O economista José Niemeyer, do Ibmec, e o analista Rodrigo Loureiro analisaram a reaproximação entre Lula e Trump, que reacende o otimismo nos mercados. Um possível alívio tarifário pode impulsionar exportações brasileiras e fortalecer a posição do país no comércio global.
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00:00Sobre o encontro entre Lula e Trump e, claro, seus desdobramentos, eu converso com José Neymar,
00:07economista e professor de Relações Internacionais do IBMEC do Rio de Janeiro,
00:12a quem eu agradeço aqui a presença, professor, e digo que vai dividir tela conosco.
00:19Eu coloco nessa conversa também o Rodrigo Loureiro, que é o nosso analista de Economia e Mercado.
00:25Professor Neymar, mais uma vez, muito bom dia.
00:28É claro que o chanceler veio a público dar ali a temperatura do encontro à imprensa.
00:37Sabe o Mauro Vieira que está sendo assistido pelo resto do Brasil e o resto do mundo,
00:43porque muitos mercados estão com os olhos atentos nesse possível alívio de tarifas entre Estados Unidos e Brasil.
00:54E, obviamente, como a gente acompanha há tantos anos essas posições do Itamaraty,
01:02ou de qualquer outro Ministério das Relações Internacionais, pós uma reunião de alto calibre como esse,
01:08os discursos são sempre, vamos ver, a porta ficou aberta, mas de dados concretos, convenhamos, nós não temos nada ainda.
01:16Porém, a leitura muito positiva de que a conversa foi amistosa e ela abre caminho para uma segunda parte,
01:26que é agora as equipes, os xerpas, os ministérios vão negociar ali o que pode vir a ser um alívio.
01:34Então, professor Niemeyer, acho que, por enquanto, a gente está mais na esfera da política e diplomacia
01:43do que da economia e finanças propriamente dita.
01:47Na sua leitura, o fato dessa reaproximação do Donald Trump, dele ter mudado o discurso,
01:55agora ser muito mais simpático ao presidente Lula,
01:58a conversa entre os dois e o corpo fala, eles estavam ali relaxados, principalmente o presidente Lula,
02:06estava muito confortável na situação, o Donald Trump não estava num perfil agressivo,
02:11que às vezes ele se mostra quando ele está desconfortável.
02:15Vamos fazer uma leitura político-diplomática, o que o senhor acha que foram os primeiros efeitos
02:21do que eu estou chamando aí, de uma reaproximação do Brasil com o presidente Lula
02:27e também, numa segunda camada, o ministro Mauro Vieira, o nosso chanceler,
02:34tenha trazido que os fatos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro
02:39nem foram colocados aqui em pauta, não apareceram com essa força, com essa dinâmica.
02:45Lhe passo a palavra, perdão pela minha longa introdução,
02:48mas eu queria deixar todo mundo na mesma página.
02:50Parvalho, um prazer estar com você, queria te cumprimentar pelos projetos da CNBC,
02:57canal que está introduzindo na imprensa brasileira uma discussão sobre economia política internacional,
03:03acho que poucos canais fazem isso, se discute muito política ou economia,
03:08mas economia política ao mesmo tempo se discute pouco, queria cumprimentar o Rodrigo
03:12e os assinantes da CNBC.
03:14Bem, a primeira questão importante é que não foi uma reunião só entre Lula e Trump,
03:20foi uma reunião entre equipes, frente a frente.
03:23Geralmente, reuniões assim são reuniões que já se começa a desenhar iniciativas,
03:30você começa a escrever, você começa a pegar dados, você olha um olhando para o outro,
03:35isso é muito importante, os assessores juntos,
03:38a chancelaria norte-americana e brasileira também juntos,
03:42um também olhando para o outro, eles vão se conhecendo mais.
03:45Uma conversa de 50 minutos, que também é uma conversa longa.
03:49Achei muito interessante o presidente Lula ter colocado que não havia nenhum assunto que fosse segredo,
03:56acho que ele começou muito bem dizendo isso, se foi realmente essa ordem.
04:01Achei até que ele iria, eu não vi bem a ordem dos assuntos,
04:04mas não sei se você sabe a ordem, se eles conversaram primeiro do tarifácio,
04:08depois da Venezuela ou vice-versa.
