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  • há 2 dias
Cantora e compositora celebra 20 anos de carreira com turnê que revisita seu primeiro álbum. Nessa entrevista, a paulistana relembra a estranheza com que o disco foi recebido à época, por ter misturado gêneros como afrobeat, trip hop, reggae e afrobeat – e, portanto, não se encaixava na sigla MPB. Também fala sobre como encara o avanço da inteligência artificial sobre a arte e seu atual momento profissional, em que passou a ter maior autonomia sobre as diversas partes de sua carreira.

Categoria

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Música
Transcrição
00:00Olá, eu sou Isabela Lessa e esse é o A Ideia, podcast do Meio Mensagem, que é um espaço para a gente falar das ideias que regem trajetórias, negócios e inspirações de pessoas de diversas áreas.
00:11Minha convidada de hoje é uma cantora e compositora que há exatos 20 anos lançava seu primeiro álbum, que apresentava uma combinação de referências que passeava por gêneros como trip-hop, afrobeat, música popular brasileira e reggae.
00:24Paulistana, Maria do Céu é filha de artistas, já ganhou um Grêmio Latino, recentemente esteve no Tiny Desk Brasil e, em breve, vai embarcar numa turnê comemorativa dos seus 20 anos de carreira.
00:38Seja muito bem-vinda, Céu.
00:39Muito obrigada, alegria imensa estar aqui com você para esse bate-papo.
00:43A gente que agradece.
00:44Bom, indo direto ao ponto, eu queria que você contasse um pouco sobre como a música entrou na sua vida, obviamente, o seu pai sempre trabalhou com isso, a sua mãe, de uma forma mais indireta, né, já transitava nesse universo,
01:08mas quais são as suas primeiras lembranças em relação à música, o que você lembra disso?
01:15Bom, eu costumo dizer que a música sempre foi a linguagem natural dentro de casa, assim, então, é isso, né, a gente cresce no meio ambiente e fica meio que naturalizado.
01:30A fala, enfim, era tudo através da música, a comunicação se dava melhor, eu já falei isso em várias entrevistas, eu acho que se você me buscar em entrevistas, você vai ver que eu sempre falo isso,
01:42porque, de fato, era uma família que se dava melhor nesse lugar, então, foi engraçado, porque, de certa maneira, quando eu fui crescendo, eu meio que queria me distanciar um pouquinho disso,
01:56vamos dizer assim, ah, não vou fazer meu rolê de uma outra maneira, mas, quando eu fiz 14 anos, a tal da música, que já tava tão inserida naturalmente,
02:09num lugar muito apropriado da minha forma de pensar, na minha forma de deduzir, de projetar, prospectar o mundo, a música era o meu jeito, né, eu entendi a vida através da música,
02:21então, esse bicho da música me pegou, então, foi isso, foi assim, entrou de uma maneira, assim, serpenteosa, sabe, não é que eu planejei, não é que, era natural,
02:38e quando eu fui pensando sobre carreira, sobre vida, sobre o que eu ia fazer, ela já estava lá.
02:45Inclusive, essa história, você já contou muitas vezes, que seus pais te deixaram muito livre pra escolher o seu caminho profissional.
02:51Então, você teve uma liberdade ali, né, pra, não teve uma amarra, ou um caminho que você achava que deveria seguir,
03:00ou que outras pessoas achavam que você deveria seguir.
03:03É, meus pais são muito artistões, assim, então, eles tinham um jeito meio solto mesmo, assim, de lidar com os filhos,
03:12e pensar a vida, e quase disruptivo, né, de como que, imagina, arte você não aprende na escola.
03:23Não que eu ache isso, tá, gente, mas...
03:29Era assim que eles pensavam, eles foram muito modernos, isso é uma parte legal, assim, do olhar deles.
03:38E aí, muito cedo, eles colocaram essa semente de que, você quer trabalhar com isso? Vai fazer, vai experimentar, vai pra rua.
03:46Então, eu cresci muito nesse lugar, né, então, tá na minha mão.
03:50Então, eu sou a dona do negócio, assim, eu vou aprender.
03:54Eu vou estudar com cursos, eu vou fazer, não sei o quê, eu vou pra rua fazer banda, eu vou ensaiar na garagem dos amigos.
04:00Então, foi essa a escola que eles me incentivaram a ter, assim.
04:06E aí, portanto, nunca houve nenhuma opção, nenhuma dúvida do que você seguiria, sempre você soube que trabalharia com isso?
04:15Pois é, com 14 anos eu decidi, foi uma coisa bem curiosa, né, particular, porque com 14 anos você tem adolescentes,
04:22todas as suas amigas estão em dúvida sobre quais faculdades, cursinhos, não sei o quê, você vai, né, o que que eu posso, sei lá, o que que eu vou fazer.
04:28E eu, muito novinha, já sabia, vou fazer isso, eu quero fazer música, e eu não vou fazer faculdade, eu vou fazer cursos, eu vou pra rua, né,
04:39e eu meio que levei esse ensinamento meio maluco deles, mas que me deu um outro tipo de escola.
04:48Foi interessante, assim, foi uma outra pele, vamos dizer assim, pra encarar esse mundo da música, que foi muito rico também.
04:55Eu acho que eu perdi muito, tá, não indo numa faculdade de música, acho que hoje em dia eu tenho uma filha que tem o pé na música muito forte,
05:04e eu acho que vai ser muito interessante se ela fizer uma faculdade de música assim, acho que temos grandes faculdades públicas, inclusive,
05:12também privadas temos, mas assim, temos, acho que esse universo que vem junto, né, com o universo universitário mesmo,
05:22é muito rico, isso eu não tive, mas eu tive desse jeito, e se deu nessa artista que tá aqui hoje com você, teve algum ganho também.
05:32E o seu primeiro álbum, que faz já 20 anos, parece que foi ontem.
05:36É verdade.
05:37Como que você chegou nessa mistura de gêneros?
05:42Era algo que já tava na sua cabeça, você contou com muita gente pra ajudar a costurar isso,
05:48você antes pendia pra mais um gênero, como é que resultou nessa mistura?
05:54Porque até então era uma coisa incomum na música brasileira.
05:58Sim, é verdade.
05:58Era muito característico, você identificava rapidamente o que era,
06:02e o seu som, acho que causou uma estranheza, talvez, pra quem estivesse ouvindo naquela época.
06:07Você sabe que eu tô percebendo isso agora, depois de 20 anos, voltando a me debruçar nesse álbum,
06:14eu tô descobrindo que era meio diferente por isso, né, você acabou de ilustrar qual que é a situação,
06:23acho que as coisas estavam em gavetas mais definidas.
06:25Talvez esse álbum, ele tenha sido um álbum muito fluido mesmo, um álbum que, só que muito brasileiro, assim,
06:33pra mim tinha uma naturalidade, porque a gente é muito misturado, né,
06:38a gente traz um espectro de histórias ancestrais que, eu acho que essa ligação espiritual e de escutar e de buscar
06:50e de querer imprimir isso sonoramente, acabou transformando esse álbum nessa enorme colcha de retalho.
06:57Talvez também, são vários fatores, talvez também pelo fato de eu ser uma paulistana,
07:02que eu acho que isso aqui, essa cidade caótica, ela também traz essa pluralidade rica, diversa, sabe?
07:11Até como observar mesmo, como, né, tantas pessoas na época, eu lembro que tinha uma movimentação muito grande
07:22da galera de Pernambuco pra São Paulo, então nordestinos, enfim, gente do norte, gente do sul, tudo passa por aqui.
