00:00Boa noite, prazer estar aqui contigo.
00:03É um prazer poder participar do Conselho de Economia,
00:07enquanto economista e empresário,
00:08então poder participar desse debate com vocês é uma grande honra.
00:11Mas vamos lá tentar traçar um pouco do abstrato que nós falamos aqui,
00:14para tentar trazer um pouco de algo palpável
00:17para quem nos assiste e não está por dentro dos dados de fato de produtividade.
00:24Quando a gente olha os dados da indústria, me corrija aqui,
00:27pode ser um pouco mais, um pouco menos,
00:28nos últimos 40 anos, a indústria, frente ao PIB do Brasil,
00:31caiu algo como 35% para algo como 23%, 24% do PIB hoje, mais ou menos.
00:37A indústria de transformação caiu dois terços nesse mesmo período,
00:40mas a indústria extrativa subiu.
00:42Na minha concepção, isso mostra que o Brasil,
00:44ele é realmente um país com baixíssima produtividade.
00:48E segundo um último estudo que eu vi da Organização Internacional do Trabalho,
00:51nós somos um dos países menos produtivos no mundo.
00:54O que eu quero dizer com isso é,
00:56toda a discussão que nós estávamos fazendo aqui da escala 6x1
00:59é como é que nós conseguiremos pautar uma redução de trabalho
01:05ganhando a mesma coisa
01:07quando a taxa de juros recai sobre o empreendedor
01:13da maneira como nós estávamos falando.
01:14Mas tem um ponto.
01:16Se a gente para a pergunta por aqui é,
01:18será que a taxa de juros, então, é culpa do Banco Central?
01:21O que, no meu entender, a taxa, como você muito bem colocou,
01:24a taxa selic é de curtíssimo prazo,
01:26as taxas de juros mais longas continuam altas.
01:29E quando você tem todo o custo Brasil,
01:32impostos, custos trabalhistas,
01:34tudo isso dificulta a margem das indústrias.
01:36E ainda na escala 6x1,
01:38por um ano eleitoral,
01:40querem que a gente simplesmente não debata e aprove.
01:42Ora, trabalhe menos e ganhe mais.
01:44Afinal de contas, o rico já tem muito dinheiro
01:47e pode pagar isso.
01:48O que nós estamos vendo, e passo a pergunta,
01:50é uma das pessoas, acho que foi o CEO da Lupo,
01:54falou, eu não saí do Brasil depois de 103 anos.
01:56O Brasil me expulsou.
01:58Então, o ponto é,
01:58como é que a gente consegue, em ano eleitoral,
02:01trazer uma discussão onde traga números?
02:03Porque o Brasil, pelo visto, em ano eleitoral,
02:06odeia discutir números
02:07e adora narrativas eleitoreiras.
02:09Só que a nossa indústria está perdendo.
02:11Como é que a gente traz isso para o debate público?
02:13O Musa, o que você fala,
02:14você citou a Lupo,
02:15a Lupo está montando uma fábrica no Paraguai.
02:19Exemplo da Lupo,
02:20tem centenas de empresas brasileiras montando no Paraguai.
02:24Eu diria que a informação que eu tenho,
02:25tem mais de 400 empresas montando no Paraguai.
02:28E por quê?
02:30Por menos burocracia,
02:32por menos impostos,
02:34por um preço competitivo de energia.
02:36Enfim, as coisas lá,
02:39a jornada de trabalho lá são 48 horas.
02:43Enfim, então, eu vejo assim,
02:45o Brasil precisa cuidar da sua competitividade.
02:48Nós não podemos viver com juros mais altos do mundo,
02:51viver com deficiência na infraestrutura,
02:54viver com baixa produtividade.
02:56Não é só, não é culpa das pessoas.
02:58Porque os métodos, os sistemas,
03:01a modernização, a automação,
03:04a tecnologia de outros países
03:06são mais avançados.
03:07E isso ajuda a melhorar a produtividade.
03:09Para calcular a produtividade,
03:11você vê o volume de produção
03:12e pelo número de horas trabalhadas,
03:15você tem o faturamento hora.
03:18Se você produzir mais,
03:20na mesma hora,
03:21você vai aumentar a produtividade.
03:22E para isso, você pode produzir mais
03:24se você estiver melhor preparado tecnologicamente e tal.
03:29Então, não há dúvida
03:30que essa questão,
03:31por isso que eu falo,
03:33essa questão de seis por um,
03:34não é problema.
03:36Porque tem um lado
03:37de a gente pensar nas pessoas.
