00:00A gente continua em Brasília, o presidente Lula pediu ajuda para a aprovação do ministro Jorge Messias
00:05com o objetivo de entrar na vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.
00:09André Anelli mais uma vez aqui com a gente.
00:12O presidente quer que os ministros conversem com os senadores, é isso?
00:20É isso mesmo, Tiago. O presidente Lula pediu para que os ministros aproveitem as festividades de fim de ano,
00:26entrem em contato com eventuais amigos senadores e peçam votos a favor de Jorge Messias,
00:33indicado ao Supremo Tribunal Federal.
00:35O pedido foi motivado pela sabatina e pela votação aqui no Senado,
00:39as quais Messias deve ser submetido no ano que vem,
00:43quando ele vai precisar então de pelo menos 41 dos 81 votos do plenário.
00:50O Senado ainda apresenta certa resistência a essa indicação,
00:53por conta do fato de o presidente da Casa, Davi Alcolumbre,
00:57e os aliados dele terem preferência por Rodrigo Pacheco para a vaga,
01:02mas mesmo assim Lula se manifestou sobre o tema
01:05durante essa última reunião ministerial do ano que aconteceu mais cedo.
01:10Eu quero terminar essa reunião,
01:13dizendo a vocês o seguinte,
01:14um Feliz Natal para todos vocês,
01:19todo mundo que puder, por favor,
01:21quem tiver um senador amigo,
01:23não deixe de ligar para desejar Feliz Natal e pedir voto para o Messias.
01:29Eu não indiquei o...
01:31Eu não indiquei o Messias porque ele é meu amigo,
01:38eu indiquei o Messias porque ele é um grande advogado,
01:41tá? É só para saber, a indicação dele é por mérito,
01:45não é por amizade pessoal,
01:46é por mérito.
01:52O próprio Jorge Messias tem feito reuniões com senadores
01:56no sentido de angariar esses votos que são necessários
01:59para a aprovação dele ao STF.
02:01Além de toda essa articulação,
02:04o Planalto também aposta na influência do apoio de nomes
02:07de dentro da própria Suprema Corte,
02:09como André Mendonça e Nunes Marques,
02:11devido à afinidade religiosa,
02:14juntamente, então, com Jorge Messias.
02:17Tiago.
02:18Agora, André Lula também cobrou os ministros
02:21que definam um lado no ano eleitoral.
02:25Seria uma forma do presidente da República
02:27tentar garantir a reeleição, é claro, né?
02:29Exatamente, Tiago.
02:34Inclusive, essas afirmações do presidente Lula
02:37foram feitas minutos antes de confirmar
02:40a demissão de Celso Sabino,
02:41conforme a gente destacou mais cedo aqui no jornal Jovem Pan,
02:45ele que havia sido expulso do União Brasil
02:47por insubordinação,
02:49por não ter desembarcado do governo
02:51quando pediu o partido,
02:52e que, por isso, acabou sendo alvo, então,
02:55dessa expulsão do União Brasil,
02:57mesmo tendo declarado apoio ao presidente Lula.
03:00E, no dia de hoje,
03:02ele acabou sendo demitido do cargo,
03:04justamente, então, por conta dessas animosidades,
03:08de todo esse desconforto com o partido.
03:10O presidente Lula,
03:11sem citar especificamente o exemplo de Celso Sabino,
03:15que defendeu o presidente Lula,
03:16mas acabou demitido do Ministério,
03:19afirmou que os ministros precisam marcar posição
03:23de preferência em relação ao governo
03:26nesse ano eleitoral.
03:28E o ano que vem
03:30é o ano em que a gente tem a oportunidade,
03:34não só porque estaremos em disputa,
03:36mas porque cada um ministro,
03:39cada partido que vocês participam,
03:42vai ter que estar no processo eleitoral
03:44e vai ter que se definir de que lado está.
03:47será inexorável.
03:51Será inexorável as pessoas terem que se,
03:55sabe, definindo, sabe,
03:57e definindo o discurso que vão fazer.
03:59Eles vão ter que defender
04:01aquilo que ele acha que pode eleger.
04:04E eu acho que nós temos uma força extraordinária.
04:07O presidente Lula também defendeu o melhor diálogo com a população
04:15para mostrar o que ele avalia como diferenças
04:18do atual governo para o governo anterior
04:20e que vão ser colocadas, então,
04:23à disposição, novamente, dos eleitores
04:25para escolha.
