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O ministro André Mendonça afirmou que o papel de um juiz não é ser “estrela”, mas agir com responsabilidade e discrição. A declaração foi feita durante evento no Rio de Janeiro e repercutiu nos bastidores do STF, onde o magistrado é visto como contraponto a posturas mais expostas na Corte.

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00:00Mas eu quero acionar a reportagem da Jovem Pan, só confirmem se a nossa repórter tá a postos.
00:06Ok, o ministro André Mendonça do STF afirmou hoje que o papel de um bom juiz não é ser estrela.
00:13Quem vai trazer os detalhes da informação é a Júlia Fermino.
00:16Chega ao vivo aqui na programação. Júlia, seja bem-vinda.
00:19Ótima noite a você, Júlia, elegantemente trajada, né, nessa roupa cor caque.
00:25Júlia, conta pra gente, conta pra nossa audiência. O relator do caso, então, ele pregou descrição no processo do caso
00:33do Banco Master?
00:34Foi isso? Obrigado pela participação.
00:39Muito obrigado pelos elogios, Caniato. Você também sempre muito bem alinhado, muito bem vestido, muito bem trajado, viu?
00:45Boa noite pra você, pra quem tá com a gente aqui no Pingos nos Ias, na programação da Jovem Pan.
00:50Mas foi isso mesmo, então, que o ministro do Supremo Tribunal, André Mendonça, disse em relação à atuação de ministros,
00:57de juízes também.
00:59Diz que o papel de um juiz não é ser estrela, né?
01:02Essas falas foram feitas ainda em uma palestra no Rio de Janeiro, na OAB Rio de Janeiro.
01:08Ele, sem citar casos específicos, também chegou a dizer que o seu objetivo é entender o que é certo, decidir
01:15corretamente e ainda acrescentou, agir pelos motivos corretos.
01:19O nosso editor Pedro Vitor, Caniato, separou um trechinho da fala do próprio ministro. Vamos acompanhar?
01:25Por isso que eu não tenho a pretensão de ser uma esperança ou alguém diferente, em algum sentido, com algum
01:37dom especial. Não.
01:39Eu tenho só a expectativa de tentar fazer o certo, pelos motivos certos.
01:47E acho que esse é o papel de um bom juiz.
01:53O papel do bom juiz não é ser estrela.
01:56É simplesmente assumir a responsabilidade e julgar.
02:05Essas, então, as falas mais recentes de Mendonça em relação à sua relatoria, o papel, claramente, de um juiz para
02:13ele, na visão dele.
02:14Mas fato é que, nos bastidores, Mendonça tem sido visto, inclusive, como um contraponto do protagonismo do próprio ministro, também
02:21do STF, Alexandre de Moraes.
02:23Mas, inclusive, a gente pode destacar aqui que os dois já trocaram aí algumas farpas, na verdade, algumas críticas, né,
02:30nos bastidores.
02:31E o que também a gente pode ressaltar aqui, Caniato, é que a repercussão política de tudo isso é que,
02:36no Congresso Nacional,
02:37políticos já avaliam que o papel de Mendonça, frente aí de relatorias do Banco Master, pode, inclusive, trazer algumas mudanças
02:46nas eleições agora de dois mil e vinte e seis.
02:49Ou seja, precisamos ficar de olho para saber quais serão, então, os desdobramentos de tudo isso.
02:54Mas fato é que o ministro já passou recado, né?
02:56Já disse que a atuação de um ministro, o papel, aliás, a atuação de um juiz, o papel de um
03:01juiz, não é ser uma estrela.
03:04A gente segue acompanhando tudo por aqui, traz mais informações para a nossa audiência aqui na Jovem Pan.
03:08Volto com você.
03:10Os detalhes dessa manifestação do ministro André Mendonça, do STF, ele que é o relator do caso do Banco Master,
03:17e também da investigação sobre as fraudes no INSS.
03:22Valeu, Júlia. Grande abraço. Bom trabalho para você.
03:24A gente segue aqui com os nossos comentaristas.
03:27Deixa eu passar para o Bruno Musa.