07:29Então, de fato, agora eu tô percebendo que talvez uma das grandes coisas desse álbum é essa mistura,
07:40que é o que eu sempre senti que eu sabia fazer, assim, eu não calculei, foi indo, sabe?
07:46Eu queria que trouxesse a bagagem da força da música brasileira tradicional,
07:51mas que fosse feita por mim, que não sou um tradicional, não, né, já era uma menina em 2005
08:01cheia de outras visões sobre o mundo, desejos, já vislumbrava o caminho independente,
08:10a internet chegando e as coisas mudando, eu não sentia que tinha essas caixinhas, sabe?
08:16E isso, com certeza, foi a dificuldade maior que eu dei pros jornalistas, porque a pergunta que não queria calar é,
08:24mas o que são que é esse que você faz?
08:26Como se houvesse necessidade também de rotular, né, que existe essa necessidade, mas, na verdade, por quê, né?
08:32Tudo tem que caber numa caixa.
08:33Nossa, menina, eu sofri com essa pergunta, viu?
08:36Porque eu não sabia o que dizer, eu achava que eu era MPB, mas aí eu comecei a ver que eu não estava na caixinha do MPB mais.
08:42E aí, foi o que você falou, afrobeat, mas não é, né, não é nada disso, exatamente.
08:50Você mesma disse, você fez a apresentação mistura de...
08:54Hoje, eu acho que existe uma...
08:57Eu acho que existe mais, eu acho que a música urbana, que é o que hoje é o grande, vamos dizer assim, um nicho muito forte, potente, né?
09:06Traz tudo isso, se você ver.
09:08Música urbana.
09:08Mas, na época, não tinha esse termo, e aí eu ficava nesse lugar e, ai, meu Deus, sei lá, eu comecei a jogar para os jornalistas.
09:18Você que me diz, eu não sou jornalista.
09:21Eu falava isso bastante.
09:23É bom, né? Devolve, joga para você.
09:24Eu devolvi, porque eu falei, deixa eu não ser.
09:26E nessa época, acho que até anterior, talvez, ao lançamento do seu primeiro álbum, você era bastante tímida.
09:34Como é que o palco se tornou uma coisa mais natural para você?
09:38Como que foi esse processo?
09:39Que você cantava de costas no começo?
09:41Bom, eu acho assim, a música, ela me salvou.
09:44A música é meu resgate, é minha vida, é minha paixão.
09:47Então, minha linguagem, como eu comecei aqui falando, acho que...
09:50Então, a música sempre me abriu caminhos, me trouxe respostas, me mostrou quem eu era.
10:01Então, a partir disso, como eu fui entrando nesse universo e querendo e puxando mais,
10:05bom, então é isso, então eu vou, então é...
10:08Eu fui entendendo também, saindo desse lugar da timidez, que, de fato, sim, sou uma pessoa nascida tímida.
10:15Mas hoje eu me sinto super à vontade no palco, assim, muito à vontade, assim, até eu fico chocada.
10:21Até eu acho que eu nem sou mais tímida, mas eu sei que eu sou, assim, de natureza, né?
10:27Mas hoje eu gosto de falar com as pessoas, eu adoro contar histórias.
10:30Pra mim é um prazer estar aqui, trocando essa ideia, podendo ter essa oportunidade de falar com as pessoas
10:34e atravessar também, né, através da minha história, da minha visão, talvez a vida delas.
10:40Então, eu fui me descobrindo. A música me trouxe, como eu disse, muitas respostas.
10:48Te trouxe essa segurança também.
10:50Me trouxe a segurança.
10:51De se colocar ali no palco.
10:52Exatamente, eu fui aprendendo ao vivo, a olhos nus.
10:54E tem gente, pra pessoas que até hoje não é natural, né?
10:58Assim, o Chico Buarque vive falando que ele não gosta de fazer show, né?
11:01E pra você, teve essa quebra em algum momento.
11:04Exatamente. Teve um momento que eu...
11:07Várias coisas aconteceram, assim, foi uma demanda muito grande, né?
11:10O início de tudo.
11:12E aí, virou uma carreira sólida.
11:16Teve um momento que eu comecei a desenvolver pânico de avião, por exemplo.
11:19Eu falei, gente, se eu fizer isso, eu vou acabar tudo que eu tô fazendo.
11:22Então, eu fui construindo uns lugares de segurança.
11:27E, de repente, eu falei, gente, eu tô aqui, eu tô plena, eu tô feliz.
11:30É isso que eu sei, é isso que eu gosto.
11:31Tô inteira.
11:32Agora, claro, tem momentos que você não tá bem pra entrar no palco, você não tá afim.
11:35E é isso, a gente vai lidando, né?
11:38Ossos do ofício.
11:39Mas hoje, eu me sinto muito à vontade, assim.
11:42E você disse que lá, em meados de 2000, já era uma transição muito grande pra indústria da música.
11:51Era a época de baixar a música, MP3 e tal.
11:55Pra você, como é que foi essa transição ali?
11:59Porque você foi uma artista que já nasceu nessa era, já, de uma mudança total.
12:05Mas ainda tinha gravadora, né?
12:06Ainda era uma coisa forte, presente.
12:08Como é que você vivenciou essa transição?
12:11Então, eu sou uma geração que sempre vivo os dois mundos ainda, eu acho.
12:17Então, eu vivi 100% analógico.
12:20Eu sou aquela criança que ia, no final de semana, numa locadora de DVD.
12:25E tenho memórias incríveis disso, assim.
12:28Então, eu acho que a grande vantagem desse universo que eu trago é que eu tenho os processos todos aqui dentro de mim.
12:36Então, eu lembro de escolher com muito carinho o filme que a gente ia escolher, sabe?
12:40A gente pensar, a gente discutir, eu, minhas irmãs, e ai.
12:43Então, assim, esses processos eu guardei.
12:48Mas, realmente, a era digital veio com uma força muito grande.
12:52Trouxe uma mudança muito radical, uma forma de consumir música muito diferente.
12:58E eu também tive que reaprender, né?
13:01Então, eu sou uma artista me equilibrando desde 2005.
13:04Eu trouxe contratos possíveis de gravadoras.
13:07Mas eu vislumbrava um mundo muito mais independente, livre, que a internet propiciava.
13:13Foi uma, assim, uma conta mesmo.
13:16Eu me sinto meio que librista, sabe?
13:18De ir vislumbrando, de ir tentando assimilar o melhor dessa nova era.
13:22Porque tem, de fato, muitas ferramentas incríveis.
13:25Muitas.
13:26Mas também não apagar o que eu tinha tido.
13:30Que também tem coisas que eu acho que se perdem nessa nova era.
13:33É, até numa conversa recente que você teve no podcast Mamilo, você falou sobre isso, né?
13:39Como você atravessava a cidade só pra ver, ter em mãos aquele disco e ver quem fez a ficha técnica, né?
13:46Durante muito tempo não tinha isso, né?
13:48No Spotify é uma coisa recente que começaram a colocar, né?
13:51Nos streamings.
13:52Começaram a colocar as informações?
13:53Eu acho que começaram em alguns casos, é.
13:55É, então.
13:56Isso, pra mim, não ter a informação, e eu falei até na própria mesa do Spotify uma vez,
14:03eu acho um desserviço, assim.
14:04Acho um apagamento.
14:06Muito grave, tá?
14:07Porque música não é feita só do artista que tá lá.
14:10Música é feita das pessoas todas que fizeram a música virar a música.
14:14Então, de fato, é o artista que leva, é o artista que pode até ter sido o propulsor da criação mesmo, sabe?
