07:38Não, não, não. O prazer é meu.
07:39Não, não, não. É meu. É todo meu.
07:42Prazer é pra cá.
07:43Depois, um corta pelo outro.
07:46O que andam fazendo todo esse tempo sem si?
07:49Agora vamos ver a fábula do velho, do menino e da mula.
07:54O velho, do menino e da mula.
07:56O velho, do menino e da mula.
07:57O velho, do menino e da mula.
08:00O velho, do menino e da mula.
08:02O velho, do menino e da mula.
08:05Um, dois, três, e já.
08:09Voltamos diretamente do país das fábulas
08:11para acompanhar uma história muito legal.
08:13A história de um velho que tinha um filho que também tinha uma mula.
08:19Um belo dia, o velho resolveu vender a mula.
08:23O filho pegou a mula no curral e os três foram pra cidade.
08:28O velho e o menino puxavam a mula pelo cabelo.
08:34Essa é boa.
08:36O animal vai sem levar ninguém, enquanto o pobre velho vai a pé.
08:42Será promessa?
08:44Penitência ou caduquice?
08:48Eu acho que o viajante tem razão, minha filha.
08:51É mesmo.
08:52Eu vou montado, só assim a gente tapa a boca do mundo.
08:56É.
08:56Né?
08:57Vamos ver como é que é a gente.
09:03Que graça.
09:05Marmanjão montado no maior sossego.
09:07E o pobre menino a pé.
09:10A cada pai malvado nesse mundo de Deus.
09:14Né?
09:20Sobe na garupa.
09:22Assim a gente tapa a boca desse mundo todo, né?
09:28Agora sim, né, meu?
09:30Agora a gente vai, né?
09:32Então vamos.
09:33Que idiotas.
09:34Querem vender o animal, né?
09:36E montam os dois de uma vez só?
09:38Ah, sim, meu velho.
09:39Não vai chegar um animal na cidade.
09:41Vai chegar uma sobra de uma mula velha.
09:46Vamos, vamos, vamos.
09:49Bom dia, príncipe.
09:51O que é príncipe?
09:51Ué, porque só os príncipes andam assim de criado a rédea.
09:55Criado?
09:56Eu?
09:56Não cai fora, Marmanjão.
09:59Que desabordo.
10:01Desce, meu filho, desce.
10:03Nós vamos levar o burro nas costas.
10:05Eu quero ver quem é que vai falar alguma coisa.
10:08Assim a gente contenta tudo, entendeu?
10:10Vamos levar ele nas costas.
10:17Olha, os três burros.
10:20Dois de dois pés e um de quatro.
10:23Resta saber qual dos três é mais burro.
10:33E aí, senhor velho?
10:35Como existe a lavadeira?
10:37Quem é o mais burro dessa forma?
10:40O mais burro, o mais burro sou eu, que vem pela estrada fazendo o que não quero, mas só o
10:49que quer o mundo.
10:50Daqui em diante, eu só faço o que manda minha consciência. Pouco me importa que o mundo concorde ou não.
10:58Já vi que morre doido.
11:01Quem quer agradar o mundo?
11:05Corta!
11:08A velha cozinheira já foi.
11:10O velho roceiro também.
11:12Já sei.
11:13A velha pulo do sítio.
11:15Sim, não.
11:16Melhor deixar ela para mais tarde.
11:20Uma jaqueira cheia de jaca.
11:25Opa!
11:27Isso vai ser mais fácil do que eu pensava.
11:35Você tem sede de quê?
11:37Você tem fome de quê?
11:39A gente não quer só comida.
11:41A gente quer comida.
11:42Suco sobremesa.
11:44Oba!
11:45Eu já estava com muita fome antes de ter ajudado o tio Barnabé.
11:49Agora eu estou com a fome multiplicada por dois.
11:53Pensando melhor ainda.
11:55Aquela briguinha com o Quindim também ajudou a aumentar o vazio da minha barriguinha.
12:01Minha fome está multiplicada por três.
12:05Quem sabe isso aqui resolve teu problema.
12:24Opa!
12:25Pois é.
12:25E se essa jaca tivesse caído na minha cabeça?
12:28Oh!
12:30Mas ela caiu nas minhas mãos!
12:33É.
12:33E daqui a pouco vai estar bem aqui dentro da minha barriguinha.
12:38Oba!
12:39Hehehe!
12:42Oba!
12:43Hoje é meu dia de sorte.
12:45Hulk Hulk Hulk Hulk.
12:47Hoje é meu dia de sorte.
12:50Hoje é meu dia de sorte.
12:52Hoje é meu dia de sorte.
12:55Eu ainda pego esse porquinho, filho.
13:01Calma, toma esse cheque e vai te fazer bem.
13:04Depois do que me aconteceu, eu tô precisando mesmo.
13:09Agora, agora você me dá razão.
13:12Eu, pensando bem, até eu vou tomar um chazinho.
13:15Isso aí, eu tô precisando de um chá.
13:20Ô, Barnabé, me diga uma coisa.
13:23O que será que tá acontecendo com a gente, hein?
13:26Deve ser cansaço, Nestaça.
13:28Cansaço?
13:29É.
13:30Eu, hein? Eu não tô cansada.
13:32Ou será que tô?
13:34Então, e se a gente chamasse o...
13:37Doutor Caramujo?
13:40Aquele médico lá do Rio das Águas Claras?
