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CEO da Gut São Paulo revela como decidiu trocar a profissão de dentista pela publicidade e fala sobre a coragem de se permitir mudar de ideia
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CriatividadeTranscrição
00:00Na ideia de hoje, a gente vai entender o que fez Valéria Baroni trocar o consultório de dentista pela carreira
00:06em agências.
00:07É isso mesmo, além de ser uma dentista de formação, de ter exercido a profissão,
00:12ela construiu uma sólida carreira no mercado publicitário.
00:15Ela passou por empresas como Ogivi, onde ficou mais de uma década,
00:19também foi facilitadora na Hyper Island e há cerca de oito anos ela está à frente do escritório da Guts
00:26São Paulo.
00:27Primeiro como Managing Director e por volta de três, quatro anos, ela me corrige se eu estiver errada, como CEO.
00:34E além disso, ela é sócia de restaurantes paulistanos como Teus e Votri e tem outros negócios no meio gastronômico.
00:43Seja muito bem-vinda, Valéria.
00:45Obrigada, Lia. Obrigada.
00:53É um prazer falar contigo.
00:55Vamos começar, então, a falar dessa sua dupla profissão.
01:00Como que você resolveu estudar Odonto?
01:04Como que você trocou depois a profissão pela publicidade?
01:09Dupla, mais ou menos, tá?
01:10Porque eu falo que Odonto já foi na outra encarnação.
01:15Mas...
01:16Ah, eu acho que quando eu saí do colegial, um monte de gente não sabe o que fazer, né?
01:19E eu não sei porque eu tinha uma loucura pela área de biológicas.
01:23E aí, antes de eu me formar em Odonto, eu fiz um ano e meio de psicologia,
01:29depois prestei medicina, fui na faculdade de medicina um mês pra falar nem pensar,
01:34isso aqui eu tinha que estudar demais.
01:35E aí, acabei fazendo Odonto.
01:37Aí, bom, confesso que no meio do caminho eu já sabia que não era muito o que eu ia querer.
01:43Mas terminei, porque senão meu pai me matava.
01:45E ainda trabalhei uns dois anos com Odonto, mas...
01:50Ah, pra mim já faz muito tempo, mas não era a minha praia, assim.
01:55Não gosto de trabalhar sozinha.
01:58Eu acho que quando você é muito novinha, você não tem consciência do que você...
02:01Clareza do que você gosta e do que você não gosta.
02:03Mas hoje eu consigo perceber claramente, assim, eu trabalhava naquele ambiente monocromático, sozinha,
02:10com um monte de gente que você não consegue conversar, eu falo pelos cotovelos.
02:13Então, aquilo não fazia muito sentido.
02:16Eu acho que mais do que isso, o respeito a todos os dentistas,
02:21mas é um universo, assim, muito específico, né?
02:26Odontologia, diferente do que, por exemplo, mesmo a gente estando na propaganda, você abre o jornal,
02:33sei lá, tem um monte de notícia, um monte de coisa que vai acabar influenciando aquilo que a gente faz.
02:37A guerra que tá acontecendo agora influencia na ponta no que a gente faz, no que os clientes fazem e
02:43tal.
02:43E a sensação que eu tinha que era isso, que o odonto era muito apartado disso tudo, né?
02:49E eu achava muito solitário.
02:52Então, é isso.
02:53Aí um dia, não fui mais.
02:55Mas você chegou a...
02:57A exercer.
02:58Sim.
02:59Quanto tempo que você ficou nessa?
03:01Uns dois, três anos.
03:03Sim, tive consultório.
03:05Tirou bastante siso.
03:07Fiz bastante cirurgia.
03:10Eu sempre gostei de...
03:11Sempre gostei, em odonto, da parte de cirurgia.
03:14Então, eu fiz...
03:16Quando eu tava no último ano, eu apliquei pra um estágio de bucomaxilo e traumatologia nos hospitais públicos de São
03:25Paulo.
03:25Então, eu passava uma...
03:27Eu tinha que fazer um plantão de 24 horas por semana no Hospital do Campo Limpo.
03:33Então, assim, era baleado, esfaqueado, não sei o que, tudo.
03:39E é hospital público.
03:40Não tem quem faça parto.
03:41Ou vai lá o estagiário do dentista ajudar no parto.
03:45Então, era assim.
03:47Mas, por incrível que pareça, essa vida de hospital foi o que me fez realizar que eu não gostava da
03:54vida solitária de consultório.
03:56Eu acho que é isso que tem muito em agências.
03:58Trabalho em equipe, esse dinamismo.
04:00Sabe, um dia você tá trabalhando pra um cliente, outro dia você tá pra outro.
04:03Lá era assim.
04:04Então, bem ou mal, foi essas mini passagens em hospital, por um ano, a mini, que me fez ver que
04:14eu gostava de um trabalho em grupo integrado do que trabalhar sozinha.
04:19E qual que foi o caso mais complicado que você já pegou em consultório?
04:26Ah, eu acho que em consultório, não tanto.
04:29Porque em consultório, eu tinha meus pacientinhos, assim, mais simples, que eu tocava sozinha.
04:37E o mais complicado, eu tinha um chefe que tava ali, que tava vendo.
04:41Mas eu tive oportunidades muito bacanas, assim.
04:46Logo no começo do implante, eu conheci o Brannen Mark, que é o cara que inventou o implante de titânio
04:52no mundo.
04:53É um sueco que veio pro Brasil e ele tava inventando, sei lá, coisas muito loucas, assim.
04:59De usar o mesmo implante que você usa em dente, pra fazer implante de nariz, orelha, pra quem tinha câncer.
05:07Então, eu acho que trabalhei muito tempo com um professor meu, que era o titular que cuidava da parte de
05:15odonto de reabilitação do Hospital do Câncer do AC Camargo.
05:18Então, meu, vi muitos casos lá de, enfim, muito diferentes, muito diferentes do dia a dia de consultório.
05:28Sim.
05:28E eu acho que esse estágio no Hospital do Campo Limpo também é uma outra realidade, né?
05:34Sei lá, nasci privilegiada, então, de poder ver do sistema de saúde público, do tipo de intercorrências que acontece desse
05:42outro lado da cidade
05:44e que pegava, na época, atendia todo o lado do capão e tudo mais, que a gente não tem noção,
05:50né?
05:50Que é um outro tipo de odontologia ou de traumatologia que você faz se você vai atender, né?
06:00Lá do chique de São Paulo, então...
06:02Claro.
06:03Foi super... foram os mais tretas, assim.
06:07Aí nem quero saber, mas, assim, tiro na boca, chama a dentista pra costurar pra não morrer de morragia,
06:12enquanto o outro vai operar, atendia.
06:15E você participava de 10, fazia tudo.
06:17Não, porque é muito difícil você suturar dentro da boca com língua, saliva, então, eu, pelo menos, já que eu
06:22tava lá dando meu plantão,
06:24qualquer coisa que chegava pra suturar, eu falava, eu faço, eu faço, porque aí treinava.
06:28Então, você pega de tudo, mocinho, bandido, tudo.
06:32Então, era treta, mas...
06:35Caramba!
06:36E quando você decidiu parar de ser dentista, você já sabia que você ia pra publicidade?
06:44Como é que se deu esse...
06:45E foi difícil admitir que você não queria?
06:49Ó, eu vou falar pra você uma coisa que eu não falo muito, tá?
06:55É...
06:55Eu já sabia que eu não queria.
06:58Mas eu falei, putz, eu já me formei, eu tô aqui, eu vou continuar.
07:04E a vida vai te levando e você vai fazendo um, dois anos.
07:06O que me fez sair de ser dentista foi porque eu tinha, o quê? Uns 24 anos, mais ou menos,
07:12e eu perdi minha mãe do dia pra noite.
07:15Deste dia em diante, eu falei, eu não vou mais fazer o que eu não quero.
07:20Não dá.
07:21Eu tive muita clareza que a vida acaba assim do dia pra noite.
07:24E aí, desse dia em diante, eu falei, eu não vou mais.
07:27Eu não vou mais, não importa quanto eu ganho, não importa o meu espacinho.
07:30Eu falei, não vou mais.
07:31Lembro meu pai, minha avó, todo mundo.
07:33Nossa, coitadinha, tá traumatizada, a morte da mãe.
07:36Eu falava, eu nunca tive tanta clareza na minha vida.
07:40E aí, eu não fui mais.
07:41Então, eu não sabia onde eu ia, não sabia o que eu ia fazer, não sabia o que eu gostava.
07:46Mas eu sabia que aquilo não era, que eu não queria ser dentista a vida inteira.
07:50E aí, eu não fui mais.
07:50Então, foram meses, assim, que eu falava, bom, o que eu vou fazer, não sei.
07:56Eu tinha uma coisa assim, né?
07:58Eu tinha uma prima marqueteira, trabalhava na Johnson, tinha uma admiração por aquilo.
08:03E aí, eu falei, ah, vou tentar marketing.