03:30Musa, a gente, eu acho que a cada programa faz um recorte específico,
03:34analisando a postura, a responsabilidade e o papel de André Mendonça frente a essas duas investigações.
03:42E aí teve esse encontro, esse evento da OAB, salvo engano, no Rio de Janeiro.
03:47E aí tem essa aspas destacada pela Júlia Firmino, em que o ministro diz o seguinte,
03:52eu não quero ser diferente, eu quero fazer o certo pelos motivos certos.
03:57Esse é o papel de um bom juiz.
04:00E mais à frente ele menciona que o papel de um bom juiz não é ser estrela.
04:05Enfim, ele muito centrado naquilo que precisa ser feito,
04:09tentando se desviar de uma armadilha,
04:14de puxar para ele os holofotes e transformar a figura do relator de dois casos
04:20que são muito comentados na imprensa,
04:23em ser ele a principal figura desses dois casos.
04:27Ele muito cético em relação a isso.
04:32Esse trecho que a gente colocou, ele foi extremamente interessante.
04:36Mas quando nós analisamos outras falas, logo na sequência,
04:41falas completas que ele teve, foram falas bastante duras.
04:45E duras no sentido de óbvias, legais, interessantes, necessárias,
04:52porém óbvias.
04:54E o problema é que hoje em dia, é o que eu mencionei ontem,
04:57quando a gente chegou no limite de um país da moralidade,
05:01onde alguém esquece uma carteira com dinheiro
05:05e se alguém encontra e devolve com dinheiro, vira manchete.
05:08Virou manchete, olha que legal, alguém devolveu,
05:11quando deveria ser algo normal.
05:12Mas a fala dele é extremamente relevante,
05:14importante para o momento que estamos vivendo.
05:17Veja, ele falou a respeito, além do papel de um bom juiz,
05:21que ele não deve ser estrela,
05:23pense num jogo de futebol ou em qualquer outra atuação de um juiz.
05:27Quanto menos ele aparece, menos evidente ele está,
05:30mais você deixa o show de verdade acontecer,
05:33o jogo de futebol, o espetáculo ou a vida cotidiana numa sociedade.
05:37Quanto mais protagonismo o juiz assume e ele tem,
05:42significa que algo está muito errado.
05:44A sociedade brasileira está muito errada da forma como ela vem sendo
05:47conduzida nos últimos tempos.
05:50E esse discurso, além dessa parte de ser estrela,
05:53ele falou algo que nós comentamos sempre aqui,
05:55usando até aquela palavra que eu sempre menciono,
05:58que é o conceito de servidor público,
06:01que nós esquecemos que eles estão lá para servir o público,
06:06servir a população.
06:08Ele mencionou isso.
06:09E ele mencionou também valores fortes que mostram na Constituição brasileira
06:14que não estão sendo respeitados, segundo ele mesmo.
06:17E quais são alguns dos valores que ele citou?
06:20Ele citou a liberdade, consequentemente falando a respeito da falta de liberdade de expressão
06:26que a gente vem vivendo nos últimos tempos.
06:29Ele falou a respeito da liberdade de negócios,
06:34não apenas da liberdade de expressão, ele não mencionou,
06:38falou liberdade no geral.
06:40Ele falou a respeito da Constituição dar acesso,
06:45independente de minorias ou maiorias, mas a igualdade.
06:50E são, portanto, falas duras diretamente ligadas aos seus pares.
06:56Há pares que vêm desrespeitando princípios básicos constitucionais
06:59e os valores muito bem descritos na Constituição brasileira.
07:03Então foi uma fala bastante importante que deve ter doído o ouvido de muita gente.
07:08Inclusive saiu uma pesquisa mostrando como caiu a confiança na Suprema Corte
07:14após o Banco Master, que já foi para não confio em 60%
07:17e o ministro de maior confiança, veja como isso é volátil.
07:22É claro que é o André Mendonça, o único que está com popularidade mais alta
07:26dentro do Supremo Tribunal Federal.
07:28Então ele, como se diz o homem de Deus, com os valores fortes,
07:33ele tem ali uma obrigação moral de realmente seguir adiante com isso.
07:38Espero que ele leve a ferro e fogo todo esse questionamento.