14:23Pode ser tudo baseado naquilo, mas não pode se apagar todo mundo que vem fazendo aquilo acontecer junto.
14:31O tijolo é tijolo.
14:32Então, assim, acho que tem várias coisas que o processo de streaming, de digitalização, perderam, assim.
14:44Prejudicaram, vamos dizer, né?
14:46Mas outras não, assim.
14:47Eu acho que a gente viver sob a curadoria do algoritmo é complexo, né?
14:53E ao mesmo tempo, claro, tem coisas incríveis que aparecem, mas a gente não vive, a gente vive em bolhas, mas não é pra ser assim, né?
15:04É pra gente ter acesso às coisas, pra gente poder furar elas com naturalidade, pra gente olhar e perder preconceito de coisas.
15:12A gente olha, pô, mas isso aqui, pô, isso aqui eu costumava não gostar, mas, poxa, não é que é legal, sabe?
15:17Tem uma história que eu gosto muito, e aí volta pra esse lugar analógico.
15:23Quando eu tinha uns 14 anos, a gente foi pra Cabo Frio viajando.
15:29E a gente tinha esquecido as fitas cassetes.
15:35E aí a gente pegou, não tinha, pô, são algumas horas até Cabo Frio de São Paulo.
15:41A gente parou na estrada, num desses graus da vida que não é grau na época.
15:47E só tinha pra vender as fitas dos sertanejos.
15:52E eu não sou uma família que veio desse lugar de ouvir música sertaneja, raiz, assim, né?
16:00E aí a gente pegou e falou, não, vamos comprar.
16:04E a gente comprou, e eu sei tudo dos sertanejos, sabe?
16:08Do Titãozinho, do Xororó, do Leandro Leonardo.
16:11Eu amo, amo.
16:13Eu sei várias, se você me pedir pra cantar, eu canto aqui.
16:15E isso é uma coisa que jamais aconteceria num período, sabe?
16:20Com essa legislação de digital, de algoritmo, de não sei o que, sabe?
16:24Exato.
16:25Você nunca vai chegar nisso se você não fizer uma busca ativa.
16:28Exato.
16:29Pronto.
16:30Falou tudo.
16:31Aí você se apaixonou.
16:32Me apaixonei.
16:33E foi lindo, foi uma descoberta, sabe?
16:35Eu tinha, eu era uma menina, quebrei, fiz uma quebra de preconceito, sabe?
16:40Muito legal, acho incrível.
16:42Aí que eu fui entendendo a potência desses caras.
16:44Mas hoje eu sou fã, fã, fã.
16:47Mas quando eu fui fazer o programa Altas Horas com eles, cantando ali, eu chorava.
16:53Porque além da música que eu gosto, eu vejo a técnica dos caras ao vivo, assim, cantando
16:59muito, sabe?
17:00Destruindo ali.
17:02Então eu acho que é isso, assim.
17:04Acho que a gente tem que levar um pouco dos dois mundos e aprender a balizar, né?
17:09O lado bom desse consumo digital, você diria que é o quê?
17:13É o maior acesso?
17:15Ué, eu acho que é acesso pra todos.
17:18Isso é muito legal no sentido de...
17:22Na verdade, eu pensei na sua pergunta indo pra internet, né?
17:26Sim.
17:27Mais pra isso, não necessariamente pro streaming.
17:29Pra internet é isso.
17:30É a ferramenta pra todos, né?
17:31Hoje, pra você fazer um disco, você faz um disco na sua mão.
17:36E bom.
17:37Você faz bons discos com um aplicativo que você baixa na internet.
17:41Você é capaz, se você tem que estar lento, óbvio.
17:44E você consegue publicar e fazer as pessoas...
17:47Agora, claro, as coisas, né, são complexas.
17:53Hoje em dia, com a inteligência artificial, tá cada vez mais fácil mesmo você fazer
17:57tudo.
17:57Eu ia te perguntar isso, assim, porque dizem, né, pessoas com quem eu converso se mostram
18:04preocupadas.
18:05Sim, eu sou uma delas.
18:06Eu sou péssima pessoa pra falar.
18:08Não sou muito...
18:09Ainda não tô muito otimista.
18:11Eu consigo observar que todas as revoluções são necessárias pra gente passar pra outros
18:17patamares.
18:19Enfim.
18:20Todas elas provaram por A mais B que houve uma evolução, né?
18:26Essa que a gente tá passando, eu tô olhando um pouquinho assustada a classe artística,
18:32assim, porque o que eu vejo, assim, por enquanto é um extrativismo, pelo extrativismo humano,
18:40assim.
18:40Eu não tô conseguindo enxergar um futuro onde os artistas são preservados, têm créditos,
18:54têm, sabe?
18:55E também a arte produzida por Iá, sabe?
19:00Eu não sei até que ponto isso é interessante, assim.
19:03Porque a arte, ela vem de um... de uma tradução humana, né?
19:12A arte, ela é desconforto, ela é crítica, ela é sentimento.
19:19E aí, quando você repassa isso pra inteligência artificial, fica uma pergunta.
19:27Até que ponto isso vai fazer sentido, né?
19:30É um extrativismo, assim.
19:33Então, eu tô me perguntando, Paul McCartney tá se perguntando, ele lançou, acabou de
19:38lançar um disco que é um ruído.
19:42Genial, assim.
19:44Muitos artistas estão se perguntando, fora a questão de como que isso, né?
19:50Os valores, os direitos autorais, como isso vai ser preservado mesmo, né?
19:55Estão tirando da gente, estão ganhando, mas estão pagando a gente?
19:59Não, não estão.
19:59Então, assim, são muitas questões, tá?
20:03Eu sou uma pessoa muito otimista, sempre acho que as coisas vêm pra melhorar.
20:08Mas essa revolução, ela vai precisar de muita investigação, de muita legislação, de
20:16muita seriedade.
20:18E, por enquanto, a gente tá muito longe disso.
20:21Muito longe.
20:22E é um perigo de você não saber discernir se aquilo foi feito por humanos, se foi feito
20:27por Iá.
20:27Ah, tem isso também, né?
20:29Pois é.
20:30E aí, essa...
20:32A vulnerabilidade humana, que é o que faz um dos grandes motores, uma das grandes matérias-primas
20:38da arte, começa...
20:40Começa, né?
20:41A gente não tem mais, né?
20:44Começa a ficar uma coisa só vinda do robô.
20:49E aí, que arte é essa, sabe?
20:53Não sei.
20:54Eu me pergunto, eu tô com, assim, a interrogação gigante na cara.
20:59Não sei.
20:59Esse setor, eu entendo que as coisas se renovam, né?
21:04Eu acredito nisso, assim.
21:06Eu espero e precisa se renovar, né?
21:08O planeta urge por renovação.
21:10Mas o setor da arte, dos artistas, eu acho bem complexo, assim, essa conversa.
21:16É bastante complexo.
21:18E aí, falando sobre como isso influencia processos criativos, não só AI, mas algoritmos,
21:26e a gente tá tão bombardeado por tanta informação o tempo todo.
21:30Você diria que você também é vítima dessas circunstâncias desse mundo.
21:34Demais.
21:34Celular e tudo.
21:36Demais.
21:36O seu processo criativo, ele é muito atravessado hoje por isso?
21:40Pela contemporaneidade.
21:42Você tenta fugir um pouco?
21:44Como que você faz?
21:45Demais.
21:46Demais, assim.
21:48Eu acho que a gente tem vivido uma realidade saturada.
21:55Isso nos atravessa.
21:59A gente tá com o tempo de criação, o tempo de pensamento, tudo muito encurtado.
