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O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou planos para reduzir tarifas sobre produtos de consumo como o café, após altas que derrubaram em mais de 50% as exportações brasileiras. Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, detalhou o impacto econômico e as negociações que podem reabrir o mercado americano ao Brasil.

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Transcrição
00:004h36, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que deve reduzir as tarifas sobre
00:11importação de café.
00:13Ele não citou os países que poderiam ser contemplados pela medida, mas o Brasil é
00:17o principal fornecedor do produto ao mercado americano.
00:21O secretário do Tesouro, Scott Bassett, reforçou.
00:23O governo, segundo ele, anunciará em breve um alívio substancial a itens de consumo diário
00:30dos americanos e que o país não produz, e citou bananas e café.
00:35Nos últimos meses, após a elevação da tarifa contra o Brasil para 50%, os embarques do
00:41nosso café para os Estados Unidos despencaram.
00:44Caíram 46% em agosto, 52,8% em setembro e, segundo o balanço que o Secafé divulgou agora
00:52há pouco, teve queda de 54,4% em outubro.
00:57Para falar sobre esse cenário, eu converso agora com o Marcos Matos, diretor-geral do
01:01Secafé, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil.
01:05Marcos, boa tarde, tudo bem?
01:07Boa tarde, Fábio Turci.
01:09Uma satisfação estar com você novamente.
01:11Satisfação nossa.
01:12Obrigado pela sua participação aqui.
01:14Marcos, claramente, inflação é um ponto sensível do governo americano e ele está
01:19de olho nisso quando se dispõe a rever a tarifa sobre alguns produtos.
01:23Agora, vocês, o setor cafeiro aqui no Brasil, o setor continua falando com os compradores
01:29lá nos Estados Unidos para buscar, por meio do setor privado, também pressionar o governo?
01:33Fábio, com certeza, inclusive, nós tivemos várias rodadas de reuniões na semana passada
01:41com quatro dos maiores torrefadores norte-americanos, que fizeram uma rodada de reuniões do Departamento
01:47de Estado no USPR, que, inclusive, conduz uma investigação contra o Brasil, a Secretaria
01:54do Comércio e o Departamento de Estado.
01:56Então, veja, essa fala do Trump na Fox News, numa terça-feira à noite, ontem à noite,
02:02ela, obviamente, é reflexo de uma série de tratativas que já estavam em andamento.
02:07E nessas tratativas, se fala muito do café brasileiro.
02:10Afinal de quantos anos do tarifácio, nós éramos de 30% a 34% de todo o café disponível
02:15por lá.
02:16Então, existe uma conexão entre essas coisas.
02:19A inflação do café, de fato, foi nove vezes acima do que tivemos na média do governo
02:24americano e 21% no último mês fechado.
02:27Então, nós temos uma pressão internacional, as contrapartes agindo e nós aqui fazendo
02:32também pressões para que o governo brasileiro busque negociar produto a produto e não talvez
02:36uma isenção total que prejudique uma tratativa mais ampla.
02:40Agora, vindo deles uma medida mais clara para isentar esses produtos, e já existe uma ordem
02:45executiva de 5 de setembro, que pode isentar, nós temos anexos que têm tratativas diferentes
02:50para cada um de um dos anexos, mas acho que há caminhos e, quem sabe, nós vamos virar
02:55essa página.
02:56E essas negociações já vinham apontando nessa direção, já vinham indicando que poderia
03:02haver uma revisão do tarifácio para o café?
03:06Olha, é uma questão tão lógica.
03:09Antes do tarifácio, nós tínhamos em Nova Iorque, na Bolsa de Nova Iorque, de contratos
03:12cedos de café arábica, 284 centos dólares.
03:15Isso foi para cima de 400 centos dólares.
03:17Do lado de que existem outras variáveis, o Brasil colheu uma safra menor, em 2025,
03:21questões climáticas nos afeta, demanda forte no mundo também, isso causa aumento
03:26das plantações.
03:27Mas o tarifácio trouxe imprevisibilidade.