04:11Eu tenho a impressão que teria sido melhor para o presidente Lula
04:15conversar primeiro dos assuntos sistêmicos, mais abrangentes,
04:19que envolvessem mais segurança internacional,
04:22assuntos mais abertos da alta política.
04:24E depois discutir, começar a discutir aquilo que o Brasil pode ter mais peso na negociação,
04:31que é a questão do tarifácio.
04:33O Brasil, Favali, não é um player importante nos assuntos de segurança internacional.
04:39Não é.
04:40É um país sem relevância, é bom deixar claro isso, para o assinante da CNBC.
04:45O Brasil, do ponto de vista prático dos assuntos de segurança internacional,
04:50não é um player relevante.
04:51O Brasil pode participar de alguns acordos, intermediar,
04:55mas não é um ator relevante do ponto de vista de segurança internacional.
04:58Mas é muito relevante do ponto de vista de comércio.
05:01Por mais que o Brasil tenha que ter um comércio exterior maior do que tem,
05:05fica em torno de 1,2, 1,1 do PIB, que é pouco,
05:09mas o Brasil é um grande produtor de bens que interessam ao mundo todo,
05:15principalmente na área de proteína, energia e tal, energia alternativa.
05:19Então, depois, se eles começaram falando de Venezuela e depois falaram de tarifácio,
05:24eu acho que a negociação vai de uma forma.
05:26Se eles conversaram primeiro do tarifácio, e o presidente Trump, neste momento,
05:31disse que seria necessária uma reunião hoje entre as equipes,
05:36e aí com uma pegada mais técnica, para começar a se discutir as questões do tarifácio,
05:41vou diminuir de 50 para 20 tal produto, vou manter outro produto em 45.
05:49Esses detalhes vão ser negociados entre a chancelaria,
05:53também entre as equipes do Ministério da Indústria e Comércio,
05:57do vice-presidente Alckmin,
06:00hoje o vice-presidente, né?
06:02Desculpe, o vice-presidente Alckmin,
06:04e também com as equipes do Ministério da Fazenda.
06:07É importante que as equipes do ministro Haddad participem também,
06:11porque comércio envolve base financeira de negociação,
06:15finanças internacionais, etc.
06:18Pelo que o ministro Mauro Vieira nos falou, foi tudo muito bem.
06:22Eu tenho a impressão, Favalli, que o presidente Trump está começando a perceber,
06:29a partir das informações que recebe,
06:32que existe uma certa estabilidade agora no Brasil,
06:34do ponto de vista político, estabilidade no sentido de uma previsibilidade razoável
06:40com relação ao tupro de 2026.
06:43Tenho a impressão que as equipes que assessoram o presidente Trump
06:46estão informando ao presidente Trump
06:48que o presidente Lula é realmente candidato a presidente da República em 2026
06:54e que está relativamente mais confortável nas pesquisas.
06:58Eu acho que isso está pesando, Favalli.
07:00Por quê?
07:01Porque os Estados Unidos querem continuar a negociar com um parceiro importante
07:05do ponto de vista comercial e econômico, como o Brasil.
07:08Muitas empresas norte-americanas têm investimentos diretos no Brasil,
07:12muitas, de vários setores.
07:14Isso é fundamental para os negócios norte-americanos.
07:18O Brasil acaba sendo, muitas vezes, um hub de exportação.
07:21Essas empresas vêm para cá, eu acho que o assinante da MBC conhece bem isso,
07:26vêm para cá, os investimentos vêm para cá,
07:32muitas vezes aqui eles são produzidos e reexportados para o mundo.
07:36Então, o Brasil é muito importante do ponto de vista dos negócios norte-americanos
07:41para o mundo, uma base de exportação daquilo que é produzido aqui
07:46por empresas norte-americanas.
07:47Então, tudo isso pesou, na minha visão, para nós percebermos
07:52que o presidente Trump está muito mais cooperativo.
07:56E, junto com isso, aquilo que eu já mencionei aqui,
07:59essa possibilidade, que é uma possibilidade bem real,
08:02do presidente Lula ser reeleito em outubro de 1926.
