00:00Nós seguimos aqui, esse é o Direto ao Ponto na Jovem Pan, recebendo hoje o presidente da Fiesp, doutor Paulo
00:07Skaff.
00:08Luciano, por favor.
00:10Skaff, o senhor comentou agora sobre fuga de indústrias, muitas indo até para o Paraguai, inclusive por conta da energia,
00:16o senhor comentou, que é energia lá competitiva.
00:19Queria te perguntar como que a Fiesp, a indústria, vê essa questão da energia, do custo da energia.
00:24Há notícias aí de que o governo estaria discutindo medidas para tentar segurar a conta de luz, mas muita gente
00:31alerta que isso pode ser eleitoreiro, que já deu errado no passado.
00:35Então eu ia te perguntar a visão sobre esse tema energia que está sendo discutido.
00:39E até lembrando da MP579, a Fiesp inicialmente apoiou, depois não deu certo aquela medida.
00:45Como que o senhor vê esse tema da energia e até esse apoio à MP579, se o senhor puder relembrar
00:51e comentar se depois vocês se arrependeram, por exemplo.
00:54Bom, em relação ao Paraguai não é só a questão do custo da energia, né?
00:58Lá você paga muito menos imposto, é muito mais simples as coisas, tem menos burocracia, a empresa é valorizada e
01:06em todos os sentidos a empresa se sente útil ao país.
01:12É recebida de uma forma com tapete vermelho, então não só pelo custo da energia.
01:16Em relação a essa medida em véspera da eleição, de não deixar aumentar o custo da energia, substituindo por um
01:25financiamento, é isso que você está falando.
01:28Esse financiamento, a empresa de energia que vai tomar o financiamento, depois vai ter que pagar, porque não é dado.
01:34E quando for pagar, vai pagar com juros.
01:36E como não aumentou, fica represado uma necessidade de aumento.
01:40Aí o que acontece depois?
01:42Aí vai vir um aumento e ainda somado com o custo do empréstimo que teve que tomar.
01:46Está baixinho os juros.
01:47É, estão baixinhos os juros.
01:49Então essas coisas não são naturais no mercado.
01:52Eu gosto de enxergar as coisas que se acertem pelo mercado.
01:56Em relação a essa medida que você lembrou do passado, nunca, a gente não se arrepende, em hipótese nenhuma, até
02:02porque o que a Fiesp defendia é que eram, que deveriam ser feitos na época, novos leilões.
02:09E na época a presidente era a presidente Dilma e ela fez e impôs uma redução de preço.
02:17O que a gente defendia?
02:19Uma hidrelétrica, você tem, depois de paga, você tem custo de manutenção e operação só.
02:27O caro numa hidrelétrica é o custo do investimento e o caro é a amortização, é o retorno do investimento.
02:34No momento que uma hidrelétrica, ela fez um financiamento e terminou a concessão dela 35 anos depois e ela pagou
02:42o financiamento,
02:43ela só tem o custo de operar e manter.
02:46E nós não entendíamos que não poderia baixar o custo de energia.
02:50Teria que se fazer um novo leilão na época e esse novo leilão, quem entrasse, não ia ter que investir.
02:56Ia ter que calcular no custo só a operação e a manutenção.
03:00Então permitiria, sim, ter um preço mais baixo e nós calculamos que na ponta do consumidor seria 20% de
03:08redução.
03:09Na verdade, na época, a presidente Dilma foi por um outro caminho, deu os 20% de desconto na conta,
03:19que nos, vamos dizer, atendeu àquela expectativa, mas não fez o novo leilão, foi por um caminho mais de decreto
03:27e teve algumas distorções no meio aí.
03:29Mas eu continuo achando que, naturalmente, é injusto.
03:33É um pouco da discussão que nós temos hoje com o Paraguai em relação a Itaipu.
03:38Itaipu foi feito uma binacional, 50% do Brasil e 50% do Paraguai.
03:45O Brasil pagou sempre, baseado no custo, mesmo quando o custo era maior que o preço do mercado.
03:52Por quê? E o custo que era? O pesado do custo era o preço da amortização, para pagar a usina.
03:59Venceu, acabou o pagamento, passaram 50 anos.
04:02Naturalmente, tinha que baixar o preço agora que o Brasil teria que pagar e ressarcir o Paraguai.
04:07Por que ressarcir?
04:08Porque lá tem 20 turbinas e o Paraguai usa, ele teria direito de usar metade.
04:16Nunca usou, sempre usou menos.
04:18Essa diferença o Brasil consome e tem que ter um acerto com o Paraguai.
04:22Enquanto valeu o preço de custo, valeu.
04:25Era o interesse do Paraguai.
04:27Agora que baixou o preço do custo por ter já pago a dívida toda, aí quer mudar as regras, entendeu?