04:26Tiago.
04:27André Anelli, então, falando sobre os ministros,
04:30a reforma ministerial, a última do ano
04:32e, claro, já todo mundo pensando em 2026,
04:35a corrida eleitoral.
04:36Até daqui a pouquinho.
04:37Deixa eu chamar Denise Campos de Toledo aqui
04:39para continuar falando da reunião ministerial
04:42e o que falou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
04:45É, exatamente, Tiago.
04:46Nós, antes do término aí da votação da Dozimetria,
04:49estávamos falando exatamente da reunião ministerial
04:51em que o presidente Lula cobrou esse posicionamento político.
04:54ele tenta garantir um apoio partidário maior,
04:57só que o ministro Haddad acabou endossando esse discurso dele
05:00e assumindo uma postura mais política.
05:03Nós podemos conferir agora a fala do ministro Haddad.
05:07Não é fácil você manter, nas condições do Brasil,
05:12sobretudo na relação com o mercado financeiro,
05:14muito difícil a relação,
05:16porque esses indicadores que eu estou falando
05:18não são reconhecidos.
05:21São números oficiais que não são reconhecidos
05:24pela imprensa.
05:26É como se o presidente Lula tivesse herdado o paraíso
05:29e tivesse agora com problemas nas condições.
05:32Não.
05:33O presidente Lula herdou um inferno
05:35no campo fiscal
05:36depois de sete anos de governo de direita e extrema-direita.
05:40Eles se apresentam como os campeões
05:43da responsabilidade fiscal
05:44só pegar os números de sete anos.
05:46Tem nada a ver uma coisa com a outra.
05:48Então, essa tensão nós vamos continuar perseverando
05:52para superar.
05:54Mas manter crescimento, manter emprego,
05:57manter inflação baixa,
05:58numa tensão, às vezes, artificialmente construída,
06:02na política ou na economia,
06:04não é tarefa para qualquer um.
06:06O ministro Haddad, depois do término dessa reunião ministerial,
06:10ele falou não apenas dos problemas com relação ao mercado financeiro,
06:13mas também que a imprensa falta um reconhecimento
06:17da melhora das contas públicas.
06:19Na verdade, o que a gente tem feito
06:21é sempre noticiar números oficiais
06:23em relação à evolução das contas.
06:26A gente sabe que o governo tem trabalhado
06:27sempre na meta,
06:29na margem de tolerância da meta fiscal.
06:33A dívida pública tem crescido,
06:34já passa de 78% do PIB,
06:37cresceu em todos os anos.
06:38Logo de início teve a PEC da transição.
06:40É fato que houve uma herança do ex-governo,
06:44inclusive em relação aos precatórios
06:45que deixaram de ser pagos.
06:47É algo relevante em termos de mais de 92 bilhões de reais
06:52que o governo Lula teve de acertar.
06:54Mas a gente sabe também que ele aumentou
06:55uma série de despesas,
06:57o reajuste real do salário mínimo
06:58teve implicações sobre as despesas da Previdência.
07:01O próprio governo já falou do risco
07:03de estrangulamento do espaço
07:05para despesas não obrigatórias nos próximos anos.
07:08O novo governo, seja quem for reeleito
07:11ou um novo presidente,
07:13vai ter que gerenciar toda essa situação.
07:15E sabemos que há uma grande preocupação.
07:18O mercado financeiro se preocupa com isso.
07:20E eu acho que o recado veio para a imprensa
07:21para tentar pacificar essas críticas
07:23que remetem, inclusive,
07:25à reação que o mercado teve,
07:27à indicação de Flávio Bolsonaro
07:29preferindo o Tarcísio de Freitas
07:31porque vê nele mais chance de sair vitorioso
07:34numa disputa com o Lula,
07:36exatamente por esse posicionamento político.
07:38Então, eu acho que o governo já está
07:39se prevenindo contra isso,
07:41alertando para o ano que vem,
07:43que deve ser o ano da verdade,
07:45porque eles têm muito receio
07:47em relação às redes sociais,
07:49às inverdades ou verdades que sejam ditas,
07:52mas que sejam desfavoráveis.
07:54Então, há toda essa preocupação.
07:56E o ministro Haddad agora está assumindo
07:58também um posicionamento político,
08:00e não apenas como ministro.
