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Mesmo com a inflação dentro da margem de tolerância, o Brasil mantém uma das maiores taxas de juros reais do mundo, atualmente em 15%. No Fast Money, o economista da GO Associados, Luccas Saqueto, explica que a cautela do Banco Central reflete a preocupação com as expectativas de inflação futura para 2026, que ainda superam a meta de 3%.

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Transcrição
00:00Estamos de volta com Fast Money ao vivo e olha, mesmo com a inflação em desaceleração,
00:05o Brasil mantém uma das maiores taxas reais de juros do mundo.
00:10A política monetária segue altamente restritiva, o que limita o crédito,
00:14desestimula o investimento produtivo e freia o crescimento econômico.
00:19Com a taxa básica elevada, empresas adiam planos de expansão,
00:23o consumo é comprimido e o custo da dívida pública aumenta de forma significativa.
00:29Eu vou conversar sobre isso agora ao vivo com o Lucas Saqueto, que é economista da GO Associados.
00:35Lucas, tudo bem? Boa tarde. Bem-vindo ao Fast Money.
00:38Boa tarde, Natália. Obrigado pelo convite. Boa tarde também aos espectadores da CNBC.
00:43Vamos lá. É carnaval, mas precisamos falar disso, porque o ano pra valer diz que começa amanhã, né, Lucas?
00:49E todo mundo contando os dias para a próxima reunião do Copom, não?
00:54Sim, eu acho que a expectativa, Natália, da próxima reunião do Copom, você destacou muito bem, né?
01:00A gente, o Brasil, tem convivido com juros muito elevados durante muito tempo.
01:04A gente está num patamar de juros de dois dígitos desde 2022.
01:09Teve até um ciclo de corte durante esse período, depois a taxa aumentou, ficou em 15%, né?
01:14Se estabilizou em 15% desde junho do ano passado.
01:18E a expectativa é que na reunião de março do Copom, isso foi sinalizado na ultimata, né?
01:23Da reunião de janeiro, tenha um corte.
01:25O Copom ainda não sinalizou de quanto vai ser esse corte na taxa seria,
01:28que a expectativa do mercado é que seja um corte de pelo menos meio ponto percentual, né?
01:32A taxa caia de 15% para 14,5%, mas ainda assim, a gente está falando aí de uma das
01:37taxas de juros mais altas do mundo,
01:39quando a gente considera a taxa real, né?
01:41Descontada a inflação, o que é um problema para a economia real também, né?
01:44A gente, é como se o Banco Central, por razões justificáveis,
01:49estivesse pisando no freio na economia para ajudar a trazer a inflação para mais próximo, né?
01:55Do centro da meta que foi estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
02:00Então, a expectativa é grande dessa reunião do Copom de março.
02:04Uma para saber a dimensão, né?
02:06E se de fato vai se confirmar esse início de ciclo de cortes.
02:09E o Copom, tradicionalmente, sinaliza também o que vai fazer na próxima reunião.
02:12Claro, mantidas as condições da economia.
02:16Então, a gente vai saber qual que é a dimensão do corte em março.
02:19E também, mais ou menos, o que vai acontecer nas próximas reuniões.
02:23Agora, como você disse, né?
02:25A expectativa e a aposta de muita gente é por um corte de meio ponto percentual.
02:29Pode ser que venha menos, né?
02:310,25%.
02:32Enfim, de qualquer maneira, não é uma coisa que muda o cenário,
02:36que mude o cenário e a gente vai seguir com uma das taxas de juros mais altas do mundo, né,
02:42Lucas?
02:42Agora, a inflação está desacelerando, né?
02:45Você, na sua leitura, há um excesso de cautela?
02:48Esses cortes já poderiam ter começado?
02:52Natália, eu acho que a observação é boa.
02:54E aí, a gente precisa olhar para o que o Banco Central mira quando ele decide sobre a taxa de
02:58juros.
02:58Na verdade, a gente vê a inflação passada desacelerando.
