- há 20 horas
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00:01Beatriz 28, liberado para decolagem.
00:1380 nós.
00:18Pare!
00:20Não pisa forte nos freios. Não pisa forte nos freios.
00:23137 pessoas estão a bordo deste voo da British Air Force.
00:27Em poucos minutos, quase metade delas estará morta.
00:30Isso realmente não deveria ter acontecido.
00:33Evacuação! Evacuação!
00:34A aeronave nem decolou, ela nem saiu da pista.
00:37E ainda assim, 55 pessoas foram mortas.
00:41Para os investigadores, é apenas um evento de rotina.
00:44Reconstruir os momentos finais dentro da cabine.
00:47Analisar os destroços e os gravadores de dados de voo.
00:50No fim, eles recorrem a uma psicóloga para ajudá-los a entender como uma emergência
00:55que poderia ter sido contornada, se transformou em um dos desastres mais horríveis da aviação britânica.
01:03Mayday! Mayday!
01:12Mayday. Desastre aéreo.
01:15Esta é uma história real.
01:16É baseada em registros oficiais e em lembranças dos envolvidos.
01:23Pânico na pista.
01:28São quase 6 horas da manhã de 22 de agosto de 1985.
01:34O aeroporto de Manchester está ganhando vida.
01:38Os primeiros voos do dia estão sendo preparados para a partida.
01:45O voo 28 da British Air Tours está programado para levar 131 passageiros de Manchester para a ilha grega de
01:52Corfu.
01:55Capuz anti-chamas.
01:56A British Air Tours é uma divisão da British Airways especializada em voos de baixo custo para destinos de férias.
02:05É uma manhã gelada.
02:08Uma leve brisa está soprando.
02:10Clima ideal para voar.
02:16A maioria dos passageiros deste voo matinal está viajando de férias.
02:26Lindsay Davis está indo para a Grécia com seu namorado, Charlie Tickson.
02:31Está tudo bem? Vamos lá.
02:32A gente estava namorando há um ano e por isso a gente estava tão animado.
02:38Sabe, eram as nossas primeiras férias juntos.
02:42O comandante Peter Tarrington está no comando.
02:46Eu era o comandante sênior de treinamento da frota.
02:50O primeiro oficial, Brian Love, está sendo treinado por Tarrington.
02:54Ele ia fazer uma decolagem e um pouso.
02:58Como parte do treinamento.
03:00Tudo certo, comandante?
03:02Sim.
03:02Então, recapitulando, Brian.
03:04Emergências no aeródromo, você controlando a aeronave, quais são as quatro razões para parar?
03:08Incêndio, falha, alerta de configuração ou você pedindo para parar?
03:12Certo.
03:12Então você faz parar e eu assumo a aeronave e deixo você lidar com a emergência.
03:16Eu cuido do controle de tráfego aéreo, ok?
03:19Se você conversa sobre a possibilidade de uma emergência e discute o que fará,
03:25se de fato acontecer, é mais fácil de se lembrar desses itens.
03:30Ok, Brian, liga dois.
03:32Ligando dois.
03:35Pressão de óleo subindo.
03:36Tá, liga um.
03:39Vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove.
03:45Um, dois, nove, mais dois a bordo, comandante.
03:47Todos afivelados, portas fechadas e automáticas.
03:50Obrigado, Arthur.
03:52A tripulação está pilotando o Boeing 737.
04:05Leva apenas quatro minutos para o avião chegar no início da pista.
04:11Beaturs 28, liberado para decolagem.
04:14O 737 tem três quilômetros para atingir a velocidade de decolagem.
04:21Os motores são empurrados para alta potência.
04:27Eu estava sentada na janela olhando para fora.
04:30Estava tudo normal e o avião estava indo bem rápido.
04:36Oitenta nós.
04:37Confirmado.
04:46A gente ouviu um som abafado, que parecia estar vindo de fora.
04:53Eu estava muito curiosa para ver o que estava acontecendo lá fora, mas não consegui ver nada.
04:58O comandante Tarrington precisa agir rápido.
05:01Pare.
05:02Pare.
05:10A reação imediata foi parar.
05:14A gente estava alguns nós abaixo da nossa velocidade de decisão.
05:17Então, eu fechei as manetes bem rápido e acionei o reverso.
05:21Dava para sentir a aeronave desacelerando.
05:25Aí o Arthur disse que um pneu tinha estourado.
05:28E eu não sabia, então a gente só ficou ouvindo.
05:35Não pisa forte nos freios.
05:36Não pisa forte nos freios.
05:41Eu pensei que o pneu tivesse estourado e que causaria algum dano no trem de pouso.
05:47Se a gente freasse muito forte.
05:49Não deve ser nada.
05:51Não se preocupe.
05:53Eu achei que um pneu talvez tivesse estourado, então não estava realmente preocupada naquele momento.
05:58O que eu pensei naquela hora foi, tá bom, a gente vai sair deste avião e provavelmente vamos ter que
06:03mover toda a bagagem para outro avião e decolar.
06:11Os passageiros do lado esquerdo do avião logo veem o real problema.
06:18Eu estava vendo um fogo laranja na parte de trás do motor.
06:23E naquele momento eu pensei...
06:26Obviamente não é um pneu estourado, porque não causaria aquilo, então deve ser algo um pouco mais sério.
06:34Deixa eu passar.
06:35Não vou ficar ali.
06:37Naquela hora eu só queria sair do avião e não estava nem um pouco feliz.
06:43Eu sabia que tinha um incêndio e eu só queria ficar longe do fogo.
06:48Fumaça está entrando na cabine.
06:51Senta, por favor.
06:52A saída mais próxima de mim era na parte de trás.
06:55Eu não queria ir para trás porque a fumaça estava entrando lá.
06:58Então eu decidi comigo mesma que iria pela frente.
