Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 2 dias
CEO e fundador da Tátil Design fala sobre a contribuição do design para a resolução de problemas, da importância do borogodó brasileiro e do resgate da sensorialidade na era da inteligência artificial
Transcrição
00:00Meu entrevistado de hoje é natural de Petrópolis, no Rio de Janeiro, e não fugiu a tradição familiar.
00:05É bisneto, neto e filho de designers.
00:08Há mais de 37 anos na profissão, Fred Gelli é reconhecido globalmente como um dos principais nomes da área.
00:15À frente da Tátil Design, como cofundador e CEO, ele foi responsável pela criação de logomarcas dos Jogos Olímpicos e
00:23Paralímpicos do Rio de Janeiro.
00:25A consultoria também realizou trabalhos para marcas como Ambev, Coca-Cola, Natura e Danone.
00:31Ele também é consultor de branding para essas marcas.
00:34Eu sou Isabela Lessa e você está acompanhando a ideia, podcast do Meio Mensagem,
00:37que é um espaço para a gente falar das ideias que regem trajetórias, carreiras, sonhos de pessoas de diferentes áreas.
00:45E hoje eu tenho o prazer de conversar com o Fred Gelli. Seja muito bem-vindo.
00:49Oi, tudo bem? Prazer estar aqui. Obrigado pelo convite.
00:57Legal. Pegamos a sua breve passagem aqui por São Paulo.
01:01Boa coincidência.
01:02Pra gente começar então essa conversa, Fred, me conta um pouco se já passou pela sua cabeça fugir a essa
01:10tradição do design na sua família.
01:14E conta um pouco pra gente de como isso apareceu.
01:17Na verdade, eu não comecei no design. Eu comecei na engenharia.
01:21Eu entrei na engenharia da PUC porque meu sonho era ser um engenheiro naval.
01:26Eu queria desenhar veleiros. Eu adoro o mar. Sempre gostei. Sempre velejei e tal.
01:30E eu tinha esse sonho. Eu entrei na PUC pra fazer engenharia.
01:32Só que eu fiquei, sei lá, três semanas na engenharia porque não era o que eu imaginava.
01:36Tinha, sei lá, um livro de cálculo sinistro que me desestimulou.
01:42Mas eu sempre gostei dessa área técnica e, ao mesmo tempo, com essa história da minha família, meu bisavô, meu
01:48tataravô veio pro Brasil, veio pra Petrópolis.
01:51Em 1897 fundou a Casa Gelli, que foi a, sei lá, a maior fábrica de imóveis do Brasil, sei lá,
01:57por mais de 100 anos.
01:58Durou 120 anos a empresa.
02:00E o meu bisavô, que era o filho dele, era o criativo do time.
02:04Na verdade, ele era um marceneiro. Ele não era um designer porque essa profissão nem existia naquela época.
02:07Ele desenhou muitas coisas. A primeira cadeira patenteada no Brasil é um projeto dele.
02:12E aí, quando a Gelli fez 100 anos, eles fizeram uma reedição dessa cadeira.
02:16Seram 100 cadeiras dessas e distribuíram pela família.
02:19E eu tenho uma pendurada no meu escritório e eu sinto muito essa coisa do sangue.
02:23Meu avô sempre desenhou. Meu pai é engenheiro, mas também sempre desenhou. Também é artista.
02:27Tem uma coisa dessa mistura da arte e da técnica que sempre me interessou.
02:30E o design acabou sendo, depois dessas três semanas meio frustradas na engenharia, eu conheci o design na PUC.
02:37E aí, ele me encontrei e descobri um caminho que fazia todo sentido para as minhas vocações.
02:43Eu acho, para os meus interesses. E sigo nele empolgado.
02:46Foram três semanas só na engenharia? Durou pouco.
02:49Eu brinco com as três semanas. Na verdade, foi um período.
02:51Mas eu entendi no final da terceira semana que não era exatamente o que eu imaginava.
02:57E aí, tinham amigos que estavam fazendo design.
02:59Me levaram para conhecer o departamento de design na própria PUC.
03:02E eu me encantei. Era essa mistura muito interessante de arte, de uma coisa mais expressiva, mais solta, mais aberta,
03:11mais humana do que a própria engenharia,
03:13que era uma coisa muito técnica.
03:14Mas sem deixar de ter um lado de ciência, que também me encanta.
03:18Eu sou apaixonado por ciência, por astronomia.
03:21Sempre gostei de matemática, de física.
03:22Então, essa mistura.
03:23E até acabei estudando a história da biomimética, porque é exatamente um lugar de encontro, de uma abordagem mais científica,
03:31com uma fonte de inspiração muito poderosa, aberta, livre e original, para se pensar a criação, de um modo geral.
03:40Eu acho que durante muito tempo, no mercado, sempre tem esses termos, esses jargões, design thinking, etc.
03:49Dá para resumir, sintetizar o que é design em um tweet, em poucos caracteres?
03:56Olha, eu costumo dizer que design, acima de tudo, é uma lente, sabe?
04:00É um jeito de olhar para o mundo, é um jeito de olhar para desafios, para problemas.
04:04E não à toa, essa história do design thinking surgiu como uma metodologia, um ferramental que se espalhou pelas áreas
04:14de negócio,
04:15pela área de inovação, especialmente.
04:17Porque tem muito a ver com essa abordagem que o design faz sobre desafios, que é sempre uma abordagem multidisciplinar.
04:25Você olha para os problemas de cima, o que para circunstâncias e desafios complexos é muito importante,
04:33você não ficar restrito a um recorte daquele contexto, daquele desafio, você olhar de cima.
04:40Tem muito a ver com multidisciplinaridade, eu costumo dizer que o designer é o sujeito que não conhece profundamente nada
04:46e nem deve.
04:47Ele precisa conhecer quem conhece, nós somos, acima de tudo, conectores.
04:51O nosso papel, na minha visão, é muito o de construção de pontes, entre expertise, entre áreas de saberes distintos.
05:00Porque só assim você consegue resolver os problemas complexos que a gente tem hoje.
05:04Já sempre tivemos, mas hoje eles estão ficando cada vez mais complexos.
05:07Então, para mim, o design é essa lente que faz, e aí tem muita vez já com princípios do design
05:14thinking,
05:15que desenha soluções com as pessoas e não para as pessoas.
05:19Isso faz muita diferença, você não ter a presunção que você sabe o que o outro precisa.
05:24Você precisa realmente se envolver, se engajar, se aproximar, ouvir mais do que falar num primeiro momento,
05:31para você, de fato, viver o desafio, o que incomoda, e aí entender as oportunidades que existem ali,
05:39e atuar como esse catalisador criativo em ambientes, usando os potenciais que já existem ali, sabe?
05:46O design thinking também fala da ideia de prototipar, de experimentar rápido,
05:50você colocar iscas na mesa e deixar as pessoas se relacionarem com essas provocações,
05:59e elas é que identificam o que tem mais potencial de ser uma boa solução,
06:03porque senão você não faz alguma coisa relevante para aquelas pessoas.
06:07Você faz uma coisa que pode ser incrível para você e para o meio, e para o mundo do design,
06:11por exemplo,
06:11mas você, de fato, não gera valor na vida dessas pessoas e na trajetória de uma marca, por exemplo, sabe?
06:19Então, por isso o design é uma lente para mim, essa coisa da flexibilidade, do olhar de cima
06:26e da capacidade de estabelecer novas visões e novas interpretações para desafios contemporâneos.
06:33E esses desafios que você nomeou, que é uma capacidade de ouvir, de entender o que as pessoas precisam,
06:40nesse mundo contemporâneo são skills, habilidades que meio que têm que ser perdido, né?