13:42Quem sabe ele não pode dar um jeito de ajudar a gente.
13:44Aquele que voltou a ser cacarejando?
13:47Olha aí.
13:48Deus me livre, Nestaça. Deus me livre.
13:51Ora.
13:54E quem vai começar o fóbulo lá na rede dessa vez?
13:57O que o velho disse é bem certo.
14:02De pleno acordo, dona Benta.
14:04Quem quer contentar todo mundo, não contenta absolutamente ninguém.
14:09Há sempre opiniões contrárias sobre todas as coisas.
14:12É.
14:13Um gosta assim, outro gosta assado.
14:16Então, como é que a gente tem que fazer?
14:19A gente deve fazer o que nos parecer mais certo, mais justo.
14:24Exatamente.
14:25E para nos guiar, temos a nossa razão, a nossa consciência.
14:29E como disse o poeta e dramaturgo William Shakespeare,
14:33e acima de tudo, sejas fiel a ti mesmo.
14:37Bonito, né?
14:38Lindo.
14:39Eu vou adotar esse verso.
14:41Quero ser fiel a mim mesmo.
14:43E que o mundo se vive.
14:54Que piso mais folgando lá.
14:58Em vez de tomar conta do galinho,
15:00tá dormindo com as gatinhas.
15:03Se eu entendi, assim não dá.
15:05Assim não dá.
15:07O fio merece um castigo.
15:10Porque é um castigo.
15:11É um castigo.
15:14É muito acertado.
15:31Mas o que foi isso?
15:33O que é isso, galinhas?
15:35O que vocês estão fazendo aqui?
15:37Não estão me reconhecendo, não?
15:39Sou eu, o Quindim.
15:41Não, Quindim.
15:43É, é, eu não sou galinha não, mas, ué, o que que é isso?
15:51O que que está acontecendo?
15:52Eu estou cheio de pelas.
15:54Será que eu sou galinha mesmo?
15:56Não, eu sou rinoceronte, mas o que está acontecendo?
15:59Eu estou cheio de pelas.
16:00O que que aconteceu?
16:02O que que é isso?
16:02O que que eu fiz?
16:03O que eu fiz?
16:04O que eu fiz?
16:05O que eu fiz?
16:12Eu queria conhecer as maravilhas que seus amigos se encontram.
16:17Ah, como é linda a luz do sol.
16:20O verde das árvores.
16:25Como dorme sossegado esse belo animal.
16:28Hum, que pelo macio ele tem.
16:38Calma.
16:39Você não precisa se acertar.
16:41Ah, tem certeza?
16:42Aqui só.
16:46O que o senhor me diz desse paciente?
16:48Ah, muito legal.
16:50O que mais me chamou a atenção foram os dois bichos que eu vi.
16:53O primeiro, aquele ali, ó, que está dormindo com ar bondoso e de pelo macio.
16:58Devia ser um dos bons amigos da nossa gente.
17:00Pena que ele estava dormindo.
17:02O outro parecia um bicho feroz.
17:05Ai, ainda me bate o coração.
17:07Bico pontudo, crista vermelha.
17:10Ai, me deu maior medo.
17:12O senhor está completamente iranado.
17:14O que faz esse bicho que dorme, de ar bondoso, de pelo macio?
17:20Não, nunca.
17:21O terrível gato?
17:23Ele mesmo.
17:25E o outro bicho?
17:27De bico pontudo, crista vermelha?
17:30Coitado.
17:31É só um galo que não faz mal a ninguém.
17:34É, as aparências enganam.
17:36Quem vê cara, não vê coração.
17:39Corta!
17:41Ai, coitadinho do rato dessa fábrica.
17:45Como era burro.
17:50Desculpa, conselheiro.
17:51Mas é que eu acho um absurdo o rato farejar um gato e não saber que é um gato.
17:58Mas por que você acha que é um absurdo, Emília?
18:01Porque, como me disse um dia o pisconde do presente, os ratos já nascem sabendo que é um gato.
18:11É isso mesmo.
18:13Reconhecem o gato pelo cheiro.
18:15Diz.
18:16Ou o gato da fábula estava morto, ou o rato estava morto.
18:24Sabe o que é, minha querida Emília?
18:26É que nós, os fabulistas fabulosos, nós às vezes temos que torcer um pouco a realidade das coisas.
18:32A gente não tem assim um compromisso com a realidade.
18:35Isso é para a história, para a fábula, sair certinha, entende?
18:40Boa moda.
18:41Errar de um lado para acertar do outro.
18:44Errar de um lado para acertar do outro.
19:14Olha o danado.
19:15Ai, meu pai.
19:17Há muito tempo que eu não como uma fábula tão fresquinha.
19:22Olá, passarinho.
19:24Tudo bem?
19:25Não precisa ter medo, não.
19:27Eu estou convidando para o banquete.
19:29Pode chamar o bando todo.
19:31Vamos acabar com essa horta.
19:35Ai, meu pai.
19:36Jovem.
19:38Bicho, está mesmo enfeitiçado.
19:42Pensar que eu fiz ele com as minhas mãos.
19:45O que vai ser?
19:47O que vai ser?
19:48Da horta da dona Benta.
19:50O que vai ser?
19:52Anjo.
19:53Apoio.
19:54Apoio.
19:56O que vai ser?
19:56O que vai ser?'M
19:57Obrigado.
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