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O analista Alberto Ajzental detalhou os dados de inadimplência entre empresas brasileiras. Segundo a Serasa Experian, 7,5 milhões de CNPJs encerraram o mês com contas vencidas, sendo 95% de micro e pequenas empresas. O total da dívida chega a R$ 177 bilhões. Juros altos e busca desesperada por crédito agravam a crise e formam um ciclo vicioso. Entenda o impacto para o ambiente de negócios.

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Transcrição
00:00E o ambiente de negócios não está nada favorável para as empresas no Brasil.
00:04De acordo com o Serasa Experian, 7,5 milhões de empresas brasileiras
00:09encerraram o mês com contas vencidas.
00:12E um dos principais motivos para isso são os juros altos.
00:15Alberto Aizental já está por aqui para trazer para a gente uma análise
00:19mais aprofundada desse recorte tão importante para a economia do país.
00:23Oi, Aizental, boa tarde, bem-vindo ao Money Times.
00:26Boa tarde, Paula, e boa tarde a todos que nos acompanham nessa tarde.
00:33Obrigada pela participação.
00:34Agora, hoje ao vivo, hoje online, não ao vivo aqui no estúdio.
00:38Mas vamos lá, Aizental.
00:39A gente está falando, então, de um cenário que não é favorável para as empresas brasileiras.
00:44Como é que está a inadimplência das empresas?
00:47Quantas estão com dívidas não pagas, hein?
00:49Paula, o mar não está para peixes e o Brasil não está para quem quer ou precisa empreender.
01:01Precisa ter seu negócio e se sustentar.
01:05O ambiente de negócios no Brasil é péssimo.
01:10Essa que é a verdade.
01:11Então, você já comentou, 7,5 milhões de empresas brasileiras estão com as contas vencidas.
01:21É um aumento de 12%, se você compara com abril de 2024.
01:26Todos esses são dados divulgados pela Serasa.
01:30Um aumento de 800 mil empresas, Paula.
01:34E você sabe que, ao pior, 7,1 milhões de empresas dessas 7,5, 95% são aquelas micro e pequenas empresas.
01:46Ou seja, 32,5% das empresas com CNPJ ativo, né?
01:55Quase um terço das empresas que têm um CNPJ ativo, que teoricamente estão funcionando,
02:00elas estão inadimplentes.
02:02E você sabe que inadimplência não é dívida.
02:05Dívida é quando você pede emprestado e você está pagando, você tem uma dívida.
02:10Inadimplente é quando você não paga a sua dívida.
02:15Então, a gente pode chamar a arte 1 que ela vai mostrar esse aumento quase que galopante, né?
02:23Ela ilustra esse aumento e essa evolução de até 7,5 milhões de empresas, Paula.
02:32Então, você está falando, então, que existe essa diferença, né?
02:35De inadimplência e de dívida.
02:38Esse gráfico que a gente mostrou são das empresas inadimplentes, correto?
02:41Exatamente.
02:43São as empresas que, tendo dívidas, não conseguem pagar as suas dívidas.
02:49Então, essas são as que têm inadimplência, que é o pior cenário.
02:54Quer ou não, dívida não é grave.
02:56Grave é quando você contrai uma dívida e não consegue arcar com os seus compromissos.
03:02Agora, pegando, então, esse gancho, Aizental, né?
03:05Você falou, então, da diferença entre inadimplência e dívida.
03:09Agora, em relação às dívidas, qual que é o montante das dívidas dessas empresas?
03:14Piorou muito em um ano?
03:16Olha, Paula, vamos já chamar a segunda arte para a gente ilustrar o que vem acontecendo.
03:22O montante chegou a R$ 177 bilhões, o que dá R$ 39 bilhões a mais do que os R$ 138 bilhões de abril de 2024.
03:37Um aumento de 28%.
03:40E, de novo, desses R$ 177 bilhões, R$ 152 bilhões.
03:46Você consegue imaginar, Paula, R$ 152 bilhões, ou 86%, devido por pequenas empresas.
03:56Imagina, e 7,3 dívidas vencidas por empresa.
04:02A média da dívida é de R$ 3.230.
04:06Então, cada empresa está devendo, na média, um pouco mais que 7 dívidas,
04:117 pagamentos que ela não conseguiu honrar, na faixa de R$ 3.200 cada um, dá mais ou menos os R$ 21 mil.