07:42Pois é, o Musa destacou outras manifestações do ministro André Mendonça.
07:48Nossa repórter há pouco trouxe um recorte, uma fala dele
07:51e uma das frases, o papel de um bom juiz não é ser estrela.
07:56Deixa eu passar para o Cristiano Beraldo.
07:58Beraldo, enfim, tem várias falas importantes que nós poderemos destacar.
08:03Eu vou abrir aspas para uma outra.
08:04Coragem é a capacidade de, no meio da adversidade, ter tranquilidade para decidir.
08:10Não é falar alto, ser arrogante ou subir o tom.
08:14Coragem não é irracionalidade.
08:16É tomar decisões de forma racional, justificada e motivada.
08:22E lá na frente ele fala sobre humildade.
08:25Humildade não é fraqueza, é grandeza.
08:28É saber que, no fundo, você não é mais do que ninguém.
08:32Enfim, quais aspectos dessa manifestação de André Mendonça
08:36podem ser conectadas a esse momento e a esses dois casos espinhosos
08:41que são relatados por ele?
08:44Renato, primeiro eu queria registrar aqui que eu repetiria, palavra por palavra,
08:50o comentário do Roberto Mota.
08:53Assim como ele, eu acho que há um hype em torno desse assunto.
08:59Criou-se uma expectativa de que grandes consequências acontecerão,
09:05mas a gente ainda não tem elementos concretos que possam nos dar.
09:11Como população, como brasileiros preocupados com o país que está completamente fora do rumo,
09:19fora do trilho, nós não temos elementos de que veremos as consequências
09:26alcançarem as pessoas que, eventualmente, fizeram alguma coisa errada nesse caso.
09:32O ministro André Mendonça, ele vem demonstrando que tem as qualidades necessárias
09:40para julgar com isenção e observando a lei os casos que chegam à Suprema Corte.
09:48Até onde se sabe, ele não tem vínculos com parentes que têm escritórios de advocacia,
09:56que advogam na corte, ele não apareceu aí enrolado em nenhuma situação de explicação difícil,
10:03e ele vem demonstrando e afirmando como fez hoje, dando essas declarações,
10:11ele vem mostrando dizendo, farei o meu trabalho.
10:14E o trabalho que precisa ser feito é um trabalho que, infelizmente, nesse momento,
10:22eu vejo como minoritário, e não nos deixemos aqui nos encher de esperança pelo voto contrário do...
10:31Aliás, o voto favorável à manutenção da prisão que foi dada agora pelo ministro Gilmar Mendes.
10:37Porque esse era um caso que o cachorro já estava morto na sarjeta.
10:41Passar ali e dar um chute não faz absolutamente nenhuma diferença.
10:45O fato concreto é que os pares do ministro André Mendonça
10:51têm muito a perder a partir das esperadas consequências desse caso.
10:57Por quê? Porque é preciso a gente rediscutir.
11:00Não é nem rediscutir, porque a fundo isso nunca foi feito,
11:03mas discutirmos uma transformação profunda no judiciário,
11:10nos instrumentos de aplicação da lei,
11:13para que a gente deixe de ter essa justiça do espetáculo,
11:18essa justiça que se transformou num negócio,
11:22e a gente volte a ter na justiça a referência máxima da população brasileira,
11:27de que as leis, de fato, valem para todos.
11:33Portanto, observa tudo com o mesmo ceticismo do Roberto Mota.
11:38Pois é, deixa eu passar para o Dávila,
11:40para a gente avaliar a situação que envolve o ministro Mendonça,
11:44esse quase compartilhamento de um pensamento que ele fez nesse evento da OAB.
11:51E aí eu conecto também, viu, Dávila,
11:53que eu achei um levantamento muito oportuno,
11:55que foi divulgado por alguns veículos de comunicação,
11:58mas principalmente o portal Poder 360,
12:03divulga uma pesquisa da Atlas Intel,
12:06sobre a avaliação, a percepção do brasileiro em relação aos ministros da corte.
12:11E, curiosamente, André Mendonça está no topo do ranking dos mais bem avaliados.
12:17Então, de todos os ministros, o mais bem avaliado é André Mendonça.
12:21Não é por acaso, Dávila?
