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No Visão Crítica, Marco Antonio Villa recebe os advogados Georges Abboud, Sergio Salomão Shecaira e Fernando Castelo Branco, que analisam os primeiros votos pela condenação dos réus do 8 de janeiro. Os especialistas avaliam a previsibilidade dos votos de Alexandre de Moraes e de Flávio Dino.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/EZ0XAMqz3-g

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Transcrição
00:00Agora, a fala do relator foi uma fala muito dura, eu estou numa linguagem mais vulgar,
00:07e aí depois tivemos uma interrupção, é natural, para o almoço,
00:13depois sempre segue a ordem regimental, essa ordem não é aleatória,
00:19segue o regimento do Supremo Tribunal Federal.
00:22Falou o ministro mais jovem, que seria o presidente, é o último a falar, que é o ministro Zanin.
00:29Eu pergunto, é uma pergunta, sei que é muito geral, muito ampla, uma espécie de Deus e sua obra,
00:36eu sei que não é muito correto fazer assim, vou lá fazer um recorte, mas só para iniciar a nossa conversa.
00:43E agradecer, aproveitar que eu já estou animado aqui no começo, o doutor Jorge Zabud, o Ativismo Judicial,
00:50vou ler, porque eu me aventuro pelo campo do direito, eu só gosto de ler Constituições e acompanhar os debates,
00:58e aprender, nós tivemos sexta-feira com o doutor José Carlos Dias, né, aqui no Sua Vale é a Verdade,
01:04e esse belíssimo trabalho dele, a Constituição Federal comentada aqui,
01:08e também aqui agradeço muito o doutor Jorge Zabud.
01:11Começo com o senhor.
01:12Em linhas gerais, como que o senhor viu esse primeiro dia do julgamento?
01:19Boa noite, professor Vila, uma alegria estar aqui, do lado de nobres colegas, para falar desse tema.
01:22Eu acho que, numa análise bem geral, holística, assim, acho que estava tudo dentro do esperado, assim, né,
01:30o ministro relator, na linha do que ele já havia feito nas inquirições, ele retomou, ele fez um voto,
01:38se eu tivesse que resumir, ele fez o voto dele partindo de um fio histórico, né,
01:46ele descreveu as condutas a partir de uma narração histórica, fez a valoração dessas condutas, né,
01:52impondo a condenação aos julgadores.
01:55O voto do relator, naturalmente, costuma ser o voto mais longo, salvo se tiver uma divergência,
02:00e em seguida o ministro Favudino fez um voto muito mais conciso,
02:04ressalvando que haverá os debates, principalmente acerca da dosimetria da pena,
02:09que é no momento posterior à definição pela condenação ou absolvição dos correus.
02:15Então, até esse momento, vamos dizer assim, está dentro da normalidade,
02:19poucos a partes entre os ministros, não está dentro, assim, do que se esperava
02:25na narrativa do voto do relator.
02:29Professor e doutor Sérgio Salomão Xicaira, Xicaira está correto, né?
02:33Isso.
02:33Eu perguntei duas vezes, hein?
02:35Professor titular de Direito Penal e Criminologia aqui da Faculdade de Direito,
02:40agora, nossa, a Faculdade de Direito Largo de São Francisco,
02:42que já vai completar, daqui a pouco, 200 anos, hein?
02:46Caramba, o tempo passa.
02:48Estamos preparando a festa.
02:50Ah, sim.
02:51Eu queria perguntar essa questão, mas fazer um acréscimo aí para o senhor.
02:59Eu fiquei observando o voto do ministro Flávio Favudino,
03:01ele disse que está depositando o voto, está fazendo o resumo, tudo bem.
03:05Mas, em certo momento, lá no final, acho que para a surpresa de muitos, minha,
03:10ele falou que três daqueles réus, são oito desse primeiro núcleo,
03:19de acordo com a denúncia da Procuradoria Geral da República,
03:22ele fez referência aos três, que é o general Paulo Sérgio,
03:26que foi comandante do exército e ministro da defesa do governo anterior,
03:30ao general Augusto Helena, que foi do GSI, todos devem se recordar,
03:35e o Alexandre Ramagio, que hoje, salvo engano, é até deputado federal pelo Rio de Janeiro.
