Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O dólar recuou ao menor nível em 20 meses, em meio à valorização dos ativos brasileiros e à expectativa da Super Quarta, com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Em entrevista, Juliana Inhasz, professora de economia do Insper e head de economia da Anefac, analisa os fatores que pressionaram o câmbio, o impacto do fluxo estrangeiro, o diferencial de juros entre Brasil e EUA e como os comunicados do Copom e do Federal Reserve podem influenciar o dólar nos próximos dias.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Estou de volta para falar mais sobre esse recorde da Bolsa e a super quarta.
00:05Eu vou conversar agora com Juliana Inhaz, ela é professora de economia do ISPER e
00:10Red de Economia da ANEFAC.
00:12Juliana, boa noite e sempre bom conversar com você.
00:16Oi, Cris, boa noite, é um prazer estar com vocês.
00:18Bom, claro, começando por Ibovespa B3, bateu mais um recorde hoje, ultrapassando 180 mil
00:25pontos no fechamento, durante o dia foi até mais alto, 183 mil.
00:30Quais setores ou ações tiveram maior impacto no desempenho da Bolsa hoje, Juliana?
00:37O que a gente está vendo muito, Cris, é um desempenho muito bom para bancos, para commodities,
00:42que são as ações que estão ali com boa parte, uma concentração interessante no índice.
00:48É o que tem feito, inclusive, o que tem atraído bastante o pessoal para a Bolsa brasileira.
00:54É óbvio, não só isso, a gente também tem juros altos que atraem bastante capital
00:59para cá, mas, sem dúvida, essa composição e essa concentração do índice tem favorecido
01:06muito a Bolsa brasileira, a gente está vendo esses resultados recordes.
01:10Bom, vamos falar da super quarta?
01:11Amanhã, decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
01:15Qual é a sua expectativa?
01:17Taxa deve ficar inalterada tanto lá quanto aqui?
01:20Eu estou apostando nessa composição, nessa combinação, Cris.
01:26Acho que a gente tem lá fora elementos para acreditar que a taxa de juros se mantém.
01:32A gente tem visto ainda uma inflação resiliente, o mercado de trabalho também muito resiliente,
01:38que tem preocupado bastante a economia americana.
01:41E a gente tem visto ainda o Fed muito duro, tentando segurar pressões para reduções da taxa.
01:48Talvez essa realidade mude a partir de maio, mas até lá, muito provavelmente,
01:52a gente ainda vai ver um Fed um pouco mais duro, mais hawkish, do jeito como a gente gosta de dizer,
01:59um pouco mais firme.
02:00Da mesma forma, aqui a gente também tem questões que precisam ser levadas em consideração.
02:06A gente ainda tem expectativas que estão um pouco desancoradas,
02:09a gente ainda tem uma inflação de serviços que preocupa e que pode fazer com que a dinâmica inflacionária
02:17ainda fique persistente.
02:19A gente tem volatilidades inúmeras pelo caminho, a gente tem em um ano eleitoral
02:23e a questão fiscal ainda não está resolvida.
02:26A gente também tem que pensar e colocar dentro dessa conta o fato de que o Banco Central,
02:32na verdade, perdão, o Comitê de Política Monetária,
02:34segue nessa reunião com menos diretores por conta dos sinais de mandatos de dois diretores
02:40que ainda vão ser repostos.
02:44Então, a gente muito provavelmente vai ver,
02:47e acho que é a minha expectativa, assim como de uma parte significante do mercado,
02:51um Banco Central aqui no Brasil um pouco mais cauteloso,
02:55mas muito provavelmente mudando o tom.
02:57Talvez lá nos Estados Unidos a gente ainda tenha um tom mais forte nos comunicados,
03:02mostrando essa grande preocupação.
03:05Aqui, amanhã, a gente já deve começar a ter um tom mais leve no comunicado,
03:10deve se replicar na ata que vem logo na sequência,
03:15mostrando que a gente deve, muito provavelmente, em breve começar essa trajetória de queda de juros.
03:21Muito provavelmente você acredita que será já na próxima reunião, depois dessa, em março?
03:27Eu acho que quando a gente coloca nessa conta os elementos não só econômicos,
03:32mas também o contexto institucional, político, eu acho que é muito provável.
03:37Eu não sei, eu particularmente acho que talvez o primeiro semestre ainda seja cedo,
03:44olhando os fundamentos econômicos, para começar uma grande trajetória de queda.
03:49Me preocupa ainda muito o núcleo da inflação elevada,
03:52me preocupa muito a inflação de serviços,
03:55acho que a gente tem aí uma pressão forte ao longo desse ano,
03:59que vai vir desse grupo e que pode desancorar novamente expectativas.
04:03Então, eu tenho um certo receio de que uma precipitação na redução da taxa de juros
04:09possa, na verdade, agir numa contracorrente,
04:13ajudando até a desancorar parte das expectativas.
04:16Mas quando a gente coloca os elementos políticos e tudo que está em jogo dentro desse ano,
04:20eu acho que muito dificilmente o Banco Central vai, o Copom no caso,
04:24vai segurar essa taxa alta aí em 15% até o final do primeiro semestre.
