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O Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano, a mais alta em quase 20 anos. Lauro Sawamura Kubo, gestor da Patagônia Capital, analisou os impactos dessa manutenção para a inflação, bolsa e crédito no Brasil.

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Transcrição
00:00E o Banco Central divulgou mais cedo a ata da reunião do Comitê de Política Monetária,
00:05que manteve pela quarta vez seguida a taxa básica de juros em 15% ao ano, a mais alta em quase 20 anos.
00:13De acordo com o texto da última reunião, o colegiado reforçou que a estratégia de manter o patamar dos juros
00:19por um período bastante prolongado ainda é adequada para levar a inflação à meta.
00:25Vamos entender então um pouco melhor o que isso significa com o Lauro Sawamura Kubo,
00:32que é gestor de fundos de investimento da Patagônia Capital.
00:36Oi Lauro, seja muito bem-vindo aqui ao Fast Money.
00:39Muito obrigada pela sua participação ao vivo com a gente.
00:43Boa tarde, Paula. Eu que agradeço o convite aqui, eu e a Patagônia.
00:47Obrigada. A gente também agradece a sua participação.
00:50Lauro, a gente comentou aí na chamada, é o maior nível em quase 20 anos,
00:55é a quarta manutenção já seguida do juro nesse patamar e o mercado financeiro a gente vê aí dividido
01:02sobre o momento em que o Copom vai começar de fato a reduzir a taxa Selic.
01:06Como que você analisa essa leitura, essa postura do Banco Central?
01:11Paula, a gente tinha uma certa esperança até de ter cortes de juros no começo do ano que vem,
01:20de 2026, o mercado como um todo, mas com essa ata aqui eu acho que já essa expectativa diminuiu muito.
01:27E por quê? O Copom reforçou aqui a questão de manter agora uma política monetária mais restritiva
01:34ao longo do tempo, agora nos próximos, por mais tempo, mais prolongado.
01:39E isso ele reforçou muito, porque ainda assim também ele não tem dados tão concretos
01:43que o mercado de trabalho de fato está arrefecendo de maneira estrutural
01:47para que possa baixar os juros e não ter, de repente, um descontrole de inflação.
01:51E também uma desencoragem na expectativa de inflação de fato,
01:55de ela ficar mais baixa por mais tempo.
01:57E além de tudo, eu acho que o principal motivo é que nesses últimos meses
02:02o mercado manteve essa taxa de juros tão elevada, a expectativa de taxa de juros tão alta.
02:07E o Copom respondendo com a Selic nesse patamar bastante alto é o risco fiscal.
02:12Então, a inflação, querendo ou não, não que ela está a 3% na meta,
02:17mas já está entrando nessas bandas, até 4,5%,
02:21mercado de trabalho razoável, de certa forma, mas o risco fiscal pesou bastante.
02:25Mas ainda assim o Banco Central disse, por esses fatores ali,
02:29ainda não tem uma certeza que o mercado de trabalho vai esfriar de maneira estrutural
02:33e a inflação também vai ficar mais baixa por mais tempo, trouxe esse receio.
02:38E ainda o Banco Central reforçou a questão de fatores externos.
02:42A gente já vem com uma incerteza exterior, principalmente Estados Unidos,
02:47tanto com essas questões geopolíticas que vêm acontecendo,
02:49o risco fiscal, inclusive, até lá, que poderia, de repente, importar certa inflação,
02:53também ter esse receio, além dos nossos próprios problemas locais.
02:57Agora, Lauro, o Banco Central voltou a destacar na Nata as expectativas de inflação desancoradas.
03:03Você mencionou na sua resposta anterior que um dos principais, se não o mais,
03:08o maior, o principal risco seria a política fiscal.
03:11Mas, ao seu ver, existe também o risco no mercado e no comportamento dos preços dos serviços?
03:17Sim, tá? Eu acho que sim, teria apontando em todos os sentidos, tá?
03:24Porque, justamente, o Banco Central indicou isso na ata do Copom,
03:29indicou isso na sua ata, que ainda tem essa preocupação nessa questão de mercado de trabalho,
03:34na questão dos serviços, quando eu olho a questão da inflação,
03:37que poderia ajudar a inflação a ficar mais alta por mais tempo, tá bom?
03:41Então, tem esses fatos que ainda não são concretos, ainda não deram indícios concretos
03:47para o Copom ali, no caso, foi aquele que acabou citando Nata,
03:50que poderia arrefecer, começar a ter cortes de juros mais rápidos.