08:06E aí, não importa pra onde eu mandasse meu currículo.
08:11Só me direcionavam pras farmas, obviamente.
08:13Quem recebe um currículo de uma dentista?
08:16Eu acho que é por isso que eu sempre detestei currículos e talvez seja por isso que eu não entendi
08:21a LinkedIn.
08:21Porque era isso, assim, eu sentia que ninguém queria me conhecer.
08:24O que valia era o currículo, sabe?
08:27E aí, fui indo, indo, indo, até que o marido de uma amiga falou pra mim,
08:32você já tentou agência, tal?
08:33Eu falava, agência, na minha cabeça, leiga, agência era uma coisa de criativos.
08:37Eu falava, não sou criativa.
08:39Eu falava, não, mas tem uma área que chama atendimento, né?
08:42Você é toda articulada.
08:43É quem faz a ponte entre o cliente e a gente...
08:46Ah, interessante isso daí.
08:47E aí, fui.
08:49E aí, qual que foi o seu primeiro emprego que você conseguiu em agência?
08:53É, numa agência pequena, que nem existe mais, muito pequenininha na época, chamava J3P.
08:58Eu falei, olha, eu trabalho de graça um mês.
09:00Aí, vocês vão ver.
09:01Aí, fiquei lá um ano.
09:02De graça você ficou um mês?
09:04Não, eles já te pagaram.
09:05Não, não, não.
09:05Eles sempre me pagaram.
09:06Eu fiquei lá um ano.
09:08Aprendi como funcionava.
09:09E aí, uma amiga trabalhava na UGA e fez uma entrevista e eu logo fui pra UGA.
09:14Já como atendimento?
09:15Já como atendimento.
09:16Executiva de atendimento.
09:17E aí, o que que você gostou, assim?
09:21Teve a coisa que você falou, né?
09:23De trabalhar em equipe e tal.
09:24Mas o que mais, assim?
09:26Particularmente na área de atendimento.
09:28Ah, eu sou uma pessoa que gosta do controle do todo.
09:32Então, eu acho que o atendimento tem esse controle, a visão geral do todo.
09:37Um ambiente, um ambiente super descontraído.
09:40Eu já tentei, eu tentei nesse meio tempo, né?
09:43Nesses que você falou.
09:44Fiquei mais de uma década na UGA, é verdade.
09:46Mas eu saí duas vezes.
09:47Uma delas, eu tentei ser cliente.
09:50Um ambiente mais formal.
09:52Hoje, eu sei que tem muitos clientes não formais, mas não funcionava.
09:55Eu acho que eu sou uma pessoa informal.
09:57E esse ambiente de agência, acho que favoreceu muito, sabe?
10:01Então, não tinha toda a formalidade.
10:06Você consegue...
10:07Formalidade, que eu digo, não é no mau sentido.
10:10Porque também a falta de formalização não é boa coisa.
10:14E nem tanta formalidade, não é isso.
10:16Mas você faz as coisas acontecerem, sabe?
10:20Então, por exemplo, pra mim, que tinha chegado numa agência com 25 anos de idade já,
10:27eu sinto que o meu nível de maturidade era outro.
10:30Eu tinha perdido a mãe, eu já...
10:32Sabe?
10:33Tive que me virar.
10:35Eu não tinha aquele step by step de um ambiente corporativo.
10:39Olha, você passa pro nível 1, depois pro nível 2, depois pro nível 3.
10:42Não tinha isso, sabe?
10:43Se você mostrasse trabalho, você crescia.
10:47Então, putz, eu enxerguei aquilo como uma super oportunidade.
10:51Então, adorava o ambiente em equipe, o ambiente descontraído.
10:53Um negócio que, assim, pelo menos nessa época que eu entrei, sabe?
10:57Se você fizesse, você era reconhecido.
11:01E se você fizesse, aquilo acontecia.
11:04E ter esse controle que você via uma coisa entrar e sair lá na ponta, sabe?
11:08Tinha começo, meio e fim.
11:10Então, sei lá, isso tudo me encantou, sabe?
11:13E aí, muita gente que faz publicidade, como você bem falou,
11:17pensa na criação como uma área pra se fazer carreira e tal.
11:22E aí, você passou, imagino, ter contato mais íntimo com a publicidade em si,
11:27com o comercial, com as peças, enfim, quando você estava dentro de agência ou não.
11:32Ou você se lembra de uma relação anterior, sei lá, de você crescer e ver propaganda e se emocionar,
11:37esse tipo de coisa.
11:38Eu acho que a comunicação, lá.
11:40Mas propaganda, não.
11:41Meu pai teve uma produtora a vida inteira.
11:45E eu, sei lá, cresci no set.
11:47Então, eu via todas as propagandas.
11:49Sabia.
11:49Eu lembro que a diversão, quando eu ia no escritório do meu pai,
11:53era ainda, vou denunciar a minha idade,
11:56mas com o resto dos negativos, montar filminho na Moviola.
12:00Era meu pai passar um rolo da produtora e a gente falar,
12:03olha, aquele comercial de Volkswagen, olha, aquele comercial de não sei o quê.
12:06Então, eu já sabia, assim, eu tinha muita clareza do que era um comercial,
12:10mas eu não entendia como é que aquilo era só uma ponta e tudo que estava por trás para chegar
12:17ali.
12:17Ah, legal.
12:18Teve algum set que foi muito memorável para você?
12:22Ah, tem, tem, tem.
12:25Ah, não sei.
12:26Eu lembro que meu pai tinha que estar no set fim de semana.
12:29Então, ele pegava a gente e ia.
12:32Lembro, sei lá, muito set de Volkswagen, muito set e outra que tinha, né?
12:38Não tinha pós, não tinha IA.
12:43Então, você tinha dentro da produtora um departamento que era efeitos especiais.
12:48Você fazia aquilo, seja por maquete, ângulo, câmera, cenário, né?
12:54Então, sei lá, aquilo lá era um parque de diversão para a gente que era criança e tinha que ir
12:59com o meu pai, né?
12:59E ver, filmar, e aquela cadeira escrita o diretor, né?
13:04Que parece que é só de filme, mas todo set tinha esse tipo de coisa, né?
13:08Sim.
13:09E aquele catering cheio de comida.
13:11Eu lembro que era um paraíso.
13:13Eu chegava lá, meu, todo o doce que eu não comia a semana inteira em casa tinha naquela mesona.
13:18E você via, sei lá, atores, atrizes, sei lá.
13:23Aquilo lá era fascinante.
13:24Eu não acho que eu acabei nisso por causa do meu pai.
13:29Até porque, sei lá, acho que produtor e agência, pelo menos, eram muito separados na minha cabeça.
13:34Mas que, de alguma forma, deve ter influenciado, sim.
13:41Em algum lugar ali do seu...
13:43Subconsciente foi.
13:44Do seu subconsciente.
13:45Aí você falou que você, quando pensou, começou a considerar agência, você não se considerava...
13:51Ah, você pensou, ah, não sou criativa.
13:54Mas a criatividade acaba que perpassa toda agência e tal.
13:59Você acha que hoje você se vê como uma pessoa criativa, de certa forma?
14:04Acho que sim.
14:06Isso, pelo menos, é uma coisa que a gente fala muito na GUT, né?
14:08A GUT é uma agência criativa.
14:10E a criatividade permeia todos os departamentos, né?
14:14Não é um departamento criativo.
14:17Sim, eu acho que eu sou.
14:19Mas o que os criativos fazem, eu jamais seria capaz de fazer.
14:23Jamais, jamais, jamais.
14:25Mas aí você acha que, numa negociação, sendo uma pessoa de atendimento,
14:31que tem que convencer o cliente e tem que...
14:35Isso, acho que exige um certo tipo de criatividade.
14:38Ou, não, pra lidar com os procurements dos clientes, meu, é um skill muito específico.
14:44Muito, muito.
14:45E não é nem só de criatividade, é de resiliência, jogo de cintura, mas sim.
14:52Sim, eu acho que a gente aplica a criatividade em muitas coisas.
14:56Sem dúvida.
14:57Você ficou cerca de 15 anos na OGV?
15:0213.
15:04E hoje a gente vê que as gerações mais jovens, não só os mais jovens, né?
15:09Uma coisa, acho que geral, que não é só de geração Z e tal,
15:13mas as pessoas estão ficando menos tempo nos lugares, né?
15:15Como é que foi pra você ficar tanto tempo na OGV?
15:19O que você acha que veio de ganho com isso, né?
15:22De ficar muito tempo num só lugar?
15:25Ah, eu acho que eu sou essa pessoa que fica, né?
15:29Você vê, a Guti tem sete anos e meio, sete anos e meio.
15:33Eu gosto de construir relações e raízes, assim.
15:39O que eu falei pra você, eu saí duas vezes, né?
15:41Eu tava um ano e meio na OGV e fui pra um cliente.
15:44Fiquei três meses, não gostei e voltei.
