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O professor Manuel Furriella, reitor da FMU, analisou a primeira rodada de negociações entre Lula e Trump, destacando o potencial fim das sobretaxas de 50% e o impacto estratégico para carne, café, laranja e siderurgia. Rodrigo Loureiro trouxe dados sobre preços e abastecimento nos EUA, mostrando ganhos e riscos para o Brasil.

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Transcrição
00:00Chamo mais um convidado aqui para a gente agregar e edificar a nossa cobertura e a nossa conversa.
00:07Sobre, então, o encontro que o Lula e o Trump tiveram, agora quem nos ajuda a desembaraçar esse nó
00:13é Manuel Furriella, professor de Relações Internacionais e reitor da FNU aqui em São Paulo.
00:21Bom dia, professor. Seja muito bem-vindo.
00:23Nós estamos fazendo aqui um enorme exercício de futurologia
00:27para tentar entender o que a gente capta nesses primeiros gestos,
00:32porque os dois presidentes falaram, falaram, falaram, mas não disseram muita coisa.
00:38O chanceler Mauro Vieira veio a público, fez ali um discurso protocolar, portas abertas,
00:45um primeiro momento, vai haver novas rodadas de negociações.
00:50Uma mensagem da chancelaria brasileira do Itamaraty, agora há pouco,
00:54é que já à noite, na Malásia, esta segunda rodada entre as equipes deve acontecer ainda esta noite,
01:03mas o saldo, pelo menos no discurso, é que portas estão abertas.
01:09A partir dos poucos recursos que nós temos, poucos dados concretos,
01:14professor Furriella, gostaríamos de ouvir a sua interpretação aí dos fatos.
01:18Bom dia mais uma vez.
01:19Bom, primeiro eu sou otimista em relação ao acordo,
01:25eu acredito que ele tem grande chance de sair por alguns motivos.
01:30O principal deles é que os Estados Unidos precisam abastecer seu mercado interno
01:35de produtos essenciais, isso causa impacto inflacionário e causa desabastecimento.
01:41Então, carne, café, laranja, só para a gente citar alguns deles,
01:47não são recompostos na sua totalidade pela produção interna americana
01:53e também não há grandes fornecedores internacionais em termos de qualidade,
01:57em termos de volume, para substituir o Brasil.
02:02Então, esse é o principal fator que leva a esse diálogo e me torna otimista.
02:06O que mais me torna otimista em relação ao acordo?
02:10Que o que fez com que as sobretaxas fossem muito elevadas em relação ao Brasil
02:15foram três fatores.
02:16O primeiro deles é que mudou a régua internacional.
02:19Os Estados Unidos aumentaram as tarifas, as taxas do seu comércio internacional
02:26para o mundo todo entre 10% e 15%, no mínimo.
02:30Então, esse é um ponto.
02:31Segundo ponto, em relação ao Brasil, havia um desgaste e aquela questão que sempre
02:37nortiu as relações diplomáticas brasileiras, que foi o pragmatismo, foi desfeito.
02:43Aí eu atribuo mais culpa ao governo brasileiro em não estabelecer uma relação produtiva,
02:49aliás, como fez em outros momentos, com governos, inclusive, muito diferentes do governo brasileiro,
02:54entre Lula e George Bush Filho, por exemplo.
02:57Mas isso não foi construído.
02:59E o último fator é a questão do presidente Bolsonaro, o ex-presidente Bolsonaro.
03:04O governo americano tem um alinhamento, o governo americano tem uma visão sobre o julgamento
03:12do ex-presidente Bolsonaro no Brasil.
03:14Isso tudo nos fez criar uma taxa de 50% elevadíssima, mais elevada.
03:20E agora eu acho que dá para desconstruir tudo isso.
03:23O primeiro cenário, que é essa nova régua internacional, acho que não dá para a gente fugir muito
03:27e ficar entre 10% e 15%, mas aí se a gente ficar nisso, a gente está como o resto do mundo inteiro.
03:33Então eu acho que aí a gente fica no mesmo padrão.
03:35Então eu não vejo grande problema.
03:37O que dá para voltar atrás, desconstruir e a gente conseguir um novo alinhamento?
03:42A questão da relação entre os países foi restabelecida.
03:46Essa conversa emblemática, pragmatismo voltou, conversa voltou.
03:51Dá para desconstruir um dos fatores que azedava e que fez com que tivesse sobretaxa.
03:56Agora, em relação ao presidente Bolsonaro, eu vejo dois cenários que o governo americano
04:02vai ter que buscar um discurso para manter a crítica, mas vai poder tirar da sobretaxa.