07:00Aí eu disse para o Charlie...
07:02Vem, vamos!
07:03E foi quando eu comecei a ir para a frente do avião.
07:09Parando.
07:1028 Mike, estamos abortando a decolagem.
07:14Parece que temos um incêndio no motor 1.
07:19Parece que tem muito fogo.
07:20Obrigado.
07:22Avião e chamas, pista 24.
07:24De onde está sentado, o comandante Tarrington não consegue ver a gravidade do incêndio.
07:28Ele precisa de orientação da torre.
07:30Temos que tirar os passageiros.
07:33Melhor fazer pelo lado direito.
07:35O Tarrington decide sair da pista.
07:41Evacue pelo lado de este bordo, por favor.
07:50Simulação de incêndio no motor 1.
07:53Desligando 2.
07:54Evacuação!
07:55Evacuação!
07:56Por favor, mantenha a calma.
07:57Antes que a tripulação de voo deixe a cabine, eles devem completar uma lista de verificação de 15 etapas.
08:04Freio de estacionamento.
08:06Acionado.
08:06Freio aerodinâmico.
08:08Acionado.
08:08Mas o tempo está se esgotando.
08:10A gente tinha uma lista de verificação de evacuação, mas ela tinha 4 páginas.
08:15E o último item era retirar os passageiros.
08:18Alerta de fogo dos motores e APU.
08:20Isso não resolvia nem um pouco o meu problema.
08:23No 737, existem 4 portas de cabine.
08:28As duas na parte de trás estão cobertas de chamas e fumaça.
08:32Restando apenas duas para 137 pessoas.
08:36Então, um problema mecânico elimina uma delas.
08:42O Arthur estava tentando abrir uma.
08:45Ele estava forçando ela tentando abrir, mas não estava abrindo.
08:48Estava difícil.
08:53A parte de trás da cabine está enchendo de fumaça.
08:58Está dificultando a respiração.
09:00Passageiros correm para frente.
09:03A gente pareceu esperar uma eternidade até eles começarem a evacuar.
09:08E foi quando pensei, não vou conseguir sair, vai explodir com todo mundo aqui dentro.
09:14Alerta de fogo dos motores e APU.
09:16Neste momento, todas as 137 pessoas a bordo estão vivas.
09:21Mas a cada segundo, suas chances de sobreviver diminuem.
09:26O voo 28
09:28está virando uma armadilha mortal.
09:42A porta travada do lado direito do voo 28 da British Air Tours
09:45não deixa escolha para a tripulação.
09:49Eles devem tirar os passageiros pelo lado do avião que está queimando.
09:59Assim que abrimos a porta, os bombeiros já tinham chegado e estavam jogando espuma na escorregadeira.
10:05E ela invadiu o piso da copa.
10:10A gente queria começar a evacuar os passageiros, mas tinha um pequeno congestionamento e ninguém conseguia avançar.
10:16O corredor é bem estreito onde fica a copa.
10:19E eles ficavam se empurrando.
10:21Aí eu vi um garotinho que estava sendo empurrado contra a parede.
10:30Ele não conseguia sair, então eu puxei ele pela blusa.
10:33Ele estava com uma blusa amarela e ele meio que tropeçou para frente.
10:37Aí todo mundo começou a vir tropeçando atrás dele.
10:41Aí a gente direcionou eles para a escorregadeira.
10:45Pula! Pula! Pula!
10:49No treinamento, eles falam para você levar as pessoas até a porta e você fala para elas pularem.
10:58Desesperado para tirar as pessoas do avião rapidamente, o comissário volta para a porta travada.
11:03Após várias tentativas, ele consegue forçá-la a abrir.
11:09A única vez que eu virei foi para ter certeza que o Charlie estava atrás de mim.
11:15Te vejo lá fora!
11:17E o que eu vi quando olhei para trás foi as pessoas...
11:22indo para frente, em direção à frente do avião, onde ficam os assentos,
11:26empurrando os assentos para frente, reclinando eles enquanto avançavam.
11:30Então elas estavam correndo lá de trás para vir para frente.
11:34A escorregadeira estava aberta e as pessoas estavam simplesmente pulando nela.
11:39Quando eu cheguei na porta, não olhei mais para trás.
11:43Eu só queria sair.
11:44Dezenas de passageiros conseguiram sair do avião.
11:47Mas ainda há muitos mais lá dentro.
11:50O ar estava fumegante e tinha uma fumaça preta espessa.
11:54O Charlie disse que depois que eu tinha saído,
11:56entrou uma fumaça preta e todo mundo começou a gritar e entrar em pânico.
12:05Ele disse que as pessoas iam morrer lá dentro.
12:09O comandante Peter Tarrington e seu primeiro oficial Brian Love ainda estão a bordo do avião em chamas.
12:14E eles ainda não terminaram o passo a passo necessário para evacuar.
12:22Tinha quatro toneladas de combustível saindo daquela aeronave, do tanque da asa.
12:27Está pronto, Brian? Vai lá.
12:29Eu estava vendo muito fogo.
12:32Completar a lista de verificação colocaria suas vidas em risco.
12:37Fizemos tantos itens quanto pudemos.
12:40Então nós dois saímos pela janela da cabine.
12:50Não há mais passageiros nas saídas.
12:53Então Jonathan decide ver se ainda há alguém na cabine.
12:58E a fumaça estava tão densa que você podia tocar ela.
13:01Dava até para sentir o gosto dela.
13:03Foi horrível.
13:19Tinha uma jovem mais na frente na cabine.
13:23Mas ela estava realmente desorientada.
13:26Quer dizer, acho que todo mundo estava.
13:27A gente não tinha ideia do que estava acontecendo.
13:32Eu levei ela até a escorregadeira.
13:34Aí ela foi tirada do avião.