15:46Aí eu lembro que depois eu saí de novo, fiquei um ano na antiga Carillo Pastore.
15:52Voltei e aí fiquei o tempo todo.
15:54Então, eu gostava muito da OGV, assim.
15:59Eu acho que a gente tinha um ambiente ali de...
16:02Que me agradava, sabe?
16:04Então, eu tinha autonomia, eu podia fazer as coisas.
16:07Então, mas sim, eu acho também que...
16:12E aí, não sei, né?
16:13Ou eu tive, ou eu acabei boas oportunidades.
16:15Eu senti que eu podia crescer lá.
16:17Porque eu sinto que também as pessoas pipocam de lugar pra lugar.
16:20Talvez, ou por falta de paciência, né?
16:24Porque as coisas levam um tempo.
16:26Essa coisa...
16:26Paciência, que eu digo, é imediatismo, né?
16:28Você fala, putz, eu vou trocar, eu vou andar pro lado.
16:31Vou andar meio que em zigue-zague, assim.
16:33Pra poder crescer, seja financeiramente ou de cargo.
16:37E faz isso mesmo.
16:38Eu acho que a gente, nas agências, fica muitas vezes inflacionando o mercado.
16:45E roubando de um lugar pro outro talentos, sabe?
16:48Em vez de, talvez, criar, nutrir os talentos, trazer de outros lugares, sabe?
16:54Então, a gente mesmo causa esse tipo de coisa quando você fica assediando sempre a grama do vizinho, sabe?
17:02Então, eu vi a oportunidade e fiquei lá.
17:05Enfim, eu acho que foi uma decisão acertada.
17:08Fui super feliz lá.
17:10Eu acho que meu trabalho foi reconhecido.
17:12Depois, eu quero voltar nessa parte dos talentos que você falou.
17:16Mas, antes, eu queria que você comentasse, né?
17:19Você falou que foi, voltou, foi tentar outras coisas ao longo dessa jornada na OUGV.
17:25E aí, isso se conecta com aquilo que você falou de nunca mais fazer alguma coisa que você não queria,
17:31né?
17:31Eu prefiro me arrepender do que eu fiz, do que eu não tentei.
17:35E isso eu tenho pra mim muito claro. Muito claro.
17:38Não tem problema de começar de novo ou de falar, ah, putz, não deu certo.
17:42Não, eu não tenho. Eu não tenho medo disso, sabe?
17:45A única coisa que eu tenho, eu vou te falar bem a verdade, que eu acho a mais difícil pra
17:48quem tem filho, escolher a escola.
17:50Porque eu já troquei minha filha de escola e é isso.
17:52Se não der certo, você pode voltar, mas aí não é você, né?
17:55É a sua criança que tá lá.
17:56Que já fez amizade.
17:58Ah, e aí é sofrido. Se for comigo, tenta, volta, faz. Pede pra voltar.
18:02Ah, eu juro. Eu pedi pra voltar duas vezes pra OUGV.
18:07Eu acho que se você faz um bom trabalho e cria boas relações, as portas estão abertas.
18:10A gente fala muito isso na GUT, né?
18:12Que a gente fala que é o The Power of Second Time.
18:14O Anselmo fala isso muito.
18:16Eu trabalhei com o Anselmo e o Gaston na OUGV.
18:18Passei a trabalhar.
18:19Tem um monte de gente que sai da GUT e pede pra voltar.
18:22Se eu tiver a vaga, gostava da pessoa, a gente gostava do trabalho da pessoa, por que não?
18:28Então, sei lá, eu acho que você tem que arriscar.
18:30A vida é curta demais.
18:32Mas isso não quer dizer que as decisões ficam menos difíceis, certo?
18:36Não.
18:36Qual que foi a decisão mais difícil que você tomou em relação à sua carreira?
18:43Ah, eu acho que tiveram duas, assim.
18:45Saí da publicidade em 2013.
18:48Eu saí.
18:50Eu não saí da OUGV, assim.
18:52Eu saí da publicidade.
18:54Por causa de maternidade?
18:55Não.
18:57Porque eu não queria mais, assim.
19:00Eu não queria mais.
19:02Eu cansei, assim.
19:04A gente tá falando de 2013, 13 anos atrás.
19:07Eu acho que hoje as coisas melhoraram muito.
19:09Seja pra mulheres, seja pra galera nova que vem aí.
19:14A gente...
19:15Pô, quem é das antigas do mundo de propaganda dormia na agência.
19:18Virava à noite duas vezes por mês.
19:23Era um ambiente difícil, assim, né?
19:26Muito legal, muito divertido.
19:29Mas difícil.
19:30Tanto que eu me lembro que quando eu entrei na OUGV, eu pensava assim...
19:33Nossa, meu, eu preciso trabalhar duro.
19:36Porque aos 40, essa profissão não existe mais.
19:39Eu lembro de olhar pro lado, assim, na agência e não ver ninguém com mais de 40 anos.
19:44Porque é uma profissão que valoriza demais o que é inovador, o que é jovem, o que é uma série
19:51de coisas.
19:52Era uma profissão que...
19:53Pô, você tem filho, não era fácil você ficar, ainda mais sendo mulher.
19:58Então, eu achava que aquilo ia acabar aos 40, né?
20:02Estou aí.
20:03Então, sair dela...
20:05Eu tomei a decisão porque eu falei...
20:07Pô, era difícil, eu não quero, cansei.
20:11Enfim, não quero mais.
20:13E foi difícil.
20:14Foi difícil porque eu tava lá há 13 anos.
20:16Foi difícil porque eu não sabia muito bem quem eu era.
20:20O trabalho é uma grande parte da minha vida.
20:21Eu falava, putz, quem eu sou sem esse trabalho, sem esse cargo, né?
20:26Porque isso eu falo muito.
20:27Uma coisa é o seu cargo, outra coisa é você.
20:29Então, muita coisa nesse mundo, você é convidada pelo seu cargo.
20:33Eu falo isso muitas vezes pros meus filhos.
20:37Ó, não sou eu que tô sendo convidada.
20:38É a CEO da GUT que tá sendo convidada.
20:40É bem diferente.
20:41É bem diferente.
20:43Então, ter isso em mente.
20:45Então, quando você toma a decisão de sair...
20:47E, de novo, eu não mudei de agência.
20:50Eu saí dessa profissão.
20:51Foi duro.
20:52Eu me lembro que eu não tinha um e-mail pessoal.
20:54Porque eu entrei lá, tinha um e-mail da Olga.
20:56Então, assim, sabe quando você perdeu um monte de senha, sabe?
20:59Do cloud, do streaming, de não sei o quê.
21:02Então, foi uma decisão muito difícil.
21:07E depois, eu acho que também, quando eu decidi voltar e voltar pra GUT, também.
21:11Pra mim, foi uma decisão difícil e super acertada, graças a Deus.
21:15Porque você não tinha a intenção de voltar a trabalhar em agência.
21:18Eu tava seis anos fora.
21:19E você já tinha passado pela Hyper, que não é uma agência, que é outra coisa, né?
21:24É, eu tinha ficado o primeiro ano com a minha filha.
21:29Depois, ela foi pra escola.
21:31Eu falei, bom...
21:33Não aguentava ficar tanto tempo em casa.
21:36E aí, fui.
21:37E aí, conheci a Hyper Island.
21:39Fiz um masterclass da Hyper.
21:41Que, de fato, assim, mudou muito o meu jeito de pensar.
21:45E, pra mim, foi muito rico, assim.
21:47É uma coisa que eu levo até hoje, assim, no modo de pensar.
21:50Sou muito zoada também.
21:52Dentro da agência, olha lá, vem a Val com as dinâmicas da Hyper dela e tal.
21:56Mas mudou mesmo a minha forma de pensar.
21:57E aí, eu fiquei trabalhando com eles em projetos aqui e no exterior.
22:03Já era um trabalho home office muito antes da pandemia.
22:07Então, com filho pequeno, você tá ali com um olho no peixe, outro no gato.
22:11Putz, esquema legal, assim.
22:14Trabalhar com times menores, muito autonomia e tal.
22:17Então, foi super legal.
22:19Foi super legal.
22:20O que mudou no seu jeito de pensar?
22:22Disso do que você aprendeu aí na Hyper?
22:26Ah!
22:27É só dar um podcast inteiro.
22:29Mas, assim, é um jeito de...
22:33Porque a Hyper, na verdade, né?
22:35E aí, de novo, pensa que você tá oito anos atrás.
22:38Ele te ensina a...
22:42Como é que se encara e vê as coisas
22:44diante dessa disrupção digital gigantesca
22:48que já tava vindo.
22:49Então, quais são as novas formas de raciocinar?
22:52Desde você enxergar o mundo de um lugar de abundância
22:56e não de restrição.
22:57Tipo, tem pra todo mundo.
23:00Trabalho colaborativo, trabalho...
23:02Todas essas coisas que o...
23:05Que a internet, o mundo digital, trouxe.