06:46Pressão também, quando a gente olha para o lado das marcas por entregar resultados,
06:51muitas vezes atropelam essa escuta.
06:53E aí você acha que isso alçou o design a uma importância que não tinha há pouco tempo?
06:59Porque no mercado publicitário, muitas vezes, o design era tratado, relegado à embalagem.
07:05É, é.
07:06Eu me lembro até nos caboreis, né?
07:09A gente ganhou dois caboreis, né?
07:11Foi o primeiro caborei do design, né?
07:13A gente até fez uma campanha, o design merece um caborei, e depois em 2014,
07:19a categoria é serviços especiais, né?
07:21É uma coisa meio apartada.
07:23E eu acho que, de uma certa forma, o design ganhou importância, vem ganhando importância.
07:27E eu vivi, né, esse tempo todo a gente atuando nas áreas de design, branding, inovação.
07:33E eu vivi essa transformação, esse ganho de relevância das disciplinas de branding, especialmente.
07:39O design como um, essa tal lente, esse ferramental que dá materialidade, né?
07:46Para as decisões estratégicas que o branding oferece, que estão a serviço do negócio, né?
07:51Então, o branding, a gente costuma dizer que branding e negócio são duas faces da mesma moeda.
07:55E o design está a serviço de construir expressões poderosas que traduzam as escolhas estratégicas
08:01que a gente identifica nas jornadas de investigação, de mergulho do branding.
08:06E eu acho que o design ganhou essa importância porque, num mundo cada vez mais fragmentado,
08:14onde a publicidade sempre solou, né, antes disso, onde você tinha essa oportunidade de conseguir falar com muita gente
08:21num único momento, com um grande esforço.
08:25Quando isso deixa de ser uma realidade, a construção de um valor mais perene,
08:32mais ligado à essência de uma organização, de uma marca, passou a ser fundamental.
08:35Eu sempre meio que fiz uma associação, assim, a publicidade sempre operou meio que no lugar do humor das marcas.
08:43E o branding sempre operou no lugar da alma das marcas.
08:46Então, eu acho que o design ganha importância e o branding também porque ele habilita,
08:52ele capacita as organizações a serem mais coerentes, consistentes.
08:58O que, num mundo fragmentado, ajuda a construir identidade nas várias instâncias
09:03em que as pessoas encontram expressões dessas marcas.
09:06Do contrário, você não consegue montar o quebra-cabeça, né?
09:09Eu costumo dizer que cada encontro de uma pessoa com uma expressão de uma marca
09:13é uma pedrinha de um quebra-cabeça que essa marca está entregando para elas.
09:16E é fundamental que essas pedrinhas se encaixem, né?
09:19Que as pedrinhas que ela está recebendo hoje se encaixem com as pedrinhas que ela já recebeu ontem,
09:22na semana passada.
09:23Então, você cria a esquizofrenia.
09:25E o design e o branding ajudam a garantir essa consistência, essa coerência
09:28para que no final do dia você consiga enxergar uma imagem, uma identidade, um posicionamento claro, né?
09:34E Fred, num artigo recente que você escreveu para a Fast Company,
09:38você fala sobre como o olhar, a visão, né?
09:43O sentido que mais nos trai, assim, porque a gente não sabe se aquilo é real,
09:49se aquilo foi uma ilusão de ótica.
09:51Isso não acontece com os outros sentidos, né?
09:52Com o olfato, com o paladar.
09:54E aí você coloca isso dentro de um contexto muito atual, que é o da inteligência artificial.
09:59Hoje a gente é inundado por conteúdos que a gente não sabe muitas vezes dizer
10:04se foram criados por inteligência artificial ou não.
10:09Fala um pouco sobre como essa discussão atravessa o design e a arte também, né?
10:15Que você fala muito também sobre como a arte acaba permeando um pouco esse território artístico.
10:22Super.
10:23Não, não tem a menor dúvida, né?
10:24A gente vive um momento absolutamente maluco em relação ao que é realidade, ao que é verdade, né?
10:31A verdade perdeu espaço, perdeu reputação, né?
10:35Ela está fragilizada.
10:36E eu faço esse paralelo com a história dos sentidos porque a visão, eu brinco que a gente
10:42sempre viveu numa ditadura da visão.
10:44A visão sempre foi um sentido que prevaleceu sobre os outros sentidos.
10:48Eu me lembro que eu fiz um projeto quando eu tinha, sei lá, 19 anos na faculdade, numa
10:51matéria chamada Psicologia para a Arte, que eu falo dos cinco sentidos da visão.
10:54Ou seja, a gente vive, até as outras sensações são provocadas pela visão.
10:59Você pode ver uma imagem que te dá água na boca.
11:02A gente meio que se condicionou numa realidade muito visual.
11:07E só existe ilusão de ótica, né?
11:09Não existe ilusão olfativa.
11:11Você acha que um cheiro é doce, ele é amargo.
11:13Você acha que é um, sabe assim, uma coisa é áspera e ali uma ilusão tátil.
11:18Não existe isso.
11:20E esse interesse pela ampliação dos convites sensoriais é a origem da tátil.
11:26O nome tátil vem exatamente quando eu descobri que eu ia fazer comunicação visual na faculdade.
11:31Eu falei, mas por que só comunicação visual?
11:33Por que não comunicação multissensorial, né?
11:35Então, desde o primeiro momento que essa curiosidade, esse interesse por essa ampliação
11:40norteia a minha visão como profissional e acabou norteando muito o que a gente vem fazendo na tátil.
11:46Em 2002, a gente fez um livro que era quando a gente lançou, quando a gente inaugurou o
11:51nosso escritório de São Conrado, que é um escritório super legal que a gente construiu.
11:54A gente lançou um livro que chamava Experimente, que falava meio que pela primeira vez da história
11:59do brand experience, da experiência real de marca.
12:02Então, eu acho que se isso sempre foi importante na nossa visão, é mais importante do que nunca.
12:08porque a gente segue sendo essencialmente enganados pela visão.
12:15Mais do que nunca, hoje, vídeos produzidos por inteligência artificial chegam pra gente
12:20nos nossos feeds, de um modo geral, nas nossas timelines, que nem existem mais timelines,
12:25mas o algoritmo que decide tudo.
12:28Meio que como se fosse, em realidade, isso virou uma ferramenta de manipulação muito poderosa
12:33e é muito fácil, é uma enorme maioria, hoje, sei lá, quase mais de 25% de todo o conteúdo
12:38que está no YouTube é produzido por inteligências artificiais.
12:41Então, a gente desenvolver a capacidade de identificar o que é fato, do que não é,
12:47passou a ser uma questão de sobrevivência, sobrevivência de ideias, sobrevivência, acho
12:51que em todos os sentidos.
12:53Então, eu acho que, especialmente nesse momento, a gente pensar na ampliação, pensar que a
13:01realidade hoje, e o que é fato, passa a depender mais ainda do encontro presencial, da troca
13:10física.
13:12Você pode, hoje, receber um texto de alguém que quer trabalhar com você, por exemplo,
13:15ele te mandou um texto, e provavelmente foi feito no GPT, porque as pessoas estão perdendo
13:19a capacidade e a autonomia de se expressarem com independência.
13:24Hoje, é difícil você pensar em alguém que começa um texto sem dar uma, pedir uma
13:28cola para o GPT, né?