12:23Tem a ver com esses dois casos?
12:25O que achou das falas dele?
12:28A fala de um juiz da Suprema Corte.
12:31Um juiz que mostra comedimento,
12:35respeito à lei e à Constituição,
12:37que vai julgar baseado na lei e nos fatos,
12:41e que não vai continuar interpretando a Constituição
12:45com as suas opiniões,
12:47como se as suas opiniões moldassem as leis.
12:50Isto abre espaço para a arbitrariedade,
12:53que é o tipo de decisão que vinha sendo tomada até agora
12:57pelo Supremo Tribunal Federal.
12:59Portanto, mudanças institucionais só começam com o bom exemplo pessoal.
13:07Nenhum país tem instituições sólidas
13:11se não tivessem pessoas que honrassem o cargo que exercem.
13:16Que tivessem uma atitude em relação aos valores,
13:21aos princípios e à Constituição
13:23com essa reverência, com essa seriedade
13:27e essa objetividade que merece.
13:29A objetividade da Constituição,
13:32ela é clara.
13:34A Constituição existe para limitar
13:38o poder do Estado e do governo
13:40e dar o maior grau de liberdade ao indivíduo.
13:44É este o princípio de toda Constituição democrática.
13:48E no Brasil, nós estamos vivendo um pesadelo oposto.
13:53É como se a verdade, a lei, fosse o que o Supremo acha
13:59e não o que está na Constituição.
14:02Isto abre o caminho para a arbitrariedade e a opressão.
14:06E é isso que trata a pesquisa da Atlas Intel.
14:11Uma corte constitucional que deveria ser guardiã da lei
14:15dar o maior grau de liberdade às pessoas
14:17se limitando a interpretar a lei e a Constituição
14:21como ela está escrita, faz com que hoje
14:2460% da população brasileira tenha uma visão negativa da Constituição.
14:29Mas aí tem uma pessoa, que é o ministro André Mendonça,
14:32que é bem avaliado.
14:35Toda instituição, Canhato, começa pelo exemplo pessoal.
14:39Vou dar um exemplo.
14:41A Constituição dos Estados Unidos foi o exemplo dos constituintes
14:47que acabou fazendo com que os princípios elencados naquela Constituição
14:54mais tarde fossem institucionalizados.
14:58E esta institucionalização começa de uma coisa que nós perdemos há muito tempo
15:03e principalmente no Supremo, o senso de virtude.
15:07Montesquieu já dizia lá atrás, não existe equilíbrio dos poderes,
15:11não existe Estado Democrático se não tiver virtude.
15:15Aliás, todos os pais fundadores dos Estados Unidos,
15:18como George Washington, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson,
15:23escreveram mini tratados do que é um comportamento virtuoso.
15:27Ele falou assim, não tem democracia sem virtude,
15:29nem do cidadão e nem, evidentemente, daqueles que exercem o poder.
15:32É isso que nós perdemos.
15:35As pessoas podem não saber exatamente qual é o papel do exemplo da virtude,
15:41mas elas sentem que o poder não está sendo exercido da maneira correta,
15:47boa e verdadeira.
15:48E isto reflete na opinião pública.
15:50Por isso que eu digo, a atuação de André Mendonça,
15:54neste caso do Banco Master e da CPI do INSS,
15:57pode ser a tábua de salvação do descrédito do Supremo Tribunal Federal.
16:06Pois é, uma rápida parada para você que nos acompanha pela rede de rádios.
16:10Mas eu sigo aqui com os nossos comentaristas,
16:13trazendo as análises a respeito das falas de André Mendonça
16:17e também uma pesquisa que foi feita pela Atlas Intel.
16:20Deixa eu, antes de passar para o Mota, destacar que esse levantamento
16:24ouviu mais de duas mil pessoas entre 16 e 19 de março,
16:29margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos,
16:32nível de confiança de 95%.
16:35E aí, várias pessoas aqui pediram os mais bem avaliados,
16:40André Mendonça, ministro Dino, ministro Luiz Fux e ministra Carmen,
16:45percentuais diferentes.