13:37O bombeiro me disse para sair naquele momento.
13:40Aí eu fiquei pensando, eu não terminei.
13:43Ainda não terminei.
13:46Quando a Toffi entra de novo na cabine,
13:49a fumaça espessa torna tão difícil ver quanto respirar.
13:55Estava bem escuro e silencioso.
13:57Nunca tinha visto nada assim.
13:58Mas eu ainda conseguia ver a luz da porta.
14:01Então naquele momento eu sabia onde ela estava.
14:02A fumaça força a Toffi a abandonar sua busca.
14:14Minutos depois de sair da pista,
14:16o voo 28 da British Air Tours é consumido pelo fogo.
14:21A gente saiu de uma cabine de comando
14:24que estava relativamente intacta.
14:27E quando a gente virou para trás,
14:29viu uma aeronave totalmente destruída.
14:32Isso aconteceu em questão de segundos.
14:38Foi terrível.
14:4354 pessoas estão mortas.
14:47Outra morreu no hospital.
15:01Não tinha nada de errado, de fato, com a gente.
15:04A gente pensava que não tinha nada fisicamente errado com a gente.
15:07Mas nossas vidas mudaram naquelas poucas horas.
15:21Eu não conseguia respirar.
15:23Eu estava praticamente na porta e não conseguia respirar.
15:26A fumaça estava entrando e todo mundo levantou e...
15:29Correu para fora.
15:31Estava todo mundo em pânico querendo sair.
15:32Quando a fumaça veio, você não conseguia ver nada.
15:36Não conseguia ver ninguém.
15:39São necessários 125 bombeiros e mais de duas horas para apagar o incêndio.
15:48A notícia do desastre logo se espalha pelo mundo.
15:52A primeira ministra britânica, Margaret Thatcher, voa para Manchester para visitar o local.
15:57Quando temos um terrível acidente aéreo desse tipo, todos ficam horrorizados e chocados.
16:03Cada detalhe desse acidente será investigado minuciosamente.
16:07Tem que ser.
16:09Este é o quarto grande desastre deste ano na aviação comercial.
16:13Em junho de 1985, um jato da Air India explodiu sobre o Oceano Atlântico.
16:21329 pessoas foram mortas.
16:24Semanas depois, 137 pessoas morreram quando um voo da Delta Air Lines caiu no aeroporto de Dallas-Fort Worth.
16:34E apenas 10 dias antes do acidente em Manchester, teve o acidente mais mortal da história envolvendo uma única aeronave.
16:40O voo 123 da Japan Airlines, um 747 totalmente lotado, colidiu com uma montanha, matando 520 pessoas.
16:54O voo 28 da British Air Tours adiciona 55 novas vítimas à lista de mortos.
17:011985 é agora o ano mais mortal da história da aviação comercial.
17:05O público que viaja de avião está ficando nervoso.
17:12A divisão de investigação de acidentes aéreos da Grã-Bretanha envia uma equipe a Manchester para desvendar os eventos que
17:18levaram à catástrofe.
17:20Entre eles, Stephen Moss.
17:23Ele vai inspecionar os motores do avião.
17:26Isso realmente não deveria ter acontecido.
17:29A aeronave nem decolou, ela nem saiu da pista.
17:32E ainda assim, 55 pessoas foram mortas.
17:35Cris Prótero também está na equipe.
17:39Seu foco é no incêndio.
17:44A gente estava ciente, a partir dos relatórios iniciais, que o fogo tinha entrado muito rapidamente na aeronave assim que
17:52ela parou.
17:53E era nisso que eu estava focando.
17:56Não leva muito tempo para Stephen Moss descobrir onde o problema começou.
18:03Ele vê danos no avião que não foram causados pelo fogo.
18:08Bom, a primeira coisa que notamos foi o buraco na parte inferior da asa.
18:16E bem do lado tinha um buraco enorme na lateral do motor.
18:19Parece que um foi a causa do outro.
18:21Não sei.
18:30Para tirar um avião carregado de passageiros do chão, é necessário gerar um empuxo grandioso.
18:37Essa potência é gerada quando o ar passa pela parte frontal do motor até uma série de pás do compressor.
18:43Ele é então inflamado e o escapamento empurra o avião para frente.
18:50Algo claramente deu muito errado com o motor esquerdo do voo 28.
19:00Os investigadores procuram por pistas na pista de decolagem e na cabine.
19:05Esperando descobrir por que tantas pessoas morreram.
19:14Quando entrei na cabine pela primeira vez, ela tinha, como em todos os incêndios de aeronaves, um cheiro penetrante e
19:21devastador.
19:23Plástico queimado, combustível queimado, materiais queimados tinham caído nos assentos.
19:29E os corredores estavam cheios de...
19:31de destroços dos compartimentos superiores.
19:36Uma cena de devastação.
19:41Os danos na cabine são reveladores.
19:44Seu teto está quase completamente carbonizado.
19:48Mas sua parte inferior está relativamente intacta.
19:53Estava evidente que não tinha tido um flash-over, neste caso em particular.
19:59Um flash-over ocorre quando os gases de um espaço fechado ficam tão quentes que se inflamam, incinerando tudo ao
20:05redor.
20:11A forma como a cabine do voo 28 foi carbonizada mostra a prótero qual foi a natureza do incêndio.
20:19Muitas das almofadas, dos assentos e até mesmo coisas como os cartões de evacuação e de emergência, que são feitos
20:26de plástico, estavam muito pouco danificados.
20:30Se eles fossem limpos e colocados em outra aeronave, ninguém ia saber que eles fizeram parte desse acidente.
20:36Já nos níveis superiores da fuselagem, os danos causados pelo calor eram enormes.
20:44O incêndio na cabine tinha sido grave, mas não deveria ter sido catastrófico.
20:51Resta aos investigadores duas perguntas.