13:29E, enfim, eu fiz uma palestra agora, ano passado, no Web Summit, bom, fiz uma primeira no Web
13:34Summit Brasil, depois fiz uma em Portugal, falando disso, falando dessa nossa capacidade
13:39sendo atrofiada, algumas das nossas capacidades estruturais, enquanto seres humanos, ficando
13:45atrofiadas por essa dependência das inteligências artificiais.
13:48Então, para você saber se a pessoa realmente está pensando naquilo que ela te escreveu
13:51num texto, sem ela poder estar usando a muleta do GPT, você precisa encontrar com ela
13:57presencialmente, você precisa estar olho no olho, você precisa ouvi-la, sentir a respiração
14:02dela na hora que ela está, enfim, abordando um assunto, um tema.
14:08Então, eu acho que é um chamado, existe uma urgência nessa ampliação das experiências
14:13sensoriais, e as marcas precisam estar envolvidas nisso, né?
14:16Se a gente pensar, né, que a OMS há dois anos, se eu não me engano, decretou, né, a solidão
14:24como um problema, né, de ordem global, né, a ser combatida, e com tudo isso que você
14:31falou, que as pessoas estão exercitando pouco, o pensamento, né, o raciocínio, e aí
14:39soma-se a isso, a um isolamento maior social, você acha que existe um papel aí do design
14:48para combater isso, um papel central, o que que você diria que cabe ao design a combater,
14:55né, esse isolamento social e essa atrofia?
14:59Eu acho que design é essencialmente sobre fazer convites, sabe?
15:04Eu acho que o nosso papel, a nossa maior habilidade é formalizar, formatar convites.
15:13Qualquer tipo de expressão, quando eu pego esse copo aqui, esse copo é um convite para
15:16minha mão abordá-lo e para eu levar a minha boca com água, ou seja, e esse convite pode
15:22ser distinto, né, você pode ter designs muito distintos para os mesmos objetos, para
15:28as mesmas expressões de marcas, então, a maneira como você equaliza as escolhas que
15:35você faz em termos de design, vão fazer esses convites serem mais poderosos, com maior
15:42capacidade de engajamento, ou não.
15:44Então, eu acho que nesse momento, nessa crise relacional, né, eu sinto que a gente está
15:50vivendo uma...
15:52O problema essencial é um problema de relação, né, a gente está vivendo uma certa nostalgia
15:58pelas relações verdadeiras e pela proximidade, né, e essa epidemia de solidão no mundo,
16:04eu acho que é parte, é um sintoma super sério, né, dessa...
16:08Então, o design está aí para tentar tirar as pessoas de casa, para ajudar a tirar as
16:13crianças da frente das telas, para fazer com que as marcas possam fazer convites irresistíveis,
16:21de multissensorialidade, seja através do seu próprio produto, seja eventualmente, sei
16:25lá, através de iniciativas que elas apoiam, né, ou seja, aproximar pessoas, né, meio que
16:33promover o que faz a gente ser mais longevo, inclusive, né, está provado que é o seu
16:40repertório e a amplitude das suas relações que fazem você durar mais, você viver mais,
16:44viver, né, com mais satisfação, com mais saúde, então, eu acredito, eu acho que o
16:50design tem um papel importantíssimo, estratégico, né, na regeneração, de uma certa forma, desse
16:56espaço relacional, numa dimensão, e aí super ampliada, né, do design de produto, eu
17:02dei o exemplo do copo, mas isso, né, isso vale para tudo, até o branding, né, no momento
17:07de você criar expressões e provocações que as marcas fazem para as pessoas se interessarem
17:13mais, recuperarem a sua autonomia e o seu interesse pelas relações.
17:17E o que você acha que as marcas podem fazer ou ao que elas têm que estar atentas para garantir
17:23que esse resgate, né, da sensorialidade e de uma sede das pessoas por conexão ao vivo
17:32não seja algo passageiro?
17:36Olha, é, tá difícil pensar em alguma coisa longeva hoje em dia, né, assim, a gente
17:41tá vivendo uma ebulição, talvez é mais radical que o sapien já passou, né, eu acho
17:48que dá para dizer isso, que o nível de aceleração das transformações e do nosso próprio processo
17:53evolutivo, ele é maior do que em qualquer outro tempo da história humana, eu acho que
17:58dá para dizer isso. Então, é difícil pensar em alguma coisa que possa ser a prova dessa
18:05frequência, dessa intensidade, mas eu acho que tem uma coisa que é fundamental quando
18:10a gente pensa em longevidade, de relações, que é a consistência, a coerência e o compromisso
18:18com as próprias verdades das marcas, né, e eu acho que parte dessa aceleração compromete
18:26a coragem das marcas de se comprometerem com as suas próprias verdades. Ou seja, existe
18:35uma, existem ondas de tendências, de modas passageiras e de cases de sucesso dos concorrentes
18:47que muitas vezes capturam a capacidade de mobilização das marcas e fazem com que elas
18:53saiam do seu próprio, das suas próprias verdades, se afastem das suas próprias verdades e isso
18:59fragiliza a posição delas. Porque eu costumo brincar que se uma zebra está olhando para
19:05uma girafa numa savana e morrendo de inveja do pescoço comprido que ela tem, que permite
19:10que ela coma as folhas mais tenras da copa das árvores e se ela ficar tentando fazer o
19:14pescoço dela crescer para ser igual a girafa, essa é uma luta em glória que ela já perdeu,
19:18ela tem que ser a melhor zebra que ela puder ser. Esse é o jeito dela ser feliz, esse
19:21é o jeito dela fazer a diferença, inclusive, no ecossistema do qual ela faz parte. Então
19:25isso vale para as marcas, né, eu acho que o maior desafio hoje, no meio de tanta ebulição,
19:31é as marcas encontrarem e entenderem o que a gente chama de seu lugar de potência, que
19:35é o seu verdadeiro lugar onde ela faz a diferença no mundo, os seus produtos, os seus serviços,
19:43os seus convites, né, são únicos. Só ela pode fazer isso, é difícil encontrar isso,
19:47é terapêutico. A gente costuma dizer que um trabalho de brand é colocar as organizações
19:51num divã. Então só quando você reconhece o seu lugar de potência que você pode começar
19:55a manifestar esse lugar de potência de uma maneira consistente, coerente, não esquizofrênica.
20:01Então eu acho que mais do que nunca essa é uma demanda, esse é um desafio que as marcas
20:08precisam se comprometer, porque senão elas se fragilizam numa jornada meio que quase que
20:17randômica, indo para lá, indo para cá, né, e isso é a pior maneira de investir, inclusive
20:23de gastar dinheiro, rasgar dinheiro. Você cria esquizofrenia, você se afasta de um espaço
20:30crível, de um espaço onde as pessoas podem realmente reconhecer identidade.
20:36Ah, essa aqui é a Natura, ah, essa aqui é a Coca-Cola, ah, essa aqui é a Tanone,
20:41ou sei lá, qualquer outra empresa, né, então...
20:43É, e ouvindo você falar, né, o propósito, né, o tal do propósito que foi tão banalizado,
20:49acho que é isso, né, da zebra olhar para a girafa e todo mundo querer correr atrás
20:54de um propósito e às vezes não tem nada a ver com aquela marca.
20:56Não, total, total, acho que teve muito ruído em cima dessa história toda, acho que a gente
21:02viveu aí uma onda de, acho que até de vulgarização, né, de uma série de princípios que são
21:09super sérios e premissas que são super relevantes e que foram banalizadas e, então, acho que
21:17é a hora de recuperar o extrato disso, sabe, de tentar tirar tudo que está poluindo esse
21:23universo, né, de construção de valor para organizações e garantir que o que a gente chama
21:30de marcas vivas, né, que são as marcas que têm a capacidade de se manterem fiéis ao seu lugar
21:36de potência, à sua origem, ao que faz elas serem quem elas são, sem perder a capacidade de serem
21:43originais, novas, frescas, respondendo às mudanças aceleradas do contexto.
