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O ministro Luís Roberto Barroso, que se aposenta neste sábado (18), decidiu registrar seu voto na ação que discute a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Barroso pediu na última sexta (17) ao presidente do STF, Edson Fachin, que paute o caso em sessão virtual extraordinária, que estava parado desde setembro de 2023. No entanto, o STF já tem maioria para rejeitar a decisão. Para debater a sucessão de Barroso, a Jovem Pan News entrevista o professor Gustavo Sampaio, especialista em Direito Constitucional da UFF.
Reportagem: Victoria Abel
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NotíciasTranscrição
00:00Começa a ser marcada pela expectativa da indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal.
00:05E sobre esse assunto, o nosso convidado é o professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense,
00:11Gustavo Sampaio. Sempre bom ver o senhor aqui na Jovem Pan, professor. Como vai?
00:15Muito bem-vindo. Boa noite.
00:18Boa noite, Tiago. Boa noite a todas e a todos que nos acompanham aqui na Jovem Pan News.
00:24Bom, professor, eu queria aproveitar, a gente já estava discutindo esse assunto,
00:27esses últimos atos do ministro Luiz Roberto Barroso.
00:31O senhor acha que realmente foi uma estratégia dele por causa do tema, do assunto?
00:35E aquela questão que é importante fazer, alguns entrevistados chegaram a falar sobre isso,
00:40é prerrogativa do Supremo decidir sobre isso ou isso é por meio de PEC, legislação,
00:47para a gente enquadrar esse debate aqui na Jovem Pan, professor?
00:52Bom, em primeiro lugar, o ministro Barroso, Tiago, ele sempre teve uma postura muito vinculada,
00:57a linha progressista dentro desses chamados de censos morais, as controvérsias morais da nação,
01:05que muitos especialistas, para falar todos os termos possíveis, chamam de desacordos morais,
01:11ligados à bioética, ligados a temas como esse que entrou em pauta no Supremo Tribunal.
01:17Me parece que o ministro Barroso, como ele tomou essa decisão de deixar o Supremo Tribunal Federal e partiu para a aposentadoria,
01:26eu acredito que ele se tenha sentido, talvez, no dever de colocar o voto dele sobre a mesa,
01:34até porque ministros do Supremo Tribunal hoje, Tiago, são criticados de todas as formas.
01:40Se toma uma decisão mais para um lado, é criticado mais para o outro, criticado também.
01:46E Barroso já estava sendo criticado por não ter votado nessa matéria,
01:50que ele estaria deixando o Supremo para não ter que se comprometer.
01:54O que ele fez antecipou o voto, deixou o voto proclamado, ainda na sua investidura, nos seus minutos finais.
02:01Isso é juridicamente possível, sim.
02:03Agora, Virgia, o tribunal não tomou essa decisão por iniciativa própria.
02:08Foi-lhe proposta uma arguição de descumprimento de preceito fundamental.
02:13Tiago, a chamada ADPF, que é uma das ações do controle concentrado de constitucionalidade.
02:19Então, note, o tribunal, como corte, ele não toma iniciativas.
02:24Ele é chamado a decidir.
02:26E quando chamado a decidir, ele decide.
02:28Agora, se ele está decidindo dentro dos limites constitucionais de sua competência,
02:34ou se num certo entusiasmo ele vai um pouco além e toma medidas que deveriam ser tomadas pelo legislador,
02:43Tiago, esse é o grande debate que existe entre os que defendem a autocontenção do poder judiciário
02:49e os que defendem o ativismo judicial.
02:52Me parece que, nestes casos, deve-se fazer sempre a máxima reserva de autoridade do legislador.
03:01Porque, quando se trata de uma escolha moral dessa magnitude,
03:06o legislador eleito pelo povo é que tem que se pronunciar.
03:10Agora, isso não impede o Supremo Tribunal Federal de decidir
03:13quando o Supremo Tribunal localiza que uma dada norma é contrária à Constituição da República.
03:20Para concluir, Tiago, a Constituição é a lei das leis.
03:24A Constituição é a única esfera de governo que governa os governantes.