08:06Rodrigo.
08:07Professor Neymar, bom dia.
08:08Obrigado pela sua participação.
08:10Vou recapitular aqui toda essa relação conturbada
08:14entre o presidente Lula e o presidente Donald Trump desde a época do tarifaço.
08:19Trump jogou a tarifa contra diferentes países e, para o Brasil, colocou essa tarifa de 50%.
08:25Só que, para os outros países, usou o argumento econômico.
08:29Para o Brasil, a agenda econômica ficou em segundo plano.
08:32Deixou claro que a tarifa era ali uma defesa ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
08:37Passada essa declaração de Trump, esse tarifaço de Trump,
08:43Lula afirmou que iria retaliar, se fosse preciso.
08:46Vamos negociar, mas se não tiver negociação, a gente vai retaliar.
08:50Vamos colocar tarifas também.
08:52Depois disso, a gente viu os dois presidentes começarem a conversar,
08:56muito por conta de um trabalho dos dois governos,
09:00não exatamente na figura dos dois presidentes,
09:03mas muito por conta do trabalho dos dois governos de tentar negociar.
09:06Bom, a gente viu ali, depois, na Assembleia Geral da ONU,
09:11Trump falar que tem uma química com Lula
09:13e Lula falar que, realmente, pode ser que tenha uma química com o presidente dos Estados Unidos.
09:18Uma relação que começa a ser reconstruída.
09:21A minha pergunta para você, professor Niemeyer, é o seguinte.
09:25Nesse encontro na Malásia que teve ontem,
09:29e que a gente deve ter novos encontros entre o presidente Trump e o presidente Lula,
09:34Lula já afirmou que o Trump quer vir ao Brasil,
09:37o quão fragilizado chegou o presidente dos Estados Unidos para esse encontro?
09:42Porque a gente sabe que Trump está sendo muito pressionado
09:46por conta dos efeitos do tarifácio lá nos Estados Unidos.
09:49Isso tem afetado bastante a economia americana.
09:52Então, o quão fragilizado esse presidente chega para esse encontro,
09:57para que ele tenha que recuar um pouco nos seus discursos
10:01e aceitar negociar essas tarifas?
10:04Rodrigo, excelente.
10:05Acho que a sua colocação já responde muita coisa.
10:09O presidente Trump não é que ele está mais enfraquecido.
10:12Ele é chefe do Estado mais poderoso do sistema internacional.
10:16A questão é que os Estados Unidos da América,
10:19até que me provem ao contrário,
10:21vem perdendo o poder relativo, principalmente,
10:23nos assuntos de segurança internacional.
10:25Há sete dias atrás, o presidente Putin deixou claro
10:31que se os Estados Unidos da América
10:33oferecerem mísseis Tomahawk para a Ucrânia,
10:37que são mísseis de médio e longo alcance,
10:39os Estados Unidos serão considerados inimigos dos Estados Unidos
10:43depois de uma fase até de aproximação.
10:46Os Estados Unidos estão sendo pressionados também pela China
10:49dentro do referencial econômico-comercial o tempo todo.
10:52Hoje, a China controla as linhas de comércio a partir do que ela produz.
10:59Ela produz muitos bens e serviços com valor agregado.
11:02Ela controla, então, a oferta de produtos para o sistema internacional inteiro.
11:07E, mais do que isso, ela também acaba controlando países
11:11países que orbitam ao redor da China
11:13e que fornecem também, fazem parte desta produção de bens e serviços chineses,
11:21países geralmente próximos, mas até alguns países que também são mais distantes.
11:26Então, a China está cada vez mais controlando as linhas de comércio exterior
11:30e de cooperação econômica.
11:31A China também investe em infraestrutura, logística, em vários países do mundo,
11:37países africanos, países sul-americanos.
11:39Então, a China, cada vez mais, está controlando a ideia de comércio internacional.
11:45Isso deve estar preocupando muito os Estados Unidos da América e o presidente Trump.
11:49Então, nesse sentido, dos Estados Unidos estarem...
11:53Se a gente for pensar nos Estados Unidos, na Segunda Guerra,
11:56no final da Segunda Guerra, início da Guerra Fria,
11:58os Estados Unidos detinham mais ou menos 35% do PIB internacional.