21:48A gente fala muito de uma relação entre origem e originalidade.
21:52Quando você pensa até em português ou em inglês na palavra originalidade, ela contém
21:56origem.
21:57Então, a gente acredita que a maneira das marcas seguirem respondendo às novas demandas
22:04do mundo com velocidade, com contundência, com relevância, é se mantendo conectadas
22:10a sua origem, não como âncoras, não como um elemento que está amarrando a elas no passado,
22:15não estou falando aqui de uma visão de manutenção meio que nostálgica de um momento especial
22:23de uma marca, mas de entender qual é a essência daquela organização, o que é que fez ela
22:28existir e, através de uma atualização desses princípios e valores, garantir a capacidade
22:34de responder às novas demandas do mundo de uma forma original, fresca, relevante.
22:40Você fala sobre originalidade, é algo também que está sob ameaça com as pessoas consumindo
22:50os mesmos conteúdos, sendo influenciadas pelo algoritmo e buscando informações na inteligência
22:58artificial, você me soa como uma pessoa otimista, mas é como que você, pessoalmente,
23:05inclusive, lida com esse desafio de buscar referências e não ficar refém do que é
23:10posto ali, do que é dado ou mastigadinho.
23:13É, eu acho que a gente está vivendo, eu chamo isso de miojo criativo, que é um nível
23:18de oferta de conteúdos e de imagens e de vídeos absolutamente geniais, aparentemente
23:27geniais, eu brinco que o fantástico ficou vulgarizado, a gente, eu me lembro que os
23:34primeiros, eu me lembro, eu até citei num artigo também, aquele primeiro, aquela primeira
23:39imagem criada pela inteligência artificial generativa, pelo menos é que viralizou, foi
23:42o Papa Francisco vestindo um casaco balanciaga, de matelacê, e como aquilo foi surpreendente,
23:50a gente olhou para aquilo, parecia verdade, mas tinha um ar meio, será que o Papa vestiria
23:55esse casaco, meio absurdo, e como a gente era ingênuos ali, né, quanta coisa aconteceu
23:59nesses dois anos e meio, não tem mais do que isso, e como hoje a gente vê imagens
24:04absolutamente malucas e que no passado eram incríveis e super complexas de serem produzidas
24:10e que hoje estão absolutamente vulgarizadas, você passa direto a mais um, mais um, mais
24:13um, mais um, e eu chamo de miojo criativo porque ele é ultra processado, né, assim como
24:20com o alimento, assim como o miojo, né, ele parece ser gostoso, né, numa primeira garfada,
24:26mas ele não nutre, né, ele de fato não te agrega, ele, porque especialmente hoje em dia,
24:34depois das inteligências generativas terem consumido todo o pacote de inspirações
24:40produzidas pelos humanos, eles começam num processo autofágico, consumindo e se utilizando
24:47das inspirações e dos conteúdos produzidos pelas próprias aís para se alimentarem e
24:52seguirem gerando novas coisas, então tem um processo autofágico onde a gente vive a
24:57lógica da cópia, da cópia, da cópia, da cópia, o que homogeniza e reduz a diversidade
25:03do conteúdo produzido e sem alma, né, eu acho que esse lugar da redução do espaço verdadeiramente
25:12expressivo é uma carência, assim, que eu acho que a gente tá vivendo uma certa crise
25:21de abstinência, eu sinto isso, que a gente vive uma nostalgia do que nos torna humanos,
25:24que até meio que o meu último artigo da Fast Company foi sobre isso, né, o gesto, o prompt
25:30e a nostalgia do que nos torna humanos e uma certa abstinência disso, sabe, a gente sente
25:35isso de uma maneira cada vez mais, mais, que nos incomoda, eu acho que não pra todo mundo,
25:42né, mas eu sinto que, e eu tento buscar desde sempre as minhas inspirações, eu tenho essa
25:49coisa de buscar inspirações da natureza, sempre foi assim, né, eu comecei no design,
25:54é, no primeiro projeto lá eu queria desenhar embalagens mais inteligentes, eu tinha um dia
25:59tentado abrir um sachê de ketchup, me lambuzei todo com sachê, todo mundo se lambuza, né,
26:03eu brinco que hoje existe um sachê de shoyu, que é pior ainda do que o de ketchup, você
26:07realmente fica tentando morder aquele troço, e nesse mesmo dia eu comi uma banana, e eu
26:12falei, cara, olha como essa banana é friendly, né, assim, olha a diferença de inteligência
26:16no design, e nesse momento lá em, sei lá, em 1987, eu me encantei por essa possibilidade
26:22de olhar pra natureza como uma fonte poderosa de inspiração pra soluções de design, e não
26:27só soluções de design formais, como por exemplo, pensar na banana como uma solução
26:31de ergonomia e de abordagem, né, de se desembalar alguma coisa, mas também inspirações estratégicas,
26:40olhando pra ecossistemas como fonte de inspiração pra negócios, né, então eu adoro esse tipo
26:46de fonte, pra mim são fontes primárias de inspiração, eu uso muito mais a natureza
26:50do que o Pinterest, do que, sei lá, livros de design ou conteúdos desse tipo, porque elas
26:55são, obviamente, resultado de um processo criativo de bilhões de anos, e eu ainda
27:00brinco que são ideias completamente open source, porque Deus não cobra direito autoral,
27:06então você pode ir lá e se apropriar das ideias, e ele celebra porque as ideias vêm
27:10sustentáveis, vêm gerando valor compartilhável, então eu acho que além da natureza tem uma
27:15série de outras fontes que a gente precisa buscar, a gente tem ouvido agora dessa história
27:20da renascença do craft, né, assim, de um lugar da gente estar voltando a valorizar
27:25as expressões humanas, o que é feito pelas mãos, né, assim, pela imaginação meio que blindada
27:35dos excessos, dessa oferta genial da inteligência artificial, porque ela é genial também, né,
27:40então o negócio é a gente saber selecionar e identificar a hora de usar, a hora certa de usar.
27:43Tá, aí, assim, não vai deixar de existir, a gente tem que aprender a lidar com isso,
27:50mas me dá um exemplo prático de como que você recorre à natureza pra se inspirar.
27:57Ah, eu pessoalmente recorro o tempo todo, assim, é uma, os princípios de projeto da Tati,
28:04que eu escrevi lá em 89, que continuam valendo até hoje, eles vêm muito dessa inspiração,
28:12por exemplo, trabalhar muito pra chegar no muito simples, a natureza é obcecada por economia,
28:17por otimização, toda solução natural, ela é a mais elegante possível, ela não tem nada sobrando ali,
28:25tudo que existe ali tem uma razão de ser, e eu acho que é muito comum na nossa produção criativa
28:31a gente deixar excessos, né, então, não que a gente consiga, mas a gente mira e persegue
28:36o que a gente chama de solução natural pra um desafio.
28:39A solução natural é a solução que a natureza daria, é a solução mais elegante,
28:43é a solução que não tem nada sobrando, né, é a solução natural pra um problema,
28:47quando você fala solução natural pra um problema, é a melhor solução, é a solução mais precisa, né,
28:51a ideia da adequação como uma palavra-chave.