03:30Nos Estados Unidos diz que a cada um dólar importado de café agrega 43 na sua economia,
03:341 para 43.
03:36Então, nunca fez sentido.
03:37Mas o prejuízo é enorme.
03:39Então, esse trabalho de defender o Brasil na administração 301, as emissões, nós
03:43estivemos com o Departamento do Estado, nós estivemos também atuando fortemente
03:47para ajudar a abrir esses diálogos, quando não existia nenhum diálogo.
03:51Então, nós comemoramos aquela Assembleia da ONU e todas as tratativas.
03:56Tivemos a missão presidencial na Indonésia, na Malásia, em Malásia surgiu aquele encontro
04:01importante.
04:02Então, nós estamos trabalhando e sempre dizendo, olha, isenção de tudo pode ser muito
04:07complicado, isso é ter um plano B.
04:09Agora, vindo dos Estados Unidos também facilita, porque eles criaram um problema.
04:13Então, a gente tem que trabalhar em várias frentes e esperamos, sim, uma decisão em
04:18breve.
04:19É a clássica história em que todo mundo perde, ninguém está ganhando nesse cenário,
04:23não é, Marcos?
04:24Agora, vocês têm alguma ideia do que pode vir?
04:26Quer dizer, eles falam em reduzir substancialmente as tarifas.
04:30Alguma ideia de percentual?
04:31Olha, quando nós conversamos com as nossas contrapartes, eles começam a conversar dizendo, tudo
04:37aqui é imprevisível.
04:39Os ânimos, os cegos, as incertezas.
04:42Então, se tem algo que nós podemos falar, é de imprevisibilidade.
04:47Tudo segue altamente imprevisível.
04:48Porém, está aí na boca das autoridades mais altas o reconhecimento do peso na inflação.
04:55Então, o café brasileiro é decisivo para isso e cada dia que passa, Fábio, é um
05:01prejuízo sem tamanho para o Brasil.
05:03Às vezes, os produtores, quando olham só presos, eles não têm a ideia do risco que
05:08é perder espaço nos blends das principais marcas, porque o consumidor vai se adaptando
05:13a outros parâmetros sensoriais.
05:15Ele paga mais caro e também vai se adaptando a outros cafés.
05:18E quando o Brasil produzir mais, já que a gente pode ter uma safra melhor em 2026, o mundo
05:23pode ter, indica os modelos meteorológicos, você não ter participação nos principais
05:27blends, você perder um espaço e o mundo aumenta em estoques, o que acontece?
05:32É um grande prejuízo.
05:33Não podemos permitir que esse quadro continue, porque cada dia, para nós, é um grave risco
05:41para perder espaços num impacto que pode ser irreversível.
05:45O Brasil já pode ter perdido um pedaço do espaço que ocupava lá?
05:48Sim, e nós vimos uma retração muito forte, agosto, setembro e outubro.
05:54Você mesmo mencionou, né, Fábio?
05:5654,4% em outubro do mercado que a gente solta agora, nesta tarde.
06:01Então, a retração está aí.
06:04O Brasil não é que ele está menos competitivo.
06:07Ele está praticamente impedido de exportar.
06:09Os nossos exportadores têm que assumir metade de uma tarifa de um mercado de uma commodity,
06:14que as marcas estão tão apertadas.
06:15Então, às vezes, faz isso para garantir algum espaço, mas, obviamente, os contratos são
06:19postergados, cancelados.
06:21E o consumidor segue comprando café, segue tomando café.
06:2376% da população americana toma café.
06:26O maior consumidor do mundo.
06:28E isso não vai mudar, né?
06:29Então, realmente, o impacto está aí.
06:31E nós temos que correr para que ele não seja irreversível.
06:35E em quanto tempo, Marcos, haveria uma reação aqui no Brasil sensível, caso haja essa redução?
06:42Uma vez que baixou a tarifa, não sabemos ainda para quanto, mas em que timing, em que velocidade
06:49a gente sentiria aqui uma reação na produção e nas remessas para lá?
