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O voto do ministro Luiz Fux pode influenciar o resultado do julgamento de Bolsonaro e aliados? No Visão Crítica, Marco Antonio Villa recebe os especialistas Alberto Toron, Antonio Gonçalves e Davi Tangerino, que analisam o peso do posicionamento de Fux no STF após absolvição parcial dos réus do 8 de janeiro.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/oU-l9Fx479w

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Transcrição
00:00Toron, por favor, um apanhado geral desse voto do ministro Luiz Fux, por favor.
00:09Bom, em primeiro lugar, boa noite, Vila, é um prazer estar aqui com você.
00:15Eu acho que é importante esse voto do ministro Fux, em primeiro lugar, porque a corte não se mostra monolítica,
00:22a corte se mostra plural, são leituras diferentes do episódio do 8 de janeiro, não é?
00:31Na verdade, o 8 de janeiro pode ser tratado como um ponto culminante, no meu modo de ver,
00:37porque há vários sub-episódios, como, por exemplo, a atuação da Polícia Rodoviária Federal,
00:43no meu modo de ver, visivelmente criminosa, há o episódio do punhal verde-amarelo,
00:52se não me engano, é este nome, enfim, há outros episódios que formam um conjunto
00:59que dá a ideia, sim, de uma tentativa de golpe de Estado.
01:05Agora, o ministro Fux, com muita propriedade, ele, no meu modo de ver, apanhou algumas coisas
01:11que são importantes, por exemplo, por que esse julgamento é feito no Supremo Tribunal Federal?
01:16Vamos começar pelo povo de 8 de janeiro.
01:19O povo de 8 de janeiro, gente comum, gente simples, para usar uma expressão muito conhecida,
01:26ordinary people, quer dizer, por que essa gente foi julgada no Supremo?
01:30Ah, porque havia conexão.
01:32Essa conexão é o mesmo critério que foi usado pelo Moro para ser uma espécie de juiz nacional.
01:38No meu modo de ver, deveriam ter sido julgados pelo primeiro grau de jurisdição federal,
01:44porque atingiram-se bens da União.
01:47Ah, pode ser que tenha decisões díspares, contraditórias.
01:52Tudo bem, se tem recurso para isso.
01:54Então, já há um erro na raiz.
01:57Segundo ponto.
01:59O ministro Alexandre de Moraes, ele foi acampanado.
02:04Ele foi alvo de um provável ou de um desejado assassinato.
02:15Agora, você veja, se ele ostenta essa condição de vítima ou quase vítima, não é?
02:22Ele não poderia ser juiz do caso, muito menos relator.
02:26Claro, porque o juiz é um terceiro que julga.
02:30Não é alguém que é protagonista, porque tem o protagonista ativo, que é o sujeito ativo,
02:36e tem o protagonista passivo, que é a vítima.
02:38Se ele é protagonista do fato criminal, ele, no meu modo de ver, não sei como pensam o Davi e o Antônio,
02:45meu companheiro de conselho estadual na OAB, ele não poderia ser juiz do caso,
02:50porque lhe falta um requisito essencial chamado imparcialidade.
02:56Então, eu acho importante esse voto do ministro Fux,
02:59que também chamou atenção para algo que atina com as dificuldades da defesa,
03:05das diferentes defesas, de acessar o material informativo pré-processual colhido pela Polícia Federal.
03:13Eu mesmo conversei com o Celso Villar, que é um grande advogado,
03:15também professor da AGV, e me disse que demoraram, o ministro demoraram para ter acesso,
03:24e quando foram ter acesso, às vésperas da audiência, um material gigantesco,
03:31para entrar exigir a senha, a senha que eles não tinham.
03:35Então, veja, um advogado minimamente preparado, ele leu o material antes, por quê?
03:40Porque se eu vou te inquirir, o que o Marco Villa escreveu?
03:43O que o professor Villa escreveu? Como é que eu te questiono?
03:46Lendo o teu material, o que você depois na polícia, etc e tal.
03:50E se cerceou a defesa.
03:51Então, eu acho importante essa voz, não que eu concorde com tudo que ele disse,
03:57mas acho importante essa voz dissonante,
04:01para que se possa estabelecer um debate,
04:03eu espero que, como dizem os portugueses, frutuoso.
04:07Doutor Antônio Gonçalves, por favor, suas observações.
04:10Eu concordo com o que meu amigo já antigo, Toron, falou,
04:16e quero dar boa noite a todos, inicialmente,
04:19mas eu quero me deter em aspectos complementares ao que o Toron falou.
04:25Então, o primeiro deles é a figura do relator.
04:29Então, o primeiro ponto de destaque é que, ao longo desse processo,
04:34o relator foi vítima, promotor e juiz.
04:39Ele fez a produção de prova, sendo que não é a figura do devido processo legal.
04:46Quando houve, em vários momentos,
04:49as pessoas confundem o cerceamento de defesa com a não ampla defesa.
04:55Como o Toron bem mencionou,
04:56quando a parte da defesa não tem o devido preparo legal
05:01por impedimento de acesso,
05:04o devido processo legal está maculado.
05:06E aí, em vários momentos, há questionamentos de conduta.
05:13E a base da instrução desse processo,
05:16que é a delação premiada,
05:17e o Toron sabe de trás para frente como funciona a instrução da delação premiada,
05:22não pode ter uma contradição e uma mudança tão continuada.
05:27O instrumento da delação premiada é quando você tem uma informação privilegiada
05:34que faça um deslinde do processo
05:36e que depois ele vai trazer provas contundentes para confirmar aquela informação.
