00:00Olha, o IBCBR, índice de atividade econômica do Banco Central, considerado uma prévia do PIB, caiu.
00:05E caiu quanto em março, Alangani?
00:07Pois é, Evandro, caiu 0,7%. A previsão do mercado era uma queda de 0,2%.
00:14No mês anterior, foi uma alta de 0,60%. Então, reverteu totalmente, né?
00:21De uma alta de 0,60% para uma queda de 0,7%.
00:24E por quê? Foi uma queda generalizada.
00:26Houve uma queda na indústria, 0,2%.
00:30Houve também uma queda na agropecuária, 0,2%.
00:35E principalmente, Evandro, no setor de serviços.
00:40Por quê, Gany?
00:400,8%. A gente está percebendo um desaquecimento no setor de serviços.
00:46E é interessante um movimento com a alta da taxa do desemprego.
00:50Desemprego, que saiu na mínima histórica de 5,1% no final do ano passado, já está em 6,1%.
00:58E o setor de serviços é muito intensivo em mão de obra, utiliza muita mão de obra.
01:03Então, o que está acontecendo, Evandro?
01:05Um desaquecimento da economia brasileira, que já estava em curso em 2025.
01:10Vamos lembrar que em 2025 o PIB cresceu 2,3%.
01:15Foi uma taxa inferior ao que a gente vinha registrando nos últimos três anos, acima de 3%.
01:23E a previsão agora é de um crescimento de menos de 2%.
01:28Então, a economia está desaquecendo uma série de incertezas, incertezas eleitorais, risco fiscal e elevação da taxa de juros.
01:37Interessante. Gany, já quero aproveitar que você puxou esse gancho e jogar também para os nossos comentaristas que estão aqui
01:43conosco.
01:44Vamos conversar com o Roberto Mota e com o Henrique Kriegner, que participam do Jornal da Manhã nesta segunda-feira.
01:50Toda vez que a gente fala de redução da estimativa de PIB, ou uma redução pontual que possa colaborar depois
01:58para um resultado menor do PIB,
02:00isso é preocupante porque a gente está falando em desaceleração da economia e num momento em que há também uma
02:07outra preocupação desses setores,
02:09inclusive o de serviços, que é o projeto sobre o fim da escala 6x1,
02:14que coloque em choque certa produtividade reduzida do país na contramão de um projeto que quer, inclusive, aumentar e flexibilizar
02:27as regras trabalhistas.
02:28Como é que você entende esse cenário em relação a esse resultado pontual do IBC-BR, hein, Henrique Kriegner?
02:37É preocupante, preocupante, Evandro, porque nós estamos falando de um ano eleitoral, né?
02:42E no ano eleitoral, especialmente o ano eleitoral brasileiro, as medidas elas são tomadas com foco naquilo que é a
02:50eleição,
02:51daqui a alguns meses, um resultado que seja minimamente tangível para influenciar a urna eletrônica.
02:57E depois vem o resultado na urna eletrônica e depois vem aí as consequências dessas medidas descabidas, né?
03:04Quando a gente fala, por exemplo, a questão da escala 6x1, como você bem mencionou, Evandro,
03:09a gente tem que considerar o nível de produtividade do Brasil.
03:12E o Brasil não está nem perto do nível de produtividade dos países que conseguiram reduzir a questão da escala
03:196x1, né?
03:20Então, isso precisa entrar em consideração.
03:23Não está entrando justamente por conta da eleição.
03:26A questão do desemprego se coloca muito.
03:29O desemprego voltou a subir e se coloca isso, como o Gani trouxe,
03:32na questão de que, olha, não, é claro, alguma vez que o mercado temporário, os empregos temporários terminam,
03:40aqueles de fim de ano, é claro, é normal.
03:42Não é normal.
03:43No momento, no conjunto da obra, a gente vê que existem indicadores de extrema preocupação,
03:48mas vão fazer pequenas medidas que possam dar um respiro até o período da eleição.
03:54E com isso, Evandro, a nossa economia vai sendo empurrada pela barriga.
03:59Aqueles que defendem o fim da escala 6x1 a toque de caixa de qualquer maneira,
04:05falam isso mesmo.
04:06Olha, a economia vai se recuperar.
04:07E é óbvio que vai, porque a economia se recupera até com guerras.
04:11Você tem países que foram destruídas por bomba atômica e que viraram potências mundiais.
04:16Mas o preço disso é muito custoso, muito grande.
04:21E traz impactos aí que, por gerações, a questão não é se a economia vai se recuperar.
04:26A questão é como que a economia poderia estar melhor se não fossem as decisões de Brasília.
04:32Desde criança, eu escuto na escola, escutava na escola que o Brasil é o país do futuro.
04:37E agora a gente está aqui, mais uma vez, debatendo a desaceleração da nossa economia
04:41em quase um ponto percentual, 0,7% em março.
04:45Não é só aquela sensação do brasileiro de ir no mercado e não conseguir sair com tantas sacolas de compras.
04:52É o dado, apontando aqui e diagnosticando aquilo que a gente diariamente enfrenta, né, Roberto Mota?
04:58Nós estamos falando de vários aspectos que acabam aglutinando e trazendo esse resultado.
05:03Falando de famílias endividadas, de juros altos, de investidores mais afastados
05:08diante de toda a instabilidade que o país enfrenta.
05:11Nós sabemos que o governo federal sozinho não é o grande culpado,
05:14mas é o grande responsável em resolver isso, né?
05:17Sem dúvida.
05:18São os políticos e o governo, Bia.
05:24Aceleração, desaceleração da economia,
05:27essas são coisas, são movimentos temporários, passageiros.
05:30O que a gente pode contar como garantido é que o dinheiro brasileiro sempre perde valor.
05:38E a nossa vida fica cada vez mais difícil.
05:42Eu mencionei aqui que o PIB per capita brasileiro é de 10 mil dólares.
05:48O dos Estados Unidos é de 90 mil dólares.
05:52Nos Estados Unidos não existe uma discussão como essa de fim da escala 6 por 1.
05:57Lá, o regime de trabalho é acertado livremente entre empresas e funcionários.
06:04Essa é uma das razões pelas quais os Estados Unidos têm um PIB per capita
06:09nove vezes maior do que o Brasil.
06:12Agora, nós vimos aqui o presidente da Câmara dizer que vai entregar a redução da jornada de trabalho.
06:20declarações, decisões como essa são a explicação do fato que você lembrou muito bem, Bia,
06:29do Brasil sempre ser o país de um futuro que nunca chega.
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