20:54Por que tantas pessoas morreram?
20:57E o que causou o incêndio?
21:03A resposta para a segunda pergunta pode estar fora do avião, no meio da pista.
21:09Os investigadores encontram um grande pedaço de metal em forma de cúpula no caminho que o avião fez.
21:18Stephen Moss pode ver que é de uma peça do motor chamada capa do combustor.
21:27Parecia que o cilindro da extremidade dianteira e o da extremidade traseira tinham se separado.
21:32A câmara de combustão dos motores a jato do 737 contém nove cilindros de combustão.
21:38É onde o combustível e o ar são misturados e inflamados.
21:42Então cada cilindro precisa suportar um calor intenso.
21:48Mó suspeita que o cilindro quebrado de alguma forma explodiu e destruiu o motor esquerdo do avião.
21:55Ele atingiu um painel de acesso ao tanque de combustível sob a asa e fez um buraco considerável ali,
22:00levando ao vazamento de uma enorme quantidade de combustível.
22:05Provar que a peça da câmara de combustão penetrou na asa é fácil.
22:10Ela se encaixa perfeitamente no buraco da asa.
22:14Esta foi claramente a principal causa do acidente.
22:18O motor do avião é um Prattin Whitney JT-8D.
22:22Para Moss, isso é muito preocupante.
22:25Na época, era provavelmente o motor a jato mais amplamente usado no transporte aéreo comercial do mundo.
22:32E obviamente era bastante urgente que a gente tentasse encontrar a causa disso,
22:36para evitar que outras aeronaves tivessem o mesmo problema.
22:43Existem dezenas de milhares de cilindros de combustão sendo usados ao redor do mundo.
22:47Um deles explodiu em Manchester.
22:53Stephen Moss precisa descobrir por que ele falhou.
22:58E rápido.
23:06Os investigadores que analisam o incêndio mortal a bordo do voo 28 da British Air Tours
23:12examinam o registro de manutenção do avião.
23:14Eles descobrem que o cilindro de combustão que se rompeu tinha sido reparado anteriormente.
23:20A gente precisava analisar o quão eficaz esse reparo foi.
23:27Durante uma inspeção de rotina um ano e meio antes,
23:31os mecânicos encontraram pequenas rachaduras em alguns dos cilindros de combustão.
23:44Definitivamente não era incomum encontrar fissuras por fadiga nos cilindros.
23:49Eles operam em um ambiente de alta temperatura.
23:56Os manuais fornecem vários procedimentos para reparar essas fissuras.
24:00Os investigadores descobrem que os mecânicos consertaram as fissuras
24:04de acordo com um procedimento estabelecido no manual de reparo do motor.
24:08Eles a soldaram.
24:09Mas a fissura no cilindro número 9 era excepcionalmente longa.
24:15O manual de revisão não estabelecia limite para o comprimento da fissura ser reparada.
24:21E era a fissura mais longa que já tinha sido vista antes.
24:25E ela ainda assim foi consertada.
24:29Depois que os cilindros consertados foram colocados de volta no motor,
24:33os mecânicos não tinham como saber que a solda não tinha selado efetivamente a fissura.
24:39Isso porque os cilindros não podem ser inspecionados enquanto o motor está no avião.
24:45Desde o conserto, houve 11 relatos de aceleração lenta do motor que explodiu em Manchester.
24:54Um cilindro de combustão danificado pode ter sido uma razão para o problema.
24:59Mas os manuais de solução de problemas disponíveis para os mecânicos em Manchester
25:04não listavam isso como uma possível causa.
25:06Foi a Pratt & Whitney que ofereceu outras maneiras de corrigir o problema de aceleração.
25:12Não parecia nenhuma surpresa para eles.
25:15Era como se eles já tivessem visto isso antes.
25:19E nunca acabou sendo nada sério.
25:24Então mecânicos em Manchester fizeram pequenos ajustes
25:27para corrigir a velocidade de marcha lenta do avião e mantiveram ele em operação.
25:34As gravações de voz da cabine de comando revelam que a tripulação do voo 28
25:38sabia que havia um problema com a aceleração lenta.
25:41O motor 1 estava com a aceleração lenta anteontem.
25:45Sim, senhor. Eu estava no voo.
25:47E eles aprovaram.
25:48Mas o registro levou o capitão Terrington a acreditar que o problema tinha sido corrigido.
25:55Um comentário no registro técnico de um voo anterior
25:58indicava que a aceleração do motor estava lenta.
26:02Não parecia um problema grave,
26:04porque os engenheiros tinham feito alguns reparos
26:08e a aeronave tinha voado no dia anterior sem problemas.
26:13Os ajustes na rotação de marcha lenta não resolveram o verdadeiro problema.
26:17A fissura do cilindro de combustão,
26:20que atingiu o limite crítico no voo 28.
26:26Parando. 28 Mike, estamos abortando a decolagem.
26:31Evacuação. Evacuação. Por favor, mantenha a calma.
26:37Se a companhia aérea tivesse inspecionado os cilindros,
26:40acho que com certeza teriam visto o problema.
26:46Os investigadores agora conhecem as origens do desastre de Manchester.
26:51A fissura soldada no cilindro de combustão número 9
26:55cedeu enquanto o voo 28 acelerava pela pista.
26:58A frente do cilindro é ajetada do motor
27:00e faz um buraco na parte inferior da asa esquerda.
27:04Isso provoca um enorme vazamento de combustível no motor danificado,
27:08causando incêndio.
27:10Incêndios e motores não são comuns.
27:12A fuselagem de um 737 é isolada com material retardante de chamas para proteger a cabine.
27:18Os investigadores ainda não entendem como um incêndio fora do avião
27:22se espalhou para a cabine tão rapidamente.