08:01Bom, Dora Kramer,
08:03Hugo Palanalto em 2026,
08:06reunião ministerial,
08:07quais são as suas considerações em relação a isso?
08:10O presidente Lula, claro,
08:11fez também o pedido
08:13para que os ministros
08:15conversem com os senadores,
08:17o governo também pensando,
08:19claro, na sabatina de Jorge Messias
08:20para o ano que vem.
08:21Mas, Thiago,
08:23eu fico impressionado
08:25com a naturalidade
08:27com que se recebe
08:28uma reunião ministerial
08:29de caráter eleitoral, né?
08:32Nas dependências do Palácio do Planalto,
08:35usando qual foi o resultado,
08:37o produto da reunião ministerial.
08:41Nada, nada.
08:42O que se apresenta é
08:44o ministro Fernando Haddad
08:46se defendendo,
08:47já se preparando para a campanha,
08:50seja como candidato,
08:51seja como coordenador de campanha,
08:53e o presidente da República
08:55fazendo orientação eleitoral
08:58numa reunião ministerial.
09:00É a segunda vez.
09:01Na reunião anterior,
09:03também foi a mesma coisa.
09:04A justiça eleitoral não se manifesta
09:07e, nesse caso,
09:08pode se manifestar de ofício,
09:10mas não se manifesta.
09:12Então, o presidente avança
09:13usando e abusando do poder.
09:17Isso aí está escancarado.
09:18E a oposição também finge que não vê.
09:21Por quê?
09:22Porque a oposição também não quer
09:24ser incomodada.
09:25A oposição também tem gente no cargo,
09:28tem governadores que querem fazer campanha.
09:31Então, também não quer ser incomodada.
09:34Então, fica um pacto
09:36completamente nefasto,
09:39porque é um pacto de ilicitudes.
09:42E aí, isso vai continuando,
09:45vai pegando tração,
09:47todo mundo normalizando
09:50e a gente fingindo que está tudo certo.
09:53Pode fazer campanha, sim,
09:55usando o poder,
09:57usando do cargo,
09:58isso o governo e oposição.
10:00Porque não tem importância.
10:02Lá na frente,
10:03ninguém pode reclamar.
10:05Já teve gente caçada,
10:07por muito menos.
10:08Cristiano Villela adora citar
10:10essa questão eleitoral
10:11nas dependências do Planalto
10:14e, ao que tudo indica,
10:16outras reuniões como essa
10:18devem ocorrer até a eleição.
10:19Exatamente, Tiago.
10:20Me lembra um tema que foi icônico
10:22do ex-presidente Jair Bolsonaro,
10:24onde ele foi o condenado,
10:26que foi pela realização de lives
10:28nas dependências do Palácio do Alvorada.
10:31situações que são muito semelhantes,
10:35muito similares a essa que a gente vê,
10:36ou seja, a promoção pessoal
10:39de um presidente da República,
10:41uma promoção política,
10:42promoção com viés político,
10:44com viés eleitoral,
10:46se utilizando, para tanto,
10:48da estrutura do Estado
10:49e é o que a gente tem visto.
10:51A Dora lembrou bem
10:51que não é a primeira reunião ministerial
10:53em que isso acontece.
10:55Aliás, isso tem acontecido aos montes,
10:57nos eventos de palanque
10:59que o presidente da República tem falado,
11:01tem dado o tom a esse tipo de discurso
11:04e o posicionamento vai muito nessa linha,
11:07no sentido de fazer com que os seus quadros
11:10se apresentem para a disputa eleitoral,
11:13promovendo críticas que muitas vezes
11:15são a construção de cavalos de batalha político
11:19e diversas vezes não correspondem com a realidade.
11:23Em alguns casos, como na fala do ministro Haddad,
11:25que ainda é o ministro da Fazenda,
11:28nós vemos claramente
11:29um ministro da Fazenda
11:31que deveria ser a fonte,
11:33o canal de diálogo com o mercado,
11:35com um discurso extremamente ácido,
11:37extremamente político,
11:38que, ao meu ver, pode até cair bem
11:40na figura do presidente Lula,
11:41que é palanqueiro por vocação,
11:43mas que na figura de Haddad,
11:45que muitas vezes se posicionou
11:46como adulto na sala,
11:48não pega bem.
11:49Mas ele vai realmente
11:51deixando o figurino
11:52de ministro da Fazenda de lado
11:53e já marcando
11:54o seu posicionamento político.
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