28:54Na natureza não existem soluções boas ou ruins, existem soluções precisas, soluções adequadas,
28:58então, pra mim vai desde uma inspiração mais filosófica, como essa que eu acabei de dizer,
29:03há inspirações mais literais, como, por exemplo, a geometria de uma gota d'água
29:09pra desenhar uma embalagem pra natura, né, que é uma forma absolutamente otimizada,
29:14a relação entre superfície e capacidade de volumetria serem otimizadas.
29:20E isso é biomimética?
29:21Isso é biomimética.
29:22Explica pra quem tá nos acompanhando que não...
29:25Biomimética, na verdade, a gente sempre se inspirou na natureza,
29:28desde sempre, pra pensar nas nossas soluções, né, assim,
29:31eu gosto de fazer uma provocação que, sei lá, um sapiens,
29:36há uns 70, 80 mil anos atrás, quando tava meio que acuado por um tigre dente de sabre,
29:40viu aquele dente comprido ali ameaçando ele,
29:43ele teve um insight que é, se eu pegar uma coisa pontuda e botar na ponta
29:47de um pedaço de madeira, de um bambu, eu faço uma lança,
29:51e eu posso usar essa, isso que hoje pra mim é uma ameaça, pra ameaçar alguém, né.
29:55Então a gente sempre olhou pra natureza como fonte de inspiração,
29:58mas como ciência estabelecida e formalizada,
30:01a biônica, nem existia a expressão biomimética,
30:05se estabeleceu na década de 50 como essa fonte infinita de inspiração
30:11em todas as áreas do conhecimento humano.
30:13Muito no design, muito na engenharia,
30:14mas você pode ir pro lado da filosofia,
30:17pro lado da, sei lá, acho que do mundo de negócios, como a gente faz,
30:21eu gosto de pensar como a natureza faz negócios,
30:22olhando pra ecossistemas como ambientes virtuosos,
30:26de trocas de informação, de energia, de matéria,
30:30como os ambientes de negócios.
30:31Mas a gente usa isso o tempo todo,
30:33a gente tem uma bióloga, inclusive, no nosso time,
30:34Thalita Campion, já há uns 10 anos,
30:37eu dei aula por 20 anos na PUC, dessa disciplina,
30:41fui personagem de um documentário muito legal,
30:43chamado Biocêntricos, que entrevistou 6 pessoas no mundo todo,
30:46que trabalham com biomimética,
30:49e que virou uma super...
30:51A gente está envolvido com isso há quase 40 anos,
30:54mas virou uma super tendência no mundo
30:57como uma fonte poderosa de inspiração.
30:59Então tem muitos exemplos clássicos,
31:00sei lá, o trem bala japonês inspirado no bico do mergulhão,
31:04que permite que ele economize energia
31:07e que ele não vibre quando entra num túnel,
31:10assim como o mergulhão quando entra na água,
31:11não gera ondulações pra poder capturar o peixe.
31:14Aquela geometria daquele bico foi a base de inspiração
31:17pro desenho do trem bala japonês.
31:18E tem muitos exemplos clássicos,
31:20o velcro inspirado na maneira como os carrapichos grudam
31:23nas meias das pessoas,
31:25e aquela lógica ali inspirou o velcro.
31:27Tem exemplos clássicos.
31:29E Fred, você é uma pessoa que tem essa atuação global
31:34junto a tátil, com marcas multinacionais,
31:37e nas suas palestras você costuma levar pros gringos
31:43a palavra borogodó.
31:45E você foi responsável por um projeto,
31:49como eu falei na introdução do podcast,
31:51pras Olimpíadas,
31:52que foi um trabalho de tradução,
31:57de sintetizar essa marca Rio.
32:01Conta um pouco e mostra pra gente também isso na prática,
32:05e o que o borogodó tem a ver,
32:09como ele se insere na criação,
32:11no design brasileiro.
32:13É, realmente eu começo muitas palestras
32:15que eu faço internacionais com essa palavra grande,
32:17porque eu adoro ver os gringos enrolando a língua,
32:19falando borogodó.
32:21E é muito isso, né?
32:22O Oscar Metzavá, com quem eu troco um pouco sobre isso,
32:25ele chama de Brazilian Soul, né?
32:27Que é essa energia brasileira,
32:29e dá pra dizer latina,
32:30mas um brasileiro desse povo misturado,
32:32dessa diversidade que a gente tem de sangue,
32:36distintos correndo nas nossas veias,
32:37e faz a gente ser apaixonado pelo que a gente faz,
32:41e sermos mais flexíveis.
32:43Eu acho que isso é um produto de exportação.
32:46A capacidade criativa brasileira,
32:47pra mim, é um produto de exportação.
32:49Eu acho que o mundo precisa fazer mais com menos,
32:52como a gente sempre teve que fazer.
32:53O mundo precisa de mais flexibilidade,
32:56o mundo precisa de soluções mais apaixonadas,
33:00mais calorosas,
33:01e a gente tem,
33:03a Tátio tem hoje, sei lá,
33:0640% dos nossos negócios são internacionais,
33:08com esses escritórios fora do Brasil,
33:10com grandes marcas,
33:12com as quais a gente tem relações longevas,
33:15oferecendo esse tipo de abordagem.
33:17E a marca da Olimpíada no Rio
33:19foi uma grande concorrência,
33:20sei lá, com mais de 139 agências,
33:25disputando essa história,
33:26que viraram 87,
33:28que viraram 25,
33:29que viraram 8,
33:29e a gente acabou ganhando.
33:31E o que a gente fez foi criar um símbolo
33:33que traduzisse essa energia do carioca,
33:37que é uma representação da energia do brasileiro,
33:40do jeito de receber as pessoas,
33:43e tem a ver com um abraço,
33:45com essa coisa calorosa que a gente tem.
33:46Então são três pessoas,
33:47eu trouxe aqui a marquinha 3D,
33:51foi a primeira marca tridimensional
33:52da história dos jogos,
33:54e aconteceu uma coisa engraçada,
33:56eu me lembro que quando eu conheci o Jack Hogg,
33:57que era o presidente do Comitê Olímpico Internacional na época,
34:00no dia do lançamento da marca,
34:01e virou para mim,
34:02Fred, essa marca aqui é incrível como vocês acertaram,
34:05ela representa a energia do brasileiro,
34:07do Rio de Janeiro,
34:08eu viajo o mundo inteiro,
34:09e aqui é sempre,
34:10o único lugar que eu sempre sou recebido,
34:11com um abraço, sabe?
34:13Então a ideia de três pessoas numa roda,
34:16nesse grande abraço,
34:17que é um arquétipo,
34:18que tem significados positivos
34:19em todas as culturas planetárias,
34:21de celebração,
34:22de união,
34:24traduz muito o nosso jeito de ser,
34:26o nosso jeito de valorizar a diversidade,
34:28acho que isso é parte da nossa natureza,
34:30do nosso caráter,
34:32ao mesmo tempo com a geometria do pão de açúcar,
34:33com a geometria das pedras do Rio de Janeiro,
34:36e foi uma marca muito bem aceita
34:37pelas pessoas,
34:38acho que da nossa cidade,
34:40do Brasil,
34:41porque elas se enxergaram ali,
34:42esse é o tipo de solução
34:43que a gente acredita
34:45que são as soluções feitas com as pessoas,
34:48e não para as pessoas,
34:49a gente fez agora também,
34:51em 2022,
34:52a identidade do Carnaval do Rio,
34:54o Rio Carnaval.
34:55Ganharam prêmios por isso?