03:30De maneira que o legislador pode legislar à vontade.
03:33Mas, se ele legisla contra a Constituição,
03:36o Supremo Tribunal Federal pode ser chamado a decidir pela nulidade daquela norma
03:41por ser contrária ao patamar maior de normatividade que é a Constituição da República.
03:46Mas, essa dúvida sobre o voto de Barroso sempre vai ficar, Tiago.
03:50Sem dúvida.
03:51Professor, Gustavo, vou chamar a nossa comentarista, Jess Peixoto,
03:54para fazer a próxima pergunta aqui no Jornal Jovem Pan.
03:56Jess?
03:58Professor, é um prazer estar com você aqui nessa noite.
04:00Muito obrigada.
04:01A minha dúvida é bem na linha que o senhor está abordando.
04:04Porque, nesse caso, a gente tem alguns casos que a leislação não foi clara
04:08e que nós vemos decisões do Supremo Tribunal Federal
04:12nesse, abre aspas, vácuo que se tem ali em relação a uma determinada norma,
04:17em relação a uma determinada situação.
04:18Mas, nesse caso, como é a visão em relação a esta legislação que transforma,
04:25que é claro, assim, eu acho difícil dizer que não é claro que na nossa estrutura hoje
04:30é crime o aborto no Brasil.
04:32Quando eles fazem essa releitura a partir desse caso concreto,
04:36que tem todo o impacto de mudança, de segurança jurídica dentro do país,
04:42e aqui, embora a gente esteja falando do caso do aborto,
04:44isso abre margem para outras questões serem contestadas e outras decisões,
04:49outras visões, e aumenta o poder do Supremo em relação a essa crítica que hoje nós vemos
04:55o Congresso fazendo, que é em relação a ele agindo como legislador.
04:59Como que o senhor, como um constitucionalista, avalia isso em termos de segurança e credibilidade
05:04da nossa Suprema Corte, mas também de aspectos maiores,
05:09até mesmo de insegurança jurídica, para fazer um contraponto com uma fala
05:13do atual presidente do Supremo Tribunal, o ministro Fachin,
05:17que disse que nós precisamos prezar por ela.
05:19Muito obrigada.
05:20É uma satisfação também falar com você, Jess.
05:24Boa noite.
05:25Bem, eu sempre fui, como jurista, já que você pergunta a minha opinião,
05:29eu sempre fui um defensor da autocontenção judicial e um crítico do ativismo judicial.
05:33Veja, muitas vezes eu até concordo com decisões tomadas pelo Supremo Tribunal,
05:39no seu teor, porque como cidadão, como eleitor, eu também tenho as minhas linhas de pensamento.
05:44Apenas acho que essas decisões teriam que ser tomadas pelo Parlamento.
05:47E se o Parlamento não é capaz de tomá-las porque sua conotação é mais conservadora,
05:52menos progressista, então, que respeitemos a democracia e que assim continue sendo.
05:57Eu acho que o Supremo Tribunal Federal, Jess, tem que ter pulso firme, rigor,
06:03quando se trata de uma violação do texto constitucional.
06:07Aí não tenha dúvida, porque o Parlamento, ele tem a prerrogativa de legislar
06:12de acordo com a Constituição.
06:14Quando legisla em desacordo com a Constituição,
06:17há que ter um guardião desse texto maior, dessa carta magna,
06:21e esse guardião é o Supremo Tribunal Federal.
06:24Mesmo assim, ele só pode afastar a autoridade daquela lei por inconstitucionalidade,
06:29quando chamado a decidir.
06:31Então, há certas esferas, há certos campos de interseção
06:36entre jurisdição e legislação, que são muito delicados, Jess.
06:40Nesse caso, é recomendável que há autocontenção,
06:43porque, numa hipótese dessa, a premissa da qual se vale Luiz Roberto Barroso
06:49é de que essa iniciativa do legislador de punir essa conduta
06:53agride o texto da Constituição.
06:56Ora, mas essa decisão é uma decisão que migra para um campo de extrema dúvida
07:03em termos de o que é o campo da atuação do legislador
07:08e o campo da atuação do próprio Poder Judiciário.