23:08Zero sobre ferramentas.
23:10É sobre mindset mesmo.
23:13Detesto essa palavra, mas eu não consigo achar um...
23:15Um análogo tão poderoso quanto.
23:18Então, modo de pensar, sabe?
23:21E eu acho que agora vem toda essa segunda onda com o IA.
23:26Que é isso, sabe?
23:27É isso.
23:28Você tá usando pra uma coisinha agora
23:30pra te gerar roteiro de viagens
23:33e daqui a pouco é um uso completamente diferente.
23:37Você só tá engatinhando.
23:39Então, eu acho que é isso desde que temos internet, sabe?
23:43Você vai...
23:44Tá.
23:45Escalando.
23:45Então, como é que você muda o seu jeito de trabalhar,
23:49de montar times, de dar feedback, de dar não sei o quê?
23:51Nesse sentido, assim, que eu acho que a Hyper trabalha muito bem, sabe?
23:55E que me ajudou bastante.
23:57E de verdade, assim, eu tenho mais de 50 anos,
23:59eu te juro que às vezes eu encontro gente de 25, 20,
24:04que tem uma cabeça mais fechada do que a minha,
24:09do modo de olhar as coisas, sabe?
24:12Entendi.
24:13Pensar...
24:13Menos elástica.
24:15Entendi.
24:15É isso que eu quero dizer.
24:16Tem uma amplitude, assim, de pensamentos,
24:19de...
24:20Em termos de oportunidades que esse novo mundo pode gerar,
24:23em vez de pensar de um jeito apocalíptico.
24:25É, não é nem só apocalíptico, é assim, sabe?
24:28É uma coisa de trabalho em equipe, de...
24:32De divisão.
24:33Quando eu falo dessa mentalidade de abundância
24:36versus da mentalidade de restrição, é...
24:41Putz, o trabalho tá pra todo mundo.
24:44Tem pra todos.
24:46Um pouco do que a gente tava falando antes de começar, entendeu?
24:49Eu tenho uma coisa muito clara, assim, ó.
24:51O cliente...
24:54E eu falo isso muito claramente.
24:56Tem pra todo mundo.
24:56Cada um tem os seus clientes.
24:57Tem trabalho pra todo mundo, sabe?
24:59Nesse sentido.
25:01E aí você falou, né, dos talentos, né,
25:03que em vez de ficar querendo roubar, né,
25:08as agências deveriam fomentar esses talentos.
25:11É uma concorrência não só entre as agências,
25:14mas também com as empresas de tecnologia.
25:17Totalmente.
25:18Com os anunciantes, você acha que...
25:21Com os clientes, com as empresas de mídia.
25:23Isso piorou e daí, assim, quando as agências reclamam
25:27que não tem talento, é muito culpa delas mesmas
25:30porque não ficam só querendo olhar o talento ali.
25:34Eu não acho que é só culpa das agências, não.
25:36Eu acho que é do ecossistema todo.
25:40E custa formar talento, sabe?
25:43E custa você fazer com que a pessoa queira trabalhar naquele lugar.
25:47Vai investimento nisso, sabe?
25:49Não é da boca pra fora.
25:51É de tempo, é de treinamento, é de feedback,
25:55é de nutrir aquele talento mesmo, sabe?
25:59E hoje...
25:59Eu acho que falta mesmo, né?
26:01Falta.
26:03Eu brinco muito, assim, que tem coisas que o dinheiro não compra, sabe?
26:07Sim.
26:08E esse é um, assim, você criar talentos ou...
26:13Você pode pagar o que você quiser pra uma pessoa.
26:15Se o trabalho é cênero e aquela pessoa ainda não tem aquela maturidade
26:19de tempo, de casca de trabalho,
26:21não vai chegar lá.
26:22Não importa quando você pague, porque precisa de tempo.
26:24As coisas precisam de tempo.
26:25Por mais que o mundo esteja acelerado e a gente acha que aperta um botão
26:28e aí faz tudo.
26:30Não é assim.
26:31Tem coisas que precisam de tempo.
26:32E hoje o tempo que você investe num talento,
26:41ele é ingrato, de certa forma,
26:43porque sabendo dessa permanência muito rápida, assim,
26:48muito efêmera, desse talento na...
26:50Ou ele volta, né?
26:52Você, tipo, tá investindo nele e ele pode sair amanhã,
26:54mas ele pode voltar.
26:56É meio por essa linha que você pensa daí.
26:58Ó, eu acho que tem casos e casos, assim.
27:01Tem gente que eu sinto que, por exemplo, não só eu,
27:04mas a agência investiu e que me dói quando vai embora, né?
27:08Você fala, pô...
27:09Tem outros não.
27:10Tem outros que cresceram na agência e que chegam a um lugar que, pô...
27:14Eu não tenho aquela oportunidade pra dar pra pessoa naquele dia na agência.
27:18Então, quero seguir outro caminho.
27:21Tá tudo certo também, entendeu?
27:22Mas eu acho que se a pessoa é boa, se ela manteve boas relações,
27:28a porta vai estar aberta.
27:29Pelo menos na GUT eu posso dizer.
27:31Eu não tenho rancor de contratar ninguém que foi embora, assim.
27:34Acho que a gente tem muita gente, muito, muita gente que volta.
27:39E isso de você ter mantido portas abertas, né?
27:42De você não ter tido medo, né?
27:44De sair e depois pedir pra voltar pra UGV,
27:47tem também a ver com o Anselmo ter te chamado pra ir pra GUT depois?
27:53Porque vocês trabalharam juntos na UGV, certo?
27:55O Anselmo Gaston, né?
27:56Uhum.
27:57Sim.
27:58E aí, você tava relutante, você não queria voltar a trabalhar em agência.
28:02O que que fez, Elisa?
28:03O Anselmo fala isso, mas não é verdade.
28:05É, ele fala, você não queria nem falar.
28:08Eu tava pensando, Ravão não quis, ela esnobou.
28:10Não, não é verdade.
28:12O Anselmo também não conta que ele fez eu e o Brooks passar por umas 10 entrevistas, tá?
28:16Isso porque ele já tinha trabalhado com nós dois.
28:18Então, deixar isso bem claro aqui no podcast.
28:21Ele tava muito criterioso.
28:23Aham.
28:24É.
28:26Eu não sabia se eu queria voltar pra agência.
28:28E aí, o que fez...
28:31O que eles me convenceram muito foi...
28:35Eles já criaram a GUT com uma cultura muito clara do que que eles queriam ser.
28:42Não é, ah, vamos abrir uma agência aí e depois desenhar a cultura.
28:46Isso me conquistou.
28:47Eles tinham muita clareza, assim, da vida corporativa deles de agência, o que eles queriam e o que não queriam
28:53ser.
28:54E aí, quando eles me mostraram isso, eles me convenceram muito.
28:58A segunda, eu falei...
29:00Eu lembro que eu perguntei pro Anselmo, pro Gaston, num almoço num restaurante japonês.
29:05Vocês têm investidor?
29:07Quem tá por trás?
29:08Quem tá investindo?
29:09Porque eu quero saber pra quem eu tô trabalhando.
29:11Porque sabe essas coisas?
29:12Ah, você tá trabalhando aqui e...
29:15Putz, mas quem manda mesmo?
29:16Tá ali, não sei o quê.
29:17E eu lembro que os dois olharam e falaram...
29:19Não, Val.
29:20É a hipoteca das nossas casas.
29:22E aí eu falei...
29:23Beleza.
29:23Bora.
29:24Eu tive um pouco essa sensação na Olga.
29:26Você sabe quando você vai...
29:27Você é atendimento, você fala...
29:29Putz, eu fui assistente, executiva, supervisora, gerente, diretora, diretora de grupo, diretora de atendimento.
29:34Aí cuidava também de toda a estrutura da Clara.
29:37Aí não sei o quê.
29:38Aí cuidava da produção.
29:42Aí quando você acha que chega...
29:43Um dia o Musa falou...
29:44Meu, vamos oficializar.
29:46Você vai ser general manager, não sei o quê.
29:48Cara, mas eu olhava pra cima e ainda tinha uma cadeia enorme, assim, sabe?
29:51Sempre tinha alguma coisa em cima, em cima, em cima, em cima.
29:54E que...
29:56Né?
29:56Essas holdings ou essas grandes corporações...
30:00Parece que não tem fim.
30:00Não tem fim, né?
30:02Até o acionista.
30:05Então...
30:05Ou a Bolsa de Valores de Nova York.
30:07Eu não sei.
30:08Então eu não queria.
30:09Eu queria trabalhar num lugar que eu soubesse para o quê e para quem eu tava trabalhando.
30:14E muito clara essa cultura, assim.
30:17E foi isso que me convenceu a voltar.
30:19E você teve esse lance que muita gente tem?
30:23Você já foi contratada pra ser a managing director da GUT.
30:28E aí você, por algum momento, se sentiu...