04:08Em dois momentos.
04:09Um é manter sempre essa crítica constante.
04:12Hoje, novamente, isso foi feito.
04:14É uma questão de discurso, é uma questão de apoio.
04:16Mas a outra, que é em relação a sancionar o Brasil, a lei magnística acabou entrando nesse papel.
04:24Então, o governo americano, ao aplicar, e não estou dizendo que é correto aplicar, não é meu ponto.
04:29Estou analisando do lado do governo americano para ele sair dessa situação da sobretaxa.
04:37O que o governo americano pode fazer?
04:39Dizer que as questões de sanção ao Brasil continuam naquela lei e não nas tarifas.
04:45Então, isso tudo, principalmente o interesse americano, mas esse cenário todo, faz com que eu seja otimista.
04:53Se não sair a acordo, realmente tem que ser muito criticado as partes de negociação.
05:00Porque tem tudo para sair, tem interesse dos dois governos e tem aí, digamos, os fatores,
05:07os bodes na sala que haviam e que fizeram com que tivesse a sobretaxa.
05:11Eles podem ser desconstruídos e aí partir-se novamente para um restabelecimento comercial regular.
05:18Professor Fugrela, obrigado pela sua primeira introdução aqui.
05:23É claro que o nosso canal tem um DNA de negócios, né?
05:26A gente tem um olhar mais apurado para a questão de economia e finanças.
05:30Por isso, escalamos aqui o Rodrigo Loureiro, que é o nosso analista de economia e finanças,
05:35a quem eu ponho na nossa conversa, amparado por esse gráfico.
05:39Nós fomos atrás aqui de um recurso visual para mostrar os impactos do tarifácio nos Estados Unidos, né?
05:48Lembrando, eu tenho batido nessa tecla aqui, ao longo dessa nossa cobertura especial,
05:52o ano que vem, eleições legislativas, as chamadas mid-turn elections, né?
05:57Eleições de meio de mandato em que o presidente pode perder governabilidade, perder força.
06:06Os republicanos são maioria na Câmara Baixa, os deputados, na Câmara Alta, os senadores,
06:11e mais da metade dos Estados americanos são governados por republicanos.
06:16Vai até ter eleições governamentais, mas em menor escala.
06:20A gente vai olhar mais para o legislativo.
06:22E a história de alternância de poder nos Estados Unidos, pelo menos na história mais contemporânea,
06:28aponta que, em geral, o presidente perde força nestas mid-turn elections,
06:34quando um é republicano, depois os democratas tendem a ganhar mais força, ou vice-versa.
06:41Então, acredito eu aqui também, numa análise mais pragmática,
06:45que esses números, pesando no bolso do americano, no preço do produto, na prateleira do supermercado,
06:52itens de necessidade básica da classe média, classe média baixa,
06:57pode fazer ou tem feito os Estados Unidos recuarem.
07:00Eu só fiz uma premissa para passar a palavra para quem realmente entende Rodrigo Loureiro,
07:05para que ele seja inserido nessa conversa atresa aqui.
07:08Professor Furriella, muito bom dia.
07:10Obrigado pela sua participação.
07:12Eu vou pegar esse gancho do Favalli, aliás, que professor Marcelo Favalli também.
07:16Estou com dois professores aqui.
07:18Olha só, o que eu queria te perguntar é o seguinte.
07:20É muito mais fácil, no jogo da negociação, você apostar quando você tem as cartas na mão.
07:26Donald Trump tem a sua carta na mão, que é uma economia extremamente forte,
07:30a economia americana é a maior economia do mundo,
07:33é um parceiro importante comercial para diversos países,
07:36para o Brasil é um parceiro importante.
07:39Mas, ao mesmo tempo, a gente tem alguns pontos da economia americana
07:44que não estão ali tão bons, as cartas não vieram tão boas para as mãos de Donald Trump.
07:49Uma dessas cartas é a questão da agropecuária nos Estados Unidos.
07:55O preço da carne nos Estados Unidos já estava subindo,
07:58já estava tendo uma alta pela queda na produção,
08:02queda ali, a pior queda desde a década de 70.
08:06E a gente sabe que o Brasil é um importante parceiro comercial para os Estados Unidos
08:11nessa questão da agropecuária, nessa questão da carne bovina.
08:15A minha pergunta, portanto, é a seguinte.
08:18Donald Trump, com essas tarifas,
08:20ele ignorou que ele, de repente, não tinha uma carta tão forte na mão
08:24quando falou sobre tarifa principalmente para a carne bovina, professor?
08:28Ótimo ponto.