07:12Eu sempre digo, toda vez que há essa dúvida,
07:14ao Poder Judiciário compete se conter, ser mais comedido
07:19e deixar que a escolha seja feita pelo legislador.
07:23Se alguém deseja mudar o sistema jurídico,
07:26basta se filiar a um partido político, candidatar-se,
07:29eleger-se ao parlamento e lutar dentro do parlamento
07:32para a modificação do ordenamento jurídico.
07:34Por quê? Para concluir, Jess.
07:36Porque isso faz com que o Supremo Tribunal Federal,
07:40se assim agir, ele preserve a sua autoridade
07:44para que, no momento em que ele, de fato,
07:47localiza uma inconstitucionalidade,
07:49ele seja impiedoso e decrete aquela inconstitucionalidade,
07:53afastando a autoridade da legislação.
07:56Se ele se vulgariza, se ele se generaliza nos seus pronunciamentos,
08:01ele começa a ser julgado como um ator político.
08:04E eu tendo a crer que é preciso preservar ao máximo
08:08a autoridade de árbitro do Supremo Tribunal Federal,
08:12porque ele é muito necessário,
08:14é um tribunal fundamental para a defesa da democracia,
08:17da dignidade humana e do sistema constitucional.
08:21Professor Gustavo, quer que o senhor falasse um pouco
08:22sobre essa expectativa da indicação pelo presidente Lula
08:26do novo ministro do Supremo?
08:28Mas eu queria apontar o seguinte,
08:30antigamente os ministros só se pronunciavam pelos autos.
08:34Hoje o Supremo Tribunal Federal está totalmente na vitrine,
08:38até vem aquela brincadeira que as pessoas mais sabem
08:40quem são os 11 do Supremo agora, por enquanto, com 10,
08:43e não os 11 da seleção brasileira.
08:45Eu pergunto para o senhor o seguinte, por um lado isso é positivo,
08:48porque as pessoas estão mais atentas ao judiciário,
08:52mas tem um lado negativo, porque se especula muito.
08:55E claro que toda a sociedade está nessa expectativa,
08:58cobrando, por exemplo, por uma presença feminina,
09:01uma mulher até negra.
09:03Como é que o senhor está acompanhando isso nessa expectativa
09:05que talvez essa questão vai ser decidida,
09:09provavelmente, nessa semana que começa amanhã?
09:11É, Tiago, o mundo mudou.
09:16O mundo da Suprema Corte de ontem,
09:18aliás, eu diria, o mundo das Supremas Cortes de ontem,
09:22não é o mundo das Supremas Cortes de hoje.
09:25Hoje todos nós estamos expostos,
09:29os órgãos públicos expostos,
09:31as vísceras do poder público,
09:34são visualizadas por todos na vida e em sociedade.
09:37Então, é inescapável que o Supremo Tribunal Federal
09:40seja um ator conhecido da sociedade.
09:43Aliás, como sempre se fala, não é, Tiago?
09:45Se hoje os 11 da seleção do Brasil
09:49são menos conhecidos do que os 11 ministros do Supremo,
09:53esse é um dado muito positivo,
09:54sinal de que a sociedade brasileira está atenta
09:56ao terreno da jurisdição,
09:58ao espaço do poder judiciário,
10:00à autoridade do poder público
10:02e seu papel no contexto social.
10:04Eu vejo isso como um ponto positivo.
10:06Mas aí vem também o aspecto negativo.
10:09Isso não pode acontecer, essa publicidade toda,
10:13por uma exposição de iniciativa
10:15dos próprios ministros da Suprema Corte, não.
10:19É preciso dar os parabéns aos ministros
10:21da Suprema Corte mais comedidos
10:24que se calam e falam mais nos autos do processo
10:27ou mesmo no átrio de debates,
10:30que é a sala de sessões do plenário
10:32do Supremo Tribunal Federal.
10:34Ali eles podem falar.
10:35No processo eles devem falar.