03:39Nós temos 30%
03:41do nosso contingente
03:43de 45 milhões de pessoas
03:45com carteira assinada
03:46que trabalham com seis por um.
03:47Então, a gente discutir
03:50com esses setores,
03:51com esse universo,
03:52com as regiões
03:52e encontrar caminhos,
03:55tudo bem,
03:55desde que não haja motivação eleitoral,
03:57desde que não haja pressão
03:59em cima do Congresso eleitoral
04:02e que se faça uma discussão
04:04correta, honesta e transparente.
04:06Eu quero lembrar
04:06que no Brasil
04:07nós temos 44 milhões,
04:0945 têm carteira assinada,
04:1044 milhões
04:11são informais
04:12e bicos.
04:14Tem 17 milhões
04:15totalmente informais
04:16e 27 milhões
04:17são bicos.
04:18Meios que fazem bicos.
04:20Enfim,
04:21de repente,
04:21você olha e fala
04:22nós precisamos
04:23dar um jeito
04:24de formalizar
04:25esses 44 milhões
04:27para que as pessoas
04:28tenham direitos
04:29trabalhistas,
04:30férias,
04:30desce o terceiro,
04:32enfim,
04:33vale transporte,
04:35tem os direitos
04:35trabalhistas.
04:36É possível,
04:38nem todas as empresas
04:39dão também
04:39um plano de saúde.
04:41Enfim,
04:43e ao invés disso,
04:44quando você exige mais
04:46e dificulta
04:48para os formais,
04:49o que acontece
04:50é a mão contrária,
04:51aumenta a informalidade
04:53e o desemprego.
04:54Aconteceu no Chile.
04:55O Chile fez essa discussão
04:57em 24,
04:57faz dois anos.
04:59E realmente
04:59de redução de jornada,
05:01de mudança de escala
05:03e o que resultou
05:04aumentou o desemprego
05:06e a informalidade.
05:07Eu não quero que no Brasil
05:08aumente a informalidade.
05:10a gente precisa formalizar
05:13mais o emprego.
05:15Eu quero que,
05:15em vez de 45 milhões
05:16de pessoas,
05:17a gente tenha aí
05:1860, 70 milhões
05:19de pessoas
05:20no emprego formal.
05:22Quero estimular
05:22o empreendedorismo.
05:23Quero que as pessoas
05:24encontrem no Brasil
05:25o caminho do seu futuro.
05:27Pequenas,
05:28médias,
05:29grandes,
05:30essas empresas
05:31têm um futuro.
05:32Agora,
05:33é tão história,
05:34a gente tem uma concorrência
05:35global.
05:36Não pode o brasileiro
05:37sair de uma corrida
05:39com uma mochila
05:41de pedras
05:41nas costas
05:42e o concorrente
05:43levezinho lá
05:44com um tênizinho especial
05:45e a concorrência
05:46e aí sair
05:47para correr o 100 metros.
05:48E é isso que acontece, né?
05:49É isso que acontece
05:50por causa desse custo Brasil.
05:51Então,
05:52a gente tem que eliminar
05:53custo Brasil.
05:54O governo
05:55tem que lembrar
05:56que governo
05:57não é para atrapalhar
05:58a sociedade.
05:59Não é para pesar
06:00nas costas da sociedade
06:01que, infelizmente,
06:02é o que acontece.
06:02O gastão da história
06:04são os governos.
06:06Eles gastam,
06:06gastam muito,
06:07aí vai,
06:08aumenta a dívida,
06:09aumenta os juros,
06:10se paga uma fortuna
06:11de juros,
06:12no final aumenta os custos,
06:14pressiona a inflação
06:15e acaba aquele ciclo
06:17vicioso,
06:17negativo,
06:18que acaba não indo à frente.
06:20Você vê que a nossa economia
06:22é bipolar.
06:24Vai bem,
06:25um ano,
06:25anima um ano,
06:26dois anos,
06:26depois do terceiro ano
06:27já dá uma queda.
06:29Por quê?
06:29Porque os programas fundamentais,
06:33as reformas fundamentais,
06:35estruturais,
06:36elas são feitas mais ou menos.
06:39E quando avança,
06:40como, por exemplo,
06:41a reforma trabalhista avançou,
06:43aí, de repente,
06:44muda o governo,
06:45aí recua,
06:46começa de novo
06:47a ter os males
06:49que já passaram antes
06:50e que volta de novo
06:52a coisa.
06:52E assim vai,
06:53sobe e desce.
06:54ou quando
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