16:46E aí, os ministros mais rejeitados, ou com as piores avaliações,
16:52ministro Toffoli, ministro Mendes, ministro Moraes e também o ministro Dino.
16:57O ministro Dino aparece nos dois rankings,
17:00entre bem avaliados e mal avaliados.
17:03Deixa eu passar para o Mota para refletir a respeito desse posicionamento
17:07de André Mendonça no evento da OAB.
17:11Pensamentos importantes, né?
17:12Que a gente pode, em alguma medida, conectar com esse momento atual, né, Mota?
17:17É, as falas do ministro me lembram falas de grandes juízes da Suprema Corte americana.
17:27Essa é a essência do ofício de um magistrado.
17:31É fazer o seu trabalho em silêncio, de forma discreta.
17:38Buscar o cumprimento da sua missão de fazer justiça,
17:42dando satisfação apenas à sua consciência.
17:46Magistrados que buscam os holofotes, as câmaras, os microfones,
17:54isso leva a um desvirtuamento da justiça.
17:59E isso é mostrado de forma exemplar nessa pesquisa, Caniato.
18:04Que você disse, né, tem o mesmo ministro bem avaliado e mal avaliado.
18:10E por que está bem avaliado?
18:12Por causa de uma medida, uma decisão que foi tomada,
18:16muita gente diz que foi tomada por estratégia de marketing,
18:23a grande maioria das pessoas não entende o que foi decidido,
18:27não entende o que vai ser resolvido depois,
18:31apenas sabe, olha, decidiu acabar com os penduricalhos, olha, que bom.
18:36Decidiu acabar com essa história de aposentadoria compulsória.
18:40A partir de agora está tudo moralizado.
18:42Quando existe toda uma realidade por trás
18:46a qual a maioria das pessoas não tem acesso.
18:49O juiz não deve buscar popularidade.
18:53O magistrado não deve buscar ficar bem colocado
18:57em pesquisa de opinião de instituto de pesquisa.
19:01O que o magistrado deve buscar é a justiça.
19:05E eu acho que essa é a essência da mensagem do ministro Mendonça.
19:12Zé, deixa eu chamar a nossa audiência para participar da enquete do dia, hein?
19:16É sobre a delação do Daniel Vorcaro.
19:18Será a delação do fim do mundo ou será parcial?
19:21Só vai entregar algumas pessoas.
19:23Espero o seu voto.
19:24Recebendo a rede Jovem Pan, todos conectados com a gente aqui em Os Pingos nos Is,
19:30análise que nós estamos fazendo da situação que envolve a Suprema Corte,
19:34mas o foco agora, o relator do caso do Banco Master e também da fraude do INSS,
19:42André Mendonça, um juiz que foi indicado por Jair Bolsonaro, muito religioso,
19:48figura que destaca a necessidade do juiz fazer o que é certo, seguir a legislação.
19:55O papel de um bom juiz não é ser estrela, destacando a necessidade e a importância de ser humilde
20:03em suas decisões, na maneira como se comporta.
20:07Ele fez um pronunciamento, um discurso, na verdade, num evento da OAB no Rio de Janeiro
20:13e a nossa repórter, há pouco, trouxe, inclusive, alguns trechos, algumas falas do juiz André Mendonça.
20:19Deixa só para fechar, passar régua nessas discussões, vou passar mais uma vez para o Bruno Musa.
20:26Musa, a gente, claro, quando destaca esse posicionamento do ministro André Mendonça,
20:32a gente acaba colocando em perspectiva ou faz comparação com outro ou outros, né?
20:38Poxa, esse daqui atua dessa forma, esse aqui é bem diferente.
20:42E aí é preciso olhar também para essa pesquisa que nós trouxemos há pouco,
20:46essas informações que mostram a percepção da população sobre ministros da Suprema Corte.
20:53O que já é diferente, né?
20:54Talvez há alguns anos, os brasileiros, na média, não soubessem quem são os ministros da Suprema Corte.
21:01Então, a nossa Suprema Corte, o STF, ganhou uma importância, uma preponderância,
21:07olhando para o brasileiro médio, né?
21:10Que antes talvez não se importasse com esse tipo de noticiário.
21:13Hoje em dia se importa, e muito.