22:05Parece um grande scroll, sabe, a nossa vida.
22:08Então, a gente tá muito múltiplo.
22:11Com muitas abas abertas.
22:14Aqui, com a visão periférica muito atuante.
22:19E pra desenvolver uma coisa, você precisa de profundidade.
22:25Você precisa de tempo, de ósseo, de calma.
22:27Sabe?
22:28Você precisa de concentração.
22:31E eu acho que a gente tá tendo que criar a partir desse novo mundo.
22:35Assim, eu não sei o que tá vindo.
22:37Sabe?
22:37O que tá vindo...
22:38Quer dizer, a gente até sabe.
22:39A gente sabe que tá vindo com músicas super curtas.
22:42A gente...
22:42Eu vejo muitas coisas muito parecidas.
22:45Às vezes eu me pergunto, caramba, será que tem alguma coisa realmente nova a ser criada?
22:50Não sei.
22:51Sabe?
22:52Tá saturado.
22:54Você vê um álbum como o da Rosalia, que é uma menina do pop.
22:57Que alçou, fez um...
22:59Foi pra um mainstream pop mundial.
23:02Com o Motomami, que é um disco genial, que eu adoro.
23:05E fez um retorno basal pra coisa dela.
23:11Né?
23:12Uma coisa clássica, assim.
23:14Quase erudita.
23:17Milhões de...
23:18Então, retorno.
23:19Então, você vê que as pessoas estão pedindo retornos.
23:25Eu acho isso muito interessante.
23:27Eu gosto quando eu vejo esse apontamento na arte.
23:30E na forma das pessoas se manifestarem na criação.
23:35Eu sou muito atravessada, assim, por contemporaneidades.
23:38E me sinto super saturada pra escrever.
23:42E direto penso, meu Deus, eu preciso de uma terra, um sítio.
23:46E aí você vai?
23:48Eu tento.
23:48Você tenta?
23:49Eu tento, é o que eu tento.
23:50Mas, ultimamente, nem tempo pra isso eu tenho conseguido.
23:55É complicado.
23:56Sim.
23:56Mas o seu processo criativo, então, ele passa por uma imersão?
24:01Tem alguma regra, assim, do tipo...
24:03Você senta com um bloquinho e escreve?
24:06Você fica observando a vida passar?
24:07Não tem regra.
24:09Não tem regra.
24:09A novidade é que tá acontecendo o tempo todo, assim.
24:12Eu posso sair daqui e ter uma ideia.
24:13Posso ter uma ideia a partir de uma fala sua.
24:16Eu posso ir ao cinema e ter uma ideia.
24:19Eu posso ir no show de uma amiga minha e falar, caramba, isso me inspirou.
24:23As coisas vão acontecendo.
24:26Mas tem momentos que elas são mais propícias a acontecer.
24:30Quando, por exemplo, você...
24:33É isso.
24:33Você consegue meditar um pouco internamente, sabe?
24:37Você esvazia também a cabeça.
24:40Isso ajuda muito.
24:41Quando...
24:42Pra mim, eu até tenho uma letra sobre isso.
24:45Quando eu tô tentando dormir, isso acontece muitas vezes, assim.
24:47Eu tô quase dormindo.
24:49Vem uma ideia.
24:52Aí é terrível.
24:53Porque você...
24:54Putz.
24:54Se você não parar, naquele momento de escrever essa ideia, no dia seguinte você perde.
24:58Então, muitas vezes é uma insônia que vem.
25:02Mas...
25:03É isso, assim.
25:03Eu acho que as ideias estão aí.
25:05Sempre fluindo no decorrer do dia.
25:08Eu ainda que sou mãe, que sou ativa no supermercado.
25:10Eu vou, tipo, fazendo isso.
25:14Um quilo de cebola, uma música na cama.
25:18É, eu lembrei também que no APK tem uma letra que é muito do que você viveu no parto, né?
25:23Que...
25:24Imagino que a ideia não tenha vindo no momento, durante.
25:28Mas depois...
25:29Virou, né?
25:31É, e veio uma enxurrada mesmo.
25:33Porque eu usava, assim, hormonalmente muito, transbordando no puerpério.
25:39E eu escrevi essa letra por essa experiência que eu vivi de ter um parto natural, né?
25:46Então, esse privilégio que eu pude ter de ter um parto natural.
25:50E aí veio a letra toda falando sobre essa grande viagem que é essa ocitocina, enfim, tudo isso.
25:58E falando um pouco sobre esse lugar, né?
26:03De ser artista, que eu acho que é uma pressão constante, de certa forma.
26:08Você tá exposta, você tá mostrando o seu trabalho.
26:12E o seu primeiro álbum fez muito sucesso.
26:15Você sofre com essa pressão?
26:18Sofria mais antes?
26:19Tipo, ah, eu tenho que criar alguma coisa à altura?
26:21Eu tenho que mostrar alguma coisa diferente?
26:23Como que é isso na sua vida?
26:25Olha, a gente sofre muito, assim.
26:27Porque o artista, ele não é muito valorizado, assim, eu acho, como deveria ser, sabe?
26:38Eu acho que o Brasil tem uma parte do seu ganho, do seu PIB gigante na música.
26:47Mas não valoriza o artista tanto quanto deveria.
26:49Então, o artista é muito atormentado.
26:52É um bicho muito sugado, assim.
26:55E muito facilmente trocado.
26:58Porque é isso.
27:00Porque renova.
27:00Eu acho que as profissões são assim, de maneira geral.
27:03Mas é que a arte tem uma coisa meio dramática, né?
27:07De você ter que se fazer existir o tempo todo pra ser lembrado.
27:12O Brasil não é um país muito que fica, sabe, assim, enaltecendo, que relembra pessoas fundamentais da nossa música, né?
27:21Quem é Vila Lobos?
27:22Poucas pessoas sabem.
27:23Quem é Chiquinha Gonzaga?
27:24Poucas pessoas sabem.
27:25Quem é Chico Sainz?
27:26Poucas pessoas sabem.
27:28Então, o artista tem essa tormenta de se fazer, ser lembrado, né?
27:33Fora a questão de hoje todo mundo ter que ficar sendo, como é que fala?
27:39Criador de conteúdo.
27:40Criador de conteúdo.
27:41Criador de conteúdo, que é uma coisa que não faz o menor sentido pro artista.
27:46Desculpa.
27:48Tem uns que arrasam porque seus jeitos passam por isso.
27:53Naturalmente tem uma coisa e pega.
27:55Isso é muito legal.
27:57E o artista tem que achar esse seu lugar na naturalidade de criador de conteúdo.
28:01Mas, assim, falando em termos de música, de arte, não precisaria.
28:06Não deveria precisar, entende?
28:07Então, a gente passa por várias dessas questões, esses questionamentos, com certeza.
28:12Vou fazer, tenho que lembrar, tenho que fazer melhor e tal.
28:16Da minha parte, o que eu posso dizer é que eu já passei por todas essas crises, mas que eu tento manter um lugar de preservar a música mesmo.
28:26A música é que me faz sentido.
28:29É uma coisa que me toque real, assim.
28:31Então, essa é a minha forma.
28:35Eu respeito todas as formas dos artistas.
28:37Porque eu acho que não é fácil.
28:39Então, se o artista quer virar blogueiro, eu acho incrível.
28:42Eu respeito real, assim.
28:44Se o artista quer furar bolha, quer fazer coisas diversas, muda, vai de um lugar pra outro.
28:51Eu respeito demais, cara.
28:53Porque não é fácil.
28:55É, realmente.