30:33Pensou, não tô pronta pra isso ou não teve?
30:36Ah, quem falar que não teve, mentira, né?
30:39Pô, muitas vezes.
30:42Muitas vezes.
30:46Muitas, muitas.
30:47Assim, era uma operação que muitas vezes eu senti que eu tinha o vício de ser atendimento e não a
30:52managing director.
30:54Foi muito...
30:56É duro se ser manager director de uma operação que não vem financiada por ninguém, a não ser hipoteca dos
31:02donos.
31:03Eu me lembro o dia que eu liguei para o Anselmo.
31:04O Anselmo precisava vir para uma reunião para o Brasil e ele comprou uma passagem de executiva.
31:09Liguei e eu tive um xilique com ele.
31:11Eu falei, Anselmo!
31:12Eu não vou pagar a sua passagem de executiva.
31:14Não tem dinheiro em caixa.
31:16Vão!
31:17Mas como eu vou fazer a noite inteira?
31:19Eu tenho que ir direto para o cliente.
31:20Eu falei, vem no dia anterior.
31:21Dorme depois.
31:23Não tem.
31:23Então, assim, você ser uma agência 360, que eu digo assim, ter mídia, criação com os clientes no porte que
31:32a gente começou na agência e gerir o todo,
31:35pô, era uma baita pressão.
31:37Muitas vezes eu falei, meu Deus, por que eu voltei?
31:41Mas, vai, passou.
31:44Mas foi uma experiência totalmente diferente de qualquer outra que você teve antes, né?
31:49De criar uma agência do zero e tudo mais.
31:54E, assim, claro, né?
31:55Todos os momentos, todo dia devia ter muito desafio.
31:58Mas teve algum que te marcou muito porque te ensinou muita coisa, assim?
32:02Foi uma...
32:04Um mestrado em como gerir uma agência?
32:10Ah, tiveram...
32:11Tiveram muitos, assim.
32:12E o Gaston é um cara que...
32:15Ele era...
32:16Ele era um criativo.
32:18Ele é um puta businessman.
32:19Então, negociar...
32:21O Gaston é um mestre da negociação.
32:23Aprendi demais com ele.
32:28Aprendi...
32:28Aprendemos juntos, Gaston e eu, muito do mercado de mídia.
32:34Porque eu não estava à frente disso quando eu estava lá na ONG, Vi.
32:37E quando eu saio em 2013 e volto em 2019, o panorama de mídia tinha, assim, mudado três voltas, assim,
32:48sabe?
32:48Tinha mudado muito, né?
32:50Com toda a mídia digital, com influenciador, com tudo.
32:53Então, pô, aprendi demais, assim.
32:57Graças a Deus, todo mundo que foi muito generoso, assim, comigo de me ensinar.
33:01Nunca tive muita vergonha de falar, gente, eu não sei isso.
33:04Me ensina?
33:06Então, tive gente muito generosa que passou, assim, pelo meu caminho.
33:11Mas aprendemos muita coisa junto.
33:12Mas teve, pô, teve muito perrengue, meu.
33:16Teve, olha...
33:17Pra você ter ideia, a gente começou, a reforma do escritório não estava pronta.
33:21A gente começou na sala de reunião do térreo, tá?
33:24Pra você ver como começou.
33:26Eu moro perto da Gant.
33:28Eu vinha com duas garrafinhas térmicas de café da minha casa, empunhando a mesinha, assim,
33:33comprava pão de queijo na Letícia em frente.
33:36Então, de contratar a faxineira, né?
33:41Tanto que a Carolzinha, que está lá com a gente há sete anos, ela cuidava do escritório.
33:49Então, de...
33:50Sério, de pedir pra perua da escola dos meus filhos, no final do dia,
33:54gente, em vez de deixar na rua tal, vem aqui pra rua Natingui e deixa aqui.
33:58Eu lembro que no começo da Gant tinha filho de todo mundo da Cinco e Meia em diante.
34:03A Mari, que era a prodúrcia na época, o filho ia pra lá.
34:05O Tiago, filha do Brux, eu vejo os filhos.
34:08Era uma creche lá, então, assim...
34:12Modo startup mesmo.
34:15E aí a Gant, ela teve esse momento que começou a ganhar prêmio,
34:22começou a ganhar muito leão em canes e aí explodiu.
34:25E foi relativamente rápido esse boom da Gant.
34:30Aí já vira uma outra coisa, já vira um colosso.
34:34Eles abriram muito...
34:35Vocês abriram muito mais escritórios.
34:37E como é que é acompanhar e não deixar perder a essência do começo ali, né?
34:45Do que o Anselmo e o Gaston te mostraram?
34:47É, São Paulo cresceu muito rápido e a Network cresceu muito rápido.
34:51Então, eu lembro assim, quando a gente fez a nossa happy hour de um ano,
34:56no dia seguinte a gente fechou pra pandemia.
34:59No dia seguinte.
35:01A gente tinha 48 pessoas.
35:03Quando a gente reabriu o escritório, tinham 150.
35:07Então, foi um boom enorme durante a pandemia.
35:12A Gant já abriu com clientes grandes, né?
35:15Logo, abriu.
35:16Eu lembro que a gente já tinha, já ganhou o Mercado Livre.
35:21Meses depois, Skoll.
35:23Então, assim, a gente já teve meses depois Nestlé.
35:25Então, a gente abriu com clientes muito grandes.
35:28Já no ano seguinte, a gente ganhou o Grand Prix com o Mercado Livre, né?
35:34Mas, durante a pandemia, eu acho que a gente deu...
35:38A gente trabalhou duro, mas também teve muita sorte.
35:41Os clientes que a gente tinha, principalmente o Mercado Livre,
35:43o que virou na pandemia.
35:45Então, a gente trabalhou muito e cresceu muito.
35:46Eu acho que o maior desafio foi manter a cultura.
35:49E é até hoje.
35:51Como é que você mantém a cultura da Gant com 250 pessoas só em São Paulo?
35:59E abrindo todos os escritórios que a gente abriu.
36:03E é um trabalho que precisa de muita gente.
36:06E qual que é a resposta? Como manter isso?
36:10Tem muitos símbolos e tem muitos rituais.
36:15Por exemplo, uma pessoa que chega na Gant,
36:17a gente tem uma reunião toda segunda-feira, às 10 horas da manhã.
36:21Todos os escritórios têm essa reunião.
36:23Chama Monday Morning Meeting.
36:25Toda segunda-feira.
36:27No começo, essa reunião era quase uma reunião de pauta,
36:29quando a gente tinha 20, 30, 40 pessoas.
36:31Hoje não é.
36:32Hoje é uma reunião que a gente divide com todo mundo o que está rolando.
36:36Para todo mundo pertencer àquilo.
36:37Então, se um grupo lançou uma campanha super bacana e o outro não viu...
36:41Estranho, né?
36:42Se trabalhar numa agência que você não viu, o trabalho do outro que foi para a rua.
36:45Então, a gente divide isso.
36:46A gente dá avisos.
36:48A gente fala o que vai rolar na semana de importante.
36:50Ou o que rolou na semana de importante.
36:52A gente põe todo mundo na mesma pauta.
36:54A gente apresenta quem chega.
36:55A gente apresenta quem foi promovido.
36:57Então, a gente brinca que tem um desfile, a pessoa vem da porta e tal.
37:02Então, tem...
37:02Por exemplo, tem muitas segundas-feiras que dizem que eu não quero fazer uma Monday Morning Meeting.
37:08Eu não tenho assunto.
37:10Mas eu faço.
37:11Nem que eu invente.
37:12Nem que leve 7 minutos ao invés de 30.
37:15Porque é um ritual.
37:16E vou te dizer, as vezes que eu tentei tirar, tem muita gente que sente falta.
37:20Talvez quem é mais sênior e está próximo do que está acontecendo.
37:23Não, mas quem está entrando na agência sente falta para pertencer àquilo.
37:29Por exemplo, qualquer pessoa que chega tem um dia inteiro de um onboarding sobre a cultura da agência.
37:36Sobre os princípios da agência.
37:38Qualquer pessoa tem uma vez por mês ou a cada 15 dias, não me lembro,
37:45um fórum que é todo mundo que entrou naquele período tem um papo com Gaston e Conselmo.
37:50Global.
37:52Faz parte, você conheceu, Gaston e Conselmo, da cultura da agência.
37:57A gente tem, por exemplo, o que a gente fala que é Cannes Showcase.
38:02Que é antes de Cannes.
38:03A gente vê o trabalho de todos os escritórios.
38:05É um dia que a gente para, pipoca, cerveja e vamos ver o trabalho de todo mundo.
38:13Se aquilo é importante.
38:14Assim como tem a volta do F, como tem a volta do Salto by Salto.
38:19Essa foi hoje, inclusive.
38:21Você digeriu.
38:22Então, assim, tem muito...
38:23Eu estou dando alguns, mas tem muitos pequenos rituais como esse que criam a cultura ao longo do ano.