03:01O que o Banco Central mira quando ele decide a taxa de juros é o que vai acontecer ou a
03:04expectativa do mercado com a inflação futura.
03:07Se a gente olhar para a pesquisa Fox, por exemplo, a mediana das expectativas do mercado está em torno de
03:12que a inflação termine em 2026
03:15acima ainda do que foi estabelecido pela meta, né, de 3%.
03:20A perspectiva do mercado é de uma inflação de 3,97% em 2026.
03:26Portanto, ainda acima da meta, o Banco Central tem um mandato para decidir e para agir para trazer a inflação
03:32para o centro da meta e não só para as margens ali.
03:35Então, de fato, é uma política bastante recetiva.
03:38Eu imagino que todo o setor produtivo olhe para uma taxa de juros dessa e torça para que a taxa
03:44de fato caia.
03:45Mas o Banco Central, mais do que por vontade própria, faz uma análise de como a realidade está e de
03:51como ele pode agir para trazer essa inflação para o centro da meta.
03:54Aí a gente tem que destacar que o Brasil ainda passa por um cenário de bastante incerteza fiscal, né.
03:59A gente vê uma dificuldade muito grande do governo de equilibrar as contas públicas.
04:04A gente está falando de um ano eleitoral, onde essa dificuldade é ainda maior.
04:07A incerteza política também é ainda maior.
04:10E os juros é um prêmio sobre o risco.
04:11Quanto maior o risco, maior os juros.
04:14O Banco Central, vamos dizer, mais constata isso e decide do que ali alguma iniciativa própria.
04:20Então, eu não diria que é algo muito além daquilo que deveria ser feito.
04:25Eu acho que, mesmo com a mudança de gestão na presidência do Banco Central, o Banco Central tem feito um
04:30trabalho muito técnico e muito à margem de influências políticas.
04:34E isso é bom para a economia.
04:36Se do lado político, legislativo, executivo, fizessem a eleição de caso também, a gente já teria um juros mais baixo,
04:43Natália.
04:43O que, infelizmente, não acontece muito por causa dessas questões mesmo.
04:48Eu acho que o ciclo de corte vai ser iniciado, tudo indica agora em março, e é como deveria acontecer
04:54mesmo.
04:54As expectativas de inflação ainda estão altas, de acordo com a meta.
04:58Então, o Banco Central age de acordo com isso.
05:01A inflação tem caído mesmo, isso é fato, já está em 4,4% no acumulado de 12 meses, já
05:07está na margem de tolerância da meta de inflação, mas ainda assim a expectativa futura é razoavelmente grande.
05:13Por isso, essa postura mais conservadora do Banco Central e manter a SELIC em 15%.
05:18E aí, Natália, se me permite também um comentário, eu acho que é importante a gente olhar para os Estados
05:23Unidos.
05:24Há uma sinalização, os Estados Unidos é uma referência na política monetária também.
05:29Lá, o FED, o equivalente ao Copom aqui, ao Banco Central, manteve a taxa de juros.
05:35A expectativa é que um corte aconteça só em meados do ano, e isso ajuda aqui também, na expectativa de
05:41um corte, talvez um ciclo mais elevado,
05:43a depender de como a política monetária lá dos Estados Unidos vai ser conduzida.
05:47Então, eu acho que tem os fatores internos que deixam a taxa, que pressionam o Banco Central a deixar a
05:53taxa mais alta,
05:53mas por outra expectativa externa, talvez uma redução, um corte na taxa dos Estados Unidos, ajude o Banco Central também
06:01a acelerar,
06:02ou pelo menos aumentar um pouco a magnitude do corte aqui no Brasil.
06:06Lucas, enquanto isso, tem muito investidor ganhando dinheiro, aplicando aí, tirando proveito desses juros altos,
06:12mas a gente mencionou aqui vários setores da economia sofrendo com as restrições, com o custo do crédito, do capital.
06:20Na prática, que setores você vê mais penalizados hoje, mais sufocados com essa taxa de juros?
06:27Eu acho que todos os setores da economia, da economia real, da economia produtiva, sofrem quando a gente vê uma
06:33taxa de juros muito alta.