28:57Mas você, de uns tempos pra cá, ficou um pouco mais atuante no Instagram.
29:02Foi fruto de uma pressão?
29:03Total.
29:04Eu acho que uma pressão, sim.
29:06Sim, total.
29:08Por exemplo, quando bateu a pandemia, eu comecei a fazer e foi muito legal pra mim.
29:14Porque eu sou muito viciada em trabalhar.
29:18Eu amo o que eu faço.
29:20Sou apaixonada.
29:20Então, quando bateu a pandemia, eu me vi, meu Deus, e agora?
29:23O que vai me alimentar nesse lugar?
29:27E aí, eu comecei a buscar.
29:28E aí, eu abri um canal, uma forma de falar com as pessoas no meu YouTube na época.
29:32Foi muito legal.
29:34O retorno das pessoas.
29:36Eu comecei a ter relatos, assim, emocionantes.
29:39Esse é um lado legal, né?
29:40Uma proximidade.
29:42Exato.
29:43Mas tem que vir desse lugar.
29:45Pra mim, né?
29:45Um lugar muito real, sabe?
29:47Assim, quando vai pro lugar de...
29:50Putz, eu preciso aparecer porque eu vou ser esquecida.
29:54Esse lugar não funciona.
29:56Tem que ter um lugar de, tipo, brotou de dentro, sabe?
30:00Brotou aqui.
30:01Eu fico muito afim.
30:03E eu quero ouvir o que tá acontecendo com as pessoas.
30:05Aí, realmente, fez muito sentido.
30:07Então, eu acho que é isso.
30:08O artista, sim, passa por pressões.
30:11Tem que achar suas vozes diversas.
30:14Tem que se virar nos 30 pra tá ali junto.
30:18E você é uma das poucas artistas da sua geração
30:23que conseguiu uma projeção internacional legal.
30:27Sim.
30:27Seja em premiações, mas principalmente reconhecimento
30:31de ter ouvintes lá e de fazer parcerias, né?
30:35Sim.
30:35Como foi a que teve com...
30:37Esqueci o General Electric, o nome dele.
30:39O Herve.
30:40Sim.
30:40Isso.
30:41No Tropics.
30:42Mas também você cantou com o Herbie Hancock.
30:44Como que isso aconteceu?
30:45Foi uma coisa orgânica?
30:46Ou você teve que ficar ralando muito lá fora
30:49pra que isso acontecesse?
30:50Não.
30:51Desde que eu lancei o meu primeiro disco,
30:53eu tive essa oportunidade,
30:56também pela visão de entender que o mundo tava mudando,
30:59que eu podia me alinhar a selos fora do Brasil.
31:01Selos pequenos, independentes.
31:02Mas eu ia fazendo esse formiguinha, né?
31:06Então, era roça.
31:07Eu viajava, tipo, banda de rock.
31:11Uma estrutura bem singela.
31:12Mas eu ia e tocava em casas locais.
31:15Eu não tocava pra casas onde tinha mais brasileiros.
31:18Não que eu não quisesse ver os brasileiros.
31:20Eu amaria ver os brasileiros lá fora.
31:22Mas a gente acabou indo pra essa rota mais local.
31:27E isso acabou fazendo eu criar uma relação com gringos, né?
31:32Também.
31:33Então, esse foi um investimento meu de fazer essa rota diferente.
31:36E aí, de fato, eu comecei a galgar esse lugar de ter um lugar lá fora, assim.
31:42Então, é isso.
31:43Lançava discos.
31:45Tinha revistas internacionais que faziam as críticas.
31:48Então, tinha um lugar.
31:49E aí, naturalmente, eu acabei tendo parcerias com pessoas de fora também.
31:56Foi uma coisa, uma oportunidade muito, muito legal, assim.
31:59Nesse universo de streamings, você diria que o papel da turnê, dos shows, é mais fundamental
32:06do que já foi na vida de um artista?
32:09Pra mostrar seu trabalho ou basta estar no streaming?
32:13Nossa, não.
32:14Eu acho que de jeito nenhum, assim.
32:18Pra mim, né?
32:19Sempre falo do meu ponto de vista.
32:20Porque, mais uma vez, é muito diverso.
32:22Cada um constrói de uma forma e todas são positivas.
32:26Mas, eu, nossa, eu acho que o show é muito importante.
32:32A turnê, sentir o que o público tá sentindo do seu som, a energia, falar com as pessoas
32:39depois no show.
32:42Essas turnês todas fora me fizeram uma outra cantora.
32:47Quando eu comecei a entender que, como eles não entendiam o que eu falava, a minha música
32:53tinha que transpassar tudo.
32:54Eu tinha que estar muito inteira.
32:58Era mais um desafio.
32:59Como que eu ia fazer isso?
33:01Isso me fez crescer muito como artista.
33:04Porque aquelas pessoas tinham saído de casa, pagado uns tickets pra me ver e não entendiam
33:09nada do que eu tava falando.
33:10Então, assim, essa experiência enriquece muito a gente, sabe?
33:15A turnê.
33:16E você tá lá, ao vivo.
33:19Se vulnerabilizar, às vezes você tá cansada, faz um show ruim.
33:22Mas você tentou entregar, você tava inteira, dentro do que lhe era capaz naquele momento,
33:30sabe?
33:30Isso vai criando uma carcaça, uma força.
33:34Eu sem isso, imagina.
33:37Nada.
33:37O streaming não chega nem perto da potência que é você tá ali.
33:40Que é o ao vivo.
33:42Nossa.
33:42E que as pessoas estão muito ávidas, né?
33:44Por isso, depois da pandemia, você vê grandes turnês de artistas internacionais esgotando.
33:51O Bruno Mars faz 700 shows e esgota tudo.
33:54Então, é inigualável, né?
33:56É inigualável.
33:58Isso é o que eu penso com essa revolução toda que tá acontecendo de A e tal.
34:02Eu acho que o show ainda vai ser muito potente.
34:06Vai ser muito.
34:07Teve algum último show recente que te impactou muito?
34:11Que você foi como fã, como...
34:13Ah, como fã, assisti.
34:16Assisti.
34:17Ai, ai, menina.
34:18Agora você me pegou porque faz tempo que eu não vou a show.
34:23Pelo corre, né?
34:25O corre é absurdo.
34:27Mas, assim, o último show que me atravessou muito foi o do Gil.
34:32O Tempo Rei, que eu vi no Allianz.
34:35Chorei horrores.
34:36Eu já vi o Gil inúmeras vezes.
34:39Inúmeras.
34:40Mas dentro daquele...
34:43Daquela grandiosidade com o cenário.
34:46Com aquele orixá, né?
34:48Na nossa frente.
34:50E cantando aquela obra e, eventualmente, se despedindo.
34:54Aquilo me atravessou muito, assim.
34:55Eu chorava, copiosamente.
34:59Mas...
34:59Tudo...
35:01Sei lá, ultimamente eu tenho visto muitas coisas que...
35:04Eu tô fazendo agora, tendo a oportunidade de cantar com o Nando Reis.
35:07Num show que celebra a vida da Kassia Ehler.
35:11Que é o projeto Luau MTV Corona, né?
35:14Exatamente.
35:15Junto com os garotinhos também.
35:16Então eu faço uma participação de quatro músicas num show que celebra, na verdade,
35:21a grande amizade deles, né?
35:23Do Nando e da Kassia que foi muito transformadora pro Nando e pra Kassia.
35:29Acho que os dois...
35:29Teve uma coisa ali.
35:32E aí eu vejo, eu vejo esse show lá de dentro e fico observando.