38:30E deve ter sido um caos vocês terem saído,
38:34ido, né, para o home office com 48 pessoas.
38:37E aí voltar para o...
38:39A reabrir com mais de 150, você falou.
38:43E aí...
38:43A gente não tinha nem escritório.
38:44E pessoas que entraram, começaram a trabalhar na pandemia.
38:49E aí, assim, é todo um trabalho para, tipo, né, de...
38:54Incluir essas pessoas.
38:56Mas eu vou falar uma coisa bem controversa, tá?
38:58E que, by the way, nem o Anselmo, nem o Gaston concordam.
39:01O Brux também não.
39:02O Dani, se eu for falar a minha opinião, pessoal.
39:06Eu...
39:06A gente hoje vai três vezes por semana presencial.
39:09E eu sei que essa coisa do presencial remoto é um caos, né?
39:13Mas eu gostava muito de...
39:14E acho importante, tá?
39:16Eu acho muito importante para criar cultura você estar presente no mesmo lugar.
39:20E as pessoas se conhecerem.
39:21Mas tinha uma coisa do remoto que eu gostava muito e que...
39:26Que é...
39:27Quando você está presencial,
39:29voltando naquela coisa de nutrir e achar talentos.
39:32Você tem que ter talentos em São Paulo.
39:36Quando você trabalha remoto,
39:38o que teve de talento em outros estados, outros países,
39:42outros que trabalhou com a gente,
39:44foi muito legal.
39:46Porque...
39:46Ah, e pode não ter...
39:48Pode continuar contratando gente de fora.
39:50Óbvio que você pode.
39:52Mas é mais difícil.
39:53Quando está todo mundo presencial e tem um ou dois à distância,
39:56é muito diferente.
39:57Quando você tem alguns que moram em outra cidade e não estão à distância,
40:00o desenvolvimento dessas pessoas fica mais difícil.
40:03As pessoas estão aqui e falam,
40:04mas por que aquele pode não vir esse...
40:06E aí você começa...
40:08A pasteurizar as coisas.
40:10Então, óbvio que o presencial tem um milhão de vantagens,
40:13mas eu também acho que o remoto...
40:16E para mim, essa questão dos talentos de qualquer lugar que estão ali,
40:22que é um pouco como a Globo Antitravalha, por exemplo,
40:25por ser...
40:26É do segmento de tecnologia e não de comunicação,
40:30para mim faz muito sentido.
40:31Então, ter um meio termo entre os dois,
40:33para mim faz muito sentido.
40:34Vem daí achar talentos em outros lugares não óbvios, sabe?
40:38Teve uma queda brusca de diversidade regional
40:41depois que voltou mais para o presencial.
40:44E aí não estamos nem falando de distância, né?
40:47Pô, São Paulo do tamanho que é,
40:48o que você leva para se deslocar...
40:51Complexo, né?
40:52Mas então, só para dizer assim,
40:55acho que os dois têm muitas vantagens, sabe?
40:59Eu não vejo só desvantagem no remoto.
41:01E essa de diversidade de talentos em outros lugares...
41:05Por que todo mundo precisa morar em São Paulo?
41:07Essa cidade caótica, sabe?
41:09Que é uma queixa constante também do mercado publicitário.
41:13Ah, não, estamos olhando mais para fora do eixo Rio-São Paulo,
41:16mas que na prática acontece pouco ou não tanto quanto deveria.
41:21Exato.
41:21E você falou uma palavra que é pasteurização,
41:24que é uma crítica também mais recorrente agora com AI e tudo,
41:29mas que tem a ver também com falta de diversidade de talentos,
41:32falta de diversidade em todos os níveis, né?
41:34racial e etc.
41:37Você vê que existe uma busca ativa das agências
41:42para lutar contra a pasteurização na publicidade,
41:46que se tanto fala, assim,
41:47de ter uma diferenciação nos resultados das campanhas, enfim?
41:54De novo, eu não acho que é sobre as agências,
41:58é sobre o ecossistema.
41:59Os clientes também estão dispostos a ver coisas diferentes.
42:02Os institutos de pesquisa estão dispostos a mensurar essas diferenças?
42:07Porque toda vez que você faz uma coisa diferente,
42:09não necessariamente ele vai em bem pesquisa,
42:11porque não é o que aquele consumidor está acostumado.
42:14Então, eu acho que é de tudo, assim.
42:16E as próprias coisas, os QPIs que a gente mede de mídia,
42:26os Brilliant Basics, a gente está disposto a mexer nisso?
42:31Então, assim, a gente está num mercado que está disputando atenção.
42:37Se a gente vai fazer tudo igual,
42:40só que não fazer tudo igual também exige coragem,
42:44porque nem sempre vai bem na pesquisa.
42:47Não quer dizer que não vai trazer resultado, sabe?
42:50Então, sim.
42:53Eu acho complexo.
42:55Acho bastante complexo.
42:57E hoje, Valéria, o que te motiva a continuar trabalhando com publicidade
43:04é o mesmo que te motivava quando você começou?
43:06Eu acho que quando eu entrei,
43:07eu entrei pelo trabalho de multidisciplinar,
43:09por conviver com pessoas, por ser...
43:11Quando eu voltei e voltei para a Gantt,
43:13eu dei muito mais valor
43:17para a comunicação em si,
43:19para o advertising em si.
43:20Porque só saindo dessa indústria,
43:23que você, pelo menos eu, né,
43:27realizei o poder que a gente tem na mão.
43:29Eu acho que a minha...
43:31A minha primeira encarnação na publicidade,
43:34eu acho que eu não dava o valor
43:37que eu dava
43:38para essa disciplina de comunicação e advertising, né?
43:41Tudo integrado.
43:43E por isso que eu achei tão legal
43:45depois que eu fui para a Gantt,
43:46porque você não estava concentrado na mão de um ou dois...
43:49Um ou dois não,
43:50mas dez anunciantes, dez veículos, né?
43:52Quando você passa a ter influenciadores,
43:54quando você passa a ter dos milhões de canais digitais e tal,
43:58mesmo eu tendo uma pequena verba,
44:00você tem uma ideia legal,
44:01muita gente pode aparecer.
44:03Isso tornou o nosso negócio como negócio muito mais difícil,
44:08mas tornou muito mais interessante.
44:10Então, eu acho que o que muda
44:12pelo que eu comecei e voltei,
44:14é assim, eu dou muito mais valor.
44:15Quando você sai deste mercado
44:17e vai trabalhar com outras coisas,
44:18é que você vê que tem gente tão talentosa,
44:21mas não sabe contar a ideia dela,
44:23não sabe mostrar uma narrativa,
44:25não sabe usar um influenciador,
44:27não tem o microfone que a gente tem na mão para ser ouvido.
44:29Eu acho que eu também não tinha consciência
44:31do tanto que a gente molda a sociedade
44:34com o que a gente tem na mão.
44:36Então, isso tudo eu acho que eu aprendi
44:38depois de velha, dando muito mais valor a isso.
44:41Mas o que me motiva ainda a continuar
44:44são pessoas.
44:46Eu gosto disso.
44:47Então, assim, eu sempre falei para o Gaston e para o Anselmo
44:52quando eu voltei, se é para a gente fazer uma agência diferente,
44:55se é para a gente montar uma agência
44:57que nem da época que eu entrei em agências,
45:01não quero.
45:01Então, poder ter autonomia para falar não para um pitch,
45:05poder ter autonomia para falar,
45:06putz, essa categoria de cliente não tem a ver com a nossa cultura.
45:09Pô, eu não quero pegar um cliente
45:11só para ter mais revenue e não ter margem,
45:15para ter um negócio saudável.
45:19Então, assim, esse tipo de conversa
45:22tem muito transparente dentro da Gutsch.
45:24Isso me motiva muito a ficar.
45:26E indo para a sua sociedade em restaurantes,
45:31você atua mais como sócia mesmo?
45:34Ou você...
45:34Não, não faço nada, gente.
45:35Não, não.
45:36Eles fazem tudo.
45:39Você não ajudou ali a criar do zero restaurante
45:43a dar pitaco em cardápio, essas coisas?
45:46Não, não, não, não.
45:47A gente vai na degustação de cardápio,
45:49que é a melhor parte.
45:50Então, quando vai montar,
45:52vai montar o Votre,
45:54putz, como é que a gente faz a batata frita do Votre
45:56ser diferente da batata frita do Deus,
45:58que está ali do lado?
45:59Vocês não têm noção, né?
46:01A gente acha que é só...
46:02Tinha um corte diferente,
46:04temperaturas diferentes de óleo,
46:05quanto de batata você põe em cada uma.
46:07Então, o Chico, que é o chefe,
46:10e o Pedro, que cuida de tudo,
46:12assim, com a planilhinha dele, sabe?
46:13Quanto você põe tudo,
46:14tem um resultado diferente.