04:20Ou seja, é muito dinheiro.
04:22Imagina o desespero de quem tem uma empresa, não consegue fechar as contas, não consegue...
04:29Não é nem questão de obter lucro, né?
04:31Tem dívida, não consegue arcar com tudo aquilo que deve,
04:35de tirar o sono de qualquer empresário aqui no país.
04:38Ô, Aizental, e como é que tem sido a demanda por crédito, mesmo estando mais caro, hein?
04:45Olha, Paula, essa é a parte mais louca que a gente vai discutir.
04:50Vamos chamar arte e que você vai ver o seguinte.
04:53Pera, eu tenho aumento da taxa de juros.
04:57Vamos ver se já aparece arte.
04:58Eu tenho aumento da taxa de juros.
05:01As empresas, são mais empresas devendo e devendo um valor superior.
05:06Aí, você vai dar uma olhada nos dados do Serasa e mesmo do Banco Central,
05:12quem mais tem aumentado a demanda por crédito, por financiamento, são as PJs, são as empresas.
05:19Aí você fala, pera, não faz sentido, porque se eu estou num ambiente adverso de negócios,
05:25eu vou pegar dinheiro?
05:26Eu vou investir?
05:28Não, você não vai investir.
05:30Você vai pegar dinheiro porque você vai tapar buraco.
05:33A verdade é essa.
05:34Você está com uma dívida, você está tentando arrumar um outro empréstimo,
05:38um outro financiamento para tentar pagar um anterior.
05:43Então, por incrível que pareça, a demanda por crédito, e fica claro nessa arte,
05:49ela está aumentando.
05:51Quando a gente fala, incrível que pareça, a gente pode usar a palavra paradoxal,
05:56porque não é para crescimento, juros mais altos, você imagina, não, juros mais altos,
06:03as pessoas vão evitar, as pessoas jurídicas vão evitar, não é o que acontece e acaba
06:09acarretando um fenômeno que em economia a gente chama de seleção adversa.
06:16Quanto mais cara a taxa de juros, pior a seleção dos clientes daqueles que topam pagar mais.
06:27Ou seja, aquele que topa pagar mais é porque está realmente desesperado.
06:33Seleção adversa.
06:34Quem paga uma taxa extorsiva e absurdamente alta de juros é o cara que tem a mínima condição
06:43de pagar, porque não consegue crédito em nenhuma outra situação.
06:48Então, olha que situação, que paradoxo que as empresas e a economia brasileira
06:55vêm apresentando e isso está se transformando, infelizmente, em um ciclo vicioso.
07:03Olha que louco.
07:03Vai virando uma bola de neve, né, Isental?
07:05Porque a empresa pega o crédito, mas ela já tem dívida ou ela está inadimplente
07:09e aquilo vai fazendo tipo um efeito dominó.
07:12E você falou no começo da sua análise que as mais prejudicadas são as micro e pequenas,
07:19que a gente já sabe que fazem um esforço muito maior para conseguir sobreviver e estar
07:24no mercado, mas não faz sentido algum essas empresas demandarem mais crédito justamente
07:29porque os juros estão cada vez mais altos, não?
07:31É, não deveria fazer sentido.
07:35Faz sentido na medida que elas estão desesperadas e querendo tapar buraco.
07:40É uma bola de neve que nem você falou.
07:43E as pequenas empresas, elas são as mais frágeis.
07:46Elas não têm acesso a boas linhas ou canais de comunicação com bancos, com agentes financeiros,
07:53etc.
07:53E elas realmente ficam à mercê de taxas superiores.
07:58Então, de novo, é um ciclo vicioso.
08:01O ambiente de negócios brasileiro não é um ambiente propício, positivo e que impulsiona
08:09e valoriza o empresário, o investidor, o tomador de risco e as empresas.
08:15Então, esse é o cenário que a gente se encontra atualmente.
08:18Obrigada, Isental, pelas suas análises e comentários.
08:22Sempre um prazer falar com você.
08:23A gente vai estar junto aqui no Money Times a semana inteira, até sexta-feira.
08:27Um abraço, até mais.
08:28Se Deus quiser, Paula.
08:29Um abraço.
08:30Obrigado.
08:30Tchau, tchau.
08:31Tchau.
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