21:15Isso é uma coisa boa ou não?
21:17E aí, essa análise que é feita em relação aos perfis, né?
21:22Poxa, esse aqui é um bom juiz.
21:24Esse aqui tem uma avaliação negativa.
21:26Claro que a gente não precisa dar nome aos bois,
21:29mas os últimos casos, as últimas informações que vieram à tona,
21:33as condenações, as falas, as participações em palestras, enfim.
21:38Eu acho que há uma série de coisas que poderiam ajudar nessa avaliação.
21:43Mas o cidadão comum acaba dando a opinião dele.
21:46Gosto desse, não gosto daquele.
21:48Esse parece honesto, esse não parece honesto.
21:51Você acha que é por aí?
21:53Eu acho que sim, e eu espero que tenhamos esse tipo de liberdade
21:56de, ao menos, poder continuar opinando a respeito disso.
22:00Veja, ontem eu estava, bom, ainda estou no interior de São Paulo,
22:02que eu vim dar uma palestra com um grupo de CEOs de empresas,
22:06e um deles, depois da palestra, me perguntando, né?
22:09Naquela hora das perguntas, perguntando a respeito
22:12se eu vi algum tipo de melhoria ao longo dos últimos tempos.
22:15E eu estou falando isso porque, apesar de toda a deterioração
22:19que eu, infelizmente, acredito que faz parte do comportamento do ser humano,
22:23a gente ter que chegar mais próximo do abismo, do fundo do poço,
22:27para começar a melhorar até lá, a gente continua queimando gordura.
22:31Eu acho que, trazendo a fala que você fez, junto com o que eu respondi a ele,
22:37eu acho que a gente pode começar a ver melhorias em meio ao caos.
22:41Tivemos que esperar chegar no caos que estamos vivendo
22:44para começar a ter algum tipo de melhoria.
22:46Veja só, eu sou do começo da década de 80,
22:50são várias Copas do Mundo, estive presencial na Copa de 2018,
22:55e cada ano que passa, a gente começa a ver
22:58uma deterioração maior com relação a isso.
23:01Eu falei, para nós que lembramos da Copa do Mundo,
23:04por exemplo, nos anos 80 e nos anos 90,
23:07como o país parava, as ruas ficavam pintadas,
23:11enfeitadas, pessoas comemorando,
23:13hoje, é bem provável que a grande maioria gostando ou não de futebol,
23:17como é o meu caso que gosto, não sei escalar a seleção brasileira,
23:21e não tenho o menor interesse nisso,
23:23mesmo continuando gostando e apoiando o futebol.
23:26Isso mostra um desinteresse muito grande que foi perdendo,
23:29uma vez que todos os outros escândalos foram suplantando
23:32aquilo que era uma paixão brasileira.
23:35infelizmente, hoje, a gente sabe os nomes dos juízes
23:38de cor e salteado, sabemos a cara deles,
23:42sabemos a cara dos familiares,
23:44porque eles estão estampados nos principais meios de comunicação.
23:47Sabemos de pesquisas de intenção,
23:50de gosto ou não, ou a favor ou não de impeachment
23:54de determinados ministros.
23:56Em um país normal, isso não deveria acontecer,
23:58porque, repito o que eu falei no meu comentário passado,
24:00o juiz deve ser total coadjuvante se quer aparecer no jogo.
24:06Quando ele aparece e ele é o protagonista,
24:10está completamente tudo errado.
24:12Quando, inclusive, sabemos de cor e salteado
24:14nomes e feições dos seus familiares,
24:16porque são estampados nas caras dos jornais,
24:19a coisa está mais complicada ainda.
24:21Então, veja, estamos à beira de uma Copa do Mundo,
24:23o Brasil nem conversa mais disso.
24:25Afinal de contas, nós temos escândalos
24:27para falar cada vez maiores.
24:30e, infelizmente, impostos maiores
24:32para continuar pagando esse tipo de coisa.
24:35Portanto, a sensação é que
24:37precisamos falar cada vez mais disso.
24:40Há uma evolução na questão das pessoas
24:43começarem a entender
24:44que precisamos saber o nome de cada um
24:47porque chegamos muito próximo do fundo do poço.