46:16Mas não, a gente só vai na degustação,
46:18usufrui e ajuda a levar,
46:20a divulgar, a entrar lá.
46:21E, por exemplo, redes sociais.
46:24Val, me ajuda.
46:25Quem pode fazer?
46:26Quem não pode?
46:27Ajuda a achar alguém que faça uma foto.
46:30Ajuda alguém que...
46:31Nunca sou eu que faço, não consigo,
46:33mas orientar quem possa fazer um planejamento.
46:36Quem a gente recomenda que gere
46:39e monte a estratégia de redes sociais bacana.
46:42A parte de comunicação, enfim.
46:45É isso, mas não, eles...
46:47Pedro e Chico que tocam brilhantemente o dia a dia.
46:50E o que você gosta de fazer
46:53para desopilar um pouco,
46:55para sair do dia a dia,
46:57da correria do trabalho?
46:58O que te inspira fora da publicidade?
47:04Putz, tudo que é sossego.
47:06Então, eu gosto...
47:07Primeiro, eu gosto de ir para o meio do mato,
47:08onde eu tenho casa,
47:09ficar isolada de tudo e de todos.
47:11Eu sou da natureza.
47:13Eu falo para todo mundo que,
47:14o dia que eu sair da gut,
47:15eu vou ser...
47:18Sei lá...
47:19Plantar legumes.
47:21Tudo que desacelera.
47:22Então, eu gosto de trabalhos manuais.
47:24Adoro fazer porcelana,
47:28adoro trabalho de arts and crafts, sabe?
47:30Você vê e vai lá e faz.
47:32Gosto de desacelerar.
47:34Gosto de...
47:36É isso.
47:37Slow.
47:38Consegue desligar um pouco do celular?
47:41Sim.
47:42Consigo bem, né, Bia?
47:43Consigo bem.
47:44Não consegue não olhar as notificações.
47:47Nossa, consigo pleno.
47:48Pleno.
47:49Chegar em casa e largar o celular.
47:51Semana inteira, sim.
47:52Que é um grande drama
47:53e é o que se fala muito sobre...
47:56Para manter a criatividade,
47:57você precisa um pouco se distanciar do...
48:00Ah, eu consigo fácil.
48:02Consigo fácil.
48:03Não sou...
48:04Não acho que eu sou viciada.
48:06E eu tenho muita consciência
48:08de quando eu estou viciada.
48:09Quando você está muito acelerada,
48:11você percebe nitidamente.
48:12Você não consegue deixar o celular.
48:13Você não para de scrollar.
48:15Eu tenho muita consciência.
48:17Deixa em outro cômodo para não...
48:19Mas, sei lá...
48:20Eu não tinha,
48:21mas, graças a Deus,
48:22eu tenho muito hobby.
48:23Então, eu consigo desacelerar, sabe?
48:27Faço cozinhar,
48:28fazer trabalhos manuais,
48:30ler...
48:31Eu sou viciada em série,
48:34comida...
48:34Nossa!
48:37Qual foi a coisa mais legal
48:39que você consumiu
48:40nos últimos tempos
48:42de livro ou de série,
48:43de filme ou de espetáculo?
48:46Enfim.
48:48Ó...
48:49Ultimamente,
48:51faz uns...
48:52Dois, três anos
48:53que eu comecei a ter
48:54crise de enxaqueca.
48:56E meu médico falou,
48:57isso é, meu,
48:58multitask,
48:59stress, não sei o quê.
49:00Você tem que ter hobby.
49:01Eu não tinha hobby.
49:02Eu falava,
49:02eu não tenho hobby.
49:03E ele falou,
49:04acha hobbies offline.
49:06Acha.
49:08E eu comecei a achar.
49:10Então, foi isso.
49:10Eu fui fazer
49:11um monte de coisas
49:12manuais que eu faço.
49:14Eu amo decoração, sabe?
49:15Então, eu fico
49:16fazendo moldura,
49:19fazendo...
49:19Puta,
49:19montando uma parede.
49:21Vou fazer...
49:24Porcelana,
49:24amo.
49:25Fico lá fazendo.
49:26É difícil,
49:26porque tem queima,
49:27tem que achar quem faça,
49:28tal, mas...
49:29Fazendo.
49:30E eu entrei
49:31num clube do livro.
49:33Da Gabriela Prioli
49:35e do Carnal.
49:36Cara,
49:37eu amo.
49:39Amo, amo, amo.
49:40Porque...
49:41Puta,
49:41é uma leitura dirigida
49:43riquíssima.
49:44Você aprende
49:44um milhão de coisas
49:45por trás
49:46de um único livro.
49:47Você aprende
49:48a ler estilos
49:49completamente diferentes.
49:51Não é um negócio
49:52que você tem um compromisso
49:53de ir em algum lugar
49:54ou horário fixo.
49:55Sabe?
49:56Tem um...
49:56É tudo online.
49:58Você vai...
49:58Tem uma live por mês
49:59se você quiser ir.
50:00Eu nunca fui mesmo assim.
50:01Aproveitei pra caramba.
50:03Então, esses livros
50:04que eu li o ano passado,
50:05eu amei.
50:07Teve um em particular?
50:11Teve um que chama
50:13Igualdade,
50:15que na verdade
50:16nada mais é.
50:17É um livro pequeno,
50:18mas é compilado
50:19numa entrevista
50:22de um francês
50:24e de um professor,
50:27se não me engano,
50:28de Harvard.
50:30E que eles estão falando
50:32como a desigualdade
50:34impacta
50:35as pessoas,
50:36a sociedade,
50:37o mundo
50:37em níveis
50:38completamente diferentes.
50:41E como isso vai
50:42impactando
50:44em tudo.
50:45Pra mim,
50:46foi impressionante.
50:48É quase óbvio,
50:49mas quando você vai lendo,
50:50você fala,
50:50meu Deus,
50:51meu Deus,
50:51meu Deus,
50:51meu Deus.
50:53Até na dignidade humana,
50:55sabe?
50:56E...
50:56Putz,
50:57eu amei.
50:58E é um clube,
51:00então você tem um período
51:01certo pra ler o livro?
51:02Tem um mês.
51:03Um mês certinho.
51:04São dez livros
51:06por ano,
51:06um por mês.
51:07Você tem um mês.
51:08Você lê no teu ritmo
51:09e as aulas vão sendo postadas.
51:11E aí,
51:12quanto mais você assiste
51:13as aulas,
51:15mais legal vai ficando
51:16ler o livro,
51:17porque tem muitas camadas
51:18dentro de um mesmo livro.
51:19e tem romance,
51:22não romance,
51:22tem...
51:23Você lê clássicos,
51:24assim,
51:25tipo,
51:26O Velho e o Mar.
51:27Agora,
51:28ou do mês que vem,
51:29é Orgulho e Preconceito,
51:31mas você lê outros
51:32completamente diferentes.
51:33Esse Igualdade,
51:34o ano passado,
51:34teve Autocracia S.A.,
51:36que é outro puta livro,
51:38assim,
51:38que você vê.
51:40Enfim,
51:41é outro incrível,
51:44mas...
51:44É,
51:45não vou falar muito,
51:45não,
51:46porque pode causar
51:47problemas políticos,
51:49eu não quero.
51:50Mas,
51:51enfim,
51:51muita coisa interessante.
51:52Sei lá,
51:52eu amei isso,
51:53assim,
51:53você perguntar,
51:54o que você viu
51:55no último ano
51:56que,
51:57pra mim,
51:58foi esse.
51:59Foram as leituras.
52:00Foram.
52:00E aí,
52:01é uma coisa...
52:01Dirigidas,
52:01é muito diferente
52:02você ir na livraria,
52:03escolher...
52:04E ler sozinho.
52:05E ler sozinho.
52:05É muito rico.
52:06É muito rico.
52:08Porque tem a troca também,
52:09né?
52:09É.
52:11Não sei nem se tem a troca,
52:12né?
52:12Porque tem,
52:13tem uma troca toda no canal.
52:14Eu não participo da troca,
52:15mas só o que você recebe
52:17por trás daquele livro,
52:19do contexto
52:20que tem atrás daquele livro,
52:21puta,
52:22é fantástico.
52:23Então,
52:24é...
52:24A sua vida é uma...
52:26É um equilíbrio.
52:28Você conseguiu chegar
52:28a um equilíbrio,
52:29de certa forma,
52:30né?
52:30Que é a pressão e a correria.
52:32Chegar não é bem a palavra,
52:34mas...
52:34Mas tentar,
52:34pelo menos,
52:35ter um pouco de...
52:36Eu acho que eu tenho sorte,
52:37assim,
52:38tipo,
52:38eu moro muito perto da agência,
52:40eu coloquei meus filhos na escola
52:42perto da minha casa,
52:44é...
52:44Pô,
52:45eu tenho o privilégio
52:45de voltar a PEC,
52:47pô,
52:47só você não pegar trânsito
52:48em São Paulo
52:49é um absurdo.
52:50Eu sou uma pessoa
52:52que...