05:43O benefício desse fornecimento de material fático
05:46é ele ter uma atenuação da sua pena.
05:49Mas isso não faz com que ele mude cinco, seis, sete vezes a versão dos fatos
05:56e depois que ele faz o depoimento em juízo,
05:59se descobre que uma parte do que ele falou era mentira, comprovadamente.
06:04Então, a defesa tem mecanismos,
06:06e é muito bom o voto do ministro Fuchs,
06:10não o voto de uma maneira geral,
06:14mas o fato de ter uma possibilidade para a defesa
06:17para ter o seu direito processual de recurso.
06:21Porque se fosse 5 a 0, como em tese poderia ser,
06:26a chance deles terem uma capacidade de recurso ao cair é muito.
06:30Eu vou passar para o doutor David Tangerini,
06:33só lembrar que Anderson Torres,
06:35agora o ministro Luiz Fuchs,
06:37absolveu dos cinco crimes atribuídos a ele.
06:39Então, doutor David Tangerini,
06:42na mesma questão, na opinião do senhor,
06:44as observações sobre o conjunto desse voto longuérrimo,
06:48pantagroélico,
06:49se o Rabelé estivesse vivo,
06:51não termina, ainda continua,
06:54comparado também com o que o senhor viu na sessão de ontem.
06:57Por favor, obrigado por ter aceito o nosso convite.
07:00Prazer, boa noite, boa noite a todos,
07:02meus colegas aqui.
07:05Eu acho que eu estou com uma visão um pouco menos
07:08generosa, sabe, do voto do ministro Fuchs.
07:13É evidente que as questões colocadas aqui são muito importantes, né?
07:17Assim que houve o recebimento da denúncia,
07:20o Supremo colocou ali de pé uma ideia que eu considero muito perigosa,
07:26de que é suficiente para a defesa ter acesso às provas que foram,
07:32apenas às provas que foram empregadas na denúncia, né?
07:36Isso é um rematado absurdo, né?
07:39Porque, efetivamente, a acusação pôde, então,
07:43selecionar o que achava mais interessante,
07:45mais produtivo, e tudo bem, este é o momento dela, né?
07:52Mas, eu dizia já naquele momento,
07:55bom, recebida a denúncia,
07:57marcado o primeiro ato processual,
07:59a primeira ativa de testemunha de acusação,
08:02a defesa precisa ter acesso à prova, né?
08:04Pra poder exercer o seu mônus de maneira adequada, né?
08:09Então, há questões relevantes,
08:13eu não me sensibilizo muito com essa questão
08:16de o ministro Alexandre ser a vítima,
08:20na medida em que ele era o relator dos inquéritos originários,
08:24e esses ataques aí, eles vieram depois,
08:29quando ele já ostentava essa condição,
08:31e o Código de Processo Penal se imuniza dessa possibilidade
08:35de o réu poder se livrar do juiz que ele considera inadequado,
08:39criando o impedimento,
08:41cavando a falta contra este juiz, né?
08:46Mas, claro, nós vamos certamente conversar
08:48sobre outros assuntos que foram colocados,
08:51eu talvez ressaltaria de plano,
08:56que causa muito espanto,
08:58esse surto garantista,
09:00esse apego à legalidade,
09:03que surge hoje, então,
09:05no voto do ministro Luiz Sucs.
09:09Assim, de rápida memória,
09:13eu me lembro aqui,
09:14de duas decisões absolutamente ilegais
09:17que foram tomadas pelo ministro Luiz Sucs
09:19no exercício da presidência,
09:20em que a legalidade teve peso zero.
09:23A primeira, quando ele dá uma suspensão de segurança
09:26a uma decisão do ministro Levan Doves,
09:28que autorizava a entrevista
09:30do presidente Lula,
09:32à época ex-presidente Lula preso em Curitiba,
09:35um assunto absolutamente estranho
09:39à suspensão de segurança,
09:40à suspensão de segurança, perdão,
09:43e mais recentemente,
09:44quando de novo via a suspensão de segurança,
09:46ou algo que o vale,
09:47ele interrompe ali os efeitos
09:51da decisão do júri da Boate Kiss.
09:54Então, depois de condenar
09:57centenas de pessoas
09:59com base na lei de organização criminosa,
10:02359L, 359M,
10:04hoje,
10:05há uma iluminação garantista ali
10:09que data,
10:12com todo respeito,
10:14não me convence.
10:16Assim como depois,
10:17então, não quero sequestrar a fala aqui,
10:20acho que concretamente a,
10:24digamos,
10:24a interrelação que ele faz
10:27com a leitura normativa
10:28que ele propõe para alguns tipos
10:30e os fatos,
10:31também não me parecem nada convincente.
10:33Então,
10:33de modo global,
10:34eu acho um voto no mérito,
10:36assim,
10:37e na postura,
10:38e no discurso ideológico,
10:41em que, então,
10:41os black blocs
10:42são, sim,
10:43um risco à democracia,
10:45o MST,
10:47um risco à democracia,
10:48o Mensalão,
10:49foi um ato
10:49atentatório à soberania,
10:54à existência do Estado
10:54do Mercado Direito,
10:56mas um papel que propunha,
10:58sob o falso nome
10:59de Estado de Sítio,
11:01a intervenção no TSE,
11:03a remoção de ministro,
11:05um plano para assassinar
11:06o Presidente da República,
11:08isso não,
11:09isso são meras conjecturas,
11:10meros atos preparatórios.
11:12Então,
11:12é um voto,
11:13na minha opinião,
11:13muito indigesto.
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