10:38Mas juízes, de um modo geral, Tiago,
10:40de todo o poder judiciário,
10:41da primeira instância ao Supremo,
10:43passando pelos tribunais de apelação,
10:46mas sobretudo à Suprema Corte,
10:48juízes devem falar menos
10:49e se pronunciar menos publicamente,
10:52como, aliás, ocorre na Suprema Corte
10:54dos Estados Unidos.
10:55Você veja naquele discurso do Estado da União
10:58que o presidente da República faz
11:00uma vez por ano
11:01perante a sala de sessões
11:03da Câmara dos Deputados nos Estados Unidos,
11:06presentes os 434 deputados americanos,
11:09os 100 senadores
11:10e os 11 ministros,
11:12os 9 ministros da Corte Suprema
11:14dos Estados Unidos,
11:15você nota que os únicos que não batem palmas,
11:18não vaiam, não falam,
11:20sequer se mexem,
11:21são juízes da Corte Suprema.
11:22Emitindo um sinal
11:24de que eles observam a cena,
11:26eles são fiscais da cena,
11:28mas eles não se pronunciam.
11:30Fica um pouco a lição.
11:31Eu acho que é preciso,
11:32nessa busca de uma autocontenção
11:34recredibilizadora
11:36do Supremo Tribunal Federal,
11:37que os juízes sigam
11:39o exemplo que tem sido dado
11:40pelo ministro Edson Fachin,
11:42hoje presidente da Corte.
11:43Falar menos em público,
11:45subir menos no palanque,
11:47não se pronunciar publicamente,
11:49falar nos autos
11:50e dentro da sala de sessões.
11:51E nesse sentido,
11:53com a aposentadoria
11:54do ministro Luiz Roberto Barroso,
11:57que independentemente do perfil,
11:58nós sabemos,
11:59foi um grande ministro da Corte,
12:01é uma das maiores autoridades
12:02do direito constitucional brasileiro,
12:04certamente da academia brasileira.
12:06Agora o presidente Lula
12:07faz uma indicação substitutiva,
12:10mas não privilegiou,
12:12pelo menos até o momento,
12:13a figura de uma mulher
12:14que está no seu questionamento, Tiago.
12:17Embora o Supremo Tribunal
12:18não seja um órgão
12:19de representação política,
12:21ele não precisa ter cota
12:22de mulheres e homens
12:24ou de brancos e negros,
12:26mas tanto melhor
12:27se a Suprema Corte
12:28for um reflexo
12:30da heterogeneidade
12:31da sociedade brasileira.
12:32Nossa sociedade
12:33é uma sociedade negra,
12:35branca,
12:36e claro,
12:36como todas elas,
12:37dividida entre homens e mulheres.
12:39Você veja,
12:40nas Cortes Constitucionais Europeias,
12:42a presença feminina
12:43é uma marca.
12:44Na Suprema Corte
12:45dos Estados Unidos da América,
12:47dos seus nove juízes,
12:48hoje temos cinco homens
12:50e quatro mulheres.
12:51Seria de bom alvitre
12:52que o presidente Lula
12:54indicasse uma mulher,
12:55até porque nós temos
12:56grandes juristas no Brasil
12:58com notável saber
12:59que preencheriam
13:00tranquilamente essa vaga.
13:01Mas,
13:02aí vem o último ponto,
13:04hoje,
13:05o imperativo
13:05é da governabilidade.
13:07E o presidente Lula,
13:08que foi muito dedicado
13:10à composição
13:11de um Supremo Tribunal
13:12plural
13:12nos seus dois primeiros
13:14mandatos,
13:15indicou um homem negro,
13:16indicou até um conservador
13:18como o ministro
13:19Carlos Alberto Direito,
13:20já falecido,
13:21indicou pessoas
13:22de todas as ordens,
13:24indicou a ministra
13:24Carmen Lúcia,
13:25que foi a segunda mulher
13:26na composição da corte.
13:28O presidente Lula
13:29sofreu um trauma
13:30que decorreu
13:31do julgamento
13:32da ação penal 470
13:33do Mensalão
13:34e do reflexo
13:35da Operação Lava Jato.