06:53Olha, nós já sabemos que os nossos torrefadores, nossos parceiros, eles estão com os espaços
06:58muito baixos, justamente com a esperança que essas tarifas sejam realmente retiradas.
07:05Então, o nosso importador, ele está segurando ao máximo os nossos exportadores, os nossos
07:09exportadores fazendo também o máximo, né?
07:12Dado o forte impacto econômico de todas as medidas.
07:16Então, eu diria o seguinte, se a gente conseguir virar essa página agora, nessa metade de novembro,
07:21nós ainda conseguimos ter exportações muito melhores já em dezembro e começar a 2026
07:26com vida nova.
07:27Afinal de contas, foi 6 de agosto que começou todo esse tarifácio e os nossos importadores
07:33conseguiram fazer algum estoque.
07:36Ele comprou do Brasil 16,8% entre janeiro e julho, ou seja, um pouquinho acima da média
07:44de 16% que sempre compra.
07:46Então, algum respiro se tinha, acabou.
07:49Então, a gente tem que, já que acabou esse respiro, temos que virar essa página.
07:53Cada dia conta muito, Fábio.
07:55Marcos, para a gente encerrar, como é que está a situação financeira dos exportadores
08:01de café brasileiros hoje?
08:04Qual o tamanho dessa crise?
08:05Qual o tamanho do impacto?
08:08Isso impacta de diferentes exportadores, seja empresas, seja cooperativas.
08:12Claro que o Brasil, por exportar para 120 países, também fez aquele processo de reanotação.
08:16Mas o impacto é muito severo para contratos fechados, contratos postregados, contratos cancelados.
08:23Esse custo de vendedores tem empresas que são muito, muito mais afetadas.
08:28E lembrando, Fábio, que nós não conseguimos acessar um fundo soberano, que é aquele fundo
08:33lançado para ajudar os exportadores mais impactados pelas tarifas.
08:38E por que a gente não consegue?
08:39Tem uma questão de nomenclatura para o IBGE, que são os quinais.
08:42Para o BNDES, que coloca ali produtor e indústria torrefadora e beneficiadora.
08:48Nós somos enquadrados com o comércio atacadista, que exporta o café verde.
08:5390% das nossas exportações são cafés verdes para os Estados Unidos.
08:5610% do café solubles.
08:58Esses 90% precisa ter um quinais que é comércio atacadista.
09:02Então, nem o fundo soberano a gente consegue acessar para ter um respiro diante dessa situação.
09:08Então, veja, Fábio, nós temos que correr quanto tempo.
09:12Estamos torcendo muito para que a gente tenha algo de concreto.
09:16Fizemos novos ofícios para o presidente Lula, para o vice-presidente Geraldo Alckmin,
09:20para o chanceler Mauro Vieira.
09:22Mostramos esse nível de dramatização que realmente reflete os negócios hoje para os Estados Unidos.
09:29Então, vamos ver se a gente consegue, em várias frentes de trabalho,
09:32mas quem sabe nessa, uma isenção já para todas as origens.
09:37Isonomia, é isso que a gente quer.
09:39Todos na mesma condição de competitividade, porque todos na mesma condição,
09:43o Brasil é muito competente, vai fazer três séculos de cafés no Brasil,
09:46é o que mais repassa o preço só de exportação ao produtor.
09:49Mais de 90% do preço que a gente vende vai para o bolso do produtor.
09:53É a origem com uma calvação na produtividade, reduzir o área,
09:56investir em boas práticas, em sustentabilidade.
09:58Então, realmente é a origem e nós merecemos essa isonomia.
10:02Marcos Matos, diretor-geral do C-Café, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil.
10:07Muito obrigado, Marcos, pela gentileza da entrevista.
10:10E a gente segue acompanhando essa história e torcendo aí por um resultado positivo para o nosso café.
10:15Muito obrigado, Fábio.
10:16Você me encontra e sempre conosco.
10:18Obrigado.
10:18Obrigado.
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