27:26O inspetor de incêndio, Chris Prótero,
27:28encontra parte da resposta ao ver fotos do avião
27:30enquanto ele acelerava pela pista.
27:33Com as fotos, ficou evidente que o incêndio teve uma fase bem ativa
27:37enquanto a aeronave estava em alta velocidade na pista.
27:40O que produziu esse tipo de chama energética e turbulenta,
27:45tipo um maçarico acompanhando a traseira da aeronave.
27:50Uma foto de imprensa do dia do acidente
27:53faz Prótero chegar a uma nova teoria.
27:56As fotos da aeronave que apareceram na imprensa
27:59mostravam o reversor de empuxo esquerdo acionado.
28:05A impressão geral que se tinha daquela fotografia
28:08era que os reversores de empuxo
28:10tinham realmente lançado chamas
28:12como um maçarico contra a lateral da fuselagem.
28:15E que essa foi a explicação do motivo
28:18pelo qual o fogo tinha penetrado tão rapidamente.
28:22Aquela foto e suas implicações
28:24na verdade
28:26se tornaram bem significativas.
28:29Pare!
28:30Há várias maneiras de parar um jato em alta velocidade.
28:33Uma delas é com os freios.
28:35Não pisa forte nos freios.
28:38Outra delas é com os reversores de empuxo do motor.
28:41Os reversores de empuxo
28:42redirecionam o escapamento do motor a jato para frente.
28:45Isso ajuda a desacelerar o avião.
28:48Parecia que os reversores de empuxo
28:51simplesmente tinham soprado
28:52aquele tanto de chamas
28:54na lateral esquerda da aeronave
28:57diretamente na fuselagem traseira.
29:01Isso explicaria a razão do fogo
29:03destruir a cabine tão rapidamente.
29:05Agora parece plausível que o capitão Tarrington
29:08tenha piorado o incêndio
29:09ao tentar desacelerar o avião.
29:13Mas o prótero tem duas boas razões
29:15para duvidar de sua teoria.
29:17Uma delas é o local onde foi encontrado
29:19resíduo de queima proveniente do gás de exaustão
29:21ou efluxo.
29:28O e-fluxo atingiu a parte superior da fuselagem,
29:32próximo ao teto,
29:33as chapas do topo da fuselagem.
29:35Então, na verdade,
29:37a penetração que tivemos na parte inferior
29:40não era por esse motivo.
29:42A outra razão é que,
29:44no momento em que os reversores de empuxo
29:46foram acionados,
29:47o motor esquerdo já tinha explodido.
29:53Mas para agir como um maçarico,
29:55o motor precisaria de um fluxo de escape significativo.
30:00Fizemos cálculos para confirmar
30:02que o empuxo residual daquele motor
30:05não teria energia suficiente
30:07para causar aquele efeito.
30:09Isso confirmou que os reversores de empuxo
30:11não poderiam, de fato,
30:12ter desempenhado nenhum papel
30:14ou pelo menos um papel significativo
30:18na gravidade do incêndio.
30:22Claramente,
30:23algo além dos propulsores
30:24havia causado a rápida propagação do fogo.
30:27Prótero analisa os dados mais atentamente.
30:29Após estudar relatórios meteorológicos
30:32do dia do acidente,
30:33ele encontra a resposta.
30:40O vento foi o principal fator
30:43que agravou o incêndio
30:44que atingiu o exterior da aeronave,
30:46que rapidamente penetrou nela
30:49e que também afetou as condições
30:51dentro da cabine.
30:54Ao acreditar que tinha estourado um pneu,
30:56o capitão Tarrington tomou uma decisão fatal.
30:58Parando, 28 mics,
31:00estamos abortando a decolagem.
31:02Quando ouvimos o estouro,
31:03fechamos as manetes.
31:05Eu tinha imaginado
31:07que a gente ia liberar a pista
31:08e pedir ao controle de tráfego
31:10por um engenheiro
31:11que viesse e desse uma olhada nos pneus.
31:13Assim como uma rodovia,
31:15uma pista de decolagem
31:16tem uma série de saídas.
31:18O comandante Tarrington
31:19escolheu uma chamada Link Delta.
31:23Parece que temos um incêndio no motor 1.
31:27Quando recebemos o alerta
31:29de um incêndio,
31:31o cérebro já estava programado
31:33para realizar a parada.
31:39A tripulação estava ciente
31:41de que tinha um incêndio,
31:43mas na hora não pensaram
31:44na natureza e na gravidade dele.
31:46Então eles saíram da pista.
31:49O capitão Tarrington
31:51virou seu avião para a direita
31:52e parou.
31:55Ele não podia saber
31:56que fazer isso
31:57deixaria o problema muito pior.
32:00Tinha um vento lateral,
32:02um leve vento
32:03vindo do lado esquerdo
32:04da aeronave
32:05que estava carregando fogo
32:07que se originou no combustível
32:09e foi acumulando
32:10na asa esquerda.
32:11Ele levou as chamas para trás,
32:13para a parte traseira,
32:15na parte de cima
32:16e na de baixo
32:16da fuselagem traseira,
32:18entre a asa
32:19e o estabilizador horizontal.
32:22O vento envolve
32:23o fogo
32:24na parte traseira
32:25do avião
32:27e para dentro
32:28da cabine.
32:30Se não tivesse vento,
32:32acho que a situação
32:32teria sido
32:33muito mais benigna.
32:38Os investigadores
32:39descobriram
32:40como o incêndio começou
32:41e as condições
32:42que o fizeram
32:43penetrar na cabine.
32:47Agora,
32:48o investigador
32:48Eddie Trimble
32:49deve resolver
32:50o maior mistério
32:51em torno
32:51do acidente de Manchester.
32:54Aqui a gente tinha
32:55uma aeronave
32:55que tinha abortado
32:57a decolagem
32:57por um bom motivo
33:02e que taxiou
33:03para fora da pista
33:04e parou
33:04numa pista de táxi
33:05de forma ligeira.