13:37E parece que,
13:37de lá para cá,
13:38os presidentes,
13:39aí eu incluo
13:40Jair Bolsonaro,
13:41passaram a indicar
13:42pessoas ao Supremo
13:44Tribunal Federal
13:44que reflitam
13:46o mais irrestrito
13:47compromisso
13:48de fidelidade.
13:49Então,
13:50eu apostaria
13:50no sentido de dizer
13:51que a indicação
13:53com base
13:53no compromisso
13:54de fidelidade
13:55vai ser aquilo
13:56que vai realmente
13:57marcar a indicação
13:58do presidente,
13:59a vaga deixada
14:00por Luiz Roberto Barroso,
14:01Tiago e Gessa.
14:03Para a gente fechar,
14:04mais uma pergunta?
14:04Sua, Gessa?
14:06Tenho, sim.
14:07Excelente ponto
14:08e eu queria trabalhar
14:09ali em duas frentes.
14:10A gente sabe
14:10que tem aí
14:11a lei da magistratura,
14:12que os ministros
14:13deveriam seguir também
14:15em relação até mesmo
14:16à exposição
14:17que eles têm
14:18em política,
14:19manifestações
14:19que prejudiquem
14:20a visão da sociedade
14:22de imparcialidade.
14:24E aqui no Brasil
14:25nós temos
14:25declarações históricas
14:26até do ministro Barroso
14:28que reconheceu
14:28um arrependimento
14:29diante dela
14:30que num congresso
14:31da União Nacional
14:31dos Estudantes
14:33falou que,
14:34abre aspas,
14:34nós tiramos
14:35o bolsonarismo.
14:36E outras,
14:37como perdeu
14:38Mané
14:38e tantos tweets.
14:40O ministro Gilmar Mendes,
14:41por exemplo,
14:42tem o hábito
14:42de tweets
14:43que falam
14:44da situação
14:44político-social
14:45do Brasil
14:46que interagem
14:47diretamente
14:47com casos
14:48que ele possa
14:49vir a julgar.
14:50Como nós,
14:51enquanto país,
14:52enquanto pessoas
14:53que prezamos
14:54pela instância
14:56do Supremo Tribunal Federal,
14:57não em seus ministros
14:59apenas,
14:59mas na própria visão
15:01da sociedade
15:01sobre a corte,
15:03quais são as medidas
15:04possíveis
15:04para essa mudança
15:06institucional
15:06finalmente acontecer?
15:08Porque o que fica
15:09é uma sensação
15:10de com essas indicações
15:11políticas
15:12e de proximidade,
15:13esse caminho
15:14vai aumentando,
15:15a exposição
15:16vai aumentando
15:17e não diminuindo.
15:18Figuras como
15:19o ministro Fachin,
15:20a ministra,
15:21faço jus ao nome dela
15:22porque era mais fechada
15:23em relação a entrevistas,
15:24falas,
15:25ministra Rosa Weber,
15:26são cada vez
15:27menos comuns.
15:28No comparativo,
15:29nós temos o Supremo
15:30opinando sobre
15:31a inconstitucionalidade
15:32de um projeto
15:33de anistia
15:34que eles ainda
15:35nem têm na mão
15:35porque não chegou lá.
15:37Como lidar com isso,
15:38doutor?
15:38É,
15:40em verdade,
15:40Jess,
15:40você sabe,
15:42e você citou bem,
15:43a lei orgânica
15:43da magistratura nacional,
15:45ela já estabelece
15:46as matrizes deonticas,
15:48éticas de comportamento
15:50da magistratura.
15:51E dentre elas
15:52está o comedimento,
15:53não pronunciamento público.
15:54Isso não precisa
15:55ser legislado não,
15:56Jess,
15:56isso já está legislado.
15:58Isso já está dentro
15:59do ordenamento
16:00jurídico nacional.