12:02Hoje detém em torno de 27%.
12:04Ainda é muito, mas perderam o poder relativo,
12:07do ponto de vista econômico e comercial, principalmente para a China
12:10e também para a União Europeia,
12:12que cada vez tem uma postura competitiva com os Estados Unidos da América
12:15com relação a bens e serviços que os dois produzem.
12:19Essa que é a verdade, com muito valor agregado,
12:22ou até com valor agregado médio,
12:24mas os Estados Unidos hoje se veem um pouco mais enfraquecidos.
12:28Ainda é o principal PIB do planeta,
12:30é a principal força militar do planeta,
12:34mas cada vez mais, na seara da segurança internacional
12:37e na seara econômico e comercial,
12:39os Estados Unidos vêm perdendo o poder de se legitimar
12:44como a principal potência do sistema
12:47e com tendência cada vez mais hegemônica.
12:49Essa tendência hegemônica diminui.
12:51Então, isso tudo, junto também, Rodrigo,
12:55um fato que vocês vêm noticiando essa semana,
12:58muitas manifestações críticas nos Estados Unidos ao presidente Trump
13:03e, junto com isso, o presidente Trump encontrar um negociador
13:07que fala desta maneira que o presidente Lula fala,
13:10muito despojada, muito sem formalismo, como ele.
13:15Lula, não sei se foi no primeiro ou segundo mandato,
13:19agora foi no primeiro mandato.
13:21Ele se deu muito bem com o George Bush, com o Bush Filho,
13:24porque o Bush Filho também tinha essa postura mais aberta.
13:27Está agora, parece, que tendo uma boa conversa
13:30entre duas pessoas que têm algumas coisas em comum,
13:34são muito vaidosos, os dois são vaidosos.
13:36Então, isso aproxima o presidente Lula e o presidente Trump
13:39e tem a impressão que é aquilo que eu falei com o Favari.
13:42Está contando, sim, na minha visão como cientista político,
13:47a projeção muito possível de reeleição de Lula em 1926.
13:52Professor Neymar, para a gente arrematar,
13:55a gente tem mais um minutinho de conversa aqui,
13:56é claro que política e economia são grandezas que andam de mãos dadas.
14:01Eu vou pedir para a nossa equipe técnica rearranjar as nossas posições em tela
14:05para eu poder mostrar aqui um recurso gráfico
14:08que eu fui atrás da representação da relação de Brasil e Estados Unidos
14:16e como a China também tem nessa relação.
14:20Se eu puder voltar para essa câmera aqui,
14:23estou eu e o Loureiro, o professor Neymar ainda nos escuta.
14:26Então, só para todo mundo entender agora isso em números e os seus reflexos,
14:31o seguinte, balança comercial Brasil-Estados Unidos,
14:34eu peguei dados de setembro, que são os mais novos,
14:37claro que a gente já está no finalzinho de outubro,
14:39mas dados consolidados do mês de 10, só no próximo mês.
14:43Então, vamos com os dados oficiais do governo brasileiro,
14:46a partir de setembro, as exportações para os Estados Unidos representaram 8,44%
14:56da nossa capacidade de exportação.
14:58Para a China, 28%.
15:01E nas importações, 15% com relação ao Brasil e Estados Unidos
15:07e quase 23% com relação à China.
15:13Os Estados Unidos, tanto em exportação quanto em importação,
15:16seguem no segundo lugar no ranking de relação comercial.
15:22Só que a nossa maior relação está com a China,
15:25os números falam por si só, de uma maneira disparada de maior.
15:30Voltando a conversar com o professor Niemeyer,
15:35o professor Niemeyer, isso também chegou, obviamente,
15:40à planilha de cálculo do governo americano?
15:43Quer dizer, perder o Brasil, uma sobretaxação de 50%,
15:48tem um discurso sólido, porém as consequências estão aqui nos dados oficiais.
15:55Um dos recus, ou um recuo do presidente americano,
16:01uma das justificativas, seria um medo de uma perda de terreno ainda maior para a China?