33:08E ainda assim,
33:0955 pessoas
33:10perderam suas vidas.
33:12Então,
33:12a grande questão
33:13era porque exatamente
33:14isso aconteceu.
33:19Os investigadores
33:21descobriram
33:21que a maioria
33:22dos mortos
33:23não foi encontrada
33:24nas partes
33:24mais incendiadas
33:25do avião.
33:28As autópsias
33:30indicarão
33:30o verdadeiro assassino
33:31no voo 28.
33:38Das 54 pessoas
33:40que morreram
33:41na cabine,
33:42apenas seis
33:42sofreram
33:43queimaduras graves.
33:45Todas as demais
33:46morreram
33:46por inalação
33:47de fumaça.
33:49Parece que a fumaça
33:51na cabine
33:51era particularmente
33:52letal.
33:53Os sobreviventes
33:54contam aos investigadores
33:55que a fumaça
33:56era insuportável.
33:56a fumaça
33:58era extremamente preta
34:00e dava quase
34:01para tocar nela.
34:03Foi muito estranho.
34:05E eles diziam
34:06que o efeito
34:07era chocante.
34:08Assim que você
34:09respirava a fumaça
34:10pela primeira vez,
34:11começava a se sentir
34:12debilitado
34:13e sabia que se respirasse
34:15mais uma ou duas vezes
34:16seria o fim.
34:21na época do acidente
34:22de Manchester,
34:23os efeitos
34:24do fogo
34:25em um avião
34:25já tinham sido
34:26bem estudados
34:27e compreendidos.
34:28Mas os efeitos
34:29da fumaça
34:30não.
34:34Para descobrir
34:35o que tornou
34:35a fumaça
34:36tão tóxica,
34:37Trimble decide
34:38recriar o incêndio
34:39que ocorreu
34:40no voo 28.
34:43A gente estava
34:44tentando simular
34:45não apenas
34:46os gases
34:46que foram produzidos,
34:47mas também
34:48os níveis de ameaça
34:49que foram gerados.
34:50A fumaça
34:51que preencheu o avião
34:52era de materiais
34:53que queimavam
34:54dentro da cabine.
34:55A espuma
34:56dos assentos,
34:57a lã dos carpetes
34:59e os bagageiros
35:00de plástico
35:00liberam gases
35:02venenosos.
35:03Tais condições
35:04são recriadas
35:05queimando
35:06estes mesmos
35:07materiais.
35:09Trimble descobre
35:10que os passageiros
35:11do voo 28
35:12inalaram fumaça
35:13que continha
35:14uma mistura mortal
35:14de gases venenosos,
35:17incluindo
35:18altos níveis
35:19de monóxido
35:19de carbono
35:20e cianeto
35:21de hidrogênio.
35:25Agora ele precisa
35:26desesperadamente
35:27descobrir
35:28se há alguma maneira
35:28de proteger
35:29os passageiros
35:30de avião
35:30desse tipo
35:31de fumaça.
35:34Parecia
35:35bem evidente
35:37que a menos
35:39que a gente
35:39pudesse proteger
35:40os sistemas
35:41respiratórios
35:42das pessoas
35:42do ataque
35:43de tais
35:43gases
35:44de combustão.
35:47Tinha muito pouco
35:48que a gente
35:48poderia fazer
35:49para melhorar
35:50as chances
35:50de sobrevivência
35:51em incêndios
35:52de aeronaves.
35:57Ao longo
35:58de cinco semanas,
35:59os investigadores
36:00realizam
36:00dezenas de testes,
36:02experimentando
36:03diferentes filtros.
36:12eles queimam
36:14quase um quarto
36:14de tonelada
36:15de material
36:15para criar
36:16a fumaça
36:16necessária.
36:18Eis a conclusão
36:19dramática.
36:20Seria possível
36:21salvar as vidas
36:22dos passageiros.
36:24eu não tinha
36:25a menor
36:26dúvida
36:26de que
36:26nessas situações
36:28se uma cabine
36:29de aeronave
36:30está sendo
36:31invadida
36:32por gases
36:32de combustão,
36:35as chances
36:36de sobrevivência
36:37são expressivamente
36:38melhoradas
36:39se você tem
36:40a proteção
36:41de um capuz
36:42anti-chamas.
36:47O voo 28
36:48da British Air Tours
36:49tinha capuzes
36:50anti-chamas
36:51suficientes
36:52apenas para
36:52a tripulação
36:53e eles não
36:54foram usados.
36:57A pesquisa
36:58do Trimble
36:59indica que
36:59capuzes anti-chamas
37:00para passageiros
37:01poderiam ter
37:02salvado vidas.
37:04Existem capuzes
37:05tanto do tipo
37:05filtrante
37:06quanto do tipo
37:07com ar respirável
37:08que podem fornecer
37:09um nível
37:09muito alto
37:10de proteção
37:11às pessoas
37:11nessas circunstâncias.
37:18Muitos dos passageiros
37:19do voo 28
37:20teriam tido
37:21alguns minutos
37:21a mais de tempo
37:22para respirar.
37:28Foi tudo
37:29num piscar
37:29de óleo,
37:30sabe?
37:32A partir do momento
37:33que a gente
37:34parou na pista,
37:35em poucos minutos,
37:39estava tudo
37:39acabado.
37:42um Boeing 737
37:44lotado
37:44é projetado
37:45para ser evacuado
37:46em menos de
37:46dois minutos.
37:48Então,
37:48mesmo sem nenhum
37:49tempo adicional,
37:50mais passageiros
37:51do voo 28
37:51deveriam ter
37:52conseguido sair.
37:57Para descobrir
37:58por que tantas
37:59pessoas não saíram
38:00do avião,
38:00os investigadores
38:01recorrem a uma
38:02fonte improvável
38:03para obter a resposta.