16:01Me parece que a mudança
16:03virá
16:03é de um reconhecimento
16:06de que o Supremo
16:07Tribunal Federal,
16:08num dado momento,
16:09em razão da participação
16:11de alguns de seus ministros,
16:13que ainda que muito
16:13bem intencionados,
16:14ainda que com boas
16:15disposições,
16:16querendo melhorar a República,
16:18se expuseram demais,
16:19expondo-se demais,
16:20expuseram também
16:21o Supremo Tribunal Federal,
16:23uma consciência
16:23de que isso jogou
16:24o Supremo Tribunal Federal
16:26na condição
16:26de um ator político,
16:28Jess.
16:28E o problema
16:29é que quando
16:30alguém se apresenta
16:31na condição
16:32de um ator político,
16:33acaba sendo julgado
16:35pelo presente,
16:36pela história,
16:37como um ator político.
16:39Então,
16:40bom será
16:40que isso
16:41seja arrefecido
16:43daqui em diante.
16:44E aí,
16:45como eu te disse
16:45que a matéria
16:46já está legislada,
16:47nós não precisamos
16:48de legislação,
16:49eu acho que a transformação
16:50está em curso.
16:52Eu estou sentindo
16:53uma consciência.
16:54Aliás,
16:55o próprio ministro
16:56retirante,
16:57agora,
16:57que recentemente
16:58se aposentou,
16:59o ministro Barroso,
17:00ele mesmo reconheceu
17:02que certas posturas
17:03não são adequadas.
17:05O ministro Fachin
17:06é um dos vetores
17:08desse bom exemplo
17:10do comedimento.
17:11Então,
17:12parece surgir
17:13uma consciência
17:14no Supremo Tribunal
17:15de que é preciso
17:17segurar a fala,
17:19decidir mais
17:20no processo
17:20e não falar
17:21em público,
17:23subir no palanque
17:24na União Nacional
17:25dos Estudantes,
17:26subir num palanque
17:27político,
17:28falar na rua,
17:30ter um atrito
17:30com uma pessoa,
17:31isso não fica bem
17:32para a imagem
17:33do tribunal,
17:34porque o tribunal
17:35ele é a antítese
17:36do que é o parlamento.
17:38O parlamento
17:39é voz,
17:40o parlamento
17:41é rosto colérico,
17:43vermelho,
17:43o parlamento
17:44é emoção.
17:46O tribunal não,
17:46o tribunal
17:47é autocontenção,
17:48o tribunal
17:49é paz,
17:50tranquilidade,
17:50para ter condição
17:51de arbitrar
17:52e resolver
17:53controvérsias.
17:54Então me parece
17:55que essa consciência
17:56já está em curso.
17:59É a única forma
18:00de resgatar
18:00a credibilidade
18:01do Supremo Tribunal
18:02e, por último,
18:04foi criado
18:04o Conselho Nacional
18:05de Justiça
18:06pela Emenda Constitucional
18:0745 em 2004
18:08e o Conselho Nacional
18:10de Justiça
18:10ele faz esse controle
18:12administrativo
18:13de posturas judiciais,
18:15de comportamentos judiciais,
18:17mas dos 94 tribunais
18:20da República,
18:21dos mais de 12 mil
18:23juízes de primeira instância,
18:25o único tribunal
18:26que não se sujeita
18:27ao Conselho Nacional
18:28de Justiça,
18:29qual é?
18:29O Supremo Tribunal Federal,
18:31que não se sujeita
18:32a controle de nenhuma corte
18:34ou nenhum órgão
18:36de fiscalização administrativa.
18:38Então, ali,
18:39ou ele mesmo se contém
18:41ou a contenção não chega.
18:43É o que nós esperamos.
18:44Que chegue a contenção.
18:46Professor Gustavo Sampaio,
18:48mais uma vez,
18:49obrigado pelo seu tempo
18:50aqui conosco
18:50com a Jovem Pan.
18:51Um bom fim de semana,
18:52volto sempre
18:53e um grande abraço.
18:56Também para você,
18:57Tiago, Gesso,
18:58para todos que nos assistem,
18:59bom final de semana.
19:00Muito obrigado.
19:01A Polícia Militar
19:02aqui de São Paulo
19:03encontrou hoje...
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