08:32O que acontece é que, num primeiro momento,
08:35o Donald Trump não sabia da importância do abastecimento internacional,
08:39não só brasileiro, para os Estados Unidos.
08:42A economia americana foi construída nos últimos anos,
08:48nas últimas décadas, com algumas premissas.
08:51Uma delas é que o principal abastecimento para os americanos
08:56viria sempre do exterior.
08:58Então, você tinha produtos industrializados,
09:00tinha um da fábrica vindo da China,
09:01você está migrando um pouco para isso,
09:03e produtos agropecuários de vários países,
09:06o Brasil é um deles.
09:08Então, isso já sabia-se que ia ter impactos inflacionários.
09:13De qualquer forma, ele jogou, num primeiro momento,
09:16essas cartas na manga para depois chegar no momento de negociação.
09:20O momento é agora.
09:22E se não houver efetivamente uma recomposição com o Brasil
09:25e com outros parceiros, mas falando aqui especificamente da gente,
09:29você tem um impacto inflacionário, um impacto de desabastecimento
09:34em itens que são importantes ao consumidor americano.
09:37E as eleições que foram mencionadas, as midterms,
09:40além de ter uma questão de recomposição de base de governo,
09:44elas são também um grande termômetro que o presidente americano tem,
09:48além dos índices de popularidade.
09:50Então, esse tipo de questão, efetivamente, tem bastante impacto.
09:54Então, agora chegou a hora de conversar com o Brasil
09:57para reabastecer o mercado interno
09:59e tentar resolver essas questões outras que eu mencionei
10:03para tirar o discurso que foi o motivador da aplicação das tarifas.
10:08Pode dizer que agora não tem mais.
10:09Então, você tem essa questão.
10:11Mas ainda tem o governo americano, apesar dos impactos econômicos e inflacionários,
10:19principalmente como eu mencionei, ele tem sem cartaz na manga.
10:23Ao Brasil é muito mais impactante manter essas tarifas do que o oposto.
10:27Então, o governo brasileiro sabe.
10:30Foi muito dito por muitos economistas e analistas
10:33que essas sobretaristas americanas não teriam muito impacto em geral no Brasil.
10:37Isso é verdade.
10:38Mas existem setores da laranja, da carne, etc.,
10:43que sim, eles têm um impacto, um prejuízo sobre eles.
10:47E o governo brasileiro sabe disso.
10:49Então, agora é um bom momento, sim,
10:52para restabelecer esse diálogo, essa negociação.
10:56Os dois lados, se fizerem, eles saem com conforto político.
11:02Ou seja, não fica aquela impressão de grandes concessões de um lado e do outro.
11:05Então, por isso que eu aposto que seria importante.
11:08E para a economia brasileira, com certeza, seria um grande alívio.
11:12Manter o mercado americano, que inclusive em outros itens também é importante, é fundamental.
11:18Agora, nessa negociação, um alerta que a gente tem que ter
11:21é sobre alguns pontos adicionais que o governo americano vai trazer.
11:25Então, tem as questões que envolvem alguns setores estratégicos,
11:28a questão do ácido e do alumínio, por exemplo,
11:30que muito provavelmente vão continuar protegidas pelos Estados Unidos.
11:36A concessão será em outros setores.
11:38Professor Furiela, a gente está tão sintonizado
11:41que aqui preparamos uma série de linguagens gráficas
11:44para que todo mundo entenda as conexões.
11:47E justamente aparece aqui siderurgia de aço e alumínio.
11:51Eu vou deixar isso para daqui a pouco, porque eu vou amarrar aqui,
11:54vou apresentar outras premissas para que nós três cheguemos a uma conclusão.
11:58Também foi afetado uma indústria têxtil e calçado.
12:03Sobem as tarifas, diminui a demanda.
12:05Existe o impacto dos dois lados, do Brasil que vende menos
12:09e dos Estados Unidos que recebem menos também?
12:12Claro.
12:13Mas têxtil e calçados, existem outros mercados que abastecem os Estados Unidos.
12:18É um problema, talvez em outra escala.
12:21Se a gente for olhar o todo, se a gente for olhar para um logista específico,
12:25é o fim do mundo.
12:27Mas olhando aqui no macro, o impacto de texto e calçados houve, mas não tão grande.
12:33Aí a gente passa para uma outra situação que é comida.
12:38Não só, mas também combustível, porque os americanos conseguem extrair do grão,
12:43do milho, o etanol.
12:45Mas carne, suco de laranja, colocaria aqui também o café.
12:49Como eu falei um pouco mais cedo, impossível a gente desagregar a imagem do americano médio
12:55sem um copo de café.