03:40E que, no caso dele, seria diferente a forma de participação.
03:44Então, eu faço um, abro um leque.
03:45Primeiro, como é que o senhor viu esse primeiro dia?
03:49Segundo, é possível o que ele falou, se sustenta a jurídica,
03:54a minha afirmação não é de alguém, eu não sou operador de direitos,
03:58se sustenta jurídicamente, numa mesma acusação, você dizer,
04:03não, esses aqui não foram tão ativos, entre aspas, como os outros.
04:07Pode isso?
04:09Boa noite, Vila, boa noite, Fernando, boa noite, Jorge.
04:13Eu concordo que o voto do ministro Alexandre de Moraes
04:19foi aquilo que se esperava dele,
04:21uma reconstrução cronológica, com muita precisão,
04:26de tal sorte que duvido que alguém consiga questionar,
04:30mais adiante, até na sessão de amanhã,
04:35a condenação propriamente dita daqueles réus.
04:40No entanto, quando o ministro Flávio Dino abre uma pequena dissidência,
04:46a meu juízo, essa dissidência não poderia ser aberta com base
04:49no artigo 29, parágrafo 1º do Código Penal.
04:54Eu vou explicar por quê.
04:55Por favor.
04:56O Brasil adota uma teoria,
04:59chamada teoria monista mitigada.
05:03Para explicar para quem é leigo,
05:08nós vamos sempre considerar, no cometimento do crime,
05:13uma identidade dos correus.
05:16Para usar um exemplo clássico,
05:19três assaltantes entram num banco,
05:22para assaltar o banco,
05:23e cometem, dão um tiro no caixa,
05:25e, portanto, o crime de roubo passa a ser um latrocínio.
05:29Aquele cidadão roubador também,
05:33que está no carro esperando que todos os três saiam
05:35para empreender fuga,
05:37ele também responderá por latrocínio.
05:40Se nós estivéssemos na Alemanha,
05:42a teoria seria dualista.
05:44Ele responderia por roubo,
05:46enquanto os três assassinos,
05:49que participaram da morte do caixa,
05:52do banco,
05:53responderiam por latrocínio.
05:55Na realidade, a gente tem uma espécie de comunicação
05:58do crime a todos os autores.
06:01O artigo 29 diz,
06:03quem de qualquer modo concorre para o crime,
06:05incide nas penas a este culminadas,
06:07na medida da sua culpabilidade.
06:09Aqui, e sim, na medida da sua culpabilidade,
06:13atenua um pouco o monismo,
06:16a rigidez do nosso legislador.
06:18É quase como se nós dissessemos,
06:20todos os gatos são pardos e estão no mesmo saco.
06:25Ocorre que,
06:26quando o ministro Flávio Dino
06:30fala que há uma participação de menor importância,
06:34a participação só é estendida ao partícipe,
06:39nunca ao coautor.
06:40Se ele reconhece a coautoria,
06:43não há que se falar em participação.
06:45E aí nós voltamos ao julgamento do Mensalão,
06:48a velha teoria do Klaus Rochmann,
06:50do domínio do fato.
06:51Se todos tinham o domínio do fato
06:54e concorreram na medida da sua culpabilidade,
06:57nós não poderíamos jamais pensar
07:00em termos da atuação,
07:02a atenuação do parágrafo primeiro
07:05do artigo 29 do Código Penal.
07:08Isto é importante,
07:11porque o julgamento,
07:14ainda que nós tenhamos,
07:16digamos assim,
07:17contributos diferenciados,
07:19e isso pode se expressar na pena,
07:23este parágrafo primeiro do artigo 29
07:25autoriza o juiz,
07:27na hora da dosimetria,
07:29a fazer com que a pena venha abaixo do mínimo.
07:32Vamos imaginar
07:33uma pena mínima de quatro anos
07:35para um dos crimes previstos
07:37no artigo 359, L e M.
07:40Se nós diminuirmos em um terço,
07:43ele poderia ter a pena graduada
07:47em dois anos e oito meses.
07:49Sim.
07:51Caso não se reconheça
07:52esse parágrafo primeiro
07:54como incidente neste caso,
07:56a pena mínima de cada um dos autores
07:59para cada um desses dois crimes
08:01seria de quatro anos.