38:10Pula!
38:11Pula!
38:13Por lei,
38:14os fabricantes
38:14de aviões
38:15devem provar
38:16que suas aeronaves
38:16podem ser evacuadas
38:17de forma rápida
38:18e segura.
38:20quando o 737
38:21foi introduzido
38:22no Reino Unido,
38:23a Boeing
38:23demonstrou
38:24que 130
38:24pessoas
38:25poderiam sair
38:26do avião
38:26em apenas
38:2775 segundos.
38:29Todas as
38:29aeronaves
38:30de transporte
38:31público
38:31são certificadas
38:32pelos mesmos
38:33critérios
38:34que exigem
38:34que o total
38:35de passageiros
38:36a bordo
38:36seja capaz
38:38de evacuar
38:39a aeronave
38:40utilizando metade
38:41das saídas
38:41disponíveis
38:42de um lado
38:43ou de outro
38:45dentro de
38:46no máximo
38:4790 segundos.
38:48mas 90 segundos
38:50depois
38:50que o voo
38:5128 parou
38:52a maioria
38:53dos passageiros
38:54ainda estava
38:54a bordo.
38:59A razão
39:01pela qual
39:01a evacuação
39:02em Manchester
39:02não foi feita
39:03em 90 segundos
39:04é porque
39:05as circunstâncias
39:06de uma evacuação
39:07real de incêndio
39:08são completamente
39:09diferentes
39:10das condições
39:11de certificação.
39:13A evacuação
39:14para fins
39:15de certificação
39:15é conduzida
39:16na claridade
39:17sem fumaça
39:18que reduz
39:18a visão
39:19e sobrecarrega
39:20os passageiros.
39:24Minutos
39:24após parar
39:25o voo
39:2628
39:26encheu-se
39:27de uma fumaça
39:28preta espessa.
39:30Assim que a fumaça
39:31começou a se espalhar
39:32na parte de trás
39:33da cabine
39:35e então
39:36se expandir
39:36para frente
39:39isso induziu
39:40um pânico
39:40imediato
39:42naqueles que foram
39:43mais afetados
39:43pela fumaça
39:44porque a respiração
39:45deles
39:45quer dizer
39:46o que eles
39:46mais disseram
39:47foi
39:47eu respirei
39:48uma vez
39:48a fumaça
39:48e senti
39:49que meus pulmões
39:50estavam falhando.
39:52Dá para imaginar
39:53que nessas condições
39:55as pessoas
39:55têm que sair
39:56de perto
39:56da fumaça
39:57e elas fizeram
39:58isso basicamente
39:58passando por cima
39:59dos assentos
40:00e de outras pessoas
40:01na frente
40:02delas.
40:04em menos
40:05de cinco minutos
40:06o que deveria
40:07ter sido
40:07um acidente
40:08ameno
40:08tornou-se
40:08mortal.
40:12Para evitar
40:13tragédias futuras
40:15a autoridade
40:16de aviação
40:16civil
40:17da Grã-Bretanha
40:17decide estudar
40:18mais as pessoas.
40:20Helen Muir
40:20é uma psicóloga
40:21e a principal especialista
40:23em como o design
40:23de aviões
40:24pode influenciar
40:25na sobrevivência.
40:27Ela é solicitada
40:28para estudar
40:28o comportamento
40:29dos passageiros
40:30do voo 28
40:30a fim de descobrir
40:32a razão
40:32de tantas mortes.
40:36O que a gente
40:37precisava aprender
40:38a fazer
40:38foi projetar
40:39o interior
40:40da aeronave
40:40para que mesmo
40:41se a gente
40:42tivesse o que
40:42podemos chamar
40:43de comportamento
40:44totalmente disfuncional
40:45a gente pudesse
40:46acomodar
40:47as necessidades
40:48dos indivíduos
40:49e seu desespero
40:50para sair.
40:52Helen monta
40:53uma cabine
40:54para simular
40:54o voo 28
40:55e a enche
40:56com voluntários.
40:57Então para fazê-los
40:59agir como se o avião
41:00estivesse em chamas
41:00ela oferece dinheiro
41:02aos primeiros
41:03que saírem.
41:05Isso gerou
41:05um comportamento
41:06inacreditável.
41:07As pessoas passavam
41:08por cima dos assentos
41:09contornavam
41:10umas às outras
41:10todo tipo de coisa.
41:12E quando os sobreviventes
41:13do acidente real
41:14de Manchester
41:15vieram
41:15e viram os vídeos
41:16eles disseram
41:18é foi assim mesmo.
41:30a evacuação
41:31do voo 28
41:32atrasou pelo fato
41:33de que os passageiros
41:34ficaram presos
41:35na divisória
41:35que separa
41:36a cabine principal
41:37da galeria.
41:39Pessoal
41:40a porta está aberta
41:41pulem na escorregadeira.
41:42Os investigadores
41:43descobrem
41:44que o congestionamento
41:45ocorreu
41:45por causa do design
41:46do Boeing 737.
41:48A divisória
41:49tinha 57 centímetros
41:50de largura
41:51o suficiente
41:52para apenas
41:53uma pessoa passar.
41:56Mas o que eles
41:57queriam saber
41:58era o quão mais larga
41:59precisariam fazer
42:00a divisória
42:00para que as pessoas
42:01não parassem
42:02e bloqueassem
42:03a passagem.
42:03a gente estava
42:04tentando
42:05o máximo possível
42:05recriar
42:06a situação
42:07que aconteceu
42:07em Manchester
42:09para então
42:10ir variando
42:11de forma sistemática
42:12o interior
42:13da aeronave
42:13para ver
42:14quais mudanças
42:14melhorariam
42:15a situação
42:16para os passageiros.