24:50E se não pararmos de cavar,
24:52talvez não tenhamos sequer a oportunidade
24:54daqui a algum tempo
24:55de questionar o nome de alguns deles.
24:57Pois é, antes de chamar o próximo assunto,
25:00deixa eu pedir para o Cristiano Beraldo
25:02refletir a respeito de uma questão
25:04que é interessante quando a gente olha
25:06para a pesquisa,
25:07mas também o posicionamento de algumas
25:09figuras que integram a Suprema Corte
25:11e essa percepção da população,
25:13quem acompanha o noticiário,
25:15quem não é um operador do direito
25:18ou também não trabalha com política.
25:20Beraldo, você consegue fazer um exercício aqui
25:24sobre o que é preciso ser feito
25:27para a justiça ou para a Suprema Corte
25:29conseguir readquirir a credibilidade
25:33e o respeito da população?
25:37Neto, não é só a Suprema Corte.
25:39É toda a estrutura institucional brasileira.
25:43O Musa falou sobre fundo do poço
25:46e a gente viu,
25:48como eu relatei o histórico recente do Brasil,
25:53nós tivemos o mensalão.
25:55Parecia o fundo do poço,
25:56afinal de contas eram malas de dinheiro
25:59distribuídas para que parlamentares
26:02pudessem votar com o governo.
26:05Aí, imaginando que era o fundo do poço,
26:07descobrimos que tinha gente
26:09que se apressou a cavar mais fundo,
26:12criaram as emendas parlamentares,
26:14porque o objetivo não era acabar
26:16com essa transação financeira.
26:19O objetivo foi oficializar a transação financeira
26:23para não dar mais cadeia.
26:25E aí fomos mais para fundo do poço.
26:28Depois veio o Petrolão,
26:30o Estado brasileiro sequestrado
26:32para viabilizar roubo
26:33e destruir a democracia brasileira.
26:36Isso é muito importante a gente frisar sempre.
26:39O Petrolão usou dinheiro roubado
26:43para financiar campanhas políticas.
26:45Não há absolutamente nada mais antidemocrático
26:48do que se disputar uma eleição
26:50quando o seu adversário está fazendo
26:53campanha com dinheiro infinito
26:55que foi roubado.
26:56Então, o Petrolão vem e destrói
26:59a democracia brasileira
27:01e promove um verdadeiro saque
27:04do dinheiro público brasileiro.
27:06Então, tudo é revelado na Operação Lava Jato.
27:10A gente teve aquela sensação,
27:12especialmente pelas manifestações de rua,
27:16de que, opa, chegamos ao fundo do poço,
27:19agora vamos nos reerguer.
27:20E o que aconteceu?
27:23Escândalo do INSS,
27:25escândalo do Banco Master,
27:27relações absolutamente promíscuas
27:29e indevidas e morais
27:31do poder público,
27:33dos três poderes
27:34com empresários,
27:36empresários que se revelam
27:38a cada vez mais,
27:39a cada dia,
27:40não serem dignos
27:42da posição que ocupavam
27:44porque estavam ali
27:46usando das suas relações
27:47e das suas malas de dinheiro,
27:49do fornecimento
27:52de experiências maravilhosas
27:54em Londres,
27:55no Mediterrâneo,
27:56sei lá onde,
27:57para ter benefício
27:59do poder público
28:01para os ventos
28:02da burocracia
28:03soprarem
28:04a favor desses empresários
28:06e virarem as costas
28:07para os seus concorrentes.
28:09Então, isso tudo
28:10vai acontecendo
28:11e aí, Musa,
28:12a gente chega à conclusão
28:13de que nós não vamos
28:15deixar de cavar
28:16para o fundo do poço
28:18enquanto a estrutura
28:20que existir
28:21foi essa,
28:22construída
28:23a partir da Constituição
28:24de 1988.
28:26O Brasil
28:27não tem remendo.
28:29O Brasil precisa
28:30começar de novo.
28:32Precisamos
28:33de uma Constituição
28:34que não seja escrita
28:36sobre o trauma
28:37da ditadura militar,
28:38uma Constituição
28:40que fala só em direitos
28:42e não estabelece
28:44os deveres.