34:56Ganhamos muitos prêmios,
34:57sei lá,
34:58Leões de Ouro,
34:59Yellow Pants,
35:00do D&D,
35:01mas eu brinco que
35:02o prêmio mais importante
35:03que a gente ganhou nessa marca
35:04foram conversas que a gente teve depois
35:06com os bambas do samba,
35:08com os quais nós tínhamos conversado profundamente
35:10para entender o que era relevante
35:12para eles no Carnaval,
35:13quais eram os símbolos
35:14que realmente traduziam a energia,
35:17o que é único no Carnaval,
35:19a gente escolheu a bandeira,
35:20por conta do que a gente ouviu deles,
35:22a bandeira,
35:22o pavilhão,
35:23como eles chamam,
35:23que é sagrada,
35:24e toda a marca é desenhada
35:26em cima do movimento da bandeira,
35:28quando eles dizem para a gente,
35:29nessas conversas depois,
35:31de que eles se sentiram realmente representados,
35:33a gente enxerga
35:34o Carnaval do Rio aqui,
35:35eles agradeceram,
35:37esse foi o maior prêmio que a gente ganhou,
35:39eu acho que os outros todos
35:40são decorrência
35:42dessa sintonia,
35:43do respeito que acho que a gente teve
35:46nessa jornada criativa
35:47com eles e não para eles.
35:49E também tem o gatinho,
35:51você quer mostrar o gatinho
35:52e contar a história,
35:53tem a história a ver com o Caboré,
35:54que é o prêmio do Meio Mensagem.
35:56Tem, tem a ver com o Caboré,
35:58na verdade o gato é o nosso mascote,
35:59ele fica no ombro aqui,
36:01assim, você pode andar com ele e tal,
36:03ele tem uma coisa engraçada
36:04que você joga ele para cima
36:05e ele cai sempre em pé,
36:08como todos os gatos.
36:11E eu acho que ele representa muito
36:12esse lugar do Borogodó,
36:16esse tipo de convite mais humano,
36:19mais quente,
36:21que provoca um sorrisinho
36:24no canto da boca,
36:25eu me lembro,
36:25a gente já,
36:26enfim,
36:26essa ideia é uma ideia
36:28que tem, sei lá,
36:28mais de 20 anos,
36:29eu já mostrei isso,
36:30me lembro quando a gente recebeu
36:31a visita do Philippe Starck,
36:33um super designer francês
36:34no nosso escritório,
36:35e quando ele jogou o gatinho para cima
36:36e o gatinho para em pé,
36:37ele fez,
36:38sabe assim,
36:38então tem um lugar
36:42desse quebra-gelo,
36:43dessa provocação lúdica,
36:46sabe,
36:46que tem muito a ver
36:47com o nosso trabalho,
36:48a gente acredita que
36:48a conexão emocional
36:50é a conexão mais poderosa
36:51que uma marca pode
36:53estabelecer com as pessoas,
36:54uma conexão
36:55que é mais do que racional,
36:57é um tipo de convite
36:58que tem a ver com o coração,
37:00que tem a ver com a emoção,
37:02né,
37:03então a gente tenta colocar
37:05esse tipo de energia
37:06em tudo que a gente faz
37:07e o nosso mascote
37:08não podia ser diferente,
37:09né,
37:09e no Cabaré a gente fez
37:11uma série de videozinhos
37:13do gatinho
37:13tentando seduzir a coruja
37:15e ela não dava a menor bola
37:16para ele,
37:17até que quando a gente ganha,
37:20enfim,
37:20a gente brinca
37:21com uma cena do gatinho
37:23com a coruja na cama,
37:24assim,
37:24e mini gatas,
37:26que são esses gatinhos aqui,
37:27esse aqui é o pequenininho,
37:28com asinhas,
37:29né,
37:29que já seriam meio que
37:30a prole
37:31dentro desse encontro,
37:34e depois a gente ganhou
37:35um segundo Cabaré em 2014,
37:37enfim,
37:37mas foi,
37:38é um pouco da nossa cara
37:39isso aqui,
37:40fala muito da gente,
37:41assim.
37:41E um pouco antes
37:42da gente entrar no ar,
37:43a gente estava falando
37:44um pouco sobre
37:46esse borogodó brasileiro
37:47e também sobre um protagonismo
37:49que a América Latina
37:51no geral
37:52vem ganhando
37:53em um momento
37:53delicado da história,
37:55né,
37:56e aí você mencionou
37:58o Bad Bunny,
37:59né,
37:59todo esse sucesso
38:00que ele vem tendo
38:01e contra todas as apostas,
38:04ele sendo a atração
38:05principal do Super Bowl,
38:07você acha mesmo
38:09que é um momento
38:10prolífico,
38:11né,
38:12para os latinos
38:13nesse lugar
38:13de criação,
38:15de expressão?
38:16É,
38:16eu acho que no fundo
38:17é quase um movimento
38:18de resistência,
38:20assim,
38:20um movimento de reação
38:21a essa loucura
38:23que a gente está vivendo,
38:24né,
38:24essa loucura opressiva
38:26que a gente está vivendo
38:27no mundo
38:27e eu vejo,
38:30por exemplo,
38:30o Bad Bunny hoje
38:31meio que infiltrado,
38:32né,
38:32nos Estados Unidos
38:33num momento tão delicado
38:34para a própria cultura
38:35porto-riquenha
38:36e latina de um modo geral,
38:38mas a força expressiva dele,
38:40o tipo de convite
38:41que ele faz
38:42para dançar,
38:43para vibrar,
38:43para se emocionar,
38:44meio que quebra,
38:45né,
38:47a barreira
38:48e essa limitação
38:49de uma maneira
38:49quase,
38:50é,
38:52quase
38:53hackeando mesmo,
38:54assim,
38:55estando,
38:55inevitavelmente,
38:57sendo convidado
38:57para estar presente
38:59no, sei lá,
39:00talvez no espaço
39:01de maior visibilidade
39:02da indústria americana
39:03como um todo,
39:04ele vai estar lá
39:05meio que infiltrado,
39:06assim,
39:06meio que como uma peça
39:07de resistência,
39:08né,
39:09e a gente,
39:10ninguém sabe direito
39:10o que vai acontecer,
39:11né,
39:11porque já existem ameaças
39:12aí do Ice
39:13estar do lado de fora
39:14fazendo,
39:15tentando,
39:16enfim,
39:16capturar,
39:17é uma coisa maluca,
39:17né,
39:18então,
39:18eu acho que essa latinidade,
39:20né,
39:21o Eduardo Janetti
39:22tem um livro maravilhoso
39:23que ele me deu,
39:24inclusive,
39:24falou,
39:24lê isso que você vai gostar
39:26falando sobre a história
39:26do Borogodó,
39:27que é o Trópicos Utópicos,
39:29que ele fala,
39:30ele fala muito
39:31dessa força latina
39:33de,
39:34de,
39:36esquentar os ambientes,
39:37de fazer com que as pessoas
39:38vibrem,
39:39dancem,
39:39se abracem,
39:40se emocionem,
39:41cantem,
39:41né,
39:42ele,
39:42ele tem uma hora no livro
39:43que ele fala,
39:44cara,
39:44a Finlândia tem lá
39:45o maior IDH do planeta,
39:46mas as pessoas não cantam
39:47na rua,
39:48sabe,
39:49então,
39:49eu acho que,
39:50é,
39:51parte da solução
39:52para o momento maluco
39:53que a gente vive hoje
39:54é,
39:55é,
39:55o mundo beber um pouco mais
39:57nessa fonte,
39:57né,
39:57que o latino,
39:59né,
39:59oferece,
40:00né,
40:00esse tipo de energia
40:01que contagia,
40:03né,
40:03que faz as pessoas vibrarem,
40:05sorrirem,
40:06se emocionarem,
40:07se aproximarem,
40:08se relacionarem,
40:09né,
40:09que esquenta as relações,
40:11a gente,
40:11a própria resistência
40:12precisa de relações
40:14mais,
40:14mais firmes
40:15e mais profundas,
40:16então,
40:17eu acho que sim,
40:18eu acho que existe um espaço,
40:19especialmente na indústria criativa,
40:22né,
40:22para esse tipo de olhar,
40:24para essa lente que a gente leva,
40:25para tudo que a gente faz
40:27e,
40:28e,
40:28que o mundo possa ter mais borogodó,
40:30estamos precisando disso,
40:31né.