42:18Os testes
42:19mostraram
42:19que a divisória estreita
42:20criava obstáculos
42:21que os comissários
42:22de bordo
42:22tinham que liberar
42:23constantemente.
42:25Aumentar a largura
42:26para 76 centímetros
42:27melhorou muito
42:28o movimento
42:29dos passageiros.
42:35Através de uma série
42:36de testes
42:36a gente mostrou
42:37que se mudasse
42:38o espaço mínimo
42:38de 50 para 76 centímetros
42:41era possível
42:42melhorar enormemente
42:43a velocidade
42:43com que as pessoas
42:44saíam
42:44e isso reduziria
42:45a probabilidade
42:46de pessoas caírem
42:47e escorregarem
42:48entre outras coisas.
42:50Como resultado
42:51do trabalho
42:52de Ellen Moir
42:53foi feita
42:53uma recomendação
42:54para se aumentar
42:55o espaço
42:55entre as paredes
42:56da divisória
42:57para 76 centímetros
42:58e introduzir luzes
43:00no piso
43:01para ajudar
43:01a guiar os passageiros
43:02a saídas
43:03mesmo se estiverem
43:04cegos pela fumaça.
43:09Moir também
43:10encontrou
43:10uma maneira
43:11de melhorar
43:11a segurança
43:12da cabine
43:12sem ter que
43:13redesenhá-la.
43:15Senta, por favor.
43:16Ela também
43:17conduziu pesquisas
43:18sobre o comportamento
43:19da tripulação
43:19de cabine
43:20durante emergências
43:21e descobriu
43:22que os passageiros
43:23saem do avião
43:23muito mais rápido
43:24com uma tripulação
43:25mais assertiva.
43:26Cuidado com a cabeça.
43:28Por aqui.
43:30Vai com calma.
43:31É porque não queremos
43:33que as pessoas
43:34tomem suas próprias
43:35decisões.
43:37Queremos que elas
43:38façam exatamente
43:39o que a tripulação
43:39de cabine
43:40ou os procedimentos
43:41determinam.
43:42E não queremos
43:42que elas hesitem,
43:43principalmente na porta.
43:46A pesquisa
43:47de Ellen Muir
43:48levou os fabricantes
43:49a redesenharem
43:49as cabines
43:50para torná-las
43:51mais seguras.
43:52Mas um recurso
43:53de segurança
43:53permanece controverso.
43:55O capuz
43:56são os anti-chamas.
43:58O Ed Trimble
43:59acredita que eles
44:00deveriam ser
44:01obrigatórios
44:01em todos os voos
44:02comerciais.
44:04Sem dúvida.
44:05Sem dúvida.
44:07A Ellen Muir
44:08está menos convencida.
44:10Ela analisou
44:11como os capuzes
44:12de fumaça
44:12afetam o comportamento
44:13dos passageiros
44:14e teme que eles
44:15atrasariam
44:16a evacuação
44:16ordenada
44:17de um avião.
44:19A gente sabe
44:20que tem literalmente
44:22de um minuto e meio
44:24a dois minutos
44:25para todos saírem.
44:26Não queremos
44:27ter algo
44:27que seja difícil
44:28de colocar
44:29e que atrase
44:30as pessoas.
44:31A lição mais importante
44:33do voo 28
44:34da British Air Tours
44:35é que segundos
44:36importam.
44:37Agora é universalmente
44:39conhecido
44:39que levam 90 segundos
44:40desde o primeiro
44:41sinal de fogo
44:42até que se torne
44:43impossível sobreviver.
44:48Os passageiros
44:49do voo 28
44:50perderam tempo valioso
44:51quando a porta
44:52do lado direito
44:52travou.
44:54Os investigadores
44:55determinaram
44:56que o mecanismo
44:57da escorregadeira
44:58foi acionado
44:58muito cedo
44:59impedindo a abertura
45:00da porta.
45:01Tinha um defeito
45:02que fazia com que
45:03a tampa do compartimento
45:04da escorregadeira
45:05travasse se a porta
45:06fosse aberta
45:06muito rápido.
45:08Após o acidente
45:09de Manchester
45:09a Boeing
45:10rapidamente
45:11redesenhou o sistema
45:12para que isso
45:12não pudesse mais acontecer.
45:16Mas as recomendações
45:17feitas pela investigação
45:18de acidentes aéreos
45:19não foram adotadas
45:20rápido o suficiente
45:21para salvar vidas
45:22seis anos depois.
45:27Em 1991
45:28um Boeing 737
45:30colidiu com outro avião
45:31na pista em Los Angeles
45:32e pegou fogo.
45:34Muitas das 22
45:36pessoas que morreram
45:37foram vencidas
45:38pela fumaça
45:39antes que pudessem sair.
45:41Mas em 2005
45:43a queda de um jato
45:44da Air France
45:45em Toronto
45:45mostrou o quanto
45:46a aeronave mudou
45:47desde o acidente
45:48de Manchester.
45:52Todas as 309 pessoas
45:54saíram daquele avião
45:56em apenas 90 segundos.
45:57Ninguém morreu.
46:02Grandes mudanças
46:04nos aviões comerciais
46:07A porta está aberta.
46:09Aconteceram por causa
46:10de um voo
46:10que nunca saiu do sol.
46:14Essa é a única maneira
46:16que posso superar
46:17a morte de 55
46:18dos meus passageiros.
46:20O fato de que
46:23voar agora
46:23é mais seguro.
46:24Não consigo pensar
46:25em ninguém
46:26que não desejasse
46:28que isso não tivesse
46:29acontecido.
46:31apesar do que foi aprendido
46:34e das vidas
46:35que foram mudadas
46:36se daria qualquer coisa
46:38para que não tivesse acontecido.
46:39que não tivesse acontecido.
47:02Música
47:02O que é isso?