06:34Mas aqueles setores que planejam investimentos de longo prazo, que uma planta industrial, por exemplo,
06:40ela precisa de muito crédito e é um investimento de um longuíssimo prazo.
06:45Para você fazer esse tipo de investimento, contraindo um juros muito alto, ele fica enviado.
06:50De fato, não tem sentido, se ele quer 15%, você fazer esse tipo de investimento.
06:56Então, eu acho que todos aqueles setores que, para investir, que para ter uma planta nova,
07:01para aumentar a sua produção, precisam de contrair algum tipo de crédito,
07:06que tem dentro do mercado de crédito, vão sofrer com uma taxa de juros dessa dimensão.
07:11Eu destacaria, por exemplo, um setor que a gente, na Rua Associada, acompanha bastante,
07:14que é o setor de saneamento.
07:16A gente viu, ao longo desses últimos anos, muitos investimentos, concessões,
07:20e o setor com apetite de investir, mas com uma taxa de juros a 15%,
07:25fica vários desses investimentos de um setor que a gente é tão carente,
07:28o Brasil ainda tem números vergonhosos para o saneamento básico,
07:33ficam comprometidos com uma Selic a 15%.
07:35Quem sabe com uma taxa um pouco mais baixa, a gente pode ver avançar esses investimentos
07:40e setores importantes como o saneamento avançarem também para a economia voltar
07:45para um ritmo de crescimento mais acelerado.
07:48No ano passado, a expectativa é de uma economia que cresceu mais de 3% esse ano,
07:53menos de 2%.
07:54Então, realmente, a gente está com um pé no freio aí na economia.
07:58Lucas, eu também queria te ouvir sobre o dólar.
08:00Você vê espaço para que continue caindo?
08:03Ele anda bem volátil, não é?
08:06É, eu acho que a gente tem ingredientes que tem ajudado a queda do dólar
08:12são mais uma conjuntura internacional.
08:14Um apetite maior a risco de investidores de fora, etc., que fizeram com que o Brasil atraísse,
08:20o Ibovespa também batendo vários recordes, atraísse bastante investimento.
08:24E tem sido uma tendência de outros países também.
08:27A gente vê outras moedas de países emergentes também se valorizando frente ao dólar.
08:31Eu acho que aqui a gente tem um ingrediente, e aí é uma coisa brasileira, que são as eleições.
08:36E isso pode, inclusive, acentuar essa volatilidade do dólar.
08:39Eu acho que tem espaço ainda para uma queda, e ali não acho que o dólar vai voltar a um
08:45patamar muito menor do que está hoje,
08:47mas tem espaço ainda para uma queda.
08:49O que eu destacaria é que agora, como você comentou no começo da nossa conversa aqui, Natália,
08:54a gente está começando o ano no Brasil.
08:56Eu acho que depois da quarta-feira de cinza, a eleição vai entrar aí como a principal pauta do país,
09:02até pelo menos outubro, e isso pode aumentar muito a volatilidade.
09:06A gente vai começar a conhecer as equipes econômicas dos candidatos favoritos, etc.,
09:11e o mercado reage a isso, reage com maior ou menor apetite a risco, e isso tem um impacto no
09:16câmbio.
09:17Então, eu acho que a gente pode ver até nos próximos dias uma queda um pouco maior do dólar,
09:21mas a volatilidade, por questões internas, deve aumentar aí logo depois da quarta-feira de cinza.
09:282026 promete.
09:29Quero agradecer, Lucas Saqueto, economista da Geo Associados,
09:32pela participação com a gente ao vivo aqui nessa terça-feira.
09:35Muito obrigada e bom finalzinho de carnaval por aí.
09:39Eu que agradeço, obrigado e espero que a Roda de Ouro ganhe o carnaval aqui de São Paulo daqui a
09:43pouco.
09:44Ah, é verdade, vamos ficar de olho nesse resultado.
09:46Tchau, tchau, boa sorte.
09:48Tchau, tchau.
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