00:00Agora a gente fala um pouquinho mais de economia, porque as secretarias da fazenda e o governo federal,
00:05eles avançaram numa proposta conjunta para as medidas de mitigação da alta do diesel no país.
00:11É uma discussão, gente, que já está se arrastando há algumas semanas,
00:14e que o governo federal tenta, por meio de um apelo aos governos estaduais,
00:18para que eles reduzam o imposto estadual sobre o combustível,
00:22para que o próprio consumidor consiga enxergar, ou pelo menos ter a percepção,
00:26em relação à alta do combustível, por causa de alguns fatores, entre eles os conflitos no Oriente Médio.
00:33Fábio Perno, pela avaliação, pelo menos, que você vê de secretários da fazenda e também o governo federal,
00:41você acredita que o apelo por parte do presidente Lula e também do novo ministro da fazenda
00:46avançou nessa proposta para que haja uma compensação, pelo menos uma redução do imposto estadual?
00:51Eu acho que, assim, o que talvez tenha avançado é algum temor dos governadores,
01:01principalmente aqueles que disputarão a reeleição, com o aumento dos preços dos combustíveis,
01:07que, obviamente, vai ser, em parte, atribuído ao governo federal,
01:11mas o eleitor local também vê o governo federal martelar toda hora,
01:17que, olha, eu cortei, agora falta o seu governo também ajudar.
01:20Então, o eleitor também fica meio desconfiado do, enfim, do governador dele.
01:27Vai passar muito pela estratégia de comunicação do governo federal.
01:31Se ele, à medida em que ele consiga convencer as populações de que os governos estaduais também têm que ajudar,
01:38então, essa estratégia de dividir esses danos, o ônus dessa conta, talvez possa ter êxito.
01:50Se a comunicação não for boa e ele não convencer o eleitorado disso,
01:55os governos estaduais vão continuar cruzando os braços e dando de costas,
01:59porque, na verdade, isso também significa perda, qualquer corte de imposto.
02:05A essa altura vai significar para governadores, candidatos à reeleição, perda de receitas.
02:12E o que eles mais temem agora é abrir mão de dinheiro, porque eles vão ter que gastar dinheiro para
02:17se reeleger.
02:18Alangânio, como é que você vê também a relação a essa disposição por parte dos governos estaduais
02:24na tentativa de reduzir também o preço do combustível?
02:27A gente sabe que há uma discussão muito grande em relação a isso, mas o governo federal está tentando encontrar
02:31alternativas.
02:32E isso, se ele conseguir, pelo menos, esse avanço na proposta e depois trazer uma contrapartida para os governos estaduais,
02:38o próprio governo federal pode ter aí ganhos políticos, econômicos e também eleitorais?
02:43Olha, se os governos estaduais concordarem, mas eu discordo um pouco aqui do Piperno,
02:48eu vejo que recai muito mais a conta para o governo federal.
02:53Na percepção da população, se a gasolina está mais cara, na hora, a culpa do governo federal.
03:00Eu acho que tira voto aí do presidente.
03:02Então, os governadores, nesse sentido, estão numa situação muito mais confortável.
03:06É claro que também não vão querer abrir mão de arrecadação num ano eleitoral.
03:11Agora, de qualquer maneira, o governo federal está tentando lidar com essa situação de três maneiras.
03:17Represamento de preços via Petrobras, diminuição dos impostos, piscofins e agora também tentando convencer na redução do ISMS
03:28e também os subsídios, subsidiar o preço do diesel.
03:33É uma conta que dá uma aliviada no preço a curto prazo do combustível, mas não é de graça.
03:38Isso, evidentemente, traz uma renúncia fiscal, tem um impacto fiscal que o próximo governo acaba, literalmente, pagando a conta.
03:46José, como é que você vê também essas negociações avançando em relação ao preço do diesel?
03:51E, de certa forma, o governo já começa a trabalhar com outros planos ou com outras medidas
03:55devido a esse cenário de incerteza dos conflitos lá no Oriente Médio.
04:01Olha, logo depois da guerra, no dia seguinte, houve uma decisão de governo de avaliar pasta por pasta
04:07qual eram as interferências e a conclusão é de que existem algumas interferências no mercado internacional,
04:15mas que o grande problema era mesmo o reflexo do preço do combustível na bomba.
04:20Isso é que traz aquele sentimento de economia boa, economia ruim, é quando as pessoas consomem e os preços estão
04:28bem.
04:29E daí a dificuldade de tomar uma definição.
04:33A Petrobras, que define os preços dos combustíveis por aqui, ela não é mais uma estatal.
04:39Ela é economia mista e a maioria dos sócios do governo, aliás, a maioria dos sócios não está com o
04:48governo,
04:48mas são investidores.
04:50Então, se a Petrobras toma uma decisão de segurar artificialmente os preços dos combustíveis,
04:56aí esses investidores levarão prejuízo, né?
05:00Essa é a realidade.
05:01Então, o governo teria que reestatizar a estatal se quiser fazer um controle assim,
05:07a não ser que queira dar prejuízo e aí as ações caem, né?
05:11E, além disso, a Petrobras, ela artificializando o preço, ela perde muito em dinheiro
05:17porque o Brasil exporta petróleo bruto e importa, basicamente, diesel, né?
05:22Refinado e gasolina também, já elaborada.
05:27E o Brasil perderia, inclusive, dinheiro.
05:31A área de distribuição, ela é toda privatizada.
05:35Então, é muito complexo isso.
05:37Então, conta com apoio, tem que contar com apoio de governadores aí
05:40para reduzir impostos.
05:45É uma decisão que não é fácil.
05:47Eu não me sentiria à vontade.
05:48Ah, tem que fazer isso.
05:49Mas o mercado não pode ser aviultado.
05:51Isto é uma lei, como existe a lei da gravidade.
05:54Se alguém no seu município disser, olha, eu vou tirar todas as subidas
05:59e deixar só descidas aqui no município, desconfie, isso é impossível.
06:03Tem uma lei, lei da gravidade que impede.
06:05E a mesma coisa na economia, né?
06:08Você segurar um preço na bomba, isso tem um custo muito alto,
06:14consequências fortes demais.
06:16De qualquer maneira, é possível amenizar, dar uma estabilizada, né?
06:20Mas segurar para sempre não tem jeito, não.
06:23O mercado se impõe.
06:25E eu vou te dizer que nenhum momento, olha, de graças a Deus,
06:30que não saiu essa ideia estúpida, absurda, de congelar e de tabelar preços.
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