40:31E Fred,
40:32qual que foi uma ideia
40:34que te impactou bastante
40:36nos últimos tempos,
40:38pode ser algo de design,
40:39pode ser uma ferramenta,
40:40pode ser uma campanha publicitária?
40:44Olha,
40:44é difícil pensar numa coisa,
40:46né,
40:46assim,
40:46mas,
40:47eu acho que,
40:48talvez até uma coisa
40:49que seja
40:50das mais destacáveis
40:52na história da humanidade,
40:53uma ideia absolutamente genial,
40:55seja a própria inteligência artificial,
40:56né,
40:57é louco, né,
40:58porque é essa coisa do veneno
40:59e antídoto, né,
41:00assim,
41:00que a gente sempre lida,
41:01né,
41:01você sempre tem aí
41:02peso e contrapeso
41:03e a inteligência artificial é uma,
41:07eu acho que é o ápice
41:08de uma jornada
41:09de desenvolvimento tecnológico
41:12da humanidade,
41:13que eu brinco que a gente
41:15terceirizou parte da nossa evolução.
41:17a nossa espécie é uma espécie
41:18com tanto apetite
41:20por
41:22se relacionar com o universo,
41:24explorar o universo,
41:24é um tipo de,
41:26é uma,
41:27tá no nosso software, né,
41:29a gente é um bicho muito curioso,
41:30e a gente não teve a paciência
41:32de esperar a nossa própria
41:34evolução biológica, né,
41:36a fisiologia,
41:37a evolução,
41:37ela tem outros timings,
41:39e a gente,
41:40o nosso apetite fez com que a gente
41:41meio que criasse uma terceirização,
41:43um braço
41:44que evolui paralelamente
41:46a nossa evolução biológica,
41:47que é a tecnologia,
41:49e a inteligência artificial
41:50é o supra-sumo até aqui,
41:52né,
41:53dessa capacidade,
41:54dessa inventividade humana,
41:56então ela é genial ao mesmo tempo,
41:58ao mesmo tempo a gente precisa
41:59realmente entender como lidar
42:00de uma maneira saudável com ela,
42:02sem comprometer
42:03o que nos faz humanos,
42:05né,
42:05as tais competências essenciais
42:07como a nossa capacidade de imaginar,
42:08a nossa capacidade de intuir,
42:10sem necessariamente usá-la,
42:12então,
42:13é meio isso, né,
42:14acho que é uma boa,
42:15é uma boa,
42:16é uma boa provocação, né,
42:18que talvez o que eu esteja destacando aqui
42:21seja a ideia que eu ao mesmo tempo
42:22estou criticando, né,
42:23mas isso é a dualidade, né,
42:26esse paradoxo,
42:27é a realidade paradoxal que a gente vive,
42:29mais do que nunca,
42:30nesse momento.
42:31E você falou sobre a capacidade de intuir,
42:34o design,
42:35ele passa muito por essa coisa,
42:37o que é um design bom,
42:38que funciona,
42:39que é bem feito,
42:40quando a gente pensa em coisas, né,
42:41como o sachê do ketchup,
42:42que você falou,
42:43que é ruim de abrir,
42:44você abre com o dente,
42:45aí se suja todo,
42:47como é que você lidou e lida
42:50ao longo da sua carreira
42:51com espaço para o erro
42:52dentro do design,
42:54principalmente se você está criando
42:56coisas que precisam funcionar ali,
42:59serem funcionais, né.
43:01É, não,
43:01eu até fiz uma palestra agora,
43:03essa última que eu fiz
43:03no Web Summit lá em Lisboa,
43:06o título era
43:06Mistakes Matter,
43:07a ideia de que
43:09com a ditadura da perfeição,
43:11da produtividade,
43:12a gente está reduzindo
43:13o espaço do erro,
43:14especialmente quando a gente
43:15começa a delegar
43:16a nossa intuição
43:17e a nossa imaginação
43:18as aís,
43:19elas nos respondem
43:21com precisão,
43:22com velocidade
43:22e isso reduz
43:25o nosso espaço criativo
43:26e a minha provocação,
43:27porque uma enorme quantidade
43:29das coisas mais incríveis
43:30que a gente já inventou
43:31foram resultado
43:32de equívocos, né,
43:34eu dou um monte de exemplos,
43:35desde a pipoca,
43:37a cerveja,
43:38o ozempique,
43:40a vulcanização da borracha
43:42foram resultados de acidentes,
43:44então os erros
43:45são fundamentais
43:46para a gente evoluir,
43:46para a gente aprender,
43:47mas eu vivi uma história
43:49que foi muito interessante
43:50no desenvolvimento
43:50da marca paralímpica,
43:52que é um coração
43:54com símbolo do infinito,
43:56a gente usou também
43:56um arquétipo,
43:57porque isso funciona
43:58quando você quer falar
43:59com muita gente,
43:59você usar um arquétipo
44:00é um atalho,
44:01é um atalho que está
44:02no inconsciente coletivo,
44:03a marca olímpica,
44:04pessoas reunidas
44:05de mãos dadas
44:06estão presentes
44:07em, sei lá,
44:07na arte rupestre,
44:08em todas as esculturas
44:09com significados positivos,
44:11a marca paralímpica
44:12é um coração
44:12com símbolo do infinito,
44:14mas não foi sempre assim,
44:15e a gente fez uma coisa
44:16muito legal no processo,
44:18dentro da mesma lógica
44:19de fazer com
44:20e não para,
44:21como a gente queria
44:22fazer uma marca
44:22multissensorial,
44:23a gente decidiu
44:24que a marca paralímpica,
44:25além de tridimensional,
44:27ela devia ser multissensorial,
44:28porque o nosso target
44:29era multissensorial,
44:30os atletas paralímpicos
44:31são pessoas,
44:32muitas delas surdas,
44:33cegas,
44:34que não tem os membros,
44:35ou não tem, sei lá,
44:36tem uma paralisia cerebral,
44:37então,
44:37a marca precisava ser
44:39um convite multissensorial,
44:40e a gente faz isso,
44:42a marca tem som,
44:43a marca vibra,
44:44ela tem uma luz
44:45que pulsa
44:46nesse símbolo do infinito
44:47que acabou sendo a solução,
44:49mas,
44:49num primeiro momento,
44:50a marca que a gente
44:51quase aprovou,
44:52porque a gente fazia
44:53protótipos tridimensionais,
44:54imprimíamos
44:55em impressores 3D
44:56e levávamos
44:57para pessoas cegas
44:58darem opiniões,
44:59especialmente dois
45:00ex-atletas cegos
45:01que foram meio que
45:02consultores da gente
45:03no processo criativo,
45:04e a primeira versão
45:05desse coração,
45:07ele tinha só
45:08uma elipse em cima,
45:09isso é difícil falar aqui,
45:10tem ideia de mostrar,
45:11ela tinha só
45:12uma elipse em cima,
45:14e aí a pessoa pegou,
45:15ela manipulou
45:16aquele coração,
45:17ah, é um coração,
45:18mas,
45:18e ela disse,
45:19mas o que é esse buraco?