04:30Acho que em março a gente deve começar talvez uma trajetória vagarosa de queda,
04:35até para que a gente consiga sentir aí o ambiente,
04:39para que essa queda continue acontecendo até o final do ano.
04:42Eu vou passar para o Vinícius Torres Freire.
04:44Vinícius.
04:45Juliana, boa noite.
04:47A gente está vendo aqui no Brasil um movimento que vai além agora
04:52do que está acontecendo com todos os emergentes desde o ano passado.
04:55Está tendo uma valorização dos ativos brasileiros
04:57que está se descolando daquela do resto dos emergentes,
05:01que é um movimento que foi muito evidente no ano passado, por vários motivos.
05:05Mas aqui no Brasil, a gente está vendo agora uma alta geral,
05:09além da conta do resto dos emergentes.
05:11O que dá para explicar essa alta recente, esse descolamento brasileiro?
05:16Porque a Bolsa está indo muito rápido,
05:19a gente está vendo uma valorização do câmbio além da conta,
05:22e até agora a gente está vendo melhora nas taxas de juros de mais longo prazo,
05:27que estavam meio paradinhas, agora estão melhorando também.
05:30Tem alguma explicação específica recente para o Brasil?
05:34Vinícius, boa noite.
05:35Acho que quando eu vejo esse resultado,
05:38para mim o que me aparece como explicação primeiro,
05:40acho que a gente tem ainda um Brasil barato.
05:44Então, se a gente for olhar o Brasil frente a outros emergentes,
05:47os ativos aqui ainda são baratos.
05:50A gente tem durante o ano de 25 um certo cupom cambial bem relativo,
05:56bem expressivo.
05:57A gente começou o ano com uma taxa de câmbio elevada,
06:00a taxa de câmbio no final do ano já estava bem mais baixa,
06:03o que fez com que muita gente acabasse, claro, realizando lucro.
06:07Então, isso aumenta e traz uma atratividade maior para os ativos.
06:13Aqui a gente tem uma taxa de juros alta.
06:15Acho que essa expectativa também de um juros que vai começar a cair,
06:19também ajuda a valorizar bastante esses ativos dentro do mercado de renda variável
06:24e os ativos no geral aqui dentro.
06:26Então, na minha cabeça, eu acho que são esses pontos que ficam mais evidentes.
06:30Agora, também tem a questão de que o Brasil, relativamente a outros emergentes,
06:35parece ter conseguido uma relativa estabilidade maior,
06:39apesar de uma taxa de juros muito elevada, de uma dívida pública que sobe.
06:44Acho que a pergunta é até quando a gente consegue sustentar esse cenário.
06:48E como é que as decisões de juros, tanto do FED quanto do Banco Central,
06:53aqui do Brasil, nessa super quarta, podem impactar dólar, juros futuros,
06:59a própria Bolsa, nos próximos dias, Juliana?
07:03Bom, acho que amanhã é um dia que a gente vai ter volatilidade.
07:06É natural a espera por esses resultados,
07:09e acho que especialmente pelo resultado, talvez, da economia americana,
07:12porque acho que também está todo mundo muito alinhado
07:16de que muito provavelmente existe uma grande probabilidade
07:19dessa taxa lá fora ser mantida,
07:21mas a questão é qual a sinalização que os comunicados,
07:25as atas vão trazer para que a gente entenda
07:27quando as taxas de juros lá vão começar a cair.
07:30Então, isso pode trazer uma volatilidade
07:32que não é desprezível dentro do mercado brasileiro,
07:37se a taxa de juros lá for mantida
07:39e a taxa de juros aqui também for mantida.
07:42Essa volatilidade muito provavelmente começa a dissipar,
07:46mas aí o tom das atas pode trazer aí uma expectativa
07:50que começa a mudar, ou pelo menos gera pressões
07:53sobre as taxas de câmbio ao longo dos próximos dias.
07:56Muito provavelmente, Cris, o que vai acontecer aqui lá,
07:59o tom ainda vem forte, mostrando uma manutenção mais dura,
08:03aqui a gente começa a sinalizar eventualmente uma queda.
08:07Esse cenário, ele de alguma forma,
08:09começa a sinalizar uma redução da taxa de juros real aqui,
08:14ou pelo menos uma intenção de uma redução da taxa de juros real aqui,
08:18o que pode fortalecer num primeiro momento,
08:21ou auxiliar o fortalecimento da taxa da moeda americana,
08:25em detrimento da moeda brasileira,
08:27porque aí, claro, se a gente começar breve a trajetória de queda,
08:30e lá isso não acontecer de uma forma tão rápida,
08:33o diferencial de juros daqui frente à economia americana estreita,
08:38e aí a gente provavelmente vai estar deixando de atrair uma parte
08:42desses investidores.
08:43Mas a gente ainda vai ter uma taxa real altíssima, elevadíssima,
08:48e certamente ainda vai conseguir conferir aí uma atratividade boa
08:51para esse investidor lá fora.
08:53Juliana, muito obrigada, sempre muito bom te ouvir,
08:56boa semana para você e até a próxima, boa noite.
09:00Obrigada, boa noite.
Comentários

Recomendado