28:45É graças
28:46a essa Constituição
28:48que o Brasil
28:48se vê agora
28:49nessa condição
28:51de país imoral,
28:52país ignorante,
28:54país em que as pessoas
28:55não estão mais
28:56tendo forças
28:57para reagir.
28:58Precisamos começar
28:59de novo, sim.
29:01Precisamos
29:02transformar
29:03a lógica
29:04que existe
29:05no Brasil.
29:06Nós estávamos falando,
29:07acho que foi o Musa
29:08mesmo que disse,
29:09quando uma pessoa
29:10acha uma carteira
29:11com dinheiro
29:12e devolve
29:13ou recebe
29:13um depósito
29:14indevido
29:15e devolve,
29:16isso é notícia,
29:17é feita uma matéria.
29:18Por quê?
29:19Porque não há mais
29:20expectativa
29:20da moralidade
29:21no povo brasileiro.
29:23Enquanto isso,
29:24um país
29:25como os Estados Unidos,
29:26hoje você vai
29:26a um aeroporto,
29:28existe uma loja
29:29de conveniência,
29:29não tem um funcionário.
29:31Você,
29:32o passageiro,
29:32entra ali,
29:33vê o que ele quer
29:34e ele espontaneamente
29:36vai ao caixa,
29:37ele escaneia
29:37o que ele quer,
29:38paga e vai embora.
29:39Não tem ninguém
29:40para fiscalizar.
29:42O Brasil,
29:43não.
29:43Você vai a São Paulo,
29:45tem Smart Sampa,
29:47tem policiais
29:48com câmera,
29:49tudo.
29:49Mas você está
29:50andando na rua,
29:51roubam seu celular.
29:51Você está dentro
29:52de uma loja,
29:54ali desavisado,
29:55falando no telefone
29:56perto da saída
29:57da loja,
29:57logo vem o segurança.
29:59Oh,
29:59por favor,
29:59não fale não,
30:00que é perigoso,
30:01porque estão assaltando
30:02dentro da loja.
30:03então não há absolutamente
30:04mais nenhum resquício
30:06de moralidade no Brasil.
30:07Precisamos começar de novo.
30:09E aí eu clamo
30:10a nossa audiência
30:12para que entendam
30:14que não será
30:16desfechos
30:17que venham do Banco Master
30:19que vão mudar o Brasil.
30:20Porque a gente já viu
30:22isso acontecer.
30:23Ah,
30:23vão pegar o Vorcário,
30:24descobrir crimes,
30:25condená-lo a 200 anos?
30:26Vai estar em casa,
30:28curtindo a vida
30:29daqui a dois,
30:30três,
30:30quatro anos?
30:31Porque assim é o Brasil.
30:33Portanto,
30:34o mais importante
30:36para mim
30:36do Banco Master
30:37é reforçar
30:39de novo,
30:40mais uma vez,
30:41que nós precisamos
30:43de uma revolução
30:44moral no Brasil.
30:46Nós precisamos
30:48de uma Câmara
30:49que realmente
30:50seja aguerrida.
30:52Precisamos
30:53de um Senado
30:53que tenha
30:54uma maioria
30:55de pessoas
30:56que de fato
30:57defendam a moral
30:58e não tenham medo
31:00de exercer
31:01o seu papel
31:02e fazer
31:03ter consequência
31:05em cima
31:05de outros poderes
31:06pelos malfeitos
31:07dele.
31:08Portanto,
31:09Caniato,
31:10o Brasil
31:11precisa começar
31:12de novo.
31:13E o Banco Master,
31:15o INSS,
31:17somam-se
31:17a uma vasta lista
31:19de outros
31:20muitos escândalos
31:22que não deram
31:23em absolutamente
31:23nada
31:24no longo prazo.
31:26Portanto,
31:27que a gente use
31:28o ano de 2026
31:29com muita prudência
31:31e senso
31:32de responsabilidade
31:33para que a gente
31:34então consiga
31:35ter pessoas ali
31:36que vão semear
31:38um novo tempo
31:39no Brasil,
31:40porque do jeito
31:40que está,
31:41está muito difícil.
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