04:35Então, um pouco desse custo competitivo da energia do Paraguai, no final, quem está pagando a conta é o próprio
04:42Brasil.
04:43A gente tem que olhar para tudo isso.
04:45Agora, o Paraguai está se desenvolvendo de uma tal forma e atraindo investimentos que já já ele vai consumir as
04:5110 turbinas dele.
04:52Nunca funcionam 10, normalmente umas 2 ficam em manutenção ativa, às vezes ficam umas 18.
04:57E o Brasil, no início, ao longo da maior parte dos anos, o Paraguai usava duas e o Brasil usava
05:05a diferença toda.
05:07Enfim, então é isso aí.
05:09Eu acho que não adianta a gente fazer coisas falsas.
05:11A gente tem que fazer, encarar as coisas como elas são.
05:15É como o diesel agora, por exemplo.
05:17Nós temos uma realidade.
05:19Tem uma guerra.
05:20Essa guerra aumentou o petróleo.
05:22Nós não sabemos e não dá para saber como será semana que vem, ou daqui a um mês, se a
05:29guerra para, se o estreito de Orbus vai ser aberto, não vai ser aberto, se o barril do petróleo se
05:37normalizava, volta para a 70, estava, ou se ele vai para 150.
05:42Então, não dá para saber isso.
05:45O que dá é o seguinte, 30% do nosso diesel é importado e nós não podemos desabastecer o mercado.
05:52É importante que o mercado não falte diesel, porque se falta, aí que a coisa complica, para, prejudica o país
06:01e sempre tem uma forma de aumentar na escassez de uma forma mais grave.
06:07Então, o que nós temos que fazer?
06:08Encarar que realmente houve um aumento.
06:11Então, que vai ter um aumento para quem vai importar, vai ter um aumento.
06:16Aí o governo vai ajudar.
06:18O governo federal com 0,36 centavos, a UICMS é 1,17, está se negociando para isentar.
06:25Mesmo com essas duas isenções, pelo novo preço, pelos custos de importação, vai ter um aumento na bomba.
06:32E aí vai estar uma pressão inflacionária.
06:34Paciência, não tem o que fazer.
06:36Vai ter que se encarar isso aí.
06:38Qualquer coisa forçada, por exemplo.
06:40Não, não vamos permitir que passe de 7, 7,5.
06:44Eu sou o maior interessado que o diesel custe o mais barato possível e que não falte diesel nenhum.
06:49Mas nós temos que ser realistas.
06:51Se fizer isso, breca a importação.
06:54Porque ninguém vai importar para perder.
06:56Aí se brecar a importação, dá uma falta no mercado interno.
07:01Aí a coisa fica grave.
07:02Tanto de preço como de escassez.
07:04Que a pior situação é a escassez.
07:06Esse incentivo que o senhor comentou abre novamente um caminho em um ano eleitoral para ações eleitoreiras, como já aconteceu,
07:13presidente?
07:14É lógico que em ano eleitoral, quem é que os candidatos, e principalmente os candidatos majoritários, presidente da república, é
07:23um candidato à reeleição.
07:24A gente sabe.
07:25Então, tem essa preocupação prioritária.
07:28A gente sabe disso e todo mundo sabe disso.
07:30Não adianta nós ficarmos aí tapando o sol com peneira.
07:35Agora, esse esforço, no caso do diesel, para diminuir o impacto na bomba, é aquela história.
07:42Ajuda.
07:43Vai resolver a guerra, o efeito da guerra?
07:47A gente tem alguma coisa a fazer para diminuir o efeito da guerra, ou mexer no preço do petróleo?
07:53O petróleo é uma comodidade.
07:54Tem um preço internacional.
07:55A guerra provocou um aumento.
07:57O fim da guerra vai provocar uma baixa.
08:00O agravamento da guerra vai aumentar mais.
08:02O que pode se fazer é não deixar haver abusos.
08:06Agora, não adianta esperar que o importador vá importar para perder dinheiro, que não vai.
08:13Ninguém aqui faria isso e ninguém que está nos assistindo faria isso.
08:17Olha, pega o seu dinheiro, importe diesel para você perder tanto por litro.
08:22Não vai.
08:22Então, o que a gente quer é que não falte.
08:24Para não faltar, temos que ser realistas.
08:28Abuso, nesses momentos, não deve ser permitido.
08:30Agora, tem uma conta a ser feita.
08:32Custava tanto, passou a tanto, tem um aumento na bomba e tem uma pressão inflacionária.
08:38Mas a pressão inflacionária não será no Brasil, vai ser no mundo inteiro.
08:42A guerra, essa guerra e o aumento do petróleo, vai ter uma pressão inflacionária no mundo inteiro.
08:47Espero que essa guerra termine logo, que essa pressão ceda e que o petróleo volte a se acomodar no preço
08:54e a gente saia desse problema com o menor prejuízo possível.
08:58Eu vou dar a graça.
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