16:08E nem preciso falar que essa disputa hegemônica no século XXI
16:12está muito clara entre Estados Unidos e China.
16:16Acertar os satélites talvez tenha sido uma estratégia
16:20que agora os Estados Unidos dê um passo atrás?
16:22Claro, claro, é o que a gente está discutindo aqui.
16:26O Brasil tem uma diferença, o Brasil exporta mais produtos para a China,
16:30mas o Brasil exporta mais produtos individualmente de valor agregado,
16:35aviões, óleos combustíveis, produtos de ferro e aço,
16:41produtos semi-industrializados e mesmo industrializados de ferro e aço,
16:45linha branca.
16:46O Brasil tem uma linha de exportação para os Estados Unidos
16:48de produtos de valor agregado.
16:49Para a China, são produtos mais ligados ao setor da agroenergia,
16:53do agronegócio.
16:54Então, isso pesou sim.
16:56Os Estados Unidos não querem perder o Brasil como fornecedor importante
17:00de alguns produtos, que inclusive ajudam a formar preços e salários
17:04nos Estados Unidos, inclusive impacto de inflação,
17:07que é o que está acontecendo já com carne.
17:09O Brasil exportava carne nos Estados Unidos,
17:11o janteiro do boi, isso era fundamental para fazer o hambúrguer,
17:14que é do consumo diário norte-americano.
17:16Isso já está fazendo aumentar o preço da carne nos açougues nos Estados Unidos,
17:21ou nos supermercados.
17:22Então, agora tem uma outra questão.
17:25A sua pergunta, na verdade, eu acho que você quer dizer o seguinte também, Favali.
17:29Olha, os Estados Unidos não querem deixar de ter o Brasil como fornecedor
17:34dos produtos que existem hoje na pauta e de novos produtos,
17:38por exemplo, minerais das terras raras.
17:40Porque aí nós vamos ter duas opções.
17:43Ou os Estados Unidos vão, com investimento direto no Brasil,
17:48explotar e explorar os minerais de terras raras no Brasil,
17:52em parceria com empresas brasileiras ou com o Estado brasileiro,
17:56aí é um projeto que vai depender de cada governo na época,
17:59para o Brasil e também nos Estados Unidos,
18:01ou eles vão importar os minérios.
18:03Eu não tenho muita dúvida.
18:05Eu acho que seria muito ruim exportar esses minérios,
18:07Rodrigo, era muito melhor se criar um sistema de utilização desses minérios
18:13aqui no Brasil, a partir do processo de industrialização,
18:16de exploração e explotação, que é retirar o minério e industrialização aqui,
18:21para que o Brasil pudesse participar também e ter oferta desses minérios
18:25também para a indústria brasileira ou para a indústria das multinacionais,
18:29por exemplo, norte-americanas, que aqui também atuam no Brasil.
18:33Está tudo muito interligado.
18:35Então, acho que essa questão do Brasil ser o segundo parceiro,
18:39é importante que o Brasil, para o governo Trump e para os Estados Unidos da América,
18:44do ponto de vista de segurança, de ofertas e bens e serviços,
18:49o Brasil seja o primeiro e não o segundo.
18:51Eu queria agradecer a conversa que nós tivemos aqui com o professor José Niemeyer,
18:58principalmente a gentileza dele nos atender na manhã de domingo.
19:03O assunto foi mais do que prioritário e urgente.
19:06Professor Niemeyer, é sempre uma garantia que nós vamos ter uma aula com o senhor.
19:10É sempre um prazer.
19:12Agradeço aqui o meu companheiro de bancada, o companheiro de estúdio,
19:15o Rodrigo Loureiro.
19:17A gente ainda tem uma longa pernada de cobertura especial por esse assunto
19:21que é, como eu disse, absolutamente urgente,
19:24essa reaproximação político-econômica de Brasil e Estados Unidos.
19:28Professor Niemeyer, ótimo resto de domingo.
19:31Até uma próxima que eu tenho certeza que vai ser muito em breve.
19:35Vale, eu te agradeço.
19:36Parabéns pelo programa.
19:37Um abraço ao Rodrigo.
19:39Um abraço ao assinante da CNBC.
19:42Até, professor.
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