35:37E, nossa, é muito forte, sabe?
35:40É muito forte, assim.
35:41Aquela amizade lá foi...
35:43Rendeu.
35:44Rendeu, rendeu, rendeu.
35:45Rendeu umas coisas lindas.
35:47E você canta quais músicas?
35:49Pode contar?
35:50Porque ainda não foi pro ar.
35:51É, né?
35:52Será que eu posso dar esse super spoiler?
35:54Eu posso dar pelo menos dois, eu dou?
35:56Porque eu já botei na minha...
35:57Não, eu acho que eu posso dar, porque eu já botei nas minhas redes.
36:00Eu canto...
36:02É...
36:02Por Enquanto, que é do Legião.
36:05Que eu amava.
36:07Era uma das minhas favoritas com a Kassia cantando.
36:11Eu canto Socorro, que é um reggae do Arnaldo.
36:17Eu canto Malandragem.
36:20E canto...
36:22Eu quero a sorte de um amor tranquilo.
36:25Todo amor que eu vejo nessa vida.
36:26É, todo amor que eu vejo nessa vida.
36:27Então, é muito chique, porque eu tô lá com o Nando com Kassia, mas eu tô cantando Cazuza.
36:36Arnaldo.
36:37Legião.
36:38Legião.
36:39Nossa, demais.
36:40Tipo, incrível, assim.
36:42Um privilegiaço.
36:44É, e recentemente você lançou, não tão recente assim, né?
36:48Porque é antes do novela, o Um Gosto de Sol, que é só de cover.
36:52Sim.
36:52Que é legal, deve ser gostoso, né?
36:54Estar nesse lugar de intérprete também, né?
36:56Eu amo também.
36:58Que tá desde o seu primeiro disco, né?
36:59Porque Compre Jungle é do primeiro.
37:01Sim, eu ia ser intérprete, eu queria ser cantora.
37:04Mas aí que, de repente, tudo virou, eu percebi que eu tava querendo escrever minhas coisas.
37:10Então, mas a porção de cantora tá aqui.
37:12Super.
37:13Como que veio?
37:14Você lembra desse momento?
37:15Você falou, ah, acho que eu quero compor também.
37:19Veio vindo.
37:21Mais uma vez a música vindo assim na minha vida, sabe?
37:24Porque era isso, eu tava estudando voz, eu tava...
37:28Eu era obcecada com as vozes mais do jazz, assim.
37:32Eu gostava de estudar mesmo.
37:35E...
37:36De repente, numa viagem que eu fiz, eu comecei a escrever umas melodias com letra.
37:44Mas aquilo pra mim era só poemas musicados.
37:46Tá.
37:47E aí eu tinha um gravadorzinho e eu gravava tudo ali, mas não mostrava pra ninguém e achava
37:54que aquilo era só poemas musicados.
37:57Aí um dia eu tive coragem de mostrar pro amigo meu que eu aluguei lá meu AP, a sala,
38:02na verdade, o chão eu aluguei pra ele lá na minha casa.
38:05E ele era um grande...
38:07É um grande músico, eu me chamo Antônio Pinto, é um baita...
38:11É...
38:12Produtor de trilha sonora, fez Cidade de Deus, fez Central do Brasil, é um...
38:17Nossa, é uma pessoa que eu devo muito, assim, na minha vida.
38:20Mas eu tive coragem de mostrar pra ele.
38:22E aí ele ouviu aquilo e falou...
38:24Ih!
38:25Você é compositora, viu?
38:27Foi bem assim.
38:29Ele fez você enxergar esse lado.
38:31É, eu não enxergava, foi ele.
38:33Aí ele falou, cara, você tá viajando?
38:37Aí eu, não, mas não, mas imagina, pra ser compositora tem que tocar muito e eu não
38:41toco bem, também tinha esse tabu, sabe?
38:43Você toca alguma coisa, mais ou menos?
38:45Eu toco piano, mas mal, assim, eu toco, tipo, eu encontro os acordes.
38:50Eu não sou uma, sabe, exímia instrumentista.
38:53Tanto é que no show, só no caravana que eu explorei mais tocar um pouquinho, assim.
38:59Mas meu instrumento tá dentro de mim mesmo, eu sou a própria música.
39:03O próprio instrumento.
39:07E você falou do Corona Luau MTV e você fez algumas coisas com marcas ao longo da sua
39:14carreira.
39:15Você fez um projeto que era com Corona também, com o Donovan?
39:18Sim, sim, sim, legal você lembrar disso.
39:21Como é que a marca, de repente, pode fazer alguma coisa que seja autêntica e legal junto
39:28dos artistas?
39:29É, aí eu jogo pro...
39:30Eu vou fazer o que eu fazia antes com os entrevistadores.
39:34Eu falei, você que me diz.
39:35Eu falava, você é com eles.
39:37Porque essa coisa de você agregar uma coisa verdadeira num projeto que tem dinheiro, que
39:45tem investimento, que tem iniciativa privada, que tem, entendeu?
39:48Tem tudo isso.
39:51É delicada e ganha quem faz com verdade, né?
39:56Então, algumas que eu fiz realmente deu muito certo.
39:59Foi muito incrível, assim.
40:01Maravilhosas.
40:01Várias.
40:02Eu tive essa chance, assim.
40:04Fiz um projeto com a Nívia.
40:06Incrível.
40:06Com o Jorge Ben.
40:07Com o Jorge Ben.
40:08Foi, assim, o sonho da minha vida.
40:10Eu fiz esse do Corona, que foi incrível.
40:14Que a gente cantou uma música do Donovan, que ele tinha feito.
40:18O Donovan, pra quem não conhece, é um baita músico.
40:22Ele é inspiração do Ben Harper, por exemplo, de caras que são meus ídolos.
40:26Tem essa pegada surfistão, assim, que toca meio...
40:30O Jack Johnson, ele é, tipo, o ídolo do Jack Johnson.
40:35E o Donovan fez essa música, tipo, numa noite.
40:38Ele falou, cara, essa música brotou na minha cabeça.
40:40E eu, tipo, nossa, que coisa linda.
40:43E aí a marca me chamou pra ter uma voz de uma brasileira junto, né?
40:47Então, foi muito lindo.
40:49Acho que quando dá certo essas ideias, assim, realmente é muito bom.
40:54Mas imagina, você deve escolher muito a dedo, né?
40:56Porque deve vir convite que você fala, ah, não tem nada a ver isso aqui comigo.
40:59É, tem coisa que não tem a ver isso.
41:01Que é simplesmente pra você ser cara de um produto.
41:04Porque esse da Corona com o Donovan tinha uma coisa ambiental envolvida.
41:09Sim, super.
41:09Eles tinham uma ideia muito ousada e potente de limpar os oceanos e tal.
41:17Enfim, até o momento que durou o projeto, eles fizeram uma coisa bonita ali.
41:21Mas eu, sim, eu faço, eu sou bem criteriosa pra quando entra a marca.
41:26Você falou do show do Gil.
41:28E um show memorável seu, pro bem ou pro mal?
41:31Porque você falou que tem shows que são ruins, né?
41:34Isso faz parte da vida.
41:35Acontece.
41:35E como você lida com um fracasso?
41:38Porque eles acontecem e fazem parte, né?
41:40Olha, a gente tem que lidar com tudo.
41:43Tem que, é isso aí.
41:45A gente tá dando a nossa cara pra bater.
41:47Tem shows incríveis que lava a alma e tem show que é esquisitésimo, assim.
41:53A gente uma vez foi tocar em Budapeste.
41:56A gente tava muito animado.