45:20Ela botou a mão
45:21dentro dessa elipse,
45:22o que é esse buraco?
45:23Aí eu olhei para o
45:25Dani,
45:26que estava comigo na época,
45:26o designer,
45:27que estava acompanhando
45:28o projeto,
45:29e olhei para ele e falei,
45:30cara,
45:30a gente não quer um buraco
45:31nesse coração, né?
45:32E a gente não tinha,
45:33ela enxergou uma coisa
45:35que nós não tínhamos
45:36enxergado,
45:37sabe?
45:37Isso é uma coisa,
45:37e ela é uma pessoa cega,
45:38e a gente voltou e disse,
45:40cara,
45:40isso aqui tem um equívoco aqui,
45:41e a gente pegou
45:42aquela elipse e torcemos,
45:44quando a gente torceu
45:45essa elipse,
45:45surgiu o símbolo
45:46do infinito,
45:47que é,
45:48e aí sim,
45:49consolida,
45:50assim,
45:51era tudo que a gente queria,
45:52a gente queria fazer
45:52o coração porque era
45:53o símbolo da energia infinita
45:55que as pessoas têm
45:56para sair indo,
45:57sei lá,
45:57depois de um acidente
45:58quando perdem uma perna,
45:59um braço,
46:00e vão até o alto do pódio,
46:01era isso que a gente
46:03a ideia de que o coração
46:04não conhece limites,
46:05então o coração
46:06com o símbolo infinito
46:07era perfeito,
46:08e ela surge
46:10do reconhecimento
46:11de um erro
46:12que a gente tinha cometido,
46:13não identificando
46:15o tal buraco
46:16que uma pessoa cega
46:17precisou nos mostrar,
46:18sabe?
46:19Com os sentidos,
46:21né?
46:21Com os sentidos,
46:21que tem a ver com
46:22o que a gente falou
46:23no grupo da conversa.
46:23Enxergando uma coisa
46:24que nós não tínhamos enxergado
46:25com os nossos olhos,
46:26e ela cega
46:27nos mostrou isso.
46:29Com o tato.
46:30Super com o tato.
46:32E Fred,
46:32você falou
46:33que costuma andar
46:35bastante de bicicleta,
46:36estamos agora em São Paulo,
46:38mas você mora
46:38no Rio de Janeiro,
46:40né?
46:40Falou desse contato
46:41com a natureza
46:42que te nutre,
46:43que te inspira,
46:44mas quando você está
46:45em São Paulo,
46:46que são visitas frequentes,
46:48imagino,
46:48pessoais de negócios,
46:49que é uma cidade
46:50um pouco mais dura,
46:52um pouco menos inspiradora
46:54sobre essa ótica
46:54da natureza
46:55que é tão cara,
46:58paradoxalmente,
46:59já que falamos
46:59de paradoxos,
47:01está num contexto
47:04menos inspirador,
47:05entre aspas,
47:06também te obriga
47:07a...
47:08te favorece
47:09inspiração
47:10de certa forma?
47:11Não, super.
47:11Eu sou absolutamente
47:12eclético
47:13em relação a...
47:14Eu acho que eu consigo
47:15buscar inspiração
47:16em tudo, assim.
47:16Então,
47:17aqui são outras inspirações.
47:19Aqui tem...
47:19Eu tenho muitos amigos,
47:20aqui tem o nosso próprio time,
47:21Ontem, por exemplo,
47:22a gente saiu do escritório,
47:23que é aqui na Vila Madalena,
47:24e fomos beber,
47:25fomos conversar,
47:26e é uma noite incrível
47:27de muita troca,
47:28de muitas ideias.
47:29Então,
47:30a natureza fica sempre
47:30com um pano de fundo
47:32do meu olhar,
47:33mas eu adoro a cidade também,
47:35sabe?
47:35Acho que aqui tem cultura
47:36transbordando pra todo lado,
47:38acho que tem essa coisa
47:39do...
47:39Você come bem,
47:40come melhor do que no Rio,
47:41né?
47:41Você tem acesso
47:43a coisas que você não tem no Rio.
47:45Então,
47:46eu sou super guloso
47:48em termos de inspiração
47:50e sempre que eu tô aqui
47:52e, obviamente,
47:54não pra morar,
47:55porque eu tenho o apelido
47:56que é H2H, né?
47:57Eu preciso estar perto do mar,
47:58assim,
47:59eu faço realmente muitos esportes
48:00ao ar livre
48:00e o Rio é perfeito pra isso.
48:03Pego um anda,
48:04ando de bicicleta lá,
48:05enfim,
48:05jogo tênis,
48:06faço coisas que lá
48:07funcionam melhor do que aqui.
48:08Mas aqui eu também aproveito muito
48:10e volto inspirado
48:11pra chegar lá
48:12e misturar essas coisas todas
48:13nessa grande alquimia
48:14que é o processo criativo, né?
48:16E, Fred,
48:17pra gente encerrar nosso papo,
48:18eu queria que você desse uma dica
48:19pra quem tá nos acompanhando,
48:21pra alguém que tá se vendo
48:22diante de um bloqueio criativo
48:25que quer se conectar mais
48:27com intuição,
48:29com ideias
48:30e não usar tanto
48:31algoritmos,
48:32feeds e chat GPTs
48:34como boletas.
48:36Então,
48:37tem uma coisa que a gente
48:38sempre disse
48:39que é
48:39a solução tá contida
48:41no problema.
48:42Foi um pouco o que eu já falei,
48:43assim,
48:43se você tem um bloqueio criativo,
48:46eu acho que o mais importante
48:47é você tentar se aproximar
48:48do contexto
48:49onde esse problema nasceu.
48:51Ouvir as pessoas
48:52e confiar no processo.
48:56Eu acho que isso é uma coisa
48:56muito importante.
48:58Porque muitas vezes
48:59no processo criativo,
48:59especialmente com essa tocada,
49:01essa coisa louca
49:02da velocidade cada vez maior,
49:04a gente acaba
49:05meio que desconsiderando
49:07e subestimando
49:09o tempo necessário
49:12pra você compreender
49:13a circunstância
49:15onde esse problema nasceu.
49:17Porque só dali
49:18virá o caminho
49:20pra solução existir.
49:22Então,
49:23o conselho
49:24e a dica é
49:25sair dessa aflição
49:26de ficar tentando
49:28pegar os atalhos
49:29pra achar soluções
49:30nas inspirações encadernadas,
49:32nas AIs
49:32e realmente
49:33se aproximando
49:34verdadeiramente
49:35do contexto
49:37das pessoas,
49:38do lugar
49:38onde o problema,
49:39onde a oportunidade
49:40existe.
49:41porque é ali
49:42que você vai encontrar,
49:43é ali que você vai colher
49:44eu acho que
49:46as principais inspirações
49:47pra que
49:48uma solução natural
49:50possa emergir.
49:51Fred,
49:52obrigada pela conversa.
49:54Obrigado a você
49:54pelo convite.
49:55Até uma próxima.
49:56Continue acompanhando
49:57a ideia
49:58nas plataformas
49:59de e-mail e mensagem
50:00na nossa página
50:00no YouTube
50:01e nos streamings
50:02de sua preferência.
50:04Os episódios da ideia
50:05são gravados
50:05no Content Club
50:06em São Paulo.
50:08Até a próxima.
50:12Até a próxima.
50:23Legenda por Sônia Ruberti
Comentários

Recomendado