52:53que eu cuido muito,
52:55eu não tenho religião,
52:56assim,
52:56sou ateia,
52:57mas...
52:58Eu faço acupuntura,
52:59eu faço ioga,
53:00eu faço terapia,
53:00eu faço meditação,
53:02então, assim,
53:03eu me preocupo demais
53:04com a saúde física e mental,
53:06sabe?
53:07Eu cuido disso,
53:08eu gasto um tempo
53:09da minha...
53:10da minha vida,
53:11assim,
53:12pra cuidar disso,
53:13sabe?
53:13Então,
53:13eu acho que isso vai ajudando também.
53:16Talvez,
53:16dez anos atrás,
53:17eu não te desse essa resposta,
53:18sabe?
53:18Aliás,
53:19minto.
53:20Há três anos atrás,
53:21quando eu cheguei
53:21no neurologista
53:22com crise de enxaqueca,
53:23eu não te daria essa resposta.
53:25Hoje,
53:26eu...
53:27É o que eu faço,
53:27eu gosto de desacelerar.
53:28Acho que a pandemia
53:29também me ensinou muito,
53:30que eu...
53:30Eu gosto de ficar muito mais
53:32na minha casa
53:32do que eu imaginava,
53:33sabe?
53:34Sou muito menos social
53:35do que eu achava que eu era.
53:37Uhum.
53:37Teve esse apego
53:38com a casa.
53:39Com a casa,
53:40nossa.
53:41Então, Val,
53:41já que a gente tá chegando
53:42à reta final da nossa conversa,
53:44me conta qual que foi
53:44a melhor ideia
53:45que você já teve.
53:47Pode ser uma ideia
53:47de negócio,
53:48pode ser uma ideia
53:49que mudou a sua trajetória
53:51dentro do mercado
53:53ou na sua vida.
53:57que eu já tive?
53:59É.
54:01Ideia do que eu já tive?
54:04Eu...
54:06Eu acho que...
54:08Não é ideia bem a palavra,
54:10assim.
54:10Eu acho que...
54:12Foi tomar as decisões difíceis
54:14quando elas tiveram
54:15que ser tomadas.
54:16Sabe?
54:16Tipo,
54:17deixar de ser dentista.
54:20Sair da Ogivy.
54:22Voltar pra Gut,
54:24assim,
54:24falando a nível profissional.
54:25A nível pessoal,
54:26eu poderia dizer outras.
54:28É...
54:29Então,
54:29eu acho que essas...
54:30Essas decisões,
54:32você tomar e ir
54:35sem medo
54:36e qualquer coisa voltar atrás,
54:38eu me lembro, assim,
54:38quando eu saí da Ogivy,
54:40eu tava morrendo de medo, né?
54:42É...
54:42Na época,
54:43eu era separada,
54:43filho pequeno,
54:44mas eu pensava assim,
54:46não,
54:46confio no meu trabalho.
54:47Acho que eu sou boa.
54:49Posso...
54:49Se precisar,
54:50eu vou ser diretora de conta
54:51em qualquer agência.
54:51Acho que vão me aceitar.
54:52Então, você...
54:53Você toma coragem
54:54e faz, sabe?
54:55As coisas.
54:56Então,
54:57agora,
54:57de ideia,
54:58ideia,
55:00você falar de ideia,
55:01assim,
55:01eu acho que
55:03melhor...
55:03É.
55:05A decoração da minha casa.
55:06Eu amo.
55:07Se eu não fosse publicitária,
55:08eu ia querer ser decoradora.
55:10Eu podia ficar decorando
55:10a casa o dia inteiro.
55:12Meu jardim,
55:13no sítio...
55:14Você colocou no Pinterest?
55:16Não,
55:16mas eu já saíu
55:17em lugares.
55:19E eu...
55:20Enfim,
55:21é...
55:22Decoração,
55:22porque assim,
55:22eu gosto de fazer isso,
55:23sabe?
55:24Eu gosto de mudar as coisas
55:26de lugar,
55:26pintar,
55:27então, assim,
55:27eu acho que
55:28de ideia,
55:29eu diria comprar
55:30e reformar a minha casa.
55:31dentista,
55:32publicitária,
55:33decoradora,
55:34então.
55:34Poderia ser decoradora.
55:36Então,
55:36mas isso que você...
55:36Gostaria,
55:37se quiserem me contratar.
55:39Ó,
55:39fica a dica.
55:40Mas,
55:41o Val,
55:41então,
55:42assim,
55:42o grande recado aqui
55:44que você deu,
55:44um dos,
55:45um dos,
55:46é de tomar decisões importantes,
55:48mesmo com medo
55:49de que dê errado,
55:50né?
55:50E aí,
55:51como que você aprendeu...
55:51Confio em você.
55:52Como que você aprendeu
55:53a lidar com o medo
55:54e com a possibilidade
55:55de ser um fracasso?
55:58Eu,
55:58pelo menos,
55:59eu faço um exercício
55:59de qual é o pior cenário possível.
56:02Qual é o pior cenário possível?
56:04Eu sempre faço isso.
56:04Então,
56:04é isso que eu falei.
56:05Putz,
56:05se não der certo,
56:07qual é o pior cenário possível?
56:09Volto para trás
56:09e peço emprego para alguém.
56:10Não vou ser CEO,
56:11não vou,
56:11mas não vou,
56:12vou de fome.
56:13Entendeu?
56:14Qual é o pior
56:15que pode acontecer?
56:17Eu acho que a gente
56:20fantasia
56:21o pior cenário sempre.
56:23E a outra,
56:23eu tenho até uma plaquinha
56:24que a Cláudia,
56:25que trabalha comigo,
56:26me deu,
56:26a vida é muito curta
56:28para fazer uma coisa só.
56:31Muito curta.
56:32Pelo menos para mim,
56:33assim, sabe?
56:33Eu tenho,
56:34experimentar ter feito
56:35várias coisas,
56:36eu não conseguiria fazer
56:37muito tempo a mesma coisa.
56:39E tem uma grande,
56:41grande ou pequena coisa
56:42que você quer experimentar
56:44num futuro próximo?
56:46Sim.
56:47Eu gostaria muito
56:48de morar numa cidade
56:49bem pequenininha.
56:51Bem pequenininha.
56:52Bem quanto?
56:53Tipo?
56:54Máximo cinco mil habitantes.
56:57pequena, sabe?
56:58Eu tenho o sonho
56:59de morar num lugar
57:02não necessariamente
57:03fora do Brasil,
57:04mas sem essa
57:07coisa de São Paulo,
57:09sabe?
57:10Pequena,
57:10pequena mesmo.
57:11Pequena que você conheça
57:12todo mundo,
57:13que você ande a pé,
57:15que você faça as suas coisas,
57:17sabe?
57:18Meio autossuficiente.
57:19Eu gosto disso.
57:21Que você possa ver o Porto Sol,
57:23que você possa desacelerar.
57:25No momento,
57:26é meu sonho.
57:27E que você pretende
57:28fazer isso?
57:29Eu pretendo,
57:30e não é só por causa
57:31da GUT.
57:32Mas eu tenho
57:33uma filha
57:34de 11 anos ainda.
57:35Não posso ir
57:36para um lugar desse.
57:37O que eu faço
57:37com a educação dela?
57:39Pelo menos,
57:40né?
57:41Eu acho que,
57:42dependendo da cidade,
57:43no Brasil,
57:44pequena,
57:44seria um gap muito grande
57:46para a educação dela.
57:47Então,
57:47se é aqui,
57:48se é fora.
57:50Então,
57:51ao mesmo tempo
57:52que eu quero isso,
57:53eu quero estar
57:53perto da minha família.
57:54Então,
57:54como eu equalizo isso,
57:56sabe?
57:56Mas,
57:56meu sonho é esse,
57:58no momento.
57:59Morar num lugar pequeno,
58:01calmo,
58:01e de preferência frio.
58:03E aí,
58:03você pode ser decoradora?
58:06Posso.
58:07Posso fazer qualquer coisa.
58:09É isso que eu falo.
58:10Se você tem vontade,
58:11você faz qualquer coisa,
58:13gente.
58:13Faz pão de queijo e vende.
58:14Faz...
58:15Isso aí,
58:16a gente dá
58:16sempre por jeito.
58:18Obrigada,
58:18Val,
58:19pela sua participação
58:20aqui na ideia.
58:21Foi um prazer
58:21falar com você.
58:22Obrigada.
58:23Até a próxima.
58:23Até.
58:24Continue acompanhando
58:25a ideia
58:26no YouTube,
58:27no stream
58:27de sua preferência
58:29e siga as páginas
58:30do Meio Mensagem
58:31para não perder
58:31nenhum episódio.
58:33Os episódios
58:34são gravados
58:34no Content Club
58:35em São Paulo.
58:36Até a próxima.
58:37Até a próxima.ام
58:39E
58:52Transcrição e Legendas Pedro Negri
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