41:57Imagina, Budapeste.
42:00E era um show num barco.
42:02Juro pra você.
42:03Não tinha uma pessoa assistindo.
42:04Todo mundo tava fora.
42:07Porque era um show corporativo.
42:09Eu não sabia que ia ser um corporativo.
42:11Eu tava na turnê.
42:12A gente tava viajando e tal.
42:14E aí, tinha o grande dia de chegar em Budapeste.
42:16E na nossa cabeça, nossa, vai ser incrível.
42:20Chegou lá, era um show corporativo.
42:22Ou seja, tinha uma finalidade aquele show, né?
42:26Não era um show que estavam indo pra me ver.
42:27Era um show que estavam lá comemorando a festa da firma, sei lá.
42:30E aí, o pessoal tava mais interessado em tomar um drink no outro canto.
42:36Então, isso acontece.
42:37É normal.
42:38Tem shows que não são legais.
42:40E ouvindo você falar, tem a ver também com...
42:43Tem tudo a ver com o público, né?
42:44O show é o artista, mas também é o público.
42:47E o quanto ele vai se envolvendo, né?
42:49É por isso que eu te falo.
42:51Se eu dependesse só do digital, do streaming, assim.
42:54Nossa, nem chegaria.
42:55Eu não conseguiria acessar a energia do público.
42:59Porque o show, ele é feito do retorno do público também.
43:04Não é só a gente.
43:06Você ficou muito mal na pandemia por não ter essa troca?
43:09Eu fiquei.
43:11Assim, eu tive um ganho muito grande pessoal.
43:15Porque eu tinha um filho de um ano.
43:21Então, ele...
43:23A primeira infância dele ficou muito preservada.
43:25A minha primeira filha, por exemplo, ela ia comigo pras turnês.
43:29E, claro, isso foi muito rico pra ela.
43:32Mas também, né?
43:34Puxado pra mim.
43:36Puxado até pra ela.
43:37Criança se diverte com qualquer coisa, né?
43:40Piquititica, assim.
43:42Mas...
43:43Ele não...
43:44A gente poder ficar parada em casa e...
43:47Sabe?
43:47Não, é isso.
43:48Mas no meu coração, que gosta de fazer, de trabalhar, que é um workaholic que sou.
43:56Sim, sofri bastante.
43:58Como muitas pessoas.
43:59Isso reverberou nas suas composições?
44:03Ah, reverberou.
44:05Bom, Gosto de Sol é um disco feito ali e você vê que eu não compus, né?
44:08Eu cantei em músicas.
44:11Eu acho isso muito interessante.
44:12Muito pontual.
44:15Eu não me senti inspirada pra compor.
44:19Isso é uma coisa interessante até.
44:21Eu notei que eu sou muito inspirada em compor quando eu tô em movimento.
44:25Quando eu tô no avião.
44:27Sabe?
44:28Acho que o mundo me faz compor, assim.
44:31Então, foi um momento de reclusão.
44:37E também, né?
44:38Tava muito atravessada pela gravidade da situação, né?
44:41A gente viveu coisas muito sérias, né?
44:44Terríveis, assim.
44:45Então, eu tenho uma composição que eu nunca lancei, que é muito triste.
44:49Que fala desse momento, assim.
44:50Pensa em lançar?
44:51Que foi a partir de uma cena que eu vi onde desenharam um quadrado com pessoas na rua.
44:56Situação de rua, vulneráveis ali.
44:59E desenharam um quadrado separando pras pessoas não pegarem.
45:04Enfim, um negócio, assim, muito, muito horroroso.
45:09Não sei, eu não sei.
45:10Essa música é até boa, mas eu não sei se eu vou lançar.
45:13Não sei.
45:14E falando do novela, você é uma pessoa noveleira?
45:17Eu sou noveleira.
45:19A novela entra num lugar de curtir, de acolhimento, assim.
45:23De aconchego, de desvaziar a cabeça.
45:26Pra mim.
45:26Acho que também tem uma coisa cultural, né?
45:29Nossa, o brasileiro parece que é uma terapia.
45:32Você assistiu Vale Tudo, então?
45:34Total.
45:34Assisti Vale Tudo.
45:36Tive minhas questões.
45:37Porque eu sou uma criança, né?
45:39Eu tinha, sei lá, acho que no original eu era muito pequena.
45:41Eu lembro pouco, assim.
45:42Mas eu lembro.
45:44Então, eu gosto, assim.
45:46Eu sou crítica de novela.
45:48Ai, não.
45:49Isso aqui tá bom.
45:49Isso aqui tá ruim.
45:50Mas eu adoro quando minhas músicas entram.
45:52Eu acho muito legal.
45:53Adoro novela.
45:54Eu acho uma linguagem muito brasileira, assim.
45:55Apesar de, nem sei se é brasileira, né?
45:57Tem, é turco, mexicano.
46:00Tem no mundo todo.
46:01Mas no Brasil, acho que a gente pegou e fez muito bem.
46:04Acho que a gente é muito bom de novela.
46:05E fora novela, quando você não tá inserida no universo da música, do seu trabalho, o
46:10que você gosta de consumir?
46:11O que você gosta de fazer pra se manter inspirada?
46:15Pra dar uma oxigenada?
46:17Ah, eu gosto de show.
46:18Eu gosto de cinema.
46:20Eu gosto de...
46:21Eu gosto de ler.
46:22Eu tenho lido muito.
46:23E eu gosto, ah...
46:27Algum livro que te marcou recentemente?
46:30Que você possa dar a dica?
46:31Recentemente, eu li o da Socorro Ascioli.
46:37Agora o nome que eu me esqueci, que é o das pessoas que saem da Terra, meu Deus.
46:42Ela é maravilhosa.
46:43Comecei o Cabeça do Santo dela também.
46:46Eu tenho vários.
46:47Tô lendo também, comecei o da Rosa Monteiro.
46:51O Perigo de Se Estar Lúcida.
46:53Tô fazendo...
46:54Eu vou lendo de pouquinho de vários.
46:55E você lê no papel ou no Kindle?
46:57Papel.
46:59Papel, menina.
47:00Eu comprei o Kindle, eu tento.
47:02Mas eu sou muito do papel.
47:04E você, quando você tá ouvindo música, é sempre...
47:16Tem alguma coisa...
47:17Você consegue separar a ouvinte...
47:19Você é uma pessoa normal que tá ouvindo música, da pessoa que trabalha com música?
47:23Tem esse momento só mais curtição, assim?
47:26Ou não dá pra meio que dividir?
47:28Não, tem.
47:28É super.
47:29Ah, eu super...
47:31Eu sou muito livre de preconceito.
47:34Então, assim, eu escuto tudo com meus ouvidos muito atentos.
47:38Acho que só nesse lugar que eu não consigo separar, dissociar.
47:42Então, nesse lugar meu de, tipo, ouvir sempre com entusiasmo de aprender, eu sou sempre
47:49a cantora e a pessoa PJPF mesmo.
47:54Mas não, mas eu também tenho meus momentos de me largar, de me, sabe, karaokê, de cantar
48:00tudo.
48:01Eu sou...
48:02Nossa, amo.
48:03E você acha que é importante, pra quem gosta de música, não ficar acomodado com
48:06as coisas que já conheceu?
48:08Você procura buscar som novo?
48:10Sim.
48:10Seus filhos te mostram?
48:11Sim, demais.
48:12Demais.
48:13Que você falou da Rosalia, né?
48:14A Rosalia, eu acho maravilhosa.
48:16Eu acompanho.
48:17Tem várias coisas novas.