12:58Eu fui correspondente nos Estados Unidos, morei em Nova York,
13:00não tem um quarteirão que não tem uma cafeteria,
13:03ou de uma grande rede, ou ali de um family business.
13:07É imprescindível a gente pensar o americano sem o café.
13:11Mas a cana-de-açúcar e o milho para combustível.
13:14E aí que eu queria chegar com o senhor, professor Furriella,
13:18esse impacto direto na siderurgia, aço e alumínio,
13:25porque houve um aumento de cotas de aço e alumínio internacionalmente,
13:31porque o Brasil manda alumínio, aço,
13:33chamados produtos semi-acabados, ferro, alumínio e aço.
13:37Brasil faz isso, a Argentina faz isso, dos Estados Unidos,
13:40Coreia do Sul, outros países da Ásia, do Oriente Médio.
13:44A premissa do presidente Donald Trump, a justificativa é,
13:49comprando menos de fora, porque vai ficar mais caro,
13:53eu forço a produção aqui dentro.
13:56Ok, se a gente põe isso no papel, funciona que é uma maravilha.
14:00Mas trazer da teoria para a prática tem um abismo de diferença.
14:04Não é no estalar de dedos, não é no piscar de olhos,
14:07que a siderurgia americana consegue suprir aquilo que não vem mais de fora,
14:15porque ficou mais caro.
14:17Professor Furriella, ele não está colocando o presidente dos Estados Unidos
14:20um freio de mão puxado numa expansão industrial dos Estados Unidos,
14:25justamente num momento em que outros players do outro lado do mundo,
14:30China, Índia, se a gente olhar o Oriente Médio, Arábia Saudita,
14:35estão largando o pé no acelerador para crescer o que não cresceram em séculos passados?
14:41O que acontece aqui, e é uma questão ainda a ser explicada pelo governo americano,
14:49é essa recondução do país à industrialização.
14:52Então, o que acontece é que os Estados Unidos não se configuram mais num país operário
15:00e há muito tempo, e houve uma decisão principalmente nos anos 70 de migração econômica,
15:04onde você tinha transferência de chão de fábrica, digamos assim,
15:08de parques industriais para outros países, a China...
15:11Era o país do momento, e cresceu muito com base nisso.
15:14Por quê? Porque os Estados Unidos imaginavam o americano com outras funções profissionais.
15:20Isso gerava questão de remunerações mais altas, questões de qualidade de vida,
15:25e que também fazia com que os produtos industrializados,
15:28vindo de países onde a mão de obra é barata,
15:31permitisse ao americano acesso a produtos com melhor preço.
15:34Então, era uma lógica construída.
15:36Desfazer agora essa lógica é algo muito controverso,
15:40no mínimo, controverso.
15:42Voltar a industrializar, colocar os americanos novamente como operários,
15:47é um retrocesso econômico nessa questão da lógica que eu mencionei.
15:54Só se o governo americano imagina que em algumas regiões dos Estados Unidos,
15:59isso faça sentido.
16:01Mas, em termos gerais, é uma lógica que muda totalmente o conceito de evolução econômica do país.
16:10De qualquer forma, o setor ciberúrgico americano é obsoleto e já não é de hoje.
16:16Então, numa lógica de reconstrução do país, numa premissa industrial,
16:21esse setor faz todo sentido ser recomposto.
16:23Qualquer país que pretenda apostar em indústria precisa ter um setor ciberúrgico forte,
16:31de outros também, de alumínio também, mas ciberúrgico mais notadamente, consolidado.
16:36Então, esse setor eu duvido que ele vai desproteger novamente.
16:41Aliás, ele protegeu relativamente também no seu primeiro mandato e Joe Biden não mudou essa lógica.
16:47Então, eu acho que essa aposta continua.
16:48A incógnita é qual é a reconstrução econômica que ele imagina para o país.
16:54Essa da industrialização, conforme eu mencionei, ela é, no mínimo, controversa.
16:59A gente está surfando aqui nos temas de economia e finanças.
17:04Eu vou passar a palavra para o Rodrigo Loureiro, nosso analista, justamente nesse setor, professor Furriella.
17:10Professor Furriella, a gente está prevendo ali, a gente está fazendo esse exercício de futurologia,
17:15tentando entender os próximos passos, tentando entender o cenário futuro.
17:21E a gente viu no passado, para tentar entender o futuro, a gente tenta analisar o passado também.
17:26A gente viu no passado o Donald Trump falar muito sobre a questão do tarifácio,
17:29dizendo que os Estados Unidos estavam sendo explorados,
17:32que eles estavam em desvantagem comercial contra diferentes países.