03:54A gente acredita ainda que vai ter cortes de juros, né, Paulo, ano que vem,
03:58só que essa expectativa, né, a gente vê pela própria curva de juros ali,
04:01olhando para a precificação de janeiro e fevereiro,
04:04que vai ter já uma próxima reunião do Copom no final de janeiro,
04:06já não tem mais fevereiro de corte, né,
04:10já voltou a precificar ali os seus 15% de selic, né, 14,90% de BI,
04:14então já começa a postergar um pouco mais ali os cortes de juros
04:17pelo que a gente olha na própria curva, né,
04:19talvez março ali, que é a próxima reunião, ou até um pouco mais para frente.
04:23E ainda a gente sabe que é um risco também, né,
04:25voltando no risco fiscal que eu comentei, é um ano de eleição, né,
04:28então pode também ter questões populistas, né, mais gastos, etc.,
04:32que também causa de comerceio no mercado para manter essa precificação mais alta, né,
04:35além do próprio Copom ter confirmado esses juros mais altos por mais tempo.
04:39Claro, e a gente viu também o mercado indo ali em direções bastante contrárias, né,
04:44isso dividiu opiniões, porque até o Ibovespa também perdeu a resistência ali
04:49dos 160 e 2, 160 mil pontos,
04:52e isso muito também veio por conta dessa demora aí para cortar a taxa de juros, né?
05:02Perfeito, Paulo.
05:02Juros mais altos a gente tem doce para baixo, né, justamente, né,
05:05a gente recebeu essa precificação ali de fluxo de caixa descontado
05:09pela taxa de juros para poder precificar as ações,
05:12além, né, de poder melhorar consumo, etc.,
05:15mas com isso, né, com essa expectativa agora dos juros,
05:19a queda de juros postergar,
05:21teve esse efeito aí na Bolsa,
05:24a gente viu que, de fato, então não estava toda precificada, né,
05:26porque hoje está com uma queda significativa, né,
05:29após essa ata do Copom.
05:30E na sua opinião, a inflação de serviços ainda segue resistente,
05:36o que ainda impede uma desaceleração mais consistente,
05:40pensando do ponto de vista desse componente, né?
05:45É, assim, acho que é difícil falar tudo,
05:48tudo, Paulo, assim, que pode estar impactando as questões de serviços, né,
05:52então é o que a gente acaba olhando mais,
05:55porque acaba sendo algo estrutural,
05:57mais estrutural ali, de repente, no componente da inflação,
06:00e o que poderia, né, deixar ela ter impacto maior,
06:03que às vezes, né, questões de alimentos,
06:05outras coisas, assim, tem uma questão de prescrição de comodity, né,
06:07que ela acaba sendo muito volátil e tudo mais.
06:11Mas essa questão de serviços, né,
06:13então, enfim, a gente,
06:14é uma preocupação que a gente fica vendo como maior,
06:17porque pode ser mais estrutural, né,
06:19e, com isso, não deixar a inflação de longo prazo,
06:22de fato, ter uma queda mais sustentável, tá bom?
06:26Então, assim, alguns fatores, né, a gente falou,
06:29desse próprio fiscal mesmo, né,
06:30como, de repente, a gente não ter, de fato,
06:34alguns gastos maiores ali,
06:36isso pode impedir, de repente, ter,
06:38nas questões de serviços,
06:39terem preços menores, né,
06:40pressionar para, de fato, arrefecer,
06:43então, acaba tendo impacto, né,
06:44tudo está ligado, justamente, até esse risco fiscal
06:46com a questão desse serviço, eu vejo muito isso, tá?
06:49Porque, assim, se eu tenho mais gastos ali possíveis,
06:51é mais difícil até eu também ter uma pressão menor ali
06:54para os serviços nessas,
06:56essa inflação de serviços poder diminuir também.
07:00Muito obrigada pelas suas explicações,
07:02por essa entrevista.
07:03Você aí de casa acompanhou a entrevista
07:06com o Lauro Sawamura Cubo,
07:07que é gestor de fundos de investimento
07:09da Patagônia Capital.
07:11Lauro, muito obrigada,
07:12uma boa semana para você e até a próxima.
07:16Obrigado, Paula, eu que agradeço.
07:17Tchau.
07:18E o próximo...
07:20E o próximo...
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