48:18Meus filhos sempre me apresentam coisas novas.
48:20Na verdade, eles até me resgatam, assim, porque esse lugar da gente, ai, no meu tempo,
48:27sabe?
48:27Tipo, assim, não me interessa essa fala.
48:31Eu consigo observar os ganhos de ser uma geração mais analógica.
48:36Eu sou nascida em 1980, mas eu me considero, né, acho que os anos 90 foram muito formadores
48:43pra mim, assim.
48:43No 90 eu já tava crescida e eu tenho as memórias mais fortes, assim.
48:4992 mil.
48:53E, assim, não acho interessante as pessoas que acham que o melhor sempre foi o que a
48:57gente viveu no lugar de juventude.
49:01Eu acho que a gente tá aqui, vivendo.
49:03O dia de hoje é meu também.
49:05Então, me interessa conhecer.
49:11Validar, enfim, trazer.
49:14Mudar.
49:14Acho que é a minha porção antropofágica de pegar, trazer pra dentro, me remexer e transformar
49:21em outra coisa.
49:22Então, meus filhos me ajudam demais nisso.
49:25A gente tem um trocadilho mais pro fim do programa que é com o nome do podcast, que
49:31é a melhor e a pior ideia que a pessoa já teve.
49:35Qual que foi a melhor ideia que você já teve?
49:37Pode ser dentro do seu trabalho, na vida, enfim?
49:39Nossa, gente, que pergunta complexa.
49:44A melhor ideia que eu já tive?
49:48Ai, olha, eu vou dizer que a melhor ideia...
49:55Eu vou...
49:56Acho que eu vou trazer pra esse momento que eu tô, tá?
49:59Não vou pensar, assim, tão amplamente na vida, assim.
50:02Eu acho que ultimamente eu tive um desejo muito grande de me apropriar da minha carreira
50:10360, assim, de entender tudo, de olhar pra tudo e não ficar naquele lugar de artista
50:16só.
50:17Então, essa foi uma ideia que me apropriou muito do meu ofício, de uma maneira muito
50:23mais completa.
50:24Foi uma grande ideia.
50:26E desde quando isso?
50:28Começou há exatamente um ano.
50:30Que é ficar a par de tudo.
50:32Eu tô vendo tudo.
50:33Mudou muito o meu entendimento de tudo, assim.
50:37Isso me acordou.
50:40Me despertou pra muita coisa.
50:41Eu cresci, assim, sabe?
50:45Acho que é uma coisa de gestora, de entender o que você sabe, de entender que você...
50:51Que não dá pra você achar que arte não é mercado, não é...
50:55Não é uma empresa.
51:00Você tá fazendo coisas.
51:02Você tá lançando coisas.
51:04Isso são produtos.
51:05Isso entra em lugares.
51:08Então, assim, acordar pra isso foi muito importante.
51:12Muito engrandecedor, assim, de aprender mesmo.
51:16Então, essa foi minha melhor ideia.
51:17E a pior.
51:18Nossa, eu já tive péssimas ideias.
51:24Deixa eu pensar.
51:25Uma péssima ideia que eu tive...
51:31Eu tenho...
51:36Eu tive uma péssima ideia.
51:39Eu não fui na Ebi.
51:43Eu acho isso...
51:44Eu me arrependo.
51:45E você lembra por quê que você não foi?
51:47Porque eu era muito tímida.
51:49E porque ela só topava sentar no sofá e ganhar o selinho dela se você cantasse com...
51:58Naquela época a gente chamava de playback.
52:00Hoje tudo é VS.
52:01Hoje, né?
52:03A Madonna fez um show em Copacabana apertando play.
52:07E...
52:08Monstra.
52:09Arrasou.
52:09Mas naquela época, marrenta...
52:13Eu quis fazer e perdi a oportunidade.
52:17Foi uma péssima ideia de sentar no sofá da Ebi.
52:21Pronto.
52:21Tomei essa.
52:23É.
52:23Porque a Ebi era o máximo.
52:24Ah, era o máximo.
52:25E no programa dela...
52:27Maravilhosa.
52:27Foi uma péssima ideia.
52:30E, Cel, a gente tá gravando esse podcast no finalzinho de 2025.
52:35Conta um pouco, mas vai ao ar, né?
52:37No começo de 2026.
52:39Fala um pouco sobre essa turnê que é comemorativa aos 20 anos da sua carreira.
52:44O que você pensou?
52:45Agora que você tá mais tomando as rédeas de todos os lados do processo.
52:49Você tá participando mais dessa...
52:50Muito.
52:51Você participou, né?
52:52Mais dessa construção do que vai ser a turnê.
52:54Sim.
52:55É, eu abri meu selo.
52:56As coisas todas agora estão sob minha curadoria.
52:58A Coral Music existe.
53:00E a ideia da celebração desses 20 anos é porque, nesses 20 anos, eu fui entendendo
53:08o tamanho mesmo desse álbum.
53:11E não só pela minha experiência própria, mas por artistas virem me falar da nova geração.
53:20Sabe?
53:20A importância.
53:21E eu comecei a ver que esse atravessamento tinha que ser celebrado, sabe?
53:27Porque...
53:28Putz, porque teve uma coisa meio de marco, assim, eu senti.
53:32Com a chegada desse disco, assim.
53:35Aí a gente tá fazendo algumas cidades.
53:38A ideia é que a gente consiga fazer muitas.
53:42Esses 20 anos vai se estender pro ano que vem também.
53:45Então a gente viaja.
53:46Tá lindo porque é um show que é o disco completo.
53:50Isso eu nem fazia quando eu tava lá na época com o disco.
53:55A gente fazia um show super curtinho e fazia um monte de diversão e tal.
53:59Esse não.
53:59É o showzão lá do disco.
54:02E depois eu viro e trago várias também da minha carreira de outros discos que são importantes.
54:07Ah, então vai ter o disco inteiro mais outras músicas.
54:09Sim, sim.
54:10Legal.
54:10É bem legal.
54:11Tem uma visualidade muito bonita que eu nunca tive antes.
54:15Que eu sempre sonhei em ter.
54:17E eu chamei uma cantora e compositora pra cuidar dessa visualidade.
54:20Porque eu acho muito bonito ter essa coisa de puxar as meninas que estão nessa atmosfera,
54:25sabe, toda do disco.
54:27Pode falar quem?
54:27É a Luísa Lian, que é uma artista que eu respeito muito.
54:31Ela tem essa coisa com visualidade.
54:33Então ela fez uma direção artística, assim, super bonita, assim, primorosa.
54:38A banda nem se fala.
54:41Os músicos são, assim, fantásticos.
54:45E a gente vai estar em São Paulo, dia 23 de janeiro.
54:48Pode falar?
54:48Pode, com certeza.
54:50Então é, dia 23...
54:51É, 23 de janeiro a gente tá em São Paulo na Audio Club.
54:56E vai ser muito lindo.
54:57Tô muito feliz.
54:58Quero convidar todos vocês.
55:00Legal, Cel.
55:02Obrigada pela sua conversa, né, pela sua participação aqui, pela troca.
55:07E até uma próxima.
55:07Uma alegria.
55:08Muito obrigada pelo convite, pela conversa boa.
55:12E a todos que estão escutando.
55:14E espero que, assim, até uma próxima.
55:16Até.
55:17Continue acompanhando esse e outros episódios do A Ideia
55:20nas plataformas de e-mail e mensagem,
55:22na nossa página no YouTube e nos agregadores de podcast.
55:26Os episódios são gravados no Content Club em São Paulo.
55:29Até a próxima.
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