17:37Com o Brasil, a carta que foi enviada ao Brasil foi uma carta diferente,
17:41uma carta que tinha a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
17:45A agenda econômica ficou em segundo plano.
17:48A minha pergunta, professor, é a seguinte.
17:51O quão verdade é que os Estados Unidos realmente estavam sendo explorados,
17:57estavam em desvantagem comercial contra esses outros países?
18:01E com essa tarifa que deve ser aplicada agora,
18:04entre 10% e 15%, pensando num cenário mais positivo,
18:08já que 50% não faz sentido, pensando em 10% a 15%,
18:13o quanto que isso machuca a economia brasileira?
18:17Ótimo ponto.
18:19Realmente, para parar o mundo todo no mesmo pacote como ele fez, é um erro.
18:23Os Estados Unidos realmente têm desvantagens econômicas
18:26em relação a algumas regiões do mundo, alguns países.
18:29Não é o caso do Brasil.
18:31A gente já menciona em várias situações que, inclusive,
18:35a gente importa mais do que exporta para os Estados Unidos.
18:38O Brasil interessa muito por conta de pauta a exportação àquele país,
18:42até porque você tem produtos industrializados e semi-industrializados no pacote,
18:46e não é uma exportação que o Brasil faz em grande volume para outra região do mundo.
18:50Faz para os Estados Unidos.
18:52Para a China, por exemplo, em grandes mercados, vai aí muita commodity.
18:55De qualquer forma, os Estados Unidos acabaram tratando todo mundo na mesma régua,
19:01conforme a expressão que eu utilizei, para o mundo todo.
19:04Eu acho que vai ter um impacto econômico para os Estados Unidos,
19:08de mudança de lógica, de mudança de abastecimento,
19:12um impacto realmente de subida de preços,
19:14e não necessariamente um impacto de crescimento interno
19:18ou de provedores internos dentro dos Estados Unidos
19:22para atender o mercado que não vai ser mais atendido por importações.
19:27Então, acho que essa lógica lá, realmente, ao tratar todos iguais,
19:31de forma igual, foi um enorme equívoco.
19:34Mas, sim, ao Brasil vai continuar o impacto.
19:37Os ganhos que eu imagino aí numa negociação são dois.
19:42Reduzir de 50% para 10% ou 15% é um ganho muito importante,
19:46e se ficar 10% ou 15% para o resto do mundo todo,
19:49pelo menos em competir com outros fornecedores aos Estados Unidos,
19:54a gente fica numa situação mais igualitária.
19:57Então, eu acho que a gente tem condições, aí sim,
20:01de continuar atendendo bem o mercado americano com 10% ou 15%,
20:04porque o resto do mundo também está por aí.
20:06Então, você fica aí com uma competição mais igualitária.
20:11Então, acho que esse é um ponto realmente importante.
20:15Agora, o grande gargalo que os Estados Unidos têm que resolver é com a China.
20:20Com a China, você tem duas situações principais.
20:23Uma é que a China já é um grande competidor dos Estados Unidos.
20:27Então, quem imaginava que eles iam ficar só com o chão de fábrica,
20:30produzindo e exportando, se enganou.
20:33Hoje em dia, é um país tecnológico,
20:34é um país que as suas empresas estão tomando espaço no mercado internacional.
20:38Veja a sua indústria automobilística,
20:41as marcas deles estão tomando o mercado mundial,
20:45os veículos elétricos estão tomando posições também,
20:49a gente tem observado isso.
20:50Então, competir com a China já é um desafio para os Estados Unidos.
20:55E a outra em termos geopolíticos.
20:57A China vai começar a tomar espaço americano em poder internacional.
21:04Isso não está mais relacionado com outros blocos,
21:07mas especificamente com a China.
21:09Então, os Estados Unidos, em relação àquele país,
21:12eu não vejo muito como não lidar com tarifas mais pesadas
21:16sobre os produtos chineses.
21:17Então, acho que ali há uma questão de competição entre dois gigantes.
21:22Esse cenário não se aplica ao Brasil, nem a nenhum outro país do mundo.
21:27Queria agradecer a conversa que eu tive,
21:30que nós tivemos com o professor Furriella,
21:33Furriella, reitor da FMU, também um analista de relações internacionais.
21:40Obrigado, professor Furriella, como sempre, um prazer.
21:43Até uma próxima oportunidade.
21:45Donald Trump sempre nos dá muitos argumentos para conversarmos.
21:50Bom restinho de domingo para o senhor.
21:51Obrigado.
21:52Obrigado.
21:53Obrigado.
21:54Obrigado.
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