08:02Portanto,
08:03ele abre uma dissidência,
08:07talvez pensando numa decisão,
08:10digamos,
08:11politicamente mais palatável,
08:15finalizando a sociedade,
08:19mas que não estaria autorizada
08:21pela dogmática tradicional.
08:24A meu juízo,
08:25esta é uma incorreção técnica
08:27do ministro Flávio Dino.
08:29Mas quem sou eu para decidir
08:31e discutir com o Supremo Tribunal Federal?
08:35Aliás,
08:35Paulo Brossar,
08:36que você citou,
08:37tem uma frase antológica
08:39que diz que o Supremo
08:40é aquele que erra por último.
08:43Muito bem lembrado, doutor.
08:45Doutor Fernando Castelo Branco,
08:47para o senhor,
08:47como é que foi hoje,
08:49o primeiro dia?
08:51Eu acho que,
08:51como você disse,
08:52primeiro,
08:53boa noite aos colegas,
08:55é uma honra estar aqui
08:56do lado do meu querido amigo
08:58Shekaira,
08:59professor Jorge,
09:00meu colega de PUC,
09:02Vila,
09:03estava adorando a sua
09:06cronologia histórica.
09:09Obrigado.
09:10Eu acho, Vila,
09:11que foi,
09:12primeiro,
09:12como você disse,
09:14um momento histórico.
09:15Eu vou além,
09:16eu acho que
09:17o Supremo
09:18nunca teve
09:19um momento
09:20tão importante
09:21na sua história,
09:22se pensarmos
09:23no conjunto
09:24da obra
09:24como o de hoje
09:26ou no decorrer
09:28dessas semanas
09:29e desses últimos meses.
09:31Eu acho que,
09:32como dito anteriormente,
09:34era o que esperávamos.
09:37O ministro
09:38Alexandre de Moraes
09:39fez um trabalho
09:40hercúleo
09:41e extremamente
09:43bem feito
09:44de uma cronologia,
09:46de um resgate histórico,
09:47de todos os fatos
09:48pertinentes
09:49ao conhecimento
09:53da prova,
09:54coleta das provas.
09:56Então,
09:56isso foi fundamental
09:58para estabelecer
09:59essa cronologia,
10:01até como linha mestra
10:02para o julgamento
10:04que está em curso,
10:07mas também,
10:08graças à TV Justiça
10:09e graças
10:10a esse sistema democrático,
10:12colocar
10:14ao pé
10:15da realidade
10:16o público
10:18que acompanha
10:19como se fosse
10:21uma final
10:23de Copa do Mundo.
10:24Então,
10:25eu acho que
10:26ele é
10:27um juiz
10:28notadamente
10:29mais severo,
10:31ele tem
10:32uma constituição
10:33mais...
10:34Eu nem digo
10:34punitivista,
10:36mas eu acho
10:36extremamente rigoroso
10:38na análise
10:40probatória
10:40e no rigor
10:42das suas convicções.
10:44É de origem
10:45do Ministério Público
10:46e trouxe
10:47esse bom balizamento
10:50para aquilo
10:51que vai ser
10:52o sequenciamento
10:53desse trabalho.
10:54Em contrapartida,
10:56o ministro Flávio Dino,
10:58de uma maneira
10:58até mais romântica
11:00e mais poética,
11:01quebrou um pouco
11:02o gelo
11:02sem ler
11:03o seu voto
11:05e se permitindo
11:06fazer as suas digressões
11:08acerca
11:10já da experiência
11:11que lhe é peculiar
11:13na judicatura
11:16e etc.,
11:17como ministro,
11:18trazendo
11:20uma convergência
11:22em relação
11:23à rejeição
11:24das preliminares,
11:26a questão
11:26da culpabilidade,
11:28na condenação
11:29dessas pessoas,
11:31mas divergindo
11:32conforme
11:33a sucinta,
11:34mas brilhante
11:36a aula
11:36do meu amigo
11:36Shekaira
11:37aqui,
11:38falando
11:38dessa questão
11:40que vai
11:41ser
11:42um tema
11:43também
11:44espinhoso
11:45para se discutir.
11:46do meu amigo
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